domingo, julho 15, 2007

À borla é maldade.

A ideia que ninguém deve ter um benefício sem pagar polui sempre a discussão do copyright. É injusto. É free riding. É pecado. É violação de direitos.

É treta. E é irónico numa sociedade tão dependente da ciência e da educação, que alguns pagam e dos quais todos beneficiam. Duplamente irónico, pois a função do copyright devia ser mesmo alguns pagarem agora para mais tarde todos beneficiarem. Na prática, a Disney nunca deixa o que quer que seja entrar no domínio público, mas em teoria era suposto haver um prazo para essas coisas.

Até aos últimos cento e poucos anos arte como poesia, literatura e música foi sempre à borla. Os trovadores e os poetas cobravam por actuação, mas não cobravam royalties por cada música ou poema. O dono da taberna não pagava à SPA por ter lá gente a tocar tamborim e flauta. E quem quisesse tocava e cantava em público. A arte era distribuída de pessoa a pessoa. Peer to peer. E era criada da mesma forma. Não há criatividade isolada, e até os génios dependem de criações anteriores. A criatividade sempre se assumiu como um esforço colectivo. Até recentemente.

Com a industrialização surgiu uma nova forma de distribuir, com uma arquitectura cliente-servidor. Livros, filmes e discos fabricados em massa e vendidos por todo o mundo. Leva cultura a muita gente, o que é um grande benefício. Mas dá demasiado poder a quem faz as cópias e o custo vai sendo cada vez maior. Mata a arte popular, suprime a liberdade de muitos artistas, e dá-nos este admirável mundo novo em que a AOL Time Warner é dona do parabéns a você, o Paul McCartney é dono de todas as canções do Buddy Holly e o Michael Jackson de todas as canções que o Paul McCartney compôs com o John Lennon. As fábricas do suporte tornaram-se em fábricas do conteúdo, e a arte passou a negócio.

E esta indústria treinou gerações a ver a arte como algo que se compra na Valentim de Carvalho, e se a loja fecha ficamos sem arte. Ouvir música à borla é roubo. Tem que se pagar o artista (leia-se «gestor de direitos»). Treinou-nos a ver Àgatas, Quins Barreiros e Backstreet Boys como seres especiais. São Autores. Têm Direitos. Tudo treta. Não são mais que os trovadores. Ouvem umas coisas aqui e ali, dão-lhes uns toques, e repetem com pequenas variações. Fazem o que muitos outros podiam fazer.

Há muito mais gente com talento do que com contractos de edição. A revolução digital não nos dá apenas mais capacidade de distribuição sem o custo de criar monopólios. O mais assustador para a industria é que dá a qualquer pessoa com talento a possibilidade de criar e distribuir a sua arte, e de juntar à sua a criatividade dos outros. Nem tem que ser sempre o Pachelbel. Os direitos de autor proíbem as obras derivadas, conferem monopólios, restringem a criatividade. Durante um século foi este o preço de um sistema de distribuição em massa. Mas agora até a distribuição restringem. São só custos sem benefícios.

Relaxar estas restrições iria estragar muitos negócios, mas como sociedade só temos a ganhar. Quanto maior o acesso à cultura mais artistas haverá, e quanto mais fácil for divulgar e criar arte mais e melhor arte teremos. Se queremos incentivar a criatividade temos que investir nas pessoas e não nos negócios. E a melhor forma de o fazer é dando-lhes o máximo de liberdade de criar e apreciar arte.

15 comentários:

  1. Ludwig,

    Falhou-te aqui uma coisa.
    Antigamente não havia gravações!
    Se eu tocasse e ninguém pudesse gravar, eu tinha garantido o meu trabalho, por exemplo 1 Euro por actuação.
    Agora se um qualquer Zé, pega num gravador e grava o que eu fiz, e da vez seguinte me recusam o trabalho, porque o Zé, resolveu por a gravação a tocar em meu lugar, e está a receber por isso, em que é que ficamos? Ele tem que pagar pelo que está a fazer? Ou, eu deixo de compor e não há mais arte para ninguém?
    Ou então já sei, eu componho na mesma, e pela primeira actuação cobro o valor de todas as actuações que iria fazer ao longo da vida, tipo 500 Euros, e o Zé, gravava mas pagava um pipo de massa, que depois ia recuperar a tocar a gravação em multiplos sitios? Tipo a 50 centimos cada execução? Espera!!! Mas... Isso é o que já acontece!?!? E se o Chico, vem a uma das sessões do Zé, e grava a reprodução da gravação. O Zé gastou 500 Euros, e na primeira execução só recebeu 50 Centimos, agora tem o Chico, esperto o gajo, a oferecer a mesma gravação por 25 centimos. O Zé e eu estamos sem rendimento, e o Chico está a fazer espectaculos uns atrás dos outros... Um negócio que permitia a alguém ouvir a minha musica mais vezes, ou com menor custo levou alguém que fez um investimento a ficar mal da vida por causa de um Chico, que ofereceu mais ao publico, por roubar alguém. Será que o benificio do público foi assim tão grande, que justifique que o Zé deixe de gravar, e como tal eu deixe de compôr? Sim, porque neste esquema, só o Chico é que lucrou, e não foi responsável por nenhum do investimento relevante para a actividade, antes pelo contrário...

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  2. Não falhou. Esse problema é ilusório. Basta ver o número de pessoas que vai a um concerto de música e que também tem o CD em casa.

    Se isso fosse remotamente realista, nenhum músico vendia CDs, visto não ganharem nada com os CDs comparado ao que ganham em concertos. A realidade é o contrário. Quanto mais gravações andarem por aí, mais gente vai ao concerto.

    E se o Zé quer cobrar bilhetes para ouvirem uma gravação não vai fazer muito dinheiro. Especialmente se toda a gente tiver uma gravação também.

    Nennhum músico sai prejudicado por milhões de pessoas ouvirem a sua música.

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  3. Mário Miguel15/07/07, 19:40

    "Não falhou. Esse problema é ilusório. Basta ver o número de pessoas que vai a um concerto de música e que também tem o CD em casa."

    Não há números acerca disto, mas digo-te: das pessoas que conheço, a coisa não é bem assim.

    "Se isso fosse remotamente realista, nenhum músico vendia CDs, visto não ganharem nada com os CDs comparado ao que ganham em concertos. A realidade é o contrário."

    Mas os músicos queixam-se que as vendas estão a baixar!?!?!?

    "Quanto mais gravações andarem por aí, mais gente vai ao concerto."

    Ludwig, uma coisa é uma correlação. Certo? E correlação e causalidade não são a mesma coisa.
    E sobre isto não há dados, havendo várias hipóteses, tu escolheste a que te serve melhor, mas no entanto não tem base credível.

    "Nenhum músico sai prejudicado por milhões de pessoas ouvirem a sua música."

    Depende do formato no qual estão a ouvir! Se for em MP3, parece podes estar errado.

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  4. Miguel,

    Não percebo ao certo o que estás a propôr. Que quanto mais CDs um músico vende menos pessoas vêm aos concertos? Que uma pessoa ter a música em CD não faz deixar de ir ao concerto, mas se a tiver em mp3 já não vai?

    Ambas parecem tão absurdas que tenho relutância em pensar que é isto que estás a dizer...

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  5. Mário Miguel15/07/07, 20:08

    Ludwig,

    Não!

    Se não ficou claro, aqui vai. O que disse é que o aumento de pirataria, poderia ou não implicar maior número de espectadores nos concertos, e aqui já ouvi de tudo, e não há números sobre isto, e a coisa poderá não ser assim tão líquida.

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  6. É engraçado que pelo menos na música clássica e na ópera a questão não se coloca (acho eu...). A educação, os instrumentos e o palco são caros. As gravações são muito baratas. Também há muitas imitações, mesmo em óperas rock como o Jesus Christ Superstar, que são feitas em escolas por alunos. Mas acho que não perdem dinheiro com isso, ou pelo menos não se importam.

    Nos programas informáticos open source há quem ganhe dinheiro. Até têm candidaturas de empregos. Na música não se pode fazer o mesmo?

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  7. A realidade sobre os concertos é bem diferente.
    O público vai VER a actuação. A audição não é a mesma coisa. O concerto é a tentativa de ver o idolo ao pé. A divulgação da musica em MP3 não contribui para a ida a concertos de nenhuma banda, pois não mostra nada com que os ouvintes se relacionem visualmente, e ao contrário do que o Ludwig quer transmitir, o concerto não é uma execução musical, e quem não tem jeito para pular feito parvo num palco, não tem publico para assistir, mesmo quando a musica é excelente.
    Também há coisas que não fazem sentido extrapolar. A musica clássica é uma orquestra acustica a tocar, e o som acustico ao vivo é muito diferente de uma gravação. Eu conheço 3 gravações diferentes da quinta sinfonia de Beethoven, e nenhuma é semelhante a outra. A disposição dos instrumentos e microfones altera a musica, e faz desaparecer os detalhes, pelo que a gravação é sempre má para essa música.

    Ainda há outra questão que falha no raciocinio do Ludwig. Pode sempre ouvir música gratuitamente: Na rádio. Só que grama com a publicidade.
    Em termos económicos o que o Ludwig descreve é treta. Porque se não há valor, nem interesse em ouvir a gravação do artista, então a solução é não ouvir. Essa de ouvir, mas dizer que não tem interesse no suporte e por isso não deve pagar é treta da grossa, porque o não interesse manifesta-se na não utilização, e não no não pagamento.
    Isto é a lei da oferta e da procura em acção! Se para o Ludwig a musica gravada vale 0 Euros, e a musica é vendida a 10 Euros, então não ouve, pois a audição está avaliada pelo mercado em 10 Euros. Se é possível copiar e tentar ouvir sem pagar, é como achar que um Rolex não vale 10 mil euros, e depois comprar uma cópia para ostentar ou roubar um de uma montra. Quando alguém acha que algo não vale o dinheiro não compra, e não usa. Se há a necessidade de usar paga!
    Para o fã numero 1 de uma banda, a cópia única de uma canção pode valer 1 milhão de euros, mas se houver 2 e o fã numero 2 só achar que vale 100 mil, o preço de ambas é 100 mil, o fã numero 3 fica sem cópia pois só estaria disposto a pagar 99 mil. Ele não tem o direito de copiar À borla só porque vale mais do que ele está disposto a pagar, porque tal como ele há muitos outros, e economicamente o custo elevado não justifica o roubo, e a cópia ilegal é roubo. Também é ilegal colocar vinhetas de marca em roupa de fabrico caseiro, também é ilegal gravar a primeira aula do Ludwig e depois despedir o Ludwig e colocar a gravação nas turmas seguintes, etc.

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  8. Mário Miguel16/07/07, 01:54

    Ludwig,

    A tua proposta é de alguma forma bonita, mas só funcionaria, talvez, num regime (verdadeiramente) Comunista, em que todos pensassem da mesma forma sobre neste tema.

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  9. «Até aos últimos cento e poucos anos arte como poesia, literatura e música foi sempre à borla. Os trovadores e os poetas cobravam por actuação, mas não cobravam royalties por cada música ou poema. O dono da taberna não pagava à SPA por ter lá gente a tocar tamborim e flauta. E quem quisesse tocava e cantava em público. A arte era distribuída de pessoa a pessoa. Peer to peer. E era criada da mesma forma. Não há criatividade isolada, e até os génios dependem de criações anteriores. A criatividade sempre se assumiu como um esforço colectivo. Até recentemente.»

    Até recentemente não era fácil reproduzir as criações alheias, pelo que o problema não se colocava.


    No início do artigo escreves: «É injusto. É free riding. É pecado.» Supus que fosse uma alusão ao que eu escrevi, pois fui o único a usar a expressão "free riding". Mas se foi, então entendeste muito mal o que eu escrevi:


    ««O problema dos free riders não é necessariamente um problema. Se vires por esta perspectiva do livre acesso à cultura, é um bónus.»

    Porque o problema dos free riders não é a injustiça da coisa: é o facto de não compensar fornecer um produto que as pessoas gostariam de ter.

    Para dar um exemplo: numa aldeia há 100 pessoas. Todas estariam dispostas a dar 10 contos para ver um espectáculo de pirotecnia. A empresa pim-pam-pum consegue fazer o espectáculo por 1000 contos. Se o vendesse a 4000 contos (com 50 bilhetes de 8 contos, por exemplo), toda a aldeia lucrava, e eles também.
    Mas como cada aldeão pensa que não vale a pena pagar bilhete, porque se não pagar pode ver o espectáculo à mesma, só 2 ou 3 "tansos" estão dispostos a pagar o bilhete. Isso é insuficiente, e o espectáculo nunca chega a ocorrer.

    Agora pensa isto em termos do "homem aranha". Ninguém paga o bilhete porque depois saca o filme da net. Entao isso impede que haja filme em primeiro lugar, e acabas por ter livre acesso a um filme que não existe.»

    Ou seja: o problema NÃO é a injustiça. O Problema NÃO é ter as coisas boas sem pagar por elas. Isso seria óptimo!

    O problema é não as ter porque a sociedade não conseguiu criar um sistema de incentivos para quem as produzisse.

    Se toda a sociedade tivesse acesso à pirataria (que não tem!!) não teríamos os filmes do Titanic, o Matrix, o Super Homem, o Homem Aranha, o Harry Potter, o Senhor do Aneis etc... São tudo filmes caros, só podem ser produzidos se existir quem pagar por eles. Se o acesso à pirataria for generalizado, muita gente deixa de pagar por eles. E quem continua disposto a pagar pde ser insuficiente para sustentar esses filmes. E isso pode ser uma perda para uma grande parcela da sociedade que gosta de os ver.

    Nota: os filmes com muito sucesso podem render várias vezes o investimento, mas fazer um filme é sempre um risco, e quem o produz nunca sabe se isso vai acontecer. No geral, fazendo as médias todas, a rentabilidade de toda a industria do cinema de Hollywood já é muito baixa. Na verdade é pouco superior à inflacção - o lucro económico é quase nulo.

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  10. Este problema não se poria, ou não se poria com tanta acuidade, se não se tivesse separado duma forma inteiramente artificial os direitos de autor dos direitos de propriedade intelectual. Esta separação (inteiramente artificial, repito) não beneficia em nada, nem o criador, nem o fruidor. Só beneficia o intermediário.

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  11. João Vasco,

    O que referiu é bem real. As pessoas no geral só vêm o exemplo do sucesso de uns poucos e acham que está tudo na mesma bitola. Por uma banda que tem sucesso, existem dezenas de bandas que dão prejuizo. Se alguém disser que existe melhor forma de finaciar a arte, do que o copyright está a tentar atirar apenas roubar alguem.
    Vou usar um exemplo: Moonspell. São a banda portuguesa de rock com maior saida no mundo inteiro. E são a única do género que singrou de dezenas de bandas do género que existem em Portugal, e que pagaram os estudios, e material e horas de trabalho do bolso deles, e que não conseguiram retorno. Se somarmos o investimento de todas as bandas, e o dinheiro pago pelas editoras para gravar e promover essas bandas, o escasso lucro de uns Moospell, não cobre os custos de todas as outras. Normalmente é o artista quem assume esse custo, porque se fosse a editora, não havia editoras a operar, e não havia musica para piratear.
    Com os filmes é a mesma coisa... E quando um escritor passa um ano a escrever um livro sem receber, como é que se protege de no final um esperto qualquer copiar o manuscrito e andar a vender a toda a gente, sem ter investido nada na criação do livro?

    Depois, existe a outra falácia que o Ludwig já usou anteriormente, e que é treta, da grande. Vamos supor que os artistas cobravam aos fans antecipadamente para criar a obra e assim se sustentarem e não haver copyrights. Se houver 100 fans que pagam, e o artista morre antes de terminar o trabalho? Estão a pagar o quê? E mesmo tendo acabado o trabalho... Este é uma porcaria, quem é que sai prejudicado? E o terceiro cenário... Se o artista criou algo de extraordinário. Porque é que eles o hão de partilhar com alguem? O investimento e o risco foi deles, os que não querem pagar têm direito a nada!! Essa de alguns pagarem para todos benificiarem só funciona se for o estado a pagar, e nesse caso, a realidade é que todos pagam, quer gostem quer não!
    Por fim, o que o Ludwig tem defendido é ainda mais treta, porque eu na realidade avalio uma audição de uma canção em menos de 50 centimos. Eu pago 10 euros pelo CD que vou ouvir dezenas de vezes. Cada vez que oiço, o custo médio de cada audição desce de forma marginal, e por isso, a pirataria é mais ridicula de defender, porque está-se a defender que não queremos assumir um custo de menos de 1 centimo por canção ouvida, mas, que vale a pena gastar 40 Euros para vêr uma actuação com um som muito pior que qualquer gravação, com milhares de acompanhantes ruidosos, em condições de baixo conforto, que na realidade acaba por custar 2 euros por canção em média. Estamos a querer defender que vale a pena pagar 200 vezes mais por canção em piores condições? Duvido que valha isso. Não conheço 1 concerto ao vivo de rock, que valha pela audição da música.

    A questão de outras ideias serem gratuitas é um bocado "tangosa". Um investigador é pago para investigar mesmo que não dê em nada, e quando o faz sem receber no acto da investigação, normalmente está a investir no futuro. E se há dúvidas sobre isto, então porque é que não me contratam para docente num curso de qualquer área cientifica? Será porque eu não investiguei e gerei ideias novas? É possível... :-)
    Por outro lado essa de vivêr dos rendimento sem trabalho, que o Ludwig pretende atacar é um bocado atacar a sua própria classe profissional. Porque os investigadores que geram as ideias "gratuitas" acabam por ser nomeados para dar aulas, com base nas excelentes ideias que geraram, mas, o estranho é alguém achar que ter boas ideias é sinónimo de ser bom professor, porque, os tipos com melhores ideias que eu conheci eram uma treta como professores, e no entanto recebiam por ter tido boas ideias no passado e não por serem bons naquilo para que os estão a pagar, que é para ensinar. Isto é treta da grossa. As ideias sem copyright estão tão protegidas como qualquer outra coisa. A maior parte delas surgem de estudos e investigação para mestrados e doutoramentos, que é algo obrigatório para ser professor universitário. Por isso, não necessita de copyright... O tipo que descobre um modelo qualquer de explicação de um fenómeno acaba por receber pela ideia que teve no passado mesmo que não faça mais nenhuma descoberta de jeito. E isto é o mesmo que a música, onde não é preciso acabar o conservatório com 14 valores de média para saber compôr. É só preciso ter bom gosto. O conservatório é bom para aprender a executar, e ser assalariado na musica, tal como um assistente universitário.

    Sobre a arte, está aqui a falhar o raciocinio fundamental. De um Cd que custe 10 euros, 2 são para o estado, 4 são margem da discoteca, e dos 4 que sobram, sai tudo o que resta. De um artista que venda 10000 discos são 40000 euros... Ora se uma banda tem 5 membros em média, e há que pagar ainda a promoção do disco, gravação, tecnico de estudio, distribuição, etc. O que sobra não dá nem 10000 euros para a banda. Mais do que isso ganham os piratas a vender cópias ilegais, a discoteca a vender entradas para os dançantes, a rádio em publicidade, e ainda alguém defende que quem tem que deixar de receber é o artista. Treta! Mesmo os 150000 euros de receita total de um CD são menos que o salário de 5 professores em 2 anos que é o tempo médio de tempo entre CDs de uma banda. Por isso a música até nem é cara! Apesar de eu defender que devia ser ainda mais barata.

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  12. Ups!

    Reli agora e vi que as contas da aldeia só batem certas se esta tiver 1000 habitantes e não 100.

    E quando falo em 50 bilhetes teriam de ser 500. Mas espero que todos tenham entendido o raciocínio.

    De qualquer forma vou reformular tudo:

    «Porque o problema dos free riders não é a injustiça da coisa: é o facto de não compensar fornecer um produto que as pessoas gostariam de ter.

    Para dar um exemplo: numa aldeia há 1000 pessoas. Todas estariam dispostas a dar 10 contos para ver um espectáculo de pirotecnia. A empresa pim-pam-pum consegue fazer o espectáculo por 1000 contos. Se o vendesse a 4000 contos (com 500 bilhetes de 8 contos, por exemplo), toda a aldeia lucrava, e eles também.
    Mas como cada aldeão pensa que não vale a pena pagar bilhete, porque se não pagar pode ver o espectáculo à mesma, só 2 ou 3 "tansos" estão dispostos a pagar o bilhete. Isso é insuficiente, e o espectáculo nunca chega a ocorrer. »

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  13. Ocorre sim, João Vasco. Basta existir um benfeitor local ou a junta de frequesia arcar com as despesas.

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  14. João,

    A minha dificuldade com o teu exemplo é que me parece que é tudo perfeitamente razoável.

    Numa aldeia sugerem comprar fogetes. São 8 contos a cada um. 90% das pessoas diz 8 contos? 'Da-se, isso não pago. Resultado, não se compra os foguetes.

    Isso é um problema? Problema era vir a polícia e dar cacetada no pessoal até pagarem os 8 contos cada um...

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  15. «Isso é um problema? Problema era vir a polícia e dar cacetada no pessoal até pagarem os 8 contos cada um...»

    É um problema, sim.
    Porque todos os 1000 habitantes estariam dispostos a pagar 10 contos para ver o espectáculo.
    Mas como podiam não pagar nada, e ver à mesma, decidem não comprar bilhetes, e e nunca ninguém verá o espectáculo.
    Se 500 pessoas pagassem os bilhetes, essas ganhariam 2 contos. Seria melhor que só estas conseguissem ver o espectáculo, do que poderem todas.
    Porque podendo todas, não vê nenhuma.

    No último artigo (também vou fazer esta observação lá) falas num moidelo de negócio curioso. Só tem um problema: seria totalmente inviável para 95% dos filmes que passam hoje nas salas de cinema.
    Podia não ser mau para ti, mas seria péssimo para muita gente.

    A alternativa da proibição e da regulamentação é pior? (Como no exemplo que dás dos polícias, se bem que a analogia esteja um pouco forçada, visto que ninguém defende o consumo coercivo de música alheia)
    Depende de como for feita, mas acho que isso é uma ideia mais defensável.

    Dizer que não existe nenhum problema é que me parece flagrantemente falso.


    PS- A solução "presidente da junta" também seria uma solução. Mas, no que respeita à produção artística, acaba-se a primazia do mercado na decisão de quais artistas devem ser financiados.
    Quais os prós e contras? Não sei.
    A única coisa que me parece clara é que existe um problema. Não me parece tão claro qual a melhor solução, se o Laisez Faire do Ludwig, se o semi-socialismo do "a", ou se o copyrigth do António. O grande ponto em que discordo do Ludwig é a ideia que a situação actual nem sequer tem inconvenientes.

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