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quarta-feira, dezembro 01, 2010

O Equívoco ateu da Crítica pela Caricatura.

Post convidado da autoria de D. Mário Neto, blinólogo.

O Ludwig, como muitos ateus, comete frequentemente o equívoco de criticar a religião por meio de caricaturas. É um equívoco porque a caricatura não afecta a religião. Por exemplo, em 1992 um caricaturista português desenhou uma figura religiosa com um preservativo no nariz e, em 2005, foram publicadas várias caricaturas de um profeta em jornais estrangeiros. Ninguém ligou. Os crentes não se incomodam com isso. Nem sequer aqueles que procuram religar-se aos Blin por religiões blinologicamente menos esclarecidas se preocupam com caricaturas, porque a Fé faz parte da Razão Humana e o crente, qualquer crente, usa a Razão acima de tudo.

É certo que a caricatura pode, pelo exagero, salientar algum problema ou imperfeição. Orelhas grandes, nariz peludo ou outros defeitos engraçados. Mas as caricaturas que os ateus traçam da religião não são relevantes porque não há qualquer imperfeição a apontar. A religião não é uma obra humana. A religião é uma dádiva dos Blin; é pura, perfeita e infalível. Por isso é impossível caricaturá-la. É verdade que certas pessoas, menos esclarecidas, cometem erros blinológicos ao venerar deuses falsos e alegadas virgens, pedir coisas e tentar bajular divindades sem a orientação correctora da blinologia. Isso pode-se caricaturar, mas só porque não é religião de verdade. De resto, aquilo que os ateus caricaturam são apenas os equívocos do ateísmo.

Por exemplo, o testemunho. A Racionalidade da Fé vem da confiança no testemunho escrito em livros antigos quando devidamente interpretado à luz do dogma blinológico. Sendo Racional, esta confiança não se pode caricaturar. Além disso, o testemunho não é exclusivo das religiões. Os tribunais, por exemplo, aceitam o testemunho como evidência. Quando a testemunha se contradiz a si própria, ou contradiz outras testemunhas, o Juiz interpreta os testemunhos de forma a substanciar a sua primeira impressão acerca da culpa do acusado. Se tem cara de meliante, pois é isso que os testemunhos todos dirão, se devidamente interpretados.

Mesmo quando a testemunha relata algo que pareça impossível ou contradiga as Leis da Física, o Juiz deve aceitar esse testemunho como verdadeiro se for um testemunho sincero. Porque um testemunho sincero é mais fiável do que as Leis da Física. Isto é fácil de ver. Basta reconhecer o grande conjunto de milagres que as várias religiões relatam. Considerando esses relatos vemos que as Leis da Física, apesar de tão apreciadas pelos ateus, estão sempre a falhar. Não são leis, mas sim meras sugestões de apresentação. Muito mais valor tem o testemunho de um crente.

Perguntam também os ateus “Porque existe o encarnado?” ou “Porque existe o mal?” se os Blin são omniverdes e omnibenevolentes. Ou seja, a Falácia da Pergunta Inconveniente. Mas cerejas, crianças a morrer de cancro ou pessoas soterradas em terremotos não são problemas que belisquem a religião porque não são nada de importante. A única pergunta que importa fazer é “Se eu acreditar sinceramente na existência dos Blin, na sua omnibenevolência e omniverdura, ficarei convicto de que os Blin existem mesmo?”. E a resposta é obviamente que sim. A Razão da Fé esclarece cabalmente as dúvidas ridículas do ateísmo.

O ateísmo gosta também de pintar as religiões como intolerantes. Conta-se histórias de religiões que perseguiram quem discordava dos seus dogmas, de religiões que condenam pessoas à morte por apostasia ou até que defendem o sofrimento eterno para quem rejeitar um certo deus. É verdade que uma caricatura serve para exagerar os defeitos, mas isto não é exagero. Isto é pura ficção. As religiões não têm nada que se assemelhe a essas coisas. Nenhuma religião quer coagir ninguém, nenhuma religião exige nada e, sobretudo, os religiosos não querem, nem nunca quiseram, poder económico ou político. Os ateus acusam as religiões de intolerância apenas por projectar nelas a intolerância do ateísmo. São os ateus que são intolerantes, chegando até ao extremo de escrever livros a dizer que não existem deuses.

Assim, a caricatura acaba por não ser da religião. É uma caricatura do ateísmo. Isto é tão inevitável quanto irónico, porque quem afirma, convicto, que “os Blin não existem e são mera ficção” está apenas a revelar a fé que tem acerca dos Blin. É um crente, mesmo que o seja no modo da rejeição. E esta caricatura é um perigo porque é perigoso caricaturar os ateus. Os ateus rejeitam as legítimas interpretações blinológicas da Blínia Sagrada. Por isso, rejeitam a Fé Verdadeira e, com ela, uma boa parte da Razão humana. O resultado é que os ateus são irracionais e intolerantes. Ai de quem os caricaturar! Desenhem uma figura de um ateu com um preservativo no nariz e verão, certamente, milhares de ateus a mobilizar-se para censurar a imagem e condenar o caricaturista. E se alguém desenhar um profeta do ateísmo haverá certamente violência e ameaças de morte.

sexta-feira, maio 08, 2009

Os Blin como a Liberdade da Vida de Amor.

Post convidado da autoria de Dom Mário Neto, blinólogo.

É com alguma tristeza que vejo, cada vez mais, a grande confusão que assola os ateus pela sua dificuldade em compreender alguns conceitos. O materialismo leva-os a encarar os Mistérios da Existência como puzzles ou palavras cruzadas. Pequenos enigmas para resolvermos. Mas não são. A nossa espiritualidade, a nossa relação com o Divino e todo o propósito da existência são Mistérios que nos transcendem e nunca estarão ao alcance da nossa compreensão. É por isso que podemos dizer, com toda a certeza, que a resposta a estes Mistérios é a fé nos Blin.

É também comum que ateus tentem ridicularizar a religião comparando-a com superstições de tribos do deserto ou histórias inventadas há séculos por alguma seita a quem executaram o líder. Mas se os Blin que os ateus rejeitam são espíritos que andam por aí a ouvir rezas, a segredar aos sacerdotes para os tornar infalíveis ou a curar queimaduras de fritura então estamos de acordo. Isso, realmente, é pura superstição. Mas a superstição não tem nada a ver com a religião. Não vamos confundir os conceitos.

Os Blin em que creio, os verdadeiros, são a Liberdade de Viver o Amor. Ou o Amor pela Liberdade da Vida ou, ainda, a Vida de Amor Livre. É este conceito, claro e simples, que deve ser entendido e separado dessas superstições em que caem certas pessoas bem intencionadas mas blinologicamente ingénuas. Porque só a fé nos verdadeiros Blin dá resposta aos Mistérios da existência, e isto é inegável para quem compreende o conceito. Notem que não digo isto apenas porque acredito. Isto é conhecimento, é um facto que nos chega da nossa vivência espiritual. Qualquer pessoa que rejeite os Blin como os únicos e verdadeiros criadores do universo, e o sentido último da existência, fá-lo apenas por não compreender o conceito de Vida de Amor pela Liberdade. Nunca poderá provar que os Blin não existem, até porque os Blin existem fora da própria existência.

Uma confusão semelhante ocorre em torno do conceito de milagre. Os ateus pensam que um milagre é um facto sobrenatural oposto às leis da Natureza, ou um portento, maravilha ou prodígio. Mas não é nada disso. Ao menos consultem o dicionário para não dizer estes disparates. Um milagre deve ser entendido como ocorrendo fora do plano material, em realidades transversais do plano do Espiritual e do Divino. As cerimónias blínicas têm muitos exemplos belos deste contacto com o milagroso, mas talvez o mais conhecido seja o ritual da mesmização. Como certamente saberão, o pastor ergue a vassoura da pureza espiritual e a colher de pau do esforço de transcendência e, invocando a bênção dos Blin, dá-se a sacralização que transforma por completo estes objectos de forma a ficarem exactamente na mesma.

Presos à sua visão materialista, os ateus dizem ser isto ridículo e proferem disparates como “se é para ficar na mesma não é preciso a missa” ou coisas afins. É outra falha na compreensão dos conceitos. A mesmização não é as coisas ficarem apenas na mesma. É um conceito blinológico que designa o evento sagrado onde as coisas ficam na mesma pela intervenção dos Blin, dentro da abertura e liberdade permitidas pelo Universo por Eles criado.

Há muito a dizer sobre este assunto, e não posso deixar de mencionar as centenas de livros sobre os Blin que seria preciso ler antes sequer de se poder dizer que Eles não existem. Ainda ontem, enquanto me ria dos disparates do Ludwig, estive a falar ao telefone com um ilustre sociólogo Paquistanês cujo nome por alguma razão não revelarei. E ele frisou precisamente isto. É preciso ler umas centenas de livros antes sequer de se poder dizer que os Blin não existem. Mas quem os ler, e os compreender, nunca dirá tal coisa porque basta compreender o conceito para ter fé nos Verdadeiros Blin. E quem tem fé na Verdade dos Blin não precisa de dúvidas perante aqueles Mistérios que são impossíveis de compreender.

sábado, novembro 29, 2008

A vacuidade existencial na ausência do Divino.

Uma contribuição de D. Mário Neto, blinólogo.

Todas as religiões partilham algo de Verdadeiro. Mesmo aquelas que não reconhecem explicitamente a existência dos Blin, e a Sua natureza Divina, veneram algum aspecto destes Seres Supremos aos quais devemos todo o universo. Por isso já há muito que a blinologia não se arroga de ser a única dona da verdade e acolhe, tentando guiar, todas as formas menos esclarecidas de receber a Revelação. Dos cristãos aos muçulmanos, dos hindus aos cultos da carga nas ilhas do Pacífico, no fundo todos os crentes se entregam à glória dos Blin. Só os ateus se distanciam da Verdade.

Por isso a blinologia tem liderado o diálogo com os ateus, baseando-se na premissa inegável que o ateísmo é o maior drama da humanidade e só conduz ao absurdo, à incerteza e à imoralidade. Só nesta base pode assentar um diálogo construtivo e só este princípio pode promover a tolerância, que consiste em impedir que os ateus critiquem a religião. Como muitos ateus não compreendem os problemas do ateísmo, este breve texto visa esclarecer as suas dúvidas.

O ateísmo condena-nos ao absurdo porque o fundamento lógico de todo o universo deriva dos Blin. Assim, negar a existência e natureza divina dos Blin é negar o fundamento lógico de todas as coisas. E é fácil ver as consequências. Imagine o leitor uma árvore, uma montanha ou uma pedra. A pedra é dura, redonda, pesada e fria. Agora imagine essa mesma pedra, com as mesmas características, mas sem o seu fundamento lógico. É este o universo que os ateus propõem. Um universo em que as pedras não têm lógica.

A incerteza é outra consequência do ateísmo. Pode não parecer grave. Afinal, todos os dias lidamos com a incerteza quando decidimos levar o guarda-chuva ou aceitar uma oferta de emprego. Mas aquilo que permite viver com incertezas é a certeza absoluta na Palavra, Frase e Parágrafo dos Blin, tal como é revelada na sagrada Blínia. Mesmo os crentes que vivem sem essa Palavra, pelo infortúnio de terem crescido com religiões menos esclarecidas, mesmo esses seguem livros que reflectem, ainda que imperfeitamente, a Revelação Blin. Sem essa certeza reina o caos. Li numa notícia recente que um aluno em Cambridge estava a ameaçar o ensino da matemática precisamente devido ao relativismo que é consequência desta falta de certezas. Deixo no final deste texto a ligação para o leitor verificar por si o estado lamentável ao qual o ateísmo nos leva.

Ao contrário do ateu, o crente tem uma certeza absoluta justificada pelo principio da cogitatio votiva, um principio inerente à fé, transversal a todas as religiões e que transcende a própria razão. É a posição dos ateus que é incoerente porque, por um lado, estes rejeitam a certeza absoluta da fé mas, por outro, e em contradição directa, querem duvidar da crença religiosa. Afinal, meus caros ateus, em que é que ficamos? Ou bem que duvidam, ou bem que rejeitam a certeza. Ambos é que não pode ser.

Mas o pior do ateísmo é negar a moralidade. É incontestável que se os Blin não existissem então tudo seria permitido. Cuspir na sopa, arrancar olhos e bater na avó. Sem os Blin não há bem nem mal e sem bem nem mal não há moral. É evidente que todos nós, crentes ou infiéis, somos dotados pela divina providência de uma intuição que nos permite distinguir o bem e o mal. Todos reconhecemos que é maldade torturar crianças ou dizer mal dos rituais religiosos. Isto faz parecer que o bem e o mal não dependem de um comando divino. Mas sem a fé o ateu perde o fundamento moral de sentido para o sentido do fundamento da sua moral, que é fundamental para que a moral faça sentido.

É difícil aos ateus compreender a lógica da fé ou perceber como a sua verdade transcende a mera correspondência entre afirmações e realidade. A fé transporta-nos para uma noção de Verdade que se guia, em última análise, pela devoção ao Sagrado, ao Transcendente e à Maiúscula. A observação pode dizer-nos muitas verdades. Há que respeitar a ciência e todos os seus triunfos. Mas é o critério do coração que nos diz a Verdade, pois a Verdade é aquilo do qual podemos ter certeza absoluta por queremos muito que seja assim.

Student stumps world’s greatest minds by adding ‘in YOUR opinion’ to end of every argument.

terça-feira, setembro 18, 2007

Comparações Impróprias.

Da autoria de Dom Mário Neto, blinólogo.

Os ateus fundamentalistas tentam desvalorizar a vivência espiritual do crente comparando a fé religiosa a atitudes que consideram semelhantes. Erroneamente, como todos sabemos! Mas é proveitoso explicitar o erro deste argumento enganador e, para tal, considerarei quatro variantes comuns.

Primeiro, defendem que a devoção religiosa é um apego emocional como qualquer outro, como por um clube de futebol, por exemplo. Mas não tem nada de semelhante. O adepto foi influenciado pelos pais quando era criança. Imitou os amigos, que também tinham clubes favoritos. O favoritismo foi se enraizando assistindo aos jogos durante a juventude e, eventualmente, não se sabe bem como, estas influências fazem alguns identificar-se com um determinado clube. A fé religiosa é radicalmente diferente.

O crente herda uma tradição religiosa familiar e recebe da sua comunidade e cultura os primeiros sinais de espiritualidade. A espiritualidade é nutrida pelas celebrações litúrgicas a que o adolescente assiste e, no mistério da revelação, isto desperta em alguns crentes a sua devoção por uma religião. A diferença não podia ser maior.

Outro disparate é comparar o Pai Natal com o Divino. A criança imagina o Pai Natal como um ser mágico a quem pede prendas e por quem se porta bem para as receber. Agradece ao Pai Natal deixando-lhe leite e bolachas ou dizendo obrigado. Em contraste, o crente concebe o Divino como um ser livre das restrições da natureza. Dirige-Lhe preces e esforça-se para cumprir a Sua vontade para que seja digno da Sua benção e graça. Grato, louva o seu nome, e oferece na igreja dinheiro ou outros bens materiais como símbolo da sua devoção. É o fanatismo do ateu que cria a ilusão de semelhanças entre duas coisas tão diferentes.

Argumentam também que milhares de religiões esquecidas provam que a fé religiosa não é sólida e permanente. Mas isto prova o oposto! É precisamente porque milhares de anos eliminaram as crendices falsas que sabemos que a nossa fé de agora é absolutamente correcta e eterna. Isto é tão óbvio que nem devia ser preciso dizê-lo. Mas vou ilustrar com um exemplo.

Da religião dos Sumérios restam apenas placas de argila e memórias fragmentadas. Perdeu-se precisamente pelas suas crenças erradas. Um dos mitos contava a morte da deusa Inanna, senhora do Céu. Desceu a Kur, o reino dos mortos, onde ficou três dias e três noites após os quais ressuscitou (1). Uma crença absurda. Um deus imortal que morre? E depois ressuscita, quando a morte é por definição eterna? Se está vivo, como todos sabem, é porque não morreu.

A religião Suméria pereceu porque nenhuma crendice falsa sobrevive ao crivo do tempo. Hoje já ninguém acredita em deuses imortais que morrem e ressuscitam, e isto demonstra que a religião não é um baralhar e voltar a dar de mitos e histórias mas sim uma verdadeira demanda pela Sabedoria.

Finalmente, alegam que a multiplicidade de religiões modernas revela que a religião é como os rebuçados na feira, cada cor seu sabor e à escolha do freguês. É cegueira do ateu. Não resisto aqui citar um trecho da Blínia Sagrada, especificamente as palavras do profeta Sebastião ao seu discípulo Matatias, como relatado no Livro dos Azurreus;

«14:21 Atendei pois, jovem, às minhas palavras e tende cuidado com essa chávena
14:22 pois se a partirdes levareis tal sova que não vos podereis sentar durante uma semana.»


Ao interpretar um texto sagrado temos que ver para além da beleza das palavras e do relato de um episódio aparentemente prosaico, e vislumbrar o seu significado simbólico mais profundo. A chávena é, evidentemente, a verdadeira religião. Os cacos da chávena que se parte são também parte da chávena. São pedaços de um todo, e simbolizam aqui as várias religiões.

Quem não está cego pelo fanatismo ateu vê que todas as religiões modernas, do cristianismo ao budismo, dos manás aos shiitas, são como pequenos pedaços de uma só religião. Não passam de formas particulares e simplificadas de adorar os Divinos Blin, omnipotentes e omniverdes criadores do Universo, Unos na Sua Multiplicidade, e Idênticos naquilo que Os Distingue. Toda a religião é esta religião.

1- Samuel Noah Kramer, A História Começa na Suméria, Círculo de Leitores.

domingo, agosto 26, 2007

A Espiritualidade da Oferta.

Artigo da autoria de Dom Mário Neto, Blinólogo e Sacerdote Blinico

Apesar de discordarmos em muito, o afecto que sinto pelo jovem Krippahl obriga-me, mesmo que futilmente, a tentar mostrar-lhe algo do significado profundo da vivência religiosa. Num texto recente, mais uma vez o meu jovem amigo revelou como lhe é difícil compreender este estado de espírito e esta forma de existir, no sentido pleno do termo.

Evidentemente, não é o ouro em forma de ratos, hemorróidas ou tumores*, enquanto bem material, que é relevante na oferta ao Divino. Isso sim seria adoptar uma relação mercantil com o Transcendente, típica das superstições primitivas nas quais o crente tenta enviar as oferendas aos deuses queimando ou deitando ao mar algo que lhe é precioso. Comida, ouro, incenso. Isso é ridículo, e, sinceramente, mete pena.

Numa religião evoluída, madura, e esclarecida como é o Blinismo, ou mesmo o Cristianismo e afins, não é nada disto que acontece. O crente não tenta comprar o seu deus com bens materiais. O crente esclarecido entrega a oferta ao sacerdote, de preferência em numerário, e é este que canaliza devidamente ao Divino toda a riqueza espiritual deste gesto de profundo simbolismo e Mistério religioso.

Quem não compreende o processo pode pensar que o crente se sacrifica e o sacerdote lucra. Nada disso. A oferta tem uma dimensão material, necessária para simbolizar o gesto ofertório, mas tem também uma dimensão espiritual. É esta que o sacerdote separa e Eleva. Ao subir, e por meio de um misterioso mecanismo de rodas e roldanas transcendentes, esta elevação espiritual faz apagar do crente os seus pecados, má consciência, sentimento de dever de caridade e até a tão perigosa capacidade de pensamento crítico e independente, tornando o uma pessoa melhor aos olhos Divinos.

Desprovida da sua dimensão espiritual, a vil matéria da oferta fica extremamente empobrecida. Recai assim sobre o sacerdote a árdua tarefa de respiritualizar estes bens materiais, e é por isso que este tem que passar tanto do seu tempo a distribuir esta riqueza material de uma forma espiritualmente enriquecedora. Quando paga a mulher a dias, a mercearia e o restaurante, a casa nova e o carro, ou mesmo o advogado por causa daquele mal entendido com os miúdos do coro, o sacerdote injecta na economia um capital que está de novo restituído desta imprescindível dimensão espiritual, e que pode novamente servir no ofertório. E em quase todas as religiões vemos a força espiritual dos grandes sacerdotes, capazes de suportar sozinhos o terrível fardo das roupas riquíssimas, jóias, obras de arte, palacetes e aviões privados. É deveras impressionante.

Sem o trabalho incansável destes homens (as mulheres têm outro papel) já não haveria dinheiro que cumprisse os exigentes requisitos espirituais do ofertório, e seria impossível aos crentes redimirem as suas faltas com uma ou duas notas (ou três). Lá teriam que enfrentar a necessidade de corrigir as consequências dos seus erros em vez de expiarem os seus pecados desta forma expedita.

Espero que tenha conseguido esclarecer o jovem Krippahl e os seus leitores. A oferta não é uma forma de comprar o favor divino com bens materiais. A matéria é imperfeita, vil, incapaz de agradar aos Seres Perfeitos senão como símbolo do Espirito Eterno. É esse espírito de sacrifício, do crente e do seu sacerdote, que ascende e expia as falhas daquele que oferece. Do crente por se apartar de algo que julgava de valor, e do sacerdote pelo seu empenho espiritual nesta difícil tarefa.

E deixo também a minha oferta de suportar o fardo dos vossos bens materiais sempre que sentireis a necessidade de vos libertar do peso que os vossos pecados exercem sobre o vosso espírito. Se quiserdes passar cheque, por favor passai-o em nome de Mário Neto para não incomodar os paroquianos com a papelada.

* Dom Mário Neto refere-se a este post.

sábado, julho 21, 2007

Transcendência.

Um artigo de Dom Mário Neto, professor de Blinologia.

O jovem Krippahl insiste em usar critérios empíricos que não se adequam ao estudo da Religião, palavra que uso aqui no sentido estrito da adoração dos Blin e não no sentido despojado de profundidade com que hoje em dia refere qualquer superstição, seja Odin, bruxaria, Jahvé, ou o que for. E alguns comentadores já chamaram a atenção para este ponto: não se pode julgar a fé no Sagrado pelos mesmos critérios com que se procura mamilos na lontra. Mesmo sem ter alguma vez visto mamilos de lontra, parece-me evidente que não são a mesma coisa.

Infelizmente, invocam o argumento da transcendência. É uma falha compreensível, em quem não domina a matéria, pois a transcendência dos Blin fundamentou a Religião até meados do século XV. Os Blin, transcendentes, não eram visíveis ao olho empírico e essas coisas, pelo que se justificava em pleno a certeza absoluta da sua existência. Mas o aproximar do ano 1500 viu criar-se um clima de dúvida. Afinal, nenhuma mãe quer que o filho falte à escola alegando uma febre altíssima que transcende o termómetro empírico. Ao final do século XV a Europa estava ao rubro com estas profundas disputas Blinológicas. A tensão chegou a extravasar para vários cultos e seitas, num caso famoso dando até azo a 95 teses, um exagero mesmo para os padrões modernos, em que se escreve teses sobre tudo e mais alguma coisa.

A solução foi revelada por São Gervásio de Dornelas, na Beira Litoral. Como o ovo de Colombo, parece óbvia depois de vermos como é. São Gervásio notou que a transcendência era irrelevante, uma mera desculpa para não ir à escola. O que importa é a Transcendência. Notem o T maiúsculo. É essa propriedade dos Blin que os coloca totalmente à parte de qualquer refutação empírica. O efeito foi imediato, devolvendo aos crentes o fundamento da sua fé nos Blin e simplificando toda a argumentação Blinológica. Conta-se que São Gervásio, sempre pragmático, até fez um bom dinheiro vendendo cartões onde se lia, em bela fonte gótica:

«Esse argumento/exemplo (riscar o que não interessa) é completamente inadequado porque os Blin Transcendem _______________________________________.»

Mesmo as dúvidas mais profundas podiam agora ser dissipadas com um simples gesto da pena.

Evidentemente, com o passar dos séculos o argumento da Transcendência perdeu alguma força. Na Blinologia é aceitável que a argumentação tome qualquer rumo (desde que a conclusão seja sempre a mesma), e vários pensadores apontaram pontos fracos neste venerável argumento. Mas a mesma ciência e tecnologia que levanta dúvidas ao crente também o mune de argumentos cada vez mais fortes. Hoje em dia não temos apenas a letra maiúscula, mas também o itálico e até o negrito, que podem ser conjugados no que é certamente um argumento irrefutável pela existência dos Blin: a sua Transcendência.

domingo, julho 01, 2007

Ecumenismo Blínico.

Pelo Doutor Mário Neto, blinólogo.

Certas pessoas, relutantes em abraçar a sua riqueza espiritual, insistem apontar alegadas inconsistências e contradições entre a Verdade revelada e o nosso conhecimento do mundo material, ou entre diferentes variantes dessa revelação do Transcendente. Mas não há, de facto, qualquer contradição. Apenas revelam a limitação do método empírico com que compreendem o reino material.

Por exemplo, o relato Blínico da criação fala-nos da Papa de Aveia primordial de onde foi criada toda a Terra. Do leite que sobrou foi formado o Coalho, que os Blin, na Sua sabedoria, transformaram em Queijo Fresco, criando assim a Lua. De Galileu ao início do século XX isto era apontado por muitos como contradizendo o conhecimento científico, pois observava-se que a Lua seria composta por rocha e cinza mineral, não por queijo fresco.

Com o advento da mecânica quântica a ciência teve que recuar e admitir a viabilidade do relato Blínico. Sabemos agora que toda a matéria é composta por partículas sub-atómicas, e que a rocha e o queijo fresco são apenas arranjos diferentes dessas mesmas partículas. Deixa de haver contradição, pois a Lua é assim precisamente rocha e queijo fresco em simultâneo, num sentido quântico e metafísico transcendente. E alguns cientistas até admitem a incapacidade de provar categoricamente que o núcleo da Lua não contenha queijo fresco. Sendo que o relato Blínico não contradiz a ciência, justifica-se depositar nele a nossa fé absoluta. E justifica-se rejeitar a ciência caso seja novamente contrária a este relato metafísico revelado. Afinal, a ciência muda, mas o relato Blínico é sempre o mesmo.

Muito sucintamente, podemos dizer que a ciência não produz qualquer argumentação sólida e substanciada no sentido de refutar os alicerces fideísticos desta quadratura interpretativa que a Blinoligía e a revelação Blin nos fornecem. Os fósseis não são espécies extintas, mas sim as Formas criadas pelos Blin a partir das quais novas espécies surgirão no futuro. Os trilobites não são espécies do passado, mas espécies futuras, e a prova é que nenhum cientista jamais viu um trilobite vivo. E todas as formações geológicas atestam a sua origem na Papa de Aveia; não é razoável defender que montanhas e vales, oceanos e lagos, surgiram puramente ao acaso. A ciência não refuta a Revelação Blin. Pelo contrário, confirma-a.

Também no domínio do conhecimento mais elevado os detractores da espiritualidade tentam apontar inconsistências nos relatos das diferentes religiões. Mas também neste domínio a Blinologia dá um quadro interpretativo dentro do qual podemos harmonizar todas as forma humanas de venerar o Sagrado. Ao criar a Humanidade, os Blin compreendiam plenamente a diversidade de atitudes e capacidades espirituais dos seres humanos. Na Sua sabedoria, decidiram adaptar a revelação a estas diferenças. A alguns deram a Sagrada Blínia, o relato exacto e verdadeiro da criação. Aos outros deram versões adaptadas, para iniciá-los nos mistérios metafísicos da forma mais adequada às suas personalidades e culturas. Nem todos nascem preparados para aceitar a sua origem na Papa de Aveia primordial e na Palavra, Frase, e Parágrafo dos omniverdes Blin.

Por isso, do relato Blínico surgiram inúmeras adaptações. A criação em sete dias, o mundo eterno, múltiplos deuses, deuses que são três em um, e assim por diante. Mas segundo este quadro intepretativo podemos compreender todas as religiões humanas como sendo a veneração dos Blin. As diferenças devem-se apenas a diferentes graus de iniciação ao Mistério Revelado, consequência da imperfeição do ser humano.

Importa assim apelar para um espírito ecuménico, no verdadeiro sentido do oikoumene Grego, abarcando todo o mundo habitado pelo ser Humano. Porque todas as religiões, na sua diversidade a aparente contradição, não passam de formas particulares e culturalmente distintas da adoração Blínica. Até os ateus e materialistas, pela sua crença religiosa na ausência de deuses e pela veneração espiritual do mundo material, participam nesta comunidade de adoradores da Criação e dos Criadores. Todos sem excepção, e muitos sem o saber, adoram os Blin. Um mundo em que todos abrissem o coração ao amor dos Blin seria um mundo muito melhor, de partilha em vez de conflito, de abundância em vez de escassez, e de felicidade em vez de perdição.

quarta-feira, abril 11, 2007

A Blinologia do Supra-Empírico

Da autoria do blinólogo Mário Neto, que continua aqui a divulgar alguns aspectos menos conhecidos da Blinologia.

O supra-empírico, ou Ideal, é o reino da Realidade intemporal, necessária e absolutamente certa, em oposição ao reino da realidade aparente, contingente, e temporal que os nossos sentidos nos dão a conhecer. É o reino da Lógica e da Ontologia, no qual se pode afirmar com toda a certeza aquilo que é sem ter que considerar como o sabemos. Sabe-se, e pronto.

É assim que sabemos que os Blin existem. Podemos conceber algo tão Blin que nada pode ser concebido que seja mais Blin. Ora se esse algo não existisse, poderíamos conceber algo idêntico mas existente, e que, por existir, seria mais Blin que o Blin que não existe. Daqui se prova, a priori, que os Blin existem. É uma prova irrefutável por duas razões. Por não estar dependente do conhecimento empírico, que sabemos ser sempre falível, e por ser tão obscura e confusa que ninguém a pode refutar.

A Blínia Sagrada dá-nos um excelente exemplo: o Tremoceiro Poeta Que Existe. A visão do mundo empírico dada pelos nossos sentidos sugere que não existem tremoceiros poetas, mas está obviamente errada. A Blínia Sagrada não fala de um tremoceiro poeta qualquer, mas sim de um Tremoceiro Poeta Que Existe, e este necessariamente tem que existir, pela sua própria definição. Devemos também notar que no aramaico antigo, língua original da Blínia Sagrada, «tremoceiro» e «poeta» eram palavras distintas, muitas vezes usadas em contextos diferentes, o que atesta à riqueza e expressividade desta língua, e à sua capacidade de distinguir conceitos tão semelhantes que hoje em dia temos dificuldade em destrinçar.

O raciocínio a priori pode-nos conduzir à Verdade Absoluta se seguirmos três importantes passos. Primeiro, partir da conclusão à qual queremos chegar. Os cientistas andam muitas vezes à toa precisamente por dependerem daquilo que observam, e assim nunca sabem hoje que opinião terão amanhã. A Blinoligia é a ciência das certezas, daquilo que sabemos sempre a priori. Nunca na Blinologia se investiga sem saber onde a investigação nos vai levar.

Em segundo lugar, formular um argumento composto de um encadeamento de palavras que conduza um interlocutor de um ponto arbitrário á nossa conclusão. É importante que este argumento seja impecavelmente lógico, pois o supra-empírico é o domínio da Lógica, mas as premissas podem ser quaisquer. Se conduzem à conclusão certa, são forçosamente as premissas certas.

Finalmente, a Revelação do Ideal pode ser obscurecida pela atenção demasiado crítica às premissas do argumento ontológico. Por isso é importante mencionar algo como o significado de uma ou outra palavra numa língua antiga para dar ao interlocutor um contexto mais alargado, mesmo que completamente irrelevante.

Fica, no entanto, um aviso importante. Os argumentos ontológicos da Blinologia são válidos por estar de acordo com a Revelação e Fé Blínica, mas é preciso não tentar aplicar o mesmo método a crendices falsas como os deuses Gregos, Romanos, ou Hebraicos, pois nesse caso apenas resultará em falsidades absurdas.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

O Manual da Vida.

Da autoria do Professor Mário Neto, blinólogo. Os leitores menos familiarizados com a blinologia podem encontrar aqui outros artigos sobre o tema

Foi pela Sua sabedoria e misericórdia que os Blin criaram para nós este universo ordenado, inteligível, e compreensível à razão do Homem. E foi também pela Sua sabedoria e misericórdia que os Blin nos deram os Mistérios. O Mistério da Vida. O Mistério da Salvação. O Mistério da Papa de Aveia primordial e dos alfinetes com cabeça em forma de joaninha. Os que são cegos à dimensão espiritual da nossa existência queixam-se que mistérios incompreensíveis à razão do Homem contradizem a ideia de um universo compreensível a esta mesma razão. Pois enganam-se, os infelizes, como eu aqui demonstrarei.

Enganam-se porque insistem em usar apenas e somente o bisturi frio do intelecto, e esquecem as pantufas quentinhas do sentimento religioso, que apesar de não cortarem nada são mais confortáveis e convidam ao repouso da mente. O intelecto científico procura respostas no exterior, e leva o cientista a dissecar o que o rodeia. Mas aquele que conhece a sua espiritualidade é introspectivo. Procura a Verdade olhando para o interior da alma, para o centro. Para o umbigo, por assim dizer.

Isto gera um conflito desnecessário entre a ciência e a verdadeira religião. Desnecessário porque a ciência depende totalmente de teorias e interpretações. Os geólogos que observam uma formação em granito usam as suas teorias para classificar a rocha, e os físicos datam-na como tendo muitos milhões de anos. Mas são só interpretações à luz das teorias científicas. Em contrapartida, a Blínia sagrada não carece de interpretações ou teorias. É a palavra infalível dos Blin, e o que está lá escrito quer dizer exactamente o que está lá escrito. O relato da criação da Terra é claro e explícito: os continentes foram criados sobre um enorme oceano de Papa de Aveia. A ausência de vestígios desta papa nas formações geológicas modernas é fácil de explicar à luz da Blinologia. Evidentemente, a Papa de Aveia transformou-se em granito.

Em suma, os cientistas vêm-se perante um aparelho complexo como é este universo e põem-se a brincar com os botões. Fazem experiências, carregam aqui e ali, e ficam todos contentes quando descobrem como acertar o relógio ou ejectar a cassete. Digo isto com todo o respeito por estes jovens que, enquanto não arranjam um emprego sério, descobrem coisas fascinantes como os computadores, as vacinas, e a electricidade. Mas nada disso importa. Não há grande valor em saber física, química, ou matemática, pois estas teorias são uma coisa hoje e outra amanhã, e não nos dão nada de consequência. É mais cómodo viver numa casa e ter saúde que viver numa caverna infestado de parasitas, mas a comodidade não é tudo. Nesta azáfama com o aparelho, esquecem-se que têm na Blínia sagrada o manual completo com tudo o que importa saber.

A Verdade que importa é a Blínia sagrada. É a Verdade imutável, infalível, a única em que podemos ter inteira confiança. E é também a mais relevante, pois dá-nos a vislumbrar o Maravilhoso. Quantos dias passou Gernifásio no Monte dos Caracóis. Como conseguiu o profeta Zaramias derrotar os sacerdotes Cumanitas à bisca dos nove. Tudo isso está escrito no mais perfeito Manual da Vida, tão perfeito que basta ler o manual, e nem precisamos tirar o aparelho do caixote.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Ciência e Religião.

O professor Dom Mário Neto volta a contribuir para este blog, após o texto que aqui publicou anonimamente Introdução à Blinologia. No texto que se segue, Dom Mário Neto aprofunda alguns aspectos da Blinologia e disserta sobre o aparente conflito entre a ciência e o revelatum Blínico.

A filosofia natural e o estudo do Sagrado foram inseparáveis durante quase toda a história da humanidade. O conhecimento prático da natureza auxiliava o ritual religioso, desde o cálculo do calendário e dos dias de celebração à construção dos templos. E apesar da filosofia especulativa apresentar algumas hipóteses contrárias ao cânon religioso, até recentemente não eram suportadas por evidências concretas, pelo que os doutos blinólogos tinham liberdade de escolher as doutrinas filosóficas de acordo com as Escrituras. O mérito de filósofos como Platão, Epicuro, Aristóteles ou São Jacinto da Carrasqueira era medido pela concordância com a Palavra dos Blin, ou mesmo com a Frase e o Parágrafo.

No período áureo da escolástica blínica, esta visão de uma relação intima entre Natureza e Escritura levou mesmo à formulação duma noção basilar da blinologia: «A verdade não contradiz a verdade». Alguns críticos acusam-na de ser trivial e inútil, mas esta ideia rapidamente se espalhou pela cultura Europeia, sendo até adoptada por outra religião em voga nessa altura. E, no estudo do Sagrado, muitas vezes o que parece óbvio é profundamente misterioso, como atestam as famosas palavras do imperador Jin Tai aos missionários: «Se essa bolacha é Deus eu sou o rei da China».

Mas nos últimos séculos a experiência prática gradualmente se fundiu com a filosofia especulativa, gerando o que conhecemos hoje como ciência, o que levantou problemas à ideia de uma Revelação única de todos os aspectos da Criação. O relato da origem do mundo na Blínia Sagrada, «No início os Blin criaram a papa de aveia e a Terra», era interpretado literalmente, e a cosmologia blínica descrevia a Terra como flutuando num imenso mar de papa de aveia. Mas, no século XII, Barnabé da Eritreia relatou experiências, com vários tipos de rocha e receitas de papa, que demonstravam a impossibilidade física de tal interpretação. Foi executado em 1198 por heresia, e o Barnabismo foi perseguido com alguma violência, mas a Igreja Blínica sempre foi célere em admitir os seus erros. Mal passados oito séculos e Barnabé foi perdoado e, em parte por estar extinto mas em parte pelo progresso doutrinal da Igreja, o Barnabismo já não é um culto perseguido.

O trabalho de grandes cientistas, de Barnabé a Heisenberg e Einstein, mostrou à Igreja Blínica que temos que considerar verdades a níveis diferentes, se bem que a verdade nunca contradiga a verdade, mesmo que se contradigam. Parte do revelatum blínico está contido no universo em si. Treze mil e quinhentos milhões de anos, incontáveis estrelas e planetas, uma imensidão inimaginável de processos todos organizados de acordo com princípios regulares. Sem ambiguidades, sem margem para interpretações subjectivas, e onde tudo é desvendado objectivamente, sem considerar credo, raça, ou cultura. A compreensão deste universo duplicou a esperança média de vida, permite-nos comunicar instantaneamente com qualquer pessoa e mesmo explorar outros planetas.

No entanto, este universo comporta-se como se não existissem Blins, como se não tivesse sido criado por uma inteligência superior. Pior ainda, toda a ciência moderna indica que o universo não pode ter sido criado, que surgiu por um acontecimento quântico que não pode ter causa. Como sabemos que a verdade não contradiz a verdade, e como sabemos que os Blins criaram o universo, é evidente que o estudo do universo em si não pode revelar toda a verdade. Temos por isso que separar dois tipos diferentes de verdade. Isto é revelado a todos os que estudam o Sagrado, mesmo os que desconhecem o verdadeiro caminho dos Blins e seguem outras religiões. Dou aqui como exemplo as palavras de Joseph Ratzinger(1), líder religioso de um culto semi-monoteísta (os três deuses principais vivem como um só numa espécie de simbiose metafísica):

«One answer was already worked out some time ago, as the scientific view of the world was gradually crystallizing[...]. It says that the Bible is not a natural science textbook, nor does it intend to be such. It is a religious book, and consequently one cannot obtain information about the natural sciences from it.»

Evidentemente, isto não pode ser tudo. Como reconhece o próprio Ratzinger, e todas as religiões em geral, não basta separar o conhecimento da natureza do conhecimento espiritual. Há que juntá-los de novo numa síntese que abarque quer a nossa natureza física quer o aspecto blínico da nossa existência. Temos assim que considerar uma hierarquia de verdades. No nível inferior temos todo o universo, milhares de milhões de anos de imensidão, e toda a ciência e tecnologia que permite a nossa vida e sociedade moderna. No nível superior, a Blínia Sagrada, compilação da tradição oral de uma tribo do deserto e que, ao contrário de outras compilações de tradições orais de outras tribos do deserto, nos mostra a Verdade e todo o mistério do Sagrado.

1 - Joseph Ratzinger, "In the Beginning...." A Catholic Understanding of the Story of Creation and the Fall

sábado, outubro 07, 2006

Introdução à Blinologia

A blinologia é a disciplina do conhecimento e revelação que estuda os Blins, como o nome indica. Responderei aqui a algumas perguntas acerca desta visão do Universo, que abarca as questões mais profundas acerca do sentido da nossa existência.

O que são os Blins?

Os Blins são os perfeitos criadores do Universo, omnipotentes, omniscientes e omniverdes. São a Origem e o Fim, a Vida e a Morte, o A e o Ya. O blinólogo escolástico São Francisco de Alcabideche declarou em 1208 que os Blins seriam também aqueles alfinetes com cabeça em forma de joaninha que se espetam nas plantas de plástico. Historiadores modernos afirmam tratar-se de um erro na tradução do original hebraico, mas hoje em dia a adoração destes adereços é uma parte importante do culto Bliniano.

Porquê estudar os Blins?

O estudo dos Blins é o mais elevado empreendimento do intelecto humano, pois é a única via para revelar o propósito do Universo, o sentido da vida, e a verdadeira utilidade dos alfinetes com cabeça em forma de joaninha.

Mas não há evidências que os Blins existam, pois não?

A existência dos Blins é uma questão metafísica e transcendente que não pode ser abordada pela ciência, pois o método científico assume à partida uma posição exclusivamente ablínica. Mais, aceitar a existência dos Blins é um acto de fé, e a única forma de receber a Sua graça. Por isso nunca poderá haver argumentos ou evidências que demonstrem a existência dos Blins.

E se a fé não me chega para aceitar que os Blins existem?

Nesse caso, há argumentos e evidências que demonstram a existência dos Blins. Por exemplo, o argumento ontológico. Sendo os Blins os seres mais perfeitos que se pode conceber, e sendo um ser que existe mais perfeito que um que não existe, forçosamente os Blins terão que existir. Podemos também demonstrar a sua existência pelo argumento da afirmação, que diz que os Blins existem porque sim.
As evidências são também claras. O Universo é de tal forma complexo que a sua origem não pode ser explicada pelo acaso, o que prova que é uma criação dos Blins. Também a natureza humana testemunha a existência dos Blins, pois todos os povos e culturas crêem em seres sobrenaturais.

Quantos Blins existem?

O Credo Blim é bastante claro e explícito, dispensando qualquer explicação: «Creio em três Blins, e apenas três. Creio que os Blins são exactamente vinte e seis, e o seu número, que é quantos são, é trezentos e doze. Excepto às quartas feiras.»

Mas isso não é uma contradição?

Não.

Como explicar a existência do vermelho?

Este um dos grandes problemas por resolver na blinologia. Sendo os Blins omnipotentes e omniverdes, a existência do vermelho é algo surpreendente. Será talvez um mistério que ficará para sempre além da compreensão humana. Mas a hipótese mais aceite é que a existência do vermelho foi consequência do livre arbítrio humano, e da escolha que levou à expulsão do Paraíso, onde tudo era verde. Este exercício de vontade que levou a espécie humana a afastar-se da perfeição do verde é relatado com grande beleza nos escritos sagrados Blim, nomeadamente na história de Lucinda, o tremoceiro, e os três porcos cantores.

E o que faz um blinólogo?

Como investigador, o blinólogo pesquisa textos antigos de blinólogos já falecidos, num esforço incessante para rescrever as mesmas ideias em frases ligeiramente diferentes. Este trabalho de leitura e contemplação metafísica tornam-no especialmente apto para se pronunciar sobre temas como a investigação em medicina, genética molecular, contracepção, e a orientação sexual de cada indivíduo.