A origem inteligente do estado do tempo.
Um artigo da autoria de Constâncio Ladainha, gertrudista.
Revendo a matéria dada nos artigos anteriores, sabemos que Gertrudes criou todos os seres vivos segundo um plano divino inteligente e cada um de acordo com a sua espécie. Excepto os que têm muitas espécies parecidas. Esses foram criados de acordo com um tipo qualquer e pronto, porque quem vê uma mosca vê todas e não vamos exigir da Criadora a paciência de fazer uma a uma duzentas mil espécies quase iguais. Mas a criação inteligente não é apanágio dos seres vivos. Está em todo o lado. Até na chuva e no vento.
Este facto irrefutável pode ser explicado com a bela metáfora que devo ao leitor João. A tortilha gertrudista, uma deliciosa mistura de três ingredientes:
a) Toda a informação inteligentemente codificada é informação codificada inteligentemente.
b) O estado do tempo tem informação codificada.
c) Misturando o ovo e a batata conclui-se que o estado do tempo não pode ser explicado por teorias naturalistas mas apenas pela inteligência de Gertrudes.
Não chove por acaso, meus senhores!
Foi o Contra-almirante Francis Beaufort, hidrógrafo gertrudista, quem decifrou o código meteorológico de Gertrudes, reconhecido em todo o mundo como informação codificada e inteligente. O famoso site The Weather Doctor concorda com os gertrudistas ao chamar-lhe «Weather Notation Code». Lá está! Um código inteligente!
A informação inteligente codificada no estado do tempo pode ser medida por todos os critérios de quantidade, qualidade, frescura e simpatia. A quantidade de símbolos é grande. Temos b. para céu limpo, bc. para parcialmente encoberto, c. para nublado, f: para nevoeiro denso e muitos outros como podem ver aqui. Os símbolos e o próprio estado do tempo seguem regras de sintaxe rigorosas. Por exemplo, nunca chove durante secas prolongadas nem neva quando está calor. A semântica do tempo também é rigorosa e rica. Uma chuvada forte significa sempre chão molhado. Pelo critério pragmático podemos ver que há uma grande quantidade de operações complexas realizadas pelo vento, pelo sol e pela chuva, com o propósito de criar efeitos magníficos como dunas e rios.
ATENÇÃO! MUITA ATENÇÃO!
A tortilha gertrudista é irrefutável e 100% sobrenatural. Só a crença cega no naturalismo filosófico leva alguns a pensar que o vento sopra por acaso e que os cristais de gelo se formam aleatoriamente.
Gertrudes mostra-nos a Sua mensagem em tudo o que vemos, um universo rico em informação codificada onde cada gota de água significa “molhado” e cada dia de sol codifica “aproveita agora para secar a roupa que com este calorzinho seca num instante”. Isto devia bastar para acreditarem em Gertrudes e no Seu poder criador inteligente.
Mas se não bastar lembrem-se que Gertrudes é infinitamente justa. Como qualquer jurista vos poderá explicar, o princípio fundamental da justiça é que todos nascemos culpados e merecedores de sofrimento eterno. Felizmente, Gertrudes é também infinitamente misericordiosa, e como qualquer ser benevolente e justo Ela dá um jeitinho, por especial favor, e safa quem a bajular.
