domingo, outubro 12, 2008

Famalicão e a laicidade.

Há duas semanas a Associação Ateísta Portuguesa (AAP) denunciou ao Ministério da Administração Interna a organização de visitas a Fátima por parte do município de Famalicão. No Companhia de Filósofos, o Alfredo Dinis criticou assim esta denúncia.

«Sabemos que muitos idosos vivem com magros recursos. Muitos deles não têm autonomia para se deslocarem seja onde for, nem têm família que os leve a passear. Deverão ficar condenados a não sair da sua terra? Ou a escolherem apenas destinos da excursão oferecida pela Câmara que não tenham nada a ver com a sua religião? Não me parece. Ao subsidiar passeios de idosos, a Câmara não está a subsidiar nenhuma instituição religiosa, está a subsidiar pessoas e, neste caso, pessoas a quem a sociedade deve uma particular atenção. O princípio da laicidade do Estado não pode nunca ser um princípio contra as pessoas.»(1)

A posição do Alfredo é razoável mas assume uma situação diferente daquela que a AAP denunciou. Concordo que se use recursos públicos para ajudar quem mais precisa e independentemente de preferências pessoais como a religião. Por isso se a câmara de Famalicão disponibilizasse alguns autocarros para passeios gratuitos eu não teria nada a obstar mesmo que muitos desses passeios fossem a locais de culto religioso. A laicidade do estado não passa por proibir as pessoas de passear até Fátima.

No entanto, o que aconteceu não encaixa neste cenário. Em 2005, a câmara de Famalicão organizou um passeio de dez mil munícipes ao santuário de Fátima. O passeio tornou-se um evento anual e no passado 20 de Setembro foram mais de nove mil pessoas, centena e meia de autocarros e três ambulâncias a Fátima (2). Lá os munícipes de Famalicão participaram numa eucaristia presidida pelo reitor do santuário, Monsenhor Luciano Guerra. Isto sugere uma organização e um investimento muito superiores ao que está implícito na justificação do Alfredo. Não parece ser um simples caso da câmara ajudar umas pessoas com carências e elas escolherem dar um pulinho a Fátima.

Assim, não considero o caso tão inofensivo como o Alfredo julga. A organização de um passeio de dez mil pessoas sugere que o destino não foi uma escolha espontânea dos beneficiados mas sim uma decisão dos organizadores. Os custos significativos e o carácter regular do passeio fazem-me duvidar que seja uma boa aplicação do dinheiro público. E se bem que concorde que a laicidade não deva ser anti-religiosa, preocupa-me o carácter religioso do passeio. Não pelo passeio em si mas pela cegueira colectiva da nossa população ao tratamento privilegiado da religião católica.

Se a câmara de Famalicão tivesse organizado cento e cinquenta autocarros para transportar adeptos do Futebol Clube do Porto para assistir a um jogo não faltaria quem apontasse o dedo à discriminação e ao desperdício de fundos públicos. É por isso que o artigo 13º da nossa Constituição não refere explicitamente os clubes de futebol mas frisa que «Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.» Isto porque, infelizmente, para muita gente é fácil fechar os olhos a discriminações destas. Entre as quais a religião.

Em suma, não só me preocupa a organização deste evento e o dinheiro mal gasto, mas também que, por favorecer uma religião popular, haja quem defenda que cento e cinquenta autocarros e dez mil pessoas não é nada de especial.

1- Alfredo Dinis, A Sociedade Ateísta Portuguesa e a laicidade
2- RTP, Religião: Associação Ateísta acusa Câmara de Famalicão de pagar romarias a Fátima e pede ao Governo levantamento de processo contra autarquia

34 comentários:

  1. antónio parente12/10/08, 16:24

    Ludwig

    O artigo 13º da Constituição é uma patetice e não é cumprido em nenhuma circunstância.

    Há quem seja beneficiado por causa da sua situação económica: existe o rendimento mínimo garantido e a pensão social de velhice.

    Há quem seja beneficiado ou prejudicado por causa do sexo: fazem-se rastreios gratuitos ao cancro da mama para mulheres mas não se fazem para homens (também são atingidos) porque é mais raro e provavelmente os custos não compensam os casos que surgem.

    Há quem seja beneficiado por causa do território de origem: um brasileiro tem direito à dupla nacionalidade mas um indonésio não.

    Até o Magalhães foi uma forma de discriminação: todos os alunos beneficiavam do magalhães excepto os do 5º e 6º anos. E o resto dos portugueses, os que não andam na escola, são discriminados: não podem comprar o magalhães com desconto.

    Há quem seja beneficiado por causa da sua situação social: um funcionário público tem adse e é reformado pela cga recebendo uma pensão de reforma mais alta do que um trabalhador do sector privado.

    Se o artigo 13º fosse aplicado coerentemente não poderiam existir taxas progressivas no IRS. Teria de ser uma taxa flat.

    Como vê, o artigo 13ª se fosse levado à prática paralisava a política económica e social.

    O Estado ser laico não significa que a religião tenha de ser afastada da vida pública. Significa que o Estado não pode obrigar ninguém a frequentar a catequese ou a ser católico ou muçulmano nem obrigar o Ludwig a ir à missa de Domingo com as irmãs.
    Agora um primeiro-ministro ou um presidente benzer-se numa cerimónia pública nada tem contra o laicismo. Será contra o laicismo se o primeiro-ministro vier dizer que Deus o mandou subir ou baixar os impostos.

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  2. António Parente,

    «O artigo 13º da Constituição é uma patetice»

    Está então a defender que as pessoas devem ser priveligiadas por serem católicas? É que se não está a defender isso essa parte é irrelevante. Se concorda que o estado não deve dar benefícios a alguém só por ser católico então concorda com este artigo naquilo que é relevante para este assunto.

    «Se o artigo 13º fosse aplicado coerentemente não poderiam existir taxas progressivas no IRS. Teria de ser uma taxa flat.»

    Pelo contrário. A quem recebe 10000 euros por mês custa muito menos pagar 50% do ordenado do que custa pagar 50% do ordenado a quem recebe 500 euros por mês. A taxa progressiva visa precisamente evitar que os mais ricos tenham que fazer um esforço muito menor para suportar a despesa pública.

    «O Estado ser laico não significa que a religião tenha de ser afastada da vida pública. »

    Certo. Mas significa que o estado não pague viagens a alguém só porque essa pessoa é católica.

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  3. António Parente,

    Também me parece que os seus exemplos demonstram precisamente o contrário do que quer mostrar com eles.

    Se pagamos os cuidados de saúde ou a educação de quem não tem dinheiro é precisamente para que não sejam indevidamente prejudicados pela sua situação económica.

    Se fazemos rastreios a grupos de risco mesmo que o grupo de risco seja todo de um sexo é para não estar a prejudicar alguém só pelo sexo com que nasceu. E assim por diante.

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  4. antónio parente12/10/08, 17:18

    Ludwig Krippahl

    O artigo 13º advoga a neutralidade do Estado em função de uma série de parâmetros. Ler o artigo literalmente, tal como o Ludwig fez em relação à questão religiosa, significaria a paralisia completa do Estado porque qualquer lei acaba por beneficar alguém e prejudicar outrém. A política faz-se por escolhas e essas escolhas não são neutras.

    O laicismo, tal e qual é defendido pela AAP, não é neutro. Afastar a religião da vida pública e mandá-la para o privado quando, pelo contrário, se defende a difusão do ateísmpo pela sociedade, é uma forma enviesada de "calar" e "menorizar" aquilo de que não gostamos.

    Para mim, ser neutro significa que a Câmara Municipal de Famalicão deve pagar uma viagem a Fátima tal como deve pagar a viagem a um santuário ateísta se ele existir. O único critério que deve prevalecer é o custo-benefício: tem de existir um mínimo de participantes e tem de ter cabimento orçamental. Assim garante-se a neutralidade.

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  5. Sinto-me (des)"abençoado" porque foram, dez mil almas, a Fátima orar por mim!
    Vejam as declarações do presidente da C. M. de Famalicão ao jornal Cidade Hoje
    Em Fátima, os idosos participaram numa missa, «onde todos pediram por todos os que ficaram em casa, nas orações que fizeram a Nossa Senhora de Fátima»
    ...
    «Vou daqui com o coração cheio e já fizemos um acordo entre todos: para o ano cá estaremos, com a mesma alegria e devoção».


    Não o obrigar a pagar as despesas é que é uma patetice.

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  6. Paulo Lucero12/10/08, 19:08

    Aqui o atento é a prova que Deus nao existe, rezou, rezou e rezou e nunca passou disto. Tem razao para ser traumatizado

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  7. super jesus cristo, o crucificado12/10/08, 19:19

    No meu tempo não era assim. A malta organizava-se era para os apedrejamentos, mas em nome do senhor claro está. A ver se alguém me tirou da cruz.

    É discriminação sim senhor. Senhor.

    Salvé Xenu.

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  8. António Parente,

    «O artigo 13º advoga a neutralidade do Estado em função de uma série de parâmetros. Ler o artigo literalmente, tal como o Ludwig fez em relação à questão religiosa»

    Reformulo a minha pergunta inicial que não chegou a responder. Defende então o António que uma interpretação segundo o espírito do artigo 13º permite ao estado financiar a participação em rituais católicos?

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  9. Olá Ludwig,
    Passo sempre por este blog, mas nem sempre tenho tempo para participar. Achei este episódio interessante e cou arriscar um comentário: então e em Famalicão não há idosos ateus? E a esses onde é que se organiza um passeiozito? Claro que este meu comentário é grosseiro e estúpido, pois a verdade é que não se pode agradar a todos. Mas existe aqui uma provavel realidade interessante: é que, a existir idosos ateus em Famalicão serão eles pertencentes à tal classe pobre que fala o Alfredo? Provavelmente os idosos ateus, se os houver, repito, serão pertencentes a classes mais cultas, que tiveram mais acesso ao conhecimento... no pior dos cenários e igualmente muito provável, não existem idosos ateus em Famalicão. Mas existem contra exemplos ao que digo, apesar da generalização indutiva me parecer forte: a maioria dos pobres sem conhecimento são crentes cegos, ao passo que a possibilidade de se encontrar um ateu com conhecimento é mais elevada. Com certeza que existem ateus sem escolaridade, mas é mais dificíl encontrar um ateu sem conhecimento já que +ara se ser ateu é necessario colocar-se em causa criticamente toda uma cultura que enfardamos desde o nascimento.
    abraços

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  10. antónio parente12/10/08, 22:07

    Rolando Almeida

    Afirmar que existem ateus críticos e cultos é falacioso. Nunca passou pela caixa de comentários do Diário Ateísta entre 2005 e 2007? Vá lá e confirme com os seus próprios olhos.

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  11. antónio parente12/10/08, 22:08

    Ludwig

    Não concordo com financiamento de rituais católicos tal como não concordo com financiamento de rituais ateístas. Mas concordo com financiamentos à Igreja Católica e à Associação Ateísta Portuguesa na proporção da sua representatividade. Satisfeito ou quer mais alguma resposta?

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  12. Quando for idoso vou viver para Famalicão, fundar uma tertúlia e solicitar - não, exigir - ao município que nos ceda um autocarro (uma vez que estaremos demasiado velhos para conduzir) para uma peregrinação anual ao Elefante Branco.

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  13. antónio parente13/10/08, 10:22

    está no seu direito, pennac. Eu também colaboro. Ofereço várias caixas de preservativos, uma dúzia de caixas de viagra e um banho quente no fim com um bom desinfectante para o pennac e os seus amigos se sentirem felizes. não quero que lhes falte nada.

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  14. Dado que, segundo o Artigo 13 da Constituição, todos os cidadãos têm direitos iguais não podendo ocorrer descriminação religiosa, de facto concordo com o Rolando Almeida e pergunto, porque não organizar também passeios para os ateus? E já agora para os budistas e para todas as outras religiões e filosofias de vida, incluindo para esses senhores que gostariam de ter direito a visitas ao Elefante Branco... Daqui a pouco gastava-se todo o dinheiro público em "peregrinações".

    De facto não posso concordar que se gastem recursos desta forma.

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  15. Por ser um problema antigo, nos Laboratórios Bruce® estamos a desenvolver novos vectores para entrega de orações que dispensem a romagem. Num futuro próximo, qualquer idoso poderá ficar serenamente no seu próprio município a mendigar drageias na sua farmácia habitual, sem perder um dia inteiro no IC2 ou nas merendas da área de serviço. Chama-se Deliver, gasta meio litro aos 100 e está em fase de homologação.


    Primo Parente,

    Sobre o DA, se bem me lembro, o arrazoado destinava-se a enxovalhar o carnaval idólatra muito bem defendido, também ele, por não menos lustrosos opinadores. A validação de um argumento fazia-se de um modo bem diferente do que acontece aqui: ao contrário do processo racional, o opinador estendia uma corda de um ponto de partida a um ponto de chegada, e sobre ela seguia o argumento de vara nas mãos, um pé depois do outro sem olhar para os crocodilos, e os que chegavam ao outro lado sem uma escorregadela eram os válidos. Ora, parece-me que é mais ou menos esse processo que leva alguém, conhecedor da situação genérica dos idosos de Famalicão, a defender que uma benesse municipal é bem gasta numa excursão a Fátima. Estamos ambos em déjà vu.

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  16. super jesus cristo, o crucificado13/10/08, 15:21

    Não sei, não sei se haverá favorecimento à igreja católica. Afinal, também fui cruxificado com dinheiro do estado. Fica 1-1 portanto.

    Uma coisa é ajudar os velhotes que querem ir a fátima, e depois fazer o mesmo pelos que preferiam ir ao oceanário. Outra completamente diferente é agarrar na aldeia inteira e levá-la aos saldos da fé de fátima, patrocinados pela câmara e pelos impostos das pessoas em quantias que não têm qualquer justificação. Ou vão-me dizer que é barato alguar 1000 autocarros, e que faz todo o sentido porque Famalicão é a única cidade do país sem problemas e com dinheiro para deitar fora? Isto é um abuso, ilegal e diria mesmo que imoral. Tenham vergonha na cara.


    Salvé Xenu.

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  17. Se o dinheiro do Estado servisse para apoiar organizações ateias, eu seria contra. E penso que todos são contra. Se fosse feito o mesmo com muçulmanos, hindus, judeus, krishers, wiccas, satãnicos, mórmons, testemunhas de Jeová, evangélicos, etc. penso que a maioria seria contra.

    Tenho uma doença crónica que por vezes dificulta-me a andar, mas não recebo veículos grátis para deslocar-me para onde quiser. Se fosse pobre, a situação seria similar. Quanto muito recebo redução no preço dos medicamentos e em caso de gravidade posso ser deslocado com uma ambulância (até agora não houve essa necessidade, usando táxis com apoio da minha mãe). Ou seja, recebo o necessário em vez de luxos. O problema deve ser não ter fé, já que não tenho o mesmo direito para visitar do mesmo modo museus, parques, etc. Assim é que se vê que o chulanço é feio.

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  18. António Parente,
    «Afirmar que existem ateus críticos e cultos é falacioso.»

    (em tom evangélico)
    Tens razão: nenhum ateu é crítico e cultos. A massa intelectual deve ter estado no santuário de Fátima. Aleluia!

    Quando se está num país católico não há mais nada mais crítico do que ser católico, e ser ateu demonstra como segue os outros. Amén!

    Eu digo que ser ateu é ser inculto! Ser ateu é ser idiota. Somos ovelhas críticas e cultas, os hereges (independentes) é que seguem o rebanho para serem queimados no abismo. Amén!
    Quero ouvir mais um "amén"! Amén! Com mais força!!! AMÉN!

    Agora com esse bastão com uma imagem do Sol e crucifixo vou curar as doenças dos velhotes que se esforçara-se a cá chegar e peço a Deus para que sejam dados poderes mágicos nessas relíquias religiosas. Amén. (ah, isso é o que apareceu na TV LOL)

    Agora a sério: é preciso de mostrar os estudos que relacionam o IQ com a religião, ou não existe essa necessidade?

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  19. super jesus cristo, o crucificado13/10/08, 16:58

    Caro pedro amaral couto,

    Existe muita gente inteligente, muitos cientistas até, bastante religiosa. A correlação pode estar lá, mas as correlações são perigosas. Isto não é preto no branco, e dizer que o religioso é burro é perigoso, e muitas vezes errado. Não é preciso entrar por aí para debater religião, nem se deve.
    Digo eu, há muito por onde pegar sem se ter de arrancar a insultar as pessoas. Nem isso é salutar num debate. A radicalização de posições a única coisa que conseguiu foi a faixa de gaza, e passávamos bem melhor sem ela.
    Vamos lá com calma.

    Salvé Xenu.

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  20. Pedro Amaral Couto,

    Acho que o termo é... Esfola!!!
    Por acaso gostava de vêr alguns desses estudos só para vêr o alcance da realidade.

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  21. Li a notícia da RTP e revelou-se-me um novo nível de entendimento da edilidade famalicense: se ir a Fátima por motivos religiosos já se encontrava no ordenamento ridículo do interesse público, ir a Fátima por motivos turísticos (conforme driblou o senhor presidente) está para além da minha capacidade de voltar a fechar a boca.

    Valha-me ainda assim o meu severo nacionalismo. Tudo isto é um estandarte.

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  22. Um português, um inglês e um alemão estão num café.
    De repente, ao ver entrar um homem, o inglês diz para os outros:
    - Esse que aí entrou é igualzinho ao Jesus Cristo
    - Pois, pois - dizem os outros
    - Estou-vos a dizer. A barba, a túnica....

    O inglês levanta-se, dirige-se ao homem e pergunta:
    - Tu és Jesus Cristo, não é verdade?
    - Eu? Que ideia!
    - Eu acho que sim. Tu és Jesus Cristo
    - Já disse que não. Mas fala mais baixo
    - Eu sei que tu és Jesus Cristo

    Tanto insiste que o homem lhe diz baixinho:
    - Sou efectivamente Jesus Cristo mas fala baixo e não digas a ninguém

    senão

    isto fica aqui um pandemónio.
    - Fiz uma lesão no joelho em pequeno. Cura-me.
    - Milagres não. Tu vais contar aos teus amigos e eu passo a tarde a

    fazer

    milagres.

    O inglês tanto insiste que Jesus Cristo põe-lhe a mão sobre o joelho

    e

    cura-o.
    - Obrigado. Ficarei eternamente grato - agradece, emocionado, o

    inglês.

    - Sim, sim. Não grites e vai-te embora. Não contes a ninguém.

    O inglês, mal chegou à mesa, contou aos amigos. O alemão levantou-se

    logo e

    dirigiu-se a ele.
    - O meu amigo disse-me que eras Jesus Cristo e que o curaste. Tenho

    um

    olho
    de vidro. Cura-me.
    - Não sou nada Jesus Cristo. Fala baixo.

    O alemão tanto insistiu que Jesus Cristo passou-lhe a mão pelos olhos

    e

    curou-o.
    - Vai-te agora embora e não contes a ninguém.

    Mas Jesus Cristo bem o viu a contar a história aos amigos e ficou à

    espera

    de ver o português ir ter com ele.
    O tempo foi passando e nada.
    Mordido pela curiosidade dirigiu-se à mesa dos três amigos e, pondo a

    mão

    sobre o ombro do português, começou a perguntar:
    - E tu, não queres que.....

    O português levanta-se de um salto, afastando-se dele:
    - Eh, tira as mãozinhas que eu estou de baixa!!!

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  23. super jesus cristo,

    estava a responder à ideia de António Parente de os ateus não são críticos e incultos e na minha resposta não estava a fazer o mesmo para o outro lado.

    A ideia é algo como Rolando Almeida: a tendência é descrentes serem mais cultos porque colocam em questão as convenções, enquanto que os incultos são na maioria beatos (aceitam apenas o que lhes é dito - como a "massa intelectual" que está no santuário - e é essa a explicação dada). Galileu disse que as Escrituras não são para dizer "como vai o céu" numa audiência onde a religião era importantíssima. Os crentes cultos são mais como Galileu e ateus do que beatos cristãos. São como, por exemplo, Ken Miller, que é católico e parece ser muito inteligente. É essa relação do IQ com a religião de que estava a falar (nos gráficos compara-se "IQ" com "Religion is very important", como até mostra esse site evangélico).


    1
    (nota: as conclusões aqui não são dos estudos)

    2
    (aqui não são expressas conclusões, mas o gráfico é o mesmo que o usado no site evangélico e tem notas sobre a relação do IQ ao desenvolvimento económico)

    3
    4
    Dr. David Hardman : "It is very difficult to conduct true experiments that would explicate a causal relationship between IQ and religious belief. Nonetheless, there is evidence from other domains that higher levels of intelligence are associated with a greater ability - or perhaps willingness - to question and overturn strongly felt institutions."

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  24. António,
    «Por acaso gostava de vêr alguns desses estudos só para vêr o alcance da realidade.»

    coloquei algumas referências no último comentário. Nota que em 3) é mostrado que líderes de igrejas criticam os estudos do psicólogo Prof. Richard Lynn e pelo menos um Professor Universitário diz que não teve em conta os "vários níveis de fé" e os aspectos económicos, históricos e sociais.

    Também existem gráficos sobre a relação entre o percentagens de crentes e descrentes e percentagens de presos em cada caso em cada país, o número de crimes em relação ao número de crentes em cada país, notícias sobre estudos sobre a relação entre os países mais religiosos e a sanidade social, a relação entre os países mais religiosos e a riqueza do país, etc.

    1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9

    Lição: cuidado ao dizer o que os outros são porque o contrário pode ser esfregado na cara

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  25. super jesus cristo, o crucificado13/10/08, 19:12

    Caro pedro amaral couto,

    Estou esclarecido então, mas acho que é preciso cuidado com a maneira como se dizem algumas coisas. Às vezes cai-se na ridicularização dos individuos, e depois fica tudo muito admirado que não se discutam as ideias.

    De resto, fogueiras, piras, forquilhas e archotes.

    Salvé Xenu.

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  26. Tens razão, super jesus cristo, mas para quem disse que "afirmar que existem ateus críticos e cultos é falacioso" esperava que criticasse o que eu disse nesse mesmo aspecto (o seu próprio erro). E então apresentava a informação do modo semelhante como apresentei, que de facto é a relação entre religião e QI.

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  27. super jesus cristo (e para quem estiver interessado) : I am Dark Socrates

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  28. "está no seu direito, pennac. Eu também colaboro. Ofereço várias caixas de preservativos, uma dúzia de caixas de viagra e um banho quente no fim com um bom desinfectante para o pennac e os seus amigos se sentirem felizes. não quero que lhes falte nada."

    Obrigado antónio. Você é uma boa alma. E pelos vistos, pessoa influente na autarquia. Não se esqueça dessa promessa. afinal, já passei dos 40 e mais dia menos dia estou a precisar de ajuda para comprir os (os mencionados) ritos da minha fé. Bem haja (sem malícia, hein?)

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  29. antónio parente14/10/08, 01:18

    Pedro Amaral Couto

    Não preciso de relatórios. Basta-me passear pelas caixas de comentários e tenho um retrato fiel dos primos.

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  30. Pedro Amaral Couto,

    A evidencias desse estudo e os gráficos mostram algo que me parece associado à religião: o "rebanhar".
    Normalmente os lideres religiosos são inteligentes, mas, necessitam de alguém que lhes dê poder. Só quem os segue irracionalmente é que consegue aceitar todas as patranhas, e essa irracionalidade não se consegue com pessoas inteligentes. O rebanhar atrás de um lider é uma das muitas aberrações da religião, e uma das razões que me faz discordar da subvalorização do Ludwig ao "crer na fé", como ele explicou no respectivo post.

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  31. Américo Santos14/10/08, 15:16

    A vossa Associação começa por mostrar-se herdeira dos 300.000 bufos que colaboravam regularmente com a PIDE/DGS.

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  32. Américo Santos,

    «A vossa Associação começa por mostrar-se herdeira dos 300.000 bufos que colaboravam regularmente com a PIDE/DGS.»

    Só se ignorar a diferença entre denunciar ao estado a vida privada dos seus cidadãos ou denunciar ao público as irregularidades cometidas pelo estado.

    Mas penso que não é sensato ignorar esta diferença...

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  33. Ena!!! Agora também já temos um reaccionário residente!

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  34. A PIDE era uma polícia de um Estado católico. Numa das revistas da Sábado há um artigo a explicar o que acontecia a ateus. De qualquer modo suponho que as associações contra o racismo, contra a violência doméstica, pela protecção de menores, etc. também são "bufos que colaboravam regularmente com a PIDE/DGS". Se eu for testemunha de um crime, também serei um bufo. Por outro lado existem igrejas onde não existem bufos contra pedófilos que existem nelas. É isso que Américo Santos pretende?

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