sexta-feira, março 13, 2009

Miscelânea criacionista: Dissonância cognitiva.

Em Junho de 2007 escrevi sobre a evolução das beta-lactamases, enzimas que evoluíram recentemente em bactérias tornando-as resistentes à penicilina. Fazem algo de novo nessas bactérias, que é degradar a penicilina e depois libertar os fragmentos para continuar o processo, protegendo-as deste antibiótico. Com isto quis refutar duas alegações criacionistas. «É falso que as mutações só façam perder capacidades. É falso que as mutações não possam criar novos genes.»(1)

Há uns dias o Jónatas Machado descreveu assim as minhas afirmações: «o Ludwig Krippahl defendeu que a síntese de betalactamase, uma enzima que ataca a penicilina destruindo o anel de beta-lactam, é uma evidência da evolução de partículas para pessoas.»(2) Muitas pessoas consideram que esta táctica criacionista de torcer a verdade é sintoma de teimosia, imaturidade ou mesmo desonestidade. Mas o problema é mais profundo.

Normalmente tentamos resolver divergências colaborando com quem discordamos. Não só por ser socialmente mais aceitável mas também porque, por experiência, conhecemos os benefícios da compreensão mútua. Se defendemos uma posição é porque a assumimos correcta mas o bom senso recomenda deixar alguma margem para dúvida. Por este interesse mútuo em corrigir erros e melhorar opiniões, o diálogo racional, mesmo quando há discórdia, segue preceitos de respeito e civismo. Não mentir descaradamente, não insistir em argumentos já refutados, justificar as premissa que a outra parte questiona e assim por diante.

Mas o criacionista não partilha este objectivo. Há dois mil e quinhentos anos, segundo julga, anciões de uma tribo descreveram a criação de tudo. E pronto. Vinte e cinco séculos de progresso não contam para nada. O criacionista não quer saber a resposta porque julga que já a sabe. E não é só uma certeza. Acima de tudo, é uma questão de valores. O criacionista está pessoalmente comprometido àquela caricatura da história natural e considera que esse compromisso é a sua maior virtude. E para defender tal virtude vale tudo. Vale mentir, chatear, inventar, torcer o sentido às palavras, impor as suas crenças e importunar quem apanhe a jeito.

É pena que não dêem melhor uso a tamanho esforço. Porque deve ser um grande esforço. A ignorância ajuda mas não faz tudo, e hoje em dia é difícil discutir estas coisas e manter-se ignorante de tanto que contradiz o criacionismo. Só a muito custo é que alguém continua a massacrar o nariz contra a parede se tem a porta escancarada mesmo ao lado.

1- Penicilina
2- Comentário em Porque sim e porque não.

22 comentários:

  1. Além de dissonância cognitiva acrescentaria ainda autismo.

    Mais tretas criacionistas sobre mutações:

    CB100. Mutations are rare.

    http://talkorigins.org/indexcc/CB/CB100.html

    CB101. Most mutations are harmful.

    http://talkorigins.org/indexcc/CB/CB101.html

    CB101.1. Mutations are accidents; things do not get built by accident.

    http://talkorigins.org/indexcc/CB/CB101_1.html

    CB101.2. Mutations do not produce new features.

    http://talkorigins.org/indexcc/CB/CB101_2.html

    CB102. Mutations do not add information.

    http://talkorigins.org/indexcc/CB/CB102.html

    Há ainda esse termo curioso que os criacionistas inventaram:

    "evolução de partículas para pessoas"

    Isso das "partículas" deve ser como os "tipos":

    Serão partículas sub-atómicas?
    Átomos, moléculas?
    Compostos inorgânicos?
    Compostos orgânicos?
    Grãos de terra?

    Deve ser o que der "mais jeito" no momento consoante a alarvidade que resolverem debitar!

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  2. Na esperança de ser útil ao Perspectiva, segue mais uma clarificação sobre biologia molecular.

    Citocromo P450 - conjunção para "cita o cromo da página 450", que no jargão celular refere o código a utilizar na eliminação de moléculas feridas de pecado.

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  3. Será que com «é uma evidência da evolução de partículas para pessoas» ele queria dizer «é, para pessoas, uma evidência da evolução de partículas»?

    Ou quereria dizer que este é um exemplo de evolução e que a teoria da evolução, entre outras coisas, procura explicar a evolução das formas de vida que tornaram-se cada vez mais complexas, aumentando de complexidade desde organismos simples («partículas») até seres humanos complexos («pessoas»)?

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  4. Mais um malabarismo semântico oferecido pelo amigo Ludwig.

    Se só há duas hipóteses (evolução ou criação) e se por evolução tu defines como sendo variação genética, então toda a variação genética é evidência para a evolução.

    Dai se infere que o que Jónatas diz faz sentido, levando em conta aquilo que tu acreditas.

    Se a evolução aconteceu, que era o que tu supostamente querias mostrar com o exemplo da enzima, então o homem de facto evoluiu das partículas até o que ele é hoje.

    Repara que o problema aqui não é com o criacionista, mas sim com a forma como tu defines evolução. Tu defines evolução vagamente, e depois usas a mesma evolução como forma de refutar a criação.

    O céptico pode então dizer que tu acreditas que a destruição de capacidade celular (o que tu chamas de evidência para evolução) suporta a crença que o homem evoluiu de "partículas".

    Se tu fores mais específico e mais concreto com a tua definição, não vais ouvir (ou neste caso, lêr) coisas como as que o Jónatas disse. No entanto, como estás ideologicamente restringido à tua definição, vais continuar a usar tais "exemplos" como "evidência" contra o criacionismo, e a favor da evolução.

    Não te queixes portanto com as ramificações das tuas vagas definições.

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  5. É isso mesmo, dissonância cognitiva ou a materialista ignorância da inteligência viva!!! :)

    Daí a tal evolução de partículas para pessoas, pois TODA a organização crescente é evidência de inteligência imanente!

    Deste modo, o debate não é entre teístas e ateus ou criacionistas e evolucionistas, mas tão simplesmente entre o "acaso" inteligente e o aleatório evolutivo, por assim dizer. Bem, foi o que me veio à cabeça agora! :)

    Volto a repetir que mesmo que o mecanismo das mutações genéticas seja essencialmente aleatório ou acausal - o que é muito discutível, a interacção com o ambiente é sempre determinante! - ainda assim, esse processo de "trial and error" contém um óbvio gérmen de inteligência criativa, uma vez que produz eventualmente um resultado positivo que conduz à reprodução das novas características e consequente evolução.

    A questão, contudo, é que o naturalismo científico vem dando lugar a um injustificado naturalismo metafísico, e ao pretender encaixar as observações nesse outro modelo dogmático a ciência fecha-se em vez de se abrir e defende uma concepção rígida e inimaginativa da matéria, negando a causa etérea!

    Ah! já agora, se a experiência de Aspect comprovou a não localidade das causas, negando assim o realismo local, ou comprovando a não causalidade de fenómenos como o surgimento espontâneo de pares de partículas, aparentemente do nada, que implicações filosóficas poderá ter uma tão surpreendente descoberta para o senso comum?! É que um tal raciocínio suporta o espiritualismo metafísico, claro, onde a origem da criação é explicitamente definida como "a causa sem causa" na descrição de Deus como "Aquele Que É!"... simplesmente!

    A experiência de Aspect mostrou conclusivamente que a teoria das variáveis ocultas estava errada e que não podem haver causas locais para certos acontecimentos a esse nível. Isto em conjunto com a teoria da relatividade, que só permite causas locais (i.e. efeitos transmitirem-se no máximo à velocidade da luz) indica que muita coisa acontece sem qualquer causa.

    Ou seja, sem qualquer causa conhecida a nível material, o que só por si representa uma conclusão interessantíssima e que dificilmente parece compatível com o tal naturalismo metafísico, se bem que com um bocadinho de matemática e números imaginários - mais as respectivas constantes inventadas à pressão! - tudo se consegue comprovar até o velho modelo rebentar!

    Para terminar, a simples questão que se deve pôr é se a observação do universo é ou não compatível com a noção de que o seu surgimento e evolução são conciliáveis com um processo inteligente, que NÃO tem de ser exgóneno ou sobrenatural mas já interno ou imanente... em meta-organização permanente!

    De onde, em tudo há uma proto-mente...

    Rui leprechaun

    (...desde o início do mundo, eterna-mente! :))


    A good traveler has no fixed plans
    and is not intent upon arriving.
    A good artist lets his intuition
    lead him wherever it wants.
    A good scientist has freed himself of concepts
    and keeps his mind open to what is
    .


    Tao Te Ching, 27

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  6. Ora aqui está um exemplo de "malabarismo" criacionista:

    «O céptico pode então dizer que tu acreditas que a destruição de capacidade celular (o que tu chamas de evidência para evolução) suporta a crença que o homem evoluiu de "partículas".»

    Nem todas as mutações genéticas destroem a capacidade celular. A maioria delas é neutra, algumas de facto destroem, outras são benéficas e são estas que são seleccionadas. Afirmar que o LK ou qualquer cientista evolucionista defende isso é pura deshonestidade intelectual.

    Continuo à espera da definição criacionista de "partículas".

    Lembro aos senhores criacionistas que a teoria da evolução das espécies não contempla a origem dos primeiros organismos unicelulares, isso é do domínio da teoria da abiogénese.

    Ver:

    Claim CB090:

    Evolution is baseless without a good theory of abiogenesis, which it does not have.

    http://talkorigins.org/indexcc/CB/CB090.html

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  7. Mats,

    «Se só há duas hipóteses (evolução ou criação)»

    Há uma data delas. Infinitas. A teoria da evolução está constantemente a ser melhorada e expandida com hipóteses novas, revistas e rejeitadas. E mitos da criação há aos pontapés.

    O que precisamos é de um método fiável de separar o trigo do joio. Esse método não é a fé nem a crendice. É a ciência.


    «Se a evolução aconteceu, que era o que tu supostamente querias mostrar com o exemplo da enzima,»

    O que eu queria mostrar com esse exemplo -- e que deixei bem claro no texto original -- era a falsidade das afirmações criacionistas de que não surgem funcionalidades novas e que as mutações só fazem perder capacidades.

    «Tu defines evolução vagamente, e depois usas a mesma evolução como forma de refutar a criação.»

    O conceito de evolução está bem definido. É a variação, ao longo do tempo, da distribuição de características hereditárias numa população.

    «e depois usas a mesma evolução como forma de refutar a criação«

    A vossa hipótese prevê que processos naturais só possam guiar a evolução na direcção de perda de funcionalidades. Mostrando um caso em de evolução no sentido contrário por processos naturais refuta-se essa hipótese.

    É assim que se faz em ciência e num diálogo racional honesto. É claro que com os criacionistas não é bem assim...

    «Não te queixes portanto com as ramificações das tuas vagas definições.»

    Espero que este comentário te tenha esclarecido quanto à definição de evolução e não voltes a acusar-me de te dar uma definição vaga.

    E, já agora, estou curioso em saber onde é que te ficou a ideia que eu definia "evolução" de forma vaga. Podes citar o texto em que eu dei uma definição vaga de evolução e te induzi em erro? Obrigado.

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  8. mama eu quero14/03/09, 19:58

    "A vossa hipótese prevê que processos naturais só possam guiar a evolução na direcção de perda de funcionalidades."
    Então mas claro!!!
    Está preto no branco no livrinho que é uma consequência do esperto do Adão ter papado a maçã! O Jonatas já explicou muitas vezes... é fácil de perceber.



    "«Não te queixes portanto com as ramificações das tuas vagas definições.»"
    Sim, vagas definições! Objectivas definições estão no livrinho. Papou a maçã logo adn vem por aí abaixo! Nada pode ser mais objectivo que isto.

    Depois há as gaivotas e os cubos de gelo da Palmira
    mas isso é muito menos objectivo.
    Todo o código é inteligente logo o ADN é sagrado. O que pode ser menos vago que isto?

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  9. Isto está fraco de criacionistas bíblicos. Para alguns mais afoitos deixo o repto de explicarem convenientemente o paradoxo criacionista bíblico:

    1-Tudo o que existe foi criado por deus;

    2-Deus existe;

    3-Deus foi criado por deus?

    Como existem muitos, pode ser que uns deuses tenham criado outros, mas fica sempre a questão: quem criou o primogénito? Não se esqueçam: antes de ser criado, nada existe. Nem mesmo o deus. Donde, muito provavelmente, deus não é o criador de tudo o que existe.

    Confesso que acho o paradoxo criacionista bíblico mais complicado do que a teoria do big-bang; ao menos esta, embora ainda tosca, atribui a criação do universo a partir do nada.

    Em vez de se entreterem a arengar sobre a origem divina da vida, deveriam entreter-se a deslindar o paradoxo a que conduz a sua crença sem pés nem cabeça.

    CL.

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  10. Ludwig,

    «Se só há duas hipóteses (evolução ou criação)»

    Há uma data delas. Infinitas. A teoria da evolução está constantemente a ser melhorada e expandida com hipóteses novas, revistas e rejeitadas.


    Qual das teorias da evolução tu estás a falar? Naquela que ainda acredita na desacreditada árvore da vida de Darwin, ou noutras? Ou será na que acredita na hipótese cursorial? ou será na arboreal?
    Nós geralmente usamos a teoria da evolução no singular, mas se calhar deveríamos usar qualificativos plurais.
    Mas volto ao ponto: ou o mundo criou-e a si próprio (evoluçãi) ou Alguém o criou (criação). Não há mais nenhuma alternativa.
    Tu usas exemplos de variações genéticas (com as quais nenhum cientista criacionsita nega, uma vez que são observáveis), como forma de refutar a criação. Como tal o que o Jónatas disse é lógico.

    "O que precisamos é de um método fiável de separar o trigo do joio. Esse método não é a fé nem a crendice. É a ciência."

    Lá estás tu a defender a ciência, quando o que se está a falar é na evolução. Mas alguém aqui por acaso atacou a ciência? É sempre mais fácil defender o que não está a ser atacado, não é Ludwig?


    «Se a evolução aconteceu, que era o que tu supostamente querias mostrar com o exemplo da enzima,»

    O que eu queria mostrar com esse exemplo -- e que deixei bem claro no texto original -- era a falsidade das afirmações criacionistas de que não surgem funcionalidades novas e que as mutações só fazem perder capacidades.


    1. Funcionalidades novas não implicam informação genética nova.

    2. Não conheço criacionista algum que diga que as mutações fazem perder capacidades. O que nós dizêmos é que as mutações são irrelevantes para a evolução porque elas são modificações horizontais. O que a evolução precisa é de modificações verticais (incremento de informação genética), as quais que nunca foram observadas pelos cientistas.

    «Tu defines evolução vagamente, e depois usas a mesma evolução como forma de refutar a criação.»

    O conceito de evolução está bem definido. É a variação, ao longo do tempo, da distribuição de características hereditárias numa população.


    O facto de estar bem definido, não invalida que seja vaga em termos científicos.
    1. Que tipo de variação?
    2. Que características?
    3. Quanto tempo?
    4. Bébés com deformações são exemplos evolutivos? E bébés que morrem devido a elas, são vítimas da evolução?

    Repito, a natureza vaga da tua definição deixa a porta aberta para os "ataques" que o Jónatas trouxe a lume.

    Tu estás a sofrer consequências da tua vaga definição.

    «e depois usas a mesma evolução como forma de refutar a criação«

    A vossa hipótese prevê que processos naturais só possam guiar a evolução na direcção de perda de funcionalidades.


    Processos naturais não guiam evolução nenhuma porque "guiar" é uma actividade inteligente, e natureza é uma impessoalidade sem inteligência.

    Segundo, como é que "processos naturais" podem guiar um mecanismo que nunca aconteceu?

    Segundo, os criacionistas não dizem que as variações conduzem SEMPRE à perda de funcionalidades.

    Mostrando um caso em de evolução no sentido contrário por processos naturais refuta-se essa hipótese.


    O problema, claro está,é que "variação" não é "evolução".

    É assim que se faz em ciência e num diálogo racional honesto.

    Pois é. Quando é que os evolucionistas vão começar a fazer o mesmo?

    «Não te queixes portanto com as ramificações das tuas vagas definições.»

    Espero que este comentário te tenha esclarecido quanto à definição de evolução e não voltes a acusar-me de te dar uma definição vaga.

    E, já agora, estou curioso em saber onde é que te ficou a ideia que eu definia "evolução" de forma vaga. Podes citar o texto em que eu dei uma definição vaga de evolução e te induzi em erro? Obrigado.


    A tua definição escrita em cima é vaga. Não indica que tipo de variação, não indica formas de testá-la, e principalmete, e contrariamente às verdadeiras teorias científicas, não é possível refutá-la.

    A tu definição pode ser traduzida para: "evolução é o que acontece no mundo biológico".
    Que tipo de definição é essa? Qual é a utilidade disso?

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  11. mama eu quero15/03/09, 10:09

    "Não conheço criacionista algum que diga que as mutações só fazem perder capacidades."

    Pensava que era sempre isto que o Jonatas andava a dizer. E dá links para não sei onde e tudo. Parto do princípio que são para "papers" de "cientistas" criacionistas mas confesso que nunca segui nenhum.

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  12. Mats:


    "É assim que se faz em ciência e num diálogo racional honesto.

    Pois é. Quando é que os evolucionistas vão começar a fazer o mesmo?"




    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

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  13. Mats, estás a deixar que o teu fanatismo religioso te cegue completamente e entras não só em super contradições como em mentiras abjectas. Deplorável, Mats, o espectáculo que estás a fazer.

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  14. Mats,

    Continuas a fazer uma data de confusões, mas é melhor ir a uma de cada vez.

    «A tua definição escrita em cima é vaga. Não indica que tipo de variação»

    Eu especifiquei o tipo de variação. A variação na distribuição de caracteristicas hereditárias.

    «não indica formas de testá-la, e principalmete, e contrariamente às verdadeiras teorias científicas, não é possível refutá-la.»

    Estás baralhado.

    A velocidade é a variação na posição em função do tempo.

    A evolução é a variação na distribuição de caracteristicas herdadas em função do tempo.

    Nada disto é refutável ou testável porque são conceitos -- definições -- e não teorias ou proposições.

    A teoria da evolução não é o mesmo que a evolução. É a teoria acerca dos mecanismos que governam a evolução. E essa é que é testável.

    Tal como na física. A velocidade é um conceito e não uma teoria. Não se testa. Mas podes testar se é verdade que a velocidade varia em proporção à razão entre força e massa.

    A teoria da evolução descreve vários mecanismos que causam a evolução. Descreve-os em detalhe, em modelos matemáticos que podes aprender em qualquer livro sobre genética de populações. Por exemplo, que a frequência de uma característica herdada tende a aumentar ao longo das gerações se essa característica estiver correlacionada com uma fertilidade maior que a média.

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  15. «1. Funcionalidades novas não implicam informação genética nova.»

    Se «informação genética nova» não é o que acontece quando surgem novas funcionalidades, é o que acontece quando surge o quê?

    Se podem surgir novas funcionalidades sem surgir «informação genética nova», então não existe problema nenhum em entender como é ao longo de milhões de anos um mamute se transforma num elefante, ou uma bactéria num insecto: aos poucos e poucos vão surgindo novas funcionalidades devido a algumas mutações, e aquelas que trazem vantagens competitivas são passadas aos descendentes.

    Não sei a que é que chamas «informação genética nova» (visto que não é o tamanho do ADN que admites poder aumentar, nem as funcionalidades), mas se é irrelevante para as novas funcionalidades, então é irrelevante para explicar como é que os seres se foram alterando tanto ao longo do tempo.

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  16. A mensagem anterior é dirigida ao Mats.

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  17. Ludwig,
    Continuas a fazer uma data de confusões, mas é melhor ir a uma de cada vez.

    «A tua definição escrita em cima é vaga. Não indica que tipo de variação»

    Eu especifiquei o tipo de variação. A variação na distribuição de caracteristicas hereditárias.


    E aquelas formas de vida que fazem cópias de si mesmas, se haver variação nenhuma. É isso um exemplo de evolução? POrtanto, a teoria acomoda eventos onde há vatiação, mas ao mesmo tempo, acomoda o contrário.
    Que tipo de teoria é essa que é definida como "tudo aquilo que acontece"?

    «não indica formas de testá-la, e principalmete, e contrariamente às verdadeiras teorias científicas, não é possível refutá-la.»

    Estás baralhado.

    A velocidade é a variação na posição em função do tempo.

    A evolução é a variação na distribuição de caracteristicas herdadas em função do tempo.


    Ou por outras palavras, evolução é o que acontece no mundo biológico. "OS filhos serão diferentes dos pais" (ou não).

    Que tipo de variação, Ludwig? É o cancro um exemplo evolutivo? E deficiências geneticas que se tornam dominantes num grupo biológico podem ser consideradas eventos evolutivos?

    Tal como eu já disse, essa "definição" é vaga, e sem valor científico algum.

    Nada disto é refutável ou testável porque são conceitos -- definições -- e não teorias ou proposições.

    Mas o problema é a "definição" em si que é totalmente vaga.

    A teoria da evolução não é o mesmo que a evolução. É a teoria acerca dos mecanismos que governam a evolução. E essa é que é testável.

    Como é que se pode testar um "mecanismo" que acomoda resultados mutuamente contraditórios?

    Tal como na física. A velocidade é um conceito e não uma teoria. Não se testa. Mas podes testar se é verdade que a velocidade varia em proporção à razão entre força e massa.

    Nesse caso, há uma definição que se pode usar em termos científicos. Pode-se medir a velocidade, pode-se fazer previsões e esperar resultados. Se os resultados forem mutuamente exclusivos, então algo está mal.

    NA evolução não há nada disto. O suposto "mecanismo" nunca foi observado, e como forma de esconder essa falha, vocês definem evolução de forma que seja observável, e depois extrapolam bem para além das observações.
    Sem a clareza do tipo de variações, a direcção e a forma de testá-la, ou refutá-la, a teoria e a evolução estão bem fora do domínio da ciência observável.

    A teoria da evolução descreve vários mecanismos que causam a evolução.

    Sim, se tu defines evolução como "aquilo que acontece no mundo biológico". Assim é fácil arranjar "mecanismos".

    Descreve-os em detalhe, em modelos matemáticos que podes aprender em qualquer livro sobre genética de populações.

    Genética não tem nada a ver com a evolução, mas isso é outro assunto.
    Os supostos modelos são apenas descrições de eventos não controversos que vocês extrapolam para além das observações.
    O que vocês observam está de acordo com o criacionismo, mas o que vocês extrapolam não é observável.

    Por exemplo, que a frequência de uma característica herdada tende a aumentar ao longo das gerações se essa característica estiver correlacionada com uma fertilidade maior que a média.

    Nada disto serve de evidência exclusiva para a evolução, e muito menos serve de evidência contra a criacão Bíblica.

    Tal como eu tinha dito, vocês usam um evento não controverso como "evidência" de um mecanismo que nunca foi observado.

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  18. MUTAÇÕES E DESTRUIÇÃO DA INFORMAÇÃO CODIFICADA


    Os criacionistas chamam a atenção para o facto de que as mutações não acrescentam informação genética nova, sendo inteiramente realista considerar que as mesmas constituem o mecanismo da evolução.


    Para além do facto de que não existe informação codificada sem uma origem inteligente, deve ter-se em consideração o facto de que a informação contida no DNA é como uma linguagem escrita.


    A sequência de pares de bases, tal como as letras numa linguagem escrita, codifica algo dotado de significado (frequentemente uma sequência de aminoácidos para uma proteína, como a insulina ou a hemoglobina.

    Pensemos, por exemplo, na frase “SEI QUE ELE NÃO TEM PAI NEM MÃE” (a escolha de palavras com 3 letras foi deliberada, procurando reflectir os codões do código genético).

    Agora imaginemos que inserimos uma letra nova: “SEI TQUE ELE NÃO TEM PAI NEM MÃE”.

    A frase tem agora mais uma letra, mas com isso não adquiriu nova informação. Pelo contrário, introduziu ruído na informação já existente.


    Na verdade, as coisas são mais graves no caso do DNA, na medida em que a inserção de uma base (“letra”) resulta na destruição de toda a informação subsequente.
    Assim, no nosso exemplo, e abstraindo agora de que as palavras do DNA têm três letras (de quatro possíveis) a frase passaria a ler-se como “SEI TQU EEL ENÃ OTE MPA INE MMÃ E”, o que, basicamente, deixaria de corresponder a qualquer sentido codificado.


    A sequência passaria a ser inútil, do ponto de vista da especificação do que quer que seja.

    As inserções acabam por ter um efeito tão destrutivo a jusante como as delecções.


    As substituições podem ser neutras, tendo em conta o modo inteligente como o DNA foi concebido pelo Criador, com redundâncias.

    Sendo as três letras de DNA (de quatro existentes) lidas em conjuntos de três letras (codões) há 64 codões possíveis, significando isso que existem vários codões possíveis para a maioria dos 20 aminoácidos.

    Isso significa que algumas substituições são possíveis sem alterar o aminoácido que se pretende codificar.


    Isso explica porque é que, em contraste, as inserções e as delecções baralham a informação de DNA nas sequências a jusante, porque a maquinaria celular passa a ler os codões errados.

    Se considerarmos a sequência CTGCTGCTGCTG, a mesma seria lida como CTG CTG CTG CTG.


    Mas a inserção de um A na sequência (agora CTGACTGCTGCTG) resulta na leitura dos codões como CTG ACT GCT GCT, o que altera inteiramente o respectivo significado, apesar da adição de uma nova letra.

    Por aqui se vê que as mutações tendem a corromper a informação genética, problema que só se agrava se considerarmos que as mutações tendem a acumular-se de geração em geração, sendo por isso cumulativas e degenerativas.

    As mutações são uma realidade.

    Mas elas, nada têm que ver com a evolução de partículas para pessoas.


    O mesmo se passa com a selecção natural, que vai gradualmente eliminado informação genética.


    P.S. Em todos os exemplos, pressupõe-se a existência de um código, sem o qual a informação não pode ser armazenada e transmitida.

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  19. RECORDAR É VIVER!

    TRÊS ATEUS SEPULTARAM O ATEÍSMO!

    1) Ludwig Krippahl diz que um código tem sempre origem inteligente.

    2) Richard Dawkins afirma que no DNA existe um código quaternário, com os símbolos ATGC, que codifica grandes quantidades de informação como um computador.

    3) Por concordar com o Ludwig em 1) e Dawkins em 2), o ex-ateu Anthony Flew, ao fim de 60 anos a dizer o contrário, concluiu que então o código do DNA só pode ter tido origem inteligente, abandonando assim o seu ateísmo.

    Teve assim lugar o funeral do ateísmo.

    Os ateus Ludwig Krippahl e Richard Dawkins carregaram a urna e abriram a cova.

    Anthony Flew enterrou-o.

    As exéquias foram celebradas pelos criacionistas.

    Que descanse em paz.

    Ludwig Krippahl e Richard Dawkins permanecem até hoje diante da sepultura do ateísmo a velar o morto, a embalsamá-lo e mumificá-lo, para tentar evitar que ele cheire mal.

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  20. RESISTÊNCIA A ANTIBIÓTICOS NÃO É O MESMO QUE EVOLUÇÃO DE PARTÍCULAS PARA PESSOAS!


    Na generalidade dos casos conhecidos em que uma bactéria desenvolve resistência a antibióticos acontece uma de três coisas:

    1) a resistência já existe nos genes e acaba por triunfar por selecção natural, embora não se crie informação genética nova;


    2) a resistência é conseguida através de uma mutação que destrói a funcionalidade de um gene de controlo ou reduz a especificidade (e a informação) das enzimas ou proteínas; 3)

    a resistência é adquirida mediante a transferência de informação genética pré-existente entre bactérias, sem que se crie informação genética nova.


    Nenhuma destas hipóteses corrobora a criação naturalista da informação codificada necessária à transformação de partículas em pessoas.


    Pensar o contrário é uma fantasia naturalista sem qualquer confirmação empírica.

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  21. Mats,

    "É o cancro um exemplo evolutivo?

    Não, O cancro é a prova da infinita sabedoria e bondade do criador, que "dá" uma doença terrivel como esta, aliatoriamente, deixando viver violadores de criancinha até aos 90 anos e que morrem calmamente no soninho, e matando com cancro, mães extremosas só porque sim.

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  22. Perspectiva:

    Mas se é possível criar novas funcionalidades e aumentar o tamanho do ADN sem "informação genética nova" (aquilo que nunca foram capazes de definir o que é), então aquilo a que chamam "informação genética nova" não é necessário para que um mamute evolua para elefante, ou uma bactéria evolua para insecto.
    O acumular gradual de novas funcionalidades explica tamanhas alterações.

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