segunda-feira, março 03, 2008

Um modelo novo velho.

A discussão do último post está animada mas confusa, por isso retomo já o tema. O Desidério afirma que é «pura e simplesmente falso que um músico ou um escritor possa viver do seu trabalho se o produto desse trabalho puder ser copiado livremente»(1) mas não explica porque são só os músicos e escritores e não os físicos, astrónomos, matemáticos, designers de moda (2) e assim por diante. Em todas estas profissões o produto pode ser copiado mas o trabalho de o criar é um bem escasso. A música ou a demonstração do teorema podem ser distribuídas na Internet mas poucos conseguem compor músicas ou demonstrar teoremas. Não precisam do copyright para vender o seu trabalho.

A ArtistShare é exemplo de um modelo alternativo. «Since 2003, ArtistShare has been allowing fans to fund the projects of their favorite artists in exchange for access to the creative process, LTD Edition recordings, VIP access to recording sessions and even credit listing on the CD.» (3) Enquanto houver copyright eles também aproveitam mas não dependem da lei para tornar escasso o que é abundante. O que eles vendem já é naturalmente escasso. A participação na criação, o apoio ao artista, as edições exclusivas, o reconhecimento e assim por diante. Os participantes compram o trabalho do artista e as cópias são um brinde. O álbum Sky Blue da Maria Schneider teve participantes a contribuir entre dez dólares e dezoito mil dólares, que foi o que pagou um fã para ficar como produtor executivo do álbum e ainda acompanhou a Maria à cerimónia de entrega do Grammy (4).

A indústria promove o mito que o copyright incentiva a criação. Muita gente acredita. Mas o copyright serve para financiar a produção e distribuição de cópias. Como a reprodução em massa era dispendiosa quem fazia as cópias exigiu direitos exclusivos para proteger o seu investimento. No modelo do século XX os músicos cedem direitos ao distribuidor e em troca este leva a música a mais pessoas, trazendo mais pessoas aos concertos onde os músicos ganham dinheiro (4). O modelo do século XXI é diferente:

«In addition to the personal gratification, Schneider's "Sky Blue" ArtistShare project has generated nearly $200,000 from the participants, with 15% going to the company, the balance (about $170,000) to her. Contrast that with a commercial recording she made before her association with ArtistShare.
"It cost me $30,000 and the record company bought it for $10,000. It earned another $7,000 in royalties, but I was still out $13,000, and I'd given up half my publishing.»
(4)

O software livre é outro exemplo. Os programas são distribuídos livremente, incluindo o código fonte, e podem ser usados e modificados por todos. Mas há sempre necessidade de analisar problemas, seleccionar soluções, configurar aplicações, adaptar código e desenvolver funcionalidades novas. Uma vez feito, isto pode ser copiado livremente. Mas o programador já vendeu o trabalho de o fazer. Este trabalho é um bem escasso e sempre procurado pelo valor da inovação.

Este modelo é mal compreendido por causa da propaganda e por causa dos hábitos de consumo que o copyright criou. O consumidor adquire de uma empresa impessoal um produto acabado igual a muitos outros. Só tem licença para usufruir desse produto como está e não pode modificá-lo. Desta perspectiva o criador parece uma longínqua fonte de cópias alimentada pelo licenciamento, como se o seu valor fosse o valor da cópia.

O valor do autor está na capacidade de inovar. Neste modelo o consumidor torna-se num participante que contribui directamente para o trabalho de criar. Em conjunto, artistas e apreciadores criam algo livre de ser usado por outros artistas e outros apreciadores. Isto é mais racional que licenciar discos de plástico, cobrar por cópias que qualquer um pode fazer e sequestrar obras durante décadas. Foi a financiar o trabalho deixando livre o produto que criámos o electromagnetismo, a Internet, o GPS, as linguagens de programação, o hábito de lavar as mãos, a Constituição e muitas outras coisas. Coisas que mesmo os mais vocais opositores de usar à borla o trabalho dos outros usam todos os dias sem dar um cêntimo. O que está justo. Também não pago ao estofador cada vez que me sento no sofá.

A música e a literatura precisavam do copyright porque dependiam de um meio dispendioso de distribuição. Agora já não. Já podem voltar ao velho modelo que partilhavam com tantas outras formas de criatividade.

1- Desidério Murcho, 1-3-08, Regresso a zero
2- TechDirt, More Research Shows How The Fashion Industry Is Helped By The Lack Of Intellectual Property Rights
3- ArtistShare, About
4- LA Times, 10-2-08, ArtistShare makes fans a part of the inner circle
5- Miguel Caetano, 1-2-07, Os músicos vivem dos concertos e não da música

35 comentários:

  1. Ludwig,já que é neste modelo que vislumbras a "independência" do autor e o caminho para a excelência, não resisto impingir-me numas perguntas.

    A ArtistShare é exemplo de um modelo alternativo.
    É sem dúvida um modelo alternativo. Diria até que se a Madona pusesse umas peúgas à venda no ArtistShare, alguém apareceria com $18000. Mas por favor explica-me como é que este modelo poderia alguma vez servir um estreante desconhecido do público ou alguém sem vocação para transformar o seu talento numa arte circense.

    mas não explica porque são só os músicos e escritores e não os físicos, astrónomos, matemáticos, designers de moda e assim por diante
    Os astrónomos e os matemáticos, como qualquer pensante, podem arriscar uma de várias trajectórias:

    GRUPO 1 - carreira académica: compensados no seio da organização que os sustenta, a vetusta progressão na carreira;

    GRUPO 2 - franco-atiradores: estes vendem livros, discos, filmes, fórmulas farmacêuticas e gostam do copyright; Normalmente são escritores, músicos ou cineastas; Neste grupo convém ter cuidado com tipos como o Dawkins que come no grupo 1 e bebe no grupo 2.

    GRURPO 3 - abnegação Zen: estão-se nas tintas para o dinheiro e amam o balandrau andrajoso estranhamente cor-de-laranja. Tenho uma admiração pessoal pelos raros exemplares autênticos mas julgo que apenas um verdadeiro monge poderá negligenciar as outras duas hipóteses, e apenas um verdadeiro soviético poderá exigir o mesmo de todos.
    A internet em nada altera aquilo a que cada um tem direito.

    E agora, Lud, le sommet du sommet, passo a imodéstia:

    O valor do autor está na capacidade de inovar. Neste modelo o consumidor torna-se num participante que contribui directamente para o trabalho de criar.

    Aqui, a minha bola de cristal mostra-me um Ludwig a pagar adiantadamente pelo álbum, livro, fórmula ou filme que ainda não saíram ou, pior, que não foram ainda pensados nem compostos. A isto, Ludwig, chama-se FÉ. Tens fé nos teus autores de eleição. Pareces ter também fé nas qualidades do público em geral que paga alegremente pelo que consome, mas aqui acho que estás a estender-te intencionalmente... e isso eu nunca financiaria aos meus autores preferidos.

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  2. Bruce,

    «Mas por favor explica-me como é que este modelo poderia alguma vez servir um estreante desconhecido do público ou alguém sem vocação para transformar o seu talento numa arte circense.»

    Um estreante tem que se tornar primeiro conhecido do público. Mas o problema do estreante é o mesmo em todas as áreas. Qualquer profissão precisa de um processo de bootstrapping pelo qual se vai dando provas de competência e assim tendo oportunidade de mostrar mais competência.

    Quanto ao sucesso de um artista sem vocação para atrair o interesse do público penso que estará ao mesmo nível do de um cirurgião invisual ou de um piloto tetraplégico. Não me parece que se justifique uma lei por isso.

    «Aqui, a minha bola de cristal mostra-me um Ludwig a pagar adiantadamente pelo álbum, livro, fórmula ou filme que ainda não saíram ou, pior, que não foram ainda pensados nem compostos. A isto, Ludwig, chama-se FÉ. Tens fé nos teus autores de eleição.»

    São raras as profissões nas quais se faz o trabalho antes de saber se alguém o vai pagar. Normalmente há boa fé nas transacções, com quem compra o serviço a comprometer-se a pagar o trabalho de quem o fornece, e muitas vezes pagando parte em adiantado. Venha cá trabalhar que depois logo se vê se lhe pagamos não é o modelo mais comum. Nem o melhor.

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  3. Mas posso-te dar um exemplo da minha confiança em certos autores. Se o Daniel Denett, o Richard Dawkins, o Terry Pratchett, o Steven Pinker, o Christopher Moore ou o Jared Diamond (mais uns tantos) escreverem um livro eu sei que vou gostar. É uma aposta segura. Muitas vezes encomendo-os na Amazon meses antes de sairem, e se fosse para dar o dinheiro directamente ao autor em vez de receberem uma fracção mínima seria um privilégio para mim pagar para ajudá-los a escrever o livro.

    Parece-me um sistema que funciona mesmo não estando minimamente interessado nas cuecas do Dawkins.

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  4. Afinal o que defendes não é a cultura popular, mas a cultura da popularidade. Lanço-te um derradeiro desafio: corre para um local seguro e pergunta a ti próprio:

    - Lud, o que pensas do público como juiz? Diz-me livremente, ficará entre nós!

    (depois não metas a resposta na net)

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  5. Bruce,

    O "público" são centenas de milhões de pessoas com gostos diferentes. Como um todo não são bons juízes de grande coisa.

    Mas nestes milhões há grupos que são bons juízes. Aqueles que gostam mesmo das Spice Girls são bons juízes das Spice Girls. Os que gostam de ler o Richard Dawkins são bons juízes dos seus livros. Porque os que se interessam mesmo por algo baseiam-se nos seus critérios em vez de seguirem caprichos ou publicidade. Nesse sentido são bons juízes, e para avaliar algo subjectivo não há outro sentido que nos valha.

    O problema é que recompensar o artista pela cobrança por cópia exige muitas cópias. Para a Maria Schneider ganhar $170,000 de lucro num álbum com o sistema de copyright tinha que vender centenas de milhares de discos. Isto é um problema porque não deve haver centenas de milhares de bons juízes do seu trabalho, e ela só conseguiria vender tanto à custa de muita publicidade, saturar a rádio, etc, o tipo de coisas que faz quem se interessa pela venda da cópia. As discográficas.

    Mas o facto é que ela pode ganhar este dinheiro vendendo o seu trabalho a poucos milhares de pessoas. Àquela minoria do público que é um bom juíz do seu trabalho.

    Eu não estou a dizer que um artista só pode ser artista de agradar a centenas de milhões de pessoas. Nem exigo que consiga, com a ajuda de uma forte máquina publicitária, convencer centenas de milhares de pessoas a alimentar a máquina publicitária que os convence. A mim basta um sistema que permita a um artista criar se o seu trabalho for admirado por uns milhares de pessoas. Uns milhares em centenas de milhões não é pedir muito. E se nem isso arranja então penso que não deve fazer da arte a sua profissão principal.

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  6. - com - dá +04/03/08, 12:30

    Numa audiência no congresso americano, procurando rever as leis de direito autoral em 1906, o escritor Mark Twain, autor dos clássicos "As aventuras de Tom Sawyer" e "Huckleberry Finn" simplesmente defendeu o direito natural à propriedade intelectual. Após ser informado que tal doutrina era inconstitucional, passou a defender a extensão do direito para o maior prazo possível. Seus argumentos? "Eu gosto da extensão [do direito de propriedade intelectual] para cinquenta anos porque isso beneficia minhas duas filhas que não têm competência para ganhar a vida como eu ganho pois eu as eduquei como jovens senhoras que não sabem e não conseguem fazer nada."

    Retirado de:
    http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2002/06/29908.shtml

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  7. Bom dia, Ludi!

    Não respondeste às questões principais, uma das quais já o Brucelóse atacou: isto só funciona para músicos e autores que já são famosos. Não funciona de outra maneira. O modelo do Artist Share só pode funcionar enquanto a partilha de ficheiros for ilegal. Quando for tão fácil puxar a música dessa rapariga da net como é fácil ler o NYT, só 1% das pessoas vão dar 10 dólares para ela fazer música. E para ela poder sustentar-se terá de ter milhões de fãs. Músicos meus amigos que são independentes e profissionais, vivendo da música, se fizerem o mesmo deixarão de poder viver da música.

    Mas o problema de fundo é pior do que isso. O problema é que este modelo económico reduz drasticamente o número de pessoas que financiam o produto, ao mesmo tempo que mantém ou até aumenta o número de pessoas que usufruem dele. É um completo disparate. Incentiva o uso sem pagar de algo que para existir alguém teve de pagar, mas não essa pessoa em particular -- outros idiotas como eu que fazem questão de pagar todo o software aos que usam, porque não presumem que é um crime viver directamente do trabalho intelectual.

    Além disso estás sempre a confundir coisas duas coisas que são independentes. Uma coisa é o modelo de financiamento dos artistas. Eu prefiro pagar directamente aos músicos e aos autores de software (mas isso é na verdade impossível, eu explico depois porquê). Qualquer modelo que dê ao artista uma maior percentagem do preço da coisa, é melhor.

    Só que isto é algo totalmente independente de se permitir ou não a cópia livre contra a vontade do autor. O melhor dos mundos seria o seguinte: a tal rapariga punha a música a vender no site dela, o pessoal pagava, puxava e ouvia. Mas ela não faz isso. Porquê? Porque dois dias depois de ela o fazer, abre outro site ao lado com a mesma música mas de borla.

    Em conclusão, mesmo o teu modelo funcionaria muito melhor se não se inventasse essas fantasias metafísicas que tu inventas, sempre a comparar a música com os sofás e as receitas de bacalhau à Zé do Pipo e sei lá que mais. Eu disse desde o início que esta história de andar à procura de modelos cheios de fundamentações metafísicas é um palermice. Só está em causa o que é óbvio. E o que é óbvio é que se as pessoas poderem ouvir a música da rapariga sem a pagar, ela só pode sobreviver por causa de 1% de papalvos que a compram quando a podiam ter de borla e porque ela tem milhões de fãs. Se tivesse só 20 mil, 200 gajos davam-lhe 10 dólares e com esses dois mil dólares ela não conseguiria alugar sequer a mesa misturadora para gravar a sua música. Isto tudo é uma palermice, Ludi. É a conversa do Admirável Mundo Novo Digital. E recusaste a ver que como no Velho Mundo Analógico, quem se lixa sempre são os criadores. As grandes empresas vão ficar por cima porque só as grandes empresas ou as Madonnas atingem milhões de pessoas e neste modelo de negócio em que só 1% das pessoas pagam o que consomem as coisas só são lucrativas se tivermos milhões de clientes. Palermice, Ludi. E da grossa.

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  8. - com - dá +04/03/08, 13:35

    Parece-me uma fantasia metafísica cogitar a possibilidade de coexistência de um bem de disponibilidade infinita e custo virtualmente zero com um modelo de financiamento por direitos autorais.
    O mundo mudou e os Desidérios deste mundo ainda não o entenderam.

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  9. Desidério,

    «Não respondeste às questões principais, uma das quais já o Brucelóse atacou: isto só funciona para músicos e autores que já são famosos.»

    Não sei o que entendes por famoso, por isso não posso responder.

    O que posso dizer é que um músico que precise de €20,000 para gravar um álbum e tenha 4,000 fãs dispostos a dar €10 cada um grava o álbum e mete ao bolso €20,000. Isto parece-me economicamente sustentável, visto que a distribuição é gratuita, e não precisa de licenciamento.

    Para termos um termo de comparação com o que normalmente se entende por "famoso", um bilhete para um concerto da Madonna custa em média €70. Em 2006 os Rolling Stones receberam 3.6 mil milhões de dólares em bilhetes para os seus concertos. Eu diria que um tipo que consegue convencer 4 mil pessoas a dar 10€ cada uma para ele fazer o álbum não precisa estar ao mesmo nível dos famosos.

    Nota que não é pagar €10 pela cópia do album já feito. É pagar €10 para que a música seja feita, que é algo bem mais importante que o disco de plástico. Isto deve ser óbvio, mas tenho tido alguma dificuldade em mostrar o óbvio.

    Traduzindo em números: um artista a quem uns poucos milhares de pessoas estejam dispostas a contribuir para criar a sua arte safa-se bem como profissional. Não sei se isto conta como famoso, mas também não me interessa o teu critério de classificação.

    Um artista que por muito que toque em bares, mostre o que vale em concertos, dê a conhecer a sua arte nem assim arranja mil ou duas mil pessoas que o ajudem a fazer o primeiro album é melhor não deixar o seu emprego. Mas não me parece que um artista assim vá beneficiar do sistema de copyright e, acima de tudo, não me parece que a sociedade beneficie de criar leis só para estes casos.

    «E o que é óbvio é que se as pessoas poderem ouvir a música da rapariga sem a pagar, ela só pode sobreviver por causa de 1% de papalvos que a compram quando a podiam ter de borla e porque ela tem milhões de fãs. »

    Não há metafísica nenhuma isto. A realidade é que se queres impedir que oiçam musica à borla tens que licenciar o direito de ouvir música. Isso é tramado mesmo que queiras ignorar todos os aspectos éticos e consideres apenas o problema do ponto de vista de implementação. Um polícia em cada chuveiro?

    As comparações que faço também não são metafísicas. Foi graças ao esforço de uns "papalvos" que inventaram várias experiências para conseguir concluir que há microorganismos que causam doenças que pessoas como tu e eu hoje nos safamos de muitas coisas más lavando as mãos depois de ir à casa de banho e antes de comer.

    Suponho que concordes que licenciar a lavagem de mãos é absurdo.

    Finalmente:

    « O problema é que este modelo económico reduz drasticamente o número de pessoas que financiam o produto»

    O sistema de copyright dá uma pequena percentagem do dinheiro aos autores. Há mais pessoas a pagar mas 90% ou mais do que está a ser pago neste modelo é a distribuição, não a criação.

    Eu dei-te os exemplos. Aproveitando a distribuição gratuita há menos pessoas a pagar mas o autor recebe mais.

    Parece-me que estás a assumir que a venda de CDs é a principal fonte de rendimento dos músicos. Não é. Os músicos só ganham com os CDs se forem donos de editoras discográficas. De resto, com o modelo presente, são os concertos que dão dinheiro aos músicos. O copyright paga, como o nome indica, apenas o fabrico e distribuição de cópias.

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  10. Factos interessantes:

    A primeira parte do album dos NIN foi colocada no TPB pela banda.

    Basta ver a oferta dos NIN para perceber qual é o futuro, criar valor na oferta, eles não só vendem as músicas em formato digital por um preço marginal (sem DRM, em formato lossless!), como vendem CDs, DVDs com as músicas em vários formatos digitais, discos Blu-Ray com as 36 tracks de cada música para permitir remixes e álbuns de vinyl para os coleccionadores, assinados, etc.

    A RIAA ganhou rios de dinheiro nos casos do Napster e outros e não deu nada aos artistas.

    Como não dizia no contracto, além de os álbuns custarem o mesmo em formato digital (com muitos menos custos de distribuição) a editora pagava ZERO aos Radiohead.

    O Jamendo tem centenas de artistas, artistas com qualidade e toda a música está sob Creative Commons. Tem um bom sistema de resenhas e é possível doar ao artista para suportar o seu trabalho.

    A questão da popularidade e mais não sei quê resume-se ao facto das editoras, ao controlarem os meios de distribuição (rádio, tv) impedirem que artistas independentes cheguem à rádio. Sendo a música algo que bebe algum do sucesso no número de vezes que é ouvida (ear bug, basta ver a quantidade de #1 hits que desaparecem, fabricados pelas editoras), se nunca se ouve determinado artista, é difícil começar a gostar do seu trabalho.

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  11. Ah e o pacote de $300 dos 4 albums dos NIN já voou: $750000 que _a banda_ já ganhou em poucos dias...

    Nem todos são os NIN? Claro, mas primeiro é preciso acabar com o monopólio de distribuição actual.

    Os Radiohead fizeram mais dinheiro com a venda directa do último álbum do que tinham recebido de todos os álbuns anteriores juntos...

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  12. "Sendo a música algo que bebe algum do sucesso no número de vezes que é ouvida"

    Se assim fosse, às editoras bastava pagar às rádios. Até podiam colocar um mudo a cantar, desde que se repetisse as vezes suficientes.

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  13. Boa tarde, Ludi

    Continuas sem responder, ao fundamental que tanto eu como o João Vasco já explicámos!

    Primeiro: não basta ter 20 mil fãs! Esta é a falácia que estás sempre a usar. Na Internet sabe-se por experiência que só 1% das pessoas que podem consumir um produto sem o pagar estão dispostas a pagar. Por isso com 20 mil fãs só terás 200 papalvos dispostos a pagar, o que não dá para o artista gravar e ainda menos viver da música.

    Segundo: que raio de sentido faz que 1% das pessoas paguem para todos os outros?

    Como um comentador disse aqui, as cópias ilegais são impossíveis ou quase impossíveis de controlar porque é fácil fazer e difícil de apanhar as pessoas. É natural por isso tentar encontrar modelos alternativos para subsidiar a música e outras actividades que até agora eram subsidiadas directamente pelas próprias pessoas que as consumiam. Eu sei de tudo isso. E sei das muitas maneiras que há para tentar responder a este problema. O que não entendo é que possas pensar que vem aí um Futuro Digital Radioso. Não vem. O que vem aí é um futuro em que cada vez mais os músicos independentes não poderão ser profissionais, e só os grandes leões como os Rolling Stones e outras tolices dessas sobrevivem — porque só eles podem sobreviver com 1% apenas dos seus fãs a pagar. Não sei o que raio isto tem de maravilhoso.

    Pensemos em termos concretos: Orwell. Nunca viveu particularmente bem, mas vivia da escrita. Só conseguiu comprar casa quando A Quinta dos Animais foi publicado e se tornou da noite para o dia um sucesso. Comprou casa porque as pessoas não podiam copiar o livro: para o ler tinham de o comprar. No teu Futuro Digital Radioso isto é impossível. Ele não poderia viver da escrita, porque era lido por apenas umas 20 mil pessoas; das quais só 1% estaria disposta a pagar se pudessem ler sem pagar. Resultado: o trabalho intelectual que não seja populista, para ser consumido por milhões de pessoas — e assim 1% delas serem suficientes para pagar as coisas — não tem futuro.

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  14. O Ludwig defende que o artista recebe uma minúscula percentagem das vendas dos CD's e que por isso, ao copiar livremente o trabalho de um artista, não está a pôr em causa a sustentabilidade dele.

    Directamente, talvez não, mas de resto é completamente falso. É falso porque ao pôr em causa a sustentabilidade das editoras está a por em causa a sustentabilidade da indústria toda. Sem editoras as empresas de duplicação de CD's aumentariam os seus preços pois teriam muito, mas muito menos duplicações para fazer.E se o pensamento do copyright-free se alargar às empresas de software a conclusão seria a mesma. O software usado nos estúdios ficaria com um custo tão elevado que muitos estúdios ou aumentariam as suas tarifas ou simplesmente fechavam por não poderem suportar esses preços. A maior parte das editoras tem acordos com um número reduzido de estúdios para onde levam os seus trabalhos, tendo em contrapartida uma redução no preço cobrado. Sem editoras tal não aconteceria.

    As editoras fazem são a base da indústria e como em qualquer ecossistema, eliminando o topo da cadeia alimentar corre-se o risco de destruir a indústria.

    Já agora, se a percentagem dada aos artistas fosse uns utópicos 50%, o Ludwig manteria a sua oposição ao copyright?

    Se responder sim, quererá isso dizer que a sua luta é contra o proxenetismo das editoras e que o problema é esta percentagem não estar regulada por lei (está regulamentada pelo mercado)? Além de que não lhe cabe a si tirar o pouco que os artistas ganham das vendas como forma de luta contra o muito que as editoras ganham. Estará de facto a igualar a percentagem de ambos, mas só porque as reduz a zero.

    Se reponder não, quererá isso dizer que você está de facto borrifando-se para aquilo que os artistas ganham, o que lhe interessa é o direito que você tem de copiar algo que não é seu, que não criou nem produziu, simplesmente porque o processo de fazer essa cópia é (quase) gratuito?

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  15. Toupeira,


    « É falso porque ao pôr em causa a sustentabilidade das editoras está a por em causa a sustentabilidade da indústria toda.»

    Isso é falso. A industria é muito mais que a cópia de CDs.

    http://bigpicture.typepad.com/comments/2005/05/concert_attenda.html

    «Já agora, se a percentagem dada aos artistas fosse uns utópicos 50%, o Ludwig manteria a sua oposição ao copyright?»

    Sim. Oponho-me ao copyright porque os custos para a sociedade de implementar este sistema são muito superiores aos benefícios. A percentagem apenas mostra que o copyright é mal percebido por quem julga visar o benefício dos artistas. É uma forma de subsidiar a cópia industrial e não a criação artística.

    Note que os músicos em geral não vivem da venda de CDs. Excepto os de projectos como o ArtistShare ou os que os põe à venda directamente aos fãs sem restrições e sem processar ninguém. Os que não usam o copyright é que lucram com os CDs. Os outros ganham dinheiro nos concertos.

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  16. "O que posso dizer é que um músico que precise de €20,000 para gravar um álbum e tenha 4,000 fãs dispostos a dar €10 cada um grava o álbum e mete ao bolso €20,000. Isto parece-me economicamente sustentável, visto que a distribuição é gratuita, e não precisa de licenciamento."

    Se o artista for uma banda de 4 elementos ficará 5000€ para cada um. Raros exemplos há de artistas que façam mais de um albúm por ano. Além disso, não se esqueça que o produtor ou qualquer outro músico que tenha entrado na composição terá direito a uma pequena percentagem dos lucros das vendas. O exemplo que dá, com os números que dá, não é económicamente sustentável.


    "Traduzindo em números: um artista a quem uns poucos milhares de pessoas estejam dispostas a contribuir para criar a sua arte safa-se bem como profissional. "

    Raciocínio perigoso. Os milhares não poderiam ser assim tão poucos. A música em portugal ficaria reduzida a meia dúzia de artistas. Teriamos a Mariza, os Clã, os Xutos, Rui Veloso, Pedro Abrunhosa, os Da weasel, Moonspell, Tony Carreira e amigos "pimba", Floribela, D'zrt e pouco mais. E se pensarmos que muitos destes só vendem estes números porque têm uma editora por trás que os ajudou a torná-los conhecidos...


    "A realidade é que se queres impedir que oiçam musica à borla tens que licenciar o direito de ouvir música. "

    Não é verdade. Basta ligar o rádio para ouvir música à borla. Temos podcasts, rádios online, canais de música, todos eles de borla. O copyright não proíbe ninguém de ouvir música à borla. Limita é o que se ouve e quando se ouve, mas aí o prblema não está só nas editoras, está nas rádios e tvs que dão ao público aquilo que acham que o público quer/deve ouvir.

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  17. Toupeira,

    «Se o artista for uma banda de 4 elementos ficará 5000€ para cada um. Raros exemplos há de artistas que façam mais de um albúm por ano. Além disso, não se esqueça que o produtor ou qualquer outro músico que tenha entrado na composição terá direito a uma pequena percentagem dos lucros das vendas. O exemplo que dá, com os números que dá, não é económicamente sustentável.»

    A Maria Schneider ganhou um Grammy com um album que custou $30000 a gravar.

    Se é preciso mais dinheiro então em vez de 4000 fãs precisam de 8000. Ou então têm que dar uns concertos.

    E isso do produtor ficar com parte das vendas é agora. Sem o copyright o produtor fica com o salário que combinarem; isso é com os músicos e o produtor. Até pode ser um produtor executivo que paga para estar no CD.

    O ponto importante é que se pusermos de parte o copyright e os músicos usarem a tecnologia que temos para vender o seu trabalho, em vez da tecnologia do século passado para vender cópias, vão fazer mais dinheiro que agora. O sistema que está instalado consome 90% dos recursos em distribuição e intermediários desnecessários.

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  18. "A industria é muito mais que a cópia de CDs."

    (não consegui aceder ao link que deixou)

    É verdade. Como um ecossistema é muito mais do que o topo da cadeia alimentar. A indústria discográfica não aguentaria o colapso das editoras. Haveria muito menor procura de estúdios. Menos mercado, menos estúdios. Menos estúdios implicaria menos produtos de audio profissional vendidos. Menos produtos vendidos levaria ao aumento de preço, que aumentaria o custo de costrução e manuntenção dos estúdios o que aumentaria a factura final de gravação de um album. Os artistas, agora sem as editoras por trás, veriam os custos de gravação aumentar e aumentariam os preços do cds, o que dimuiria o seu número de vendas porque as pessoas tendem a procurar o grátis do que pagar. Basta ver quantas pessoas têm office em casa e quantas é que pagaram por este software. Eu sei que este processo não é assim tão linear, mas o que quero dizer é que sem editoras haverá menos artistas e menos pessoas com acesso aos seus albuns.

    "Note que os músicos em geral não vivem da venda de CDs. Excepto os de projectos como o ArtistShare ou os que os põe à venda directamente aos fãs sem restrições e sem processar ninguém. Os que não usam o copyright é que lucram com os CDs. Os outros ganham dinheiro nos concertos."

    Muito poucos músicos vivem da venda dos CD's. Os músicos vivem dos concertos e, com sorte, de royaltties. Mas as pessoas só vão aos concertos se conhecerem os músicos e só conhecem os músicos se tiverem acesso aos CD's ou se houver promoção.
    Os artistas precisam de pessoas especializadas e de meios para conseguirem essa promoção. As editoras oferecem estes serviços com custos de produção muito mais baixos do que de qualquer outra forma. Sem editoras a imprimirem CD's aos biliões por ano, o preço das duplicações subirá em flecha. O CD "virgem", diferente e mais caro daqueles que compramos para "queimar" em casa, atingiria valores exorbitantes.
    Acredite que em vez de termos CD's a 20 euros, teríamos CD's a custar 50 - 100 euros.

    A música sem copyright tornar-se-á em algo muito menos acessível. Sem copyright não haverá editoras e o mercado ficará tão fechado que acabaremos por chegar a um ponto onde as bandas deixam de fazer CD's de qualidade. Gravarão a música em casa, com qualidades sónicas menos que aceitáveis, e disponibilizarão de borla na internet para que as pessoas queiram ir aos seus concertos. O registo físico da música passará a ter uma função de mero arquivo, de flier e ao artista não compensará gastar muito dinheiro numa gravação de qualidade. Experimente ouvir uma má gravação amadora de música erudita ou de jazz e verá que todas as nuances músicais e dinâmicas ficarão perdidas na massa homogénea sónica.

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  19. "E isso do produtor ficar com parte das vendas é agora. Sem o copyright o produtor fica com o salário que combinarem; isso é com os músicos e o produtor"

    Demosntra desconhecimento das prácticas de gravação em estúdio. A percentagem das vendas é distribuida apenas e só por quem assina a composição das músicas, ou seja, por quem detém a propriedade intelectual (muito diferente de copyright). Se um produtor assinar a composição de uma música (e para isto basta-lhe mudar a letra, um refrãos ou introduzir um novo acorde ou arranjo) num album terá direito a uma percentagem das vendas. Isto para além do valor combinado para a produção do album.


    "Se é preciso mais dinheiro então em vez de 4000 fãs precisam de 8000. Ou então têm que dar uns concertos. "

    Uma banda de 5 pessoas a começar toca pelo dinheiro que lhes derem. a maior parte das vezes não chega a nem de perto a 500 Euros (Portugal). Estamos a falar de mais de 60 concertos, uma banda desconhecida demorará dois a três anos a dar esse número de concertos e ganhará uma média bem inferior a 500euros por concerto.

    Consulte o Myspace e veja quantas bandas têm mais de 10 000 visitantes à sua página e quantas delas têm um album editado.

    Os números que me dá são relativos a um único exemplo que resultou. Quantos artistas já o tentaram fazer e falharam? Acha que foi só por demérito musical que falharam?

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  20. Esta discussão é complexa e não estou com paciência para ler todos os comentários com atenção. Pelo que li, o Bruce e o Desidério querem defender o criador mas defendem a industria. Como provavelmente devem saber esta indústria cada vez que dá de comer
    a um criador mata 10 à fome (e ainda castra o criador obrigando-o a deturpar o seu trabalho: pesquisem porquê). Esta indústria arrasa muitos mais projectos artísticos do que a partilha de ficheiros alguma vez arrasará. E isto é um facto.
    Falando do caso específico da música, o que têm vindo a acontecer nos últimos anos é que a internet e a partilha de ficheiros têm vindo a democratizar a cena musical. Hoje em dia existem muito mais músicos a viver do seu trabalho do que há dez anos atrás. Outro facto. O que a partilha de ficheiro tira a uns dá a outros. Como o Robin Hood. Claro que as grandes editoras não acham nenhuma piada a esta situação porque elas aqui nao pintam nada.
    Consultem factos: vejam como aumenta o público nos concertos, vejam como há muito mais bandas a gravar discos, vejam como há muito mais editoras, vejam como há muito mais concertos, etc, etc, etc. Será porque com a partilha de ficheiros passou a existir muito mais gente estúpida a querer perder dinheiro? Agora vocês podem dizer que com isto só ganham os músicos amadores. Quem decide quem são amadores e que são profissionais?
    P.S. Senhor Bruce sem Fé: você só compra um livro depois de o ler?
    Só compra um disco depois de o ouvir? Onde o ouve? Vai à loja ouvir discos? Ou submete-se ao gosto dos críticos e dos responsáveis pela programação da rádio e tv, que por certo, são muito bons amigos desse senhor que lhe oferece presentes para que os grupos da sua editora passem muitas vezes no seu programa ou que fale bem deles no seu artigo de jornal.
    Não me lixem e não me venham vocês com lérias.
    E já agora deviam acabar também com as bibliotecas para ver se a malta começa a comprar mais livros. Principalmente desses escritores que morreram na miséria para que o chulo que detém o copyright possa continuar a encher o cú e claro a apoiar outros "artistas".
    Desidério veja o caso dos Mao Morta que sempre tiveram empregos para poderem ter 100% de controle sobre os seu projectos artísticos o que não acontecem com a maioria dos "artistas" que vocês e as industrias defendem.

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  21. Vejam também a opinião do Ian MacKaye, músico, fundador e dono de uma editora e produtor sobre este assunto.

    NICHOLAS: So what do you think about, with all the technology changes that we're seeing, how do you feel about people downloading your music from filesharing networks?

    IAN: Oh, I'm happy to have them download the music, it doesn't bother me at all, because that's why I made the music, because I want people to hear it, that's it, that's the point. And obviously, someone selling it? They're fucked. But that would just be another example of the sort of avarice and greed that exist in this music world.
    HOLMES: You mean if someone's copying your music and selling your songs ...

    IAN: Yeah, if someone's selling downloads and collecting money for our songs I would be unhappy about that but if they're trading it I don't mind, obviously if I make a thousand records or CDs or whatever, I like to sell a thousand. I don't need all the plastic. Obviously I would like people to support us, that'd be great. But at the end of the day, I'd rather people hear the music. You know I don't own any Bob Dylan music, well actually I think I do, but you know when I was growing up I didn't, but I certainly knew his music because of the radio, I didn't pay for that. I only mention him because I just mentioned him, I'm not saying like "Oh he's a huge Bob Dylan fan", I'm just saying that I do have respect for a lot of his work, and I'm glad to have been able to hear it and I think radio is so crucial to be able to have that. And frankly, though I actually recently got DSL, which has certainly helped in the terms of downloading songs, and I found the process a little bit frustrating because everyone seems to be putting up 'in the joint' or 'get the pay' or whatever, but when I first heard about napster, and those kinds of things, the orignal napster, the idea of having a resource where you could hear music-- it was a giant resource library-- was so intoxicating to me. I thought it was the most amazing thing in the world. Most music will never be made available commercially because it just doesn't make any sense for it to be made available commercially, you'll never sell enough copies to merit it, but I want to hear Hendrix practicing something, I want to hear a weird Al Jolson recording, I want to hear these things. The idea of going to a computer and listening to them once or twice like you heard them on the radio I think is incredible. But if I downloaded something and it just blew my mind, you'd better believe I'd go and try and find the fucking record if I could, if one existed. So from my point of view, any way that Fugazi or any band on Dischord or any kind of underground music, any way we have for people to be able to check it out and have access to the world at large, I'm all for. Obviously the major labels have, at this time at least, have fairly sewn up the avenues of the media, they own it all so obviously they have it all sewn up-- obviously it's not a coincidence that on new years eve ABC TV had their New Year's Rockin' Eve with Dick Clark reporting from Times Square, which is sort of the traditional new years thing, but they also reported in from Disneyworld, but they're owned by Disney! So of course, that's why suddenly disneyland is the same thing as Times Ssquare. It's all so disgusting. So the idea that somebody in wherever, whether they're in a small town somewhere in the middle of america or in Pakistan or whatever, if they're interested, and they want to check out Fugazi, I want it out there. I don't want them to have to pay some service to get to it and listen to it and hopefully that would compel them to do further research. I mean, how cool would it be to know that there's some kid in Pakistan who downloaded all our records and listens to them all the time-- I'm happy, I don't give a damn. I mean the argument against it is always just monetary, and again, that's the least interesting aspect of music for me.

    HOLMES: So, you just said that you see networks like that as a library, as a resource, but other people, not all people, but some people see the music they make as their property and they're worried that if we don't lock it down, there won't be an incentive to create more music. And some folks in the music industry are actually saying that the music industry's decline means that music is in decline.

    IAN: I don't agree with that at all, either one of those sentiments. If people lose their incentive to make music because they're not making money, they're not musicians. They're business people. Musicians don't have a choice in the matter, you gotta make music. There's no choice! It's not a fucking job description, there's no choice! You make music because it's what you do and the idea that it's sort of like saying that, "Well, this person is an artist, they're a painter, but because they can't sell their paintings they're going to quit." If they do, they're not artists! They're business people. I have to say that I feel like music, when I make music, the creation aspect of it, that may be my experience. I may have written the song, so I think, "I authored that song" but it's not property, it's not property for anybody! Now if I make a record, if I make a CD of that song, that's property because I paid to make it. And if I sell that property, the money that comes back is my money-- I'll take that money and I'll share it with the other people involved in making that CD. But this is my position: you can sell CDs, you can sell records and tapes, and you can sell mini-discs if you're foolhardy, and you can sell mp3s and digital downloads, you can sell all of these things, but you can't sell music because music is free. I'm serious about that. I really believe that. Music is like air, you can't sell it. I know that people have, not to fall back to my oft-used metaphors and analogies, but this is the way I process things, but I see music as a river, and the water in a river is there for everyone and anyone that wants to have a sip can have a sip and have some water. Now somewhere along the line someone came up with the idea of putting the river water in bottles and selling the bottles of water. That's the record industry. Music is a river, music is water, and the bottling company is the industry, and it's not inherently evil, because it's frankly, convenient to have water in a bottle, so if you're driving in your car and you're thirsty you don't have to drive to the nearest river and take a sip, you can just reach down and take a sip out of your bottle. The same way if I'm driving in my car and I want to hear a song, I don't have to drive over to the people's house and ask them to play it for me, I can put the CD in and listen to it, or turn on the radio. Where it gets ugly is that when the bottling company, since their aim is to make money-- at some point they may have thought like, "Let's bottle this water and that way we can share the healthful qualities of water with all the people." At some point it becomes, "This is our industry, we need to make money, and how can we increase profits?" Well, the way to increase profits is to try to discourage people from going to the river, and having to buy the bottled water. And they'll start with that but eventually what they're going to get into is they're going to start blocking the river or they're going to poison the river. But water is always moving, and it's very difficult to poison a river, very hard indeed. And that's the good news about music, it can't be stopped, it will always happen, people will always make music, and regardless of whether or not there's money to be made form it or not, it's still going to happen, it can't be stopped. So in my mind with the sales of records, the industry has done their best to claim ownership of music but they don't-- they only own the things that they sell, so when people who are songwriters say, "That's my property and if you give it away for free then I lose my incentive," then, well, good riddance.

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  22. - com - dá +05/03/08, 10:53

    nuno,

    clap, clap, clap!

    Agradeço-te por esse momento de lucidez.

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  23. Toupeira,

    Eu escrevi:
    «E isso do produtor ficar com parte das vendas é agora. Sem o copyright o produtor fica com o salário que combinarem; isso é com os músicos e o produtor»

    O Toupeira respondeu:

    «Demosntra desconhecimento das prácticas de gravação em estúdio. A percentagem das vendas é distribuida apenas e só por quem assina a composição das músicas, ou seja, por quem detém a propriedade intelectual (muito diferente de copyright).»

    O termo copyright não existe na legislação portuguesa. Mas a «propriedade intelectual» cá, o equivalente do copyright dos países anglo-saxónicos, inclui os chamados direitos conexos. Esses dão ao produtor uma parte das vendas e do uso das cópias.

    Mas a prática corrente depende dessa legislação que dá direitos exclusivos sobre a cópia e muitos outros usos. Eu defendo retirar dessa legislação todas as restrições ao uso pessoal e todas as restrições ao uso em obras derivadas. Admito que se mantenha restrições às aplicações comerciais da obra mas só se forem estritamente necessárias para que fazer música seja viável.

    Como diz o texto que o Nuno citou, o artista é alguém que quer fazer arte e não alguém que ganhar dinheiro. Penso que o benefício que a arte traz à sociedade nos dê a obrigação de dar aos artistas condições para fazerem arte, e isso inclui o acesso livre à arte que já foi feita. Tal como na ciência.

    Também não me oponho a que os artistas enriqueçam, mas sou contra leis especificamente concebidas para que alguns enriqueçam à conta do artista.

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  24. Esta questão leva-me a algo completamente diferente! À burrice humana!
    Tal como em tudo, as mudanças radicais só dão bronca. É assim com tudo, e os exemplos são mais que muitos. Das poucas coisas úteis que ensinam nos cursos de economia, é que tudo deve ser feito pela mediania. Se um sistema que sustenta milhões de pessoas, for completamente alterado, o resultado não é um novo modelo funcional mas o caos puro!
    Vender é a forma de valorizar o trabalho posto nas coisas. Não tem a ver com escassês, mas, com valorização! Se eu fizer uma música e não a puder vender vale zero. Não há valor acrescentado na distribuição gratuita, pelo que não me interessa distribuir nada. O argumento que depois vendo bilhetes de concertos para me sustentar é treta. Os custos de um concerto são muito próximos da receita, pelo que é um risco enveredar por esse caminho sem uma avaliação concreta (vendas de CDs) que me diga qual o potencial de público, pelo que o modelo do Ludwig nesse aspecto já começa a soar a parvoice! Além de que o que é proposto é que os concertos gerem receita para se pagar a eles próprios e aos meses de investimento em gravações, que neste caso serão anos de investimento, porque só os consagrados conseguem receitas de concertos suficientes para pagar mais que o próprio concerto. Até lá, para não enriquecer as editoras o que o Ludwig está a propor é que se empobreça ao extremo os artistas. E, aqueles que nunca serão suficientemente famosos nem uma existência banal terão, pois as dividas acumuladas serão incomportáveis. Senão, o exercicio que te proponho, Ludwig, é que me expliques como é que uma banda que demore 3 anos a chegar ao grande público e tenha para isso gravado 2 albuns, consegue sustentar o prejuizo acumulado de 100000 Euros de gravações e numa banda de 4 pessoas, os salários destas durante 3 anos. Ou seja, como é que se paga uma divida global de cerca de 370000 Euros. Pede-os ao banco e depois diz-me como é que propões pagar isso. É que só em juros estamos na casa dos 3000 Euros por mês.

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  25. E por fim a pergunta maravilha...
    Um servidor com capacidade para um album completo, num formato integral, que permita 10000 downloads de 200Mb, por mês, e respectiva ligação, é portanto: 1)gratuito? 2)Um bem abundante? 3)Cresce com as necessidades, sem custos?
    Gostava de saber quem é que vai assumir o custo disto, porque se o somar aos 370 mil, nunca mais paramos de acumular dívidas.
    E já agora... Se achas que isto é um modelo aceitável, Ludwig, porque não o experimentas? Pedes que te deixem de pagar o salário durante 3 anos, e entregas 100 mil euros a quem quiseres. Fazes a tua vida e daqui a 3 anos pedes para recomeçar o pagamento do salário. Nessa altura podes começar a pagar dividas ao ritmo do ordenado que entra. Achas que consegues sobreviver?

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  26. António, está a pôr o dedo na ferida e a abordar o fundamental. Já o disse e repito: toda a metafísica do valor é sofisma para afastar as pessoas do verdadeiro problema. E o problema é como raio vão viver os criadores — seja de música seja de software ou de qualquer coisa que se possa copiar facilmente.

    Em primeiro lugar, devo dizer que quem não é criador e apenas usufrui do trabalho dos criadores está-se claramente nas tintas para o verdadeiro problema. A única coisa que essa pessoa quer é puxar tudo o que conseguir da Internet, sem pagar cheta. Chama-se a isto egoísmo, claro, e é bem conhecido. Quando depois se inventam desculpas esfarrapadas para justificar isto, entra-se no domínio da hipocrisia. Não há sustentação económica directa para os criadores se as pessoas puderem copiar livremente o que eles fazem — isto nem devia merecer discussão porque é óbvio. Para se sustentar, um músico ou um engenheiro de software terá de trabalhar noutra coisa.

    Veja-se o que acontece no caso do software, que sofre há muito mais tempo do problema da cópia pirata. Uma parte importante do melhor software que existe é feito por amadores ou pessoas que trabalham numa empresa e nos tempos livres fazem coisas maravilhosas. Mas não podem dedicar-se inteiramente às suas criações. Porquê? Porque toda a gente copia sem pagar. Por exemplo, eu uso o Izarc e o FileZilla. São ambos de borla, mas os autores evidentemente pedem donativos. E eu paguei, claro. Mas eu sei que os autores disto não podem viver deste software, que é realmente melhor do que as alternativas comerciais. Eles não podem viver do software porque as pessoas não pagam. E não precisariam de pagar muito. Qualquer um destes programinhas deve ser usado por pelo menos umas dezenas de milhares de pessoas. Se cada uma delas pagasse 2 euros por ANO, os autores deste software podiam dedicar-se só a isso. Que resultado isto teria? Bom, um mercado muito mais competitivo. Conseguiriam destronar empresas enormes que fazem software idêntico, mas pior. Haveria mais software, mais barato, e de maior qualidade. Provavelmente a esta hora já teríamos um sistema operativo genuinamente alternativo ao Windows, por exemplo, em vez de termos as fantasias freeware que temos, que nem de borla a malta as quer.

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  27. António,

    «Senão, o exercicio que te proponho, Ludwig, é que me expliques como é que uma banda que demore 3 anos a chegar ao grande público e tenha para isso gravado 2 albuns, consegue sustentar o prejuizo acumulado de 100000 Euros de gravações e numa banda de 4 pessoas»

    Não consegue. Mas por que raio havia de conseguir? Eu também não consigo sustentar uma clínica com enfermeiras e secretária durante uns anos à espera que talvez consiga tirar o curso de medicina. Antes de me meter numa profissão tenho que ter uma ideia que vou poder viver disso, senão sou irresponsável.

    «Um servidor com capacidade para um album completo, num formato integral, que permita 10000 downloads de 200Mb, por mês, e respectiva ligação, é portanto: 1)gratuito?»

    Não. Mas um PC ligado à net muita gente tem, e se cada um que descarrega passa alguns bits ao próximo o custo acrescido nem sequer é perceptível.

    Parece-me que tu queres defender o copyright porque é a única maneira de um tipo dar-lhe na cabeça ser músico e pronto, tem sucesso. Isso é absurdo.

    O copyright permite a uma empresa discográfica pegar nos tipos dos Morangos com Açucar, gastar umas bateladas em publicidade e fazer dinheiro à custa (dos pais) da miudagem. Sem o copyright concordo que isso seria difícil (mas não impossível, estou seguro que eles arranjariam maneira).

    Mas se estamos a falar de incentivar o talento e a criatividade então mais vale tornar a música algo livre. O Grey Album

    http://en.wikipedia.org/wiki/The_Grey_Album

    foi um sucesso para os criticos e para uma imensidão de pessoas que o ouviu mas é proibido. O Danger Mouse usou samples de um album dos Beatles gravado há 40 anos e a EMI tem os direitos exclusivos sobre isto.

    Não me preocupa que os músicos medíocres sejam obrigados a fazer da musica um hobby. Preocupa-me mais que se perca artistas criativos e inovadores por um sistema onde só quem paga é que ouve e ninguém pode usar o que os outros criaram.

    Imagina o que seria se a ciência também fosse financiada pela cobrança à cópia. Neste momento estavamos a ter esta discussão enviando placas de argila um ao outro se passasse alguém com um burro...

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  28. Caro Ludi

    Se me permites, meto aqui uma colherada na tua conversa com o Parente.

    Aqui parece-me que estás a ser razoável: estás a apontar defeitos no sistema actual de Copyright, que impede a criatividade. Com certeza que há inúmeros exemplos disso. Nada é perfeito. O que é absurda é a tua fantasia de que copiando tudo o que se pode copiar à balda é um sistema perfeito. Gostaria que admitisses que não é; que tem problemas, diferentes, mas tem.

    Quando admitires isto, então a discussão sobe de nível. Porque então trata-se de saber qual dos dois modelos é preferível. Ou que modificações num e noutro temos de fazer para garantir o que queremos: estimular a criatividade, a diversidade, a concorrência, e manter a sustentabilidade económica dos criadores.

    Ora, o modelo borlista tem vários problemas óbvios e parece-me de extremo mau gosto, ou má fá, não os admitir. Tudo o que tentei mostrar na minha intervenção contra-corrente nesta coisa é que o pensamento canónico que anda na Internet é uma palermice ingénua que põe o poder todo nos grandes tubarões e não nos pequenos criadores. Mal se começa a falar de como se vai financiar os criadores, assobia-se para o ar, fala-se de concertos ao vivo, de transformar CDs em quadros que custam mil dólares e tretas absolutamente risíveis. Tudo isto quer dizer apenas uma coisa: quem defende o borlismo não está a levar a sério a sua própria ideia, pois se a levasse a sério teria de explicar com algum pormenor como poderão viver os criadores digitais do seu trabalho. Ou então têm de assumir que não querem que tal coisa seja possível, talvez por inveja, e preferem que toda a gente seja um funcionário de um tubarão qualquer: uma universidade, uma empresa, o estado.

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  29. Desidério,

    Eu não digo que eliminar as restrições à cópia dê um sistema perfeito. Digo apenas que dá um sistema melhor que um em que se restringe a cópia. Tem mais vantagens e menos custos. Nota que um policiamento eficaz da cópia na internet custa muiti mais que subsidiar a criação de músicas. Mesmo que fosse necessário dar dinheiro aos artistas, e acho que não é, saia mais barato e tinhamos a arte mais acessivel e mais utilizável que agora.

    O computador lida com números. Imagina que tens um número (pode ser muito grande) que queres vender. Assim que vendes a uma pessoa é trivial essa distribuir por outros e impedir alguém de enviar números é muito difícil.

    Se tens algum dom de criar números que a malta gosta tens que cobrar pelo trabalho de os gerar porque ganhar à cópia nisto é absurdo.

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  30. Caro Desidério,

    Nada de confusões. Eu sou António, mas, não sou o Parente. Este António é ateu e bom rapaz... :-)

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  31. Caro António: as minhas desculpas!

    Caro Ludi

    O argumento que agora estás a usar já é completamente diferente. Mas acho bizarro que não te apercebas destas oscilações. Uma coisa é argumentar que, inerentemente, há algo de mau em pagar aos artistas. Argumentar que eles não devem ser pagos porque o que eles fazem se copia facilmente. Isto é um completo disparate, baseado em filosofices baratas.

    Outra coisa completamente diferente é um argumento pragmático. Muito bem, fica muito caro impedir as cópias digitais e dá muitas outras chatices. Por isso, vamos repensar na sustentabilidade económica dos criadores. Óptimo. Este segundo argumento é muito mais aceitável. Claro que é preciso saber se sai realmente assim tão caro impedir a cópia digital. E mesmo que saia, pode-se fazer outras coisas, como fazer campanhas para incentivar as pessoas a pagar voluntariamente.

    Mas o importante é o seguinte. A partir do momento em que se usa o argumento pragmático, o grosso do trabalho é explicar então que modelo económico temos em vista. E é sempre isso que te tenho desafiado a fazer. E não tens nenhum, excepto fantasias soviéticas em que todos os músicos são empregados do estado. E nunca explicaste como se aplica a coisa dos espectáculos a um compositor clássico que não seja ao mesmo tempo maestro. Nem como se aplica tal coisa a uma pessoa que faz software. E esta é que é a discussão que devias ter no teu blog. Devias explicar cuidadosamente como concebes a sustentação económica destas pessoas.

    Quando fizeres isso seriamente, tens então de olhar para que tipo de sociedade terás. E agora sim, pergunta: é melhor do que tínhamos antes? E a resposta é que não é. Ficaste com um mundo cheio de publicidade, populismo, grandes aglomerados económicos ultrapoderosos — e milhares de pessoas criativas que não podem viver do seu trabalho, mas sim de umas invenções quaisquer que fazem ao lado porque o produto do seu trabalho é livremente copiado.

    Não vou falar da tua metafísica da cópia porque é irrelevante, já to disse muitas vezes. Estou-me nas tintas para isso, excepto na exacta medida em que agora o exprimiste: em termos pragmáticos, é muito fácil copiar e muito difícil impedir a cópia. Mas a única coisa que interessa aqui é o aspecto pragmático. O resto é sofisma, que eu poderei explicar quando começarmos a discutir o teu modelo económico.

    O fim do teu comentário é muito importante: temos de encontrar maneira de pagar o acto de gerar música, software, livros, etc. Até agora isso fazia-se de maneira simples: cada pessoa pagava pela sua cópia. Não é perfeito, mas funciona bem. Só não funciona bem quando surge a cópia pirata. Só que agora é preciso que expliques muito bem como vamos fazer para pagar a criação dos criadores. Não é apenas dares uns exemplos escolhidos a dedo e parasitários em relação ao mundo misto em que estamos. Não. Fala-me mais detalhadamente do modelo. Como farão os criadores para serem pagos pela criação se não o forem indirectamente, através das cópias da sua criação?

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  32. Desidério,

    «Uma coisa é argumentar que, inerentemente, há algo de mau em pagar aos artistas. Argumentar que eles não devem ser pagos porque o que eles fazem se copia facilmente. Isto é um completo disparate, baseado em filosofices baratas.»

    Concordo que isso é disparatado mas não é o meu argumento. O trabalho do artista deve ser pago, como é pago o trabalho do canalizador. Mas não deve ser pago à cópia porque copiar todos podemos fazer, tal como o canalizador não deve ser pago cada vez que se abre a torneira.

    «Outra coisa completamente diferente é um argumento pragmático. Muito bem, fica muito caro impedir as cópias digitais e dá muitas outras chatices.»

    É diferente só no sentido que o primeiro não tem nada a ver com o que eu proponho.

    Vou tentar explicar mais uma vez.

    O músico faz algo que as pessoas querem. Se uns poucos milhares estiverem dispostas a pagar uma insignificância cada um pelo trabalho (pelo trabalho! não a cópia!) do músico ele pode ser um músico profissional. Não é preciso mais nada aqui. É como o canalizador. Dá o orçamento, põe na net, as pessoas decidem se querem ou não e pronto. Esse é o modelo ideal.

    Mas esse só funciona para músicos que consigam uns poucos milhares de pessoas dispostas a pagar. Se considerarmos necessário subsidiar de alguma forma os músicos mais fraquinhos então temos muitas possibilidades. Investir na educação musical, dar bolsas, dar subsidios à agricultura, até licenciar aplicações comerciais e assim.

    O que não é aceitável é licenciar os direitos sobre a informação trocada entre cidadãos privados para fins pessoais, não lucrativos. Isso não é aceitável porque restringe direitos muito mais importantes que a música dos músicos fraquinhos e porque tem custos de implementação elevadíssimos, muito superiores que pagar logo aos músicos fraquinhos.

    Isto não é oscilar de um lado para o outro. Isto é ponderar os benefícios e os custos das alternativas.

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  33. Desidério,

    « Fala-me mais detalhadamente do modelo. Como farão os criadores para serem pagos pela criação se não o forem indirectamente, através das cópias da sua criação?»

    Não sei de quantas formas diferentes precisas que eu explique isto.

    Como fazem os criadores de batatas, de teoremas, de receitas, de jogadas de xadrez. Até os criadores de cópias, como as empresas discográficas. Todos são pagos principalmente pelo seu trabalho, porque fazem algo que os outros não fazem e pelo qual os outros estão dispostos a pagar.

    Por isso o primeiro passo para o músico, como para qualquer profissional, é encontrar quem lhe pague. Se calhar tem que fazer um estágio não remunerado, ou tirar uma licenciatura ou arranjar curriculo de qualquer forma. Tocar em bares, abrir concertos para outros mais famosos, distribuir as suas composições na internet (basta um blog e o bittorrent, ambos gratuitos).

    Se as pessoas gostam há de haver quem tenha interesse em financiar o seu trabalho. Não por caridade ou obrigação, mas porque quer mais daquilo que ele faz. Como em qualquer outra profissão.

    O teu 1% aqui falha completamente. Esse 1% é a percentagem das pessoas que vão a um site que oferece um serviço gratuito e depois pedem o serviço pago melhor. Não são fãs, não são admiradores do site, não têm sequer interesse no outro serviço. São pessoas que só vão lá porque é à borla, e se fosse pago não iam.

    Os fãs são, por definição, pessoas interessadas no trabalho do artista. Se o artista diz que só trabalha se lhe pagarem, a maioria vai pagar. Porque quer.

    E isto é o que acontece agora, mas só nos concertos. Não acontece no trabalho do artista porque este é logo comprado pela discográfica que depois vende as cópias ao público. É a discográfica que precisa do copyright, não o artista, porque a única coisa que a discográfica vende é cópias.

    Eu sei que isto não deve adiantar muito. Amanhã vais me perguntar outra vez como é que o artista ganha dinheiro sem o copyrighy. Quando o fizeres e eu não responder, relê este comentário até te surgir alguma dúvida mais específica.

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  34. Ludwig,

    Propões:
    "Por isso o primeiro passo para o músico, como para qualquer profissional, é encontrar quem lhe pague. Se calhar tem que fazer um estágio não remunerado, ou tirar uma licenciatura ou arranjar curriculo de qualquer forma. Tocar em bares, abrir concertos para outros mais famosos, distribuir as suas composições na internet (basta um blog e o bittorrent, ambos gratuitos)."

    Isto é outro erro argumentativo! Estás a pensar da mesma maneira que a minha familia que quando quer saber como se faz alguma coisa no word, me telefona, porque eu sou informático! Eu não toco no word há anos! Eu não sei como se fazem tarefas complexas no word. Tu achas que ser compositor ou músico é a mesma coisa que ser entretainer de bares ou professor de música, ou algo pior. Um músico não escolhe abrir concertos de ninguém, é escolhido, e distribuir na net não é remuneração para ninguém, é apenas um desejo recalcado teu de remuneração alheia.
    Já agora, tu trabalhas numa área de biologia, não queres dar aulas à borla e ganhar a vida a limpar aquários? Também estás em contacto com a bicharada.

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  35. Caro Ludi

    “Se as pessoas gostam há de haver quem tenha interesse em financiar o seu trabalho. Não por caridade ou obrigação, mas porque quer mais daquilo que ele faz. Como em qualquer outra profissão.”

    Isto não funciona, Ludi. Tu confundes sistematicamente duas coisas. Vamos lá a ver se consigo explicar isto claramente. Imagina que és fã de um pequeno músico independente neozelandês. Ele nunca terá capital para ir fazer um concerto a Portugal, por isso nunca vais poder ajudá-lo indo a um concerto, presumindo que também não vais até lá. Mas delicias-te a ouvir a música que ele disponibiliza de borla na Net. Certo até aqui?

    Muito bem. Como é que podes ajudá-lo? Claro, podes mandar-lhe dinheiro, assim à maluca, de cada vez que te dá na gana. Isto para ele é uma merda, claro. Está dependente de ganas. Ou podes pagar-lhe de cada vez que ele faz uma música nova e a põe na Net e tu gostas. Para ele, isto é mais razoável. Tem o risco de uma certa música não cair no teu goto e tu não pagas, mas pelo menos é melhor do que estar à espera das tuas ganas. O que raio há de errado em pagar a música ao homem desta maneira, pá?

    Calma. Tu vais dizer: nada há de errado com pagar a música ao homem. E se ele for mesmo bom, os fãs pagam para terem mais música dele.

    E é aqui que todo o teu pensamento esbarra na realidade nua e crua. A esmagadora maioria das pessoas não pagam o que podem ter de borla, Ludi. São pouquíssimas as que o fazem. E menos ainda serão se tiverem um preconceito cultural contra o pagamento de downloads, preconceito que tu e outros como tu andam a instilar nas pessoas.

    E é este o problema. Devias fazer campanha para as pessoas procurarem pagar directamente aos criadores, e não aos intermediários. Excelente. Mas fazes campanha para as pessoas se sentirem bem a fazer download sem pagar aos criadores. Péssimo.

    Repara na diferença das duas campanhas seguintes:

    “Não pague o seu café, que os intermediários é que ficam com o dinheiro!”
    “Compre café FairTrade, porque uma maior percentagem do seu dinheiro vai para o criador”.

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