quarta-feira, março 18, 2009

Deve estar a interpretar...

Segundo a ciência, reduzir a taxa de transmissão ajuda a controlar uma epidemia; o uso de preservativos reduz a taxa de transmissão do HIV; o uso de preservativos tem sido fundamental para controlar a epidemia de HIV; e apelar à abstinência para controlar doenças sexualmente transmitidas é tão eficaz como recomendar que não se espirre para controlar uma epidemia de gripe.

Segundo o Papa, os preservativos «não são a resposta na luta contra a sida. Na verdade, eles agravam o problema»(1). Muita gente já o criticou por esta afirmação porque se esquecem que a ciência e a religião não se contradizem. Operam em domínios independentes que nunca se intersectam. É que o homem tem mesmo razão. Não é por acaso que o chamam “o infalível”. Só que o problema que os preservativos agravam é de um domínio diferente deste de controlar epidemias e salvar vidas. É um problema do domínio da Fé.

Deus manda nisto tudo. O deus católico, claro, que os outros não contam. Por isso se alguém tem SIDA é castigo e é bem feita. Afinal, tem de haver um sentido nisto. Mas se o pessoal descobre que um pedacito de latex os safa do castigo divino com que cara fica o Senhor? Já para não falar da chatice que é se começam a comparar a eficácia do preservativo com a das avé-marias. E se bem que vinte milhões de pessoas a morrer de SIDA dê menos vinte milhões de potenciais católicos, em compensação sobram umas dezenas de milhões de órfãos que ficam assim, graças a Deus, dependentes da caridade. E quanto mais novos melhor. Pode parecer cruel, mas morrer todos morremos. Que seja em vinte, quarenta ou oitenta anos, pouca diferença faz. A Igreja é que fica. E uma coisa destas não dura dois mil anos se se preocupar mais com as pessoas do que com os seus dogmas.

Por isso é verdade que os preservativos agravam o problema. Se temos uma forma prática e fiável de evitar a infecção por um vírus podemos pensar que a SIDA não tem sentido nem propósito. E se a moda da contracepção pega lá se vai muita da miséria nesses países mais pobres. No domínio onde aplicamos a ciência, que é compreender o que se passa para melhorar as nossas condições de vida, isto parece uma solução. Mas no domínio da Fé é um problema porque pessoas menos miseráveis e mais seguras são mais independentes. Procuram os seus propósitos em vez de ficar a ouvir o padre a contar-lhes que a sua miséria faz parte de um “cunning plan” divino.

Quem critica o Papa confunde o domínio da Fé com o domínio da ciência. Mas a religião apenas interpreta o sentido do universo e, por isso, nunca pode contradizer a ciência. As palavras do Papa são de fé e de sentido. Segundo o sentido do universo não se pode usar preservativos nem para salvar milhões de vidas. Pode parecer estranho mas sabemos que é assim porque quem tem fé diz que sim. E ter fé é confiar. E podemos confiar no Papa porque sempre que ele diz uma coisa destas é no interesse de alguém.

1- Correio da Manhã, 18-3-09, Polémica: Visita do Papa aos Camarões e a Angola: “Preservativos agravam a sida”

23 comentários:

  1. O Papa não gosta de preservativos.

    Não os usa e lá terá as suas razões teológicas e outras para não os usar. Compreendemos que com a idade que tem lhe limitem um pouco a operacionalidade.

    Penso eu que corre grande risco de contrair e transmitir aos seus parceiros e parceiras D.S.T.´s.

    No entanto como adulto que é tem todo o direito a expressar a sua sexualidade como quiser. Enquanto adulto responsável e com adultos responsáveis e cientes dos riscos que correm tudo é válido.

    É certo que como figura pública deveria ter mais cuidado. Fez declarações infelizes que muitos detractores da Santa Igreja irão como é de seu tom denegrir e manipular.

    Uma figura publica é copiada e imitada e deve ter algum cuidado. Mas que cuidados podemos ter quando a paixão nos incendeia?

    Sabemos que é muito diferente o Snr Silva, anónimo cidadão, dizer que fumar até não faz tão mal como isso, outra é vir um apresentador de televisão dizer o mesmo.

    Muita gente pode pensar que o apresentador de televisão, por ser muito conhecido e ler o telejornal, saiba que o tabaco não faz mal.

    Mas quem somos nós para julgar o comportamento privado de alguém. Muito menos do representante de S. Pedro na terra?

    Pode ser algo contestável que o diga em público. Concordamos...mas bolas!

    Não pode um Papa levantar um pequeno véu sobre a sua intimidade?

    E, cá para nós, haverá algum pobre africano, crédulo e analfabeto, que possa entender que S.S. o Papa Bento XVI não se referia ao seu gosto particular e a um hábito muito peculiar da cúria - o não utilizar preservativos nas relações sexuais - a uma declaração cientifica duma ineficácia dos preservativos na transmissão das D.S.T´s. ?

    Que coisa !

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  2. Caro Ludwig,

    O stress não se combate fundamentalmente com comprimidos, mas com uma mudança de estilo de vida. Se a pessoa não muda de estilo de vida e confia nos comprimidos para continuar a viver da mesma forma, isso irá piorar a sua situação. É difícil aceitar isto? Pois foi isto que o papa quis dizer em relação ao preservativo. As pessoas sentem-se muito aliviadas quando tomam um calmente. Estamos a ajudá-las? Não necessariamente. Depende.Desta perspectiva, a questão do preservativo não tem que ser discutida de um ponto de vista religioso. Além disso, estou à espera que me digam se o preservativo é 'a' solução do problema da sida. Até agora não tenho ouvido nenhuma proposta dos defensores incondicionais do preservativo.

    Alfredo

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  3. Alfredo,

    «O stress não se combate fundamentalmente com comprimidos, mas com uma mudança de estilo de vida.»

    Concordo. E uma das melhores formas de combater o stress é o sexo. Quando desprovido de preconceitos, sem arriscar a saúde e sem responsabilidades reprodutivas, o sexo é uma excelente terapia e um contributo valioso para um bom estilo de vida.

    Aceito que discordes disto como opção pessoal. Mas deves reconhecer que é uma opção pessoal e que diz respeito a cada um.

    Além disso uma infecção viral é um problema diferente do "stress", e deve ser combatido de forma diferente. Em geral, e isto é um dado científico, a "mudança de estilo de vida" não é a melhor forma de combater doenças infecto-contagiosas.

    Se não queres conflictos com a ciência não deves querer substituir a epidemiologia pela tua visão pessoal acerca do sexo, que só merece respeito enquanto a assumires como tua, e apenas tua.

    «Além disso, estou à espera que me digam se o preservativo é 'a' solução do problema da sida. Até agora não tenho ouvido nenhuma proposta dos defensores incondicionais do preservativo.»

    Se derem preservativos às pessoas em àfrica e uma boa percentagem delas os usar controla-se a epidemia. Não se erradica a doença mas passa a ser um problema muito menor e circunscrito principalmente a grupos com comportamentos de risco. Que é o que acontece em todos os países que em vez de mudar o estilo de vida para a abstinência mudaram o estilo de vida para ter relações sexuais com protecção contra doenças sexualmente transmissíveis.

    E o HIV não é a única doença que se combate eficazmente com o preservativo. Em àfrica, o generalizar o uso do preservativo traz muito mais beneficios concretos e objectivos do que essa vaga espiritualidade que querem, em troca, impingir aos africanos.

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  4. Alfredo,

    Já agora gostava que me explicasses, fundamentando-te em razões aceitáveis independentemente da fé no teu deus, porque é que se deve evitar o uso dos preservativos (à parte de reduzir a sensibilidade e cheirar a borracha).

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  5. Alfredo Dinis:

    Ironias à parte!

    Dizer que o cinto de segurança e os airbags, do carro e não da acompanhante, são irrelevantes na segurança rodoviária é disparate.

    Claro que a unica solução 100% eficaz para acabar com os acidentes era proibir o trânsito de veículos.

    E mesmo um condutor imprudente e sob o efeito de substãncias minimiza o perigo usando correctamente o cinto de segurança e os airbags. Os do carro claro.

    Poderia compreender se o papa defendesse a castidade e, no caso de não se conseguir, se usasse preservativo.

    Era coerente. Como Paulo que aconselhava a castidade e se não se pudesse o casamento

    Agora dizer que o preservativo não é eficaz é que é errado.

    Não é ?

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  6. Alfredo:

    Do pouco que aprendi na catequese percebi que a mesnagem que querem passar de Cristo é que não devemos fazer ao próximo aquilo que mais gostamos de fazer à nossa mulher, à vizinha do segundo esquerdo quando o marido está fora, e, pelo menos em pensamentos à Angelina Jolie.

    Ora a fornicação, adultério e outras práticas são considerados pecados pela Igreja. Independentemente do uso do preservativo.

    Agora a questão é : uma vez feito o pecado, o tal da carne, o uso de preservativo é um agravante do acto?

    Não me parece que seja defensável tal tese.

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  7. Ludwig, o homem-ciência, que acredita (por fé?) que até um quadro deve ser interprertado pelo método científico, não apresenta dados científicos. Tanto fala da ciência, mas não apresenta factos, é so retórica.

    Para evitar a demagogia, já que a arrogância irá certamente continuar, por favor ponha aqui os dados de infecções pelo HIV dos países africanos onde se usa tácticas agressivas de distribuição de preservativos, e nos outros onde se combateu o HIV através da educação para o celibato pre-matrimonial e a fidelidade no casamento.

    Pedro Silva

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  8. Pedro Silva,

    Num diálogo racional aceito de bom grado o ónus de fundamentar as minhas afirmações. Se for preciso, até lhe procuro evidências que a água é molhada.

    Isto porque num diálogo racional, quem exige esses esclarecimentos tem a obrigação de rever a sua posição de acordo com a evidência dada. Se ambas as partes cumprirem estas regras o diálogo progride.

    Infelizmente, pelo que tem acontecido no passado e por ter começado logo por deturpar a minha conversa recente, suspeito que o Pedro não está interessado num diálog racional e não está disposto a rever a sua posição caso as evidências o justifiquem. Por isso, antes de perder tempo a mostrar-lhe o que todos sabem -- que os preservativos são um factor importante no controlo de doenças transmitidas por via sexual -- quero que me garanta que, se tiver dados nesse sentido, vai alterar a posição que defende.

    Caso contrário fica tudo na mesma menos o tempo que perco a usar o Google por si...

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  9. Pedro Silva,

    Já agora, se eu acreditar por fé que a ciência resolve tudo, não tem o Pedro a obrigação de respeitar a minha fé e não me criticar por isso?

    Parece-me que me acusa de fazer algo errado precisamente porque sabe que não defendo esta posição por fé. Porque suspeito que se julgasse mesmo que isto era a minha fé não vinha cá protestar. Ou também vai a blogs islâmicos dizer que eles estão enganados acerca de Maomé?

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  10. Ludwig,

    Eu até acho que a monogamia não é um bizantinismo, nisso estou de acordo com Xua Xantidade o Papa Bento XVI. O problema das declarações como as que referes no post é que os católicos que concordam naturalmente com esta predisposição acabam por aderir à condenação do preservativo em África por nela descobrirem um segundo sentido mais profundo, muito muito muito complexo. As pessoas muito inteligentes fazem assim. Confundem a sua monogamia com a abstinência dos outros. Como de resto têm feito com quase tudo o que está na Bíblia. Qualquer enormidade tem um sentido remotamente bom, desde que não caias no imediatismo demagógico das doenças e da miséria.

    «Parece-me que me acusa de fazer algo errado precisamente porque sabe que não defendo esta posição por fé. »

    É o que eu digo! És um tipo muito imediatista.

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  11. Uhhhhh, tantas ameaças. Não estou interessado num diálogo racional? Claro que não, só o Ludwig recebeu do deus-acaso o dom da racionalidade, o resto das pessoas, quer acreditem em Deus ou defendam o copyright, primam pela irracionalidade.

    Tem piada a tentativa de acordo: “eu faço as afirmações que quero, dizendo que são científicas, mas só as mostro se tu jurares que acreditas, ok?”. Como se não fosse de bom-senso mostrar as fontes que permitem fazer o tipo de afirmações que fez, que não são da mesma natureza de provar que “a água é molhada” (os seus exemplos completamente desajustados podem atirar poeira para os olhos de algumas pessoas, mas de outras não).

    Por isso, mostre aqui as provas que os países africanos onde o uso do preservativo foi mais incentivado são os que tiveram mais sucesso na luta contra a sida. E mostre também que os países onde se usou a educação como forma de combater a sida foram tremendos falhanços, já que: “apelar à abstinência para controlar doenças sexualmente transmitidas é tão eficaz como recomendar que não se espirre para controlar uma epidemia de gripe”.

    “Já agora, se eu acreditar por fé que a ciência resolve tudo, não tem o Pedro a obrigação de respeitar a minha fé e não me criticar por isso?”

    A si não vou criticar, à sua fé ou às suas crenças posso e devo criticá-las. Mas vou criticá-las pelo que elas são, não pelo que não são, é o mínimo da honestidade. E é isso, que você não faz em relação à doutrina católica, por isso é que por mais que escreva estará sempre errado, porque o que está a criticar não é real. Isso não é o catolicismo, é uma ideia deturpada de alguém que tanto advoga a racionalidade, mas que pelo menos neste caso se deixa guiar pelo preconceito, e não pelo real.

    Pedro Silva

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  12. Pedro Silva,

    Penso que já respondeu à minha questão :)

    Mas se tiver dúvidas acerca da eficácia do preservativo na prevenção de doenças sexualmente transmitidas e não conseguir encontrar nada que o esclareça, diga que eu ajudo.

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  13. Pedro Silva,

    Apesar de desconfiar que isto não vai adiantar, e que vai preferir continuar com os ataques pessoais em vez de considerar os dados, aqui fica:

    «The effectiveness of condoms in reducing transmission of HIV and other sexually transmitted diseases (STDs) has been widely reported [1]. For example, a European study of HIV discordant couples found no seroconversion among those using condoms consistently, and found an incidence rate of HIV infections of 4.8 per 100 per year among intermittent users [2]. A meta-analysis of condom effectiveness suggests that use of condoms decreases per-contact probability of HIV transmission by 69% [3]. However, when limited to consistent use only, per-contact probability of HIV male-to-female transmission is estimated as decreased by 95% [4].

    In Africa, studies conducted among commercial sex workers demonstrated that condom use reduced incidence of HIV infection [5-8]. Repeated population-based surveys conducted in Uganda found a dramatic increase in condom use associated with a decline in HIV seroprevalence among pregnant women attending antenatal clinics [9]. There are, however, few published longitudinal studies directly assessing condom impact in general populations. Allen et al. found an association between condom use and a decrease in HIV incidence [10]. A study conducted in Malawi found no effect of condom use on STD incidence rates but consistent use was very rare (1%) [11]. A high rate of consistent condom use seems to be necessary to impact on population HIV/STD infection levels.

    The present study aims to compare levels of condom use in four urban populations of sub-Saharan Africa with different levels of HIV/STD infection, and to assess the association of frequent condom use with risks of infection with HIV and other STDs at an individual level.»


    Leia o artigo completo aqui.

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  14. Ludi meu caro,

    Não acredito que ainda exista quem duvide da eficacia do uso do preservativo na PREVENÇÃO da infecção por HIV (e quem fala de HIV fala de qualquer outra DST como o herpes genital, sifilis and so on).

    Acho é que há muito boa gente que confunde PREVENÇÃO com outras coisas, como tratamento ou cura. É certo que o preservativo não trata nem cura, e também é certo que apenas previne a infecção no caso da transmissão por via sexual, não tendo qualquer impacto nas outras formas de transmissão da doença.

    Para mim, doutrina à parte o Papa deve ver a SIDA por aquilo que ela é, uma pandemia gravissima, um problema de saude pública muito, muito serio, com custos humanos, sociais (e economicos também), astronomicos e que tem de ser atacado de todas as frentes.

    (gostava de me explicar melhor mas não tenho tempo nem para coçar a pulga pá! que odio! Já estou atrazada para uma interessantissima aula de economia politica...Por falar em conversa para boi dormir,ghhhh)

    beijos

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  15. Ludwig

    Acho que com este post estás a interpretar as intenções do Vaticano na propagação da miséria.

    E pronto, como crítica era só o que tinha para dizer. Mais: compreendo porque eu mesma estou furiosa com uma pessoa que tem tanto peso na opinião de tanta gente estar a difundir uma mentira. E isto não é interpretação: o que ele disse é objectivamente uma mentira. E estou francamente agradada por haver uma série de países (colectivamente) e individualidades a virem frontalmente dizer ao papa que ele está errado.

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  16. Alfredo Dinis

    Encontrar "a" solução para a SIDA? Isso é pensamento mágico! A solução definitiva para um problema de saúde pública, que eu saiba, aconteceu só com a varíola com a vacinação da humanidade inteira. E levou o seu tempo!

    "A" solução... então enquanto se encontra "a" solução deixa-se morrer milhões e milhões de pessoas à distância de uma membrana de latex? Não acha isso "um pouquinho" desumano? Disparatado até?

    Já agora, qual é a razão teológica para a "alergia" ao preservativo? E já agora, à contracepção!

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  17. Abobrinha,

    «Acho que com este post estás a interpretar as intenções do Vaticano na propagação da miséria.»

    Admito o exagero de as interpretar como intenções conscientes, daí a tag de sarcasmo. Não que exclua de todo a possibilidade, mas porque não tenho evidências que toda a crueldade que causam seja propositada.

    Mas, por outro lado, temos que ver a Igreja Católica como um produto de dois mil anos de evolução, desde que esta espécie se separou do judaismo. No caminho já sofreu muitas mutações, separou-se em sub-espécies, e o que sobreviveu foi aquele conjunto de dogmas que tem persistido melhor que as variantes que se foram extinguindo.

    E essa pressão selectiva deu-nos uma coisa que é muito mais apta para sobreviver do que para fazer bem às pessoas. Daí que, de certa forma, o meu post não me parece estar muito longe da realidade. É como dizer que os parasitas querem safar-se à custa do anfitrião. Não querem conscientemente, mas foram seleccionados para agir como se quisessem.

    Atenção que a evolução aqui não é a evolução biológica. É apenas algo parecido em alguns aspectos, mas que em certas coisas as ideias que se vão reproduzindo de cérebro em cérebro seguem um processo semelhante ao da evolução biológica.

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  18. Joaninha,

    «Não acredito que ainda exista quem duvide da eficacia do uso do preservativo na PREVENÇÃO da infecção por HIV»

    Ui... há quanto tempo não lês os comentários por aqui? Já devias saber que dado qualquer disparate existe alguém que acredita :)

    «É certo que o preservativo não trata nem cura, e também é certo que apenas previne a infecção no caso da transmissão por via sexual, não tendo qualquer impacto nas outras formas de transmissão da doença.»

    É verdade. Mas nota que a única coisa que é preciso fazer para controlar uma epidemia é reduzir para menos que 1 o número médio de novas infecções causado por um infectado. É essa a diferença entre um crescimento exponencial no número de infectados ou uma redução gradual na incidência da doença. Se a cada geração em vez de teres o dobro de infectados tens metade do que tinhas na geração anterior é uma questão de tempo até o problema ser resolver.

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  19. Ludi,

    "Ui... há quanto tempo não lês os comentários por aqui? Já devias saber que dado qualquer disparate existe alguém que acredita :)"

    Pois acabei de os ler, ok esquece a primeira parte do meu comentário ;)

    Agora quanto ao resto,

    Mas é isso mesmo, ou seja, o argumento de que o preservativo não resolve porque não cura, não é valido, porque na realidade não cura mas evita o contagio, e se conseguires evitar o contagio diminuis o numero de pessoas infectas, o risco de novas infecções and so on. O mal é que há quem confunda evitar o contágio com cura. Não é cura é controlo, com o preservativo não se cura a doença controla-se a doença, são coisas diferentes.

    Depois de ler aquele chorrilho de "inteligencias" na tua adenda a este post, chego à conclusão que falta a muito boa gente ler com muita atenção a forma como a doença se alastrou no mundo.

    Existem muitas mulhere infectadas pelos maridos, existem, muitas pessoas infectadas por outros meios que não o sexo e que infectaram outras pela via sexual. É algo muito complexo. Agora o que não se consegue negar são estes dois factos.

    A principal via de contacto é sexual.
    O uso de preservativo em TODAS as relações sexuais diminui drasticamente a probabilidade de ser infectado por esta via.

    Não há volta a dar-lhe, e o Papa devia ter mais cuidado, até porque ele melhor do que ninguém devia saber que o homem nasceu pecador, vai pecar mais tarde ou mais cedo, mais vale que o faça usando uma bela borrachinha :)

    beijos

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  20. De forma a vêr-se o "sucesso" de um programa social, deve haver dados que comparam o "antes" e o "depois".
    No que toca à dominante aposta no uso do preservativo, qual é que tem sido o "sucesso"? Tem havido redução de novas pessoas a contrairem o virus ou não?

    O único método que de facto funciona no combate à SIDA (e outras doenças sexualmetne transmitidas) é a mudança dos hábitos sexuais, o que inclui (entre outras coisas) fidelidade e abstinência. Curiosamente (ou talvez não), ambas são as que a Palavra do Criador contém.

    Nada haveria de reduzir a SIDA mais depressa que o combate a promiscuidade e a promoção da abstinência. Mas o ser humano não quer isso. O ser humano quer é indulgir em cada vez mais anormais práticas sexuais (que incluem a bestialidade), e ter "liberdade" de copular com quem quiser, quando quiser, e onde quiser. Ninguém lhes diga para se controlar.

    Depois de décadas a suportar o uso do preservativo, e sem aparentes resultados positivos, talvez seja a hora da humanidade experimentar método de Deus, o único que funciona sempre que é seguido (atenção à parte que diz "sempre que é seguido").

    Benefícios da Abstinência

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  21. "Vaga espiritualidade que querem, em troca, impingir aos africanos"

    Sim, porque os africanos não são suficientemente inteligentes para descirnir entre o genuino e o falso, o objectivo e o vago, certo Ludwig?

    Afinal, segundo muitos eminentes evolucionistas do passado (e alguns do presente) na escala evolutiva, eles (os africanos) não estão muito bem posicionados.

    Curiosamente, essa "vaga espiritualidade" parece ter efeitos concretos na melhoria do padrão de vida dos africanos:

    "As an atheist, I truly believe Africa needs God"

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  22. Ludwig

    Só depois de ter escrito o comentário é que li o que tinhas escrito sobre o sarcasmo. Mas como disse... os meus protestos foram breves, porque estou zangada.

    E como estou zangada, prezo muitíssimo a liberdade de expressão e tenho algum apreço pelo acto de apagar fogos com gasolina, deixo-te esta sugestão.

    Toda a sociedade tem que evoluir. E a evolução tem que ser forçada no que faz sentido, senão não passamos da idade da pedra lascada.

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  23. “Apesar de desconfiar que isto não vai adiantar, e que vai preferir continuar com os ataques pessoais em vez de considerar os dados.”

    Peço desculpa, esqueci-me de por a tag “sarcasmo”, e assim já seriam justificados todos os ataques pessoais. Em relação aos dados:

    “A meta-analysis of condom effectiveness suggests that use of condoms decreases per-contact probability of HIV transmission by 69% [3]. However, when limited to consistent use only, per-contact probability of HIV male-to-female transmission is estimated as decreased by 95%.”

    Isto é inegável, mas onde é que está escrito que alguma vez em África a sida irá diminuir apenas recorrendo ao uso de preservativos, e não com mudanças comportamentais? Tem algum estudo que comprove isto? E já agora outro que comprove que: “apelar à abstinência para controlar doenças sexualmente transmitidas é tão eficaz como recomendar que não se espirre para controlar uma epidemia de gripe”.

    Ao contrário do que diz o Ludwig, e os seus discípulos aqui do blog, o uso do preservativo não é a solução para África, e quem o diz, entre outros especialistas é Edward C. Green, director of the AIDS Prevention Research Project at the Harvard Center for Population and Development Studies:

    ‘We have found no consistent associations between condom use and lower HIV-infection rates, which, 25 years into the pandemic, we should be seeing if this intervention was working.”

    So notes Edward C. Green, director of the AIDS Prevention Research Project at the Harvard Center for Population and Development Studies, in response to papal press comments en route to Africa this week.

    “The pope is correct,” Green told National Review Online Wednesday, “or put it a better way, the best evidence we have supports the pope’s comments. He stresses that “condoms have been proven to not be effective at the ‘level of population.’”

    “There is,” Green adds, “a consistent association shown by our best studies, including the U.S.-funded ‘Demographic Health Surveys,’ between greater availability and use of condoms and higher (not lower) HIV-infection rates. This may be due in part to a phenomenon known as risk compensation, meaning that when one uses a risk-reduction ‘technology’ such as condoms, one often loses the benefit (reduction in risk) by ‘compensating’ or taking greater chances than one would take without the risk-reduction technology.”

    Green added: “I also noticed that the pope said ‘monogamy’ was the best single answer to African AIDS, rather than ‘abstinence.’ The best and latest empirical evidence indeed shows that reduction in multiple and concurrent sexual partners is the most important single behavior change associated with reduction in HIV-infection rates (the other major factor is male circumcision).”

    A entrevista completa está aqui: http://article.nationalreview.com/?q=MTNlNDc1MmMwNDM0OTEzMjQ4NDc0ZGUyOWYxNmEzN2E=

    Pedro Silva

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