domingo, abril 27, 2008

Modelação estrutural por homologia.

Isto vem a propósito de uma afirmação e pergunta do Mats, «Nada no criacionismo vai contra a bioquímica. Talvez o Ludwig possa dar um exemplo?» (1). Posso sim. Há vários, mas este é simples de explicar, está dentro do que eu faço profissionalmente e já tenho uma imagem feita de um post anterior (2).

As proteínas são moléculas grandes formadas pela ligação de aminoácidos em longas sequências. A imagem abaixo mostra três estruturas de mioglobina, uma proteína que armazena oxigénio nos músculos. As estruturas são da mioglobina de humano, foca e tartaruga, e são muito semelhantes.

mioglobina

A laranja estão marcados os aminoácidos que diferem da mioglobina humana. A mioglobina de foca é cerca de 85% idêntica e a de tartaruga cerca de 70% idêntica à nossa. Com esta semelhança química pode-se usar uma estrutura para modelar a outra porque são estruturalmente quase iguais. Este método de modelação por homologia é muito usado em bioquímica estrutural e pode funcionar até quando as proteínas têm apenas 25% dos aminoácidos em comum.

O interessante é que a estrutura de uma proteína é muito sensível à sequência de aminoácidos. Alterar um ou dois pode alterar profundamente a estrutura. Se alterarmos 48, que é a diferença entre a mioglobina humana e a de tartaruga, é quase certo que a estrutura seja completamente diferente. Para explicar porque se pode modelar por homologia proteínas que diferem em tantos aminoácidos é preciso a teoria da evolução.

As diferenças de aminoácidos entre a mioglobina de tartaruga, foca e humano resultam da acumulação gradual de mutações nestas linhagens que originaram num ancestral comum. Neste longo processo as mutações que alteraram significativamente a estrutura da mioglobina afectaram a sua função, tornando esses organismos inviáveis. Todas essas mutações foram eliminadas pela selecção natural. Só passaram o crivo da selecção aquelas mutações que preservaram a estrutura quase sem alterações. É por isso que a modelação por homologia funciona.

Este é um exemplo entre muitos de como a teoria da evolução é fundamental na ciência moderna. E é um exemplo entre muitos de como a ignorância dos detalhes é fundamental para o criacionismo.

1- Mats, 21-4-08, Jornadas Naturalistas - Ludwig - Parte 4
2- O que as proteínas nos dizem.

23 comentários:

  1. Desculpa, mas acho que alguma coisa escapou-me. Como é que a semelhança e a diferença entre a mioglobina dos vários animais vai contra o criacionismo Bíblico?

    Tu falaste de factos empiricos (a relação percentual entre a mioglobina dos vários animais), e depois "concluiste" que "As diferenças de aminoácidos entre a mioglobina de tartaruga, foca e humano resultam da acumulação gradual de mutações nestas linhagens que originaram num ancestral comum."
    Mas eu posso muito bem dizer que essa co-relação sempre foi basicamente a mesma.

    O que é que te faz pensar que a "homologia" bioquímica refuta o Criacionismo Bíblico?


    Mats

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  2. António Parente27/04/08, 23:43

    O Prof. Alfredo Dinis, sacerdote jesuíta, moderador do debate criacionismo-evolucionismo, publicou um post no blogue Companhia dos Filósofos, onde analisa o debate e publica uma crítica ao criacionismo que subscrevo totalmente.

    "Companhia dos Filósofos"

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  3. A mim parece-me sobretudo que o criacionismo não é uma questão em Portugal (já expus esta tese antes).

    Bem sei que é muito interessante porque é um debate que é forte na América e que põe os dois lados muito antagonicamente um contra o outro, o que lhe confere tons de batalha épica. No entanto ninguém excepto meia dúzia de evangélicos neste país (os quais eu aliás respeito e entre os quais conto alguns amigos) acredita nisto e isto não é de facto uma questão em Portugal. Ninguém vai ensinar criacionismo nas nossas escolas, nem ninguém o quer fazer.

    Este aggiornamento todo e esta militância toda contra o criacionismo só revela que se anda ansioso por causas "contra o obscurantismo". Mas é de facto lutar contra moinhos de vento, e dar relevo a grupos ultra mas ultra minoritários que não têm qualquer expressão neste país (vocês não acham absolutamente caricato que o único defensor público que se vê do criacionismo em Portugal é o Jónatas Machado? Um único homem pessoal, um único...). Os blogs dão uma ideia distorcida da real dimensão do problema.

    Parece-me uma alienação completa e questínculas de intelectuais. Eu da minha parte acho que o Ludwig tem posts aqui a denunciar coisas bem mais expressivas na nossa sociedade que o criacionismo.

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  4. É que o problema nisto tudo parece-me que os cientistas se perdem em questões destas ultra minoritárias e depois falham em ter respeito pela opinião pública e em conseguirem perceber como lidar com o público em questões muito mais importantes como as linhas de alta tensão por exemplo. Há muito pouco sentido de serviço público no nosso meio científico.

    Querem um exemplo? Vejam este vídeo:
    http://www.cienciaviva.pt/divulgacao/cafe/videoconferencia.asp

    Montes de peneiras a explicar coisas básicas por parte dos físicos e só o médico é que tem capacidade para perceber que o que está em causa é também o sentimento das próprias populações e que tem que se partir daí, muito pragramaticamente e sem sentimentos de arrogância face à plebe. Este caso é aliás um caso muito interessante sobre a questão da ciência e da sua percepção e de como se articulam.

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  5. Luis
    Mas com a dominância cultural dos EUA, é normal que esta questão se exporte. Aliś, já se exportou. Já existem muitas organizações científicas e criacionistas um pouco por todo o mundo.
    Aqui em Portugal está a ser contruído um museu criacionista em Mafra, portanto, a
    batalha aquece...

    Mats

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  6. Mas se o Ludwig acredita que o perigo é real que o criacionismo vingue, acho muito bem que continue na sua senda pelo esclarecimento das coisas. A minha opinião sobre a dimensão do problema claro, é absolutamente subjectiva.

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  7. De acordo Mats, a minha questão é a seguinte:

    Não são os próprios cientistas que dão relevo aos criacionistas? Ou seja, não se alimentarão eles mutuamente aqui? Os cientistas porque assim também podem criticar o criacionismo "como se faz lá fora", os criacionistas porque dão o troco necessário para manter o debate vivo?

    Claro que a dada altura a coisa entra numa escalada de tal forma que já não interessa as origens do debate porque entretanto ele se torna realmente efectivo. Aí até te dou razão. Uma vez ele tornando-se de facto efectivo (não importa a génese) o processo é quase irreversível.

    A mim só me faz impressão é ver que isto não tem qualquer base sociológica neste país prévia ao debate (o criacionismo nos EUA vem da existência de comunidades protestantes puritanas muito anterior ao debate). Mas talvez seja de facto mais um efeito visível da influência americana no globo.

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  8. Bom mas talvez isto se possa dizer de muitas outras coisas que se originaram de formas semelhantes e só a posteriori criaram bases sociológicas. Ok.

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  9. ”vocês não acham absolutamente caricato que o único defensor público que se vê do criacionismo em Portugal é o Jónatas Machado? Um único homem pessoal, um único...).”

    Não é verdade. Por tu só teres ouvido falar do Jónatas Machado não quer dizer que só ele defende o criacionismo. Ele é quem tem mais visibilidade, o mais convidado para conferências, mas não é o único. Não são tantos como nos USA, mas também não é só ele.

    Praticamente todos os que frequentam igrejas evangélicas acreditam nos factos narrados de forma histórica na bíblia. Por isso ainda é muita gente.

    E depois tens ainda os poucos que criam blogues a falar desta questão, como eu ou o Mats.

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  10. Mats,

    «Desculpa, mas acho que alguma coisa escapou-me»

    Se considerarmos apenas as propriedades químicas e fisicas das proteínas, prevemos que proteínas com mais que uma pequena percentagem de diferenças na sequência serão estruturalmente muito diferentes.

    A única forma de explicar porque é que quando encontramos na natureza proteínas com 75% dos aminoácidos diferentes as estruturas são muito parecidas é pela evolução.

    É claro que podemos sempre dizer que foi milagre, mas precisamente por poder sempre ser milagre isso não explica nada. Adequava-se igualmente a qualquer situação...

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  11. António,

    Obrigado pelo link. O Alfredo Dinis também teve a gentileza de me enviar o texto por email, e concordo com as críticas que tece ao criacionismo. Não vale a pena postular um deus omnipotente se depois o queremos obrigar à nossa interpretação de um texto antigo.

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  12. Luís,

    Nas escolas públicas portuguesas há casos em que se ensina o criacionismo como parte do curriculo da disciplina de educação moral e religiosa elaborada pelas igrejas evangélicas. Nesse sentido o problema cá é ainda mais grave que nos estados unidos.

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  13. Luís,

    «Não são os próprios cientistas que dão relevo aos criacionistas? Ou seja, não se alimentarão eles mutuamente aqui?»

    Infelizmente, não. O problema é mais profundo, e não só com o criacionismo. Penso que um dos problemas principais é que a sociedade encara a liberdade de crença (uma coisa boa) como o direito de mentir ou afirmar falsidades sem ser responsabilizado, enganar os outros e ensinar patranhas às crianças (coisas más, caso não tenha sido evidente ;)

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  14. Também me parece que isto de criacionismo e evolucionismo já deu o que tinha a dar. Mas é natural que alguma comunidade científica até goste destes debates ciência vs. religião porque são, de certa forma, fáceis.

    As verdadeiras questões bicudas são sempre de âmbito metafísico, e é mesmo nesse plano que se deve discutir o paralelismo ou antagonismo entre ciência e religião.

    Mas um debate público generalizado dificilmente se pode tornar demasiado específico, claro. Deste modo, se bem que fosse imensamente mais interessante pôr em oposição a teoria da evolução com o design inteligente, o aprofundar de tais questões seria demasiado técnico e pouco compreensível para o público em geral.

    Melhor dizendo, os 2 grandes pilares do "intelligent design" até ainda nem estão resolvidos satisfatoriamente e talvez nem o sejam durante muito mais tempo. Tanto a complexidade específica como a mais citada complexidade irredutível são já argumentos científicos debatíveis e que se dirigem a campo onde o evolucionismo ainda não tem explicações convincentes, ou de facto até nenhuma, para ser mais exacto.

    De certa forma, esse é também o cavalo de batalha que o Perspectiva aqui tem apresentado com o modelo genético baseado no ADN. Claro que o naturalismo científico se dirige sempre no mesmo sentido, ou seja, reconhece a actual ignorância no campo muito especulativo da abiogénese, mas espera ter uma resposta no futuro, óbvio.

    Por fim, há de facto algo que eu até gostaria agora de aprofundar com o ressurgimento destes debates e que seria saber o que as filosofias religiosas do Oriente têm a dizer sobre a evolução, ou seja, se existe algum relato ou referência nas escrituras védicas ou budistas que consubstancie a hipótese do evolucionismo ou a do criacionismo, isto para além da génese inicial do Universo, claro.

    De notar que embora o "Tao Te Ching", na sua fantástica brevidade... são só 80 capítulos diminutos!... seja obviamente omisso quanto a tal questão, há algumas referências que se podem interpretar como "criacionismo evolucionista", so to speak. De resto, creio que o mesmo acontece nos Vedas, mas é isso mesmo que gostaria de explorar melhor, se possível.

    Para já, eis o início do versículo 42:

    The Tao gives birth to One.
    One gives birth to Two.
    Two gives birth to Three.
    Three gives birth to all things.


    Bem, "nascimento" é uma palavra neutral, e os versos seguintes aludem aos dois princípios fulcrais do yang e yin, ou macho e fêmea, como os pólos complementares da harmonia universal.

    Em suma, mesmo com a mioglobina - que nada explica, o ADN é que é! :) - a questão é e continuará a ser de âmbito metafísico e não redutível a qualquer teoria e descoberta científica. Para além do mais, e volto a salientar a extrema importância disto, o conceito de "sobrenatural" NÃO está ligado necessariamente à transcendência, podendo pois perfeitamente coexistir na natureza fenomenal e ser indistinguível desta.

    A importância de tal formulação foi já explicada anteriormente, uma vez que ela invalida, de per si, as explicações do naturalismo quanto ao carácter cego, não guiado e aleatório da evolução. Mas cá está, de novo e sempre estamos em terreno metafísico e não científico, pois a mera descrição do "como" continua a ser omissa no importante "porquê" ou aquilo que jaz ainda oculto... mas não para sempre! :)


    Porque nada há oculto que não deva ser descoberto, nada secreto que não deva ser publicado. (Marcos 4,22)

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  15. ...um dos problemas principais é que a sociedade encara a liberdade de crença (uma coisa boa) como o direito de mentir ou afirmar falsidades sem ser responsabilizado, enganar os outros e ensinar patranhas às crianças...


    Ora bem, aqui já estamos na ética!

    Em 1º lugar, uma afirmação dessas... sobretudo quando ligada à resposta anterior sobre o "catecismo evangélico"... pressupõe que o valor da ciência como descrição da realidade é superior ao da religião. E deixemos até a filosofia de parte...

    Claro que não preciso de dizer uma vez mais como isso é inteiramente debatível... melhor ainda, falso!... pela mais do que simplicíssima razão de estarmos a falar de distintos níveis de realidade, ou seja, a natural e a sobrenatural, esta aqui já na sua dimensão transcendente ou espiritual.

    É certo que a afirmação referente ao ensino do criacionismo se situa na dimensão da matéria física, logo no domínio científico. Mas continua a ser prematuro afirmar que o naturalismo tem já todas as respostas que invalidem o criacionismo, ou pelo menos algumas das suas formulações.

    Uma das grandes dificuldades destes confrontos reside também na quase impossibilidade de poder definir com rigor lógico e formal os diversos conceitos em debate. Por exemplo, "criacionismo" é um termo muito amplo que engloba uma série de explicações que praticamente só têm de comum entre si a Bíblia (ou Corão) e o Deus Criador.

    Deveras, e como acabo de dizer atrás, há mesmo um "criacionismo evolucionário" ou "evolução teísta" que suponho representar mais ou menos a posição da Igreja Católica nesta questão. Obviamente, aqui o sobrenatural... ou inteligência, força criadora... manifesta-se através do natural, no Deus (ou mente divina) imanente à criação.

    Há aqui questões filosóficas interessantíssimas neste tipo de argumentação, o qual me parece ser igualmente consistente com o modelo védico da criação, mas confesso ainda o meu desconhecimento sobre o tema. Talvez me elucide em breve.

    Já agora, o que se condena como o direito de mentir ou afirmar falsidades diz respeito unicamente ao facto do catecismo criacionista ser ensinado nas escolas - desrespeitando pois a tal separação igreja-estado - ou também se alarga à própria catequese evangélica, lugares de culto e afins?! É que a verdade não passa a ser mentira só por mudar o lugar onde a afirmamos, parece-me... Logo, a liberdade de crença deve também incluir esse direito de mentir, quando a verdade percebida ou aceite não coincide com outras verdades, por mais científicas que elas se afigurem ou assim venham rotuladas, já que a ciência é apenas um dos vários critérios de verdade... nunca por nunca o único!!! E mais do que ultra falibilíssimo, como sabemos! Para além de muito ilógico, por vezes, como a questão dos efeitos inteligentes sem causas também inteligentes nos mostra à saciedade.

    Deste modo, a verdade religiosa ou filosófica ou mesmo a da realidade fenomenológica subjectiva deve ter, no mínimo, o mesmo peso que a comprovadamente frágil verdade empírica da ciência.

    E, a este respeito, recordo pela 3ª vez a frase de Einstein:

    No amount of experimentation can ever prove me right; a single experiment can prove me wrong.

    Por fim, essa posição parece-me algo absolutista, ou seja, afinal a ciência através dos anos sempre nos ensinou uma bela série de patranhas, que mais tarde desmentiu, como seguramente irá desmentir no futuro muitas das verdades de agora e assim por diante. Ou ainda, o limitado conhecimento humano mostra-nos como a verdade de hoje é a mentira de amanhã. E o naturalismo metafísico nunca foi verdade nem ontem, nem hoje, nem nunca! Tirar a mente e a consciência fora da equação da realidade é ter vistas demasiado curtas, olha que com uma tal cegueira não se vai lá! :)


    PS: Ainda relativamente a esta questão, considero absolutamente imoral e um exemplo daquilo a que se pode chamar "tirania (i)legal" a criminalização de quem sustenta visões históricas contrárias às comummente admitidas, como por exemplo o holocausto nazi ou o genocídio arménio, só para citar exemplos muito actuais. Nada existe de substancialmente diferente entre este tipo de intolerância absolutista - como se a verdade pudesse ser determinada por decreto - e o procedimento da Igreja medieval quanto às chamadas heresias ou o crime impensável da negação da divindade de Cristo e mesmo Deus. Ambas são farinha do mesmo saco que se reclama da única e intocável verdade, como se tal fosse algum valor absoluto e universal a que todos devessem dobrar humildemente a espinha. Ou será que a verdade histórica reside a outro nível que não é compartilhado com a verdade religiosa?!

    É também nesse sentido que a controvérsia sobre o ensino do criacionismo tem de facto alguma importância, ao revelar um indesmentível sectarismo patente numa noção corporativa de ciência, a qual parece cada vez menos fazer a distinção imprescindível entre naturalismo metodológico e metafísico, apoderando-se demasiado deste e ignorando quase por completo que os seus limites se encontram enquadrados no primeiro!!!

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  16. Luis,
    "Não são os próprios cientistas que dão relevo aos criacionistas?

    Porque é que contrapóes cientistas com criacionistas, se há imensos cientistas que são criacionistas? A forma mais perceptível é contrapôr evolucionistas e cracionistas.


    Ou seja, não se alimentarão eles mutuamente aqui? Os cientistas porque assim também podem criticar o criacionismo "como se faz lá fora", os criacionistas porque dão o troco necessário para manter o debate vivo?

    Os evolucionistas não estão minimamente interessados em manter este debate vivo. Para eles, é uma ofensa que ainda se duvide que os seres vivos se criarão a si próprios, sem intervenção Divina.

    Portanto as razões pela qual este debate ("Darwin versus Design") tem-se mantido vivo é muito complexo, mas podem-se listar algumas razões:

    1. As formas biológicas realmente aparentam terem sido obra de design, e não obra de forças não-inteligentes. Isto é confirmado pelos próprios evolucionistas como Dawkins e Francis Crick.

    2. A ciência tem descoberto níveis de complexidade que vão contra aquilo que o próprio Darwin poderia imaginar.

    Mas depois falo mais sobre isso..

    Mats

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  17. Leprechaun,

    «Claro que não preciso de dizer uma vez mais como isso é inteiramente debatível... melhor ainda, falso!... pela mais do que simplicíssima razão de estarmos a falar de distintos níveis de realidade, ou seja, a natural e a sobrenatural, esta aqui já na sua dimensão transcendente ou espiritual.»

    A Terra ter 6000 anos num nível de realidade e 4500000000 anos noutro nível de realidade?

    E sim, temos boas razões para crer que se obtêm melhores modelos da realidade observando-a cuidadosamente do que lendo histórias antigas.

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  18. A Terra ter 6000 anos num nível de realidade e 4500000000 anos noutro nível de realidade?


    Exactissimamente... mesmo isso! :)

    Deveras, esse foi o ponto que deixei em aberto quando escrevi há aqui questões filosóficas interessantíssimas neste tipo de argumentação, referindo-me à evolução teísta. De facto, o simples conceito do "sobrenatural", fora do espaço e do tempo, permite considerar que os eventos descritos no Géneses ocorreram ANTES do tempo, tal como o conhecemos. Ou ainda, por artes argumentativas que realmente desconheço, é possível ao criacionismo evolucionário conciliar a interpretação literal do Génesis com a ciência, embora eu não veja lá muito bem como... ;)

    Seja como for, nesta visão que é a da Igreja Católica e também a da maior parte das protestantes, tanto a micro como a macroevolução são aceites ou não contestadas, com a simples ressalva de que a criação do universo é de origem divina ou sobrenatural, algo que a ciência também não pode contestar, claro... logo, estamos quites!

    Ah! e isto já para não falar no conceito metafísico do eterno presente, onde todos esses números - grandes ou pequenos - são inteiramente irrelevantes.

    Por outro lado, e se falamos do catecismo para as crianças, olha que 6 mil ou 4 biliões e meio fazem pouca diferença... é apenas MUITO e chega! Aqui, creio que a Abobrinha também concorda, espero... :)

    Por último, e tirando essa questão discutível do ensino religioso nas escolas, parece-me mais do que claro, óbvio e consensual, que toda e qualquer fé religiosa ou movimento e associação, seja do que for, deve ter a mais absoluta e ampla liberdade de afirmar o que quer que seja, por mais estapafúrdia que tal doutrina ou teoria nos parecer. Ou ainda, desde que tudo se limite a palavras... no problem!

    Por este motivo, sou também defensor de que toda e qualquer ideia não deve nem pode ser restringida, enquanto livre expressão do pensamento do seu autor, o que significa também que as chamadas "ideologias do ódio" não deveriam ser reprimidas numa sociedade perfeitamente livre.

    É certo que as ideias levam à acção, mas nem sempre ou necessariamente. De certa forma, elas podem também ser um escape natural que até impede males maiores, dando assim razão ao provérbio do "cão que ladra não morde".

    Por último, a mais alta realidade individual é SEMPRE a fenomelógica ou o conjunto das experiências e vivências do próprio indivíduo, já que absolutamente tudo é mediado pela nossa consciência. Sem ela, nada existe, nem nós nem o mundo... só um abismo profundo!

    Logo, 6 mil?... 6 biliões?...

    Rui leprechaun

    (...mas são anos ou tostões?! :))

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  19. Ludwig

    O Jónatas Machado respondeu-te a este post com a frase "claro que têm uma estrutura idêntica, pois se o Criador é o mesmo!". Fazendo sentido, não creio que valide a existência do Criador, porque é igualmente compatível com o acaso.

    Mas a abordagem de retirar o sobrenatural do assunto é melhor, mais rigorosa e menos passível de erros ou refutações baseadas em coisas acessórias (o exemplo que deste de Newton e o modo como te referiste a ele é paradigmático).

    O que não deixa de ser curioso é que o criacionismo e outras pseudo-tretas procuram legitimação na linguagem científica, conferindo-lhe por vezes um rigor e uma certeza que a mesma não se reconhece. Para uma construção humana tão falível, não está mau!

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  20. Leia-se: "ter-te-ia respondido"

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  21. Luis,
    Eis aqui as minhas razões sobre o porquê deste debate ("Darwin versus Design") estar tão actual.

    [Mats]

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  22. Bruno de Moura04/06/08, 14:36

    O meu vão tomar no cú esses religoso filha de uma puta!
    Vão fazer alguma coisa que preste. vão estudar........
    As pessoas não podem nem mais publicar um trabalho que tem uns idiota que ficam tentando meter religião no meio e criar discussão e polemica onde não tem e onde não levai a nada!!!

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