terça-feira, outubro 19, 2010

Direitos e propriedade.

A escritora Dulce Maria Cardoso vai desistir de distribuir os seus livros pela Asa, do grupo Leya, e mudar-se para a editora Tinta da China. O que não tem nada de especial, excepto o que esta frase singela sugere: <«Já pedi à Leya os direitos dos livros antigos e atendendo aos resultados acredito que a Leya mos dará.»(1) A escritora já pediu os seus direitos e tem esperança que lhos devolvam...

Quando se fala de direitos de autor refere-se dois tipos diferentes de coisa. Um é o que vem na lei como direitos morais. Estes são mesmo direitos, que não podem ser vendidos. Por exemplo, o direito de ser reconhecido como o criador das suas obras ou de repudiar transformações ou execuções das quais não aprove. Outro, diferente, é o que a lei por cá chama “direitos patrimoniais”, que muitos chamam “propriedade intelectual”, e que, no fundo, não são nem uma coisa nem outra.

Como explica o Cory Doctorow no vídeo abaixo, o termo “propriedade intelectual” surgiu porque pedir protecção da propriedade soa muito melhor que pedir mais monopólios. Desde os anos 70 que o debate tem sido enviesado por este truque retórico. E é isso que estes “direitos patrimoniais” são. Licenças exclusivas para retransmitir, reproduzir, representar publicamente, ou explorar economicamente a obra.

Além das restrições à criatividade e acesso que este sistema impõe a todos, custa também ao autor o direito de distribuir e divulgar a sua obra como entender. Como ilustra o exemplo da Dulce Maria Cardoso, quando se torna uma mercadoria deixa de ser um direito. Qualquer pessoa que tenha dinheiro pode comprar à Leya os “direitos” sobre os livros desta escritora e proibir, durante cinquenta ou cem anos, qualquer edição destas obras. Admito ser improvável, mas, ao permiti-lo, a lei demonstra ser fruto de considerações económicas em detrimento dos direitos do autor e dos interesses da sociedade.

Precisamos de trocar este sistema por outro que preserve os direitos do autor e que vise o objectivo certo. Não o de dar poder e lucro aos distribuidores, mas o de incentivar a criatividade, a inovação e o acesso à cultura. Isto não é novidade, pois sempre se disse ser esse o seu objectivo. E há casos em que até foi verdade. Discotecas, estações de rádio ou bandas de covers não têm de negociar “direitos” exclusivos. Pagam apenas uma taxa que, quando as sociedades de cobrança não ficam com o dinheiro, reverte para os autores.

O mesmo princípio podria ser aplicado a qualquer empreendimento comercial que lucre com uma obra. Por exemplo, em vez de ter de pedir à Leya permissão para vender os seus livros noutra editora, a Dulce Cardoso poderia receber pelas vendas dos seus livros qualquer que fosse a editora a vendê-los. A tipografia moderna não precisa de monopólios para funcionar. E esses monopólios, se permitidos por lei, inevitavelmente roubam direitos ao autor.

No fim-de-semana passado o Cory Doctorow deu uma palestra na The Amazing Meeting, em Londres, onde explica melhor que eu a necessidade de ter um sistema diferente, menos restritivo e que só regule aquilo cuja regulação seja vantajosa para todos. Mas antes de vos deixar ver o vídeo, queria aproveitar para mencionar o hacking do site da ACAPOR (2). A ACAPOR tem pressionado o nosso sistema judicial para bloquear o acesso ao Pirate Bay, fechar fóruns com ligações a filmes e defendido que se policie as nossas comunicações para que sejamos todos obrigados a alugar os DVD deles. Por isso admito sentir uma satisfação visceral ao ver que ficaram sem o site e que a correspondência electrónica deles anda por aí no bittorrent.

Mas é a satisfação irracional e vingativa do “olho por olho e dente por dente”, que não tem nada de decente nem justo. Parte da razão para mudar esta legislação é proteger a liberdade de expressão e o direito à privacidade, precisamente o que foi sacrificado neste acto de vandalismo. E a forma de o conseguir é mostrando ao eleitorado que precisamos de um sistema que promova a criatividade e respeite os nossos direitos. Mostrar a quem vota que este é um problema sério, que toca a todos, e não uma mania de quem só quer fazer porcaria e ouvir música de borla. Este tipo de “protestos”, como lhe chamam, faz precisamente o contrário.

Como antídoto, aqui fica uma abordagem mais racional e, espero, mais produtiva.


Obrigado pelo email com a ligação para o vídeo.

Para quem não o conhece: Cory Doctorow é jornalista, co-editor do Boing Boing e autor de ficção científica que publica todos os seus livros sob licenças Creative Commons, ganha a vida com o que escreve e merece cada cêntimo. Mais sobre ele (incluindo os seus livros, de graça) em craphound.com.

1- Público, Escritora Dulce Maria Cardoso troca Leya pela Tinta-da-China. Via Paula Simões
2- Torrent Freak, Movie Rental Outfit Hacked, Emails Leaked, Redirected to The Pirate Bay; Exame Informática, Site da ACAPOR atacado, entre outros. Obrigado a todos os que me enviaram emails com a notícia.

52 comentários:

  1. 100%, e concordo com os teus comentários no torrent freak.

    No entanto, para além do vandalismo, tenho uma certa curiosidade típica de bisbilhoteiro em saber o tipo de lixo político e ligações lobbyistas que os mails podem conter. Talvez seja optimismo(ou pessimismo), mas é bem possível que possamos a partir de agora começar a compreender melhor aquilo que enfrentamos, i.e., a organização do polvo.

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  2. Barba,

    Eu acho que os emails da ACAPOR devem ser uma seca tão grande que me passa logo mesmo a curiosidade mais voyeuristica :)

    E, pelos comentários nesse post no torrentfreak, o pessoal que se deu ao trabalho de começar a ler isso também não encontrou nada de jeito. É uma associação de clubes de vídeo... não é propriamente a CIA ou o MI5.

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  3. ou o MI 6 o MI 5 reteve-me uma vez também são adeptos de teorias conspirativas
    tudo o que sai do normal deve ser terrorista e estar cheio de segredos inconfessáveis

    e se são inconfessáveis é malhar neles que de qualquer modo não os confessam

    o Barba's é um aluno do Taveira ou do outro sem bolachas associadas ao nome

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  4. agora começar a compreender melhor aquilo que enfrentamos, i.e., a organização do polvo....

    é a falta de medicamentação já anda a afectar alguns...

    eu tenho lítio em granitos pegmatíticos litiníferos
    posso dispensar algum
    no meu caso já não há melhorias
    salvem as barbas enquanto é tempo

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  5. e eu sou o Cartaxo ou sou o Lisboa
    descobri o sitímetro hoy
    bloguímetro...ficava melhori
    modernices

    79.168.88.# Lisboa 9:35:54 pm 1 0:00
    http://ktreta.blogspot.com/2010/10/direitos-e-propriedade.html
    2
    93.108.203.# Unknown 9:33:43 pm 1 0:00
    http://ktreta.blogspot.com/
    3
    KPNQwest.pt Cartaxo, Santarem 9:38:17 pm 3 4:46
    http://ktreta.blogspot.com/search/label/sarcasmo
    4
    188.81.69.# Unknown 9:33:13 pm 1 0:00
    http://www.ktreta.blogspot.com/
    5
    95.69.59.# Unknown 9:32:19 pm 1 0:00
    http://ktreta.blogspot.com/2007/04/um-dilogo.html
    6
    187.59.131.# Unknown 9:32:10 pm 2 0:05
    http://ktreta.blogspot.com/search/label/religião
    7
    telepac.pt Penafiel, Porto 9:38:30 pm 7 8:26
    http://ktreta.blogspot.com/2010/...M0cDbwdkeUtmDkIsHbEexk44Qu59_IpD
    8
    up.pt Porto 9:27:14 pm 1 0:00
    http://ktreta.blogspot.com/
    9
    KPNQwest.pt Carnaxide, Lisboa 9:22:50 pm 1 0:00
    http://ktreta.blogspot.com/
    10
    netcabo.pt Lisbon, Lisboa 9:22:30 pm 1 0:00
    http://ktreta.blogspot.com/2007_12_01_archive.html

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  6. Unknown
    sinceramente até a rede me desconhece

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  7. isto é um perigo
    informação sobre os buiças que estão tramando o saque e bombardeamento do centenário
    é só ver na net
    e o SIS prende o panfletário por tentativa de raticídio

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  8. E, pelos comentários nesse post no torrentfreak, o pessoal que se deu ao trabalho de começar a ler isso também não encontrou nada de jeito.

    Seiscentos megas é muito. Espera. Talvez haja alguém que pegue no material. E não concordo que sejam apenas tipos ali dos clubes de vídeo. Claramente, há aqui uma concertação destas instituições com outras organizações. Poderão ser internacionais ou não. Não sei, não faço ideia. Mas duvido muito que esta gente ande a ter esta luta ideológica sozinho, com tantos interesses a flutuar por estes temas.

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  9. Não eu... um conhecido meu aqui de uns foruns da net está a dar-se ao trabalho de ler todos os mails. Até agora, tirando uma ou outra reunião com o Sapo, umas cartas para ministros e pouco mais, o que se tira dali é muito triste. Triste de tristeza mesmo. Pessoas que percebem ter o seu modo de vida ameaçado num futuro muito muito próximo e que estão em desespero. Percebem que a onda é imparável e que lutam contra moinhos de vento. Fico triste ao ler email atras de email (ou melhor esse tal meu conhecido fica triste segundo me disse).

    O meu conhecido dos foruns diz que vai ler tudo mas pelo que já leu (e já foram umas centenas de emails) duvida que por lá esteja alguma coisa que não tristeza...

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  10. O meu conhecido dos foruns diz que vai ler tudo mas pelo que já leu (e já foram umas centenas de emails) duvida que por lá esteja alguma coisa que não tristeza...

    Excelentes notícias :D :D

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  11. Não é bem assim... Todo e qualquer contrato tem geralmente uma duração (normal) de seis anos, e é interrompido automaticamente se o livro estiver esgotado e a editora não fizer nova edição. Mesmo que não haja prazo definido no contrato, a lei fixa um máximo de 25 anos para a sua duração (talvez seja muito, ok).

    E, para além disso, qualquer um pode tentar infringir esta regra e editar por conta e risco, desde que pague 25% de direitos sobre o PVP ao autor (quando o normal é 10%, mais coisa menos coisa).

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  12. Ludwig:

    Isso é tudo muito bonito mas se queres coisas com qualidade tens de pagar.

    Um exemplo é o software para clinicas veterinarias. Pago custa 800 euro. Caro mas funciona. Freeware é uma treta. Donation-ware, nem percebo o que é que o programa faz ou vai fazer.

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  13. PS: se encontrares algum de geito em freeware avisa. É que estamos a pensar fazermos nos a coisa no access ou open office (não percebo nada de sql)

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  14. joão, tens muita piada. Primeiro dizes que é treta esta temática, que se quiseres coisas boas tens de pagar, etc., e depois vens pedinchar por soluções barato-grátis e até tens a lata de propor o open office como exemplo. ROFLMAO

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  15. Br:

    Eu não acredito, mas se o Ludwig encontrar mostra que tem razão e eu fico com o meu software.

    Achas que não procurei? E se encontrar achas que não pode usar? Quando digo que se queres melhor tens de pagar não quer dizer - como ja tenho dito antes - que quem quizer fazer à pala não o faça. Eu apenas não acredito que consigas ter a mesma qualidade. Não é que queira proibir o bom software de ser gratis. È é escasso. Sempre que se sai de coisas com muita visibilidade e procura é um problema.

    Não tenho nada contra o open source a não ser que não tem a mesma qualidade que o comercial. Quando é suficiente uso. Quando não é tenho de pagar para ter o que preciso. Tal como montes de outras coisas, inclusivé a comida.

    Neste caso acho que as soluções comerciais são demasiado caras. Provavelmente vou ter de seguir um proverbio judeu e tentar uma terceira via - não, não é a pirataria, é usar bases de dados como a do open sorce e fazer algo do principio.

    Percebes? Vê la se não consideras qeu os outros são todos burros antes de entrares no disparate.

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  16. Vê la se não consideras qeu os outros são todos burros antes de entrares no disparate.

    Acredita não é a priori que chego muitas vezes a essa conclusão.

    A razão porque os programas são caríssimos é porque a maioria que os usa não paga por eles e/ou são programas "monopólio". O mercado normal de aplicações em computadores está completamente estragado.

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  17. "Acredita não é a priori que chego muitas vezes a essa conclusão."

    Sim, normalmente não mostras o teu desprezo pela inteligencia dos outros antes de pelo menos um comentário. E tirando os falsos positivos aposto que acertas sempre, hã? Tens mesmo geito para a coisa. E vê-se que gostas. VMÈAAFAS

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  18. Quem é o palerma atrás de ti na foto? Já que à esquerda so pode ser o teu irmão...

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  19. JJLeiria,

    Um contracto que cede os direitos de publicação durante um tempo limitado é, tanto quanto sei, apenas uma de várias possibilidades. Outra é simplesmente vender os direitos patrimoniais -- isso acho que tem de ser registado num notário mas de resto penso ser possível.

    Seja como for, se a lei permite estas coisas deixa de ser propriamente um direito. Um direito seria, por exemplo, esse direito de receber 25% do PVP, ou 10%, ou algo assim. Isso podia ser um direito inalienável do autor que garantia dar-lhe uma parte do dinheiro proveniente da exploração comercial da sua obra sem que fosse preciso o autor ceder quaisquer direitos em troca.

    Quanto ao "arriscar", segundo a lei, a usurpação desses direitos pode dar até três anos de prisão -- um risco considerável -- e não dá para safar disso pagando ao autor porque pode nem ser o autor quem detém os direitos exclusivos de distribuição...

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  20. Depois de muita paciência estou em condições de dizer que não há nada naqueles e-mails que valha a pena partilhar.

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  21. Assim me informou o tal meu conhecido das internets...

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  22. Ah, Ludwig,
    o teu blog surge num mail dirigido a 5 pessoas do Mapinet. Aqui está o conteúdo na sua totalidade:

    «
    Caros Senhores,

    No link que se segue, fala sobre a vossa organização, o Blog causa
    tem mais de 400 visitas diárias.

    http://ktreta.blogspot.com/2008/12/os-mapinetas.html

    http://ktreta.blogspot.com
    »


    Foi enviado no dia 15-12-2008 às 8:49:59 PM.

    Se estás interessado em saber quem enviou e o seu endereço de e-mail diz qq coisa que te envio por mail. Ou melhor, digo ao meu conhecido para te enviar.

    Muita bufaria há nos e-mails.
    Somos um País de bufos.

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  23. Já reparaste João, que irritas-te tanto comigo que pões-te logo a insultar-me quando nem te dei razões para tal? E atacares os meus filhos da mesma maneira imbecil que um dos trolls daqui o fez há dois ou três dias é uma desilusão.

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  24. Assim me informou o tal meu conhecido das internets...

    Claro claro :p

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  25. João,

    «Isso é tudo muito bonito mas se queres coisas com qualidade tens de pagar.»

    É um chavão engraçado, mas totalmente falso. Se queres coisas com qualidade, há uma data delas à borla.

    Agora, se queres coisas muito específicas que muito pouca gente precisa, ou feitas à tua medida, exactamente como gostas, tens duas soluções. Ou pagar a alguém que tas faça, ou fazê-las tu.

    Ou ambos. Por exemplo, eu uso o Free Pascal e o Lazarus, que são bem bons e à borla, e com esses fiz o programa que uso para gerir as faltas dos alunos, processar os trabalhos práticos e fichas, e até para me ajudar a avaliar os exames. E quando uns colegas me pediram o programa para gerir as faltas, forneci-o de borla também.

    Mas nota que o que eu defendo não é que o trabalho seja de borla. Isso será ou não ao gosto de cada um. O que defendo é simplesmente que a cópia sem fins lucrativos não seja proibida por lei. E isso não tem nada que ver com a facilidade de encontrar software para ajudar a gerir um negócio.

    Seja como for, talvez aqui haja alguma coisa que te interesse. Suspeito que uma clínica veterinária terá necessidades semelhantes às de uma clínica para hominídeos :)

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  26. Mama eu quero,

    Acho muito bem que venham cá ler o que escrevo. Pode ser que aprendam alguma coisa :)

    E obrigado pela oferta, mas acho que não vale a pena...

    Mas, por falar em MAPINET, o site deles tem escrito "porque o futuro começa já amanhã", mas está "em actualização" há uma data de tempo. Parece que até o futuro está em águas de bacalhau :)

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  27. MEU DEUS que salada, zangaram-se as comadres
    e coitaditas das crianças que já têm que aturar o pai que têm mais
    55 anos quando o Barba Branca já andar xéxé
    e inda são metidos ao barulho
    abaixo a exploração infantil
    deixem as crianças em casa quando vêm à neta

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  28. BR:

    "Já reparaste João, que irritas-te tanto comigo que pões-te logo a insultar-me quando nem te dei razões para tal?"

    irritado? Nao... Vai la ver bem. Quanto a nao teres dado razoes para irritar é outra coisa... Dizer q te borras de rizo com o q eu escrevo seriamente não é certamente para ser agradavel.

    "E atacares os meus filhos da mesma maneira imbecil que um dos trolls daqui o fez há dois ou três dias é uma desilusão."

    Mas eu não ataquei os teus filhos... Apenas disse que o gajo que está atraz de ti tem ar de palerma. Tu pareces-me um puto com ano e meio e ar porreiro. Onde é que isto é atacar os teus filhos? Espera! Tens filhos? Tu és... O palerma? És adulto? Oh não! Desgraça... Bem, desculpa la o "palerma", é que parecias mesmo... Deixa lá.

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  29. Ludwig:

    "É um chavão engraçado, mas totalmente falso. Se queres coisas com qualidade, há uma data delas à borla."

    Totalmente falso é um exagero. Há menos variedade e nos melhores casos o programa é igualmente bom mas muito menos "user friendly". Ou têm muito mais bugs. O que é verdade é que há software à borla com suficiente qualidade em algumas areas especificas.

    O office é melhor que o open office
    O gimp é inferior ao adobe photoshop quer em capacidades, bugs ou apresentação.
    O handbrake tem bugs e é limitado.
    O linux é dificil de configurar para fazer o que o windows faz sem stress.
    O blender é uma confusão sem palavras, em que a solução é decorar uma data de hotkeys.
    O software veterinario pré-pago (tipo à tua maneira) não da sequer para perceber o que é que vai ser feito ou vai ficar para tras. O outro nem vale a pena falar nisso.

    E não, não tem nada a ver o software veterinario com o de uma clinica humana a não ser na parte de ter de gurdar uma historia clinica. Tudo o resto desde a ficha do cliente aos memos e vendas é outra história.

    Quanto à solução - cada um faz o seu software - acho má. Muito má.

    Quanto a pagar alguem para o fazer... Bem, quanto é que isso me vai custar? Provavelmente mais que comprar uma solução tryed and true no mercado em que pagas o que sabes mesmo que queres. Para o teu pré-pagamento tinha de ir encontrar quem quisesse participar no pagamento, fazer tipo uma cooperativa, ver se estavamos todos de acordo nos custos e funcionalidades, procurar uma equipa de programadores para contratar, explicar-lhes o exactamente que o que nós pretendemos (quem o faz com frequencia disse-me que não é assim tão facil) e esperar esse tempo de desenvolvimento, etc.

    Ludwig, é mais facil permitir a programadores andarem a tentar fazer um prudoto bom e depois pagar-lhes pela licensa. O problema neste caso e noutros, é que o preço é muito alto. E isso tambem não acho bem. Acho que revela imaturidade do mercado em que a oferta e a procurar não encontraram um equilibrio. Isso esta a acontecer só agora com os produtos mais main stream, em que o office para a casa e familia esta quase a um preço justo - (mas ainda não), e um windows pre-instalado (OEM) tem um preço aceitavel ( o suficiente para não compensar comprar os componentes à parte e montares tu, sem recorrer a lojas na net de reputação duvidosa).(para o 7, ja que tem uma qualidade fora de série).

    PArece-me que a ausencia de software (como ilustrado no qeu te escrevi) , musica e cinema completamente free, sugere os problemas que surgiram se não se puder investir na criação artistica.

    A tua incapacidade de aceitar isso confunde-me. É que podias dizer que essa qualidade perdida não era importante. Mas não. Insistes que é igual.

    Como agora funcionam os dois modelos e tu tens escolha, deixa andar. O que foi feito para ser pago depois de produzido tu deixas para os outros. Não penso que existisse de outro modo e os exemplos que ha apenas mostram que não é a mesma coisa.

    Claramente a resposta a pessoas que argumentam o que tu dizes ja esta em pratica. O software vai ser cada vez mais barato, ate ser livre, mas a funcionar mal ou a não funcionar de todo. E tu vais passar a pagar o serviço de fazerem aquilo funcionar (até encontrei um programa de veterinária ja neste molde futurista que se esta a tornar omnipresente sem que se note.) Vão-te deixar copiar à vontade. Mas aquilo so faz o que queres se usares os serviços na nuvem. E o totalmente gratis, sem cordas agarradas, vai continuar a ser uma sombra destes serviços milagrosos na nuvem.

    Não tenho duvidas que é uma resposta à pirataria. Às vezes até nem mascaram e chamam-lhe DRM.

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  30. Ludwig:

    Isto comeu-me o comentário. Ja ontem comeu o que eu tinha escrito antes do que fez o BR rir-se do rabo para fora.

    Mas olha. Totalmente falso é que o software free tenha a qualidade do comercial. Mesmo nas aplicações mais comuns.

    A solução de cada um fazer o seu software parece-me um bocado tosca, tipo "seja o seu proprio médico" ou " seja o seu proprio engenheiro, planeje a sua casa".

    Não haver musica gratis, cinema gratis, livros gratis, jogos gratis na variedade e qualidade da oferta comercial é um argumento de peso contra a tua teoria.

    A ideia de ir agora formar uma cooperativa de veterinários para contratar uma equipe de programadores para fazer o que queremos é igualmente desengnçada. Pode funcionar. Mas vai ficar mais barato? Vai demorar quanto tempo? ... Não pensas nisso
    ?

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  31. Sinceramente, diz-me la que achas que produtos como o iPhone, o iMac, o Office, o windows 7, podiam aparecer sem serem alvos de investimento ambicioso.

    E as pessoas ainda os preferem ao que é de graça por isso antes de dizer que ha gratis com a mesma qualidade pensa la na tua parcialidade em julgar isso

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  32. Olha... O meu primeiro comentário afinal apareceu... lol

    Agora vais levar comigo a dobrar que tambem não apago estes. ;P

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  33. Ja agora,

    não dava para fazer isso em access ou o Base do open office?

    Eu sei que usar uma linguagem dessas te da mais liberdade, mas para algo aparentemente tão simples porque foste para ai?

    É que sinceramente acho que por estas bandas se vai seguir a politica do do it yourself...

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  34. João,

    «Totalmente falso é um exagero.»

    Disseste que se quero coisas com qualidade tenho de pagar. Isso é mesmo falso. Há coisas com qualidade que são gratuitas. Sistemas operativos, software, música, poesia e literatura no domínio público, ética, filosofia, descobertas científicas, jogos, etc.

    Agora estás a dizer que em alguns casos específicos há coisas gratuitas que não são tão boas como as pagas. OK. Mas também te posso dizer que há coisas pagas, como as músicas do Quim Barreiros, que não são tão boas como outras gratuitas, como as obras completas de Bach.

    Ou seja, é falso que o gratuito seja sempre o que tem mais qualidade, mas também é falso que o pago tenha sempre mais qualidade. Já usaste o OpenOffice?

    «Sinceramente, diz-me la que achas que produtos como o iPhone, o iMac, o Office, o windows 7, podiam aparecer sem serem alvos de investimento ambicioso.»

    Essa questão é irrelevante. O que acho é que, independentemente disso, não se justifica proibições da vida pessoal de cada um só para permitir alguns o "investimento ambicioso". Se querem regular o comércio, regulem o comércio, mas deixem as pessoas em paz.

    De qualquer forma, mesmo que por alguma medida estranha aches que é melhor usar software que não podes controlar nem ver como funciona e nem sequer usar como te apetece é melhor que a alternativa, deves reconhecer que a diferença entre algo como o Office e o OpenOffice ou o Vista e o Ubuntu não justifica proibir uma data de coisas a toda a gente só para que se gaste uns milhões nisso. Não compensa...

    E sim, se queres uma coisa mesmo à tua medida, podes fazê-la. É esse o poder de um computador. E se bem que muita gente o use sem saber programar, fica a perder. É como não saber mudar o tempo no microondas ou o canal da TV.

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  35. Ludwig:

    "Há coisas com qualidade que são gratuitas"

    Não disputo isso. Mas o que quero dizer é que em regra a variedade e a qualidade são inferiores. Pensei que era claro. O teu nlog é à borla e é um bom entretenimento para nerds como eu.

    "Essa questão é irrelevante." Eu não acho. Acho que tens de ter a escolha se queres aqueles produtos ou não. Se não permitires o seu modelo de criação nada te garante que eles apareçam na mesma. É isso que eu gostava de ver testado, mas os dados actuais sugerem que não.

    "Se querem regular o comércio, regulem o comércio, mas deixem as pessoas em paz."

    Tambem acho. Não proibam a venda de direitos de copia. Que não quer não os vende.

    " não justifica proibir uma data de coisas a toda a gente só para que se gaste uns milhões nisso."

    Proibir? Queres dizer como por exemplo que paguem para usar produtos que foram criados nesse pressuposto e não outro?

    "E se bem que muita gente o use sem saber programar, fica a perder. É como não saber mudar o tempo no microondas ou o canal da TV."

    Sim, sabes que é a minha vontade aprender a programar. Mas isso vai demorar tempo. E só de ver os bugs que os programas feitos pelos outros (com muito mais conhecimentos) têm nem quero pensar no que vão ser os meus.

    Para aplicações profissionais tens uma linha minima de qualidade dificil de atingir por alguem cuja principal ocupação não é programar.

    SE o programa que fizeste não tem bugs e tem um interface facil de usar eu dou-te os meus parabens. Mas eu sei que os bugs são como as formigas. Aparecem do nada e só adoecem quando as queremos.

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  36. Mas eu não ataquei os teus filhos... Apenas disse que o gajo que está atraz de ti tem ar de palerma. Tu pareces-me um puto com ano e meio e ar porreiro. Onde é que isto é atacar os teus filhos? Espera! Tens filhos? Tu és... O palerma? És adulto? Oh não! Desgraça... Bem, desculpa la o "palerma", é que parecias mesmo... Deixa lá.

    Isto se calha é para algum ataque de "rizo". Enfim.

    Sinceramente, diz-me la que achas que produtos como o iPhone, o iMac, o Office, o windows 7...

    Porque produtos de hardware são a mesma coisa do que software...

    Não disputo isso. Mas o que quero dizer é que em regra a variedade e a qualidade são inferiores. Pensei que era claro. O teu nlog é à borla e é um bom entretenimento para nerds como eu.

    Claramente, os teus comentários só podiam ser de graça. Mas o que dizes aqui é totalmente injustificado. É uma crença, uma ideologia. Podemos até partilhá-la, não é uma crença "irracional", mas é insustentada. Porque partes do princípio de que se houvesse a liberdade de copiar software, a oferta de software existente seria pior do que a actual. O que é facto é que o software existente actualmente em open source deve ser contextualizado por estar a existir em confrontação com software de código fechado, que muitas vezes é pirateado. Se este software não fosse pirateado não teria tanta popularidade, e não seria standard.

    O software de código fechado só tem sucesso porque a sua distribuição é na sua maioria pirata e a minoria que se vê obrigada a pagá-lo investe uns bons milhões no seu investimento. O software em open source não consegue competir com a pirataria do código fechado.

    Mas mesmo assim, vemos bem que o open office é tão bom ou melhor do que o office (basta ver que o office se viu obrigado a adoptar o "Ribbon" para se diferenciar do OO, apesar de ser uma estupidez de UI), vemos que o Chrome ou o Firefox são melhores do que o IE, que o Android é um sistema operativo bem melhor do que o Symbian ou o BlackBerry, etc.

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  37. E se bem que muita gente o use sem saber programar, fica a perder.

    Olha lá, esse snobismo de programador é uma treta, táa? Eu não sei programar e , táaa?

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  38. Barba,

    Não é snobismo. É um facto. Se não sabes programar, estás muito mais limitado naquilo que podes fazer com um computador. Muito mesmo. Tão limitado que até suspeito que quem não sabe programar nem sequer percebe a extensão dessa limitação. Se queres uma analogia, é como alguém não saber que se pode abrir os livros, e só ver as capas.

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  39. Tão limitado que até suspeito que quem não sabe programar nem sequer percebe a extensão dessa limitação.

    Deve ser o meu caso. Não que nunca me tenha interessado, mas depois de programar umas coisas no basic e no turbobasic, sinceramente não vejo qualquer utilização possível minimamente "útil" que saia de gastar dias a fazer um programeca qualquer para "organizar" algo que não seja organizável no excel, por exemplo. Nesse sentido, sim, parece-me um excesso de snobismo demasiado interesado na auto-congratulação em fazer umas tabelazecas e uns gráficos em R. Mas podes sempre surpreender-me e dar alguns exemplos que me fascinem o suficiente para dizer, "olha, talvez valha a pena perder algum tempo nisto".

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  40. Barba,

    Para ver as contas da casa, descarrego os ficheiros do net banking (de ambos os bancos, em formatos diferentes), carrego num botão e o meu programa processa-os, ignora as entradas repetidas (se vou lá duas vezes em dias diferentes algumas são repetidas), e faz os gráficos dos totais, categoriza as despesas da forma como eu quero, etc. Comecei por fazer isto no excel e era uma seca, porque muitas coisas tinha mesmo de ser à mão ou com macros, que acabava por ser a programar, mas num ambiente mais limitado.

    Para processar as faltas dos alunos, fiz um programa que gera as folhas de presença que depois digitalizo e processa os jpgs. Com um click marca quem faltou, quem veio, quem preparou a aula, e no fim dá-me logo os totais.

    Para os exames também faço o mesmo, digitalizando-os para os avaliar. E para processar os trabalhos práticos. Em Pensamento Crítico são 4 fichas individuais mais um trabalho final, o que dá quase 1000 trabalhos por semestre. Na disciplina de programação que dou a vários cursos é uma ficha entregue por aula prática, mais dois trabalhos. São em grupos de dois, mas há cerca de 100 grupos, por isso anda à volta do mesmo. Tudo isso tem de ser automatizado, senão fico afogado em emails ao fim de umas semanas.

    Fiz também um programa para gerar as listagens dos discos onde tenho backups e outras coisas, e para alterar nomes de ficheiros numa pasta, tipo find replace.

    E isto sem contar com o que faço para a parte de investigação, que é muito...

    Agora estou a fazer um para governar tudo da minha vida, e vou fazê-lo com mais calma para o distribuir em open source (dá um pouco mais trabalho, mas obriga a fazer as coisas mais jeitosinhas).

    Enfim, há mais exemplos mas a ideia principal é simples. Se te habituas a programar, fazes uma data de coisas que provavelmente nem te lembrarias de fazer se não soubesses programar. Se isso é ser snob, paciência. Vale bem o preço :)

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  41. BR:

    "Claramente, os teus comentários só podiam ser de graça"

    Agora sim, estou irritado. Granda pachorra.

    Pelo menos poupa-me o trabalho de te responder. Para que? Porque?

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  42. Ludwig:

    E isso não tem bugs a dar com um raio?

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  43. Os meus programas? Claro que não. Só têm features esotéricas, nunca bugs ;)

    Mais a sério, para eu os usar dão bem, porque qualquer bug, mesmo que não tenha pachorra para o corrigir, dou um toque no source e dou-lhe a volta. É claro, depois não dá para pôr o resultado como open source sem limpar tudo primeiro, por vergonha... :)

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  44. Não é snob o que fazes, se eu soubesse programar como tu, ou melhor, se me desse tanto gozo como claramente te dá a ti, provavelmente faria o mesmo, e admiro essa tua capacidade de fazer esse tipo de programas simples, económicos e úteis para os teus problemas quotidianos.

    Aquilo que é ligeiramente snob é vir dizer que o resto da populaça está a perder o equivalente a não saber mexer no microondas ou mudar de canal... como se fosse uma falta gritante... Se bem que para ti faça sentido esse uso que faças no pc, compreendes que para mim, demoraria dez vezes mais a fazer um programa que reconhecesse X e organizasse Y, do que fazê-lo à mão... se não é snob, é pelo menos bem nerd. :)

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  45. Pelo menos poupa-me o trabalho de te responder. Para que? Porque?

    Agora sou eu o responsável pelas tuas poupanças... qualquer dia ainda me dizes que sou responsável pelas tuas acções ou assim... melhor pensando talvez seja esse o problema aqui entre nós.

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  46. Barba,

    «Aquilo que é ligeiramente snob é vir dizer que o resto da populaça está a perder o equivalente a não saber mexer no microondas ou mudar de canal... »

    Snob ou não, é verdade. Quanto a isso, batatas :)

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  47. "Agora estou a fazer um para governar tudo da minha vida"

    uhoh ... :-)

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  48. BR:

    "Agora sou eu o responsável pelas tuas poupanças... qualquer dia ainda me dizes que sou responsável pelas tuas acções ou assim... melhor pensando talvez seja esse o problema aqui entre nós."

    Cogumelos?

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  49. Não, marijuana.

    Só consigo ler as tuas inanidades com marijuana.

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  50. "Só consigo ler as tuas inanidades com marijuana. "

    Ha. Isso explica muita coisa.

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  51. Cristy,

    «uhoh ... :-)»

    Exacto. E, a seguir, o Mundo. MWAHAHAHA!

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  52. Sim, é verdade admito, não as leio até ao fim. Até porque o meu stock já acabou há uma semana, e a crise também chegou à erva. Chama-se "outono".

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