sexta-feira, janeiro 18, 2008

O Cristianismo e a Europa.

A aparente importância do Cristianismo na cultura europeia vem de confundir a história com o presente. O Cristianismo foi muito importante na história da Europa. Mas também foram importantes o colonialismo, a escravatura dos povos africanos, o extermínio das civilizações da América, as guerras religiosas, o genocídio e o fascismo. Tal como estes factores que marcaram o nosso passado, também a fé na salvação por Jesus Cristo morto e ressuscitado ao terceiro dia não caracteriza a cultura europeia de hoje.

Os valores que distinguem a cultura europeia não são valores Cristãos. Pelo contrário. Na Europa ocidental o estado soberano da Cidade do Vaticano é o único que não respeita os princípios da democracia, da igualdade de direitos para ambos os sexos e da liberdade de expressão e crença religiosa. É verdade que a Europa foi assim mas agora já não é. A ditadura, a intolerância religiosa e a discriminação sexual já não são aceites na cultura Europeia.

Até na atitude perante a religião não é o Cristianismo que mais distingue a Europa. Na América, em África, e até em partes da Ásia leva-se o Cristianismo muito mais a sério que aqui. Niste aspecto a Europa distingue-se mais pelo ateísmo, pela indiferença à prática religiosa e pela condenação de todo o fundamentalismo religioso. Fora da Europa é mais comum condenar-se todos os fundamentalismos excepto o favorito regional.

Concordo que o Cristianismo foi muito importante na história da Europa. Mas hoje em dia destaca-se mais por chocar com os valores fundamentais da cultura europeia.

27 comentários:

  1. ASilvestre18/01/08, 16:23

    O cristianismo é tão importante para Ocidente nem que seja por oposição. O ateus são ateus por oposição ao Cristianismo.O ateu construiu a sua identidade com base e por oposição à religião cristã.

    Imaginem as nossas cidades, vilas e aldeias sem as igrejas.

    Imaginem os nossos museus sem as obras com temas cristãos.etc.

    Esta conversa em saber se o Cristianismo foi ou não relevante na definição da identidade do Ocidente é de uma ignorância que aflige.

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  2. asilvestre:

    Se ler o texto do Ludwig verificará que não se nega a importância do cristianismo. Pelo contrário: admite-se que teve um papel importante, tal como a escravatura, o fascismo, o holocausto, o colonialismo, etc...

    Sem o nazismo, a europa hoje seria diferente. Isso não é o mesmo que dizer que o nazismo fez a europa, nem sequer "por oposição".

    É possível não ser racista sem ser por oposição aos racistas.

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  3. Tretas, Ludwig!
    Monumentais tretas!!!
    A civilização moderna foi construída aos ombros de gigantes!

    É como aquele anão que olha para o gigante por baixo de si e diz: "Quem? Este senhor aqui por baixo de mim? Não o conheço, eu já cá estava!"

    O cristianismo trouxe-nos:

    1. Verdade objectiva: o verdadeiro é o adequado ao real

    2. Confiança nos sentidos: o mundo é cognoscível e estável, com leis boas porque feitas por um Deus bom

    3. Amor à investigação natural: o mundo não é uma criação maligna de uma entidade gnóstica, mas sim a criação boa de um Deus bom

    4. Primado da razão: Deus não é irracional, porque o irracional é uma violação do intelecto, e o intelecto humano é feito à imagem e semelhança do intelecto divino (veja-se a refutação, por exemplo, do voluntarismo de Duns Escoto, que queria impor um Deus capaz do irracional)

    Poderia continuar "ad aeternum"...
    Vamos tapar mais a peneira com os olhos?
    Já nem falo só da criação de um ambiente intelectual propício para o desenvolvimento das ideias e os avanços tecnológicos. Falo de coisas mais concretas: criação do modelo moderno de Universidade, amor ao saber (protecção das obras antigas pela cópia), surgimento da ecologia, da noção da necessidade de preservar as criaturas feitas por Deus, direitos humanos e igualdade de todos os homens (livres ou escravos, recordemos São Paulo) em matéria de dignidade, etc., etc., etc.

    É preciso continuar?

    Um abraço, e um bom fim-de-semana com menos tretas, Ludwig!! ;)

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  4. Bernardo,

    Longe de mim querer tapar a peneira com os olhos... mas diga-me lá dessas coisas maravilhosas quais faltavam, por exemplo, a Aristóteles. Ou a Tales ou Euclides.

    E devo salientar que estes não enfiavam milagres ad hoc nem mistérios incompreensíveis nos seus relatos. Como é que encaixa a doutrina da trindade ou semelhantes mistérios nesse primado da razão?

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  5. Poxa Ludwig!

    Estou começando achar que tem criado os últimos posts em algum gerador de textos Markoviano pois consegue concardar e discordar no mesmo artigo.

    Conforme comentei no post anterior, se todas estas variáveis foram importantes para a atual europa (e mundo), qual a importância de exercitar "if-scenarios"?

    Eu respondo: é tão importante quando vocês saberem que, se eu não tivesse comido repolho no almoço, não estaria com gases agora!

    Acaba caindo no mesmo erro do artigo que defendia que o cristianismo definiu a Europa. Tanto afirmar isso quanto desafirmar é treta (principalmente usando "if-scenarios").

    Cristianismo, cerveja, grécia, holocausto, colonialismo, a peste.... e etc, etc, etc... tudo definiu a Europa. Qualquer variável a mais ou a menos teriamos uma Europa (e mundo) diferente.

    Páre de usar geradores de texto - please! ;)

    Ahh.. e se o seu blog não tem cunho científico, páre de dar o tom científico em seus artigos. Nessa dicotomia, vira proselitismo!

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  6. Chamam-me AP18/01/08, 20:47

    Ludwig

    Considero este post um modelo perfeito de como se aplicam falácias desde o primeiro até ao último parágrafo.

    1º parágrafo

    Na sequência do post anterior procura desligar o cristianismo do que considera "bom" e ligá-lo ao que considera "mau"; os exemplos escolhidos não são inocentes: têm como objectivo diminuir a importância do cristianismo, reduzindo-o a um acontecimento histórico extremamente pernicioso; no fim do parágrafo coloca uma frase que não justifica: apresenta-a de uma forma afirmativa como se fosse a verdade absoluta (não escreve "eu penso", "é a minha opinião", coloca simplesmente "é", usando um argumento de autoridade que é perfeitamente descabido neste contexto);

    conclusão: utiliza a falácia do preconceito (antes de desenvolver os argumentos já formou a conclusão) e da autoridade.

    2º parágrafo

    Afirma que os valores que distinguem a cultura europeia não são valores cristãos. Justifica a sua expressão com o "Estado da Cidade do Vaticano". Esquece-se que o "Estado da Cidade do Vaticano" não pode ser comparado com os outros Estados. Mais do que um Estado, o Vaticano é a sede administrativa de uma confissão religiosa. Tem características tão especiais que é falacioso compará-lo com qualquer sistema político do mundo.

    O Ludwig fá-lo para demonstrar que os valores "europeus" são diferentes dos valores "cristãos". E acaba por comparar organizações políticas não comparáveis o que nada tem a ver com valores éticos.

    Em momento algum define o que são valores cristãos e o que são valores europeus. Compara apenas organizações administrativas.

    3º parágrafo

    Aqui junta coisas que não pode juntar (vou falar somente do caso da Europa por economia de espaço). Se é verdade que a indiferença religiosa avança, já a questão do ateísmo não está provada e há quem na Europa não condene o fundamentalismo religioso. Veja-se o caso da votação no Conselho da Europa sobre o criacionismo.

    4º parágrafo

    A conclusão é falaciosa porque nos parágrafos anteriores o Ludwig não foi capaz de provar que o Cristianismo choca com os valores culturais europeus. Em primeiro lugar não definiu que valores culturais eram esses. Em segundo lugar não explicitou o que considera valores cristãos. Em terceiro lugar não comparou uns com outros.



    Reservei alguns comentários para colocar aqui se alguém decidir rebater o que escrevi... ;-)

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Ludwig:

    Afinal basta usares um "tom" científico aos teus textos (seja lá o que isso for) e eles já começam a ser julgados por todos como se de uma tese de doutoramento se tratasse.

    Não podes imaginar cenários por brincadeira, não podes dar uma opinião omitindo o "penso que", não podes dizer que uns valores são diferentes de outros sem os enumerares, etc...

    Devo dizer-te que por muitos parabéns que te dê não concedo tanto mérito a estes textos como os teus críticos. São textos muito bons para um blogue interessante, mas muito maus para uma tese de doutoramento, ou sequer um artigo científico.

    Mas fico a saber que se quiser escrever algo e esperar que isso seja tratado (e criticado) como um artigo científico, não preciso de fazer grandes pesquisas, ou procurar publicações científicas credíveis que publiquem: basta usar um "tom" científico. Eh!Eh!Eh!

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  9. António,

    O primeiro parágrafo admite que o cristianismo foi importante mas mostra exemplos de outras coisas historicamente importantes mas que não caracterizam a cultura europeia.

    O segundo parágrafo mostra precisamente pelo funcionamento do centro administrativo da mais importante organização cristã da Europa que os valores do cristianismo são contrários aos valores fundamentais da Europa. Isso de não ser um estado como os outros é fraca desculpa.

    A critica ao terceiro parágrafo não faz sentido. O que eu digo é que há muitos sitios mais cristãos que a Europa, mas a cultura europeia é a que tem mais ateismo e onde se dá menos importância à religião.


    Finalmente, para ser falacioso tem que haver uma inferência inválida. Penso que no argumento que apresentei se as premissas forem verdadeiras a conclusão também será.

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  10. João,

    Por acaso dava-me jeito saber o que é isso do tom científico. Pode dar jeito para outras publicações :)

    Quanto ao «penso que», não percebo a utilidade disso. Talvez haja algum contexto no qual o leitor possa ficar com a ideia que o que eu escrevo não é o que eu penso. Mas julgo que em geral não devia haver muita margem para dúvidas...

    Ou talvez o António julgue que uma afirmação tem mais autoridade quando vem sem pensar, e daí a acusação que argumento por autoridade quando não incluo o «penso que»... :)

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  11. Ludwig:

    Desculpa lá, mas não vi nenhuma fórmula matemática nos teus argumentos, nem tão pouco as tuas estimativas para as margens de erro.
    Cá para mim aquele a quem chamaram António tem razão ao apontar que tu dizes "o cristianismo foi" ao invés de dizeres "eu penso que o cristianismo foi" e outras que tais.
    O leitor desprevenido pode pensar que não estás a dar a tua opinião e sim que és omnisciente e estás a dizer a Verdade.

    E o Tiago também tem razão ao ter denunciado que este blogue não é uma revista científica, mesmo que os textos tenham um "tom" científico. Vê lá se mudas o teu tom, ou enganarás qualquer um que confunda os teus textos com artigos científicos e depois o teu blogue apareça citado nos trabalhos académicos, levando à total confusão no mundo científico, e comprometendo descobertas importantes.

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  12. ah!ah!ah! (espera, ainda sou jovem, ainda posso usar a sigla LOL sem ser olhado de lado pelos comentadores mais atentos)

    Não tinha lido a tua resposta.

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  13. António Parente18/01/08, 22:55

    Ludwig

    Nada do que escreveu invalida as minhas críticas. Penso eu de que. Por mim, estou satisfeito.

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  14. J.Vasco, jovem apenas na idade, no resto, um rapazinho.

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  15. E cá está a confirmação:

    LOL.

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  16. Ludwig e João,

    Peguem um algoritimo qualquer de geracão de textos, joguem as palavras-chave desse artigo e vejam o resultado.

    Talvez fique mais fofinho do que o texto original e tão vazio quanto o mesmo.

    Ao tom científico: é só seguir o passo-a-passo das falácias citado por Antonio Parente (o algoritmo pode fazer isso para vocês - nem se dêem ao trabalho).

    Se não está dando um cuidado científico ao seu blog, a sua estrutura e o consequente uso de argumentos assim ditos só pode ser classificado como proselitismo. Dos mais descarados.

    Aí a brincadeira perde a graça. Você desce do patamar de "indivíduo inteligente que possui críticas consistentes" para "indivíduo que escreve bem e critica os demais para atingir os seus próprios fins".

    Entre este último caso e qualquer evangelista-fundamentalista-fanático existe apenas uma diferença - a saber só a direção do proselitismo.

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  17. Ludwig,

    Citou: "Por acaso dava-me jeito saber o que é isso do tom científico. Pode dar jeito para outras publicações :)"

    Um Markov de 2a. ou 3a. ordem bem treinadinho faz qualquer asneira parecer ciência. Publicações científicas falsas já passaram pelo crivo. Boa sorte!

    Agora perceba a parte triste: se precisa de ajuda aqui a coisa está feia. Não saber calcular um HMM é feio para quem passa sermãos cienticos (ou seriam pseudo-científicos?) como Ludwig.

    A mim, prefiro uma abordagem mais humilde: quanto mais sei, só sei que menos sei.

    Uma delas é não ter autoridade (e nem disposiçã) para argumentar se X ou Y tem mais influência sobre a Europa (ou sobre Singapura, ou qualquer lugar).

    Sou também contra o proselitismo.

    Aliás, para os que estão acompanhando - os efeitos do repolho passaram. É a melhor conclusão dessa discussão. Obrigado.

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  18. Caro Tiago,

    «Um Markov de 2a. ou 3a. ordem bem treinadinho faz qualquer asneira parecer ciência. Publicações científicas falsas já passaram pelo crivo. Boa sorte!»

    Sabes o que falta aqui para dar um tom mais científico? Referências...

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  19. Ludwig,

    Fiz como fazes: cito conhecimentos que possuo como se fossem imutáveis e dignamente científicos.

    Ou quando citas Tales, Euclides, Platão e amigos sem nenhuma referência achas que não estais a incutir um tom de autoridade?

    Mas, diferente dos seus devaneios desconjuntados destes últimos posts, segue uma ótima bibliografia sobre o assunto:

    Olivier Cappé, Eric Moulines, Tobias Rydén. Inference in Hidden Markov Models, Springer, 2005. ISBN 0-387-40264-0.

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  20. Tiago,

    Isso é apenas um livro de texto sobre HMMs. Eu queria é a referência ao tal artigo gerado aleatoriamente que passou o peer review e foi publicado numa revista científica como se fosse um artigo científico.

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  21. Ludwig,

    Desculpe-me! Pensei que queria conhecimento útil e honesto.

    Ao conhecimento desonesto eu pessoalmente dispenso. Desta feita, não guardei os links e artigos e também não pretendo procurá-los para provar que existem.

    Parece-me na verdade que lhe falta o conhecimento de HMM pois, caso contrário, não duvidaria do acontecido (para meio-entendedor seu comentário soa como "onde está escrito que se eu largar um peso ele cai?")

    Neste caso recomendo o que consideraste "apenas um livro de texto sobre HMMs".

    Tiago

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  22. Tiago,

    HMMs são bastante usados em bioinformática. Nunca implementei nenhum, mas tenho algum conhecimento da teoria e alguma experiência com técnicas de aprendizagem automática semelhantes.

    Não estou a menosprezar o conhecimento nesse livro de texto, mas tenho vários análogos por aqui. O meu interesse em particular era ver esse artigo gerado automaticamente que enganou os revisores humanos. Parece-me difícil que um HMM consiga manter a coerência do texto necessária a que a conclusão esteja relacionada à introdução seis páginas antes, e se o conseguiram com heurísticas especiais para esse artigo é batotice.

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  23. nao querendo criticar entrei nesse site com interese de saber como o cristianismo age sobre a europa mais aq na explica isso,
    porfavar atualisem esse site.

    camila

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  24. A influencia do cristianismo na Europa é inquestionável e benefica isso é fato até a alguns séculos atrás a Europa era o berço do cristianismo no mundo , fonte da reforma protestante e etc , firmada nos valores judaico-cristãos , curiosamente depois do aumento do ateísmo na Europa , o velho continente começo a descer a ladeira.

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  25. DE FORMA CURIOSA DEPOIS DO ADVENTO DO ATEÍSMO NA EUROPA O TAL CONTINENTE COMEÇOU A DECAIR....

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  26. Texto bobo e sem dados,muitos paises se destingue pelo secularismo "Acreditam em Deus mas nao vao as igrejas" e jamais pelo ateismo ,além a importancia do cristianismo foi a tomada de paises que estavam sob controle muculmano,desenvolvimento da ciência e politica ,como toda instituicao era usada por pessoas más também e muitos cristaos morriam por lutar contra isto,o ateismo se distingue pelo afastamento do ser humano,sao frios e sem carisma,queria falar mais

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