sábado, setembro 08, 2007

Treta da Semana: «ateu».

Sou ateu porque não tenho deus. O significado é claro, mas há aqui treta. É que também não tenho clube de futebol, partido político nem ídolo de rock e não sou a-coisa-nenhuma por causa disso. Porquê então «ateu»? Há cristãos, muçulmanos e budistas. Há benfiquistas e sportinguistas. Há crentes e adeptos. E quem não é, não é e pronto.

É claro que a palavra não é o problema. O problema é abusarem dela. Como se «apolítico» fosse mais um partido ou como se não ligar ao futebol fosse fanatismo, muitos usam «ateu» como se referissem uma fé no contrário da fé dos outros. Dois exemplos:

«Pregadores que exibem Deus (o deles) ou que negam Deus, ponho-os no mesmo saco.» (1)

« Um ateu tem uma fé não divina, num sentido de não existência de um criador.»(2)

Que confusão. Não tenho preferência por um clube de futebol porque não me interessa. É assim que sou ateu. A falta de vestígios de deuses facilita a decisão, mas mesmo que houvesse tantos deuses como clubes de futebol eu continuava ateu. Não é por criarem o universo que me vão dar vontade de ir à missa ou louvar-lhes seja o que for. Sou ateu porque adorar deuses diz-me ainda menos que o futebol, e nisto é irrelevante o que os outros acreditem. Não é para contrariar. É mesmo falta de interesse.

Mas afirmações de facto são um problema diferente. Não me importa que amem Jesus ou adorem o Benfica, mas se me dizem que os jogadores do Benfica nasceram de uma virgem, morreram, e ressuscitaram três dias depois, aí digo que não. A menos que haja um corpo sólido de evidências a sustentar esta afirmação o mais racional é rejeitá-la. Seja o Benfica seja o Cristianismo, que nestas coisas o clube tanto faz.

A ver se fica esclarecida esta confusão. O ateísmo é o estado de não ter deuses, pelo qual todos passamos. O estado de quem não sente vontade de louvar, não se sente endividado ao sobrenatural, não segue ordens misteriosas de livros antigos e coisas dessas. Ser ateu é não comprar bilhetes nem fazer parte da claque.

Criticar disparates é outra coisa. Não é preciso ser ateu para o fazer, nem é obrigatório a um ateu fazê-lo. Criticar o dogma, a atitude religiosa e as suas consequências não define o ateísmo. É simplesmente bom senso. Aplica-se ao milagre da estátua chorar sangue de galinha, à virgem Maria mãe de Deus vir à terra avisar três pastores que o Papa ia levar um tiro. E depois ele levar o tiro à mesma. E á própria existência desse deus alegadamente perfeito do qual não há vestígios e cujo trabalho ficou muito aquém das expectativas.

Em suma, o meu ateísmo vem do desinteresse pela religião e pelos seus alegados deuses. As críticas que faço são cepticismo, a atitude de considerar cada proposição pelo seu mérito e não pela vontade de acreditar nela. E o que me motiva a escrever é que estas tretas me incomodam. E isto são três coisas diferentes.

1- Joaquim Simões, 7-9-07, num comentário ao post Respeito
2- Tilleul, 1-9-07, Fundamentalismo Ateu

12 comentários:

  1. Viva, de novo, mas hoje ainda com menos tempo do que ontem...!´
    Ele é assim: nem o Ludwig nem o Catelius perceberam o que eu quis dizer - o bom senso de que o Catelius fala, por exemplo, não tem nada a ver com o contexto do meu comentário, tal como a legitimidade da tradição do pensamento científco. Mas, relendo há pouco o que escrevi, devo confessar que esclareci e desenvolvi menos o assunto do que deveria ter feito. Prometo fazê-lo brevemente, até para que não restem equívocos.
    Todavia, quero que fique esclarecido desde já que tudo o que eu diga nunca terá em conta aquilo em que ambos insistem em tomar como ponto de partida: refiro-me à interpretação simplista e simplória, tristemente bacoca e pobrezinha, quando não visando motivos pouco confessáveis, da história do casalinho e da serpente ou de outras equivalentes.
    O nível da discussão, pela minha parte, não desce aí, ao "ópio do povo", à superstição e à ignorância, porque quanto a isso estou em total acordo com ambos.
    O que estou a tentar fazer é uma análise do que vulgarmente se chama "o fenómeno religioso" no âmbito da circunstância humana e os seus lugar e significado, em contraposição àquilo que considero "derrapagens" em lugares-comuns.
    Ok?
    Um abraço a ambos.

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  2. Joaquim,

    Com isso não tenho problema, se bem que provavelmente vá discordar.

    O que quis abordar aqui é a confusão entre criticar uma afirmação infundada (seja qual for), ser contra certos actos, e não ter interesse em participar numa religião.

    Muitas vezes vejo usarem o termo ateu como sendo tudo isto e, ainda por cima, movido por fé.

    Quanto ao que escreveu o Joaquim, discordo que seja a fé na autoridade que nos faz conhecer coisas como a terra girar. Pelo contrário, foi a duvidar da autoridade que se chegou a estes modelos, e eles são aceites (ou devem ser) pelo seu poder explicativo e não pela confiançã que quem os publicita inspira.

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  3. Desculpem meter a minha colherada nesta interessante conversa. Se bem percebi, o amigo Joaquim é crente, presumo que cristão. OK, que lhe faça bom proveito. Mas do que percebi também, nem o amigo Ludwig nem o amigo Catelius perceberam mal. Pelo contrário, perceberam muito bem e argumentam em conformidade. Mesmo que escrita à pressa e de forma sucinta a sua ideia não é difícil de entender, mesmo que faltem algumas "peças". A sua tese, seja como for, precisa efectivamente de muito refinamento. Aguardo então com curiosidade pelo prometido "desenvolvimento". Mas sempre gostava de lhe perguntar uma coisa: Qual é a interpretação profunda, sofisticada e rica da fábula "do casalinho e da serpente"? Ou é demasiado complexo para as nossas descrentes cabecinhas simplistas e simplórias?

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  4. Ludwig,

    "o meu ateísmo vem do desinteresse pela religião e pelos seus alegados deuses."

    basta olhar para para a sua lista de "ingredientes" para perceber que isto é... treta! Você dá muito mais importância à religião do que gosta de admitir.

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  5. NCD,

    É mesmo essa a confusão. Eu não tenho interesse em ser religioso, nem em ter relações sexuais com crianças, nem em agredir pessoas desta ou daquela cor.

    Mas isto não impede de me sentir incomodado com a pedofilia, o racismo, ou os muitos disparates e abusos da religião.

    O que quero salientar é que estas coisas são independentes. As crianças não me atrairem sexualmente não é o que motiva a minha oposição à pedofilia nem é definido por essa oposição.

    O mesmo se passa com o ateismo. Não sou ateu por ser contra, mas porque não me atrai a religião.

    E não sou contra uma data de coisas na religião por ser ateu, mas por achar que são mentiras indecentes.

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  6. "Se bem percebi, o amigo Joaquim é crente, presumo que cristão. OK, que lhe faça bom proveito. Mas do que percebi também, nem o amigo Ludwig nem o amigo Catelius perceberam mal.", diz o JPC.
    Lamento desiludi-lo: presume e percebe mal. Mais: não necessitarei de ser eu a esclarecê-lo, basta que leia um bocado sobre o assunto e, em especial, o que respeita à análise filológica do mito, para que facilmente chegue a saber tanto como eu e, não o desmerecendo, se calhar até mais. Depois, agradeço-lhe que me ensine a mim, porque estou cá para aprender.
    De qualquer maneira, tal como prometi ao Ludwig, logo que o trabalho abrande um pouco esclarecerei o melhor que conseguir aquilo que deixei escrito anteriormente.
    E, por mim, pode meter a colher sempre que lhe der na gana.
    Aliás, terei mesmo muito gosto em que continue a fazê-lo.

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  7. Peço então desculpa pela errada presunção. Não é crente, portanto, muito bem.
    No restante mantenho o mesmo que referi anteriormente e continuo à espera do desenvolvimento.
    E quando tiver tempo vou aceitar o seu conselho, de estudar em profundidade o mito do casalinho. Saúde!

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  8. Li na diagonal o caminho que os comentários seguiram, e como o "Respeito" escorreu para o "Ateu", e manteve o conteudo, aproveito para meter aqui a minha colherada.
    Li na diagonal, pois não necessito lêr o especifico das respostas para formar a minha opinião, que me parece diferente das já emitidas.
    A inquestionabilidade dos assuntos teológicos não é um pedido de respeito, é ditadura! Nós e os brasileiros já aturamos demasiado disso. De lideres podres (tanto faz se são religiosos ou politicos, são todos iguais), que se julgam a coisa mais inteligente que deus largou na terra, e que podem fazer o que quiserem, que não os podemos questionar, não temos nós necessidade. Portugal ficou parado na década de 20 graças a um desses exemplares, e o brasil que tem mais recursos que qualquer outro pais civilizado, ainda hoje paga a factura de todos os ditadorzecos que amarraram o pais durante anos, e todos sem excepção, eram do mais religioso que se possa imaginar. Engraçado como todos os vermes ditadorzecos são religiosos e defendem a religiosidade do estado, com o fabuloso "deus, pátria e familia" no topo do pensamento politico, e não me vendam que é coincidencia. A mim parece-me uma propensão do pensamento religioso... A intolerancia!
    Que há gente de bem que vai atrás desta conversa, não tenho dúvida, mas, limitam-se a seguir... Quem lidera nunca é ateu, nem boa pessoa. Há algumas correntes religiosas, especialmente dadas à hipocrisia (criacionismo) que tentam impingir a treta que são os ateus os maiores carniceiros da humanidade, mas, esquecem-se que a arrogancia religiosa é tal, que nem se tenta disfarçar. Já vi o pseudo-anónimo num post de outro blog, a vender que o Hitler era ateu... Só que esqueceu-se que o termo "ariano" não vem de origem racial, mas, de origem religiosa! A forma como tentam dar a volta ao assunto é dos maiores exemplos de desonestidade intelectual, e são os mesmo que depois pedem, "respeito". Respeito é o que eu tenho pelos crentes, tal como o Ludwig tem, e como o Catellius tem, mas, respeitar mentiras, no sentido de não as questionar, lamento, mas, não é respeito que me pedem, mas, subserviência, e por aí não vou.

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  9. "Quem lidera nunca é ateu..."
    Lenine, Estaline e por aí fora, não eram ateus? E o Chico Louçã? E a miríade de tipos, distribuídos pelos diferentes poderes menores de todos os dias, que infernizam a vida do indígena?
    Para um tipo com aspiração a ditador, qualquer frazesinha lapidar com cheiro a transcendência ou ideologia lhe serve para impor a ordem dele a quem se lhe atravessar no caminho, em nome da verdade, do bem e da salvação das almas ou dos corpos. E não te espantes se um dia vires mesmo algo que tu próprio disseste ser interpretado e utilizado em sentido oposto por um qualquer imbecil asqueroso, para dar justificar as suas intenções ou os seus actos - se é que isto não te sucedeu ainda...

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  10. Joaquim,

    Lider é presidente, ou primeiro-ministro. De ministro para baixo vão os que o lider escolhe, alguns mesmo a contra gosto como pagamento de favores. Se for preciso perceber o que isto quer dizer é simples. Nenhum ministro, dos que se demitem, tem emprgos a ganhar menos, e só vao para lá por imposição partidária por terem de pagar os favores. os outros estão lá eternamente por estarem a tentar caçar o lugar do chefe. :-)

    Não ser católico, não significa ser ateu... Por muito que isso custe a algumas pessoas, e mesmo os comunistas acabam por ter religião. O Putin que até 1989 era ateu, de repente deu em ortodoxo? Se não vier de trás, a religião não aparece do nada aos 40...

    Quando estiver morto podem usar tudo o que eu disse com o sentido que quiserem. É sinal de que me dão crédito. :-) Até lá, estou cá eu para corrigir.

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  11. Derick Hedler19/10/07, 19:37

    EXPOSIÇÃO DO NOME JESUS

    Lactâncio (240-320 A.D.) nasceu no norte da África e foi discípulo de Arnóbio (de acordo com Metódio, Da Castidade 9.2) e ensinou retórica em várias cidades do Império Romano do Oriente, até chegar em Constantinopla. Ele escreveu livros apologéticos explicando o cristianismo em termos que eram compreensíveis para pagãos intelectualizados, enquanto defendia-o contra idéias de filósofos pagãos. O seu Divinae instituitiones “Instituições Divinas” é um exemplo de apresentação sistemática do pensamento cristão.

    Lactâncio teve uma bem sucedida carreira pública, de início. A pedido do Imperador Diocleciano, ele se tornou professor oficial de retórica em Nicomédia, para onde ele viajou da África, viagem que foi por ele descrita no seu poema Hodoeporium. Tendo se convertido ao cristianismo, ele teria sido demitido de suas funções depois da publicação do primeiro édito de Diocleciano contra os cristãos (24 de fevereiro de 303) e como retórico de Latim, ele viveu na pobreza,de acordo com Jerônimo, ganhando a vida através da escrita, até que Constantino se torna seu protetor. O novo Imperador nomeia Lactâncio mestre (311-313) e essa amizade com Constantino, além de tirá-lo da pobreza, torna-o preceptor de Latim do filho de Constantino, Crispo, a quem Lactâncio provavelmente seguiu para Trier em 317, quando Crispo se to rna César. Crispo morre em 326,mas sobre Lactâncio não se sabe quand o nem como ele morreu.

    O texto acima é uma extração da Enciclopédia Católica, volume VIII de 1910, que por sua vez é uma tradução da seguinte fonte bibliográfica:

    Monceaux, Histoire Littéraire de l”Afrique Chrétienne, II (Paris 1902); Brandt, Sitzungsberichte der philos. Hist. Klasse der Akad. Wiss., CXVIII, CXIX, CXX, CXXV, (Vienna, 1889-91). The best edition of the works of Lactantius is that of Brandt and Laubmann, 2 vols. in Corpus Script. Eccl. Lat., XIX, XXVII (Vienna, 1890-97).

    São perfeitamente claras as contribuições de Lactâncio para a igreja antiga, sendo considerado hoje como um dos padres do catolicismo da antiguidade.

    Este texto é considerado atual se olhar-mos pelo ponto de vista da origem arcaica da Bíblia, sendo assim contem algumas modificações. Porém estas modificações visaram apenas a passagem de uma homenagem idolátrica para outra. Muitos pensarão que estou me referindo a Lactâncio ou outro homem citado no texto, mas na verdade estou falando dos termos CRISTIANISMO e CRISTÃO.

    Todo aquele que procurar os papiros bíblicos do tempo de Lactâncio (240-320 A.D.) terá uma surpresa, pois todos os escritos bíblicos anteriores ao século VII só possuem as abreviaturas XP, XPI e XPC (equivalentes a CR, CRI e CRS no português). Isto inclui tudo o que é exibido ao povo pelos líderes do cristianismo atual, sendo que eles nos garantem que estas são as abreviaturas do nome Cristo. O nome mais próximo de Cristo nas abundantes evidências antigas é Crestus e não aparece nos escritos bíblicos.

    Em um papiro de conteúdo bíblico do século IV (PMich inv. 593)*, escrito em grego, pode-se ver claramente o nome XAPA (KARA, lê-se CARRÁ) no lugar de XP e não Cristo como é dito atualmente. Muitos cristãos dizem que isto não quer dizer nada, mas este papiro é uma pista que revela uma mudança do nome na maioria das Bíblias. Esta afirmação que faço é fortalecida por evidências mais recentes como na Bíblia traduzida para o idioma MAORI pelos anglicanos, onde temos o nome KARAITI (lê-se KARRAITI) que, como podemos ver, provem da abreviatura XPI (CRI, ou neste caso, KRI). Com isto o nome Cristo perde sua credibilidade ao ficar cercado por evidências, ou seja, por um lado temos o nome KARA (XP) encontrado nos escritos bíblicos 300 anos antes da primeira aparição do nome Cristo nos mesmos textos e do outro lado temos o nome KARAITI (XPI), evidenciado pela sua introdução na Bíblia em idioma MAORI (missionários anglicanos). Em algumas partes da Europa ainda encontramos as formas Karast e Karas que são utilizadas como similares do nome Cristo.

    Pelas evidências é sabido que KARA é uma entidade solar egípcia cujo seu nome significa Espírito do Sol (Ka = espírito, Ra = Sol). O que esta entidade andou e anda fazendo na Bíblia?

    Voltando ao assunto de Lactâncio, existe um problema ainda mais expositivo quando nos referimos ao nome Jesus. Em sua obra Instituições Divinas, livro 1, capítulo 21, Lactâncio cita a entidade gaulesa Hesus (Esus do culto galo-romano), comprometendo ainda mais o cristianismo atual. Se o leitor ainda não está entendendo, basta saber que não existe o nome Jesus declarado em nenhum escrito bíblico do tempo de Lactâncio, novamente temos apenas abreviaturas coptas ou gregas como IC e IHC (equivalentes a IS e IES) que nos são apresentadas pelos líderes do cristianismo como sendo do nome Jesus. A própria obra de Lactâncio (Instituições Divinas, l.1, c.21) ajuda a entender que o nome não era Jesus em sua época. O mais curioso é que o nome Hesus integra hoje a Bíblia em idioma TAGALOG e foi introduzido nesta Blíblia pelos missionários espanhóis.

    Se o nome encontrado nos papiros bíblicos fosse realmente IESUS (Bíblia latina), HESUS (Bíblia tagalog) ou JESUS, Lactâncio nunca teria se referido a HESUS como uma entidade do culto gaulês em suas Instituições Divinas. Se assim fosse esta obra não passaria pelas cruzadas e nem pela inquisição, uma vez que o nome IESUS só aparece oficialmente nas Bíblias por volta de 1470.

    É verdade que no tempo de Inocêncio III (1200 A.D.) temos o aparecimento de IESUS em alguns SALTÉRIOS, porém os mesmos não eram considerados oficiais pela maioria do clero. Se o leitor for atencioso verá que a época de Inocência III foi um período marcado por intensas guerras e contradições entre os próprios cristãos.

    A abreviatura IHC parece atraente para o nome Jesus, pois seu equivalente em letras latinas é IES, podendo conduzir ao nome IESUS, porém este IHC pertence aos textos que foram escritos de forma corrida e codificada, onde o tempo de confecção das obras tinha que ser mínimo. Daí os nomes principais eram colocados em forma de abreviaturas. É perfeitamente lógico que os textos antigos que possuem os principais nomes de forma inteira sempre existiram, contudo ainda não pude presenciá-los. Esta grande ocultação é um simples reflexo das disputas ocorridas entre os bispos e nobres antigos, pela propriedade dos textos hebraicos originais, para a posterior introdução de impostores nos mesmos escritos. Isso ocorria de forma separada e era motivo de discórdia entre os bispos de diversas ordens. Com isto os grandes líderes do cristianismo esconderam alguns papiros e queimaram outros, deixando para exposição pública apenas aqueles que têm as abreviaturas mais aproximadas dos nomes atuais.

    Muitos estudiosos do cristianismo sabem que este IHC evolui no século X para IEHOSHUA (Yehoshua da Bíblia de Aleppo), ou seja, um nome hebraico. Este Iehoshua foi uma homenagem prestada a um rabino que tinha sua família sob proteção e influência dos gregos e se constitui numa pista para aqueles textos em grego e copta do tempo de Lactâncio, que possuíam o nome inteiro e não IHC. Este IHC sempre foi a abreviatura de IHPOC (IEROS, lê-se IERROS) que pode ser escrito hoje em dia como IEHOS.

    IEROS era uma extensão de uma antiga divindade grega relacionada com o amor, EROS, sendo que no passado se pronunciava ERROS. No século X as famílias hebraicas influenciadas pelos gregos (hebreus cabalistas) introduziram IEHO-SHUA nas Bíblias hebraicas, que é como vemos, uma concatenação de IEHOS (entidade grega) + SHUA (salvação em hebraico). O nome Yehoshua é muito difundido hoje nas Bíblias em hebraico moderno.

    Hoje os teólogos afirmam que IEROS significa SANTO em grego e não um nome próprio. Só que quase todos os textos gregos anteriores ao ano 529 A.D. não possuem a palavra IEROS com o significado de SANTO. Caso o leitor não conheça o caráter dos bispos católicos antigos, é só lembrar que o período em questão foi decisivo na formação dos novos dicionários. Devido às diferentes ordens episcopais estes dicionários eram tendenciosos e controversos, porém isto não era devido aos simples erros, mas sim devido ao motivo de que o clero era, em suma, o dono da gramática. Um exemplo disto foi Lactâncio, retor latino e gramático, com exercício em Nicomédia (Oriente) e Tréveris (Trier, no Ocidente).

    Como em sua maioria os bispos não eram guerreiros, eles usavam a gramática como arma e, acreditem se quiser, funcionava perfeitamente. Este fenômeno fica claro quando lembramos que houve uma grande separação entre a igreja latina e a igreja grega. O golpe final se dá depois da queda de Roma, exatamente no ano 529 A.D., quando Flavius Petrus Sabbatius Iustinianus (Justiniano) manda fechar a Escola Filosófica Grega.

    Com este evento fica claro que Justiniano ficou do lado da igreja latina e é aí que entra o falso acróstico Ihs introduzido na Vulgata Latina por Eusébio (384 A.D.). Nas moedas imperiais bizantinas do século VIII o Ihs evolui para o nome Ihsus Xristus, ou seja, escrito em alfabeto gótico e que se pronuncia Isus Cristus. Muitos cristãos inexperientes estão usando Ihsus Xristus como evidência para Iesus Cristus, pois acham que o mesmo nome está escrito em grego e não em gótico. Estão se esquecendo que o grego utiliza o grafema P no lugar do R e que nas Bíblias gregas antigas e atuais temos IHESOUS (6 letras) e não IHSUS (5 letras). Além de tudo isto o grafema ‘h’ no alfabeto gótico é mudo e consequentemente não tem o som de ‘e’. Também não devemos esquecer que se trata de um período bizantino onde a escrita gótica entra em ascensão.

    Para quem está dormindo no ponto e acha que Isus não é nada demais, é só saber que este mesmo Isus é citado, por exemplo, por volta de 1560 por vários JESUÍTAS que estudavam extensivamente o livro 11 da Ilíada de Homero, onde o mesmo personagem troiano aparece 3 vezes. Este mesmo Isus esteve em muitas Bíblias no começo das cruzadas, mas parece que foi extirpado da história bíblica no tempo do papa Inocêncio III (1200 A.D.). Observando pelo lado da extirpação parece que estou inventando algo para tirar a confiança que o povo tem nas Bíblias, mas queria que alguém me explicasse o que o nome Isus está fazendo atualmente (2007) na Bíblia em idioma romeno. Este Isus foi introduzido por um JESUÍTA na Bíblia romena em 1688, o que é um verdadeiro absurdo se lembrar-mos que a escola jesuíta até hoje ensina a Ilíada de Homero. Para aqueles que se apegam ao nome Jesus devo avisar que Isus apareceu primeiro que este nos escritos bíblicos.

    De acordo com as provas, todos os nomes citados acima estão equivocados e não deveriam estar nas Bíblias.

    Conforme as evidências acima expostas, foram desobedecidos Atos 4:12 e Mateus 5:18 em quase todas as Bíblias.

    * Paul Mirecki, “The Coptic Wizard’’s Hoard,” Harvard Theological Review 87 (1994), pp. 435-460.

    Autor: Ultov

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