sexta-feira, setembro 14, 2007

Se se portassem bem...

Em Junho de 2005 o Papa Bento XVI explicou aos bispos Africanos que «os ensinamentos tradicionais da igreja são a única forma infalível de prevenir a propagação do HIV/SIDA»(1). Mais recentemente, o leitor Pedro Silva comentou que «A posição da Igreja é defender sempre a abstinência antes do casamento, e a fidelidade dentro do casamento. Só isto seria suficiente para erradicar a doença»(2). Cometem os mesmos dois erros.

O primeiro é um juízo de valor, algo que normalmente não considero errado. Posso discordar do látex ser pecado ou que condenem o sexo consensual entre adultos solteiros (eu só condeno o sexo antes do casamento se deixarem os convidados à espera), mas mesmo discordando reconheço que não é um juízo errado. É uma escolha.

Só que no caso do preservativo é mesmo um erro. Por muito que condenem a vida sexual alheia, é certamente preferível não transmitir a doença. No entanto, havendo prostituição e infidelidade, preferem que seja sem preservativo. Isto é um disparate.

O outro erro é confundir o recomendar com o cumprir. O crime desapareceria se ninguém violasse a lei. Acabávamos com a obesidade se ninguém comesse demais, e com os malefícios do tabaco se todos deixassem de fumar. Mas nenhum destes problemas se resolve dizendo portem-se bem, tenham cuidado com o que comem e não fumem.

Nem a Igreja nem o Pedro Dias podem obrigar os outros ao celibato. Apenas o podem aconselhar. E se bem que o celibato reduzisse muito a transmissão do vírus, a mera recomendação é pouco eficaz. E é compatível com a distribuição de preservativos. Recomenda-se menos parceiros sexuais e dá-se preservativos para as eventualidades. Não há problema. É como dizer para conduzir com cuidado mas instalar cintos de segurança nos carros à mesma.

A posição da Igreja Católica é consequência de uma idiossincrasia doutrinal. Deu-lhes, em tempos, para condenar a contracepção como pecado e agora ou se submetem à razão e reconhecem o erro ou agravam a tragédia em defesa do dogma. Infelizmente, para um Papa é uma decisão fácil...

1- BBC, Pope rejects condoms for Africa
2- 3-9-07, Ao lado, parte 3: sem transcendências.

22 comentários:

  1. Ludwig,

    Deixa-me acrescentar algo nesta questão.
    A questão de "proibir" o sexo, como a igreja tentou no passado, é inocua, pois o acumular de hormonas faz com que seja ignorada, mais cedo ou mais tarde, a "ordem". Estamos a considerar a proposta da igreja como sendo sacrifiquem-se emocionalmente para cumprir as nossas ordens. É obvio que existe um conflito entre o que se pede e o desejo de obedecer.
    O mesmo não se passa com o preservativo! A ordem é fácil de assimilar, pois o preservativo não é cómodo e não é conveniente, do género: "aguenta aí o desejo 5 minutos que tenho de ir ali buscar um preservativo". Alguns pensarão que se deve andar com um, mas, respondo já que só se for senhora e usar mala. Na carteira danificam-se, à solta nos bolsos esqueçam, no carro danificam-se com o calor, etc. Por isso ao condenar o uso, a igreja está a condenar as populações. Era quase como dizer, não comam rebuçados, mas, se comerem, só se tiverem açucar. A primeira é dificil de controlar, a segunda é dizer que o unico caminho é o mais comodo.

    Por isso acho que deviam processar o vaticano e prender quem debita ordens dessas aos fiéis.

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  2. Ludwig

    O que transcreves da igreja não é um juízo de valor: é um facto! Sem relações sexuais... não há transmissão de doenças sexualmente transmissíveis! Ponto final!

    O ponto onde a coisa falha é na pedagogia pelo terror: se te portas mal, Deus castiga! Essa posição é inclusive incompatível com o Deus de amor e não o Deus vingador. Mas as religiões são feitas de homens, e os homens têm muitos defeitos.

    A minha experiência é que os padres são mais sensatos que o Papa e compreendem as pessoas, mas a minha experiência não é a de todas as pessoas, o que é uma pena! Conheço pessoas religiosas excepcionais (e animais completos). DO mesmo modo conheço ateus empedrenidos excepcionais e com o que eu chamo "espírito cristão". Na minha pespectiva, isso é mais importante que uma imposição de água e uma bênção!

    A questão da aceitação da sexualidade em muitas vertentes é um calcanhar de aquiles da igreja, para meu grande desgosto! Mas não atires a matar: há muita coisa boa nos valores religiosos. Falta quem os aplique decentemente! A prova é a inexistência de uma igreja una: diferentes interpretações!

    Agora no gozo, o Borat (o Sasha Baron Cohen é judeu) faz uma paródia de uns evangélicos quaisquer nos Estados Unidos que é de ir às lágrimas!

    Pela minha parte... o latex é nosso amigo! E quem me disser que vou para o inferno por causa disso leva que contar!

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  3. Abobrinha,

    Sim, esse é o facto (a segunda parte). Mas o juízo de valor é que o preservativo e o sexo antes do casamento são coisas pecaminosas.

    É claro que aqui os padres são mais compreensivos. Na cidade. Na província, nem tanto, muitas vezes. O factor mais importante é se podem ou não de facto negar às pessoas o acesso ao preservativo e à educação sexual.

    E em Àfrica podem. E fazem-no. Porque podem.

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  4. Já agora, concordo que há muita coisa boa na religião. Mas parece-me que é boa apesar, e não por causa, da religião.

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  5. Manuel de Castro14/09/07, 18:52

    O principal problema é que Deus foi de férias e já não castiga os malvados! :-)

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  6. A respeito do virus HIV, há uns tempos li um artigo muito interessante sobre os efeitos da negação do HIV, que deixo aqui o link para quem estiver interessado.

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  7. "Recomenda-se menos parceiros sexuais e dá-se preservativos para as eventualidades. Não há problema."

    Concordo inteiramente com esta abordagem, Ludwig. O que tenho pena é de não a ver aplicada por ONG's e OG's de luta contra a sida.

    Ainda não se quis perceber que a questão do número de parceiros não é uma questão de moral sexual, é uma questão de higiene sexual e de saúde pública.

    Pelo contrário, nas campanhas de luta contra a sida só se promove o preservativo como se, por si, assegurasse alguma coisa.

    O problema é que não acredito nisso.

    Quem promove essa ideia também não acredita, porque ainda há uns meses passavam a vida a explicar que azares acontecem e que a contracepção pode falhar. Se pode falhar para umas coisas, também pode falhar para as outras. E há certamente quem esteja a correr riscos que preferiria não correr, com base na ideia errada de que com preservativo o sexo é seguro.

    É claro que se andar de mota, o melhor ´
    e usar capacete. Pessoalmente, prefiro comportamentos menos perigosos: ando de carro. Não é isento de perigos, ainda assim, mas ninguém se lembra de andar de capacete nos carros em situações normais, pois não?

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  8. NCD,

    Acho que estás enganado. A OMS menciona sempre isso, e é uma recomendação geral em todas as DST.

    Por exemplo (o que veio à mão numa googladela) numa página acerca da circuncisão masculina (que reduz para metade a probabilidade de contraír a infecção):

    «should always be considered as part of a comprehensive prevention package, which includes correct and consistent use of male or female condoms, reduction in the number of sexual partners, delaying the onset of sexual relations, and HIV testing and counselling»

    fonte

    Podes dar um exemplo de uma ONG que combata a SIDA mas tenha uma atitude perante a redução do número de parceiros análoga à atitude da igreja para com os preservativos?

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  9. Bizarro,

    Essa é outra treta que lixou a vida a muita gente...

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  10. Um exemplo: não é o melhor, mas é o que consigo encontrar assim, do pé para a mão.

    http://www.medicosdeportugal.iol.pt/content_files/cms/img/img1_b9d487a30398d42ecff55c228ed5652b.jpg

    Não importa? Claro que importa!

    Contraste-se com este outro cartaz:

    http://www.redejovensigualdade.org.pt/imagens/IVG/IVG%201.jpg

    Em qualquer dos caso tenho visto bem pior:
    "Mostra à tua mãe que já sabes mais que ela" - era um cartaz verde e negro.

    Mas há muitas outras campanhas. Lembro-me de outra que tinha um solgan parecido com "não saia de casa sem ele nunca se sabe o que pode acontecer"

    Não sabe?

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  11. NCD,

    Nenhum destes parece sugerir que é moralmente condenável ter poucos parceiros sexuais. Por isso é muito diferente da posição da igreja acerca do uso de preservativos.

    Além disso, são cartazes publicitários que visam as pessoas sexualmente mais activas e com mais parceiros sexuais, precisamente o grupo no qual o preservativo faz mais diferença. O objectivo não me parece ser encorajar o sexo com muitos parceiros mas tornar o preservativo mais apelativo a quem já tem essa prática.

    Seja como for, entre pessoas minimamente esclarecidas a recomendação de reduzir o número de parceiros sexuais é inútil. É como recomendar que fumem menos aos que já conhecem bem os malefícios do tabaco.

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  12. Ludwig

    A história do "moralmente condenável" é assim e assim mesmo. Cada qual com a sua coisa. A higreja católica tem muitos defeitos (a maioria dos quais tem vindo a corrigir, mas ainda não é perfeita nem para lá caminha), mas mesmo assim não manda cortar o pescoço a quem saia dela para abraçar outra. Parte dos muçulmanos parecem levar uma instrução do Corão nesse sentido a sério. O que não faz sentido porque o Islão é uma religião tolerante.

    O catolicismo vive muito de culpa, pecado, o que pode dar a volta à cabeça de muita gente. Dito isto, há muita coisa a dar a volta à cabeça de muita gente! A noção de pecado e de moral são só mais duas!

    Outras religiões hoje em dia são o capital, o consumo, a moda, a fama a qualquer preço, a Ciência como resposta a todas as perguntas. Diga-se que nenhuma destas tem um sistema de valores tão simpático como a maioria das religiões (mormente porque de facto não o tem!). E muita gente as segue.

    Eu costumo dizer que a sociedade tem que caminhar para uma progressiva "des-religiação", ou seja, a religião foi (muito) necessária (e ainda é) para incutir um conjunto de valores. Discutíveis, mas valores! E necessários, para não entrarmos na selva! Quando todos se aperceberem que devem ajudar o próximo (quer sendo simpáticos, quer fazendo caridade, quer dedicando a vida inteira aos outros) só porque sim, porque também ganham mais a todos os níveis por os outros estarem bem... aí seremos todos religiosos por natureza. Mais água benta ou menos.

    E perguntas tu: e Deus, onde é que está no meio disso tudo? Tenho duas respostas: 1. Está lá, por definição ou 2. Não é preciso sequer. Não sei qual é a minha resposta, o que possivelmente me classifica formalmente como agnóstica e não como católica. Mas não dou excessiva importância a isso: nunca fui de me meter nem aos outros em caixinhas e não é agora que vou começar.

    Finalmente, a igreja são as pessoas. E eu continuo muito ligada a uma comunidade religiosa aqui na terrinha porque são excelentes pessoas. Como pessoas e como cristãos, são exemplos. Claro que há más pessoas (e muito más pessoas) que se colam a eles. Mas isso... é assim mesmo!

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  13. Ludwig

    Não te esqueças que muitas coisas que são pensados como dogmas religiosos foram a dada altura usados por conveniência.

    POr exemplo, li que a dada altura (há séculos) foi ensinado que sexo na altura... ora bem... que o Benfica estivesse em estágio na casa da parceira era pecado. Atendendo à falta de higiene de há séculos... até ia fazendo sentido!

    Lembra-te que o Cristo não mandou apedrejar a mulher adúltera! O Cristo era muito tolerante (como resultado penduraram-no numa cruz, mas isso é outra história) e não deu muitas instruções. Essa falta de instruções, esse excesso de liberdade de acção faz com que muitas pessoas completamente diferentes pensem e façam coisas diferentes.

    E depois há sempre as que vivem só das aparências, como meninas que para manterem a virgindade até ao casamento fazem TUDO menos o que faz tecnicamente perder a virgindade! E quando eu disse tudo, é tudo mesmo (és pai de filhos, acho que não te preciso de explicar). Isto não é mito urbano, mas é essencialmente nos EUA e no Oriente (ouvi isto de orientais, católicas e não só, quando estive em Inglaterra).

    E depois há as reconstruções de hímen, nos países orientais, mas isso é outra história e nem é essencialmente com católicos. Nunca esqueças o contexto cultural: a religião não é culpada de tudo!

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  14. Ludwig,

    Pois lixou a vida a muita gente, e a posição da Igreja é quase uma posição de omissão em relação à propagação do HIV, apenas se remetem para o que sempre se remeteram, em vez de se contextualizarem com a realidade em que batalha de abolir o sexo antes do casamento está perdida, mas a batalha da propagação do HIV deve ser travada activamente. A Igreja devia sacrificar (sacrificio tão pregado pela Igreja) algo em deterimento do bem geral, sacrificar não é só para um dos lados, a minha opinião é que a Igreja devia sacrificar o pecado do preservativo ajudando assim mais gente, do que se manter numa posição de inflexibilidade.

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  15. Ludwig:

    as campanhas de luta contra a sida não se dedicam a promover comportamentos "moralmente adequados" nem a dissuadir comportamentos "moralmente condenáveis".
    Deviam era dissuadir comportamentos de risco, o que não fazem.
    Aliás, a frase é tua: "recomenda-se menos parceiros e aconselha-se o uso do preservativo". Consegues dar um exemplo - não exijo dois que eu sei que é impossível - mas um só, de uma campanha de luta contra a sida que "recomende menos parceiros"?

    O caso da Igreja é distinto: as suas normas não se limitam à questão da sida, vão um bocadinho mais longe. O que é estranho é que sejam descontextualizadas.

    Porque é que eu digo isso? É simples: a Igreja recomenda castidade e desaconselha o uso de preservativo.
    É estranho que alguém não ligue para a primeira e siga escrupulosamente a segunda, não te parece? Ou seja: de acordo com a tua teoria dos grupos diferenciados, a mensagem da proibição de preservativo destina-se áquelas pessoas que seguem a regra da castidade e onde, consequentemente, o preservativo faz menor diferença - nota que esta é uma adaptação do teu próprio texto.

    Quanto ao público-alvo das campanhas, penso que estás errado: o público-alvo que ali está em causa não é definido pelos hábitos sexuais mas única e exclusivamente pela idade. O que é assumir que todos os jovens têm um determinado tipo de comportamento sexual (o que não me parece correcto) e acaba por promover esse tipo de comportamento junto dos jovens que não o têm (o que me parece contraproducente, uma vez que esse comportamento é de risco).

    Não tenho ideia que o sexo seja viciante. Muito agradável sim, viciante não. Mas mesmo entre fumadores minimamente esclarecidos já vi alguns deixarem de fumar por questões de vida ou de morte. E curiosamente há muitos deles que, continuando a fumar, fumam sempre da mesma marca. O que tenho visto pouco é que eles passem de um cigarro mais forte para um mais fraquinho, por causa da saúde.

    Talvez possa haver alguma analogia com o sexo: talvez ter sexo com um parceiro regular não seja o mesmo que eliminar o sexo das suas vidas, talvez seja mais seguro do que o preservativo - que às vezes também falha com consequências que podem ser mais dramáticas que uma gravidez e não tão "fáceis" de "resolver". O que eu não acredito é que para quem o sexo é tão importante que estejam dispostos a arriscar a própria vida uma opção menos agradável como é o sexo com preservativo seja opção.

    Dito isto, importa que eu diga que não tenho pessoalmente nada contra o preservativo. E que acho muito bem que quem anda de mota use capacete, por muito que seja bom sentir o vento a passar por nós. O que eu acho mal é que se diga às pessoas que se andarem de mota com capacete não correm risco de um acidente. É que isso é uma mentira que mata. Essa sim, devia ser crime.

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  16. NCD,

    O problema não é o que a igreja recomenda. O problema é interferir activamente com programas de educação sexual e com a distribuição de preservativos.

    Entre uma população educada não vale a pena aconselhar que reduzam o número de parceiros sexuais. Isso como campanha nas cidades portuguesas era ridiculo, pois toda a gente já o sabe. Por isso o que fazem é tentar dar a ideia que o preservativo dá estilo (fundamental para que os jovens o usem), e distribuir preservativos (se não os têm não os usam).

    Em Portugal a igreja pode pouco contra isto, pelo menos nas cidades. Na província o padre já terá mais poder, e pode tornar díficil a distribuição de preservativos aos jovens.

    Em África e na América Latina a igreja tem muito poder, o suficiente para arranjar maneira dos preservativos ficarem trancados no armazém e ninguém os ver, ou convencer os pais a confiscá-los aos filhos e assim.

    Essas organizações que distribuem preservativos não se chateiam que alguém aconselhe a fidelidade ou a castidade. Mas a igreja está sempre a refilar contra os preservativos, e onde pode interfere com a sua distribuição. Isso é algo bem diferente.

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  17. Concordo contigo quanto à oposição ao preservativo nos casos que deste.

    Folgo em saber que reconheces o direito da Igreja a recomendar que o preservativo não seja usado.

    É que ainda que eu não concorde com ela neste ponto, defendo o direito da Igreja a ter essa opinião.

    "O preservativo dá estilo"? Cheira-me a treta...

    E a tal campanha de acordo com as recomendações da OMS? Nenhuma? A sério? :oO Estou verdadeiramente espantado!

    Portanto fomentam-se comportamentos de risco porque o preservativo cobre tudo... OK, já percebi. Depois piratas são os outros, claro.

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  18. E ainda mais uma coisa: não é indiferente promover comportamentos seguros em termos de número de parceiros. É que a falsa segurança do preservativo pode pesar na decisão.

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  19. NCD,

    Se o preservativo reduz em cerca de 90% a taxa de infecção, é tão seguro ter relações com dez parceiros com preservativo que com um parceiro sem preservativo.

    Tendo em conta também a ineficácia das campanhas baseadas em «portem-se bem» ou «é muito bom mas não façam», e razoável que se invista mais nos preservativos que em tentar dizer onde enfiar o quê e em quem.

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  20. Ludwig,

    então o texto da OMS é ... treta! Mas é uma treta que tu gostas mais. Como dizias aqui ao lado é tudo uma questão de gosto.
    Aliás, se chegamos à conclusão que tanto um lado como o outro vai provocar infecções, desnecessárias se tivesse passado a informação toda, é só escolher a que telhado de vidro queremos mandar as pedras e chamar assassinos.

    Pela minha parte tenho a certeza que todos aqueles que querem ter relações sexuais fora do que é aconselhado pela Igreja vão fazê-lo, e só não vão usar preservativo se não quiserem.

    Já não tenho tanto certeza que os jovens não sejam influenciados por uma mentalidade que lhes diz que "não importa com quem fazes mas usa-o" ou que diz que o preservativo é sempre seguro. É que eu conheço alguns que ficaram bem mais branquinhos quando perceberam que um preservativo que falhe para uma gravidez falhou na prevenção da sida.

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  21. AHA! NSA... andas aqui a espiar e fugiu-te a tecla para a verdade ;)

    Não, não acho que o texto da OMS seja treta. Acho que para controlar as DST devemos ter em atenção a actividade sexual, o número de parceiros, os preservativos, etc.

    Mas uma campanha de combate a uma DST deve ser adaptada à população alvo. A educação sexual é fundamental nuns sítios, descesessária noutros. Em países pobres distribuir preservativos de graça é muito mais importante que em países ricos. Certas práticas tradicionais, como poligamia ou levar o filho à prostituta para fazer dele um homem, podem ser susceptíveis de se alterar com uma campanha bem concebida. A recomendação da OMS é que se tenha todas estas possibilidades em mente.

    Entre os jovens das cidades portuguesas parece-me que o mais eficaz é convencê-los a usar preservativo. Em geral, conhecem bem o problema, têm recursos para comprar os preservativos, e não são promíscuos de uma forma que seja facilmente alterável.

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