domingo, maio 15, 2011

Produtividade.

Uma grande virtude da economia, enquanto ciência, é ter conceitos rigorosos e quantificáveis. Um grande defeito da economia, enquanto política, é dar a esses conceitos o mesmo nome que, na linguagem comum, damos a conceitos diferentes. Um exemplo disto é a “produtividade”.

Tem-se falado muito da baixa produtividade dos trabalhadores portugueses, que é cerca de metade da produtividade dos alemães. Isto é evidente em gráficos e tabelas, com rigor matemático: a produtividade média dos portugueses é de 30,8 dólares por hora de trabalho e a dos alemães é de $53,1 (1). Daqui vem a mensagem política de que não podemos viver com as mesmas regalias. Mais do que isso, não temos sequer o direito moral de as exigir, pois só produzimos metade. Temos todos de arcar com o fardo destas dívidas e crises porque a culpa é nossa por não produzirmos.

O problema é que estas duas “produtividades” são muito diferentes. A produtividade na economia é simplesmente a diferença entre o preço de venda daquilo que o trabalhador gerou e o preço ao qual se comprou aquilo de que ele precisou para o trabalho. Na linguagem comum, a produtividade é um conceito muito menos preciso porque sugere uma utilidade para o que é gerado e não apenas um preço. Por exemplo, se em dez horas de trabalho um agricultor produz legumes que valem mais 50€ do que lhe custou o gasóleo, adubo e rega, o economista dirá que este trabalhador tem uma produtividade horária de 5€, e que é vinte vezes menos produtivo do que o astrólogo que, em meia hora, ganhe 50€ por uma consulta. Em contraste, quem não for economista dificilmente defenderá que a astrologia é uma actividade mais produtiva do que a agricultura, precisamente porque a noção comum de produtividade não se limita ao preço. E sem essa exigência adicional não se pode inferir da produtividade nada acerca do mérito ou do sacrifício a exigir. Por exemplo, ninguém iria aceitar ser necessário facilitar o despedimento e reduzir os salários dos agricultores por não serem tão produtivos quanto os astrólogos.

Outro problema do preço como única medida da produtividade é desligar esta última daquilo que o trabalhador faz, ao contrário do que sugere o sentido mais comum do termo. O mesmo empregado de mesa a servir o mesmo número de pratos com a mesma qualidade dará um rendimento monetário muito mais baixo numa aldeia do interior do que daria na baixa de Lisboa. Como a Europa adoptou uma moeda comum sem distribuir o dinheiro equitativamente por todas as regiões, o mesmo efeito ocorre entre países pela diferença no volume das economias locais. O mesmo trabalho, com a mesma qualidade, feito onde há mais dinheiro é muito mais produtivo, no sentido económico, do que se for feito onde há menos dinheiro porque, ainda que produza o mesmo, vende-se mais caro.

Outra consequência da definição económica é a relação entre a produtividade e o crescimento económico. A ideia que os políticos nos passam é a de haver uma relação causal, o que é intuitivo para a produtividade que usamos na linguagem comum. Se criarmos mais coisas úteis ficamos a viver melhor por causa disso. Mas esta ideia não faz sentido na definição económica de produtividade. Se a produtividade é calculada, por exemplo, dividindo o PIB pelas horas de trabalho, dizer que a economia cresce porque a produtividade aumenta é como dizer que eu estou mais gordo porque o meu peso aumentou. É uma explicação ilusória porque não exprime uma relação causal. É apenas uma tautologia, assim por definição.

O que me traz, finalmente, à história que a nossa troika PS-PSD-CDS conta acerca das medidas da outra. Os nossos políticos alegam que as medidas visam aumentar a produtividade diminuindo salários, aumentando os impostos de forma regressiva (impostos “ao consumo”, para punir quem, por exemplo, usa electricidade) e diminuindo as contribuições sociais das empresas. Ou seja, reduzindo o poder de compra da maioria da população e encolhendo o PIB. O plano dos políticos parece ser aumentar a fracção PIB/horas de trabalho reduzindo o numerador.

Infelizmente, muita gente parece acreditar nesta história e julga que a outra troika vem cá arrumar-nos a casa, pôr isto nos eixos, obrigar o pessoal a trabalhar como deve ser e a economia a crescer. Mas o objectivo dos economistas da troika FMI-UE-BCE é, como é regra em economia, muito mais concreto e quantitativo. O que eles querem é simplesmente garantir os 6% de juros do dinheiro que nos vão emprestar. O que fará do seu trabalho um dos mais produtivos da Europa, no sentido económico do termo.

1- OECD.org, Labour productivity levels in the total economy

57 comentários:

  1. Gosto deste blogue!

    Podes adicionar o meu aos links sff?

    http://davidjosepereira.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  2. Ludwig,

    Outro conceito bem colonizado pela economia é o da “competitividade”. Quanto mais o teu salário for próximo de zero ou - porque não? - quanto mais pagares para trabalhar, mais competitivo é o teu produto, empresa ou país. Competitividade igual a rentabilidade.

    E se o conceito é natural na economia de mercado, faz muita impressão esta tecnocracia no discurso político... Não é que alguém leve a mal um idiota, é só porque faz lembrar crianças com um cigarro na boca.

    ResponderEliminar
  3. Bruce,

    «Outro conceito bem colonizado pela economia é o da “competitividade”.»

    Ou estou a ficar muito previsível, ou tu e o Francisco andam a bisbilhotar os meus drafts. Calma... já vai a seguir :)

    ResponderEliminar
  4. Falta a não declaração de rendimentos. Se se tiver em conta que grande parte dos funcionários de empresas privadas recebem dinheiro não declarado ter-se-á que baixar ainda mais.

    ResponderEliminar
  5. Em bom rigor, a produtividade é a produção por unidade de tempo. Está relacionada com a eficiência e não com a eficácia, no sentido em que não envolve uma valorização económica da actividade. Quanto se mete o valor económico à mistura é que passa a estar relacionado com o PIB. E, se o PIB é uma medida da riqueza do país, não se pode dizer que ter uma medida que envolva a produtividade e o PIB é calcular mal. Podia era não se chamar produtividade mas ia dar ao mesmo.

    Uma coisa é certa. Se para um agricultor Português com a mesma tecnologia que um Alemão, um produz metade que o outro, a produtividade do agricultor é metade, mesmo sem juntar o valor ecnómico. Também acontece o mesmo se o astrólogo em 30 minutos só fizer uma consulta e o Alemão fizer duas.

    Em suma, como medida da capacidade do país em gerar riqueza de forma competitiva, a produtividade incorpora medidas de eficiência e valor económico. Como forma de se avaliarem as causas da menor ou maior eficiência, tem que se estudar se o agricultor tem as mesmas máquinas, se os solos têm a mesma capacidade, se os custos de produção são comparáveis, se a gestão está suficientemente bem organizada, etc. Já fui misturando o conceito da competitividade em antecipação, pois quer gostemos ou não das regras, gerar mais retorno com o mesmo esforço/custo, ou o mesmo com menor esforço/custo é o que garante que somos capazes de praticar preços que os outros queiram pagar.

    ResponderEliminar
  6. é ter conceitos rigorosos....tem?

    bolas andei uma data de cadeiras a apanhar teorias mais estapafúrdias

    e afinal a economia tem conceitos quantificáveis

    fiquei esclarecido

    Mais do que isso, não temos sequer o direito moral de as exigir, pois só produzimos metade.

    mais palermice ...vocemecê tem mesmo 37 anos?

    esta semana 3 toneladas de morangos de huelva e de huesca

    apodreceram nos hiper's do jumbo ao continente por falta de consumo

    reduziram esses supermercados as compras desses produtos

    não reduziram porque têm contratos estabelecidos

    consumimos o que não produzimos

    contraímos empréstimos com dinheiro que não foi de poupança nacional

    e espetámos tudo em coisas que não podemos por na loja de penhores

    não é uma questão de produtividade

    é uma questão do que se produz

    ResponderEliminar
  7. Leia o dito

    Zurk disse...

    Em bom rigor, a produtividade é a produção por unidade de tempo. Está relacionada com a eficiência e não com a eficácia

    o ensino em Portugal tem mesmo falta de sentido crítico

    há uns anos um gajo chamado João Mineiro professor-director de mérito? algures numa escola da covilhã

    vinha com conversas dessas que com os seus impostos como professor
    no aparelho do estado pagaria a sua bolsa futuramente com os impostos
    que daria ao estado

    era também um raciocínio pescadinha de rabo na boca

    mas era talvez mais desculpável num imbecil de 19 ou 20 anos

    ResponderEliminar
  8. o que eles querem garantir é receber por antecipação 20 ou 30%

    daquilo que devemos antes de falirmos totalmente

    ou termos de reestruturar a dívida não pelos prazos ou juros

    mas por perdão parcial ao insolvente

    já leu algum texto básico de economia

    a gulbenkian tinha uns dos anos 70 em reedições constantes

    devem estar em saldo como os cursos de economia

    acho que vou ver pornografia é mais estimulante intelectualmente

    ResponderEliminar
  9. "Mas o objectivo dos economistas da troika FMI-UE-BCE é, como é regra em economia, muito mais concreto e quantitativo. O que eles querem é simplesmente garantir os 6% de juros do dinheiro que nos vão emprestar."

    Não me parece que haja dúvida que eles queiram garantir os juros. Mas o que queres que eles façam? Estamos a falar de dinheiro de contribuintes. Explica a um contribuinte alemão, porque é que ele há-de financiara má gestão portuguesa a fundo perdido? Tanto mais sabendo-se que é a terceira vez em 50 anos que Portugal tem que recorrer a empréstimos institucionais para não entrar em bancarrota. Ainda há uns meses a culpa pela miséria portuguesa era toda da Angela Merkel, agora pelo menos passa a ser repartida pela «troika». Quem não tem nada a ver com o assunto parece que é Portugal.

    ResponderEliminar
  10. Ludwig:

    Parece que consideras que a nossa produção é tudo menos um problema gravissimo.

    Também parece que não vez problemas em aumentar os salário sem ter dinheiro para os pagar.

    Por ultimo, parece que não vez necessidade em garantir que pagamos o que pedimos emprestado, já que a criotica que fazes ao FMI é precisamente que ele se preocupa em criar condições para que seja devolvido o que emprestou.

    Se tivesses dito que ele estava a pedir juros altos demais eu dizia-te que já ninguem nos quer fazer melhor. Mas como não disseste não falo nisso. Ops! Já falei! Adiante.

    Isso assusta-me uma beca. Já que para lá da necessidade de criar marcas para acrescentar valor aos nossos produtos, cabe antes de mais produzi-los. Sem produção, não há produtividade. E o problema começa aí. Por outro lado, não adiante fugir para o precepicio de produziro que ninguem quer.

    Acho este post um pouco mole. Não me satisfaz.

    ResponderEliminar
  11. Cristy,

    O meu problema não é com o que eles devem fazer. Percebo que estão a fazer o trabalho deles (se bem que não seja tão claro que o dinheiro do FMI e do BCE vem dos contribuintes, porque vem de bancos centrais que não são financiados directamente pelos impostos mas sim pelo privilégio de inventar o dinheiro que querem... acho que a coisa é mais complicada do que isso).

    E concordo que a culpa é de “Portugal”, em parte, se bem que Portugal não seja uma pessoa e me parece que a maioria dos afectados por isto não têm culpa nenhuma. Por outro lado, parece-me que a culpa também é dos outros países, na mesma medida em que foram negócios entre portugueses, alemães, gregos, irlandeses, espanhóis e americanos que deram neste lindo estado.

    Mas o que quero apontar aqui não é nada disso. É a treta com que nos vendem estas coisas da produtividade, da “ajuda” (como se emprestar dinheiro a 6% fosse ajuda, ou pedir emprestado para pagar empréstimos e ficar ainda mais endividado fosse uma saída sensata), da culpa que temos (pessoalmente, não vejo que culpa tenho desta situação que mereça uma multa de 200€ por mês, mais o que vem aí, e logo eu que nem votei no sócras :)

    O que me parece é que só faz sentido haver uma união económica e moeda única se houver união fiscal. Os impostos deviam ser da união europeia, e os países gerirem os seus orçamentos como regiões autónomas ou nem isso. E a melhor maneira de conseguir isso é admitir que este sistema económico não funciona. Era como ter Lisboa a exigir que cada terrinha mantivesse o seu défice sobre controlo e pagasse dívidas com juros à capital.

    ResponderEliminar
  12. Zurk,

    «Se para um agricultor Português com a mesma tecnologia que um Alemão, um produz metade que o outro, a produtividade do agricultor é metade, mesmo sem juntar o valor ecnómico.»

    Se um produz uma tonelada de batatas e o outro meia tonelada de batatas da mesma qualidade com os mesmos custos de gasóleo e tempo, concordo. Mas se um produz uma tonelada de batatas e outro meia tonelada de laranjas, já é difícil dizer qual o mais produtivo.

    Por isso os economistas traduzem tudo para euros. O que simplifica estas comparações mas resulta noutro problema: o de ambos produzirem uma tonelada de batatas da mesma qualidade, mas um viver num sítio onde a margem de lucro é o dobro e, por isso, ter o dobro da produtividade.

    O ponto principal é que a produtividade por hora de trabalho em cada país é calculada dividindo o PIB pelo número de horas de trabalho. É por isso um disparate apontar a produtividade, segundo esta definição, como causa do crescimento económico. É como apontar a distância entre a tua cabeça e os teus pés como a causa da tua altura...

    ResponderEliminar
  13. João,

    «Parece que consideras que a nossa produção é tudo menos um problema gravissimo.»

    Considero, em primeiro lugar, que para avaliar a gravidade do nosso problema de produção precisamos de uma medida da qual se possa inferir se é grave ou não. Uma medida que me diz que um astrólogo é vinte vezes mais produtivo que um agricultor é uma medida pouco adequada para dizer que o nosso problema é falta de produtividade. Será que ficávamos todos melhores se fossemos astrólogos?

    «Também parece que não vez problemas em aumentar os salário sem ter dinheiro para os pagar.»

    E achas que reduzindo os salários, e por isso o consumo, faz crescer a economia? É que se medimos a produtividade pelo PIB e reduzimos o PIB deliberadamente estamos a fazer muito pouco pela produtividade...

    «Por ultimo, parece que não vez necessidade em garantir que pagamos o que pedimos emprestado,»

    Primeiro, não é uma questão de pagarmos o que pedimos emprestado. O que eu pedi emprestado estou a pagar, e esforço-me por isso. Mas é questionável quanta responsabilidade é que eu tenho pelas PPP, pelos submarinos, pela compra do BPN (e o seu afundanço prévio), pelos dez mil milhões das SCUT e pelos empréstimos desastrosos contraídos por políticos em quem nem sequer votei. Por isso a ética da restruturação da dívida parece-me mais complexa do que querem fingir que é.

    Além disso, se a justificação para taxas de juro altas é o risco de default, parece-me que o sistema em si tem de admitir o default como uma opção legítima, pois de resto seria contraditório.

    «Já que para lá da necessidade de criar marcas para acrescentar valor aos nossos produtos, cabe antes de mais produzi-los.»

    Queres produzir sem pagar aos trabalhadores e sem que haja dinheiro para comprar o que produzes? Tens de me explicar melhor essa solução.

    Nota que a razão principal pela qual nos emprestaram tanto dinheiro, baixando as taxas de juros ao crédito privado nos últimos anos, foi para que os portugueses comprassem os produtos exportados pelos países que nos emprestavam o dinheiro...

    ResponderEliminar
  14. gaita, escrevi um resposta baita comprida e o blogue comeu-me o comentário :-(

    ResponderEliminar
  15. Bom, talvez sirva para me obrigar a sintetizar :-)

    Resumindo: concordo com tudo o que dizes. Menos a insinuação de que BCE, UE e FMI só estão a fim de fazer dinheiro às custas dos pobrezinhos gregos e portugueses.

    E aponta-se muito o dedo à Alemanha e a França por terem vendido submarinos e outras armas q.b. Esquece-se, claro, que as encomendas foram feitas a empresas privadas (pelo menos na Alemanha) por estados democráticos, aliados militares e membros da UE. O que é que berlim havia de fazer: Proibir a venda em contravemção de todas as leis internacionais alegando não querer fazer negócios com caloteiros? Adoraca ter visto a reacção de Portugal, isso sim.

    ResponderEliminar
  16. João,

    Concordo que dadas as circunstâncias em que nos puseram (*) podemos dizer que estamos perante um problema económico, com solução desejável nos termos e no âmbito da economia. No entanto parece-me muito perigoso confundir o âmbito da economia com o da política ou com outro qualquer, mesmo que essa confusão seja frequente. Portanto embirrei aqui:

    «Sem produção, não há produtividade.»

    Se o que sugeres é que devemos comprimir toda a realidade na fatia estreita do mercantilismo por ser disso que trata a economia... sugeres mal. Já agora, em política essa compressão chama-se tecnocracia e representa a demissão da própria política. E a tua afirmação é falsa. Vai um exemplo?

    Exemplo. Produtivo era acabar com a parvalheira do futebol e obrigar o povinho a procurar recreio noutras áreas de actividade.

    Custo estimado da operação: zero.

    Benefícios a curto prazo: execução fiscal dos clubes; destituição social da chuteira-dourada; melhor jornalismo.

    Benefícios a médio e longo prazo: dinamização de outros mercados internos potencialmente culturais; racionalização do “amor à camisola” com efeitos directos na relação eleitorado-partidos políticos; aumento da competitividade nacional.

    Vês? Produtividade sem produção. Competitividade sem rentabilidade.

    -------------------
    (*) For the record: não digo que os culpados sejam todos políticos e banqueiros. Digo é que eu não tenho culpa nenhuma nem pela dívida pública nem pela privada. Irrito-me sempre que oiço coisas do tipo “somos todos culpados” porque a mim presentearam-me com um problema que não fui eu que arranjei e ainda por cima nem morto teria votado numa das castas partidárias responsáveis por isto.

    ResponderEliminar
  17. O pior, o pior mesmo, é em Portugal ainda existir essas baboseiras:

    http://aparicaodelasalette.blogspot.com/2011/05/halo-solar-marca-o-13-de-maio-em-fatima.html

    Ah, e com o agravante de exportá-las!

    ResponderEliminar
  18. Bruce Lóse disse...é um Bruce Lee looser?
    nunca percebi

    “somos todos culpados” porque a mim presentearam-me com um problema que não fui eu que arranjei e ainda por cima nem morto teria votado numa das castas partidárias

    ora eu aforrador sem carro próprio nem telemóvel funcionante e alugador de quartos de pensões desde os 17
    tamém nã sou culpado de nada

    excepto de falta DE PONTARIA

    Ludwig Krippahl disse...
    João,


    Considero, em primeiro lugar, que para avaliar a gravidade do nosso problema de produção precisamos de uma medida da qual se possa inferir se é grave ou não.

    intervalos para o café aqlmoços que duram duas horas
    mail e blogues durante as horas de trabalho...resistência a mudanças que melhorem a eficiência dos serviços...enfim



    E achas que reduzindo os salários, e por isso o consumo, faz crescer a economia? nã mas reduz as importações


    É que se medimos a produtividade pelo PIB?? não leu nada do tal de azurk?



    Primeiro, não é uma questão de pagarmos o que pedimos emprestado. O que eu pedi emprestado estou a pagar, e esforço-me por isso.



    Mas é questionável quanta responsabilidade é que eu tenho pela compra de uma casa acima do valor de mercado actual....provavelmente acima dos 120mil euros e que agora em odivelas vão a leilão por 80 ou 90 mil

    pelos submarinos os submarinos são uma ínfima parte do custo do exército marinha e brigadeiros da força aérea,

    pelos dez mil milhões das SCUT que toda a gente aplaudia como os milhares de milhões da CRIL e do metro de lisboa que servem 2 milhões de grãs lisboetas


    Além disso, se a justificação para taxas de juro altas é o risco de default, parece-me que o sistema em si tem de admitir o default como uma opção legítima, pois de resto seria contraditório.
    provavelmente a longo praZO será historicamente só Salazar conseguiu amortizar a dívida

    em 37 anos só conseguimos que aumentasse poucochinho ou a 100 à hora



    Nota que a razão principal pela qual nos emprestaram tanto dinheiro, baixando as taxas de juros ao crédito privado nos últimos anos, foi para que os portugueses comprassem os produtos exportados pelos países que nos emprestavam o dinheiro...

    e não tinhamos opções de não comprar

    eu devolvi todos os cartões de crédito

    passarei o resto da minha vida activa no sub-emprego ou em biscates vÁRIOS

    E DIFICILMENTE terei pensão apesar de ter pago ao estado português inglês alemão norge e outros em impostos desde os 18 anos 250 a 300mil euros

    logo ó funcionário esse dinheiro melhorou as minhas expectativas de futuro?

    ResponderEliminar
  19. tenho direito ao menos a recebê-lo em subsídio de desemprego por enquanto

    quanto ao resto vocês e vossos filhos têm durante um longo prazo talvez 10 anos acesso a benesses que o comum dos mortais não tem

    capisce?

    no?
    num FA SOL

    ResponderEliminar
  20. «Bruce Lóse disse...é um Bruce Lee looser?
    nunca percebi
    »


    Pling a lot,

    Penso que quer dizer “Bruce Lee loser” :)

    Recordo-me de escolher Lóse com acento precisamente para não fazer com que o trocadilho com brucelose se transformasse num enxovalho internacional para o meu próprio avatar... "Lose" é que não! Além disso o acento em Lóse funciona quase como um preciosismo heráldico. Um elemento de charme, portanto.

    Já lá vão uns anos, agora que falo nisso...

    ResponderEliminar
  21. Mas estou um pouco farto. Não sei se mude para Tin O'Knee.

    ResponderEliminar
  22. Conheço em Portugal exemplos de empresas e explorações que produzem leite, ovos, milho,... com a maior produtividade do mundo.
    O problema são as médias.

    ResponderEliminar
  23. Ludwig,
    já para não falar que os portugueses só têm baixa 'produtividade' em Portugal. Em países como França, Alemanha e Luxemburgo, este último tem uma população portuguesa que ronda os 20%, já são produtivos. Pela lógica, só ganhavam em expulsar os lusos destas terras. Aumentavam ainda mais a produtividade.

    ResponderEliminar
  24. Pá, quando é que te mudas para um software de blogging a sério, que este farta de comer comentários, e, pior que isso, "limpa" sempre o comentário quando se tenta fazer um "back"... :)

    ResponderEliminar
  25. Nuno Gaspar disse...
    Conheço em Portugal exemplos de empresas e explorações que produzem leite, ovos, milho,... com a maior produtividade do mundo.
    O problema são as médias.

    milho só o regadio de elvas chegava às 16 toneladas de grão ou 40 de forragem por hectare

    ovos qualquer poedeira põe 260 a 280 ovos por ano até ir para reciclagem seja aqui seja na china

    leite....lamentavelmente não nos aproximamos das frísias holandesas

    com as nossas frísias andamos longe e os custos das rações e forragens são superiores aos holandeses

    até porque eles adubam os prados e as forragens com merde

    e nós aqui utilizamos esses fertilizantes para encher as albufeiras dos rios para dar blooms bacterianos

    mas se conhece conhece....

    ResponderEliminar
  26. Pela lógica, só ganhavam em expulsar os lusos destas terras. Aumentavam ainda mais a produtividade.

    E exportavamos trabalho em troca de divisas como fizemos durante séculos

    agora importar brasileiros e moldavas para fazerem os trabalhos que não queremos fazer não tem futuro

    o $ vai pró banco do Brasil ou da mafia moldava russo-ukraniana

    ResponderEliminar
  27. Cristy,

    A preocupação fundamental do BCE é receber o dinheiro que Portugal lhe deve, e evitar que Portugal deixe de pagar à Espanha, que também deve uma porrada de guito ao BCE, e assim por diante. O objectivo não é ganhar uns trocos à custa dos portugueses, mas é receber dinheiro. Ou seja, o que eles querem no final destas trocas todas é que Portugal tenha as dívidas saldadas, mais os 6% de juros anuais de sobretaxa.

    O que eu penso que não está claro para muita gente é que isto não é necessariamente do nosso interesse. Primeiro, não é prioritário para eles em que estado fica a economia de Portugal no final do processo. Desde que dê para pagar todas as dívidas, o resto é secundário. E não me parece que as medidas que estão a tomar para (tentar, ou fingir tentar) evitar a restruturação da dívida sejam do interesse da maioria dos portugueses. Restruturar a dívida é mau para o país e tal, mas pagar 23% de IVA na electricidade, perder um ordenado por ano com os congelamentos, pagar mais taxas na saúde, aumentos nos transportes com as privatizações e afins é capaz de ser pior do que uma restruturação parcial e controlada, que já contribuia muito para estabilizar o défice só por si.

    Este pacote de ajuda é para ajudar, principalmente, os bancos portugueses, espanhóis e o BCE.

    Quanto aos submarinos, é claro que isso é asneira dos compradores. Mas nota que, subjacente a estas asneiras estão as taxas de juros do BCE. Que, oficialmente, são independentes da vontade política seja de quem for mas que, na prática, tendem a favorecer as exportações da alemanha. E o grande problema em Portugal, que me parece andam a fingir que não é nada, é a enorme dívida privada que se acumulou como resultado mais ou menos indirecto dessas taxas de juro. Esse problema, duas vezes maior do que a dívida pública, só se agrava com estas medidas de austeridade. É impossível que todos paguem as dívidas ao mesmo tempo, com o Estado a cortar nas prestações sociais, as empresas a cortar nos salários e os particulares com uma data de dívidas para pagar. Isto assim dá bosta.

    ResponderEliminar
  28. Cristy e Miguel Sequeira,

    Comentários com mais que um parágrafo escrevo sempre num editor de texto, e depois faço copy-paste para aqui. Quanto a ser um software mau por comer comentários grandes, depende do ponto de vista ;)

    ResponderEliminar
  29. Nuno Gaspar,

    «O problema são as médias.»

    Eu diria que o problema é a medida em si. Compara, por exemplo, a produtividade de um professor primário ou de um médico num hospital público com o professor Bambo ou a Júlia Pinheiro. Se medes a produtividade pela diferença de preço entre inputs e outputs, as coisas mais importantes que a sociedade garanta a todos acabam por ter uma produtividade negativa...

    ResponderEliminar
  30. Ludwig,

    «não é prioritário para eles em que estado fica a economia de Portugal no final do processo. Desde que dê para pagar todas as dívidas, o resto é secundário.»

    Temos talvez do nosso lado a expectativa de preservação do euro... Se começam a desenfiar as contas do colar, começando pela Grécia ou por nós, não tenhas dúvidas que acaba tudo à chapada. Talvez seja a tímida expectativa financeira de que isso não aconteça que esteja a nosso favor. Vamos ver como fazem à Grécia...

    «uma restruturação parcial e controlada, que já contribuia muito para estabilizar o défice só por si.»

    Foi evidente desde o início. Apesar de não me agradar nada a ideia de o IGCP vaporizar os títulos de dívida parece-me que a melhor forma de evitar que isso aconteça no futuro é não inviabilizar ainda mais os compromissos do Estrado.

    E para esse efeito era muito produtivo trocarmos de governantes e de agiotas... Mas enfim. Somos todos culpados. Aliás, quem nunca violou uma empregada de hotel que atire a primeira pedra.

    ResponderEliminar
  31. Estimados ludwikings, onde vedes “Estrado” tende a bondade de ler Estado.

    ResponderEliminar
  32. é hora do software ir embora
    E é hora...



    é hora de afastar os maus vizinhos

    é hora de mudar de caminhos

    é hora de lançar ventos novos

    é hora de dar esperanças aos povos

    é hora de criar novos laços

    é hora de dar outros passos

    ResponderEliminar
  33. é hora de ler estrados

    onde estão estados

    de pensar em novos fados

    o resto é secundário

    como é básico

    o ensino primário

    é hora dos krippahlistas s'irem embora

    e de marcharem para fora

    alemães raus...

    alemães maus...

    ResponderEliminar
  34. "A preocupação fundamental do BCE é receber o dinheiro que Portugal lhe deve"

    E eu é que sou cínica? ;-)

    A preocupação fundamental do BCE é - ou devia ser - a estabilidade do euro. O governador francês, talvez pela tradição do seu país, não se conseguiu esquivar às pressões políticas, a anuiu à compra de títulos de tesouro gregos e portugueses, em contravenção aberta do Tratado de Maastricht. É aqui que começa o descalabro. Mas o dinheiro do BCE é dinheiro nosso, quer tu queiras, quer não :-)

    Mas acho que o objectivo principal do BCE seja ajudar os bancos. Reina o medo que um fracasso em cadeia de vários bancos europeus ponha fim ao euro e desencadeie uma recessão europeia de grandes dimensões. Não sei se é justificado ou não. Concordo plenamente que devia haver uma reconversão das dívidas grega e portuguesa, com a participação de investidores e credores privados. Até para ficarem prevenidos da próxima vez que caírem na tentação de especular.

    “Que, oficialmente, são independentes da vontade política seja de quem for mas que, na prática, tendem a favorecer as exportações da Alemanha”
    Taxas de juro baixas favorecem a exportação de todos os países da zona euro. E a Alemanha anda a pressionar o BCE para subir as taxas de juro por causa da ameaça de inflação. O BCE tem medo de subir as taxas de juro para não atrapalhar ainda mais Portugal e outros. As coisas não são tão simples assim. Mais: foram precisamente as taxas de juros baixas do BCE que abriram a Portugal possibilidades económicas nunca antes vistas. Mas não as souberam aproveitar, por exemplo, no fomento da exportação. Em vez disso, como dizes muito bem, tudo se endividou: estado, consumidores, empresas (o que é particularmente grave para a economia). A culpa é do BCE, dos alemães? Não me parece.

    ResponderEliminar
  35. Leia-se: Mas não acho que o objectivo

    ResponderEliminar
  36. Portugueses trabalham mais do que alemães e finlandeses

    Semana de trabalho lusa tem mais horas do que alemã ou finlandesa. Mas o que sai das empresas não tem o valor acrescentado de um BMW ou de um Nokia. Reside aqui a falta de competitividade portuguesa.

    [...]

    http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=19482

    ResponderEliminar
  37. COM cínica franqueza esta gente até em sokras acreditava se estivesse no
    http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=19482

    um alemão trabalha muitas horas extra tal como um operário português na Bayer ou na BMW se a Baviera é um caso particular

    todos os estados gastaram demais

    em que é que gastaram se calhar nunca se vai saber

    mesmo que a auditoria de Louçã fosse concretizada

    é uma europa gorda e pouco competitiva que se afunda é natural

    não ber isso é sere...

    ResponderEliminar
  38. Cristy,

    A culpa é sobretudo nossa, é certo. Mas achas que as linhas de crédito a Portugal foram abertas para quê? O que foi fomentado por estas bandas? O consumo de carros e gadgets. É claro que a Merkel não andou em Portugal de caçadeira a obrigar o pessoal a comprar A4's ou electrodomésticos alemães, mas creio que até ao descalabro era mais fácil conseguir um crédito para habitação ou consumo mais facilmente que um crédito para formares o teu negócio.

    E o que é brutal é que continua assim.

    ResponderEliminar
  39. Wyrm,

    concordo que era fácil demais conseguir esses créditos em Portugal, mas isso não tem rigorosamente nada a ver com a Alemanha, pois não? Não é em Berlim que se decide que tipo de crédito se coloca à disposição dos portugueses. Portugal é um estado soberano (ainda?), decide sozinho onde e como investe o seu dinheiro - infelizmente, ao que parece.
    De resto, se parece que estou a deitar as culpas todas para cima de Portugal, é um engano. A questão que se coloca, a meu ver, é muito mais fundamental: terá Portugal estado mesmo preparado para aderir ao euro, e, se não, porque é que isso não foi levado em consideração? O caso da Grécia é gritante, porque mesmo que eles tenham aldrabado as contas, a verdade é que isso era de conhecimento geral entre os responsáveis. E Portugal também teve umas histórias engraçadas de dados pouco fiáveis entregues a Bruxelas na era Guterres.
    Claro que sair agora do euro parece-me que seria a pior solução possível. Mas, a teu ver, o que se devia fazer então?
    Mais: A Alemanha conseguiu, juntamente com a França, no início da década, que os critérios de Maastricht fossem diluidos quando o seu défice disparou. É verdade que o governo seguinte foi a Bruxelas dizer que afinal tinha sido um erro enorme, só que o mal já estava feito: serviu de precedente a outros.

    ResponderEliminar
  40. Cristy,

    Tanto quanto sei, o dinheiro que o BCE empresta não é nosso em nenhum sentido. Não podemos mandar nele e não é dinheiro que lhe tivéssemos dado. O BCE empresta o dinheiro que quiser, porque é o BCE que controla a quantidade de euros que existe, quer pela impressão de notas, 'repos' ou outros empréstimos aos bancos (cujo colateral, muitas vezes, são os empréstimos desses bancos a outros bancos, essa tal espiral perigosa se falha em algum lado...).

    Parece-me mais correcto dizer que nós usamos o dinheiro do BCE, no sentido de ser o dinheiro que o BCE inventa. O BCE, por seu lado, não precisa do nosso dinheiro para nada, pois pode inventar quanto quiser...

    «Taxas de juro baixas favorecem a exportação de todos os países da zona euro.»

    Favorecem mais os que exportam automóveis do que os que exportam rolhas de cortiça. E têm também um impacto no endividamento daqueles que têm um nível de vida mais baixo. As assimetrias na distribuição de riqueza pressionam os que vivem pior a tentar emular os que vivem melhor. Se fosse tudo no mesmo país, o efeito era somado e as prestações sociais contribuiriam para reduzir essas diferenças. Mas quando separamos os mais ricos num país e os mais pobres noutro, o efeito é que no país onde o endividamento aumenta diminui a receita fiscal e as prestações, enquanto se passa o contrário no outro.

    «A culpa é do BCE, dos alemães? Não me parece.»

    A culpa é de muita gente. Políticos, banqueiros, especuladores, empresários, e até de muitos consumidores irresponsáveis. Mas também me parece claro que muitos dos que se vão lixar não têm culpa. Nem os pensionistas que terão as reformas congeladas, nem os que compraram casa e que agora não conseguem pagar porque lhes cortam os ordenados e aumentam juros e impostos, para não falar dos muitos que conseguem pagar as dívidas mas que levam por tabela.

    Mas o mais importante nisto não é tanto a culpa (se bem que alguns políticos deviam ir presos; era justo e um bom dissuasor). É perceber que estas coisas da produtividade, ajuda, resgate e afins são termos enganadores. O que o BCE e o FMI estão a fazer é um empréstimo bancário, que não tem nada que ver com o que fazem os bombeiros quando tiram pessoas de uma casa a arder. As diferenças de produtividade são função, principalmente, das diferenças na distribuição dos euros. Quando se divide euros por horas de trabalho não é surpresa que o resultado seja maior onde há mais euros.

    ResponderEliminar
  41. «Mas, a teu ver, o que se devia fazer então?»

    A meu ver, o que se devia fazer era ter uma união fiscal além de económica. É a única maneira de lidar com as diferenças económicas que provocam estes problemas. Nota que esta crise de dívida de Portugal, Grécia e Irlanda que ameaça a UE é de uns 5-7% do PIB da UE. Se o orçamento de Estado europeu fosse unificado isto nem era notícia.

    ResponderEliminar
  42. «De resto, se parece que estou a deitar as culpas todas para cima de Portugal, é um engano. A questão que se coloca, a meu ver, é muito mais fundamental: terá Portugal estado mesmo preparado para aderir ao euro, e, se não, porque é que isso não foi levado em consideração?»

    As condições para aderir à moeda única foram estabelecidas em função de indicadores económicos e financeiros. Mas isso foi há muitos anos...

    A mim parece-me ser outra a “questão fundamental” para Portugal no euro. É que, basicamente, os agentes com capacidade para congregar investimento apaixonaram-se pela construção civil e ponto final. Desde os edifícios Cum Caneco até às grandes obras públicas, foi como uma corrida ao ouro que só ainda não deu em bolha porque é o Estado que paga uma boa parte delas. Por isso o que vemos hoje no nosso país (e devemos ter em conta em vez de avaliar as condições de partida) é que o grande empreendedorismo das últimas décadas está vertido em asfalto e cimento com o aval dos sucessivos governos. Aqui jaz, portanto, a iniciativa privada e os investimentos públicos que era suposto fazerem-nos ombrear com os outros países da zona euro após a [pipa de massa + integração].

    E apesar da cassete das exportações e da tecnologia, aposto que no PS continuam mortinhos por dar continuidade a esta receita de crescimento económico... desde que o ordenado dos trolhas (com ou sem licenciatura) se mantenha “competitivo”, claro. A parte que resta do empreendedorismo com peso na economia é a que está neste momento a escavar o túnel na direcção do serviço nacional de saúde e de alguns monopólios que, por magia, parecem encantar os tubarões do mercado livre.


    Agora que já opinei abundantemente quero fazer uma pergunta :)

    «Parece-me mais correcto dizer que nós usamos o dinheiro do BCE, no sentido de ser o dinheiro que o BCE inventa.»

    Mas o fundo europeu de estabilidade não tem que emitir obrigações antes de enviar a massa para o país em estado crítico? Ou seja. O dinheiro é “inventado” nas prensas ou é angariado entre países credores? Estou mesmo a nadar.

    ResponderEliminar
  43. Bruce,

    Eu também não percebo muito disto, e até me parece que estas coisas são deliberadamente obscuras. É como ter vidros foscos nas fábricas de salsichas. Mas a ideia que tenho é esta:

    Um banco empresta dinheiro a muita gente e precisa de 'liquidez' (guito) para emprestar mais. Vai ao BCE e vende-lhe as dívidas em repurchasing contracts, pelos quais o banco se compromete a comprar de volta essa dívida ao fim de uns meses. O BCE cobra uma taxa pela operação, que é a tal taxa de juro (entre outras coisas). Agora o banco tem mais dinheiro para emprestar, mais dívidas para vender ao BCE, e a coisa incha tanto quanto o permitir a taxa que o BCE cobra.

    Mas de onde, perguntas tu, vem o dinheiro com o qual o BCE compra essas dívidas? Tanto quanto sei, fazem abracadabra e sai da cartola. O BCE tem tanto dinheiro quanto o BCE diga que tem, porque é essa basicamente a definição do euro...

    (Nota: A EFSF não faz parte do BCE; é outro bicho estranho...)

    ResponderEliminar
  44. Este assunto está a ser discutido também nestes sítios:

    http://adoutaignorancia.blogs.sapo.pt/197151.html

    http://ventosueste.blogspot.com/2011/05/re-produtividade.html

    ResponderEliminar
  45. "A meu ver, o que se devia fazer era ter uma união fiscal além de económica"

    Completamente de acordo (acho que me estou a repetir). Mas não a temos e parece-me que não vamos tê-la por algum tempo. Até lá, abandona-se Portugal à sua sorte?

    ResponderEliminar
  46. "As condições para aderir à moeda única foram estabelecidas em função de indicadores económicos e financeiros. Mas isso foi há muitos anos..."

    Exactamente. E se tivessem feito bem as contas, chegariam à conclusão que Portugal não tinha condições. mas aí ofendiam-se os tugas imenso - basta ver a reacção idiota a afirmações (igualmente idiotas, convenhamos) da Merkel dirigidas aos eleitor alemão.

    E sim, é o que eu estou a dizer: os investimentos em Portugal obedeceram a critérios que nada têm a ver com a procura de uma melhoria de vida para a colectividade.

    E - Ludi - tanto quanto sei, o BCE não inventa dinheiro nem tem o direito de imprimir as notas que lhe aprouver.

    ResponderEliminar
  47. Ah, é verdade, e continuo a manter que o dinheiro do BCE é nosso: o capital de base que lhe permite fazer todo o tipo de operações de refinanciamento foi lá depositado pelos bancos cetrais nacionais cujo dinheiro é nosso.

    ResponderEliminar
  48. Cristy,

    Vê, por exemplo, aqui:

    «[CEB] has a subscribed capital of almost 5.8 billion euros compared to a balance sheet of 138 billion euros, according to its latest annual report.

    All 27 of the European Union's national central banks contribute to the ECB's capital. The 16 countries already using the euro make up 70 percent with other EU members -- including Britain and Denmark which have opt-outs -- making up the rest.»


    Ou seja, com menos de 6 mil milhões de capital, eles emprestam 138 mil milhões. Isto é como os bancos funcionam. Por isso, mesmo que esses 6 mil milhões fossem nossos (e são dados pelos bancos centrais, cujo dinheiro não é propriamente nosso) a grande maioria é dinheiro inventado.

    ResponderEliminar
  49. Ludwig:

    "Será que ficávamos todos melhores se fossemos astrólogos?"

    Do ponto de vista economico se tivessemos quem comprasse esse serviço, era bom. A minha objecção é por outras razões. Por isso não creio pertinente essa deixa.

    "E achas que reduzindo os salários, e por isso o consumo, faz crescer a economia?"

    Sim, não tenho dúvidas a esse respeito. Preferia no entanto tentar outra solução.

    "Por isso a ética da restruturação da dívida parece-me mais complexa do que querem fingir que é."

    Não podes só querer ser português espanhol ou etiope (seja o que for) só para as coisas boas. Infelizmente os erros de más gestão pagamos todos. Mas temos mesmo de pagar todos. O que esta errado é não haver juizo na cabeça de quem vota para julgar e mandar para casa quem faz borrada. TAmbem podes imigrar e rescindir a nacionalidade claro. Mas ter o melhor dos dois mundos? Não me parece qeu seja jussto. Uma coisa era certa. Não dava para todos.

    "o sistema em si tem de admitir o default como uma opção legítima"

    E considera. Tu é que nã queres. Porque depois ainda confiam menos em ti e não arranjar maneira de financiares investimento.

    "Queres produzir sem pagar aos trabalhadores e sem que haja dinheiro para comprar o que produzes? Tens de me explicar melhor essa solução."

    Eu? Tu é que queres pagar-lhes sem ter dinheiro. Eu estou preocupado em ter dinehrio para lhes pagar. Tu é que tens de explicar como fazes para ter dinheiro sem produzir coisas ou serviços que possam servir para troca (através da transformação em dinheiro.

    Acho que o problema é que tu pensas que podemos não participar das trocas internarcionais. Fechar a fronteira para não deixar escapar nada, deixar de pagar o qeu devemos e depois vivemos do que produzimos.

    MAs não produzimos o suficiente para os 10 milhões!!!! Nem em comida. Já para não falar em carros, autocarros, caterpillers, frigorificos, etc.

    " foi para que os portugueses comprassem os produtos exportados pelos países que nos emprestavam o dinheiro... "

    ok, desenvolve esse tema e vai ver aonde leva. A falta de produção e competitividade.

    ResponderEliminar
  50. Bruce:

    Achei a tua refutação fraca embora formalmente correta. Quero dizer, tenta perceber o que é assumido nas argumentações dos outros.

    Eu não quero dizer que nenhuma produtividade se pode aumentar sem aumentar a produção. Que é o que o teu contra-argumento sugere.

    Agora experimenta aumentar consistentemente a produtividade apenas cortando pontos de entropia. Vai melhorar. Mas não vai passar de um determinadio patamar.

    Agora nota que não podes reduzir pontos de entropia para criar produtividade se à partida não tiveres nenhuma ou muito pouca. Porque esse patamar vai aparecer muito cedo. Algures vais ter de começar a produzir.

    ResponderEliminar
  51. Ludi,

    acho que os teus números estão ultrapassados, o ano passado o BCE aumentou a capitalização para quase 12 mil milhões. Eu confesso que percebo pouco de finanças, mas parece-me que esse é o mesmo sistema como funciona todos os bancos: com um capital de base como garantia (por isso o FMI quer que os bancos portugueses aumentem o seu, não é?). E também já li que o balance sheet do BCE está nos biliões, mas sem preceber muito bem como, apesar da notícia ter sido dada pela bloomberg, que costuma explicar as coisas como deve ser. Mas era a mesma notícia que previa uma crise de confiança global no euro para este ano, porém, o que se vê é que o euro está mais estável e sólido do que nunca, que é precisamente para o que foi inventado o BCE. Alguma coisa eles fazem bem, então? Não sei, ultrapassa-me.

    Tudo isto não responde, claro, à minha pergunta principal: o que fazer para ajudar Portugal agora, nas presentes circunstâncias, se não for emprestando dinheiro para se ir aguentando? Dou de barato que vem aí a inevitável reconversão da dívida, mas não penso que isso vá melhorar instantaneamente a qualidade de vida dos portugueses. E é essa, afinal, a questão.

    ResponderEliminar
  52. Cristy,

    Sim, o BCE funciona como outros bancos. Por exemplo, o Banco de Portugal exige que os bancos de cá tenham um capital de pelo menos cerca de 8% do seu volume de negócios. Isto quer dizer que com 8 mil milhões podem emprestar 100 mil milhões. O BCE faz o mesmo. Portanto, o “nosso” dinheiro é apenas uma pequena percentagem de garantia. O dinheiro que o BCE empresta (tal como os outros bancos) é principalmente inventado pelo BCE. E também me parece que têm cumprido bem a tarefa de manter o euro estável, se bem que não sei se essa é a melhor ideia nesta altura (se mantém o euro estável até se desintegrar, por exemplo... :)

    Quanto à tua pergunta principal, a resposta é a mesma: restruturar a dívida. Portugal não precisa de dinheiro para se “ir aguentando”. Essa parte é treta. O dinheiro é preciso para pagar aos credores dentro dos prazos estabelecidos e com as taxas de juro elevadas que os governos anteriores negociaram. E pedir mais dinheiro emprestado com taxas de juro que Portugal não pode suportar não é ajuda nenhuma. É apenas aumentar uns palmos de rastilho e juntar mais umas barras de dinamite.

    E nem vejo a questão como sendo formas de melhorar a qualidade de vida dos portugueses. O que me preocupa, neste momento, são as medidas que pioram essa qualidade de vida sem proveito nenhum, por apenas adiar, com agravo, o inevitável.

    ResponderEliminar
  53. «Do ponto de vista economico se tivessemos quem comprasse esse serviço, era bom. A minha objecção é por outras razões.»

    Exacto. Penso que estás no bom caminho para descobrir que o ponto de vista económico não é o ideal para procurar o bom. Dá-nos uns números. Se isso é bom, mau ou meh temos de ser nós a decidir.

    «Infelizmente os erros de más gestão pagamos todos.»

    Se por todos se inclui devedores e credores, então deve haver uma restruturação da dívida.

    «Tu é que queres pagar-lhes sem ter dinheiro.»

    O problema financeiro de Portugal não é falta de dinheiro para salários. É um amontoado de empréstimos negociados de forma incompetente e mesmo corrupta, um problema que já vem de longe. E as medidas de austeridade que agora vão ser tomadas serão para obter novos empréstimos a taxas de juro isustentáveis. Por exemplo, uma união fiscal europeia bastaria para baixar todas as taxas de juro para pouco mais de metade do que nos vai fazer o FMI e o BCE.

    «Acho que o problema é que tu pensas que podemos não participar das trocas internarcionais. Fechar a fronteira para não deixar escapar nada, deixar de pagar o qeu devemos e depois vivemos do que produzimos.»

    Acho que o problema é que andas a confundir um bocado o que eu defendo... :) A minha posição é precisamente a contrária. Nós somos uma de muitas províncias da Europa. A união económica exige uma união fiscal, porque sem isso era como penalizar Trás-os-Montes com impostos e leis laborais diferentes para que equilibrassem a balança de pagamentos com o resto de Portugal, ou algo do género.

    ResponderEliminar
  54. «o que fazer para ajudar Portugal agora, nas presentes circunstâncias, se não for emprestando dinheiro para se ir aguentando?»

    O que é que vocês acham de vender a Madeira à Liga Árabe?

    (pergunta séria)

    ResponderEliminar
  55. Ludwig:

    Acho que os credores se safam se não forem portugueses. A unica coisa que fizeram de errado foi emprestar-nos dinheiro. E não é por causa deles que me preocupo. É por nossa causa. É a nossa credibilidade e fiabilidade que fica em causa. Não me ralo mais com eles do que conosco como é obvio. É justo pagar. Mas além disso temos de manter um papel consiste no mercado internacional se queremos participar nele.

    Se quiseres culpar a UE pelo sacrificio de determinados sectores portugueses em nome de um plano comum e de uma má (nenhuma? - foi como dar dinheiro a um adolescente e dizer "safa-te, tem de dar para a velhice também...") das verbas que recebemos para integração na europa, acho que tens caso. Mas a defesa também.

    "O problema financeiro de Portugal não é falta de dinheiro para salários. "

    Mas olha que eu li várias noticias em que se falava de não haver dinheiro para pagar os salarios da função publica.

    E esta de acordo com a informação de defice nos cofres do estado.

    Estou de acordo com a questão da harmonização fiscal.

    Mas repara que isso é menos um mecanismo para conseguirmos controlar problemas de defices publicos. Ainda podemos e devemos taxar mais os ricos, já que te dou razão naquela discussão anterior, porque descobri que os nossos ricos ainda participam menos do "bem comum" que os ricos americanos.

    Talvez ainda não tenha percebido o teu ponto de vista. Mas parece-me que qualquer defesa que faças de reestruturar a divida tem de passar por mostrar que podemos safarnos com o que temos caso o mercado nos feche as portas (coisa que está a fazer - por isso precisamos do FMI)

    Se me disseres que vais investir esse dinheiro que não devolves para criar postos de produção alimentar, tecnologica,etc e que depois vamos viver deles... Eu tenho as minhas duvidas que vá funcionar.

    ResponderEliminar
  56. "O que é que vocês acham de vender a Madeira à Liga Árabe?"

    Acho mal. E o povo que lá está devia ter uma palavra a dizer. Não creio que queiram.

    Mal por mal e se é a sério, preferia vender os açores aos americanos por uma batelada de massa (ou seja, apenas se fosse bem vendido, tipo o suficiente para pagarmos 10 vezes o que pedimos emprestado ao FMI e ainda com acordos de parcerias tecnologicas). Para ja o povo que lá está ia beneficiar. E depois podia muito bem ser uma ponte de ligação àos eua que ainda é o pais mais importante do mundo.

    ResponderEliminar
  57. João,

    Eu perguntei “a sério” mas não era assim tããããoo a sério :)

    Peço desculpa pela confusão. (se bem que não me pareça mais absurdo vender a Madeira aos marroquinos do que os Açores aos americanos... e se há coisa que não altera um indicador económico são as cores da bandeira)

    ResponderEliminar

Se quiser filtrar algum ou alguns comentadores consulte este post.