quarta-feira, novembro 24, 2010

Porque fiz greve.

Por um lado, acho mal que o Estado altere unilateralmente o contrato de trabalho de uma data de gente, reduzindo os ordenados sem o acordo dos visados. Mas, por outro, a forma como o fez até seria justa, tirando apenas aos que ganham mais, se não fossem as excepções à CGD e afins (1). Por um lado, sou contra o aumento de impostos como o IVA, um castigo adicional aos mais aflitos. Mas, por outro, sou a favor do aumento do IRS. É preciso dinheiro para pagar as dívidas do Estado, e os impostos são a fonte mais justa para isso.

E se, por um lado, sou contra que cortem em coisas como serviços de saúde, segurança social e educação, só para não aumentarem os impostos de quem os pode pagar, por outro lado sei que a greve não adianta de nada. A maior parte dos eleitores já comprou a camisola do seu partido e não quer perder o investimento. Nas próximas eleições, os do PS vão votar no PS, os do PSD no PSD, e ninguém vai querer saber das asneiras que fizeram. Os indecisos chegam apenas para não se saber qual deles vai ficar à frente, mas os ratos vão acabar governados ou pelo gato branco ou pelo gato preto.

A razão pela qual fiz greve é que não há Metro, nem comboios, nem uma data de outros transportes. Além de ter de ir de véspera para a faculdade, mesmo assim não adiantava porque não ia ter alunos. E se, por um lado, tenho pena que o direito à greve não inclua o direito de não a fazer, por outro lado compreendo que não se pode ter tudo.

Assim, manifesto-me solidário com os meus colegas da função pública, e com todos os portugueses, contribuindo este dia de ordenado (e subsídio de refeição) para a redução do défice nacional.

1- Jornal de Negócios, PS aprova excepção aos cortes salariais à medida da Caixa e BdP

41 comentários:

  1. A maior parte dos eleitores já comprou a camisola do seu partido e não quer perder o investimento.

    pode ser que não, eu por exemplo estou muito atento a ver para onde pende o meu voto. Desde sempre votei no mesmo partido porque acredito sinceramente ser a melhor relação custo/benefício em relação aos princípios que valorizo.
    No entanto e face ao problema bicudo em que parece que nos meteram ( banca principalmente ) acho que votar em partidos que nunca chegarão ao poder pode ter um efeito curioso.

    Aliás é importante ver que em cerca de 30 anos o centro ( PSD + PS ) está a começar a não ser tão hegemónico.
    Nestas prevê-se 66% para o centrão contra 76% em 99, 77 em 2003,e 73 em 2005.
    Existe uma tendência de aumento do peso de partidos mais alternativos e isso é bom.
    Para mim está a surgir a necessidade de aparecimento de um partido de direita que re-defina o papel desta. Até agora só temos o populismo barato do PP e uma salda de fruta do psd.

    A ver vamos, mas não acho que as coisas fiquem na mesma muito menos que as pessoas fiquem indiferentes às mudanças que vão ocorrer. porque se ficarem são mesmo estúpidas. Esta última conclusão deve fazer pensar sobre a nossa capacidade enquanto espécie :D

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  2. Porque não fiz greve.

    Por um lado, acho mal que o Estado altere unilateralmente os certificados de aforro e peça emprestado a 4%, e até a 4,35%/anualizado ou seja com juros compostos pagar quase 50% a 10 anos é muito
    Mas também percebo que todos os Isaltinos e soaristas têm contas nas suiças e portanto esses milhares de milhões já não voltam para cá

    Mas, por outro, importamos todos os equipamentos médicos e uns 6mil milhões em medicamentos
    e radioisótopos que há uns anos eram extraídos na Urgeiriça à custa da diminuição da expectativa de vida dos mineiros.
    Há tratamentos em que milhares de pessoas
    custam 500 a 600 euros por semana
    com o envelhecimento da população e o aumento da sobrevida

    estes custos médicos aumentarão até serem incomportáveis

    não se pode despedir os administradores porque as indeminizações são astronómicas

    a greve apenas tirou mais um bocadinho da produtividade já fraca do país

    hoje fui no comboio da fertagus
    o resto esteve parado cerca de 100 pessoas durante 30 kilómetros ao invés das 600 que normalmente vão

    muitos simplesmente assinaram o livro de ponto
    no dia anterior e não apareceram
    outros sacrificaram 40 a 50 euros
    80 euros nalguns casos
    os chefes de estação e os maquinistas e mestres das embarcações mais de 100 euros
    foi barato perderão 300 se o corte for avante

    e se não for voltamos a 77 com ameaças de não pagamento ao funcionalismo

    ou a 75 com gajos a levantarem notas de D.Maria II aos maços e os mais pobrezitos a tirarem os Camilos e as notas do santo antónio

    pois para quem nasceu na crise do Suez
    isso nada quer dizer


    Por um lado, sou contra o aumento de impostos como o IVA,

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  3. Há uns meses atrás a revista The Economist (por sinal muito racionalista e secularizada, mas muito boa de um modo geral) tinha um interessante artigo sugerindo que este tipo de crise económica que atravessamos hoje poderia ter sido evitada se tivessem sido utilizadas as técnicas de gestão contra-cíclica de José do Egipto, filho de Jacó, tal como mencionado em Génesis.

    Será que os princípios de uma boa gestão económica também estão em Génesis?...

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  4. L:

    Estou de acordo com tudo o que dizes.

    Penso no entanto que o valor dos indecisos é relevante. O problema é que estes, de um modo geral, têm tendencia a votar duas vezes no mesmo e mudar na terceira votação, maquinalmente. Por isso se eu tiver de apostar digo que vai ganhar o psd nas proximas eleições e nas seguintes também. Altura em que o PS volta ao poder. É preciso um acontecimento extraordinário, como o que tirou o psd do governo apos uns meses de Santana Lopes, para este ciclo não se cumprir. E não sao os da camisola que o executam. São os indecisos e os livre-pensadores que se calhar não são tão livres como pensam.

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  5. É preciso um acontecimento extraordinário, como o que tirou o psd do governo apos uns meses de Santana Lopes....e qual foi esse acontecimento extraordinaire

    o dito Santana nem melhor nem pior era que o Soares pai & filhos inc.
    nem que o Sókras actuelle

    teve azar de estar no caminho da reeleição do Cavaco
    e da saída barrosista sem eleições partidárias e gerais que o legitimassem

    obviamente em termos de despesa seria provavelmente pior

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  6. "tenho pena que o direito à greve não inclua o direito de não a fazer"
    Quanto a isso, Ludwig, pode ter a certeza de que a lei da greve prevê explicitamente o direito ao acesso ao local de trabalho por parte dos trabalhadores não-grevistas.

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  7. novomundo,

    No entanto, a decisão do tribunal, segundo o que li, foi que os serviços mínimos no Metropolitano de Lisboa incluiam apenas o necessário para garantir que o material não se deteriorava e não o necessário para garantir que as pessoas conseguem chegar ao local de trabalho. O mesmo para os outros transportes, presumo...

    O problema é que vivemos numa sociedade onde as nossas actividades estão tão inter-relacionadas que muitas vezes não é possível a uns trabalhar quando os outros não o fazem.

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  8. hirodito:

    A incompetencia do S.L. nada tem a ver com a queda do governo PSD. Muito mais ja fez e disse o Socrates sem consequencias.

    Começou com uma inquietação muito grande entre povo e media, e um mau presidente que fez cair o governo na pior altura. Foi uma medida popular mas errada. Fez com que no espaço de 4 anos tivessemos 4 governos (guterres, barroso 2 anos, SL 6 meses, inicio de Socrates.) Devia ter tentado estabilizar um governo e impedir a debanda de fugitivos em vez de correr com os que já la estão - Santana Lopes não foi impedido de assumir o cargo, e era logo aí que ou fazia ou não fazia.

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  9. «os serviços mínimos no Metropolitano de Lisboa incluiam apenas o necessário para garantir que o material não se deteriorava e não o necessário para garantir que as pessoas conseguem chegar ao local de trabalho.»

    Ludwig,

    Falas como se nunca tivesses andado de automóvel... Por isso tenho cá para mim que fizeste greve porque fizeste greve, e mái nada :)

    E estou satisfeito porque - a não ser que estejas a tomar os feitores do défice por autênticos calhaus em vez de falsos calhaus - uma greve geral serve sempre para alguma coisa.

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  10. "Será que os princípios de uma boa gestão económica também estão em Génesis?..."

    Santa Ignorância Batman hahahahaha

    Mas pensando bem talvez esteja. Quando nego estiver fazendo merda, vamos afogar todo mundo, como no Gênesis.

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  11. uma boa gestão económica também estão na bíblia

    e a inflação e os casamentos homossexuais prosperavam em sodoma e gomorra
    e deus disse se houver um banqueiro homosexual justo
    eu não....e o resto é história

    Assim, manifesto-me solidário com os meus colegas da função pública e com todos os portugueses, ao mesmo tempo não dá...eu cá não me importava de ficar com o trabalho da função púbica
    isso da solidariedade com os desempregados, hoje estou solidário vamos fazer o mesmo que vós





    contribuindo este dia de ordenado (e subsídio de refeição) para a redução do défice nacional

    e os prejuizos a 36mil milhões de impostos anuais um dia sem cobrança em 220 de trabalho dá uns 150 e talç milhões

    idem nas cobranças por processo judicial que estyão paradas

    foi cá uma ajuda para as empresas que pode m declarar mais 1/220 de prejuízos foi 0,5% do PIB que foi ao ar?
    foi menos?

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  12. O LUDWIG E A RETINA INVERTIDA: PSEUDO-CIÊNCIA DESACTUALIZADA! NÃO HÁ MAIOR CEGO DO QUE AQUELE QUE NÃO QUER VER!

    A ideia de que os olhos têm a retina virada ao contrário, sendo evidência de mau design, é absurda, pelos seguintes motivos.

    A retina é uma maravilha de design, responsável pela formação de imagens, ou seja, pelo sentido da visão. Ela tem sido comparada a uma tela onde se projectam as imagens: retém as imagens e as traduz para o cérebro através de impulsos eléctricos enviados pelo nervo óptico.

    Os cientistas estimam que dentro de cada retina há cerca de 120 milhões de foto-receptores (cones e bastonetes) que libertam moléculas neurotransmissoras a uma taxa que é máxima na escuridão e diminui, de um modo proporcional (logarítmico), com o aumento da intensidade luminosa.

    Esse sinal é transmitido depois à cadeia de células bipolares e células ganglionares.

    Graças à retina, o olho, tal como uma câmara de vídeo altamente sofisticada, dispõe de uma camada sensível à luz que permite o ajustamento à diferente intensidade de luminosidade.

    No entanto, diferentemente do que sucede com uma câmara, a retina pode mudar automaticamente a sua sensividade à luz num arco de 10 mil milhões para um.

    As células foto-receptoras da conseguem detectar luz com uma intensidade tão diferente com a da neve iluminada pelo sol ou um simples fotão (a mais pequena unidade de luz).

    Além disso, o olho humano tem a capacidade de auto-reparação, diferentemente do que sucede com as câmaras de vídeo.

    Tudo, evidentemente, dependente de informação codificada no genoma, por sinal altamente complexa e especificada.

    A inversão da retina nos vertebrados assegura a sua protecção, atrás de uma camada de nervos e outras células, contra os efeitos nocivos da luz, especialmente em ondas curtas, e do calor gerado pela focagem da luz.

    Além disso, graças à inversão da retina as células foto-receptoras estão directamente em contacto com os necessários nutrientes.

    Por outro lado, o globo ocular cobre uma parte da retina exposta à luz optimizando a capacidade de captar os fotões necessários à formação da imagem, optimizando a respectiva resolução.

    Longe de considerarem evidência de mau design, os cientistas reconhecem hoje que a retina obedece a princípios de optimização.


    A evidência científica mostra que existe espaço suficiente no olho para todos os neurónios e sinapses e tudo mais, e que ainda assim as células Müller podem captar e transmitir tanta luz quanto possível, num complexo e sofisticadíssimo sistema de fibras ópticas existentes no olho humano.

    Este, entre outras coisas, tem um sistema de “steady shot” e visão a cores.

    O olho humano depende, além disso, de uma complexa organização cerebral, através de uma divisão por compartimentos sensíveis a diferentes cores e orientações.

    Uma coisa é certa.

    O Ludwig está cientificamente desactualizado.

    Quem tem pretensões de ser um especialista em pensamento crítico não pode aceitar o que lhe dizem de forma tão acrítica.

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  13. Bruce,

    Tirei a carta há uns dez anos mas só conduzi uma vez depois de ter passado o exame. Seja como for, não vale muito a pena ir dar aulas se os alunos não podem vir.

    «uma greve geral serve sempre para alguma coisa.»

    A questão não é se serve para "alguma coisa". A questão relevante é se os benefícios que daí se aufere compensam os custos para milhões de pessoas. Não digo apenas custos financeiros, como perder um dia de ordenado por não ter transportes. Digo também ficar sem uma aula na semana de entrega de um trabalho, ficar sem a consulta que estava marcada há dois meses, ou a viagem que já estava planeada e paga, e assim por diante. Multiplicando estes inconvenientes por vários milhões de pessoas tem-se um custo provavelmente muito maior do que os benefícios de revisão orçamental ou combate à corrupção que nos virão desta "grande vitória" que foi a greve geral...

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  14. Ludwig,

    Ao dizer que uma greve geral serve para alguma coisa estou sobretudo a obstar à tua indicação de que não serve para nada, pois também acho que o resultado desta greve, que ainda por cima não foi assim muito geral, não totaliza uma factura política suficiente para nos livrar de vez dos partidos “moderados” (na nomenclatura do Jota). Partidos que sabem muito bem que isto é só uma questão de assobiar para o lado já que o descontentamento de uma consciência colectiva intermitente só pode ser, também ele, intermitente...

    Mas parece-me que há sempre um ganho quando se materializa no público, ainda que esporadicamente, a relação causa-efeito entre a actualidade política e a vidinha dessa população descontente que os políticos sempre preferem manter longe da vista. Penso que os dias como os de ontem representam um pequeno passo da aprendizagem colectiva que conduz, no limite, à verdadeira representatividade democrática.

    Voltando à vaca fria das manifestações com vidros partidos, eu continuo 110% convencido de que o mais importante é que exista um ecossistema de opinião activo que torne as pessoas cúmplices de uma avaliação, de uma opção com compromisso mesmo que uma vara de maluquinhos decida destruir paragens de autocarro, por serem uma franja inevitável nos ecossistemas de opinião activos. Era isso que eu gostava de ver na rua tal como nas urnas. Mas suspeito que a próxima vez que o pessoal se mobilizar será por causa da bola em vez da política e não hesitará em entregar o próximo governo aos gangsters do costume. Mesmo que pelo caminho destruam algumas paragens de autocarro, neste caso apenas por espírito desportivo.

    (já agora, eu também evito conduzir. E comparado com o carro da minha mulher o meu parece um papa-reformas)

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  15. RESPOSTA AO PERSPECTIVA:

    Hás de explicar como é que ter um ponto cego no centro do campo de visão é bom desenho. E tambem não explicas-te como é que ter a imagem invertida dando ao cerebro o trabalho de a "por no lugar" é sinal de bom desenho.

    É que a questão está longe de ser se há coisas que poderiam ser classificadas como bom desenho no olho, mas sim se tem coisas que denunciam a existemcia de um plano.

    Por outro lado explica-me porque so vemos tres cores primarias quando a "criação" permite a outros animais verem mais cores? Ou verem muito melhor no escuro? Claro que se disseres que é porque deus não quis não estas a explicar nada.

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  16. Ludwig:

    "Tirei a carta há uns dez anos mas só conduzi uma vez depois de ter passado o exame"

    Sinceramente sempre fui apologista de substituir os transportes publicos pelos privados. Aumentar as frotas, aumentar as faixas BUS, etc. Aliás creio mesmo que não há outra alternativa para o futuro e fugir a isso é estupido.

    Mas no estado actual das coisas não sei como consegues. Olha que dá um geitão. Se fosse a ti praticava de vez em quando. Existem muito bons simuladores na net (e um para linux - o torque) para te agarrares antes de voltares à estrada, so precisas de um volante usb. Jogos de corridas não ajudam, mas simuladores sim.

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  17. Por um lado, acho mal que o Estado ....pois o Juiz desembargador Raúl Moreira de Andrade reformado no pós 25 de Abril quase aos 70 anos
    que era a idade de reforma dos funcionários antes do 25 de Abril
    e geralmente não durava muito
    o meu avô viveu 19 anos após a reforma aos 89
    o jovem juiz reformado cerca de 10 anos após o meu avô

    esteve reformado 32 ou 33 anos (1909-2010) foi no tempo de cavaco em 91 actualizada a sua pensão depauperada pelo tempo de apenas 170 contos para uns magros 357 contos com actualizações não receberia hoje os 60 mil anuais mas devia andar nos 4mil e tal x14 meses

    só nos últimos 10 anos auferiu mais de meio-milhão de euros
    apesar de nos seus 40 anos de carreira nunca ter descontado quantia similar

    se a sobrevida dos juízes e prof's catedráticos e reitores continuar
    pagar pensões durante 25 a 30 anos a estes níveis não há estado que aguente
    e com as greves tipo "gregas" que aí virão
    estamos tramados e vocês mais do que eu

    se calhar ainda me vão pagar a reforma...

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  18. Ludwig

    Em síntese: é solidário com quem trabalha no Estado mas não é solidário com quem paga impostos. Nem lhe passa pela cabeça que quem paga impostos e não usufrui dos serviços básicos - educação, saúde e segurança social - possa ter razões para protestar por lhe irem tanto ao bolso.

    Não se esqueça que quem paga IRS é trabalhador por conta de outrém e também tem contas para pagar no fim do mês. Não é só alegrias para quem não trabalha nem depende do Estado, antes pelo contrário.

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  19. António Parente,

    Sou solidário com todos os trabalhadores porque todos pagam IRS. E quem não usufrui dos serviços básicos porque não quer, e pode pagar as alternativas, tem menos que se queixar do que tem a maioria.

    O Estado serve para garantir esses serviços a todos os cidadãos e redistribuir a riqueza o suficiente para contrabalançar as injustiças do mercado livre, indispensável para a nossa prosperidade mas com o grave defeito de dar tendencialmente mais a quem mais tem.

    O Estado não é um restaurante onde se paga o que se come. O saudável paga os mesmos impostos que o doente, e aquele que tem os filhos no colégio privado deve pagar os mesmos impostos que o que os tem no ensino público.

    Daí que eu ache que o dinheiro do Estado deva vir de impostos como o IRS e não de cortes nos serviços essenciais ou impostos injustos como o IVA.

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  20. João,

    Nós temos um carro. Para andar com os miúdos, ir às compras ou assim dá muito jeito. Só que é sempre a minha mulher que conduz. Ela conduz todos os dias, tem a carta há muito mais tempo que eu e, mesmo que não tivesse mais experiência que eu, estatisticamente uma mulher ao volante é mais seguro.

    Eu fiquei com a tarefa de contar histórias aos miúdos nas viagens mais longas, o que agora compensa porque já nem é preciso :)

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  21. Bruce,

    Eu acho que a greve tem o efeito contrário do que tu dizes. É catártico. O povo está revoltado. O povo faz greve. Paralisa o país, sai à rua com cartazes. E pronto, o povo desabafou e ficou sereno. Quando chegar às urnas já está tudo perdoado, é tudo amigo de novo.

    E se houver coisas queimadas ainda sente que deve pedir desculpa por isso, pelo exagero.

    A menos que a fúria seja tanta que transborde, que chegue para isso e muito mais -- e nesse caso pode bem dar para o torto -- a greve é como o apito da panela de pressão. Chateia, faz barulho, e deixa escapar o vapor antes que a panela rebente.

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  22. Por acaso já pensei como o Ludwig. Há 20 anos subscreveria totalmente o que escreveu. Agora penso de forma diferente, sou defensor do estado mínimo. Não estou disposto a pagar mordomias e despesas inúteis. Não vejo resultados na educação, nem na saúde. O modelo actual falhou. O Estado não garante nada a ninguém.

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  23. Ludwig Krippahl disse... Sou solidário com todos os trabalhadores porque todos pagam IRS (nem todos mas enfim, há dezenas de milhares que ganham ao dia e não têm descontos)


    E quem não usufrui dos serviços básicos porque não quer?
    se mora em zonas onde não existem e a alternativa está a 50 km e não tem carro para andar na scut, nem filhos nem netos e tem mais de 60 anos como 1/5 da população

    se foi mineiro ou trabalhador agrícola no norte do país
    não pode pagar as alternativas, nem tem alternativas

    um taxi custa 20 a 30 euros, o comboio já não existe a camioneta passa duas vezes por dia e custam 8 euros/50 km
    na zona de Lisboa anda pelos 4,5euros
    excepto em Lisboa que por 3,75 se podem fazer mais de 200km dentro de lisboa durante um dia

    um passe em Lisboa custa menos que um passe covilhã-fundão

    se for da ADSE e quer fazer um TAC ou uma análise faz
    se for do SNS e o médico considerar o seu caso uma semi-urgência tem um TAC em 3 ou 4meses

    se está há muito tempo na lista de espera para uma intervenção por vezes o seu caso é reavaliado

    logo se não tem ninguém num sistema educativo podre e sem autoridade
    e se mesmo consegue que o seu médico na zebreira lhe passe uma radiografia de contraste para daqui a 5 meses em castelo branco

    duvido que o caso tenha seguimento antes da sua extinção
    Lisboa é diferente uma população em declínio e uma concentração de recursos assombrosa
    vivam os alfacinhas

    menos que se queixar do que tem a maioria

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  24. António Parente,

    "O Estado não garante nada a ninguém."

    Então não garante?
    A lista começa com:
    Mota Engil;
    .
    .
    .
    .
    .

    Mas concordo. O modelo falhou.

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  25. Antonio PArente:

    Nem toda a gente pode ter o luxo de que falas.

    Se achas bem deixar quem não pode na miseria, achas mal. Bem sei que contas com deus para resolver as injustiças na outra vida, mas que tal tentar equilibrar as coisas ja agora.

    E mesmo que sejas egoista, quanto melhor estiver o povo onde tu te moves, mais seguro tu estas. Quer compreendas isso ou não.

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  26. Ludwig:

    Calculei que a tua mulher guiasse, pois duas excepçoes na mesma casa é invulgar.

    O que sei é que quem fica muito tempo sem guiar depois não quer pegar no carro. E um dia la acaba por fazer falta.

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  27. Nem eu nem a minha namorada conduzimos.

    Duas excepções na mesma casa :p

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  28. João Vasco disse...

    Nem eu nem a minha namorada conduzimos (ela ainda não tem idade para tirar a carta).


    Duas excepções na mesma casa :p
    (vivo em pecado mortal mas não conduzo)

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  29. João,

    «O que sei é que quem fica muito tempo sem guiar depois não quer pegar no carro.»

    E o que vejo é que quem começa a andar de carro deixa de andar a pé. Entre a casa e o Metro, a paragem e a FCT, e, quando está bom tempo e calha, entre a Praça de Espanha e o Campo Pequeno, ainda caminho quase uma hora. Penso que isso, regularmente, me faz bastante melhor que andar de carro. Especialmente tendo em conta o meu peso :)

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  30. António Parente e Mama Eu Quero,

    Discordo que o modelo tenha falhado. Pelo contrário. Se virem bem, aquilo que hoje chamamos política de direita, há 100 anos chamariam de comunismo. Nenhum partido quer acabar com férias, sindicatos, educação gratuita, serviços de saúde, reformas, subsídios de desemprego, direito à greve, limite de horas de trabalho semanal e afins. Este modelo é claramente o melhor, tanto assim que hoje quando se fala se devemos ou não ter um Estado social a questão é acerca de detalhes.

    O problema é que há sempre a possibilidade de corrupção e incompetência, seja qual for o Estado. Se é o Estado que dá segurança e justiça, os ricos pagam aos políticos. Se o Estado não dá nada disso, os ricos pagam directamente aos seguranças. A diferença é que no primeiro caso ainda há a possibilidade de fazer alguma coisa contra isso, desde que se esteja sempre atento e a pressionar.

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  31. Ludwig

    Eu não me considero de direita. Nem de esquerda pois não me identifico com os actuais partidos que a compõem. São completamente inúteis.

    Discordo do que escreveu. Há partidos que gostariam de acabar com a maioria das coisas que apontou. Só não têm coragem de o assumir. Mesmo assim, iremos assistir a coisas curiosas nos próximos anos.

    Ser de esquerda não pode significar muito simplesmente defender impostos altos e a estatização da sociedade, deixando apenas de fora as actividades económicas necessárias a essa geração de receitas. A direita não pode defender a privatização de todos os negócios lucrativos e a diminuição do peso do Estado para não pagar mais impostos.

    Algures por aí, deve existir um meio termo que seja mais justo para todos. Viver e deixar viver é o meu lema. Sou absolutamente contra o darwinismo social e por esse motivo não posso ser de direita.

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  32. António Parente,

    A minha posição é que deve haver um mercado livre, que terá os contornos que emergirem da livre interacção dos seus participantes. Sou contra distorcer o mercado com fixação de preços (desde rendas a salários mínimos), sou contra o planeamento central, tretas público-privadas, monopólios legais e afins.

    Mas um requisito para o mercado livre funcionar e ser estável, que agora até o FMI reconhece, é garantir que não fica uma parte da população de fora por lhe terem ficado com o dinheiro. O dinheiro que cada um ganha, faça o que fizer, deve-se muito à colaboração dos outros, e precisa da colaboração de todos. Por isso é fundamental que o Estado garanta uma redistribuição eficaz de forma a que ninguém fique excluído do mercado.

    Além disso, o Estado deve também garantir todos os serviços para os quais o mercado não é um fornecedor fiável (educação, saúde, segurança, justiça, etc).

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  33. Este modelo é claramente o melhor, desde que a demografia e a economia o possibilitem, se não se produzem os bens básicos e se se desperdiça oa que se ainda tem

    tanto assim que hoje quando se fala se devemos ou não ter um Estado social a questão é acerca de detalhes....detalhes de umas dezenas de biliões

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  34. é fundamental que o Estado garanta uma redistribuição eficaz

    pois mas nos últimos 5000 anos tal nunca aconteceu

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  35. Em termos de qualidade de vida o "estado social" foi realmente o modelo que melhor funcionou. Funcionou bem na Suécia, na Filândia, no Canadá, na Austrália, na Nova Zelândia, funcionou razoavelmente nos EUA, no Japão, na generalidade dos países pertencentes à UE e noutros.

    E realmente podemos comparar, em termos de qualidade de vida, o que acontece quando se aumenta e diminui o peso do "estado social" na vida das pessoas.
    Os EUA conheceram a maior prosperidade, maior equidade, maior bem estar social, nas décadas que se seguiram às reformas estruturais de Rossevelt - o new deal. Hoje os EUA têm pior mobilidade social, pior equidade, pior qualidade de vida, e isto desde que existiu outra reforma estrutural que iniciou a destruição de parte importante do seu estado social - Reagonomics.

    Se a europa for pelo mesmo caminho, os europeus só têm a perder. Aliás, se hoje a maioria dos migrantes prefere a Europa e não os EUA como há décadas atrás é porque hoje os EUA têm menos a oferecer em termos de qualidade de vida. Não será do nosso interesse seguirmos as passadas do Reagonomics, só se for para vivermos pior. Lá a taxa de homicídios é 10x mais alta, e o número de prisioneiros também...

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  36. Se a europa for pelo mesmo caminho, os europeus só têm a perder. Aliás, se hoje a maioria dos migrantes prefere a Europa e não os EUA como há décadas atrás ....é porque uma europa envelhecida torna-se mais mole e necessita de migrantes não especializadas

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  37. O perspectiva transmite a Verdade que poderia ter evitado essa crise, mas para os néscios que não o ouvem, deixo a Palavra do Senhor que poderá abrir-lhes os olhos:

    «E Faraó disse a José: Eu tive um sonho, e ninguém há que o interprete; mas de ti ouvi dizer que quando ouves um sonho o interpretas.
    E respondeu José a Faraó, dizendo: Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó.»
    «Então disse José a Faraó: O sonho de Faraó é um só; o que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó.
    As sete vacas formosas são sete anos, as sete espigas formosas também são sete anos, o sonho é um só.
    E as sete vacas feias à vista e magras, que subiam depois delas, são sete anos, e as sete espigas miúdas e queimadas do vento oriental, serão sete anos de fome.
    Esta é a palavra que tenho dito a Faraó; o que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó.
    E eis que vêm sete anos, e haverá grande fartura em toda a terra do Egito.
    E depois deles levantar-se-ão sete anos de fome, e toda aquela fartura será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra;
    E não será conhecida a abundância na terra, por causa daquela fome que haverá depois; porquanto será gravíssima.
    E que o sonho foi repetido duas vezes a Faraó, é porque esta coisa é determinada por Deus, e Deus se apressa em fazê-la.
    Portanto, Faraó previna-se agora de um homem entendido e sábio, e o ponha sobre a terra do Egito.
    Faça isso Faraó e ponha governadores sobre a terra, e tome a quinta parte da terra do Egito nos sete anos de fartura,
    E ajuntem toda a comida destes bons anos, que vêm, e amontoem o trigo debaixo da mão de Faraó, para mantimento nas cidades, e o guardem.
    Assim será o mantimento para provimento da terra, para os sete anos de fome, que haverá na terra do Egito; para que a terra não pereça de fome.»
    «Havendo, pois, fome sobre toda a terra, abriu José tudo em que havia mantimento, e vendeu aos egípcios; porque a fome prevaleceu na terra do Egito.
    E de todas as terras vinham ao Egito, para comprar de José; porquanto a fome prevaleceu em todas as terras.»

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  38. «Então José recolheu todo o dinheiro que se achou na terra do Egito, e na terra de Canaã, pelo trigo que compravam; e José trouxe o dinheiro à casa de Faraó.
    Acabando-se, pois, o dinheiro da terra do Egito, e da terra de Canaã, vieram todos os egípcios a José, dizendo: Dá-nos pão; por que morreremos em tua presença? porquanto o dinheiro nos falta.
    E José disse: Dai o vosso gado, e eu vo-lo darei por vosso gado, se falta o dinheiro.
    Então trouxeram o seu gado a José; e José deu-lhes pão em troca de cavalos, e das ovelhas, e das vacas e dos jumentos; e os sustentou de pão aquele ano por todo o seu gado.
    E acabado aquele ano, vieram a ele no segundo ano e disseram-lhe: Não ocultaremos ao meu senhor que o dinheiro acabou; e meu senhor possui os animais, e nenhuma outra coisa nos ficou diante de meu senhor, senão o nosso corpo e a nossa terra;
    Por que morreremos diante dos teus olhos, tanto nós como a nossa terra? Compra-nos a nós e a nossa terra por pão, e nós e a nossa terra seremos servos de Faraó; e dá-nos semente, para que vivamos, e não morramos, e a terra não se desole.
    Assim José comprou toda a terra do Egito para Faraó, porque os egípcios venderam cada um o seu campo, porquanto a fome prevaleceu sobre eles; e a terra ficou sendo de Faraó.
    E, quanto ao povo, fê-lo passar às cidades, desde uma extremidade da terra do Egito até a outra extremidade.
    Somente a terra dos sacerdotes não a comprou, porquanto os sacerdotes tinham porção de Faraó, e eles comiam a sua porção que Faraó lhes tinha dado; por isso não venderam a sua terra.
    Então disse José ao povo: Eis que hoje tenho comprado a vós e a vossa terra para Faraó; eis aí tendes semente para vós, para que semeeis a terra.
    Há de ser, porém, que das colheitas dareis o quinto a Faraó, e as quatro partes serão vossas, para semente do campo, e para o vosso mantimento, e dos que estão nas vossas casas, e para que comam vossos filhos.
    E disseram: A vida nos tens dado; achemos graça aos olhos de meu senhor, e seremos servos de Faraó.
    José, pois, estabeleceu isto por estatuto, até ao dia de hoje, sobre a terra do Egito, que Faraó tirasse o quinto; só a terra dos sacerdotes não ficou sendo de Faraó.
    Assim habitou Israel na terra do Egito, na terra de Gósen, e nela tomaram possessão, e frutificaram, e multiplicaram-se muito

    Nem sequer viram o José, O Rei dos Sonhos?

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  39. http://www.youtube.com/watch?v=vwuE7tAp06s

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