segunda-feira, setembro 15, 2008

Legal, 2.

Parte dos nossos impostos serve para pagar professores, escolas e universidades porque é justo que ninguém fique ignorante por ter pais pobres. E porque isto nos beneficia a todos. Infelizmente, outra parte dos nossos impostos paga à IGAC para apreender fotocópias de manuais escolares e livros técnicos (1) com o intuito de obrigar os alunos a comprar livros caros que só precisam consultar por uns meses.

Há quem proponha apreender as cópias mas subsidiar a compra dos livros. Bela ideia. Pagar à polícia para obrigar os estudantes a pagar à editora que depois dá uma pequena fracção ao autor. Sai muito mais barato deixar as fotocópias e se um dia os professores deixarem de escrever livros técnicos dar-lhes algum dinheiro extra para o fazerem.

A prisão do Bernardo Macambira por um CD foi outro exemplo de mau uso do erário (2). E agora foi liberto, cumprida menos de metade da pena, porque descobriram que afinal tinha pago a multa (3). O que me traz ao desabafo de hoje. Na terapêutica da sociedade a intervenção judicial é uma amputação. Por vezes é necessária, mas sempre que a polícia e o estado se metem há consequências irreversíveis. Por isso não é uma resposta adequada a casos menores como a cópia de um CD ou a fotocópia de um livro de química. Mesmo que ninguém seja preso cada operação destas amputa-nos uma data de dinheiro que podia servir para outras coisas. E é muito arriscado dizer ao cirurgião «Força! Corte à vontade.» Especialmente se é vesgo e tirou o curso na Escola Superior de Sapataria.

Parece que a PSP se esqueceu de mencionar alguns detalhes acerca do abate dos assaltantes do BES. Dos quatro atiradores do GOE, só um disparou. Aparentemente os outros três tinham o rádio avariado. Ou algo do género. Enquanto houver mais interesse em aplaudir que em perguntar o que se passou duvido que a PSP se vá lembrar dos detalhes todos. Por isso é que um dos assaltantes teve a oportunidade de disparar um tiro contra o vidro, na direcção dos snipers. Segundo a notícia, «Só por sorte não morreu um dos reféns.»(4) Sim, foi sorte. Sorte o assaltante ser só um ladrão que queria dinheiro e não matar reféns...

Errar é humano e qualquer organização humana comete erros. Isto não justifica desistir de ter leis e ordem. Só que não devemos ignorar a possibilidade de erro só por ser inevitável. Há quem simplesmente encolha os ombros e, paciência, como não se pode fazer nada é como se não houvesse problema. Mas se os travões funcionam mal conduzimos mais devagar, e se não podemos contar que o sistema seja perfeito temos que exigir menos dele.

Se pesamos o benefício das leis com o custo de as implementar, os efeitos irreversíveis e a inevitabilidade de haver erros, sobressaem dois extremos que não queremos deixar por conta do estado. Um é o das infracções menores como a regulação do comércio de CDs, as fotocópias ou quem se ofende com o quê. Estes são problemas para a justiça civil e onde cabe ao queixoso o ónus de provar que foi injustamente prejudicado e merece compensação. Não é para isto que queremos pagar polícia e investigações do Ministério Público.

O outro extremo é o das acções mais contrárias aos direitos humanos. O da prisão perpétua, pena de morte, censura, snipers e afins. Pode-se invocar razões a favor destas medidas. Há pessoas más até ao tutano, coisas que não se deve dizer, criminosos irrecuperáveis e situações de vida ou de morte que, em teoria, justificariam estas coisas. Se o sistema fosse perfeito. Mas estas justificações não resistem à margem de erro para a incompetência, conflitos de interesse, corrupção e desejo de poder.

No mundo real de custos e imperfeições só devemos pagar ao estado para nos amputar liberdades quando for absolutamente necessário e dando sempre uma margem de erro generosa.

Obrigado ao Mário Miguel pelo (1) e (4).

1- Correio da Manhã, 8-9-08, Apreendidas 18.555 cópias de manuais
2-O custo do CD.
3- Só consegui confirmar aqui que foi solto. Os detalhes que menciono só li de relance no Metro, numa revista de alguém que se sentou ao meu lado...
4- Sol, 11-9-08 O que falhou na operação policial do assalto ao BES

Editado a 16-9: Afinal o Bernardo Macambira foi solto porque «deveria ter sido movido um processo de penhora, antes da detenção.» Obrigado ao Jaime pelo link.

21 comentários:

  1. Lud,

    Nem sei o que te diga.. Tu achas que há policia (intervenção) a mais, eu acho por outro lado que a nossa policia são um bando de incompetentes. Começando pelo básico... Todas as infracções são para punir! Um policia integro e cumpridor não escolhe o que lhe interessa punir. Não passa multa a um condutor que ultrapassa um par de ciclistas antes do tracejado (e não foi a mim se tiveres essa curiosidade) quando os mesmo andaram largas centenas de metros a pedalar a par na conversa. Circular a par é uma transgressão! Tal como é ridiculo multar quem ultrapasse pela direita se o ultrapassado vai a fazer turismo na faixa da esquerda (também não foi a mim) muito antes da outra transgressão. Mas isto é a policia da treta que temos. Grunhos com o nono ano que pensam que ser policia lhes dá o direito de escolher o que castigar.
    No caso do BES a única questão é ser incompetência a manutenção inadequada de material. Atirar a matar naquela situação foi a melhor mensagem que podiam ter passado. Tal como é correcta a ordem dos bancos para que em caso de assalto, não sejam disparados os alarmes se não houver risco para a integridade dos funcionários ou clientes. No caso do BES só chegou ao que chegou por incompetência dos assaltantes que escolhem um péssimo alvo para assaltar, num sitio com imenso trafego, onde uma utente do MB deu o alarme à policia.
    Sobre a pirataria, apesar de contra, acho que a policia só devia actuar em casos de desrespeito grosseiro. Uma reprografia que faz cópias em série e vende apenas uns centimos mais baratos que o original é um caso desses! Visa o lucro do dono, e não tem nada de altruista. Um servidor com centenas de cópias que cobra taxas para permitir o download é outro! Tal como o tipo que vende droga em quantidades industriais deve ser preso, mas, prender o consumidor é parvoice!
    A repetição continuada de um crime menor é tão grave como um crime maior, e esses a policia deve fiscalizar, sempre!

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  2. António,

    «Tu achas que há policia (intervenção) a mais, eu acho por outro lado que a nossa policia são um bando de incompetentes.»

    Não fui claro, então... O que eu acho é que há intervenção mal dirigida. Por exemplo, é mau uso de recursos ter polícias a apreender fotocópias, a fiscalizar os CDs nas discotecas e a encaixotar pantufas nas feiras. A culpa não é dos polícias, é certo, mas a lei aí devia ser alterada e passar os custos de fiscalizar estas coisas para os queixosos.

    «Grunhos com o nono ano que pensam que ser policia lhes dá o direito de escolher o que castigar. [...] Atirar a matar naquela situação foi a melhor mensagem que podiam ter passado.»

    Penso que se ligares estas frases que escreveste perceberás o que eu quero dizer.

    É boa ideia dar a umas pessoas (polícias, políticos, juízes) algum poder sobre nós para que nos protejam de outras pessoas (ladrões, assassinos). Mas é má ideia dar demasiado poder (poder de nos matar, de nos calar, de nos mandar prender para sempre) e é má ideia dar-lhes poder para nos "defenderem" de quem não nos faz mal nenhum (casas de fotocópias, pessoas que copiam CDs ou descarregam filmes da net).

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  3. Lud,

    Se vires bem a ligação que fizeste da minha frase, digo-te já que se o gajo da reprografia me apontar uma arma, espero que o tipo dos GOE lhe cause uma severa alergia ao chumbo! :-) Além de o teu erro nesse caso particular ser de achares que foi o "pequeno" que decidiu. No caso em causa quem decidiu foi a hierarquia. Para aquilo que eu disse se aplicar tinha de ter sido o atirador a decidir sozinho o que fazer... Mas, não foi.
    Isto por outro lado serviu para provar que tens jeitinho para jornalista da TVI ou de qualquer jornal desportivo. Nenhum deles conseguiria descontextualizar melhor qualquer frase! :-)
    E já que estamos nessa fase... Pelas tuas palavras depreende-se que se um numero de cidadãos se dedicar a roubar pequenas quantias a crianças, estará tudo bem, pois nenhuma é tão prejudicada que justifique a intervenção.
    Pela mesma lógica, se todo o ranhoso decidir entrar num banco, e já que eles não "devem" activar o alarme, roubar aos 250 euros de cada vez. A policia não deve fazer nada. E se sacar de uma arma e ameaçar alguém durante o assalto, e fizer refens, não se pode agir em força porque são só 250 euros! Portanto, deixa-o fugir e passa a mensagem que por razão nenhuma a policia o pode matar e adivinha qual é o comportamento dele no próximo assalto...
    Isso que tu estás a fazer é um erro lógico . Queres ligar as vitimas à sociedade e tratar a sociedade como um todo, mas, o criminoso é tratado como individuo. Como sociedade achas que a vitima não tem direitos, e como individuo achas que o criminoso não tem deveres. Vais no mau caminho... Isso é uma mentalidade demasiado "Tuga". É por isso, e porque o criminoso é sempre o tipo com familia a qual temos de salvaguardar, nem que sejam todos uns pulhas, que a sucessão de pequenos delitos leva ao estado em que estamos actualmente, em que qualquer ranhoso se acha com mais direitos que deveres, e toda a gente se queixa do mal que as coisas correm.
    Neste caso gostei do que o senho Blatter disse recentemente sobre a corrupção no futebol, quando os arbitros e jogadores alemães que viciaram resultados foram condenados. O problema não é da alemanha, nem é mais grave na alemanha, simplesmente na alemanha há vergonha e a sociedade condena tais practicas sem restrições, ao contrario de outros paises.

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  4. Ludwig,

    O problema "zinho..." é que o poder é uma fatalidade organizacional que não se auto-regula. Os nossos eleitores deixam-se encantar nos comícios de fontanário com colares de missangas e bonés do partido (eis a maleita) e até a nossa morna democracia está referenciada na Amnistia Internacional por motivos pouco abonatórios, apesar do caso do BES ser algo exótico. Mas - para mim - o que dizes sobre o exercício discricionário da autoridade faz sentido nos países em que há mais e melhores razões para temer a polícia do que os bandidos. Acredita que não é bem o nosso caso! Que a Revolta das Fotocópias não nos faça confundir esta piolheira/pepineira com um ordenamento realmente subvertido.

    Faço questão de deixar estas palavras de esperança.

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  5. Bruce Lose,

    Não podia estar mais de acordo. Não terá V. Exa. uns bonés e umas missangas, que iniciavamos já aqui um movimento de apoio?

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  6. António,

    « Além de o teu erro nesse caso particular ser de achares que foi o "pequeno" que decidiu. No caso em causa quem decidiu foi a hierarquia.»

    Talvez. Se acreditares no que dizem agora que o que falhou foi 3 rádios ao mesmo tempo, então sim. Mas se o que falhou foi um tipo que se precipitou, então a hierarquia pode estar apenas a defender os "seus".

    O problema mais grave é que não vem cá para fora a documentação necessária para auditar o acontecido. Não temos registo das comunicações, não sabemos que ordens foram dadas, que ordens foram recebidas, nada...

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  7. Bruce,

    «Mas - para mim - o que dizes sobre o exercício discricionário da autoridade faz sentido nos países em que há mais e melhores razões para temer a polícia do que os bandidos.»

    Permite-me uma pequena correcção. Devemos opôr o exercício discricionário da autoridade *para que* não tenhamos mais razões para temer a polícia que os bandidos.

    A partir do momento em que se reage ao abatimento de suspeitos com um jubiloso agitar de bonés e missangas começamos o caminho sempre mais curto que aparente para o tal estado que dizes justificar a preocupação. Eu prefiro preocupar-me antes das coisas darem para o torto...

    Nota que eu não rejeito a possibilidade de, vistas bem as coisas, o caso do BES ter sido uma das raras excepções em que se legitimava dar ao estado o poder de matar. O que defendo é que temos que ver isso bem e, até lá, dar ao estado o ónus da prova. Não é boa ideia quando a polícia mata suspeitos que toda a gente aplauda e grite "próximo!".

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  8. Ludwig,

    Voltaste a bater no mesmo ponto que eu. Falta de profissionalismo e competencia da policia.
    Todas as comunicações em situações destas deviam ser gravadas, sem excepção. Porque para mim pode ser grave os radios terem falhado, mas, não o é a decisão de usar a força nesse caso. Só tenho pena que tenham sido 2 brasileiros, porque agora começam com a conversa da treta do racismo, que é uma questão falsa. Fosse quem fosse que ali estivesse, tinha de ser tratado daquela maneira.

    Há ainda uma questão que não discutimos. A questão de prender alguém por longos periodos, mesmo, para sempre. Sou contra a pena de morte pois por muitas provas que se reunam, de 1 a 7 :-) nenhuma sociedade deve passar do 6, pois nada é ou pode ser dado como absoluto, mas, a prisão perpétua devia ser solução para muitos casos. Não é admissível que quem incorra repetidamente nos mesmos crimes possa alegar a potencial correcção do comportamento. O facto de reincidir é prova de que o tempo atribuido foi escasso! E sabendo que ainda têm pensão paga e formação "profissional" por alguns meses, não vejo como é que penas de prisão efectiva de 1 ano possam resolver a questão da violencia criminal, e por isso deve haver um patamar a partir do qual se tem de assumir a ineficácia da libertação, especialemnte quando fogem durante as precárias e são apanhados 6 anos depois a ensinar ao filho de 13 anos como cometer os mesmo crimes, com o galo do caraças de o puto morrer na "brincadeira". Encarcerado para sempre, o individuo em causa não tinha causado a morte ao filho, nem cometido o crime em causa, nem tentado atropelar nenhum policia.

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  9. Ludwig,

    Concordo desde o início. Na verdade, só quis arranjar espaço para um comentário.


    António,

    Se estás numa de V. Exa., em vez de um "movimento de apoio" acho que temos quorum para fundar uma loja maçónica. Combinem um aperto de mão secreto que eu trato dos aventais.

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  10. http://oinsurgente.org/2008/09/16/o-mito-da-razao/

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  11. António,

    «Porque para mim pode ser grave os radios terem falhado, mas, não o é a decisão de usar a força nesse caso.»

    Discordo que tenhamos dados para decidir com confiança que se justificava atrair os assaltantes para a porta sob falsos pretextos como parte de um plano para os matar. Mas não vale a pena discutir isso agora.

    O mais importante é que, uma vez reconhecida a possibilidade de incompetência, rádios que não funcionam, ordens mal dadas, interesses e afins, se podemos mesmo assim confiar ao estado este poder de decidir quando e quem mata.

    É que mesmo que especifiquemos em detlhe em que condições o pode fazer isso de pouco adianta se é o estado que decide se as condições se cumprem. Ou seja, os mesmos incompetentes, avariados, interesseiros, etc...

    Ponho de outra forma: podem matar assaltantes que estejam a pôr em perigo a vida das vítimas e se não houver outra alternativa se, e só se, tiverem um sistema que não seja susceptível de falhas de comunicação, ordens incorrectas, interesses ocultos e afins.

    Enquanto houver margem de erro não podem matar ninguém.

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  12. Ludwig,

    Ou seja, se o estado não é perfeito, pode-se assaltar e empunhar armas, que a policia não pode fazer nada. "Terra chama Ludwig!... Escuto!" :-)

    Não creio que a imperfeição dos mecanismos de salvaguarda das decisões policiais possa servir de desculpa para justificar o imobilisnmo que defendes. Andas a ver demasiados "Cops". A camara do carro da policia não está lá para legalizar a acção da policia, mas sim, para impedir a hipocrisia colectiva que se segue a uma intervenção, pois agora é muito fácil a um ranhoso dizer que abdica da sua falsa identidade, e assume que fugiu da prisão, pois acha que a policia matar-lhe um filho como consequência dos actos que ele praticou é culpa da policia e não dele. Se os carros tivessem cameras, provavelmente serviriam de "testemunha" do trabalho da policia, e seria possível dar mais liberdade de acção aos policias, pois eu digo-te e assumo que em caso de tentativa de atropelamento ou outra forma de tentativa de agressão a um policia no enquadramento de um crime violento, a policia devia poder usar meios muito mais violentos que aqueles que a lei prevê. Alguém que tenta matar um policia terá muito menos escrupulos em matar um civil, e como tal não pode haver tolerancia. Não só e devia ser a prisão muito mais efectiva, como a necessidade de remover tais individuos da sociedade devia ser muito mais defendida, mesmo com recurso à violencia.
    E convém aqui distinguir situações: apanhando no acto criminoso e no seu decorrer directo, a policia devia poder actuar de forma mais activa, se necessário violenta. No entanto, se não for apanhado nessa sequencia directa e mais tarde o mesmo suspeito for descoberto noutro sitio, por meio de investigação, havendo interrupção da perseguição directa, não poderá assumir-se a mesma postura pois a envolvente não é a mesma, e aí as regras são diferentes. É a ausencia desta distinção, que leva a que o nivelamento da acção policial seja feito por baixo, e por isso ineficaz.
    Esta situação deve ainda ser distinguida da liberdade que a policia não pode ter de ignorar transgressões, e que é uma realidade actual. Se pensares a quantidade de pessoas que não respeitam prioridades, nem stops, no transito e outras transgressões que a policia não fiscaliza e que pela banalização da transgressão vão em escalada, e sucessivamente até alguns acharem que inverter a marcha numa auto-estrada é a solução para terem passado a saida que pretendiam. Este é só um exemplo, para também não falarmos só do crime violento, porque a maior parte do respeito pelos deveres da sociedade começa por baixo. Não é só matar raptores, é mostrar que raptar é inaceitável em que circunstancia for, "dizendo" que até os crimes menores têm castigo. Usar CDs piratas numa discoteca é uma forma de o fazer, e outra é "dizer" a quem prendeu alguém nessas circunstancias que não esgotou os patamares legais anteriores, libertando a pessoa, e abrindo-lhe portas para uma acção indeminizatória. O exemplo que deste é uma prova de que o estado se auto-regula de forma correcta! para mim foi um tiro no pé na tua "cruzada" :-) anarquista e anti-policial. :-)

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  13. António,

    «Ou seja, se o estado não é perfeito, pode-se assaltar e empunhar armas, que a policia não pode fazer nada.»

    Não. O estado ser imperfeito é uma das razões para não lhe dar o poder de matar civis de forma planeada. Se um ladrão saca da arma, o polícia da-lhe um tiro e o ladrão morre, paciência. Mas a orquestração de um plano para colocar o ladrão na posição certa para levar um balázio na cabeça planeado e ordenado meia hora antes já é demais para um sistema tão imperfeito como este.

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  14. Ludwig,

    Então deixamos os criminosos ter o controlo total da situação? Se não podem ser manobrados, como é que se negoceia?
    O intuito da negociação é colocar o criminoso vulnerável. Não se lhe diz que não, mas, não se lhe dá o controlo. Não tendo ele o controlo (que não pode nunca efectivamente possuir), qual é o nível de liberdade que defendes o criminos deve possuir para decidir se mata ou não?
    A tua ideia é uma tautologia: se ele está a ser manipulado não pode ser morto, mas, se não se pode tomar essa decisão qual é o interesse de o manipular?
    Não vais chegar ao ponto de lhe dizer: "Epá! Já te enganamos! Onde te colocámos podemos matar-te, mas, não podemos porque fomos nós que te colocámos aí. Rendes-te por parvoice (já que não podemos fazer nada)? Ou temos de te deixar ir embora? Olha que ir embora era indecente da tua parte... Não queres ficar conhecido pelo pulha que se foi embora, pois não?"
    Tem lá paciencia, mas, o que estás a fazer é virar o bico ao prego como os putos fazem! A culpa não é de alguém cometer um crime é de a policia os castigar conscientemente? Isso é treta. Se começares a cuspir da janela, a culpa é do povo que passa no passeio por levar com a "verdinha"?

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  15. «Então deixamos os criminosos ter o controlo total da situação? Se não podem ser manobrados, como é que se negoceia?»

    António,

    Tenho alguma experiência em situações limite (por vezes só consigo tirar a minha mulher das lojas de roupa com um dardo tranquilizante) e pergunto-me, agora a sério e como cidadão deste país, se não haverá nenhuma formação que permita a um polícia especializado lidar com uma situação destas sem dar ao gatilho. Quem saca da arte castrense para resolver problemas é o exército, não é a polícia.

    Julgo que ninguém subscreve a impunidade dos amigos do alheio. O que está em causa é apenas a aferição da técnica.

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  16. «deveria ter sido movido um processo de penhora, antes da detenção»

    «As comunicações via rádio falharam»

    «Indemnização 20000€ por detenção ilegal de Pinto da Costa»

    «131000€ para indemnização de Paulo Pedroso»

    a lista continua ...

    Não são demasiados erros grosseiros? Afinal quem são os bandidos?


    António,

    "Alguém que tenta matar um policia terá muito menos escrúpulos em matar um civil, e como tal não pode haver tolerância. Não só e devia ser a prisão muito mais efectiva, como a necessidade de remover tais indivíduos da sociedade devia ser muito mais defendida, mesmo com recurso à violência"

    Não percebo essa lógica dos escrúpulos: escrúpulo por escrúpulo valorizo mais as ofensas a crianças e inocentes do que à policia que abraçou uma profissão de risco e tem meios e conhecimento para se defender melhor.

    Sobre a "efectividade" da prisão, será que ponderastes bem os custos e os beneficios ?



    Ludwig,
    Um pouco of-topic!
    Penso que esta preciosidade da 2ª maior religião do mundo dava um bom post.

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  17. Bruce Lóse,

    Negociação só é possível quando há uma vantagem distinta para algum dos lados.
    No caso do BES de campolide, tens a vida de reféns como vantagem do lado dos raptores. Pergunto agora qual a vantagem que a policia pode ter nessa situação, que não a vida dos assaltantes?


    - com - dá +,

    Sim, e sem poder sacar das armas mesmo quando ameaçados pelos ladrões, já nem profissão de risco é, porque para haver risco tem que haver possibilidade de sucesso. O que essa lógica pressupõe é que ser policia não é risco, mas, suicidio garantido.

    Todos os exemplos dados só mostram que o sistema corrige os próprios erros. Grave não é haver erros, mas, não haver culpados pelos erros. Quem escolheu prender em vez de penhorar não foi o sistema, foi alguém! Não foi o sistema que mandou prender e acusar sem provas, foi alguém, o sistema garantiu a liberdade e indeminização. Os rádio falharem poderia ter custado a vida aos reféns, não influiu no resultado pretendido para os atiradores, mas, se os rádios falharam a culpa é de alguém! Se alguém é tão grosseiramente incompetente castigue-se. Há rostos por detrás dos erros! Se se deixar de falar em ideias genéricas da treta e se bater onde se deve "bater" a sério, que é na incompetencia desse alguém que está escondido e na ausencia dessa responsabilidade, "bata-se" nos responsáveis hierarquicos por esses alguéns que querem manter-se anónimos. Outro defeito "tuga" que é falar de generalidades e nunca apontar o dedo de forma individualizada aos responsáveis pelos erros.

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  18. António,
    o sistema não corrige os erros! O Sistema corrige os efeitos dos erros!
    Esse é o verdadeiro problema Tuga! : - Remediar, encontrar um "culpado", não ir à causa raiz do problema, não ter critérios de excelência.
    Vejo que para ti não é um problema da arquitectura do sistema judicial e forças de segurança. Na tua opinião o sistema está bem e, salvo um ou outro ajuste recomenda-se; o que é preciso é dar uns tabefes nalguns juizes preguiçosos e/ou courruptos, fazer peito aos bandidos através do aumento do calibre das armas e depois encarcerá-los e deitar fora a chave.
    Caro antónio o problema da criminalidade é claramente um problema sistémico. Pensar combatê-lo com acções ad-hoc, motivadas sábe-se lá porquê, e cuja eficácia é no minimo duvidosa, só poderá fazer engrossar a já longa lista de processos que prescrevem.

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  19. - com - dá +,

    Assim logo à primeira vista o que me ocorre é que se os critérios não existem, alguém é responsável por isso. Se na policia não existe critério para a manutenção do material, é defeito das chefias, e estas têm cara. Alguns têm o desplante de vir falar no tema genérico da falta de condições, as quais são eles os responsáveis por criar.
    Se um processo prescreve por falta de critérios de avaliação do trabalho das partes envolvidas, há um responsável por criar os critérios. O que vejo na resposta é que é verdadeiramente tuga, que é a desresponsabilização total das pessoas. São as pessoas das diversas organizações quem as gere e é responsável por criar critérios, mas, não os criam porque é mais facil deixar andar e assobiar para o lado quando as coisas falham! Nunca ninguém é responsabilizado por nada neste país. Um qualquer parvo provoca uma colisão frontal numa ultrapassagem numa recta com quilometros, mas, a culpa é do governo que ainda não substituiu todas as estradas por auto-estradas, nunca é de quem não sabe fazer.
    E já agora, medida ad-hoc foi o ultimo código penal, que para evitar "Paulos Pedrosos" seguiu o caminho da liberdade para toda a escumalha. Se em vez dessa medida da tanga, completamente avulsa, tivessem aplicado correctamente o código anterior, e castigado a má aplicação do mesmo, teriam obtido melhores resultados.

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