Monstruosa Obsessão
No seu blog «Crítica da Razão Moderna», o António Parente escreve que
«Há uma obsessão anti-religiosa por parte de algumas pessoas que pensam, na sua cegueira, que a Igreja Católica os obriga a fazer o que não querem nem desejam. [...]Ser católico implica respeitar as diferenças para as outras religiões, respeitar os não crentes[...]» (1)
É irónico um blog com este nome não permitir comentários, por isso aqui vai no meu, caso o António ainda cá venha. Em primeiro lugar, penso que o António está enganado na sua definição. Os meus filhos (têm 5 anos) uma vez no infantário disseram que deus não existe, e uma educadora disse-lhes para não dizerem disparates. Quando foram entregar brinquedos à igreja, agora pelo natal, o padre fê-los cantar uma canção de Jesus, deu-lhes um longo sermão a dizer que dar brinquedos aos pobres é o mesmo que dá-los a Jesus (mas não explicou o que um deus todo poderoso vai fazer com brinquedos em segunda mão), e no fim tiveram todos que beijar um boneco do menino nas palhinhas. Além de pouco higiénica, esta idolatria não respeita os não crentes.
Os católicos não respeitam os não crentes da mesma forma como respeitam os crentes. Estou certo que se os meus filhos fossem hindus ou muçulmanos a educadora não tinha dito que Vishnu ou Allah era disparate, nem os tinham posto a beijar o boneco.
Concordo com o António que em Portugal não nos forçam a ser religiosos:
«Nunca vi, de dia ou de noite, nenhum membro do clero impedir um casal de fazer amor dentro de um carro [...] Também nunca vi ninguém algemado num confessionário a ser confessado à força nem vi ninguém ser arrastado, ao som do chicote, para a missa dominical.»
No entanto, isto abona mais a favor da laicidade que da religião, pois, onde podem, é isso mesmo que os religiosos fazem. Felizmente, o estrangeiro é longe... Cá, o que me estorva mais é a desonestidade. É desonesto afirmar que se sabe apenas por se crer. Se eu disser que um vizinho rouba carros apenas porque acredito, sou difamador. Se conduzir munido apenas de fé nas minhas capacidades, multam-me. Se estiver profundamente convicto que sou um neurocirurgião, não é por isso que me deixam operar. É absurdo dar legitimidade a quem diz que sabe o que é deus, quantos deuses existem, ou o que querem de nós, apenas pela fé que têm. É treta.
1- António Parente, 27-12-06, O monstro da obsessão anti-religiosa
