quarta-feira, agosto 12, 2026

Jason Arday e a representatividade forçada.

Há vários aspectos preocupantes no caso de Jason Arday, que aldrabou até ser o professor negro mais novo de Cambridge. Desde ramos académicos de activismo disfarçado de ciência ao silenciamento pela polícia de críticas legítimas. E demonstra também como políticas discriminatórias de integração e representatividade são contraproducentes.

A seriação por mérito é um bocado treta. Por exemplo, muitas vezes ajusta-se as avaliações para ganhar o candidato previamente escolhido. Ainda assim, tende a filtrar falhas demasiado óbvias como um CV cheio de mentiras e uma dissertação plagiada. Mas medidas para favorecer características como raça ou género, além de injustas, contornam esta triagem.

A justificação que tenho encontrado é ser apenas uma medida provisória para eliminar estereótipos contra certas minorias. A ideia é que se aumentar a sua representatividade deixará de haver preconceito contra essas pessoas. E isso parece funcionar. Há poucas gerações era impensável ter mulheres em medicina ou direito mas hoje, por haver tantas médicas, advogadas e juízas, já ninguém estranha. Mas isto foi sem critérios especiais nem quotas.

Um problema de forçar a diversidade com discriminação é facilitar a entrada de aldrabões e incompetentes que, apesar surgirem em todas as raças e géneros, assim ficam sobre-representados nos grupos que se quer favorecer. Esta correlação cria um fundamento objectivo para desconfiar das competências dessas pessoas e acaba por reforçar os estereótipos que se queria eliminar. Por cá, por exemplo, a eleição de Joacine Katar Moreira por ser mulher negra não deve ter ajudado a contrariar preconceitos contra mulheres negras na política. E não me parece coincidência que o racismo esteja a ficar mais assumido e explícito conforme se tenta impor diversidade desta maneira.

O progresso das mulheres no século XX devia servir de molde para estas coisas. Eliminou-se barreiras legais e deixou-se as pessoas mostrarem o que valem. Foi assim que várias profissões antigamente exclusivas para homens passaram a ser dominadas por mulheres e o consenso é que elas estão lá porque são competentes. Sistemas de quotas ou discriminação “positiva” têm o efeito contrário. Não só dão a impressão de incompetência como fundamentam essa impressão com exemplos objectivamente demonstrados.

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