terça-feira, julho 15, 2008

O custo da propriedade intelectual.

A semana passada, em conversa com uns colegas de bioinformática, alguém notou que a biotecnologia tem avançado muito menos que a informática. Há anos que parece prestes a rebentar mas continua empurrada lentamente por um punhado de grandes empresas em vez de despoletar novas aplicações, postos de trabalho e pequenas empresas como acontece na informática. Eu disse que uma das principais causas é o sistema de patentes.

As patentes começam a ser uma pedra no sapato da informática mas a biotecnologia está atolada em licenças e litígios, não só entre companhias mas também com os próprios clientes. Sementes e CDs têm mais em comum do que se julga (1). Por isso, para inovar em biotecnologia é preciso contratar um batalhão de advogados ainda antes de montar o laboratório. É preciso consultar milhares de patentes, processar os outros, lutar contra os processos dos outros e patentear cada espirrinho não vá outro patenteá-lo antes. Foi isto que levou a Microsoft a uma política agressiva de patentes a partir de 1990, já depois de terem desenvolvido os seus produtos principais (2), e a maioria das patentes em qualquer área já não é um incentivo à inovação mas uma arma legal. Só que a biotecnologia está no extremo. Ao conceder patentes até por sequenciar fragmentos de ADN reduziu-se a biotecnologia a cobrar licenças e marcar território. Os grandes avanços do sector público, onde a informação circula livremente, contrastam com o pântano legal do sector privado.

O problema não está nas patentes ou naquilo a que se chama propriedade intelectual. O problema é confundi-las com propriedade. Uma patente pode beneficiar a sociedade e o inventor ao incentivar o esforço e a divulgação da invenção, mas a forma correcta de a ver é como parte de uma transacção que se quer benéfica para a sociedade e para o criador. A marca registada é um exemplo deste benefício mútuo. A associação exclusiva da marca ao vendedor beneficia o vendedor, que controla a imagem do que vende, e beneficia o comprador que assim sabe a origem do que compra. A investigação farmacêutica é outro exemplo. Ninguém financia anos de testes exaustivos sem ser compensado e não é desejável que o resultado seja secreto. É claramente benéfico para todos que a sociedade ofereça uma contrapartida pelo esforço e pela divulgação dos resultados, desde que a transação compense.

No outro extremo temos patentes como a one click, concedida à Amazon (3) por permitir compras online sem obrigar o cliente a introduzir o número do cartão de crédito a cada compra. É mau negócio dar direitos exclusivos sobre um processo sem custos de desenvolvimento nem nada que seja secreto. Estas patentes servem apenas para dificultar a concorrência. Três semanas depois de ter a patente, e antecipando as compras de Natal, a Amazon processou a Barnes and Noble obrigando-a a retirar o seu serviço «Express Lane» de vendas online.

Este problema abrange toda a propriedade intelectual. Das patentes de software à partilha de ficheiros, é raro o privilégio da exclusividade coincidir com um benefício adequado para a sociedade que o concede. Pela influência de quem detêm estes privilégios, a lei encara a exclusividade como um direito em vez de uma contrapartida a dar só em troca de um valor equivalente.

Não nos podemos deixar enganar pela retórica dos direitos de propriedade. Os direitos de propriedade são consequência da exclusividade inerente ao uso de bens materiais. Se eu como uma batata mais ninguém pode comer essa batata. É pelo uso ser necessariamente exclusivo que precisamos de direitos de propriedade. O dono da batata é que decide quem a come. A propriedade intelectual é o contrário. Parte de coisas que podem ser usadas por todos sem prejuízo de ninguém, como músicas ou ideias, e torna o seu uso exclusivo por mera disposição legal. Neste caso devemos questionar se interessa impor essa restrição. Se todos pudessem comer a mesma batata não haveria vantagem em proibi-lo.

Temos também que compreender os custos de conceder estes privilégios. Os direitos que cedemos, as oportunidades perdidas ao vedar o acesso a uma obra ou proibir que outros a melhorem, os custos inevitáveis dos monopólios e o que pagamos em impostos para que polícia e tribunais se preocupem com estas coisas em vez da nossa segurança.

E quando os nossos representantes querem ceder a alguns o nosso acesso à informação, a nossa liberdade de agir e criar e o dinheiro dos nossos impostos, temos que exigir o façam só em troca de algo que valha a pena.

1- CNN Money, 10-7-08, Monsanto patent fight ensnares Missouri farm town
2- Ars Technica, Tim. B. Lee, Analysis: Microsoft's software patent flip-flop
3- Universidade de Stanford, projecto para a disciplina de Computers, Ethics, and Social Responsibility, 1999-2000, Amazon One-Click Shopping

46 comentários:

  1. Mário,

    Tenho seguido esse processo, mas não tenho tido tempo suficiente para ver com cuidado. No entanto parece-me que há algum alarmismo injustificado neste caso. Isto é uma recomendação de uma comissão; o pacote vai a votos só em setembro.

    Além disso penso que a interpretação das recomendações está a ser um pouco exagerada. Mas sim, estas coisas merecem sempre alguma atenção...

    ResponderEliminar
  2. Ludwig,
    out of topic:
    - Já de discutiu aqui aquela treta dos vedores? Ou não é treta ? :-)

    ResponderEliminar
  3. Vi o anuncio do livro na TV e tive vontade de comprar, porém procurei alguma coisa sobre o autor na internet e vi esse blog de discussão que me deichou sem saber o que fazer.
    Como admirador da alimentação natural e das curas através da natureza, gostaria de dizer que a alimentação natural ou o regime "lactovetariano" do qual tenho razoavel conhecimento e já li varios livros se propõe a que as pessoas que sigam esse regime jamais fiquem doentes porque ele está ajustado ao modo inicial da criação. Eu me pergunto, porque os hospitais vivem entupidos de pessoas doentes? nós fomos criados para sermos doentes?
    Esse regime natural pouco se fala nele, não será porque os grandes grupos não interessem que as pessoas tenham connecimento. Eu fugi um pouco do assunto para que pudesse afirmar com certeza que a cura através da natureza é uma coisa real e não teria porque o autor fazer "treta" porque já é do conhecimento de todos, basta que o autor reuna as informaçoes de modo a facilitar a pesquisa.

    ResponderEliminar
  4. - com -,

    Sim, é treta da grossa. Mas penso que não é muito popular por cá. Conheces alguns desses em Portugal?

    ResponderEliminar
  5. Caro Anónimo,

    Penso que se enganou no post a comentar (não seria o do Kevin Trudeau?).

    Mas isso do natural é fácil de perceber. Não fomos criados para coisa nenhuma. O que aconteceu é que a Natureza foi eliminando da nossa linhagem as características menos propícias à reprodução, mas fez o mesmo nas linhagens de todos os organismos que nos cusam doenças. E em todos os casos fê-lo de forma imperfeita e sujeita a restrições históricas, trabalhando em cada momento apenas com as características que iam surgindo e sem planear o futuro.

    O resultado é que uma alimentação "natural" também não dá garantias de não apanhar com um tijolo na cabeça, uma infecção ou ter uma doença genética.

    ResponderEliminar
  6. Hydrofluric17/07/08, 00:02

    Though I hold several patents, it's quite true that the whole of the patent systems have gone berserk, specially in the USA. For example, IBM has a huge portfolio of patents, not because they are very worried in protecting their own IP but mainly to avoid being sued by other companies.

    But things are getting even more ridiculous, there are now companies whose only purpose is to buy a portfolio of patents (mainly from universities) and then look around for companies that might be infringing one of those patents and sue them. An example in the semiconductor industry: Patent Trolls. The only people that really earn the money are the fat and greedy lawyers.

    Regarding Monsanto, this is a very good documentary (made by French journalist and film maker Marie-Monique Robin) about their ruthless ways to achieve what they want:

    The World According to Monsanto

    No doubt Monsanto are skilled in the art of deception and manipulation. Maybe they should get a patent on that as well.

    Of course, the techniques used by Monsanto [1] are no different from the ones used by other big corporations but there is no way I'll allow them to mess with my food.

    Maybe some big corporation will soon try to patent the Big Bang so that they can claim the universe (a big opportunity for god to finally show up and claim "prior art").

    [1] e.g. Lobbying governments to pass laws to protect them from prosecution and to totally ignore all the negative externalities they cause.

    ResponderEliminar
  7. Ludwig,
    nomes não te consigo dar mas teenho a idéia que não há empresa cá em portugal a fazer furos artesianos que não recorra aos serviços desses "especialistas".
    Há uns 15 anos o meu pai contratou uma empresa para fazer um furo e não é que captaram água a 35 m! Exactamente como o vedor lhe tinha dito!

    ResponderEliminar
  8. Extraordinário! Um cientista afirma «não fomos criados para coisa nenhuma» sem ter qualquer prova científica!

    ResponderEliminar
  9. Extraordinário! Um anónimo manda um comentário completamente inconsequente (e aparentemente sem ter lido nenhum post anterior deste blog), sem bom-senso algum!

    ResponderEliminar
  10. Extraordinário: um anónimo diz "deichou" e toda a gente acha normal!

    Os hospitais não são só para gente doente, mas também para quem quer viver ou morrer (parecendo que não, todos temos que morrer) com qualidade.

    A comida e o estilo de vida não curam nem previnem tudo. Isso é treta. Outra coisa que é treta é ignorar os benefícios que uma vida saudável trás a todos os níveis, esgrimindo com a liberdade de viver decadentemente e que temos que morrer de alguma coisa e que é só uma vez e não sei o quê e que o Estado quer controlar a nossa vida.

    Dito isto, é completamente off-topic, mas não "deicha" de me irritar. O exagero de um lado e do outro.

    ResponderEliminar
  11. Anónimo das 19:03
    Eu me pergunto, porque os hospitais vivem entupidos de pessoas doentes?

    Eu suspeito que é porque os hospitais foram construídos para isso

    ResponderEliminar
  12. Hydrofluric,

    I think we agree on this subject, but I put a greater emphasis on our own responsability as voters in a democratic society. Hopefully, the Web will improve things. In some countries, such as Sweden for example, the politicians are being forced to pay more attention to the people they are supposed to be representing.

    We are still a long way from the level of participation that democracy requires, and if we sit idly while a few groups hijack the system things will not improve. But I think that if enough people start pointing out the rotting bits things will get better.

    It may be blogs that prevent democracy from going down the drain :)

    ResponderEliminar
  13. Anónimo,

    «Extraordinário! Um cientista afirma «não fomos criados para coisa nenhuma» sem ter qualquer prova científica!»

    O que é para si uma prova científica? Considera provado que existem electrões, que o Sol é uma estrela, que não há homemzinhos verdes a viver do outro lado da Lua? Como?

    Eu julgo que as provas em ciência são os indícios que uma explicação é melhor que as outras. E explica-se muito melhor o que se observa com a hipótese que o universo (e nós incluidos) é um fenómeno natural sem propósito ou plano inteligente por trás.

    ResponderEliminar
  14. É só essa a prova? Grande treta, Professor.

    ResponderEliminar
  15. Anónimo,

    É por isso que eu perguntei o que quer dizer com "prova científica". Cada vez suspeito mais que não faz ideia do que está a exigir...

    ResponderEliminar
  16. Eu sei o que quero mas desconfio que o Professor não tem nada para dar.

    Por exemplo:

    1) Qual é a disciplina científica que nos diz «não fomos criados para coisa nenhuma»? A Física? A Química? A Biologia? A Economia? A Sociologia?

    2) Como nos mostra essa disciplina que «não fomos criados para coisa nenhuma»?

    3) Quais os «indícios» que essa disciplina científica nos pode dar para justificar a informação do Professor?

    4) Pode o Professor, utilizando a linguagem matemática, mostrar-me que «nao fomos criados para coisa nenhuma»?

    Elucide-me, por favor. Sem tretas nem divagações.

    Obrigado.

    ResponderEliminar
  17. Anónimo,

    « Qual é a disciplina científica que nos diz «não fomos criados para coisa nenhuma»? »

    Todas. A ciência procura compreender a realidade. A divisão em disciplinas é mera conveniencia dadas as nossas limitações. Mas todas as partes da ciência estão de acordo nisto. Quando modelamos qualquer aspecto da realidade os modelos adequam-se melhor à observação quando não assumimos que há um propósito para isto tudo.

    Além disso a ciência, o conhecimento, depende de hipóteses concretas. Não faz sentido postular que isto tem um propósito sem postular um propósito específico, e para esses não há qualquer evidência.

    «2) Como nos mostra essa disciplina que «não fomos criados para coisa nenhuma»?»

    Como em tudo o resto. Comparando as alternativas.

    Dado um propósito X, consideramos:

    A- A humanidade foi criada por um ser inteligente para servir o propósito X.

    B- A humanidade não foi criada por um ser inteligente para servir o propósito X.

    Até agora, qualquer que seja X, o que temos constatado é que ou A é menos compatível com os dados do que B, ou não é possível distingui-los (por exemplo, se X for "um propósito misterioso impossível de compreender").

    No primeiro caso rejeita-se X por ser incompatível com os dados. No segundo rejeita-se X por ser desnecessário pois assumi-lo ou pô-lo de parte dá a mesma coisa.

    Seja como for, rejeita-se X.

    O que seria preciso para aceitar X era que fosse tal que A correspondesse aos dados melhor que B. Isso nunca aconteceu.

    Mas se quiser propôr um propósito que nos dê uma hipótese útil e produtiva, força.

    « Quais os «indícios» que essa disciplina científica nos pode dar para justificar a informação do Professor?»

    Tudo o que observamos. Não vamos rejeitar dados só por não serem convenientes.

    « Pode o Professor, utilizando a linguagem matemática, mostrar-me que «nao fomos criados para coisa nenhuma»?»

    Se por mostrar quer dizer uma demonstração lógico-matemática, posso fazê-lo trivialmente. Esse tipo de demonstrações são deduções que partem de axiomas. Basta postular como axioma que não fomos criados para coisa nenhuma que fica automaticamente demonstrado.

    Só que isso não nos adianta de nada. O que precisamos é determinar, empiricamente, se essa hipótese corresponde à realidade. E aí saímos do domínio dessas demonstrações e passamos a ter que considerar hipóteses alternativas e confrontá-las com as observações a ver que partes dão certo, que partes dão errado e que partes não servem para nada.

    Mas convido-o a pegar em qualquer modelo matemático de processos naturais, incluindo da nossa própria evolução, e ver lá algum propósito. Verá propósito e intenção em modelos matemáticos de conflitos entre seres racionais (por exemplo, alguns modelos de teoria dos jogos), mas verá também que quando saímos desse âmbito essas premissas não funcionam bem.

    «Elucide-me, por favor. Sem tretas nem divagações.»

    Faço-o por favor, sim. Não por obrigação. Espero que leve isso em consideração.

    ResponderEliminar
  18. Uns exemplos no meio informático...

    True Type
    «There are potential patent infringements in FreeType because parts of the TrueType hinting virtual machine were patented by Apple, a fact not mentioned in the TrueType standards.» (...) «The automatic hinter generally improves the appearance of free or cheap fonts» (...)

    (Fiquei a saber disso quando quis usar uma biblioteca chamada SDL-ttf e encontrei essa informação na documentação)

    FreeType Patents
    «Finally, many Linux distributions seem to distribute a patched version of FreeType 2 with the bytecode interpreter activated, unlike to the sources we distribute. Of course, we can only deny any kind of responsibility in this case.»
    Pelo menos parece que a Apple não está a processar ninguém por usar o tal algoritmo...

    FFMPEG Documentation
    «Note, ASF files often have .wmv or .wma extensions in Windows. It should also be mentioned that Microsoft claims a patent on the ASF format, and may sue or threaten users who create ASF files with non-Microsoft software. It is strongly advised to avoid ASF where possible.»

    FFMPEG License and Lega Issues
    «Q: Does FFmpeg use patented algorithms?
    A: We do not know, we are not lawyers so we are not qualified to answer this. Also we have never read patents to implement any part of FFmpeg, so even if we were qualified we could not answer it as we do not know what is patented» (...)

    2.2.2. Case study No.1: Microsoft's use of Kerberos code
    «In what has become fairly widespread news, Microsoft has taken the Kerberos security system and attempted to extend the protocol in a non-portable way while keeping the extensions secret. So far the biggest news surrounding this issue came from the following Slashdot-Microsoft exchange: a Slashdot reader posted the extensions; Microsoft, under the terms of its license, attempted to have the links removed; Slashdot subsequently told Microsoft where to stick its e-complaint.»

    Social aspects of the BSD vs. GPL debate

    Microsoft claims that free and open-source software violates 235 of its patents, according to a magazine report published Sunday.

    Microsoft's open-source patent threat still intact
    Patent Pledge for Open Source Developers
    (notem a data de publicação: 22 de Fevereiro de 2008)

    History od the Operating Systems
    «Patterson's Operating System, QDOS as he called it, was not solely his. He worked for Seattle Computer Products, so they owned the rights to QDOS. Microsoft decided to purchase the rights to QDOS for $50,000 and change the name of it to PCDOS 1.0.» (...)
    «Before all of this had taken place, Steve Jobs was looking for a way to better his Apple II. In December of 1979, he was invited to partake in a tour of the Xerox Palo Alto Research Center (PARC). Xerox PARC was technologically advanced for their time and had devices that were unheard of. During his tour, he was shown three contraptions: Ethernet, laser printers, and the one that impressed Jobs the most, the graphical user interface.» (...) «Jobs took this idea back to his developers and described what he wanted to incorporate into his new computer. Apple went to work on LISA, which was going to be the first marketable computer with a graphical user interface (GUI).» (...) «Gates was fascinated by the GUI and decided that this is what he wanted for the future of Microsoft Operating Systems.» (...) «Apple saw Windows and thought that it was a clone of their Macintosh Operating System, so they filed a legal suit against Microsoft. After years of battling in court, the court favored Microsoft and their publicity soared.»

    NYT: Did Microsoft rip-off Apple Mac OS X in Windows Vista?

    ResponderEliminar
  19. Professor

    Obrigado pelas suas explicações e disponibilidade. Divagou e não respondeu nada de concreto. Repetiu-se. Digamos que foi pró-moderno. Mas obrigado na mesma. Pelo favor.

    ResponderEliminar
  20. os benefícios que uma vida saudável trás a todos os níveis


    E diz o roto ao esfarrapado: "deicha-me" lá ter cuidado! ;)

    Bem, já somos 3 naturistas... do universo à conquista!

    Mas receber assim um compadre que afina pela nossa causa verdejante...olha que soa pedante!

    No geral, ele tem razão no que diz, embora seja naturalmente exagerado afirmar que as pessoas que sigam esse regime jamais fiquem doentes.

    Isso é um tanto utópico, ó anónimo faraónico! :D

    Por outro lado, dizer que os hospitais não são só para gente doente, mas também para quem quer viver ou morrer (...) com qualidade parece algo esquisito...

    Viver ou morrer com qualidade num hospital?... sendo um doente internado, presume-se!

    Não conheço as estatísticas de mortalidade nos diversos locais, ou seja, quantas pessoas morrem em casa ou em hospitais ou na rua e outros sítios, mas nas patologias crónicas e que não necessitem de suportes avançados de vida é preferível passar os últimos dias em casa ou em centros próprios para doentes terminais.

    A psicóloga francesa Marie de Hennezel e a psiquiatra suíça Elizabeth Kübler-Ross, recentemente falecida, têm vários livros belíssimos sobre o tema, alguns dos quais disponíveis em português.

    Por fim, é de notar o envolvimento muito positivo entre as comunidades budista e médica, a este respeito dos cuidados terminais e dos tratamentos paliativos, conforme se pode ver neste site que já referi aqui há um par de meses:

    Mind & Life Institute

    ResponderEliminar
  21. Caro Anónimo,

    Então peço-lhe eu o favor de me explicar o seguinte, para perceber melhor a sua pergunta.

    1) Só uma disciplina científica nos diz que existem electrões? A Física? A Química? A Biologia? Há alguma que não assuma como verdade que existem electrões?

    2) Como é que se mostra que existem electrões? Não será apenas porque esta hipótese é melhor que as outroas?

    3) Pode o ahónimo, utilizando a linguagem matemática, mostrar-me que existem electrões?

    Se me apresentar uma prova matemática da existência dos electrões dou-lhe razão. Mas julgo que o exercício vai-lhe mostrar onde está enganado.

    ResponderEliminar
  22. Professor,

    Há um equívoco: eu não quero fazer exercícios. Não quero saber onde estou "enganado". Fiz-lhe uma pergunta. Esperava uma resposta esclarecedora. Não a obtive.

    Recapitulemos:

    1) O Professor afirmou que «não fomos criados para coisa nenhuma»;

    2) Inquiri-o sobre as bases científicas da sua afirmação;

    3) Respondeu-me de uma forma vaga - X, A e B, tudo, trivialidades, etecetera e tal.

    4) Concluí que não tinha uma resposta concreta para me dar e despedi-me educadamente, agradecendo com delicadeza o tempo que dedicou ao assunto (escasso, sem dúvida, porque mostrou não ter ideias firmes);

    5) Returque-me com meia dúzia de perguntas mas eu não quero perguntas, peço só respostas.

    Professor,

    Não é despretígio para ninguém reconhecer que não sabe tudo. É uma prova de inteligência. Não se amofine com o assunto.

    ResponderEliminar
  23. Caro Anónimo,

    «Há um equívoco: eu não quero fazer exercícios. Não quero saber onde estou "enganado".»

    Nesse caso não vejo como o posso ajudar. Uma explicação é inútil se quem a recebe não está disposto a fazer um esforço, e uma resposta não serve de nada se não se esclarecer primeiro a pergunta.

    «Inquiri-o sobre as bases científicas da sua afirmação;»

    Eu dei-lhe as bases científicas. São as mesmas de sempre. Considera-se várioas hipóteses, confronta-se com os dados e favorece-se aquela que melhor os explica com menos premissas infundadas.

    Mas isto não o satisfez porque, ao que me parece, não lhe interessa as bases científicas. Interessa-lhe algo que chama «prova científica» mas que ainda não percebí o que raio seja.

    Foi por isso que lhe pedi que me desse um exemplo. E volto a insistir nisto. Se acha que se justifica dizer que o electrão existe, posso-lhe dizer que o processo é essencialmente o mesmo para concluir que não fomos criados com um propósito. Resumindo, novamente, é a hipótese que melhor explica os dados de que dispomos. E isto é o máximo que a ciência (ou qualquer outra coisa) pode dar.

    ResponderEliminar
  24. Professor,

    Façamos outra tentativa. Indique-me, por favor:

    a) As varias hipóteses que fundamentam a sua afirmação «não fomos criados para coisa nenhuma»;

    b) Os dados com que confronta as suas hipóteses;

    c) As conclusões que tira do seu raciocínio;

    d) Para concluir, indique-me por favor se as conclusões a que chegou podem ser consideradas definitivas e irrefutáveis.

    Em relação ao electrão, penso que não está a insinuar que a hipótese (ou conclusão? Fiquei confuso) «não fomos criados para coisa nenhuma» pode ser testada experimentalmente...

    Muito obrigado pela paciência demonstrada.

    ResponderEliminar
  25. Anónimo,

    « As varias hipóteses que fundamentam a sua afirmação «não fomos criados para coisa nenhuma»;»

    Basta ver o que dizem as religiões. O criacionismo evangélico cristão é uma dessas que tenho abordado aqui várias vezes.

    «Em relação ao electrão, penso que não está a insinuar que a hipótese (ou conclusão? Fiquei confuso) «não fomos criados para coisa nenhuma» pode ser testada experimentalmente...»

    Claro que pode. Seria um disparate de hipótese se não pudesse.

    Imagine que encontra um fragmento de barro. Considera duas hipóteses: faz parte de um objecto criado para um propósito ou formou-se naturalmente sem propósito nenhum. Se formular estas hipóteses de forma a gerarem previsões concretas e testáveis pode determinar em qual depositar mais confiança.

    Por outro lado se insistir em noções vagas, sem nunca especificar nada, então está só a perder tempo.

    Se quer conhecer os detalhes da minha hipótese leia o que eu escrevi aqui sobre evolução, ou leia qualquer coisa sobre evolução. É assim que proponho que a nossa espécie surgiu, pelo acumular de mutações ao longo de milhares de milhões de anos de um processo natural e sem intenção nenhuma.

    Se quer conhecer os detalhes de uma hipótese alternativa que rejeito, e porque a rejeito, leia o que escrevi aqui sobre criacionismo.

    Se quiser apresentar uma outra hipótese acerca da origem da nossa espécie, pois seja específico e podemos discutí-la.

    Se quer só dizer "fomos criados para um propósito" sem especificar quem nos criou, como o fez, ou sequer que propósito é esse então estamos só a perder tempo.

    Já agora, "professor" designa uma relação profissional que tenho com os meus alunos. Mesmo que seja um dos meus alunos aqui estou fora de serviço, por isso dispenso o título...

    ResponderEliminar
  26. É assim que proponho que a nossa espécie surgiu, pelo acumular de mutações ao longo de milhares de milhões de anos de um processo natural e sem intenção nenhuma.


    Podemos aqui incluir uma subtil nuance, ó sábio! :)

    É aliás isso que tenho vindo a fazer com a tal propriedade da "inteligência imanente" à própria natureza. De resto, este é um conceito até quantificável, quiçá uma hipótese testável!

    É que há uma via intermédia entre esse propósito "a priori" - que só pode provir de algo exterior ao universo - e a completa ausência do mesmo, a qual, ainda assim, gerou criaturas com propósito, o que não deixa de parecer um tanto suspeito e algo incongruente... Afinal, de onde vem o propósito actual?!

    Ou seja, aquilo que eu estou a dizer é apenas que, da mesma forma que o caminho se faz ao andar, também esse propósito implícito se constrói passo a passo no tal acto evolutivo do universo e dos seres vivos.

    Logo, há de facto um propósito que é ele mesmo tão imanente como a inteligência natural presente em todos os processos que têm por base a auto-organização da matéria, desde as moléculas até às células e o ultra complexo e harmónico funcionamento dos seres vivos.

    Não vejo onde está a dificuldade em compreender e aceitar uma coisa tão simples e que entra pelos olhos dentro de qualquer um que não os tenha fechados, sempre com medo do papão que tudo espreita!

    Claro que neste caso esse fantasma é Deus ou o tal sobrenatural à priori que, de facto, não tem lugar na filosofia natural. Mas, repito, o medo nunca é bom conselheiro e à conta dele vemos uma cobra onde está uma simples corda. Ou, como é o caso, somos capazes de negar uma evidência confundindo-a com alguma metafórica aparência...

    Mas lá iremos, enquanto a inteligência universal maternalmente sorri...

    Rui leprechaun

    (..."Ó Bicho-Homem, gosto de Ti"! :))

    ResponderEliminar
  27. Doutor

    Eu acredito que fomos criados por Deus. É uma hipótese mais verosímil do que não ser criado por ninguém. Eu acredito que fomos criados para adorar Deus. É uma hipótese mais credível do que a sua de não termos sido criado sem finalidade nem propósito algum.

    Eu acredito na teoria da evolução. Se o Deus em que acredito é omnipotente, então tenho de olhar para a Natureza e pensar que se todas as coisas foram criadas desse modo então foi porque Deus assim o quis.

    Doutor,

    Eu tenho uma teoria consistente e fundamentada. O Doutor não tem coisa nenhuma.

    Cordiais saudações,

    ResponderEliminar
  28. Anónimo,

    os deístas acreditam que existe um Deus que criou as Leis Naturais, mas não têm interesse em interferir nos seres humanos. É uma hipótese.

    Mas vamos testar a sua. Deve ter adorado um Deus durante quase toda a sua vida, e suponho que acredita que a oração é um meio de comunicar com esse Deus. Vamos supor que um avião está prestes a colidir contra um prédio. Acha que esse Deus importasse contigo ou com qualquer pessoa no prédio a tal ponto de evitar a colisão com um milagre? Não me parece... Por isso gostava de saber de onde vem essa ideia
    de que "fomos criados para adorar Deus" se o simples facto de esse tipo de coisas acontecer pode resultar o contrário (por exemplo, Alan Turing tornou-se ateu em criança porque viu que não havia sentido haver um Deus que lhe deu uma doença grave em criança - será que foi criada "porque Deus assim o quis"?)

    Logo a hipótese deísta é muito melhor que a teísta. O problema é que é tão boa, que não é falsificável.

    Se não concorda, então apresente lá testes para provar e outro para refutar a a existência de seu Deus, e com um teste de controlo. Se não há, então qual é a razão para dizer que faz mais sentido?

    ResponderEliminar
  29. errata:
    «mas não tem interesse em interferir nos seres humanos»
    «Acha que esse Deus importa-se contigo»

    ResponderEliminar
  30. Engenheiro Pedro Amaral Couto

    Deus interferiu na História com Jesus Cristo, Seu Filho, Deus encarnado. Fora disso Deus não anda por aí preocupado com a prevenção rodoviária ou aérea.

    Quanto a Deus "dar" uma doença só mesmo uma criança pode culpar Deus pelo mal que acontece. Um adulto sabe que o Criador construiu o Universo e a partir daí é tudo fruto do acaso como nos ensina a ciência.

    ResponderEliminar
  31. Além disso, senhor engenheiro, se Deus deu uma doença grave a Turing deu-lhe também uma inteligência superior e ofereceu-lhe a imortalidade em Terra. Ninguém se lembra do Sr. Silva do Terceiro Esquerdo que bebeu sempre o seu copito e viveu saudável até aos 98 anos mas todos conhecem Turing.

    ResponderEliminar
  32. Senhor anónimo,

    eu sou como Tomé. Eu não vi as feridas de Jesus, e não vou pelo mesmo mesmo motivo acreditar que o mesmo Deus conduziu israelitas do cativeiro de Babilónia à América, ou que houve um Messias muçulmano no século passado, ou que as ruínas de Tróia e o sepulcro de Gilgamesh provem que existem deuses gregos ou sumérios.

    Se não acredito que exista um Deus, é óbvio que não vou culpá-lo. Se houvesse algum Deus que não seja omnipotente, então teria sido um acidente fortuito que não pôde evitar. Apenas apresentei uma hipótese muito melhor que inclui a existência de um Deus.

    Apresentei um teste muito simples que refuta o Deus omnipotente que se preocupa com os humanos. Gostaria de ver contra-argumentos respondendo com a sugestão de testes, já que diz que tem «uma teoria consistente e fundamentada».

    ResponderEliminar
  33. Já agora, anónimo, que título tem vocemecê?

    E dizer que "acredito em X" não é uma teoria consistente e fundamentada.

    The meaning of life

    ResponderEliminar
  34. Pode tratar-me por senhor arquitecto Anónimo Pereira, senhor engenheiro Pedro Amaral Couto

    Quanto às provas da existência de Deus aconselho-o a ler o seguinte livro:

    http://www.ebooks.com/ebooks/book_display.asp?IID=192594

    ResponderEliminar
  35. Senhor arquitecto Anónimo Pereira,

    Uma teoria, neste contexto, é um conjunto coerente e interligado de modelos conceptuais. Por exemplo, a teoria da evolução das espécies é o conjunto de modelos acerca da genética de populações, dos mecanismos moleculares da hereditariedade, das interacções entre genes, da fossilização, estratigrafia, etc.

    E cada modelo descreve um conjunto de observações e permite inferir dados para além desse conjunto. Por exemplo, os modelos matemáticos de genética de populações não só descrevem o que aconteceu até à geração X mas, a partir daí, permitem prever o que vai acontecer se aquelas condições se mantiverem.

    Posto isto, eu diria que o senhor arquitecto Anónimo Pereira não tem teoria nenhuma. Tem uma crendice. Deu-lhe para acreditar nessas coisas, e pronto. Não só lhe falta as evidências que indiquem que está a descrever algum aspecto da realidade como também as suas crenças são completamente inúteis para extrapolar informação nova.

    ResponderEliminar
  36. Senhor Doutor Ludwig Krippahl

    Hà modelos que são crendices. Para que funcionem tem de lhe colocar hipóteses simplificadoras. E os modelos falham. Sabe muito bem, senhor Doutor, que a teoria da evolução tem falhas, não é um modelo perfeito.

    A minha "crendice", como lhe chama, é a Verdade. Pura, simples e perfeita. Por isso resiste a todos os modelos científicos. Sem Deus os seus modelos científicos nunca existiriam, Doutor. Porque foi Deus que fez a ciência e permite ao senhor Doutor efectuar as suas pesquisas e modelos.

    ResponderEliminar
  37. Arquitecto Anónimo,

    o livro em questão não prova a existência de algum Deus. O valor probabilístico apresentado é de 67%, baseado nos seguintes factores:
    * existência e reconhecimento do bem
    * existência do mal moral e natural
    * milagres
    * experiências religiosas
    Para obter esse valor é necessário aceitar os valores subjectivos do autor. O que não é muito bom, tendo em conta isso conjugado com o valor dado e ainda o facto de ele começar com o valor 50% com algo similar à aposta de Pascal.

    Do autor (Stephen Urwin):
    «Well, let’s not forget that this number has a subjective element since it reflects my assessment of the evidence. It isn’t as if we have calculated the value of pi for the first time. Nevertheless, it’s my best attempt, it was based on systematic analysis, and you know how I got there.»

    Para algo mais interessante, vide: How to convert an Atheist

    Note que proposições had hoc não são muito convicentes num argumentário, por isso essa das teorias terem como fonte um ser divino não resulta muito bem. Quando não existe propósitos, tanto pode existir X como o oposto de X e as zonas neutras. Por exemplo, o bem, o mal, a neutralidade e todas as zonas entre os extremos. Se algo é feito com um propósito, existem limitações que evitam um dos casos e assim seguir necessariamente a direcção desse propósito.

    Mas mais uma vez não me apresentou os tais testes que pediu. Se não existem, não se pode dizer que há alguma teoria consistente e fundamentada. Então vou assumir que não existem até que me sejam apresentados.

    ResponderEliminar
  38. Senhor Engenheiro

    Não sei onde foi buscar esse valor de 67% mas Urwin afirma que a probabilidade é de 95%.

    Whatever, passemos adiante.

    Quanto aos testes, sugiro-lhe o seguinte:

    1) Converta-se ao Cristianismo;

    2) Frequente os sacramentos e tenha uma vida piedosa de oração, jejum, penitência, sacrifício, mortificação corporal, de adoração total a Deus e de veneração à Virgem Maria e a todos os santos;

    Depois de uns anos com uma vida de total devoção a Deus - sabe que isto dos testes são coisas muito demoradas - volte aqui para conversarmos e indique-me as suas conclusões.

    Se recusar os testes, feitos por si para que não argumente sobre possíveis enviesamentos, então direi que tem medo de descobrir as suas conclusões e a Verdade.

    Arquitecto Anónimo Pereira

    ResponderEliminar
  39. Arquitecto Anónimo,

    os 65% são dos cálculos probabilísticos. Mas eu por outro lado sei de onde vem esses 95%.

    encyclopedia.com :
    Is there really a 67% probability that God exists?(The Probability of God: A Simple Calculation That Proves the Ultimate Truth)(Book Review)


    www.lifepositive.com : The probability of God existing
    «Meet Stephen Unwin, who received his doctorate in theoretical physics from the University of Manchester» (...) «n his provocative and riveting book, The Probability of God: A Simple Calculation that Proves the Ultimate Truth, he tries to show how a mathematical equation» (...) «the author analyses the data to reach the conclusion that the probability of God’s existence is 67 per cent».

    education.guardian.co.uk :
    Odds on that God exists, says scientist

    «A scientist has calculated that there is a 67% chance that God exists.» (...)
    «Despite his findings, Dr Unwin maintains that he is personally around 95% certain that God exists.»

    Os seus testes deram-me uma enorme vontade de rir. Primeiro é preciso acreditar (ou seja, com cepticismo, nada feito), e depois dar um tratamento ao corpo cujo que se sabe provocar alucinações como no consumo de drogas (teste de controle). Mudando o "converta-se ao Cristianismo" para outra religião (ex: islamismo) e diringindo os santos para outros, como Alá ou Maomé, prova-se - pela tua lógica - que outras religiões, como o islamismo, são verdadeiras (outro teste de controle). Como isso leva a inconsistências, o teste é inválido, para além de ter de assumir a priori a veracidade do que está a ser testado. Está a pedir-me que seja feita uma lavagem cerebral. E onde estão afinal os teste de refutabilidade e de controle?

    Se acha que tenha medo, então compare lá esse vídeos que coloquei no ano passado no meu canal de YouTube:
    Controle da mente, ou Como se tornar num líder de culto - P1
    Controle da mente, ou Como se tornar num líder de culto - P2

    E vide os seguintes artigos que escrevi também no ano passado para comparar com aquilo que me pede:

    Kiai e exorcismo; uma coisa é ouvir, outra coisa é ver
    James Hydrick
    Obediência e conformidade

    Como pode ver, se o seu teste fosse válido, então provaria que os indivíduos apresentados nos vídeos têm poderes sobrenaturais e que os indivíduos nos testes psicológicos estão correctos.

    Ainda estou à espera dos testes. E olha que coloquei condições para separar o trigo do joio que ignoraste.

    ResponderEliminar
  40. Engenheiro Pedro Amaral Couto

    Vi que pesquisou no Google e não leu o livro. Infelizmente o Google transformou as nossas vidas: não lemos livros, apenas referências sobre livros. Pesquisamos, lemos meia dúzia de frases e pensamos que sabemos tudo. É triste, senhor engenheiro!

    Os testes não são para rir. "Converter-se ao Cristianismo" não significa perder o seu cepticismo e o seu espírito crítico. Pode querer dizer, simplsmente, "vamos lá ver se é verdade".

    A proposta que lhe faço, senhor engenheiro, é muito simples:

    Viva tudo aquilo que os crentes vivem. Participe, olhe, observe. Por dentro, não por fora. Não se feche nos seus modelos dogmáticos. Abra a mente, senhor engenheiro!

    O que eu lhe ofereço é muito simplesmente um teste do tipo «Faça você mesmo!». Do que tem medo, senhor engenheiro? De reconhecer que errou quando defendia o ateísmo? Outros antes de si o fizeram, outros o farão!

    ResponderEliminar
  41. Claro que pesquisei no Google. Se tiver de pagar e ler o livro todo vai ter de esperar. De qualquer modo, se o que é assumido no livro é o que indiquei, então não é grande coisa. Mas pelo que parece ele disse mesmo que era 65%.

    Pelos vistos não me conhece bem. Mesmo não acreditando, eu aceitei fazer "estudos bíblicos" e a participar em rituais, inclusivamente de seitas. O resultado é oposto do que os crentes esperam. Mas fiquei com um bela colecção de bíblias (como dos Gideões), tenho um livro de Mórmon, literatura de Testemunhas de Jeová, jornais do Reino Universal de Deus, panfletos de evangelistas e das missas (eu participei em procissões católicas, meu caro, com um colete vermelho e tenho guardas fotos dos andores, das velas de baptizado, imagens oferecidas por uma avó e tia, etc.) e uma Bíblia para crianças. Portanto, se é isso que querias, está feito. Aliás, os artigos que escrevi são baseados nessas minhas experiências do "faça você mesmo".

    Quero saber se há afinal algum teste segundo os requisitos dados.

    ResponderEliminar
  42. Senhor Engenheiro

    Começou pelo sítio errado. Inicie o seu percurso pela oração. Seja persistente. Peça a Deus para que lhe ilumine a mente e o liberte dos dogmas pseudo-científicos e das modelices que toldam os espíritos!

    ResponderEliminar
  43. Pedro Amaral Couto,
    porque será que estes fundamentalistas têm tanta vergonha de dar a cara e assinam sempre com anónimo ou pseudónimos? Será que afinal sempre se apercebem dos disparates que dizem? E que só se sabem mesmo defender com (tentativas de) insultos porque não têm mesmo argumentos? E serão estes os tais mistérios de deus?
    Cristy

    ResponderEliminar
  44. Controle da mente, ou Como se tornar num líder de culto

    Obediência e conformidade



    Ena! tantos links, isso é mesmo uma actividade frenética!

    Já tinha lido há uns 2-3 anos atrás essas interessantíssimas experiências psicológicas, após ter visto esta referência à experiência de Stanford, de Philip Zimbardo.

    Muito se pode comentar acerca de tudo isso, mas o ponto central para mim é sempre o mesmo: autoconhecimento, só aí reside a verdadeira independência!

    E a experiência de Arsch está perfeitíssima para o meu actual cavalo de batalha: GW man-made... really?!

    Para além do conformismo, da peer pressure e da obediência à autoridade, há ainda outro factor a ser discutido, e que os teus vídeos também salientam: a trip de controle!

    Mas atenção, não é apenas o poder sobre os outros, isso é por demais conhecido. Eu refiro-me à ilusão ainda maior de pretendermos poder controlar algo demasiado grande e complexo, reduzindo-o apenas a um pequeno fragmento sobre o qual temos algum poder de decisão.

    Ora repara nestas citações bem elucidativas do IPCC, afirmando que solar forcing is considerably smaller than the anthropogenic radiative forces (...) its level of scientific understanding is very low (...) forcing by greenhouse gases continues to enjoy the highest confidence levels (...) it is unlikely that natural forcing can explain the warming in the latter half of the 20th century.

    Na realidade, as dezenas de estudos existentes sobre os diversos ciclos solares - desde 11 até cerca de 200 anos - dão um peso de pelo menos uns 50% ao sol na regulação do clima, o que parece muito lógico. Só que ele está totalmente fora do nosso controlo, como quase tudo o resto, incluindo o próprio CO2, claro.

    Porém, como até temos ultimamente produzido uma maior quantidade, é mesmo só isso que podemos ter a ilusão de controlar, ainda que o efeito seja mínimo. Mas enfim, sempre se convencem as tropas de que se está a fazer algo, ora pois!

    Por outro lado, como a ciência e o pensamento se querem independentes, é muito chato ter não conformistas no grupo, logo tenta-se apregoar consensos inexistentes ou ilusórios para manter um controlo maior sobre os obedientes e conformados com a palavra sagrada do "magister dixit", contando aqui com o papel dos mass media que servem o dono. Ah, e um profeta impoluto, fica sempre bem! Revê os vídeos que traduziste e compara... o que não faltam são novos cultos e com um cheirinho a apocalipse o sucesso é garantido!

    A Net é que é uma chatice, pois representa o foco de resistência mais inconformado e tenaz... aqui não se dobra assim a cerviz, é-se independente de raiz!!!

    Por último, não basta papaguear e acenar com a cabeça que sim, "malvados gurus e papas e ayatollhas!", pensando que só daí vêm as tais ameaças ao pensamento individual e autónomo.

    Há muitas maneiras de levar o rebanho ao matadouro e poucas são as ovelhas que dão o alarme e fazem finca-pé. Mas se o seu número for suficiente, a multidão resiste muito melhor à hipnótica sugestão da autoridade.

    Logo, que campo vais escolher? O dos guardas e professores que ameaçam com os choques das desgraças meteorológicas ou o da tua própria consciência inteligente que sabe da natural variabilidade dos ciclos e da necessidade de a eles nos adaptarmos, com inteligência mas sem ilusões vãs de utópico comando?!

    There are two sides... an old and a new one... and a bright winning Sun!!! :)

    Byrds - Turn! Turn! Turn!

    To everything (turn, turn, turn)
    There is a season (turn, turn, turn)
    And a time for every purpose, under heaven

    A time to gain, a time to lose
    A time to rend, a time to sow
    A time for love, a time for hate
    A time for peace, I swear its not too late

    ResponderEliminar
  45. Arquitecto Anónimo,

    para todos os religiosos prosélitos todos começam de forma errada, se não for pelo caminho deles. Todos dizem que é preciso mente aberta e escrevem isso nas suas revistas, livros, jornais e na Web. Há algum tempo um espírita disse-me que também tenho de ter mente aberta e vou visitar um Centro Espírita.
    Como é o mote do canal "Infinito"? "Abre a sua mente". Os próprios é que não têm mente aberta e anda às guerrinhas entre si. Assim os apóstatas que mudaram para outra organização religiosa ou os independentes tornam-se uma fonte preciosa para se começar a conhecer o que acontece nesses antros. Por exemplo, na América se dizem que eram Católicos, os Evangélicos dizem que é por isso que não são crentes. Haja paciência! Pela sua conversa, deve ser Católico. Como já disse, eu até já participei em procissões, enfeitando o chão com flores, usando um colete vermelho durante a procissão. O padre já esteve em casa onde vivia e jogava voleibol com o meu pai. Eu sou açoriano, por isso é óbvio que tenho experiências muito próximas com o Catolicismo.

    Pedi testes positivos (prova), de refutabilidade e de controle. Todos os prosélitos acham-se especiais, que estão na Verdade, e que todos os outros estão errados. Quando não somos tão fáceis como pensam ou descobrimos certas coisas que não são agradáveis, dizem que é preciso ter mente aberta. Os muçulmanos também dizem que vêem Alá quando oram e é possível encontrar vários artigos sobre o assunto com citações do Corão. Todas as religiões têm as suas visões. Até mesmo os que dizem ser abduzidos por extraterrestres têm visões, e se não acreditamos, então estamos a atacá-los (é assim que identifica os especiais), pertencemos ao sistema (o meu reino não é deste Mundo) e não estamos na Verdade ("the Truth is out there"). Descobriu-se que se pode ter o mesmo tipo de visões tomando certas drogas, e elas dependem das crenças pessoais de cada um. Por exemplo, um Católico vê santinhos e um muçulmano vê Alá, mas ninguém vê os seres das crenças opostos. São testes de controle. Como resultam do mesmo modo neles, então se queres assumir que o que dizes é verdadeiro, então deves assumir que as outras religiões são igualmente verdadeiras. Mas como têm uma relação com Jesus numa religião em particular, e não têm uma mente aberta para participarem nas outras, então acham que é uma prova suficiente.

    Se acha que tem mente aberta e que o seu teste é válido, então faça o mesmo para o caso dos muçulmanos. Converta-se num muçulmano e siga os seus rituais. Tenho uma amiga muçulmana chamada Hamida, por isso conheço alguns pormenores. Como não sou religioso tenho uma muito maior abertura de espírito do que possas imaginar - ouço todos, entro nos templos, participo nos seus rituais, leio a sua literatura -, e não é a primeira vez que ouço um tacanho a falar em mente aberta de forma unilateral.

    Ainda espero por uma sugestão de um teste com os requisitos dados, mas insiste na mesma coisa. Vou assumir que não tem seja o que for enquanto insistir no mesmo.

    Cumps

    ResponderEliminar

Se quiser filtrar algum ou alguns comentadores consulte este post.