domingo, junho 08, 2008

No Portal Ateu

publiquei hoje uma resposta a este post do Alfredo Dinis. Como temos conversado aqui os dois sobre estas coisas achei que pudesse interessar aalguns leitores deste blog. Aqui fica o link:

Males maiores.

Já agora, aproveito para fazer publicidade ao Planeta Ateu, um agregador de blogs de, para ou sobre ateus.

30 comentários:

  1. A certa altura, o A.Dinis diz 'é neste deus que eu acredito'.
    Acho que é significativo que tantos religiosos acreditem no 'seu' deus, apesar de partilharem a mesma religião.Já tive várias discussões com religiosos e chega sempre a um ponto em que dizem 'mas esse não é o meu deus', especialmente quando menciono as atrocidades do velho testamento.
    Quando peço para definir esse deus, costuma surgir ou uma figura paternal/ pai natal, ou um ser etéreo espalhado pelo universo, mas, apesar de tão diferente, com traços humanos no que se refere à sua filosofia.
    Se cada um inventa o seu deus, então o que leva as pessoas a continuar numa igreja? Será que a igreja não passa de um clube onde as pessoas encontram apoio e aprovação social?E, a outro nível, uma forma de se integrarem em grupos de interesses para subirem socialmente e profissionalmente?
    Bjs Karin

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  2. Karin,

    Obrigado pelas suas observações.

    Quando digo 'é neste Deus que eu acredito' não estou a dizer 'este é o meu deus'. O Deus em quem acredito é o mesmo em quem acreditam milhões de cristãos e, creio bem, de não cristãos. Eu não inventei Deus. No cristianismo, a fé é sempre algo que se partilha, em que se amadurece, e é aqui que o individualismo racionalista das sociedades contemporâneas mostra como é inadequado para os cristãos.

    No que se refere ao Antigo Testamento, há ali diversas concepções de Deus, uma vez que os 'livros' (é o que significa Bíblia) que o compõem foram redigidos em tempos e lugares diferentes. Os judeus tinham o 'seu deus' tal como outros povos. A ideia de que o seu deus teria que lutar ao seu lado para destroçar os outros povos tinha duas finalidades. Este deus provava a sua existência pela via do poder, e os judeus apareciam como 'o povo' desse deus. Tudo isto tinha uma certa lógica. Mas reduzir a ideia de Deus no Antigo Testamento a esta perspectiva é extremamente redutor. Os profetas a presentavam uma ideia de Deus muito mais convincente, que responsabilizava os judeus pelo estabelecimento de relações interpessoais baseadas na justiça e não em sacrifícios de animais, por exemplo. Há passagens do Antigo Testamento em que Deus aparece como ternura, apaixonado pela humanidade. Tudo isto poderá parecer uma inaceitável antropomorfização de Deus. De facto, não temos outra linguagem. E se os cristãos acreditam que o sentido último da vida humana está em Deus, não me parece tão estranho que tenhamos alguma semelhança com ele.

    Cordiais saudações,

    Alfredo Dinis

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  3. Acho que esse é um dos objectivos da falta de clareza e demais obscuridade da linguagem religiosa: congregar pessoas que têm crenças e valores diferentes, no que respeita à religião e à moral, mas que acreditam que têm essencialmente os mesmos.

    Só mesmo a lingagem da mentira que caracteriza o catolicismo e outras banhas da cobra - essa lingagem para quem a clareza é desconhecida - poderia ser usada para esse fim.

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  4. O texto anterior era dirigido à Karin.

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  5. Partilho a dúvida da Karin quanto ao denominador comum que Deus representará para todas essas projecções. Tenho até uma modesta teoria:

    a congregação religiosa serve-se das vantagens de reunir em rebanho (a comparação não é minha) e para quem desconhece o que vem do céu e dele espera não apenas o melhor como o pior, o templo é uma espécie de abrigo anti-aéreo. Ver o caso paradigmático da Basílica da Señora del Pilar em que uma bomba por explodir - Saragoça, Guerra Civil - consta na parede como uma relíquia.

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  6. Alfredo:

    «Quando digo 'é neste Deus que eu acredito' não estou a dizer 'este é o meu deus'. O Deus em quem acredito é o mesmo em quem acreditam milhões de cristãos e, creio bem, de não cristãos.»

    O Deus em que o Alfredo acredita é o Deus que não tem nada contra o uso do preservativo?
    E contra o casamento de dois indivíduos do mesmo sexo?

    Quando abandonamos as declarações vagas e começamos a esclarecer as crenças concretas é que entendemos que os cristãos acreditam em Deuses diferentes.
    O Pedro Silva acredita que o Inferno pode estar bem vazio, mas o Mats acredita que qualquer não cristão vai lá parar. Não, não é o mesmo Deus.


    «Os profetas a presentavam uma ideia de Deus muito mais convincente, que responsabilizava os judeus pelo estabelecimento de relações interpessoais baseadas na justiça e não em sacrifícios de animais, por exemplo.»

    Sempre que os ateus lembram as passagens em que é dito que devia ser apedrejado quem trabalhasse ao sábado, os crentes dizem que é preciso interpretar essas passagens «no contexto».

    Eu acho muito importante interpretar os textos no seu contexto, mas acho curioso que tantas dezenas (centenas) de vezes oiça alegações de que essas passagens estão mal interpretadas, sem nunca conhecer nenhuma interpretação alternativa dessas passagens em concreto.

    Depois existe claro, o uso da palavra contexto no sentido abranjente de «contexto sócio-cultural». Explicam-nos pacientemente que o antigo testamento foi escrito numa determinada época, e como tal foi influenciado pelos valores da altura.
    Mas que em que é que acham que os ateus acreditam? Que Deus é um malvado e mandou escrever coisas más? Não!
    Acreditam que precisamente porque não existe Deus nenhum, ninguém foi dizer a quem escreveu a Bíblia nada diferente daquilo que eles acreditavam.
    Se Deus não existisse, quem acreditassem em valores monstruosos iria transpo-los para os livros mais sagrados da sua religião. Se Deus existisse, poderia ter inspirado os seus escritores fazendo-os evitar tal monstruosidade.
    O facto de quem escreveu a Bíblia ter sido influenciado pelos valores arcaicos da altura é precisamente a razão pela qual não podemos confiar nesse livro enquanto guia moral ou ético. E é um bom indício de que um Deus bom não presidiu à escrita daquelas linhas.

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  7. Alfredo Dinis,
    agradeço os seus esclarecimentos, mas não fiquei esclarecida.Tenho as mesmas dúvidas que o João Vasco e concordo que a falta de clareza da linguagem religiosa é intencional.
    Não estranho de modo algum a antropomorfização de deus.Se ele nos criou à sua semelhança, tem de ser muito parecido a nós, mas aí está o problema: ele é mesmo parecido demais a um ser humano poderoso, caprichoso e egocêntrico.
    Ou será uma mulher tipo madre Teresa de Calcutá? Era mais simpático, mas aí faltava-lhe a autoridade, e a autoridade é central em todas as estruturas religiosas. Tem de haver sempre quem mande (numa hierarquia até deus)e quem obedeça sem questionar os memes que as religiões transmitem.
    Quanto à sua afirmação que os cristãos acreditam que o sentido último da vida humana está em deus, isso é dar a resposta sem fazer a pergunta.No 'Hitch Hikers Guide to the Galaxy' a resposta para 'life, the universe and everything' é, salvo erro, 42. Mas qual é a pergunta? Continuamos a não saber qual é o sentido da vida. Mas isso será assim tão importante? O facto de eu não fazer a mínima ideia se a minha vida tem sequer um sentido não me aquece nem me arrefece. Tento apreciar a parte boa da vida e eliminar a má na medida do possível.Não preciso de nenhum sentido último para ser feliz,nem dum grande objectivo final (tipo ir para o céu).
    Bjs Karin





    Bjs Karin

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  8. Em vão têm os cientistas naturalistas procurado remover Deus da equação.

    Por mais que tentem, não o conseguem de todo fazer.


    A origem da energia que supostamente terá explodido no Big Bang continua por explicar.

    Se o Universo teve princípio e se encontra a perder ordem e energia, qual foi a causa primeira dessa ordem e dessa energia?

    A incapacidade de explicação verifica-se também no caso da suposta inflação do Big Bang e dos processos físicos que conduziram à sua paragem.

    E como se passou daí para a precisa sintonia do Universo para a vida?

    A origem das estrelas e das galáxias permanece inexplicada, como se pode observar lendo a literatura especializada.

    Do mesmo modo, nunca ninguém explicou como é que informação codificada contida no DNA poderia ter surgido por processos naturalísticos.

    Muitos cientistas rejeitam o ensino bíblico, alegando que só aceitam evidência empírica como prova científica.

    No entanto, nunca ninguém viu a vida a surgir por acaso nem uma espécie menos complexa a evoluir para outra mais complexa.

    Confunde-se, assim, os factos em si mesmos (v.g. fósseis, rochas, esqueletos) com as interpretações evolucionistas dos factos.

    No entanto, os factos não falam por si. Eles precisam de ser interpretados.

    Mas se as observações empíricas são realmente decisivas, então deve ter-se em conta que existe mais evidência histórica de que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos há 2000 anos atrás, em Jerusalém, do que de que a vida surgiu por acaso há alguns biliões de anos atrás.

    O primeiro evento referido foi observado e registado por testemunhas fidedignas, dispostas a morrer por esse facto.

    A crucificação e a morte de Jesus foram relatados pormenorizadamente, com referências a locais e pessoas bem determinados, passíveis de investigação histórica.

    Por sua vez, o túmulo de Jesus foi encontrado vazio, só com um lençol, e o cadáver de Jesus nunca foi encontrado.

    Mesmo os cépticos puderam tocar no corpo de Jesus e verificar que tinha ressucitado.


    Considerando que a ressurreição de Cristo foi proclamada logo em Jerusalém, e não na Índia ou na China, teria sido fácil às autoridades romanas e a judeus desmenti-la.

    Bastaria apresentar o cadáver e calar, desse modo, os discípulos. Tal nunca foi feito.

    O certo é que a proclamação convicta da ressurreição física de Jesus Cristo constituiu o propulsor do Cristianismo num ambiente ostensivamente hostil.

    Os primeiros cristãos pagaram com a própria vida a sua crença na ressurreição.

    Diferentemente, a origem acidental da vida nunca foi observada e registada por ninguém, não passando de especulação naturalista falsamente apresentada como ciência.

    Laboratorialmente, todas as tentativas de reproduzir essa origem acidental têm sido votadas ao fracasso.

    Mesmo Leslie Orgel, um dos maiores especialistas na investigação da origem da vida, acabou por reconhecer, em escrito postumamente publicado, que a vida simplesmente não surge por acaso.


    A razão é simples: não existe informação codificada sem inteligência, e não existe vida sem informação codificada.


    A ressurreição de Cristo pode ser investigada historicamente.

    A mesma corrobora que Deus pode criar vida da não vida instantaneamente, corroborando o relato do Génesis.

    Do mesmo modo, ela corrobora o facto de que Deus não precisa de milhões de anos de tentativas e erros para criar um corpo humano.

    O Cristianismo baseia-se em factos observados e não em suposições.

    O mesmo não sucede com o hipotético Big Bang ou com a origem acidental da vida, factos remetidos para um passado profundo hipotético, não observado por ninguém.

    Ou seja, mesmo do ponto de vista empírico, o criacionismo é claramente superior ao evolucionismo, na medida em que faz apelo a factos historicamente testemunhados e investigáveis.

    O evolucionismo remete os seus principais factos para um passado inacessível e cuja ocorrência real é impossível de provar.

    O Cristianismo baseia-se em factos.

    O evolucionismo baseia-se em especulações.

    Na base do ateísmo propagandeado por este blogue estão suposições sem fundamento histórico e empírico.

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  9. Perspectiva disse:

    "O Cristianismo baseia-se em factos observados e não em suposições. "

    Não sei. Alguém estava lá para ver e documentar o inicio do Universo? Como sabe que foi Deus? Nunca ninguém viu um Universo a ser criado por Deus.



    "Por sua vez, o túmulo de Jesus foi encontrado vazio, só com um lençol, e o cadáver de Jesus nunca foi encontrado.

    Mesmo os cépticos puderam tocar no corpo de Jesus e verificar que tinha ressucitado. "


    Então, o corpo desapareceu, mas os cépticos puderam tocar no corpo e verificar que tinha ressuscitado.
    É o mesmo que dizer "eu comi um chocolate, mas os cépticos puderam tocar no chocolate (já depois de eu o ter comido) e comprovar que eu o tinha ingerido". Isto faz um sentido bestial, caro Perspectiva.


    Quanto ao resto da sua propaganda teológica, já parece a cassete do PCP. Aquela que já ninguém ouve, basicamente por se encontrar ultra-desajustada da realidade.

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  10. pedro romano09/06/08, 16:50

    «Quanto ao resto da sua propaganda teológica, já parece a cassete do PCP. Aquela que já ninguém ouve, basicamente por se encontrar ultra-desajustada da realidade.» - Sgt. Hartman

    E por ser repetitiva. A ideia com que fico é que o Perspectiva tem um dois ou três comentários pré-feitos; e depois basta dar uns retoques para o ajustar ao post, levar ao microondas e fazer copy-paste. Provavelmente, os únicos objectivos são fazer ruído e boicotar o debate. Não sei até que ponto não seria ajuizado remover estes comentários.

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  11. Antes não se sabia de onde vinha a chuva, e os povos inventavam deuses.
    Hoje alguns não entendem como evoluiu a vida, e alguns charlatães inventaram o criacionismo.

    Se um cadáver ausente prova uma ressurreição, só espero é que desta vez o Hitler não faça mais estragos.
    Se os testemunhos na 3ª pessoa provam um facto milagroso, tenho pena que tenhamos extinguido as sereias e nunca mais encontrado a Excalibur.

    Enfim, novamente o chorrilho de disparates habitual sem qualquer relação com o texto do Ludwig ou do debate que se seguiu ao mesmo. A falta de respeito das tácticas retóricas (tantas vezes desonestas) dos criacionistas bem exposto em mais um comentário do perspectiva.

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  12. Sgt. Hartman
    remover os comentários do Perspectiva parece-me ser dar-hes demasiada importância. Honestamente, há muito que desisti de ler tanta imbecilidade. O que é uma pena: se um dia ele trouxer um argumento válido, perde-se. Mas essa «perspectiva» parece-me um pouco utópica :-)
    Cristy

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  13. Olá Cristy,

    foi o Pedro Romano que sugeriu mandar os comentários do Perspectiva para o lixo digital, não eu.
    Eu por mim defendo totalmente a liberdade de expressão, mesmo que seja para dizer as barbaridades que já aqui li.
    Podem é depois sujeitar-se a serem desmascarados e expostos ao ridículo, mas isso é outra conversa.

    Rui.

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  14. O sentido da vida

    Diante dos muros da cidade, numa noite de inverno,
    Um homem que tinha sofrido muito gritou, desesperado:
    "Qual é o sentido da vida?"
    E o eco respondeu-lhe claramente: "A vida!"


    Frans Wilde


    Quite simple as you see...

    Rui eprechaun

    (...Life is the meaning, O Kristy! :))

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  15. Sgt. Hartman
    peço dsculpa pelo lapso e concordo plenamente.
    Cristy

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  16. Caro Leperchaun,
    não percebi a honra que me fazes, mas como foi curtinha, até a li. Não percebi, porque não me lembro de ter perguntado pelo sentido da vida. É um assunto que arrumei há muito tempo para a minha plena satisfação, sem recurso a deuses, fadas ou fengshui.
    Cristy

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  17. Leprechaun,
    até gosto dessa história. Realmente o sentido da vida,se é que há algum, é a vida.
    Bjs Karin

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  18. Caro Jónatas Machado,

    «Em vão têm os cientistas naturalistas procurado remover Deus da equação.»

    Pode nos mostrar que equação é essa?

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  19. Caro joã o vasco,

    Apesar do tom um tanto agressivo dos seus textos, pode crer que tenho interesse por eles, porque são frontais, honestos e transparentes. Refiro-me a duas das questões que levantou.
    A primeira tem a ver com a opinião de Deus sobre o preservativo e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Posso apenas imaginar o que diria Jesus Cristo se vivesse hoje. Ele foi constantemente confrontado com perguntas desse género, por exemplo, sobre o divórcio. A resposta que dava ia sempre ‘a montante’. Antes de nos pronunciarmos sobre questões concretas há que esclarecer em que paradigma elas são colocadas. Aqui sigo incondicionalmente Thomas Kuhn. As questões levantadas, tal como as respostas, não têm um sentido em si mesmas, esse sentido vem-lhes do paradigma em que são formuladas. Por isso mesmo, a resposta às questões relativas à sexualidade humana não poderão ser dadas de forma avulsa e pontual, ela depende do paradigma sobre a sexualidade que se adoptar. Mas esta é uma questão sobre a qual não há muitas pessoas interessadas, já que é de formulação mais demorada e de resultados menos imediatos. Voltando às duas questões concretas, preservativo e casamento homossexual, penso que Deus deixa isso à consideração dos seres humanos, já que dispõem de todos os dados necessários para uma resposta adequada.
    Quanto à interpretação da Bíblia, não consigo imaginar uma linguagem. a-histórica na qual Deus se expressasse, e que fosse completamente imune ao contexto cultural da existência humana. Acredito que Deus se exprime em linguagem humana, de outro modo não o entenderíamos. E uma vez que a linguagem humana é sempre contextualizada, é nesse(s) contexto(s) que ela deve ser entendida. Isto aplica-se a todas as áreas da experiência humana, porque não haveria de aplicar-se à experiência religiosa?

    Um abraço,

    Alfredo Dinis

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  20. Karin,

    O facto de um crente encontrar o sentido pleno da sua vida na existência de Deus não implica que não deva apreciar plenamente ‘esta’ vida que vivemos agora, e que já tem sentido em si mesma. Para algumas pessoas este sentido basta. Para outras não. Mas não se trata de ‘dois sentidos’. Deus alarga os meus horizontes de sentido mas não elimina o sentido que a vida humana tem em si mesma.

    Afirma: “a falta de clareza da linguagem religiosa é intencional”. Pelo menos no meu caso pode crer que não é. Como disse ao Vasco, a linguagem religiosa não se resume a questões avulsas e imediatamente práticas. Talvez por isso pareça pouco clara.

    Cordiais saudações,
    Alfredo Dinis

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  21. Caro Alfredo,

    Eu não sou um seguidor de Kuhn. Mas se o Alfredo é se calhar devia considerar uma mudança de paradigma. Parece-me que o paradigma católico é pouco capaz de resolver os «puzzles» ;)

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  22. Caro Ludwig,

    Se te referes aos 'puzzles' da ciência, - os únicos que consideras reais - então é verdade que a religião não resolve nenhum, mas também não pretende fazê-lo. Sugiro no entanto que revejas o teu positivismo à luz das muitas críticas que lhe foram dirigidas de todos os quadrantes ao longo do século XX.

    Um abraço,

    Alfredo Dinis

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  23. Alfredo Dinis:

    Começo por agradecer os elogios que tece :)

    Em seguida comento as duas respostas que me deu.

    No que respeita à questão da orientção sexual/contracepção, etc... o meu objectivo não era conhecer a sua perspectiva sobre esses assuntos, se bem que tenha gostado de conhecer.

    O objectivo era reforçar aquilo que a Karin disse demonstrando-o com um exemplo concreto.
    A Karin alegou que muitas pessoas dizem adorar o mesmo Deus, mas isso em si é um engano. Na verdade elas têm crenças muito diferentes, mas a linguagem vaga e obscura que uns usam, ou a ignorância de outros, criam a ilusão de que as suas crenças são semelhantes.

    Seria possível que um Nazi e um Anarquista pensassem que concordavam no essencial. Ambos acham que o regime actual está podre, ambos podem ter emoções parecidas perante quem está no poder, ambos estão contra o poder actualmente instituido. Assim, com alguma ignorância face ao que um e outro pensam, ou uma lingagem obscura e um conjunto de raciocínios tortuosos e falaciosos, eles poderiam fazer parte do mesmo partido.
    Mesmo quando na verdade têm crenças e valores completamente incompatíveis.

    Quem visse tal concordância de fora iria aperceber-se da dimensão do engano de ambos. Pensarem que estão "no mesmo barco" quando têm objectivos diametralmente opostos para a sociedade. Quando têm valores e crenças totalmente incompatíveis.

    Como o Alfredo obstou à alegação da Karin, quis mostrar que era esse o caso em relação ao próprio Alfredo. Na verdade a opinião do Alfredo em relação a esse assunto em específico diverge da opinião da maioria dos cristãos, e mesmo da maioria dos católicos. Mais do que isso, o fundamento destes em relação à resposta que dariam a estas perguntas seria muito provavelmente religioso.

    Quando o Alfredo me diz que mais do que questões pontuais importa o paradigma utilizado para derivar as bases e fundamentos éticos, eu estou totalmente de acordo.
    Mas daí a importância desta divergência em relação a estas questões pontuais. É que ela é sintomática de uma divergência muito mais profunda: uma divergência de paradigma.

    O Alfredo, o Bernardo Motta, o Pedro Silva, o Jónatas Machado, o António Parente, a Abobrinha, o Bizarro, o Mats, e outros cristãos que comentam neste espaço (quase todos católicos) crêem acreditar no mesmo Deus. Mas as crenças de vós todos (mesmo só os católicos) parecem-me mesmo incompatíveis.

    Por isso creio que a Karin tem razão na sua alegação.


    Quanto à questão de como Deus se expressou, creio que consegue imaginar aquilo que disse que não conseguia. Se acredita num Deus omnipotente, pode imaginar um Deus que inspira quem escreveu muitos dos livros do antigo testamento a não considerar justo apedrejar alguém porque trabalhou durante o sábado. Afinal um Deus omnipotente não consegue inspirar alguém ao ponto dele estar acima da influência cultural da altura, como esteve tanta gente heroica ao longo da história?

    Por outro lado, eu não creio que o ocidente tenha um conjunto de valores éticos e morais superiores aos dos outros povos. Não creio que conheçamos melhor o que é o amor, o que é a compaixão, o que é a piedade.

    É verdade que vivemos hoje com mais prosperidade e progresso social que a China. Mas isso é conjuntural, ainda na idade média acontecia o contrário.

    Mas se Deus tivesse inspirado quem escreveu a Bíblia, seria de esperar o contrário. Se algum ensinamento ético-moral da Bíblia fosse útil, se alguma inspiração divina fosse relevante em termos morais, a sociedade mais influenciada por estes textos deveria ser superior, em termos ético-morais às restantes.
    Se não é esse o caso, isso demonstra que a influência ético-moral destes textos não é fundamentalmente diferente da influência ético-moral dos textos sagrados dos outros povos. Se os textos sagrados para os outros povos não foram inspirados por Deus...

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  24. Alfredo Dinis,
    o João Vasco já respondeu por mim.
    Devo só acrescentar que, apesar de não ser fã do oriente, eles têm valores imortantes para mim, como por ex. a protecção e o respeito de toda a vida e não só a humana.
    Nós só agora é que começamos a dar valor a isso, e não graças à religião, mas sim à ciência.
    Bjs Karin

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  25. Caro Alfredo,

    Não defendo que os puzzles da ciência sejam os únicos que há para resolver. Mas defendo que são os únicos com solução. Os outros, se tivessemos forma de os resolver, seriam ciência também.

    Mas posso estar enganado. Talvez tenhas um exemplo de uma forma de «puzzle-solving» ao nível do que Kuhn propôs que a religião use para resolver os seus problemas.

    Mas eu sou mais fã de Lakatos do que de Kuhn. E não sou positivista, pelo menos não no sentido estrito. Por exemplo, estou convencido que existem electrões. Por isso sou mais um realista que um positivista, com a ressalva que todas estas gavetinhas não mais uma forma de tentar organizar ideias que propriamente uma boa classificação.

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  26. É a rima, ó Manas lindas... a omnipresente rima para ambas mui bem vindas! :)

    Cristy + Karin = Kristy...

    Rui leprechaun

    (...Krippahl sisters are a beauty! :))

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  27. Caro Leperchaun,
    gosto muito de todos os meus manos, mas, se não for contra alguma crença gnomática fundamental e profunda, peço que nos trates como os indivíduos que somos, apesar de mulheres.
    Cristy

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  28. Leprechaun,
    se nos juntas passamos a pesar mais de 100 Kg.
    Logo, não não sei se te convém.:)
    Bjs Karin

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  29. Perpectiva,
    «Mesmo os cépticos puderam tocar no corpo de Jesus e verificar que tinha ressucitado.»
    Os cépticos também viram e tocaram nas tábuas traduzidas por Joseph Smith, que deram origem ao Livro de Mórmon. Mas mais ninguém as viu... curioso.

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  30. Revelando as Religiões
    As religiões são apenas superstições mais elaboradas. Mais elaboradas porque ao longo de sua construção seus criadores foram incorporando seus rituais, suas narrativas, primeiro orais, depois escritas, adotaram seus livros, sua doutrina, teologia, sua literatura, etc. As crenças foram perpetuadas através da doutrinação, repetição, usos, costumes e tradições.
    Os livros sagrados de todos os credos são coleções de fábulas, mitologias, lendas e fragmentos de culturas antigas. A prova de que esses livros são mitologias está em seu próprio conteúdo fabulesco. E não houve nenhuma revelação.
    O Deus é um ser da mesma natureza dos deuses, semideuses, divindades, fetiches, xamãs, toténs, etc, etc, e todos são criações humanas.
    O conceito de espírito ou alma surgiu quando o homem primitivo começou a interpretar o sonho como uma entidade que transitava pelo nosso corpo. Surgiu então o animismo, de alma, um ente imaginário. Pois o que temos de imaterial é a nossa consciência, o pensamento, a imaginação, a mente, mas gerados por nossa própria condição biológica.
    Existindo o Universo desde sempre, por suas próprias contingências imanentes, ele não teve um Criador. Se o Nada não existe nem nunca existiu, o Universo só pode ser eterno. E só estamos aqui porque o arranjo cosmológico aleatoriamente estabelecido permitiu que na terra moléculas pré-biológicas se tornassem biológicas, e evoluíram.
    Todo o mundo sobrenatural ou transcendente que criamos é resultante de nossos medos, fragilidades, compulsões e de nossa inconformidade com a finitude da vida. Assis Utsch

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