quinta-feira, setembro 14, 2006

Jónatas Machado e a Genética de Populações

Esta é a segunda parte da série dedicada às criticas que Jónatas Machado (JM) tece à teoria da evolução e a várias disciplinas científicas modernas. Pessoalmente, não tenho nada contra JM, mas parece-me ser um exemplo paradigmático dos defensores do criacionismo, por isso decidi homenageá-lo como representante desse grupo, felizmente ainda raro em Portugal.

No texto publicado no dia 8 no jornal «O Público», JM afirma:

«Os criacionistas não confundem variação adaptativa e especiação (que todos podem ver) com evolução (que nunca ninguém viu)»

Esta é uma afirmação curiosa se tivermos em conta que evolução é a variação das frequências dos genes numa população ao longo das gerações. Ou seja, aquilo que JM chama «variação adaptativa e especiação» são exemplos de evolução. Penso que é por não quererem confundir evolução com evolução que os criacionistas acabam por ficar tão confusos.

Mas vejamos esta afirmação no contexto do que JM escreve mais atrás:

«Os criacionistas não disputam os resultados das observações científicas feitas no presente. Todavia, o passado distante não é observável nem repetível.»

Talvez o que JM quer dizer é que apenas devemos aceitar aqueles aspectos da evolução que conseguimos observar no presente e repetir, e que devemos recusar tudo no que pretende explicar o passado. Mas há duas falhas graves neste argumento.

Primeiro, JM levanta o problema de não conseguirmos observar nem repetir o passado. Eu observei que os meus filhos nasceram, e o nascimento de um ser humano é algo repetível e observável no presente. Mas pelo argumento de JM eu nunca podia inferir que a minha avó nasceu, porque o seu nascimento não é nem observável nem repetível. Isto é absurdo. O que importa é que o processo de nascimento é observável e repetível, e por isso posso usá-lo para explicar a origem da minha avó, mesmo que o seu nascimento em particular não seja nem observável nem repetível.

A evolução é um caso análogo, pois a especiação, que é o nascimento de uma nova espécie, é observável e repetível como processo. O nascimento da minha avó, ou de uma espécie há centenas de milhões de anos, já não é observável nem repetível. Mas é legítimo explicar estes acontecimentos pelos processos que observamos repetidamente no presente. E isto é essencialmente o que a genética de populações nos diz, que a evolução não é mais que o acumular destas variações, adaptações, e especiações, tal como a minha família, por muitas gerações que tenha, é uma longa sequência de nascimentos.

O outro problema no argumento de JM é a premissa implícita que para que o criacionismo seja aceitável basta apontar erros na teoria da evolução. Por muito arriscado e falível que seja explicar acontecimentos passados com base no que se observa no presente, é ainda mais arriscado e falível explicá-los com base em histórias escritas por pessoas que também não os observaram. O que é que os antigos Hebreus sabiam acerca dos trilobites e dinossáurios que nós não sabemos hoje em dia?

Em conclusão, e apesar da tentativa de JM de nos persuadir do contrário, a genética de populações explica a origem e evolução das espécies duma forma bastante mais fiável que a interpretação bíblica.

10 comentários:

  1. O meu amigo está totalmente mal informado.

    Os criacionistas não negam a especiação. Antes pelo contrário, a especiação é uma parte significativa do modelo criacionista, bem como as mutações genéticas e a selecção natural. Todavia, a especiação não cria informação nova no genoma, não aumenta a complexidade integrada no genoma. Não transforma as espécies existentes em espécies mais elevadas. Tal nunca foi visto. Se encontrar um exemplo publique-o numa revista científica e ganhará fama e fortuna. A especiação elimina informação,. As novas espécies têm menos informação genética do que as anteriores., de cujo potencial genómico depende. Na verdade, a criação de novas espécies é o resultado de perdas de informação, Assim, a pergunta fundamental não é se surgiram novas espécies, mas sim se surgiu nova informação genética. Dentro da categoria Caninus Familiaris existem 400 subespécies de caninos, embora todos eles com menos informação genética do que os seus ascendentes.

    Por sua vez, a adaptação também não é evolução. Pensemos, por exemplo, num cão Chihuahua totalmente “careca”. Numa situação de extremo calor, a perda de pelo pode ser vantajosa em termos adaptativos. Mas a verdade é que esta perda de pelo resulta de uma degeneração, nada acrescentando à complexidade especificada do genoma. Na verdade, embora facilite a sua adaptação a climas quentes, a perda de pelo diminui a sua capacidade de adaptação a climas com temperaturas baixas. Embora se esteja aqui perante um caso de adaptação, a verdade é que se está perante perda de informação genética. Ora, não é com perdas de informação genética que se transforma partículas em biólogos ao longo de milhões de anos. Que parte disto é que não compreende?

    Eu não nego as extrapolações, nem ponho em causa a existência da sua avó. Mas há que ter cuidado, porque há coisas que pura e simplesmente são impossíveis.

    Se eu nadar 25 metros em 30 segundos, quanto tempo demoro a nadar de Portugal à América?
    Se um avião demora 2 horas a de Lisboa a Paris, quanto tempo demorará a dar 100000 voltas ao mundo?
    Se um erro ortográfico neste artigo cria uma nova palavra, quanto tempo demorará a redigir um manual de biologia molecular através de múltiplas cópias deste artigo e novos erros ortográficos?

    Estas extrapolações são tão absurdas como perguntar: se uma variação genética causa microevolução, quantos milhões de anos serão necessários para transformar uma partícula num biólogo molecular?

    Trata-se aqui de uma coisa física, genética e probabilisticamente impossível. As probabilidades de isso acontecer são virtualmente zero, assim como é a probabilidade de químicos inorgânicos darem origem à vida. Só acredita nessas extrapolações quem é totalmente destituído de sentido crítico e de consciência da realidade e não tem mais nada a que se agarrar.

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  2. Caro Jónatas,
    Muito obrigado pelos seus comentários. Tenciono abordar o tema da informação assim que o tempo o permitir, pois merece uma discussão mais atenta e cuidada. Mas gostava de chamar a atenção para alguns outros aspectos do seu comentário que penso não estarem totalmente correctos.

    1- Fiz o doutoramento em bioquímica estrutural, e há cerca de dez anos que trabalho em investigação em bio-informática. Penso que tenho formação e prática suficiente nesta área para não estar totalmente mal informado. Parcialmente mal informado, é provável que esteja. Mas como cientista estou disposto a mudar de opinião se tal se justificar.

    2- Não existem espécies mais elevadas, a menos que esteja a referir-se a pássaros. Este conceito não tem um sentido concreto em biologia ou na teoria da evolução. Trata-se apenas duma metáfora popular em que se considera (premissa questionável) que a nossa espécie está no topo e são mais elevadas as espécies mais parecidas connosco.

    3- “Evolução” é um termo técnico com uma definição rigorosa, que é a variação na frequência de genes numa população. Tudo o que implique esta variação é evolução. Por isso o é errado dizer que a adaptação e a especiação não são evolução.

    4- Pode haver coisas impossíveis, mas não o são apenas por dizermos que o são. Para descobrir se são ou não impossíveis é preciso um processo metódico e racional de análise dos dados e de formulação de hipóteses, processo ao qual chamamos ciência. Foi por este que se demonstrou que não é impossível voar, ir à Lua, ou saber de que são feitas as estrelas.

    5- Não é uma partícula que se transforma em biólogo molecular. Foi uma população de replicadores que evoluiu gradualmente até gerar muitas populações de replicadores, uma das quais contém biólogos moleculares. Aparentemente, quatro mil milhões de anos é suficiente para este processo.

    6- Estimar probabilidades é uma tarefa complexa, e que requer cuidados especiais. Entre os biliões de espermatozóides do meu pai e os milhares de óvulos da minha mãe, a probabilidade de eu ter nascido era virtualmente zero. Mas concluir que não existo seria, a meu ver, um erro de raciocínio.

    Melhores cumprimentos,
    Ludwig

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  4. Gostaria que ainda que o Ludwig me mostrasse evidência no registo fóssil da transição evolutiva das espécies que refere

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  6. Caro Jónatas,

    Removi dois comentários seus por estarem duplicados (eram cópias dos dois que ficaram).

    Em primeiro lugar queria salientar que num debate em que se confronta duas hipóteses que pretendem explicar um fenómeno, como o criacionismo e a teoria da evolução, espera-se que ambos os lados estejam dispostos a apresentar evidências positivas em suporte das suas teses. Não devemos encarar isto como um julgamento em que o ónus da prova recai só sobre uma das partes.

    Quanto ao seu pedido, não percebi o que quer que forneça. Eu mencionei os trilobites, os corais, e os peixes teleósteos. Que tipo de evidência quer acerca destes? Ou referia-se a outras espécies?

    Finalmente, há que salientar que o registo fóssil é apenas uma peça de um grande puzzle, que abrange a genética, a biologia molecular, a anatomia comparada, e até a física nuclear. Face a este grande corpo de conhecimento uma lacuna nesta ou naquela espécie é tão relevante como eu não ter a certidão de nascimento dos meus tetravós. Mesmo assim posso inferir que existiram.

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  7. Em primeiro lugar, agradeço-lhe imenso a oportunidade que me deu de conversar consigo neste blog. Penso que poderemos desenvolver uma conversa a todos os títulos interessante e sugestiva para os nossos leitores.

    Neste momento, limitar-me-ei a uns breves apontamentos, por manifesta falta de tempo.

    O registo fóssil não oferece qualquer evidência da evolução, como os próprios evolucionistas admitem, o mesmo sucedendo com a matemática e a teoria das probabilidades.

    Mas a nossa investigação conduziria ao mesmo resultado uma vez percorridas as várias disciplinas e baseando-nos apenas nas evidências recolhidas por autores evolucionistas (o que é intrigante, mas é verdade).

    A evidência da evolução em cada uma das disciplinas científicas é zero. Também aqui os criacionistas se limitam a fazer algumas contas:

    0+0+0+0+0+0+0+0+0=0

    Peguemos no exemplo das trilobites que mencionou, embora outros fossem igualmente sugestivos.

    Aquilo que se sabe das trilobites é que as mesmas aparecem, principalmente, nos estratos cambrianos da coluna geológica abruptamente, totalmente formadas e dotadas de uma grande complexidade. De resto, não existe vida simples. Toda a vida é extremamente complexa. Os evolucionistas deviam lembrar-se sempre disso.

    Os criacionistas chamam a atenção para o facto de que as trilobites da família Phacopidae têm um sistema de visão extremamente preciso, sendo os seus olhos baseados em princípios de óptica extremamente precisos, que os cientistas descobriram apenas há poucos séculos. Sobre os olhos das trilobites o Professor Levi-Setti, uma das principais autoridades mundiais sobre o tema, afirmou que os mesmos resolveram de forma elegante problemas físicos, com base nos teoremas de Fermat, Abbé e Snell. Também aí não se conhecem quaisquer antecedentes evolutivos.

    Os evolucionistas esperariam encontrar esses antecedentes. Os criacionistas não. Os evolucionistas ficam espantados com a complexidade das trilobites. Os criacionistas não. As observações científicas sobre a ausência de antecedentes evolutivos e a complexidade integrada das trilobites, corroboram inteiramente o criacionismo, mas não o evolucionismo. Também aí a evidência de evolução é zero.

    Para mim, e à semelhança do que vimos suceder com a molécula do DNA, menor/maior contentor de informação de que há registo, também isso é evidência positiva da Criação.

    Todas as disciplinas científicas são partes de um puzzle mais vasto. Concordo inteiramente consigo. Mas esse puzzle não representa a evolução. Ele representa a criação. A Bíblia diz-nos como é que as diferentes peças do puzzle encaixam. Quando começamos a raciocinar a partir da Bíblia, que é a revelação do Criador, vemos que elas encaixam facilmente e de forma muito natural. Ponto é que tenhamos a coragem de aceitar o que a Bíblia realmente diz, sem procurarmos impor interpretações baseadas em ideias filosóficas ou científicas que lhe são estranhas.

    Quando descartamos a Bíblia, porque erradamente convencidos do seu carácter mítico ou atávico, as peças do puzzle pura e simplesmente não encaixam. E é isso mesmo que concluímos quando lemos a literatura evolucionista:

    Os gradualistas refutam os saltacionistas e vice-versa.
    Os defensores da teoria Out-of-Africa refutam a teoria Out-of-Asia, e vice versa.
    Os defensores das teses arboreais sobre a evolução das aves refutam os defensores das teses cursoriais, e vice versa.
    Os defensores das teses da evolução local refutam os as teses da evolução multi-regional, e vice versa.

    Podíamos continuar, mas a conclusão é sempre a mesma: a teoria da evolução não permite que as peças do puzzle encaixem umas nas outras, porque a evolução não aconteceu. Ao lermos a Bíblia temos o relato autorizado do que aconteceu, o qual permite que as peças encaixem.

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  8. Caro Jónatas,

    Discordo de si neste aspecto. Acho que ao lermos a Bíblia temos apenas uma peça que não encaixa em lado nenhum. Mas isso é o menos importante nesta discussão. Nem tão pouco estamos a discutir se a teoria da evolução é perfeita e permanecerá para sempre imutável. Não é perfeita, e há ainda muito que fazer.

    O importante aqui é decidir se é a criação ou a evolução que melhor explicam o mecanismo pelo qual as espécies se formaram. E aqui a teoria da criação fica nitidamente para trás porque nem sequer propõe um mecanismo. O que quer que seja que se observe, a teoria da criação apenas diz “deus assim o fez”. Isto não é uma explicação aceitável, e muito menos se pode propor como superior à teoria da evolução.

    Por isso peço-lhe que tente colmatar estes defeitos, começando por especificar como é que propõe que o seu deus tenha criado as espécies (qual o mecanismo, que é isso que estamos a tentar perceber), e como é que a sua proposta pode ser confirmada ou infirmada pela observação.

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  9. A ORIGEM E A EVOLUÇÃO DA VIDA

    Que a Terra produza toda a espécie de seres vivos... conforme as suas diferentes espécies.
    Génesis 1:24

    Nem toda carne é uma mesma carne; mas uma é a carne dos homens, outra a carne dos animais, outra a das aves e outra a dos peixes.
    I Coríntios 15:39

    A teoria evolucionista defende a teoria da abiogénese, isto é, do surgimento da vida a partir de não-vida, contra a lei biológica da biogénese. Fala-se frequentemente de uma “sopa pré-biótica”, da qual a vida teria necessariamente de resultar. Tudo por mero acaso, claro! Na verdade, a que outra conclusão se poderia chegar partindo de premissas exclusivamente naturalistas, que recusam a possibilidade de um Criador a priori? Uma vez removida a hipótese da criação especial, a única hipótese que resta, no domínio da fé darwinista, é a geração espontânea, por mero acidente . Outra coisa é saber se existe realmente evidência científica nesse sentido. Também aqui, quando se vai além da adivinhação inspirada e da imaginação criativa dos cientistas, esbarra-se com uma profunda dose de ignorância especulativa, que, embora seja expressamente reconhecida por muitos evolucionistas , escapa à generalidade das pessoas. Existem vários problemas sérios com a TE neste âmbito.
    O primeiro tem que ver com a questão das probabilidades. Na verdade, a probabilidade de um sistema simples de replicação se formar por ele mesmo é tão baixa, que deve ser considerada praticamente igual a zero . Ela é muito menor do que uma num número igual a todas as partículas do tamanho de um electrão que caberiam em todo o Universo. Existem muitas formulações deste problema, mesmo em sectores não criacionistas. Por exemplo, Duane Gish mostra que a probabilidade de surgir por acaso um hipotético organismo funcional constituído por 200 nucleótidos ordenados seria a de um em um bilião de triliões, mesmo dando como demonstrada uma idade para a Terra de 4,5 biliões de anos. Do mesmo modo, Fred Hoyle , afirmava que, mesmo depois de descontar a necessidade de garantir o concurso simultâneo de um número elevadíssimo de outras variáveis cósmicas, a probabilidade da formação da vida a partir de matéria inanimada é uma num número com 40 000 zeros depois dele. Nas suas palavras, isso é mais do que suficiente para enterrar Darwin e toda a TE. É sintomático que Fred Hoyle tenha acabado por acreditar na criação.
    A probabilidade de uma hipotética proteína funcional com 100 aminoácidos precisamente sequenciados surgir por acaso é de 1x10^127, ou seja, 1 em 10 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 . As probabilidades infinitesimais envolvidas na TE transcendem tudo o que a mente humana pode compreender. Talvez ajude se se disser que está calculado ser mais provável uma mesma pessoa ganhar a lotaria nacional todos os dias do século XXI, do que uma “simples” célula surgir por acaso . É que no caso da célula – e no corpo humano existem cerca de 75 triliões! – as probabilidades de geração casual (i.e. de não ter sido criada) foram estimadas em menos de 1 em 10^57800, um número simplesmente incompreensível para a mente humana, particularmente se considerarmos que 10^80 é “apenas” o número estimado de átomos existentes no Universo .
    Se um qualquer dirigente desportivo da nossa praça justificasse a sua fortuna dizendo que tem ganho a lotaria todas as semanas nos últimos dez meses, será que os poderes públicos deveriam aceitar essa justificação como razoável? Ou deviam desconfiar e investigar outras causas muito mais prováveis? Poder-se-á argumentar que sempre que alguém ganha a lotaria isso é altamente improvável do ponto de vista de quem ganha. É verdade. No entanto, também é verdade que numa lotaria é sempre muito provável que alguém tenha o bilhete premiado. Muito mais difícil é acreditar que a mesma pessoa possa ter adquirido a sua fortuna ganhando a lotaria todos os dias ou semanas de um único século por mero acaso. Do mesmo modo, embora seja sempre provável, em abstracto, a ocorrência aleatória de uma qualquer combinação entre muitas combinações possíveis de elementos químicos, já é infinitamente improvável que uma sucessão de combinações aleatórias tenha conduzido à formação da molécula de DNA, de múltiplos aminoácidos, de proteínas funcionais, máquinas e motores moleculares, células e seres vivos, cuja complexidade estrutural e funcional mesmo a totalidade dos cientistas do mundo está muito longe de conseguir compreender .
    Para fugir ao problema das probabilidades infinitesimais, a resposta dos evolucionistas tem sido a de ficcionar a existência de múltiplos universos, anteriores ou paralelos, tentando dessa forma aumentar as probabilidades do surgimento da vida por acaso . De acordo com este entendimento, se postularmos a existência de um número extremamente elevado, as probabilidades de nalgum deles existirem condições para a vida aumentam significativamente. Trata-se, porém, de pura especulação, cujo objectivo consiste em evitar, a todo o custo, como disse o conhecido evolucionista Richard Lewontin, a entrada de um “pé divino na porta” da sua ciência materialista. Para além de tornar ainda mais difícil a questão das origens – já extremamente complicada apenas com um Universo – esta estratégia não prova nada, a não ser o facto de que a fé dos evolucionistas é manifestamente irrazoável, embora seja admirável a sua capacidade para acreditar em coisas altamente improváveis. Em todo o caso, esta estratégia só confirma o que os criacionistas vêm dizendo: este Universo tem condições favoráveis para a vida altamente improváveis. Na verdade, muitos evolucionistas admitem hoje abertamente que a TE, no sentido amplo do termo, só é viável se se acreditar piamente em entidades misteriosas e milagres matemático-probabilísticos – o que não deixa de ser irónico, tendo em conta os seus constantes esforços para desacreditar ou explicar racionalmente os milagres descritos na Bíblia. Para o CB, se a probabilidade de a TE estar correcta quanto à origem acidental da célula é inferior a 1 em 10 57800, é legítimo afirmar, sem qualquer sacrifício do intelecto, que a criação ex nihilo é infinitamente mais provável do que a evolução.
    Um segundo problema tem que ver com a total inexistência de evidências da teoria da abiogénese. O biólogo australiano Michael Denton , afirma que, tendo em conta o modo como a sopa pré-biótica é referida em tantas discussões sobre a origem da vida como uma realidade estabelecida, torna-se um choque perceber que não existe absolutamente qualquer evidência positiva da sua existência! No mesmo sentido, Noam Lahav, observa que um número significativo de cientistas tem colocado em questão o conceito de sopa pré-biótica, referindo que, mesmo que tenha existido, a concentração de blocos orgânicos de construção da vida teria sido demasiado pequena para ser significativa para a evolução pré-biótica. Mesmo as teses do “mundo RNA” ou da “vida a partir das rochas” continuam sem resolver o problema da origem da vida. Na verdade, são cada vez mais os autores a notar, como Klaus Dose , que mais de trinta anos de experimentação sobre a origem da vida nos campos da evolução química e molecular conduziram a uma melhor percepção da imensidade do problema da origem da vida na Terra, em vez de fornecerem a sua solução.
    Nos anos cinquenta do século XX, as famosas experiências Miller-Urey , que conseguiram sintetizar uns quantos aminoácidos em condições precárias e extremamente controladas, levaram muitos a prever para breve a resolução do problema da origem espontânea da vida. No entanto, também aqui os resultados não têm sido mais do que uma confissão de ignorância, desde então sem quaisquer progressos significativos, como concluem os especialistas na área . O conhecido cientista Paul Davies, por sinal um agnóstico, considera que os cientistas não estão hoje mais perto do que estavam há quarenta anos atrás de resolver a questão da origem da vida . Coloca-se assim uma questão fundamental: por que razão se sustenta ser intelectualmente imperioso aceitar a TE, de matriz naturalista e materialista, se ela não consegue responder, de forma minimamente satisfatória, à questão primeira e fundacional da evolução que é a da própria origem da vida? Não é por acaso que muitos evolucionistas, chegados a este beco sem saída, optam por uma retirada estratégica e tentam dissociar a TE da questão da origem da vida.
    Um terceiro problema prende-se com a impossibilidade da evolução em face da segunda lei da termodinâmica . Esta afirma que, com o tempo, todos os sistemas, abertos e fechados, tendem naturalmente da ordem para a desordem, do complexo para o simples, da informação para o “ruído”. Quando confrontam a evolução da vida, os evolucionistas sustentam que o oposto aconteceu, isto é, que o tempo mais o acaso criaram ordem e complexidade. Na base do seu argumento está a ideia de que a referida lei só se aplica a sistemas fechados ou isolados, o que não acontece com a Terra, na medida em que obtém energia do Sol, por exemplo. No entanto, um número cada vez maior de cientistas tem notado que a lei se aplica a todos os sistemas, abertos e fechados, e ao Universo no seu todo. Aliás, mesmo os seres humanos, que são sistemas abertos, tendem a deteriorar-se. De resto, não basta a existência de uma fonte de energia para que qualquer coisa possa acontecer num sistema aberto. A resposta dos evolucionistas é, invariavelmente, de que o Universo no seu todo caminha para a desordem, pelo que a existência de ordem pontual não contraria a segunda lei da termodinâmica. No entanto, está ainda por encontrar e explicar a força cósmica que permite à evolução contrariar, de forma sistemática, a segunda lei da termodinâmica. Nalguns casos, a pretensa solução deste problema apoia-se em noções vagas como as de “evolução cósmica”, “fractais”, ou “estruturas dissipativas” .
    No entanto, esta orientação não explica como se formou toda a ordem do Universo, nem diz quanta ordem localizada é compatível com a desordem globalizada. Além disso, a mesma peca por confundir ordem (v.g. cristais; flocos de neve) com complexidade especificada e irredutível (v.g. cillium, flagellum bacterianum) . Serão o caos e o acaso os responsáveis pelo cérebro humano e os seus triliões de ligações, por muitos considerado o mecanismo mais complexo que se conhece no Universo? O biólogo não criacionista Michael Denton responde a esta interrogação com um rotundo: não! O que se verifica é que sempre que os sistemas “evoluem” de uma estrutura simples para uma mais complexa, é necessária a verificação de condições muito especiais, incluindo, pelo menos, duas coisas: um código com informação pré-estabelecida (v.g. DNA) e um sistema preciso de conversão de energia (v.g. fotosíntese).
    Um quarto problema prende-se com a existência, na biologia, de numerosos exemplos de máquinas moleculares irredutivelmente complexas, inexplicáveis com base na operação gradualista de mutações aleatórias e selecção natural. Um dos mais carismáticos expositores da TE, Richard Dawkins , explica que este mecanismo cego, inconsciente e automático é o responsável pela evolução das formas mais básicas e simples de vida para as mais elevadas e complexas, até se chegar a essa maravilha natural que é o cérebro humano. Porém, qualquer leitor atento não deixará de notar os obstáculos insuperáveis com que este entendimento se defronta.
    a) Em primeiro lugar, ele é puramente especulativo, já que ninguém alguma vez viu o surgimento de uma característica completamente nova numa espécie existente através daquele processo. As mutações, sendo raras, raramente são benéficas, e quando são benéficas para um indivíduo, raramente são benéficas para uma população . Elas são geralmente responsáveis por deficiências graves e doenças letais. Os criacionistas não negam as mutações, limitando-se a salientar a sua natureza patológica, na origem de defeitos genéticos, doenças e outras formas de variação negativa dentro das espécies. As mesmas tendem a deteriorar a informação genética do genoma, não a aumentá-la.
    Do ponto de vista do CB, as mutações remetem naturalmente para o relato bíblico de uma criação perfeita, seguida da queda no pecado e da corrupção resultante. Além disso, as mesmas não criam informação genética nova, que codifique novas estruturas e funções, limitando-se a seleccionar, eliminar, duplicar, trocar ou recombinar informação genética pré-existente, como foi recentemente demonstrado pelo biofísico Lee Spetner, depois de estudar mutações durante várias décadas . Acresce que a selecção natural, como o próprio nome indica, é conservatória e eliminatória, não criando nova informação genética. Isto, não falando no problema das probabilidades infinitesimais envolvidas, que tornam a evolução por mutações aleatórias virtualmente impossível . Pequenas variações em função do meio (microevolução), não podem ser utilizadas como “prova” da evolução (macroevolução) , já que as mesmas se apoiam em informação genética pré-existente. Deduzir a macro-evolução da micro-evolução é uma fantasia invertida destituída de sentido!
    De nada vale brandir as variações nas dimensões dos bicos dos tentilhões, que Darwin observou nos Galápagos, nem argumentar com o desenvolvimento da resistência dos vírus aos antibióticos . Do ponto de vista do CB, semelhantes variações, além de não criarem informação genética nova, são, na generalidade dos casos, exactamente o que seria de esperar da criação da vida por um Ser inteligente, dotada de capacidade de adaptação a alterações do meio, tal como os engenheiros que conceberam as sondas espaciais procuraram criar condições para que as mesmas se possam adaptar às irregularidades de Marte.
    Mesmo os exemplos de “criação de novas espécies” por cruzamento reprodutivo, tantas vezes apregoados como evidências da evolução, nada mais são do que a recombinação de informação genética pré-existente. O CB não nega, nem as mutações aleatórias, nem a selecção natural. Do mesmo modo, não nega a existência de exemplos de “especiação”, como seja, por exemplo, o surgimento de 400 variedades de caninos dentro do “género” Canis familiaris . Apenas afirma que nada disso tem que ver com a evolução propriamente dita, na medida em que nada disso implica ou explica a geração da imensa quantidade de informação genética nova, necessária ao processo ascendente de transformação gradual de partículas em plantas, animais e pessoas. As novas espécies assim criadas têm menos informação genética do que as anteriores, pelo o que só dá razão aos criacionistas quando os mesmos afirmam que toda a informação tem que existir no princípio .
    b) Em segundo lugar, e contrariamente ao que sugere Richard Dawkins, não existe vida simples. Uma “simples” célula é mais complexa do que o mais complexo mecanismo criado pelo homem, além de ser uma maravilha inigualável de miniaturização tecnológica. Os autores que têm estudado enzimas e bactérias ficam maravilhados com a sua complexidade especificada, irredutível às suas partes componentes independentes . Contrariamente ao que pensava Charles Darwin, para quem as células não passavam de protoplasma indiferenciado, a generalidade das estruturas moleculares apresenta-se irredutivelmente complexa, necessitando as suas estruturas do concurso simultâneo de milhões de nucleótidos precisamente sequenciados e ajustados para poderem funcionar, o que não se explica, nem com base em mutações graduais aleatórias, ao longo de milhões de anos, nem com base em episódios pontuais de “evolução por saltos” . O mesmo vale para determinadas estruturas e funções. Por exemplo, para funcionar o joelho necessita da verificação simultânea de 16 características críticas, codificadas através de milhares de instruções precisas no DNA . Quanto forneceu a sua “explicação” sobre a evolução do olho humano – que os menos informados ainda levam a sério – Charles Darwin não fazia a mais pequena ideia, por exemplo, da existência de 400 000 foto-receptores por ml2 da retina. O darwinismo, com a sua ênfase nas mutações aleatórias desprovidas de qualquer propósito ou objectivo sistémico, consegue explicar a complexidade cumulativa, mas não consegue explicar a complexidade irredutível de máquinas moleculares dotadas de múltiplas partes funcionalmente integradas e precisamente coordenadas.
    c) Em terceiro lugar, o registo fóssil insiste em não assinalar evidências plausíveis de uma evolução gradual das espécies, como tem sido reconhecido mesmo pelos mais proeminentes evolucionistas . Stephen Jay Gould, o recentemente falecido professor de Harvard, um dos mais empenhados e destacados defensores da evolução, admitiu que “a falta de espécies intermédias no registo fóssil é o segredo profissional dos paleontologistas”. Para este autor, nem sequer se consegue imaginar a existência de elos intermédios plenamente funcionais entre as diferentes espécies . Ora, o processo evolutivo gradual de milhões de anos, tal como imaginado pelo neodarwinismo, deveria ter deixado milhões de fósseis intermédios, e não apenas a mão cheia de exemplos altamente controversos actualmente existente, tanto mais que existem biliões de fósseis de espécies claramente definidas. Os museus de história natural deveriam estar cheios de fósseis intermédios, o que não sucede .
    Como notou Stephen Jay Gould, o registo fóssil, longe de demonstrar a evolução gradual das espécies, caracteriza-se pela aparição abrupta de uma ampla diversidade de espécies plenamente formadas e pela sua permanência. De resto, também o já mencionado Ernst Mayr concede este mesmo ponto . Os problemas daqui resultantes para a TE são insuperáveis. O próprio Charles Darwin admitiu que a falta de evidência das formas intermédias significaria a refutação da sua tese. Ponderando as vias de solução para esta questão, Niles Eldredge, um conhecido paleontologista evolucionista, sustentou que existem fundamentalmente duas alternativas para os evolucionistas: ou se conserva a teoria neodarwinista tradicional, a despeito da inexistência de evidências, ou se adopta um modelo de evolução através de grandes saltos, a despeito de este assentar em proposições biológicas muito dúbias.
    Perante esta encruzilhada, Richard Dawkins manteve-se fiel ao gradualismo neodarwinista, apesar da inexistência de qualquer evidência fóssil nesse sentido, por considerar que a evolução por saltos é biologicamente impossível. Em sentido contrário, o paleontologista Stephen Jay Gould sustentou a evolução por saltos, apesar da inexistência de qualquer fundamento biológico, por considerar que não existe qualquer evidência fóssil de gradualismo . Quanto a esta questão, o CB concorda com Stephen Jay Gould, ao defender a inexistência de qualquer evidência paleontológica séria de evolução gradual, concorda com Richard Dawkins, quando este afirma que a evolução por saltos é biologicamente impossível, mas discorda de Niles Eldrege quando este afirma que o gradualismo e o saltacionismo são as duas únicas alternativas, já que ambas não têm qualquer base empírica. Para o CB, a criação especial é a única via cientificamente plausível.
    Um quinto problema diz respeito à impossibilidade, já anteriormente referida, de demonstrar empiricamente a TE. Muitos outros evolucionistas têm admitido a existência aqui de um problema sério. Por exemplo, Keith Stewart Thompson afirma que um dos mais óbvios desafios da TE consiste em provar empiricamente a evolução. Nas suas palavras, existem entre dois a dez milhões de espécies sobre a Terra. Ora, o registo fóssil mostra (na cronologia evolucionista) que as espécies sobrevivem entre três a cinco milhões de anos. Assim sendo, para Thompson deveríamos poder observar um pequeno mas significativo número de novas espécies e extinções em cada década . Sucede que, na avaliação do autor, não existe evidência, nos últimos 10 000 anos, do surgimento de qualquer espécie inteiramente nova. Isto, naturalmente, sem prejuízo da ocorrência de múltiplos fenómenos de especiação a partir de informação genética pré-existente. Este fenómeno é totalmente consistente com o CB, que postula a dispersão dos casais de animais que sobreviveram ao dilúvio, seguida de uma rápida especiação a partir deles. Em todos estes casos, porém, a informação genética vai sucessivamente diminuindo, e não aumentando.
    Como se vê, nada é mais absurdo do que a acusação de que o CB não atende aos dados da ciência. Pelo contrário, a TE é que enfrenta as maiores dificuldades na sua adequação aos factos. Ela apoia-se, não nos factos observáveis, mas na interpretação daquilo que não se pode observar, de acordo com premissas naturalistas indemonstráveis. Como dissemos, o problema da CB não é com a ciência, mas sim, e apenas, com o naturalismo nela pretende abusivamente “viajar sem pagar bilhete”. Pelo contrário, o naturalismo é que tem um problema muito sério com a ciência: se a abiogénese é impossível, o naturalismo também é impossível! As considerações expendidas demonstram que a explicação mais racional dos factos é a que aponta para a criação especial do Universo e da vida por Deus. A TE, com todas as suas pretensões de cientificidade, não explica a origem da vida, não identifica o ancestral comum, não dispõe dos elos intermédios da cadeia evolutiva nem tão pouco conseguiu precisar e especificar o mecanismo de evolução. Mais, a maior parte dos principais argumentos a favor da evolução (v.g. experiência Miller-Urey, homens-macacos, embriões de Haeckel, tentilhões dos Galápagos, Archaeopterix, homologias, fósseis de cavalos), tem sido refutada pela literatura especializada, não criacionista, mais recente .
    O CB e a TE não se encontram numa posição de equidistância relativamente aos factos. Com efeito, pelo menos quatro coisas são empiricamente observáveis, e todas elas corroboram inteiramente o CB: 1) A vida surge da vida (minor vita ex vita), de acordo com a lei da biogénese. O contrário nunca foi observado por quem quer que seja. 2) As várias formas de vida reproduzem-se de acordo com a sua espécie, com pequenas variações. 3) Não há vida simples. Mesmo a mais simples célula é mais complexa do que o mais complexo dos mecanismos criados pelo homem. 4) Uma multiplicidade de diferentes formas de vida coexiste nos mesmos eco-sistemas. Como se disse, todos estes dados empíricos decorrem naturalmente do modelo CB, sendo previstos por ele, embora não sejam previstos pela TE e necessitem de uma explicação. Neste sentido, também os criacionistas podem dizer que o presente é a chave do passado! Quem diz que a Bíblia não é correcta do ponto de vista científico devia ter em conta o facto de que a biologia bíblica se adequa plenamente a estes dados empíricos, na medida em que postula a criação quase simultânea das várias espécies. Em vez de um ancestral comum, ela parte do princípio da existência de um Criador comum.

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  10. A ORIGEM E A EVOLUÇÃO DA VIDA

    Que a Terra produza toda a espécie de seres vivos... conforme as suas diferentes espécies.
    Génesis 1:24

    Nem toda carne é uma mesma carne; mas uma é a carne dos homens, outra a carne dos animais, outra a das aves e outra a dos peixes.
    I Coríntios 15:39

    A teoria evolucionista defende a teoria da abiogénese, isto é, do surgimento da vida a partir de não-vida, contra a lei biológica da biogénese. Fala-se frequentemente de uma “sopa pré-biótica”, da qual a vida teria necessariamente de resultar. Tudo por mero acaso, claro! Na verdade, a que outra conclusão se poderia chegar partindo de premissas exclusivamente naturalistas, que recusam a possibilidade de um Criador a priori? Uma vez removida a hipótese da criação especial, a única hipótese que resta, no domínio da fé darwinista, é a geração espontânea, por mero acidente . Outra coisa é saber se existe realmente evidência científica nesse sentido. Também aqui, quando se vai além da adivinhação inspirada e da imaginação criativa dos cientistas, esbarra-se com uma profunda dose de ignorância especulativa, que, embora seja expressamente reconhecida por muitos evolucionistas , escapa à generalidade das pessoas. Existem vários problemas sérios com a TE neste âmbito.
    O primeiro tem que ver com a questão das probabilidades. Na verdade, a probabilidade de um sistema simples de replicação se formar por ele mesmo é tão baixa, que deve ser considerada praticamente igual a zero . Ela é muito menor do que uma num número igual a todas as partículas do tamanho de um electrão que caberiam em todo o Universo. Existem muitas formulações deste problema, mesmo em sectores não criacionistas. Por exemplo, Duane Gish mostra que a probabilidade de surgir por acaso um hipotético organismo funcional constituído por 200 nucleótidos ordenados seria a de um em um bilião de triliões, mesmo dando como demonstrada uma idade para a Terra de 4,5 biliões de anos. Do mesmo modo, Fred Hoyle , afirmava que, mesmo depois de descontar a necessidade de garantir o concurso simultâneo de um número elevadíssimo de outras variáveis cósmicas, a probabilidade da formação da vida a partir de matéria inanimada é uma num número com 40 000 zeros depois dele. Nas suas palavras, isso é mais do que suficiente para enterrar Darwin e toda a TE. É sintomático que Fred Hoyle tenha acabado por acreditar na criação.
    A probabilidade de uma hipotética proteína funcional com 100 aminoácidos precisamente sequenciados surgir por acaso é de 1x10^127, ou seja, 1 em 10 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 . As probabilidades infinitesimais envolvidas na TE transcendem tudo o que a mente humana pode compreender. Talvez ajude se se disser que está calculado ser mais provável uma mesma pessoa ganhar a lotaria nacional todos os dias do século XXI, do que uma “simples” célula surgir por acaso . É que no caso da célula – e no corpo humano existem cerca de 75 triliões! – as probabilidades de geração casual (i.e. de não ter sido criada) foram estimadas em menos de 1 em 10^57800, um número simplesmente incompreensível para a mente humana, particularmente se considerarmos que 10^80 é “apenas” o número estimado de átomos existentes no Universo .
    Se um qualquer dirigente desportivo da nossa praça justificasse a sua fortuna dizendo que tem ganho a lotaria todas as semanas nos últimos dez meses, será que os poderes públicos deveriam aceitar essa justificação como razoável? Ou deviam desconfiar e investigar outras causas muito mais prováveis? Poder-se-á argumentar que sempre que alguém ganha a lotaria isso é altamente improvável do ponto de vista de quem ganha. É verdade. No entanto, também é verdade que numa lotaria é sempre muito provável que alguém tenha o bilhete premiado. Muito mais difícil é acreditar que a mesma pessoa possa ter adquirido a sua fortuna ganhando a lotaria todos os dias ou semanas de um único século por mero acaso. Do mesmo modo, embora seja sempre provável, em abstracto, a ocorrência aleatória de uma qualquer combinação entre muitas combinações possíveis de elementos químicos, já é infinitamente improvável que uma sucessão de combinações aleatórias tenha conduzido à formação da molécula de DNA, de múltiplos aminoácidos, de proteínas funcionais, máquinas e motores moleculares, células e seres vivos, cuja complexidade estrutural e funcional mesmo a totalidade dos cientistas do mundo está muito longe de conseguir compreender .
    Para fugir ao problema das probabilidades infinitesimais, a resposta dos evolucionistas tem sido a de ficcionar a existência de múltiplos universos, anteriores ou paralelos, tentando dessa forma aumentar as probabilidades do surgimento da vida por acaso . De acordo com este entendimento, se postularmos a existência de um número extremamente elevado, as probabilidades de nalgum deles existirem condições para a vida aumentam significativamente. Trata-se, porém, de pura especulação, cujo objectivo consiste em evitar, a todo o custo, como disse o conhecido evolucionista Richard Lewontin, a entrada de um “pé divino na porta” da sua ciência materialista. Para além de tornar ainda mais difícil a questão das origens – já extremamente complicada apenas com um Universo – esta estratégia não prova nada, a não ser o facto de que a fé dos evolucionistas é manifestamente irrazoável, embora seja admirável a sua capacidade para acreditar em coisas altamente improváveis. Em todo o caso, esta estratégia só confirma o que os criacionistas vêm dizendo: este Universo tem condições favoráveis para a vida altamente improváveis. Na verdade, muitos evolucionistas admitem hoje abertamente que a TE, no sentido amplo do termo, só é viável se se acreditar piamente em entidades misteriosas e milagres matemático-probabilísticos – o que não deixa de ser irónico, tendo em conta os seus constantes esforços para desacreditar ou explicar racionalmente os milagres descritos na Bíblia. Para o CB, se a probabilidade de a TE estar correcta quanto à origem acidental da célula é inferior a 1 em 10 57800, é legítimo afirmar, sem qualquer sacrifício do intelecto, que a criação ex nihilo é infinitamente mais provável do que a evolução.
    Um segundo problema tem que ver com a total inexistência de evidências da teoria da abiogénese. O biólogo australiano Michael Denton , afirma que, tendo em conta o modo como a sopa pré-biótica é referida em tantas discussões sobre a origem da vida como uma realidade estabelecida, torna-se um choque perceber que não existe absolutamente qualquer evidência positiva da sua existência! No mesmo sentido, Noam Lahav, observa que um número significativo de cientistas tem colocado em questão o conceito de sopa pré-biótica, referindo que, mesmo que tenha existido, a concentração de blocos orgânicos de construção da vida teria sido demasiado pequena para ser significativa para a evolução pré-biótica. Mesmo as teses do “mundo RNA” ou da “vida a partir das rochas” continuam sem resolver o problema da origem da vida. Na verdade, são cada vez mais os autores a notar, como Klaus Dose , que mais de trinta anos de experimentação sobre a origem da vida nos campos da evolução química e molecular conduziram a uma melhor percepção da imensidade do problema da origem da vida na Terra, em vez de fornecerem a sua solução.
    Nos anos cinquenta do século XX, as famosas experiências Miller-Urey , que conseguiram sintetizar uns quantos aminoácidos em condições precárias e extremamente controladas, levaram muitos a prever para breve a resolução do problema da origem espontânea da vida. No entanto, também aqui os resultados não têm sido mais do que uma confissão de ignorância, desde então sem quaisquer progressos significativos, como concluem os especialistas na área . O conhecido cientista Paul Davies, por sinal um agnóstico, considera que os cientistas não estão hoje mais perto do que estavam há quarenta anos atrás de resolver a questão da origem da vida . Coloca-se assim uma questão fundamental: por que razão se sustenta ser intelectualmente imperioso aceitar a TE, de matriz naturalista e materialista, se ela não consegue responder, de forma minimamente satisfatória, à questão primeira e fundacional da evolução que é a da própria origem da vida? Não é por acaso que muitos evolucionistas, chegados a este beco sem saída, optam por uma retirada estratégica e tentam dissociar a TE da questão da origem da vida.
    Um terceiro problema prende-se com a impossibilidade da evolução em face da segunda lei da termodinâmica . Esta afirma que, com o tempo, todos os sistemas, abertos e fechados, tendem naturalmente da ordem para a desordem, do complexo para o simples, da informação para o “ruído”. Quando confrontam a evolução da vida, os evolucionistas sustentam que o oposto aconteceu, isto é, que o tempo mais o acaso criaram ordem e complexidade. Na base do seu argumento está a ideia de que a referida lei só se aplica a sistemas fechados ou isolados, o que não acontece com a Terra, na medida em que obtém energia do Sol, por exemplo. No entanto, um número cada vez maior de cientistas tem notado que a lei se aplica a todos os sistemas, abertos e fechados, e ao Universo no seu todo. Aliás, mesmo os seres humanos, que são sistemas abertos, tendem a deteriorar-se. De resto, não basta a existência de uma fonte de energia para que qualquer coisa possa acontecer num sistema aberto. A resposta dos evolucionistas é, invariavelmente, de que o Universo no seu todo caminha para a desordem, pelo que a existência de ordem pontual não contraria a segunda lei da termodinâmica. No entanto, está ainda por encontrar e explicar a força cósmica que permite à evolução contrariar, de forma sistemática, a segunda lei da termodinâmica. Nalguns casos, a pretensa solução deste problema apoia-se em noções vagas como as de “evolução cósmica”, “fractais”, ou “estruturas dissipativas” .
    No entanto, esta orientação não explica como se formou toda a ordem do Universo, nem diz quanta ordem localizada é compatível com a desordem globalizada. Além disso, a mesma peca por confundir ordem (v.g. cristais; flocos de neve) com complexidade especificada e irredutível (v.g. cillium, flagellum bacterianum) . Serão o caos e o acaso os responsáveis pelo cérebro humano e os seus triliões de ligações, por muitos considerado o mecanismo mais complexo que se conhece no Universo? O biólogo não criacionista Michael Denton responde a esta interrogação com um rotundo: não! O que se verifica é que sempre que os sistemas “evoluem” de uma estrutura simples para uma mais complexa, é necessária a verificação de condições muito especiais, incluindo, pelo menos, duas coisas: um código com informação pré-estabelecida (v.g. DNA) e um sistema preciso de conversão de energia (v.g. fotosíntese).
    Um quarto problema prende-se com a existência, na biologia, de numerosos exemplos de máquinas moleculares irredutivelmente complexas, inexplicáveis com base na operação gradualista de mutações aleatórias e selecção natural. Um dos mais carismáticos expositores da TE, Richard Dawkins , explica que este mecanismo cego, inconsciente e automático é o responsável pela evolução das formas mais básicas e simples de vida para as mais elevadas e complexas, até se chegar a essa maravilha natural que é o cérebro humano. Porém, qualquer leitor atento não deixará de notar os obstáculos insuperáveis com que este entendimento se defronta.
    a) Em primeiro lugar, ele é puramente especulativo, já que ninguém alguma vez viu o surgimento de uma característica completamente nova numa espécie existente através daquele processo. As mutações, sendo raras, raramente são benéficas, e quando são benéficas para um indivíduo, raramente são benéficas para uma população . Elas são geralmente responsáveis por deficiências graves e doenças letais. Os criacionistas não negam as mutações, limitando-se a salientar a sua natureza patológica, na origem de defeitos genéticos, doenças e outras formas de variação negativa dentro das espécies. As mesmas tendem a deteriorar a informação genética do genoma, não a aumentá-la.
    Do ponto de vista do CB, as mutações remetem naturalmente para o relato bíblico de uma criação perfeita, seguida da queda no pecado e da corrupção resultante. Além disso, as mesmas não criam informação genética nova, que codifique novas estruturas e funções, limitando-se a seleccionar, eliminar, duplicar, trocar ou recombinar informação genética pré-existente, como foi recentemente demonstrado pelo biofísico Lee Spetner, depois de estudar mutações durante várias décadas . Acresce que a selecção natural, como o próprio nome indica, é conservatória e eliminatória, não criando nova informação genética. Isto, não falando no problema das probabilidades infinitesimais envolvidas, que tornam a evolução por mutações aleatórias virtualmente impossível . Pequenas variações em função do meio (microevolução), não podem ser utilizadas como “prova” da evolução (macroevolução) , já que as mesmas se apoiam em informação genética pré-existente. Deduzir a macro-evolução da micro-evolução é uma fantasia invertida destituída de sentido!
    De nada vale brandir as variações nas dimensões dos bicos dos tentilhões, que Darwin observou nos Galápagos, nem argumentar com o desenvolvimento da resistência dos vírus aos antibióticos . Do ponto de vista do CB, semelhantes variações, além de não criarem informação genética nova, são, na generalidade dos casos, exactamente o que seria de esperar da criação da vida por um Ser inteligente, dotada de capacidade de adaptação a alterações do meio, tal como os engenheiros que conceberam as sondas espaciais procuraram criar condições para que as mesmas se possam adaptar às irregularidades de Marte.
    Mesmo os exemplos de “criação de novas espécies” por cruzamento reprodutivo, tantas vezes apregoados como evidências da evolução, nada mais são do que a recombinação de informação genética pré-existente. O CB não nega, nem as mutações aleatórias, nem a selecção natural. Do mesmo modo, não nega a existência de exemplos de “especiação”, como seja, por exemplo, o surgimento de 400 variedades de caninos dentro do “género” Canis familiaris . Apenas afirma que nada disso tem que ver com a evolução propriamente dita, na medida em que nada disso implica ou explica a geração da imensa quantidade de informação genética nova, necessária ao processo ascendente de transformação gradual de partículas em plantas, animais e pessoas. As novas espécies assim criadas têm menos informação genética do que as anteriores, pelo o que só dá razão aos criacionistas quando os mesmos afirmam que toda a informação tem que existir no princípio .
    b) Em segundo lugar, e contrariamente ao que sugere Richard Dawkins, não existe vida simples. Uma “simples” célula é mais complexa do que o mais complexo mecanismo criado pelo homem, além de ser uma maravilha inigualável de miniaturização tecnológica. Os autores que têm estudado enzimas e bactérias ficam maravilhados com a sua complexidade especificada, irredutível às suas partes componentes independentes . Contrariamente ao que pensava Charles Darwin, para quem as células não passavam de protoplasma indiferenciado, a generalidade das estruturas moleculares apresenta-se irredutivelmente complexa, necessitando as suas estruturas do concurso simultâneo de milhões de nucleótidos precisamente sequenciados e ajustados para poderem funcionar, o que não se explica, nem com base em mutações graduais aleatórias, ao longo de milhões de anos, nem com base em episódios pontuais de “evolução por saltos” . O mesmo vale para determinadas estruturas e funções. Por exemplo, para funcionar o joelho necessita da verificação simultânea de 16 características críticas, codificadas através de milhares de instruções precisas no DNA . Quanto forneceu a sua “explicação” sobre a evolução do olho humano – que os menos informados ainda levam a sério – Charles Darwin não fazia a mais pequena ideia, por exemplo, da existência de 400 000 foto-receptores por ml2 da retina. O darwinismo, com a sua ênfase nas mutações aleatórias desprovidas de qualquer propósito ou objectivo sistémico, consegue explicar a complexidade cumulativa, mas não consegue explicar a complexidade irredutível de máquinas moleculares dotadas de múltiplas partes funcionalmente integradas e precisamente coordenadas.
    c) Em terceiro lugar, o registo fóssil insiste em não assinalar evidências plausíveis de uma evolução gradual das espécies, como tem sido reconhecido mesmo pelos mais proeminentes evolucionistas . Stephen Jay Gould, o recentemente falecido professor de Harvard, um dos mais empenhados e destacados defensores da evolução, admitiu que “a falta de espécies intermédias no registo fóssil é o segredo profissional dos paleontologistas”. Para este autor, nem sequer se consegue imaginar a existência de elos intermédios plenamente funcionais entre as diferentes espécies . Ora, o processo evolutivo gradual de milhões de anos, tal como imaginado pelo neodarwinismo, deveria ter deixado milhões de fósseis intermédios, e não apenas a mão cheia de exemplos altamente controversos actualmente existente, tanto mais que existem biliões de fósseis de espécies claramente definidas. Os museus de história natural deveriam estar cheios de fósseis intermédios, o que não sucede .
    Como notou Stephen Jay Gould, o registo fóssil, longe de demonstrar a evolução gradual das espécies, caracteriza-se pela aparição abrupta de uma ampla diversidade de espécies plenamente formadas e pela sua permanência. De resto, também o já mencionado Ernst Mayr concede este mesmo ponto . Os problemas daqui resultantes para a TE são insuperáveis. O próprio Charles Darwin admitiu que a falta de evidência das formas intermédias significaria a refutação da sua tese. Ponderando as vias de solução para esta questão, Niles Eldredge, um conhecido paleontologista evolucionista, sustentou que existem fundamentalmente duas alternativas para os evolucionistas: ou se conserva a teoria neodarwinista tradicional, a despeito da inexistência de evidências, ou se adopta um modelo de evolução através de grandes saltos, a despeito de este assentar em proposições biológicas muito dúbias.
    Perante esta encruzilhada, Richard Dawkins manteve-se fiel ao gradualismo neodarwinista, apesar da inexistência de qualquer evidência fóssil nesse sentido, por considerar que a evolução por saltos é biologicamente impossível. Em sentido contrário, o paleontologista Stephen Jay Gould sustentou a evolução por saltos, apesar da inexistência de qualquer fundamento biológico, por considerar que não existe qualquer evidência fóssil de gradualismo . Quanto a esta questão, o CB concorda com Stephen Jay Gould, ao defender a inexistência de qualquer evidência paleontológica séria de evolução gradual, concorda com Richard Dawkins, quando este afirma que a evolução por saltos é biologicamente impossível, mas discorda de Niles Eldrege quando este afirma que o gradualismo e o saltacionismo são as duas únicas alternativas, já que ambas não têm qualquer base empírica. Para o CB, a criação especial é a única via cientificamente plausível.
    Um quinto problema diz respeito à impossibilidade, já anteriormente referida, de demonstrar empiricamente a TE. Muitos outros evolucionistas têm admitido a existência aqui de um problema sério. Por exemplo, Keith Stewart Thompson afirma que um dos mais óbvios desafios da TE consiste em provar empiricamente a evolução. Nas suas palavras, existem entre dois a dez milhões de espécies sobre a Terra. Ora, o registo fóssil mostra (na cronologia evolucionista) que as espécies sobrevivem entre três a cinco milhões de anos. Assim sendo, para Thompson deveríamos poder observar um pequeno mas significativo número de novas espécies e extinções em cada década . Sucede que, na avaliação do autor, não existe evidência, nos últimos 10 000 anos, do surgimento de qualquer espécie inteiramente nova. Isto, naturalmente, sem prejuízo da ocorrência de múltiplos fenómenos de especiação a partir de informação genética pré-existente. Este fenómeno é totalmente consistente com o CB, que postula a dispersão dos casais de animais que sobreviveram ao dilúvio, seguida de uma rápida especiação a partir deles. Em todos estes casos, porém, a informação genética vai sucessivamente diminuindo, e não aumentando.
    Como se vê, nada é mais absurdo do que a acusação de que o CB não atende aos dados da ciência. Pelo contrário, a TE é que enfrenta as maiores dificuldades na sua adequação aos factos. Ela apoia-se, não nos factos observáveis, mas na interpretação daquilo que não se pode observar, de acordo com premissas naturalistas indemonstráveis. Como dissemos, o problema da CB não é com a ciência, mas sim, e apenas, com o naturalismo nela pretende abusivamente “viajar sem pagar bilhete”. Pelo contrário, o naturalismo é que tem um problema muito sério com a ciência: se a abiogénese é impossível, o naturalismo também é impossível! As considerações expendidas demonstram que a explicação mais racional dos factos é a que aponta para a criação especial do Universo e da vida por Deus. A TE, com todas as suas pretensões de cientificidade, não explica a origem da vida, não identifica o ancestral comum, não dispõe dos elos intermédios da cadeia evolutiva nem tão pouco conseguiu precisar e especificar o mecanismo de evolução. Mais, a maior parte dos principais argumentos a favor da evolução (v.g. experiência Miller-Urey, homens-macacos, embriões de Haeckel, tentilhões dos Galápagos, Archaeopterix, homologias, fósseis de cavalos), tem sido refutada pela literatura especializada, não criacionista, mais recente .
    O CB e a TE não se encontram numa posição de equidistância relativamente aos factos. Com efeito, pelo menos quatro coisas são empiricamente observáveis, e todas elas corroboram inteiramente o CB: 1) A vida surge da vida (minor vita ex vita), de acordo com a lei da biogénese. O contrário nunca foi observado por quem quer que seja. 2) As várias formas de vida reproduzem-se de acordo com a sua espécie, com pequenas variações. 3) Não há vida simples. Mesmo a mais simples célula é mais complexa do que o mais complexo dos mecanismos criados pelo homem. 4) Uma multiplicidade de diferentes formas de vida coexiste nos mesmos eco-sistemas. Como se disse, todos estes dados empíricos decorrem naturalmente do modelo CB, sendo previstos por ele, embora não sejam previstos pela TE e necessitem de uma explicação. Neste sentido, também os criacionistas podem dizer que o presente é a chave do passado! Quem diz que a Bíblia não é correcta do ponto de vista científico devia ter em conta o facto de que a biologia bíblica se adequa plenamente a estes dados empíricos, na medida em que postula a criação quase simultânea das várias espécies. Em vez de um ancestral comum, ela parte do princípio da existência de um Criador comum.

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