sábado, março 31, 2007

Jónatas Machado e a Filosofia da Ciência.

Num artigo no Ciência Hoje (1), Jónatas Machado (JM) resume em apenas 3,145 palavras (contou-as o Santiago, em 2) o que outros diriam em mais de três: «Deus não é explicação». Tão sucinto foi que, naturalmente, algumas coisas ficaram menos claras. São essas pequenas falhas que tentarei colmatar.

Primeiro, JM diz que a ciência parte de uma premissa naturalista. Faltou aqui dizer que a ciência parte sempre de muitas premissas. Chamam-se hipóteses, e o objectivo é encontrar as que melhor correspondem ao que observamos. Há uns séculos, a ciência favorecia a hipótese de Deus como explicação. Mas o sucesso de alternativas mais detalhadas que «ah, isso foi Deus» favoreceu essas hipóteses naturalistas. Não por uma limitação do método científico, mas pelas mesma razão que quando o carro não pega o levamos ao mecânico em vez de rezar para que Deus mude as velas. O naturalismo corresponde melhor à realidade do que criacionismo do judeo-cristianismo evangélico literalista bíblico.

Em segundo lugar, JM parece confundir a evolução com a teoria da evolução. É o que dá resumir tudo tão resumidinho. Há tantas observações a apoiar a evolução que a consideramos um facto, como a gravidade ou a Terra orbitar o Sol. A Terra tem biliões de anos, havia espécies que se extinguiram, as espécies modernas descendem de espécies antigas, e o governo não se vai esquecer de cobrar o IRS este ano. São factos. Contem com isso. E a teoria da evolução é a teoria que explica o facto (facto!) de as espécies terem evoluído e continuarem a evoluir. A tarefa do criacionismo é difícil. Não só querem refutar uma das teorias mais sólidas da ciência moderna, como querem refutar os factos que a teoria explica. É como ser tão contra a relatividade que nem sequer se aceita que haja gravidade.

Em terceiro lugar, JM fala da «evolução aleatória». Um termo estranho. Se fosse aleatória não precisávamos de a explicar. A biologia moderna reduzia-se a um conveniente «Olha, calhou». Mas a noção de evolução aleatória sugere uma solução para este debate. Se Deus criou as bactérias sensíveis à penicilina, e se a evolução aleatória não pode criar informação, então não pode haver agora bactérias que resistam à penicilina. Basta os criacionistas se recusarem a tomar qualquer outro antibiótico que a controvérsia acaba em duas ou três décadas.

Em quarto lugar, JM dá um salto de fé ao propor que toda a biologia moderna deriva de assumir que não foi deus que fez isto:

«Se a possibilidade de uma criação sobrenatural é excluída à partida, então a única possibilidade admissível é a evolução cósmica e biológica aleatória. Só pode. Não é?»

Não. Há a possibilidade de criação por um ser natural, de geração espontânea, de evolução por herança de características adquiridas, de ter sido sempre assim, e uma infinidade de outras. A alternativa a “ah, isso foi Deus” não tem que ser forçosamente a teoria da evolução como temos hoje. O que nos trouxe aqui não foi uma premissa pequenina, mas uma enorme montanha de observações e experiências que o universo nos deu.

Mas no título JM acertou em cheio: «O paradigma naturalista». A ciência já explorou muitos paradigmas: os quatro elementos, o vitalismo, o catastrofismo, a mecânica de Newton, o calórico, etc. A maioria foi como veio, sobrenaturais ou naturais. No século XIX havia o éter, um fluido que permeava todo o universo, que não se via nem se sentia, mas milhões de vezes mais rígido que o aço, e que vibrava à frequência da luz. Para mim, isso é que é sobrenatural. Hoje temos o princípio de incerteza de Heisenberg, que aceitamos como natural mas que deveria parecer sobrenatural a alguém do século XIX. A noção de natural muda conforme muda a percepção da natureza.

Hoje aceitamos que a natureza é natural. É o paradigma vigente, e não porque o método o obrigue. Pelo contrário, só recentemente é que a ciência o aceitou. Teve que ser. O universo refutou todas as alternativas com que desesperadamente tentámos salvar as nossas superstições. Foram-se os dragões, os unicórnios, os anjinhos e os deuses. Nem o Pai Natal resistiu ao limite de velocidade que a relatividade impôs.

(700 palavras... por favor leiam quatro vezes para ficar mais ao nível do texto do Jónatas Machado)

1 - Jónatas Machado, 29-3-07, O paradigma naturalista
2 – Santiago, 29-3-07, Ciência Anteontem...

11 comentários:

  1. e não é que o dito texto desapareceu?
    será milagre? será que jorge massada teve uma revelação?
    aguardam-se desenvolvimentos

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  2. Pois é... Isto é muito estranho...

    Só espero que tenha sido por minha culpa ;)

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  3. Pensarcusta01/04/07, 22:40

    gostei do post. consegui preceber o que queria dizer e a sua posição

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  4. Pois pensar custa mm muito principalmente qd a ciencia ( A VERDADEIRA ) esta a ensinar em todo o mundo inetiro que o positivismo racionalista e o darwinismo " opera bufa " está desacreditado

    E COM QUE GALHARDIA CIENTIFICA O PROF JÓNATAS O PROVOU !

    Deviam ter vergonha do q fizeram... todos os grandes homens de ciencia estao a dar voltas no tumulo pq vos, seus discipulos, ultrajasteis a ciencia pela qual eles deram s suas vidas

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  5. Não consigo perceber o que é que a extinção de espécies tem que ver com a evolução. Extinção significa morte. Não cria informação genética nova que codifique novas e mais complexas estruturas e funções. Pelo contrário, é possível que muitas extinções se tenham ficado a dever à acumulação de mutações. As extinções caminham no sentido contrário ao da evolução de partículas para pessoas ao longo de milhões de anos. Mais um exemplo de que o paradigma naturalista, ao meter no mesmo saco coisas que nada têm que ver uma com a outra, é manifestamente erróneo e absurdo. Daí o meu artigo que, para que não escape a ninguém, volto a trazer aos leitores. Ao Ludwig faço a justiça de reconhecer a elevação com que tem discutido este tema.


    Aqui vai o artigo:



    O PARADIGMA NATURALISTA

    Homens como Lyell, Comte, Darwin, Huxley, Haeckel, Mayr, Sagan, Lewontin, Gould, Eldredge, Dawkins, Dennett, Pinker, Hawking, etc., têm sustentado que toda a ciência tem necessariamente que ser naturalista, isto é, tem que excluir liminarmente qualquer possibilidade de causas sobrenaturais. Estes e outros cientistas decretaram que no Universo não há qualquer lugar para Deus e para a análise dos efeitos da sua acção. Para eles, o facto de essa ser a sua profunda convicção filosófica e ideológica é razão mais do que suficiente para que todos aceitem doravante essa determinação e construam a ciência de acordo com ela. A verdadeira ciência, dizem, só pode ser naturalista. A mesma só pode investigar as relações de causa efeito entre matéria e energia, no tempo e no espaço.
    Quem pretender afirmar algo diferente não pode ser cientista. Quem ousar defender que existem efeitos naturais inexplicáveis unicamente por causas físicas naturais está irremediavelmente condenado a permanecer fora da ciência. Note-se, porém, que este tipo de naturalismo não é totalmente neutro, do ponto de vista ideológico. O mesmo toma um partido bem definido relativamente à questão da “natureza da natureza”, na medida em que tem subjacente uma compreensão estritamente física e materialista da natureza, excluindo a possibilidade de a natureza conter uma dimensão imaterial (v.g. informação, estrutura matemática ou computacional), para além da matéria e da energia. É que, por si só, a existência de informação ou de uma estrutura matemática remete imediatamente para a possibilidade de uma causalidade inteligente. Sucede que este entendimento, longe de promover a objectividade e o pensamento crítico na ciência, como pretendem os naturalistas, é a “mãe de todas as tautologias”. Se não, vejamos.

    DO NATURALISMO À EVOLUÇÃO ALEATÓRIA

    Se a possibilidade de uma criação sobrenatural é excluída à partida, então a única possibilidade admissível é a evolução cósmica e biológica aleatória. Só pode. Não é? Isto, porque só o apelo a uma evolução cósmica e biológica aleatória permite rejeitar e manter afastada a possibilidade de um Criador racional e intencional, cumprindo assim as exigências do naturalismo. Isto significa que, de acordo com uma definição naturalista de ciência, a teoria da evolução tem que ser necessariamente verdadeira, mesmo antes de se começar com qualquer investigação no terreno.
    Como se vê, a convicção acerca da verdade da teoria da evolução é uma consequência inescapável da filosofia naturalista que lhe serve de base, independentemente de qualquer investigação científica. Esta só serve para confirmar as premissas naturalistas e a teoria da evolução, na medida em que tem necessariamente que se conformar com elas. Ou seja, não é a investigação científica que demonstra a veracidade da teoria da evolução. Antes é a veracidade da evolução, decorrente do paradigma naturalista adoptado à partida, que vai condicionar toda a investigação científica, determinando quais os factos que devem ser dados como verdadeiros e quais os que devem ser considerados falsos. Vemos, assim, que, para quem parta de um modelo naturalista, que afasta a priori a possibilidade de design inteligente na natureza, a evolução cósmica e biológica aleatória é verdade mesmo antes de ser empiricamente testada.

    DA EVOLUÇÃO ALEATÓRIA À ANTIGUIDADE DA TERRA

    Mas as coisas não se ficam por aqui. É que, se a evolução aleatória é a única possibilidade compatível com a ciência definida em termos estritamente naturalistas, segue-se automaticamente que a antiguidade da Terra é a única conclusão igualmente possível a priori. Isto, porque uma Terra recente nunca poderia ser razoavelmente compatibilizada com a evolução aleatória. Esta necessita de tempo – provavelmente, até, de muito mais tempo do que o que se encontra disponível no Universo. Na verdade, de acordo com as premissas naturalistas e com a teoria da evolução aleatória a que as mesmas necessariamente conduzem, a Terra tem necessariamente que ser suficientemente antiga para que a vida tenha surgido por acaso a partir de químicos inorgânicos e que milhões de espécies possam ter evoluído de um ancestral comum, dando origem a múltiplas novas espécies plenamente funcionais.
    Uma idade de 6 000 ou 10 000 anos, por exemplo, seria necessariamente impossível de compatibilizar com a teoria da evolução. Isto, note-se, mesmo antes de se fazer qualquer medição dos níveis de C-14, dos níveis de decaimento de isótopos radioactivos, das taxas de erosão dos continentes ou de deposição de sódio e sedimentos nos oceanos ou da velocidade da recessão da Lua. Na verdade, antes mesmo de o cientista ligar a ignição do seu automóvel para se deslocar ao seu laboratório ou ao seu campo rochas sedimentares e fósseis, ele só pode esperar encontrar evidências de evolução aleatória e de uma Terra extremamente antiga, porque só isso é compatível com a ciência naturalista. Também aqui as conclusões precedem qualquer investigação científica, sendo que esta só pode confirmar essas conclusões, sob pena de deixar de ser científica à luz da definição naturalista do termo.
    Com efeito, se um cientista viesse a concluir que as observações apontam para uma Terra recente, ele iria inevitavelmente pôr em causa a possibilidade de evolução aleatória, o que, por sua vez, iria comprometer as premissas naturalistas que estruturam o método científico e, por conseguinte, iria colocar-se do lado de fora do domínio da ciência. Daí que ele tenha forçosamente que concluir que qualquer observação empírica que aponte para um design inteligente ou possa pôr em causa a extrema antiguidade da Terra só pode estar errada.

    DA ANTIGUIDADE DA TERRA À ANTIGUIDADE DO COSMOS

    Como se vê, quem partir de premissas naturalistas tem forçosamente que concluir pela evolução cósmica e biológica aleatória e pela antiguidade da Terra. Isto significa que todas as evidências têm necessariamente que ser seleccionadas, interpretadas e organizadas de uma forma que corrobore a evolução aleatória e a extrema antiguidade da Terra. Uma das estratégias interpretativas consiste no recurso a premissas uniformitaristas, em domínios como a erosão, a deposição de sedimentos, a deslocação de placas tectónicas, o decaimento de isótopos, a velocidade da luz, etc., quando isso possa ser utilizado para corroborar a antiguidade da Terra. Se não for esse o caso, abandonam-se convenientemente as premissas uniformitaristas, como sucede em domínios como a recessão da Lua, o decaimento do campo magnético da Terra, a difusão de hélio para a atmosfera, a deposição de sedimentos nos oceanos ou a estatística populacional. É que, nestes casos, as premissas uniformitaristas conduziriam a uma idade recente da Terra, resultado inaceitável à partida, porque incompatível com a evolução das espécies e a ideologia naturalista que lhe subjaz. Como veremos adiante, estas e todas as demais evidências só podem ser interpretadas de acordo com métodos que garantam plausibilidade à evolução naturalista.
    Se a Terra é extremamente antiga, então o sistema solar tem que ser ainda mais antigo, o mesmo acontecendo, sucessivamente, com a Via Láctea e as demais galáxias. Também isto decorre logicamente das premissas naturalistas, à margem de qualquer investigação científica. Com efeito, se Terra é extremamente antiga, então o sistema solar, a Via Láctea e todo o Universo têm necessariamente que ser muito mais antigos, com pelo menos vários biliões de anos. Assim tem que ser necessariamente, de acordo com as premissas naturalistas, com a evolução cósmica e biológica aleatória e com a necessária antiguidade da Terra. É que só uma intervenção sobrenatural poderia determinar um estado de coisas diferente e essa intervenção sobrenatural está excluída à partida.
    Tanto basta para afirmar que a evolução aleatória das espécies e a extrema antiguidade da Terra e do Universo não são o resultado de uma análise científica objectiva dos factos, imposta necessariamente pelas observações empíricas, antes são a consequência necessária e inelutável da adopção a priori de premissas naturalistas, uniformitaristas e evolucionistas para definir os objectivos, os métodos e mesmo os resultados admissíveis da ciência.
    Assim, a evolução aleatória e a extrema antiguidade da Terra e do Universo, mais do que o produto da investigação científica, são corolários lógicos, mecânicos, automáticos e inescapáveis da ideologia naturalista. Não existe qualquer alternativa científica àquilo que foi previamente estabelecido pelas premissas naturalistas. Só os mais ingénuos, do ponto de vista epistemológico, é que ficam surpreendidos pelo facto de “ciência” confirmar sistematicamente essas premissas, em todas as disciplinas. Só o pode fazer, não é? Se não o fizer deixa de ser ciência, na medida em que introduz elementos não aleatórios ao processo, os quais remetem logicamente para uma inteligência sobrenatural. Toda a ciência, em todas as suas disciplinas, traz o naturalismo pré-incorporado. Toda ela está programada, de origem, para validar a evolução e a antiguidade da Terra e do Universo.

    A CIÊNCIA COMO VALIDAÇÃO DO NATURALISMO

    Como se vê, as regras do jogo naturalista determinam não apenas o modo como o “jogo” científico é jogado, mas o próprio resultado do jogo. Os resultados da investigação científica já estão pré-determinados antes mesmo de essa investigação ter começado. Isto significa que não é necessária qualquer investigação científica para concluir pela teoria da evolução aleatória e pela antiguidade da Terra. Basta adoptar premissas naturalistas. As mesmas encarregam-se de conduzir inelutavelmente o cientista à conclusão de que a evolução aleatória e a antiguidade da Terra são correctas. O sistema de validação científica pelos pares tem por base controlar o naturalismo das premissas, dos métodos e dos resultados. O “verdadeiro cientista”, por definição um naturalista, não tem qualquer alternativa senão confirmar as premissas naturalistas e os “factos” que elas estabelecem.
    Assim é, porque toda a evidência terá forçosamente que ser interpretada de acordo com essas premissas, sob pena de sair fora da ciência naturalisticamente definida. Isso, mesmo quando se trate de evidência possa, a primeira vista, atentar contra essas premissas. É o caso, por exemplo, da inexistência de uma fonte primordial de energia, da extrema complexidade do DNA, da manifesta impossibilidade física de o DNA surgir por acaso, da existência de C-14 em rochas e fósseis datados de milhões de anos, da evidência de catastrofismo nas formações rochosas, da retenção de hélio nos cristais de rochas graníticas, das grandes disparidades na datação do decaimento radioactivo, do decaimento do campo magnético da Terra, da recessão da Lua, das taxas de deposição de sedimentos nos oceanos, da estatística populacional, da idade recentíssima das civilizações mais antigas ou da recente observação de hemoglobina e tecidos moles em ossos não fossilizados de dinossauro.
    Também todas essas evidências têm que ser interpretadas de acordo com o único modelo admissível – o da evolução naturalista ao longo de milhões de anos – porque só essa solução é considerada cientificamente correcta. Assim é, mesmo que isso obrigue a aceitar milagres matemático-probabilísticos, envolvendo probabilidades infinitesimais, como sejam os respeitantes ao surgimento casual de uma célula (probabilidade estimada de 1 em 1 x 10 ^ 57800) – com os seus biliões de componentes – ou mesmo de uma simples proteína funcional (probabilidade estimada em 1 em 1x 10 ^ 191). Em qualquer outro domínio, estas probabilidades seriam muito mais do que suficientes para que se considerasse um evento impossível. Mas não na ciência naturalista. Aqui as mesmas demonstram a ocorrência dos eventos a que se referem.
    Eis a razão pela qual é impossível refutar cientificamente a evolução. Mesmo num debate entre 10 criacionistas e 1 evolucionista este acabaria sempre por vencer o debate, se e enquanto a ciência fosse definida em termos exclusivamente naturalistas. Mas, como bem se depreende, não o vencia por ter exposto os melhores argumentos ou mostrado as evidências mais sólidas, mas apenas por causa do automatismo tautológico da regra “garbage in, garbage out” (naturalismo “in”, evolucionismo “out” / evolucionismo “in”, extrema antiguidade da Terra “out”). Se a ciência é definida em termos naturalistas, então só a evolução aleatória e a extrema antiguidade da Terra e do Universo são compatíveis com ela.
    Assim sendo, os fósseis e as rochas têm que ser obrigatoriamente interpretados de acordo com a teoria da evolução aleatória. Se, por acaso, o registo fóssil não demonstrar evolução gradual, então isso só pode significar que a evolução ocorreu por saltos. A esta luz, a proliferação de fósseis vivos, fósseis polistráticos ou fósseis em posição anómala é vista como uma mera curiosidade sem grande relevo, insusceptível de abalar a crença evolucionista. Do mesmo modo, as semelhanças e as diferenças entre animais só podem ser interpretadas de acordo com a evolução. Se existem semelhanças genéticas entre duas espécies animais, fala-se em homologia e “prova-se” dessa forma evolução. Se existem diferenças genéticas estruturais entre dois órgãos funcionalmente idênticos de espécies distantes entre si, fala-se em “evolução convergente” e “prova-se” também assim a evolução.
    De uma forma e de outra “prova-se” sempre a evolução. Porquê? Porque a sua veracidade e indiscutibilidade é estabelecida a priori pelas premissas naturalistas Em todos os casos, como se vê, os dados observados nunca podem ser interpretados como pondo em causa a evolução, na medida em que isso iria contra as premissas naturalistas que definem o método científico a priori e colocaria o observador fora do domínio da ciência.
    Mesmo as mutações pontuais, que são consabidamente cumulativas e degenerativas, têm que ser forçosamente interpretadas de acordo com a evolução aleatória. Assim é, não tanto porque esteja cabalmente demonstrado que as mesmas acrescentam informação complexa e especificada ao genoma ou que sejam maioritariamente benéficas para os indivíduos e para as populações, mas apenas porque as mesmas são aleatórias, tendo pelo menos isso em comum com a aleatoriedade que caracteriza o processo evolutivo.
    O facto de as mutações serem maioritariamente deletérias e não acrescentarem informação nova ao genoma (para além da recombinação, troca ou inserção de informação genética pré-existente) é mascarado, pelo naturalismo, através do invariável apelo a um processo de milhões de anos de mutações que ninguém pôde observar. Pode facilmente, e sem muita imaginação, inventar-se uma qualquer “história da carochinha” ou do “sapo que se transforma em príncipe” para tentar “demonstrar” que, ao longo de milhões de anos, uma sucessão de mutações maioritariamente deletérias acabou por construir, contra todas as probabilidades, um organismo inovador, pleno de complexidade especificada e integrada e capacidade de adaptação ao meio. Felizmente para os naturalistas, ninguém pode refutar isso. Em primeiro lugar, porque ninguém estava lá para ver se isso aconteceu ou não. Em segundo lugar, porque se o tentasse fazer estaria a por em causa em causa o dogma naturalista da evolução aleatória, colocando-se, ipso facto, fora do “cientificamente correcto”.
    Também a especiação, alopátrica ou simpátrica, e a selecção natural têm forçosamente que ser interpretadas e integradas de acordo com o modelo evolutivo. Isto, apesar de em caso algum criarem informação genética nova, que codifique novas estruturas e funções, limitando-se a operar sobre informação genética pré-existente, a qual vai ficando cada vez mais especializada. Mas qual era realmente a alternativa? Se o único modelo compatível com as premissas naturalistas adoptadas à partida é a evolução cósmica e biológica aleatória (porque exclui a criação sobrenatural) e se a extrema antiguidade da Terra é necessária para conferir alguma credibilidade a esse processo, segue-se que todos os fenómenos naturais têm que ser interpretados em conformidade com esse modelo pré-estabelecido, na medida em que é o único cientificamente admissível.
    Assim tem que ser, mesmo que permaneçam sérias dúvidas sobre se as mutações aleatórias e a selecção natural realmente criam informação nova no genoma, capaz de codificar estruturas e funções completamente inovadoras e mais complexas. Mais uma vez, o apelo a hipotéticos milhões de anos não observados por ninguém serve para tranquilizar essas dúvidas. O tempo surge assim como uma espécie de tapete para debaixo do qual são remetidas todas as dúvidas.
    O tempo e o acaso são dotados, pelo pensamento naturalista, de propriedades milagrosas, com base nas quais tudo passa a ser possível, mesmo que seja manifestamente contrário às leis da física e da biologia. Mesmo eventos que tenham como único fundamento probabilidades infinitesimais, como o surgimento acidental de uma proteína funcional ou de uma célula, passam a ser não apenas possíveis, prováveis, altamente prováveis ou certos, mas até necessários e mesmo inevitáveis. Naturalismo oblige!

    A UNILATERALIDADE IDEOLÓGICA DO NATURALISMO

    Como se vê, todo o edifício aparentemente sólido da ciência evolucionista mais não é do que um resultado circular e tautológico da adesão a uma mundividência naturalista que, a priori, de forma unilateral e ideológica, determina os objectos, os métodos e até os resultados “cientificamente correctos”, antes mesmo de o trabalho científico iniciar. Na verdade, este quase que poderia ser considerado supérfluo, na medida em que só pode servir para validar as premissas naturalistas aceites à partida e nunca para as pôr em causa.
    A teoria da evolução é essencialmente ideologia e, à partida, uma ideologia anti-teísta. A mesma é um elemento essencial de uma particular visão do Universo, em que Deus é colocado de fora por uma determinação humana. A evolução não apenas é indissociável de premissas naturalistas, como é estabelecida por elas à margem de qualquer investigação científica, juntamente com os seus corolários da antiguidade da Terra e do Universo.
    Aquilo que muitos pensam ser o resultado da investigação científica é, no fundo, um conjunto articulado e consistente de axiomas, princípios e corolários naturalistas, auto-subsistentes, que são utilizados como grelha de observação, análise e interpretação do mundo material. É tudo uma questão de “óculos” mundividenciais. Os factos não falam por si, eles são interpretados de acordo com pressuposições a que previamente se aderiu de forma fideísta. As rochas, os fósseis, os isótopos, as mutações, a selecção natural são incapazes de dizer o que quer que seja, carecendo de interpretação. Esta realidade tem importantes implicações epistemológicas e metodológicas, entre as quais destacamos.

    Em primeiro lugar, todo o conhecimento científico é fortemente condicionado por pressupostos mundividenciais, mais ou menos conscientemente interiorizados, particularmente quando trata das origens não observadas do Universo, da Vida e do Homem. A teoria da evolução é essencialmente mundividência e não ciência. Ensinar a evolução é, acima de tudo, ensinar uma mundividência.

    Em segundo lugar, a menos que se abandonem as premissas naturalistas, não é possível refutar a teoria da evolução cósmica e biológica aleatória e o seu corolário obrigatório da antiguidade da Terra e do Universo.

    Em terceiro lugar, se alguém quiser discernir a obra de Deus na natureza tem forçosamente que aceitar, a priori, a possibilidade da existência de Deus e da sua obra na natureza, rejeitando as constrições epistemológicas e metodológicas do naturalismo.

    Em quarto lugar, qualquer crente em Deus que queira realmente conhecer respostas mais concretas sobre a origem, a natureza, o sentido e o destino do Universo, da Vida e do Homem, não tem outra alternativa se não aceitar, pela fé, a autoridade última da Sua Palavra e deixar-se conduzir por ela na análise e interpretação dos dados empíricos.

    É por isso que a Bíblia afirma que o reconhecimento de Deus é o princípio de toda a ciência. Na Bíblia a existência de Deus nunca é demonstrada. A mesma é considerada um dado axiomático. No Génesis diz-se, de forma categórica: “no princípio, Deus criou os céus e a Terra”. Não existe qualquer maneira de demonstrar a verdade ou a falsidade desta afirmação através da observação e da experimentação científica. Todavia, o Universo pode ser interpretado a partir dessa afirmação ou contra ela. Não existe outra alternativa, ou uma maneira neutral e objectiva de conhecer o mundo. Para a Bíblia, a verdadeira ciência só pode começar e acabar no LOGOS divino, Jesus Cristo, o Alfa e o Ómega. Jesus disse: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo”. Creio firmemente que estas palavras se aplicam também à nossa visão do Universo.

    Jónatas E. M. Machado

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  6. Estava eu a lêr "algo", quando me deparo com esta afirmação:
    "Quem pretender afirmar algo diferente não pode ser cientista. Quem ousar defender que existem efeitos naturais inexplicáveis unicamente por causas físicas naturais está irremediavelmente condenado a permanecer fora da ciência."
    É verdade sim senho! Einstein dizia isso mesmo. Quando se apercebeu que a sua teoria não conseguia explicar tudo, limitou-se a constatar que a explicação ainda estaria para além do seu conhecimento, e dizia não acreditar que deus jogasse aos dados com o universo. Não optou pela solução simplista e arcaica de outros "inteligentes" que incapazes de compreender as suas limitações, simplesmente atribuem o desconhecido a um deus qualquer ou a outro qualquer fenómeno sobrenatural.
    Tudo no universo são probabilidades, e matemática. Não é o conhecimento da matemática que a torna real. A metemática é real, e está à nossa volta, simplesmente não temos ainda capacidade para conhecer todos os fenómenos.
    Entre esses fenómenos, existe a probabilidade de todos os defensores de teses criacionistas e intervenções sobrenaturais, um dia se "desmaterializarem" de onde estão, e se materializarem dentro de um lago de piranhas. Não é sobrenatural, é real, só que a probabilidade de tal acontecer é tão baixa, que nem no tempo de vida da terra, existe esperança que tal venha a ocorrer, mas, a probabilidade de isso acontecer pode ser calculada por muito baixa que seja...
    A aliatoriedade na evolução não é descabida. Uma mutação de um géne pode ser causada de forma natural, e o resultado dessa mutação, pequeno ou grande, vai ser filtrado pela natureza. Se essa alteração melhorar a sobrevivencia do exemplar, ele vai ter mais tempo para dissemninar esse géne, e a caracteristica vai dominar nas populações futuras, por outro lado, se não melhorar nada, com o tempo, a caracteristica desaparece da população. Não houve intervenção divina a transformar as barbatanas peitorais de um peixe primitivo num braço humano, foram sucessivas mutações genéticas subtis, que devido à vantagem que apresentavam para os seus portadores lhes permitiram disseminar mais eficientemente os seus génes, e sucessivamente até aos resultados visiveis nos dias de hoje.
    Até eu que não sou cientista, nem tenho formação cientifica percebo isto.

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    Respostas
    1. a evolução por selecção natural não é aleatória... informe-se!

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    2. Uma experiencia aleatoria é uma experiencia onde intervem o
      acaso, isto é, cujos resultados sao incertos, nao sendo
      portanto possıvel saber qual o resultado da experiencia - ou fazer conjecturas crdediveis, por falta de dados, antes
      de a realizar. Um acontecimento aleatório é um conjunto de resultados possıveis da experiencia aleatoria. Não é desse tipo de acontecimento que estamos a falar no caso da evolução por selecção natural, embora existam acontecimentos aleatórios a influenciá-la. Isto é relevante, pois todos os calculos probabilisticos que foram feitos são baseados num pressuposto que está errado - de que a selecção natural é aleatória. Também muitos argumentos criacionistas são baseados neste pressuposto errado.

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    3. Na realidade as minhas duas respostas eram dirigidas ao comentário anterior e não a este.

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  7. o que não entendo é porque os religiosos se servem de um livro de contos épicos e não da sua opinião pra demonstrarem seja o que for. é que se o caminho for esse qualquer pessoa pega no seu livro romântico, policial ou de ficção favorito e começa a despejar dados de acordo com essa tal facilidade com que se interpretam os dados. o que o senhor jónatas não entendeu é que tem um problema de falta de consciência. São este tipo de pessoas que se servem da retórica argumentativa pra conseguir transformar os factos em argumentos. O problema é que não e´o unico que detém uma performance de marketing manifestamente dificil de contra argumentar. aliás eu proponho ao senhor jónatas que deixe de ler livros de ficção e passe a viver a vida, ou ainda se quiser que prove sem o uso de palavras como se faz um filho.

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  8. a argumentação neodarwinista e darwinista persiste
    o neutralismo não tem divulgação

    Opfølgende~ e presente muitos campos das ciências são abordados de modo simplista

    ver artigos da science de campos lusos

    o primitivismo domina

    Jónatas Machado disse...
    Não consigo perceber o que é que a extinção de espécies tem que ver com a evolução. Extinção significa morte. Não cria informação genética nova que codifique novas e mais complexas estruturas e funções. Pelo contrário, é possível que muitas extinções se tenham ficado a dever à acumulação de mutações. As extinções caminham no sentido contrário ao da evolução
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    188.82.139.# Unknown 10:33:35 am 5 50:26
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