segunda-feira, setembro 11, 2006

Jónatas Machado e a Biologia Molecular

No passado dia 8, Jónatas Machado (JM) escreveu no jornal «O Público» um artigo em defesa do criacionismo, a propósito da aparente abertura do Papa Bento XVI a esta doutrina. Quero dedicar algumas entradas deste blog ao esforço interdisciplinar deste professor de direito e constitucionalista, e à sua critica de disciplinas tão diversas como a biologia molecular, a paleontologia e a geologia.

No seu artigo no jornal «O Público», JM apresenta uma série de argumentos padrão do movimento criacionista, todos baseados em mal-entendidos (assumindo que são apresentados de boa fé). Em primeiro lugar, JM mostra-se preocupado que o Papa vá a “reboque de teólogos e cientistas, cujas posições estão em constante mutação”. Mudar de opinião pode ser mal visto em teologia, mas em ciência é fundamental Afinal, é esse o objectivo da ciência: mudar a nossa opinião de forma a que esteja sempre o mais possível de acordo com os factos. Como ninguém conhece todos os factos, qualquer cientista (eu diria mesmo qualquer pessoa intelectualmente honesta) tem que estar preparado para mudar a sua opinião se confrontado com factos que a contradigam.

Outro termo revelador que JM usa é “evolucionistas”. A teoria da evolução é uma ferramenta conceptual, algo que nos ajuda a compreender e prever aspectos da natureza. Chamar “evolutionista” a quem a usa desta forma é como chamar “gravitacionista” aos arquitectos e engenheiros civis porque incluem a gravidade nos seus cálculos. Ao contrario do criacionismo, nem o “evolucionismo” nem o “gravitacionismo” são doutrinas. São teorias, ferramentas para aplicar onde aplicável, modificar conforme necessário, e talvez até rejeitar se um dia se revelarem incompatíveis com os factos. Ao contrário dos criacionistas, os cientistas mudam de opinião quando que se justifica.

Mas o que quero abordar aqui é principalmente esta afirmação de JM:

«Os evolucionistas interpretam a existência de semelhanças genéticas como evidência de um ancestral comum, ao passo que os criacionistas as interpretam como evidência de um Criador comum.»

Este é um dos truques do criacionismo, apresentar o problema como uma mera divergência de interpretações dos mesmos factos. E para qualquer pessoa que desconheça os factos pode até fazer sentido. Há semelhanças e diferenças, uns dizem que é porque o deus deles assim o quis, outros dizem que os organismos evoluíram assim. Mas os factos não se restringem á mera presença de semelhanças e diferenças. O mais revelador é o padrão das semelhanças e diferenças, e é nos detalhes que se distinguem as boas explicações das más desculpas.

Consideremos a hipótese de JM, que um deus criou todos os organismos. Neste caso é natural que um rato, um morcego, e um pardal tenham semelhanças e diferenças nos seus genes. O morcego e o pardal têm asas, o morcego e o rato são mamíferos, e assim por diante. E seria de esperar que as diferenças sejam maiores entre o rato e o pardal do que entre o morcego e qualquer um dos outros dois. O morcego talvez seja mais parecido com o rato, ou talvez mais como o pardal, mas seria de esperar que estivesse algures entre o rato e o pardal.

Segundo a teoria da evolução isto não pode acontecer. Entre o rato e o pardal apenas estão os seus antepassados, e ninguém da geração presente. Se o morcego estiver mais próximo do rato (que é o caso), terá que haver tantas diferenças entre o pardal e o morcego como entre o pardal e o rato. O pardal é como um primo afastado e o morcego e o rato como irmãos, e por isso a relação de parentesco entre o rato e o pardal é a mesma que a relação entre o morcego e o pardal.

Temos assim uma grande diferença entre a forma como as duas hipóteses podem interpretar os factos observados. Segundo a hipótese que partilhamos todos um ancestral comum, as espécies modernas formam uma geração da enorme árvore de família que une todos os seres vivos, e por isso nunca pode haver os tais casos intermédios. As espécies modernas têm que se relacionar todas como primos mais ou menos afastados. Isto é uma afirmação extremamente arriscada, mas daquelas que caracterizam uma boa explicação científica. E é precisamente isso que observamos em milhares de espécies estudadas.

A hipótese criacionista, que postula uma criação independente, é incapaz de explicar esta relação que se observa nas diferenças e semelhanças entre os genes de todos os organismos. Pode afirmar que o alegado criador quis criar os genes todos tal e qual como se esperaria se descendessem de um ancestral comum, mas por ser compatível com qualquer observação a hipótese criacionista torna-se inútil como explicação.
Há outro pormenor importante que favorece a teoria da evolução. Os nossos genes são como que receitas para criar proteínas. Os genes e as proteínas são moléculas complexas formadas por moléculas mais pequenas encadeadas em longas sequências, e cada sequência de três destas moléculas no gene especifica uma na proteína. Por exemplo, para a receita genética especificar uma alanina na proteína, no gene podemos ter GCC, GCA, GCG, ou GCT. Qualquer uma destas quatro sequências especifica uma alanina na proteína correspondente.

Se um organismo tiver a sequência GCC e outro organismo a sequência GCA, ambos produzem a mesma proteína apesar de terem uma diferença no gene. Estas sequências são chamadas sinónimas, pois estão escritas de forma diferente mas “querem dizer” o mesmo. Segundo a hipótese criacionista, seria de esperar um número aproximadamente igual de diferenças sinónimas e não sinónimas. Os genes do coelho e do rabanete teriam sido criados por um ser inteligente de forma a dar origem a organismos diferentes, mas o criador podia também ter incluído algumas diferenças sem consequência.

Segundo a teoria da evolução, estas diferenças resultam da acumulação de mutações (não inteligentes) ao longo de muitas gerações. Se uma mutação for sinónima, por exemplo se muda um GCC para GCA, não tem qualquer efeito no organismo, e pode facilmente persistir nas gerações seguintes. Por outro lado, se a mutação não for sinónima é muito provável que seja prejudicial, porque um organismo é algo muito complexo, e altera-lo ao acaso vai provavelmente estragar alguma coisa. Estas mutações serão rapidamente eliminadas por selecção natural. Só muito raramente é que uma mutação não sinónima é neutra ou benéfica para o organismo é passada para as gerações seguintes.

Este mecanismo faz nos prever que serão sinónimas a maioria das diferenças entre os genes das espécies que sobreviveram até hoje, pois as mutações sinónimas as que mais facilmente sobrevivem à selecção natural. E, de facto, as diferenças sinónimas são cerca de mil vezes mais comuns que as diferenças não sinónimas. Mais significativo ainda, quanto mais importante o gene para a sobrevivência do organismo maior a proporção de diferenças sinónimas em relação às que não são sinónimas.
Mais uma vez a teoria da evolução explica perfeitamente as observações, ao passo que o criacionismo apenas nos deixa pasmados com um criador supostamente inteligente que investiu 99.9% do trabalho em diferenças inconsequentes.

Em suma, é fácil argumentar que algo tão vago como “semelhanças genéticas” pode ser interpretado de inúmeras maneiras. Pode ser evolução, um deus, vários deuses, extraterrestres, ou até o Monstro do Espaguete Voador . Mas quando consideramos os detalhes, a teoria da evolução é claramente melhor que as alternativas para explicar a complexidade de observações da genética e da biologia molecular.

Os interessados podem encontrar aqui muito material acerca deste tema:

Theobald, Douglas L. "29+ Evidences for Macroevolution: The Scientific Case for Common Descent." The Talk.Origins Archive. Vers. 2.83. 2004. 12 Jan, 2004

E aqui um texto que eu escrevi acerca do ensino do criacionismo em Portugal.

15 comentários:

  1. Tirando outros aspectos, a que poderei voltar mais tarde, parece-me que um problema do seu comentário é que não explica como é que surge a informação genética contida no DNA.

    O DNA é o sistema mais eficaz de armazenamento de informação que se conhece.

    Carl Sagan dizia que numa célula contem-se mais informação do que em toda a livraria do congresso.

    Richard Dawkins dizia que numa célula existe informação suficiente para encher várias vezes a Enciclopédia Britânica.

    Esta comparação do DNA com suportes de informação de procedência inteligente não deixa de ser intrigante, vindo de dois acérrimos evolucionistas.

    Ela mostra que só a linguagem do design e da inteligência é que pode traduzir melhor a realidade do DNA, a ponto de nem os mais acérrimos críticos do criacionismo não conseguirem evitá-la.

    É que os livros e as enciclopédias não se escreveram a eles próprios.
    Eles são apenas suportes de uma informação que lhes foi introduzida por seres inteligentes.

    Essa informação é distinta do meio em que está contida. A mesma é uma realidade imaterial, não física, podendo ser armazenada e transmitida através de diferentes suportes (livros, papiros, CD's, DVD's, DNA, etc).

    O mesmo se passa com a informação contida no DNA. Assim como a informação contida nos livros não se confunde com as páginas, a tinta e mesmo a sequência das letras (antes supõe uma linguagem que dê sentido à sequência das letras) também a informação contida no DNA não se confunde com os ácidos nucleicos, com as sequências de codões e nucleótidos ATGC.

    A mesma pressupõe uma linguagem que dê sentido às sequências (de nucleótidos e demais informação não linear) e lhes faça corresponder operações celulares específicas.

    Uma sequência de letras (v.g.) "gift" só tem valor se uma linguagem lhe der sentido (veneno em Alemão; presente em Inglês. Uma sequência de nucleótidos só tem valor se existir uma linguagem previamente definida que lhes dê sentido.

    A informação contida no DNA também poderia ser contida em livro ou suporte informático.Por outro lado, a informação contida em livros também pode ser contida em DNA, como mostram os emergentes computadores de DNA.

    Ora, as mutações genéticas e a selecção natural supõem a prévia existência de informação genética. E verdade é que não se conhecem -e são geneticistas que o dizem - mutações genéticas que aumentem a complexidade do genoma.

    Pelo contrário, o que se sabe é que a acumulação gradual de mutações deletérias, de geração em geração, tende a deteriorar o genoma em toda a população, a médio longo prazo.

    Se existíssemos à milhões de anos, já deveríamos ter morrido cem vezes, como reconheceu há alguns anos um geneticista populacional norte-americano. De facto, no sentido da deterioração do genoma apontam os trabalhos de Kimura, Muller e Kondrashov, apenas para citar uns poucos, os quais, embora não sejam criacionistas reconhecem que a acumulação de milhões de mutações no genoma pode ser um grande problema para a evolução.

    Quando se pensava que grande parte do DNA era Junk, isso não era um grande problema, na medida que essas mutações, embora demasiado ínfimas para serem detectadas pelo sistema de selecção natural eram neutrais no genoma.

    No entanto, à medida que os geneticistas se apercebem que o DNA é funcional, a existência de milhões de mutações genéticas acumuladas passa a ser um problema muito sério, tanto mais que a seleccão natural funciona a nível do fenótipo (que não do genótipo), pelo que o sistema de seleção natural não consegue impedir que essas mutações se instalem definitivamente no genoma e o degradem.

    Convém lembrar que a informação é uma realidade imaterial que tem necessariamente origem numa inteligência.

    O DNA contém códigos lineares e não lineares que armazenam a informação necessária para especificar estruturas de uma complexidade que transcede tudo que a inteligência humana pode compreender.

    Está estimado que uma quantidade de DNA do tamanho da cabeça de um alfinete contém a informação que caberia numa pilha de livros da Terra até à Lua multiplicada por quinhentos? De onde veio tanta informação? Qual o processo físico através do qual se cria informação?

    A única resposta dos evolucionistas é: mutações aleatórias e seleção natural, como se os erros que surgissem da cópia deste artigo pudessem vir a dar, ao longo de milhões de anos, às instruções de um Airbus A 380.

    Isto é um salto de fé, já que nunca foi observado por ninguém. Em rigor, é um salto no vazio, em tudo semelhante ao salto daqueles que, em desespero de causa, se atiraram das torres do WTC em 11 de Setembro de 2001.

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  2. Caro Jónatas,

    Obrigado pelo seu comentário. A questão da informação abordarei mais tarde, em maior detalhe. Gostava aqui de apontar apenas alguns detalhes:

    1- As enciclopédias não se escrevem a si próprias, mas também não se reproduzem. As aranhas, por outro lado, fazem-se a si próprias, e o mesmo acontece com todos os seres vivos. Claramente, são sistemas com características diferentes.

    2- A analogia entre DNA e linguagem não é apropriada. O DNA é uma molécula que interage com outras. Pelas suas características participa em interacções específicas, e como tal os biólogos usaram a metáfora do código e da linguagem. Uma sequência de nucleótidos tem “valor” em bioquímica pelas reacções químicas e alterações conformacionais que desencadeia. É um processo químico sem nada de linguístico, e não carece de semântica.

    3- O trabalho de Kimura e outros na evolução neutra foi de facto importante, mas não vejo como se relaciona com a sua afirmação “Se existíssemos à milhões de anos, já deveríamos ter morrido cem vezes”. É verdade que genes que não sejam usados deterioram-se com o passar das gerações por acumulação de mutações. Mas os modelos de Kimura assumem que não há pressão selectiva, e não se aplicam a casos que possam levar a redução na capacidade de se reproduzir, como a sua afirmação implica.

    4- A selecção natural impede a degradação de genes importantes pelo simples mecanismo de eliminar da população os indivíduos que sofram tais mutações. É preciso lembrar que a selecção é a variação das frequências dos genes nas populações, e não nos indivíduos.

    Cumprimentos,
    Ludwig

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  3. As enciclopédias não se escrevem a elas próprias. A informação necessária para especificar uma aranha com capacidade para se reproduzir ao longo de milhares de anos muito menos se escreve a ela própria. As aranhas contêm quantidades enciclopédicas de informação, necessária para codificar todas as suas estruturas e funções. Se eu matar uma aranha com a mão posso continuar a ter nessa mão todos os componentes químicos de uma aranha, mas não tenho uma aranha, porque não disponho da informação necessária para a reorganizar.

    Semelhantemente, se eu puser um sapo numa batedeira e ligar essa mesma batedeira, em pouco tempo fico com uma mistura que contém todos os componentes químicos do sapo, mas não tenho o sapo, porque não disponho do manual de instruções com todas as indicações acerca do modo com aqueles componentes se podem juntar para reorganizar o sapo. Nós sabemos como se desorganizam seres vivos. Mas não temos informação necessária para a organizar a complexidade integrada que os estrutura.

    O DNA é realmente um suporte de informação. Isso não é uma analogia ou uma metáfora. É literalmente assim. O DNA contem letras (nucleótidos), frases (motivos), capítulos (genes) e volumes (cromossomas) todos com informações acerca das operações a realizar para construir as diferentes espécies. Além disso, os geneticistas têm demonstrado que o DNA contém códigos não lineares expressos a partir das formas tridimensionais que o DNA assume. É natural que o DNA contenha muito mais informação do que aquela que neste momento pensamentos que ele contém. Bill Gates disse há alguns meses que o DNA era um software muito mais sofisticado do que tudo o que conhecemos. Um criacionista não diria melhor.

    Essa informação, uma vez compreendida na sua totalidade, poderia ser inscrita em livros em inglês, francês, alemão, chinês, etc., ou ser transportada em computador, CD, DVD, etc. Sucede que a informação nela contida não se confunde com o suporte físico ou molecular onde está contido. Meras sequências aleatórias de letras não são informação. Por exemplo, que informação consegue discernir na sequência “ofrekºopstkhuiguiglyugyufufrtopkhkl´+gka”? Percebe alguma coisa? Temos aí uma sequência aleatória de letras. Mas será que isso é informação? Para existir informação era necessária a pré-existência de uma convenção linguística que fizesse corresponder a essa sequência ou significado ou uma instrução.

    Se eu continuasse a dactilografar de olhos fechados conseguiria elaborar um manual de biologia molecular ou de genética? Eu pessoalmente não acredito, na medida em que tal requer informação complexa e especificada de que eu não disponho. Mas pelos vistos os evolucionistas acreditam. Eu tenho fé em Deus, a causa primeira e última do tempo, do espaço, da matéria, da energia e da informação. Mas os evolucionistas batem todos os recordes em matéria de fé!!!

    Kimura, Muller, Kondrashov, Higgins, Lynn, Crw, Lynch, etc, etc., são apenas alguns geneticistas de genética populacional que, sem abandonarem o paradigma evolucionista, têm vindo a chamar a atenção para a deterioração do genoma, de geração em geração, através da acumulação de milhões de mutações deletérias, demasiado ínfimas, isoladamente, para serem detectadas pelo sistema de selecção natural (que opera ao nível do fenotipo e não do genotipo), mas que no seu conjunto deterioram o genoma. De resto, o próprio Fred Hoyle, que não era propriamente um criacionista bíblico, chamou a atenção, no seu livro The Mathematics of Evolution, para a incapacidade do sistema de selecção natural para impedir, a prazo, a deterioração do genoma, quanto mais para criar informação nova que aumente a sua capacidade codificadora de novas estruturas e funções. Os criacionistas só se limitam a tirar as consequências óbvias deste cenário. Se o genoma está em deterioração às taxas observadas hoje, o mesmo nunca poderia ter milhões de anos de duração, sob pena de não existir hoje. Kondrashov, neste preciso momento em que lhe estou a escrever, considera que a taxa de substituição de nucleótidos por pessoa por geração é de 300. A partir daí basta começar a fazer contas.

    Ao princípio, muitos geneticistas evolucionistas descartavam o problema considerando que se tratava de mutações neutras, porque ocorridas no chamado Junk-DNA. No entanto, à medida que se confirma a previsão criacionista de que o DNA é plenamente funcional, a gravidade do problema só tende a aumentar, como certamente ficará ainda mais óbvio nos anos que se avizinham. Pode dizer-se, portanto, que os milhões de mutações que se vão acumulando são deletérias, sendo que a ratio de mutações genéticas benéficas e deletérias é de uma benéfica para um milhão de deletérias, com a agravante de, de acordo com o gráfico de Kimura, as mutações benéficas surgirem numa zona quase neutral não detectável pelo sistema de selecção natural.

    Meu estimado Ludwig. Os evolucionistas gostam de caracterizar os criacionistas bíblicos como um grupo de lunáticos mal informados e cientificamente incultos. Muito conveniente, não é? Faz com que os evolucionistas se sintam “mais aptos”, não é? Mas está errado. As coisas não são assim. Portando, Ludwig, não se iluda, pois certamente irá desiludir-se.

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  5. Caro Jónatas,

    Por favor não copie comentários de um texto para outro, pois a duplicação de textos é desnecessária e pode ser incomodativa para os leitores do blog.

    Quanto à informação necessária para criar a aranha ou o sapo, isto não é um problema exclusivo dos seres vivos. O mesmo se passa com um diamante, um floco de neve, ou uma estalactite. Não é por algo necessitar de "informação" para que se forme que se pode inferir necessitar de um ser inteligente que o crie.

    A sua metáfora do DNA como frases e letras é uma metáfora sim, e enganosa. Veja que estas letras que eu estou a escrever transmitem-lhe a mesma informação independentemente do suporte, seja papel, o ecrã do computador, projectadas na parede, etc.

    Com o DNA não se passa o mesmo. Se escrever um papelinho com as "letras" do genoma dum bacilo e substituir o DNA do bacilo pelo papelinho vai ver que não funciona. O DNA desempenha o seu papel não por ter letras (as letras inventamo-las nós, os bioquímicos), mas pelas suas propriedades físicas e químicas. O facto de poder escrever as letras do DNA num CD não lhe permite reproduzir a actividade química do DNA no CD. Para isso precisa mesmo de ácido desoxirribonucleico com a sequência correcta de bases.

    Quanto à degradação do DNA, precisava que explicasse melhor o que quer dizer com isso, porque parece-me haver aí alguma confusão. O trabalho de Kimura, por exemplo, foca essencialmente as mutações neutras – aquelas cujo efeito é pequeno demais para que a selecção natural seja significativa. Isto leva à degradação de genes que já não estejam a ser usados pelos organismos, algo que de facto se observa. No entanto, isto não inclui a acumulação de mutações deletérias. Essas são eliminadas pela selecção natural.

    Parece-me estranha a sua ênfase na teoria da evolução neutra neste contexto, pois não só é um mecanismo importante para a criação de informação genética numa população, pela acumulação de polimorfismos, como é contrária à hipótese de uma concepção inteligente dos seres vivos, por mostrar que a grande maioria das mutações que sobrevivem à selecção natural são mutações neutras, sem função ou sentido.

    Eu não considero alguém inculto ou lunático só por não ter um conhecimento aprofundado duma área cientifica complexa como a bioquímica. Nem quero tecer considerações acerca do seu conhecimento em particular. Mas o facto é que há disciplinas, como a bioquímica, a genética, ou o direito constitucional, nas quais é preciso ter atenção a um grande corpo de conhecimentos para se poder argumentar devidamente. O que me parece dos seus argumentos é que o Jónatas não está a considerar a informação toda que devia. Menciona muitos nomes, mas não explica a relevância dessas teorias. Faz a analogia do DNA com palavras mas esquece-se que o DNA apenas pode desempenhar o seu papel como DNA, e não como informação em abstracto. Defende que as mutações não podem aumentar a informação quando é fácil perceber que podem. Imagine uma mutação que reduz a informação. A mutação inversa produzirá evidentemente um aumento da informação.

    Finalmente, chama-me evolucionista. Porquê? Eu não uso esta teoria por questão de fé nem de dogma, e não me parece que o Jónatas me conheça o suficiente para poder dissertar sobre as minhas crenças. A teoria da evolução é uma ferramenta científica em constante mudança. A de hoje é muito diferente da de Darwin, ou mesmo da que dominava há poucas décadas atrás. Se houver explicação melhor, é para essa que eu vou. Se encontrarmos um golfinho com metade do genoma parecido com o de um peixe e metade do genoma parecido com o de um mamífero, eu terei todo o gosto em afirmar consigo que a teoria da evolução que temos não serve para explicar tal organismo.

    E o Jónatas, pode dar um exemplo de uma observação que o fizesse mudar de ideias quanto ao criacionismo?

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  6. Sou um Bioquímico em construção na Faculdade Ciencias do Porto, no 4º ano da minha Licenciatura. Gostava de começar por dizer que não, o DNA não são 4 letras, e não, não tem frases nem capítulos. Essas palavras "letras", "capitulos", "frases" são claramente metáforas para explicar algo complexo, mas que se é para discutir com seriedade e de forma aprofundada então têm de ser abandonadas. Os principios que regem a "informação" no DNA são apenas o da interação física entre proteínas, rRNA e tRNA, essencialmente.
    E a trancrição da sua informação varia precisamente na intensidade destas interações, repito, físicas, que se baseiam em simples principios de interação química que são descritos em qualquer livro do 12º ano.
    Para ajudar o Jónatas Machado devo dizer que a sua pergunta não está bem formulada, não é a origem do DNA que o deve preocupar, mas sim a do RNA.
    Todos os dados apontam para o suporte de informação inicial ser de RNA que dada a sua instabilidade evoluiu para o DNA.
    E creio que duas variáveis precisam de ser introduzidas no seu raciocinio, o tempo, muito tempo, e o objectivo real de uma levedura, bactéria, amiba, mosca, meu, seu. Procriar, multiplicar, nem que para isso seja preciso morrer.
    O DNA é uma molécula muito, mesmo muito estável, basta ver as temperaturas e a pressão que suporta e a inercia que apresenta na maioria das reacções o que o torna uma molécula eleita para a sua função: estabilidade.
    Convém ainda referir que o fenótipo, claro está, é o resultado da expressão do genótipo, ou seja as pressões do meio ambiente, estão indirectamente actuar no genótipo.
    Um outro facto decerto desconhecerá mecanismos de reparação de DNA mas é curioso verificar que bactérias com elevado grau de danos no seu DNA rapidamente poem em acção enzimas que vão alterar significativamente o seu DNA, objectivo?! adicionar mutações, qual a esperança nesse objectivo? criar uma mutação que seja benéfica, é ao acaso? é. funciona? se as bactérias ainda hoje existem, julgo que é seguro afirmar, funciona.
    E depois, desculpe, mas percebe mesmo o nível de complexidade do DNA? tem mesmo a noção do grau de interação e dos niveis de regulação de proteínas, DNA, e RNA? Alguma vez percebeu o processo catalitico de uma enzima? se apercebeu da importância de uma aminácido, numa determinada gama de pH, a 2 angstrom de um outro, que nos permite a nós ter estar conversa? é que, para mim sim para mim, nem Deus seria capaz de criar tamanha complexidade... a não ser o infortúnio do acaso, não é uma questão de probabilidade, é uma qestaão de tempo. Quer um exemplo? trace uma linha, marque-a em cm, 1,2 3,4,5... imagina um senhor imortal na casa 0 e um buraco no numero 100000000, e que a probabilidade de este senhora dar um passo em frente ou para tras é 0,5, qual é o probabilidade de cair no buraco? não, não o vou demonstrar matematicamente, mas pode pesquisar no google, é um, a probabilidade é um, é certo, porque? porque é imortal, porque tem tempo, todo o tempo. Qual é a probabilidade de um simples gene que codifique para uma proteína que lhe permita ter vantagem sobre outros organismos sem proteínas, sem uma memória como o RNA e o DNA são, evolua, sim com mutações? é certo, é um, porque? porque tem tempo e uma infinidade de combinações a explorar.
    Já sei, falhei. Ainda não consegui responder de onde veio o RNA... sim, vamos acreditar que Alguem simplesmente o "inventou" e assim talvez eu durma mais sossegado...

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  7. Estimado Ludwig, estimados leitores

    1. Aviso aos evolucionistas
    Recentemente, um antropólogo alemão, muito famoso, Rainer Protsch von Zieten, aproveitou-se da credulidade característica dos evolucionistas para ganhar dinheiro. A estratégia, há uns meses denunciada pela revista Der Spiegel, era simples. Manipulava esqueletos humanos recentes e vendia-os como se fossem Neandertais e outros que tais, a museus de história natural na Alemanha. Quanto mais “antigo” fosse o esqueleto, tanto mais caro seria. O mais grave é que muitos estudos científicos foram publicados em revistas científicas “peer reviewed”, na Alemanha e noutros países, a partir dos esqueletos manipulados do senhor Rainer von Zieten. Na verdade, o evolucionismo é uma sequência ininterrupta de embustes e erros grosseiros, onde se contam, designadamente, o Homem de Piltdown (fraude), o Ramapitecos (um Orangotango), o homem de Nebraska (um dente de um porco), o Homem de Orce (o crânio de um burro), os embriões de Haeckel (desenhos fabricados); órgãos vestigiais (que afinal se verificou serem funcionais), junk-DNA (que afinal se verificou ter função), o Archaeoraptor (uma fraude); um Archaeopteryx afinal é uma ave). Infelizmente, muitos outros exemplos poderiam ser referidos.

    Na teoria da evolução, o que é verdade hoje, é denunciado como fraude ou erro amanhã. Trata-se aqui de um aviso aos leitores evolucionistas. Muitos dos argumentos historicamente utilizados para defender a evolução das espécies eram pura e simplesmente fabricados ou inventados. Curiosamente, no célebre caso judicial Scopes Trial, todos os argumentos que então foram utilizados para provar a evolução e ridicularizar os criacionistas estão hoje descartados. Os evolucionistas aproveitam-se da ignorância das pessoas. Os criacionistas, pelo contrário, combatem essa ignorância. É essa, na verdade, a diferença essencial entre evolucionistas e criacionistas. Depois não digam que os criacionistas não avisaram.

    2. Informação

    O debate entre criação e evolução não é entre ciência e fé, mas sim entre duas visões do mundo: a visão bíblica e a visão naturalista. Mas, obviamente, também é um debate científico. Se Deus criou o Universo, como de facto aconteceu, então as propriedades do Universo não percebem sem Deus ou operando como se Ele não existisse (etsi Deos non esset). E a questão da informação é central nesse debate entre o criacionismo e o evolucionismo. O Ludwig insiste na ideia de que a falar de informação e de código é apenas uma metáfora. Mas, pelos vistos, não existe outra metáfora que melhor consiga descrever a realidade do Universo, da Vida e, mais especificamente, do DNA. O vocabulário evolucionista não deixa margem para dúvidas. O mesmo afirma o criacionismo mesmo quando tenta negá-lo, já que utiliza sistematicamente termos que denotam inteligência e informação. Pense-se, por exemplo, na utilização sistemática de termos como "design", "designless design", "designoid", "selecção", "vantagem", "sistema", "sistema de reparação", "programar", "reprogramar", "adaptação", "estrutura", "organização", "padrão", "mecanismo", "complexidade", "processo, "componente crítico", "lei", "código", "tradução", "transcrição", "sequenciação", "função", “quorum sensing”, etc., etc., etc.

    Os evolucionistas insistem na ideia de que utilizam estas expressões metaforicamente. No entanto, os criacionistas chamam a atenção para o facto de que esta linguagem, tipicamente, criacionista, é a que melhor descreve efectivamente o funcionamento dos organismos e do DNA. Já para não falar da informação que caracteriza o universo, como pode observer-se com a quantização das galáxias. A inteligência e a informação na natureza é tão evidente que obriga os próprios evolucionista a falar dela, mesmo quando se esforçam até à exaustão por negá-la, por razões meramente ideológicas ou, quem sabe, espirituais.



    Para os criacionistas, a utilização desta linguagem, com referências constantes à informação e à inteligência, não é de forma alguma metafórica nem tem nada de extraordinário. A mesma mostra que só uma linguagem criacionista consegue descrever a Criação, na medida em que esta não é o produto do acaso, mas de uma acção inteligente precisa, detalhada, especificada, sistemática, exactamente como o relato do Génesis indica. Ela resulta naturalmente do facto de que a Vida foi o resultado de uma criação sistemática, por um agente vivo, sobrenatural, dotado de informação e poder infinitos. Na gíria teológica, estamos a falar de um Deus omnipotente e omnipresente, que tanto é capaz de criar estruturas de dimensão gigantesca e inabarcável, como se preocupa com os detalhes de miniaturização absolutamente desconsertante e humanamente inatingível. Para esse Deus, a material, a energia, o tempo, o espaço e a informação não constituem limites, porque Ele está para além disso,l tendo criado tudo isso. A melhor maneira de descrever a Criação é a linguagem da engenharia e da programação, na medida em que o Criador, se autodefine, em termos particularmente apropriados e adequados, como LOGOS, que traduzido é, RAZÃO, PALAVRA.

    Retomando o ateu militante Carl Sagan, o mesmo sustentou (num tempo em que a quantidade da informação do DNA conhecido ainda era avaliada por baixo), que o conteúdo de informação de uma simples célula foi estimada em um trilião de bits, comparável a cerca de 100 milhões de páginas da Enciclopédia Britânica”. Pergunto: que metáfora infeliz é essa que se mede em bits? Os números são impressionantes, não são? Os mesmos são ainda mais impressionantes se eu disser que Carl Sagan estava aí apenas a referir-se à informação necessária para especificar a bactéria microscópica Escherichia coli que vive nos nossos intestinos. Igualmente digno de nota é o facto, salientado pelo geneticista Jérôme Lejeune, num artigo publicado há alguns anos atrás, de que toda a informação com as instruções necessárias para especificar exactamente todos os mais de seis biliões de seres humanos existentes na Terra poderia ser contida num volume de DNA igual a duas aspirinas. Mais inacreditável ainda é o facto de que se pegássemos em DNA de uma simples célula do nosso corpo e o esticássemos, o mesmo teria dois metros de comprimento. Considerando que temos cerca de entre 75 a 100 triliões de células no nosso corpo, isso significa que o DNA contido nas nossas células todo esticado teria um comprimento de 150 biliões de quilómetros. O DNA é, além do mais, uma maravilha de miniaturização.
    Os evolucionistas têm que imaginar (já que não podem demonstrar), que de alguma forma, numa Terra primitiva, um código contendo informação se desenvolveu misteriosamente, codificando a produção de uma proteína funcional Isto, evidentemente, sem selecção natural, na medida em que a mesma só opera quando já existe um organismo auto-replicante. Ou seja, para os evolucionistas, o acaso, teve que auto-organizar milhares de letras em sequência, num evento de probabilidades infinitesimais. Na verdade, a probabilidade de surgir por acaso uma sequência de nucleótidos codificadora de uma só proteína funcional foi estimada em 1 x 10 ^191. Repito, estou a falr de uma simples proteína funcional! Para compreender o significado deste número basta ter em mente que o número de átomos do Universo é estimado em 10^80. Do mesmo modo, pode ter-se em conta (para ajudar) que a probabilidade de se obter “cara” em 100 lançamentos de moeda ao ar (num processo não viciado) é de apenas 10^30. De resto, o próprio Francis Crick reconheceu, no seu livro, Life Itself (1981) que a probabilidade de uma sequência de aminoácidos ser seleccionada por acaso é e sempre será zero. É algo que não pode acontecer. Para além disso, a questão da Terra primordial levanta muitas outras dificuldades, insuperáveis para os evolucionistas.

    Comparar, como faz o Ludwig, o DNA à molécula da água é como comparar uma sopa de letras com um manual de biologia molecular, ou os rabiscos de uma criança de 2 anos com as instruções necessárias para especificar um Boeing 777 ou um Airbus A 380. É a tal mania evolucionista de fazer comparações e extrapolações absurdas! O facto é que não tem nada a ver uma coisa com a outra. Isto, porque não existe qualquer tendência natural para as moléculas inorgânicas se juntarem em longas e precisas sequências para construir moléculas portadoras da informação com as instruções para especificar os extremamente complexos sistemas vivos. Pelo contrário, todos os dados naturais militam contra essa agregação de moléculas, como se pode facilmente demonstrar. Para além disso, como se pode observar, as propriedades do sistema vivo, i.e. do produto final, não se encontram programadas nos diferentes componentes do sistema considerados isoladamente. Por exemplo, um Boeing 747 tem cerca de 41,2 milhões de peças componentes e nenhuma dela voa. Só um olho humano tem biliões de peças componentes e nenhuma delas vê. Em ambos os casos, as propriedades do sistema ou produto acabado só existem como informação, considerada como realidade imaterial, distinta do respectivo suporte, assim como as ideias que eu estou a transmitir aos meus caros evolucionistas são mais do que a sequência de letras necessária para as transmitir. A informação é uma realidade mental, imaterial, que não se produz por nem se confunde com processos naturalísticos.
    Os criacionistas chamam a atenção para o facto de que, mesmo concedendo aos evolucionistas o avanço da formação por mero acaso do DNA, por uma questão de misericórdia argumentativa (afinal os cristãos são chamados a ser misericordiosos), a verdade é que um código com essas características seria absolutamente inútil sem uma complexa maquinaria programada para reconhecer simultaneamente todas e cada uma das letras químicas da molécula de DNA e traduzi-las em aminoácidos adequados. Uma mensagem é inútil, porque reduzida a uma sequência de símbolos desprovida de sentido, na falta de um sistema de tradução. Por outras palavras, para ler a mensagem contida no DNA é necessária uma linguagem ou um código pré-existente e de uma maquinaria para o traduzir. Essa maquinaria existe na célula, para cuja produção é necessário DNA. Sem informação, os compostos químicos nada valem, nada conseguem fazer por si.
    Tanto basta para dizer que a evolução de partículas para pessoas ao longo de milhões de anos é uma fábula engenhosa, mas não passa disso: de uma fábula engenhosa. A natureza, tal como um computador, é composta de hardware e software. No caso dos computadores, as mutações aleatórias destroem a informação contida nos programas informáticos. No caso, do genoma humano, avoluma-se a evidência de que a acumulação de mutações não seleccionáveis, destrói a informação aí contida, em vez de a aumentar e aperfeiçoar. A observação científica mostra que as mutações genéticas apenas confundem e corrompem o código genético, não criando formas novas.
    Se Deus criou o mundo, como foi o caso, só uma ciência estruturada com base nesse princípio é que pode melhor compreender as suas propriedades. Daí a crítica que os criacionistas dirigem à visão naturalista da ciência, que só admite explicações naturais para uma realidade que teve na sua génese uma causalidade sobrenatural. De fora devem ficar todos os modelos explicativos baseados em factores aleatórios.

    Os evolucionistas contentam-se com uma parte da evidência e acreditam nela. Isso não é educação nem desenvolve o pensamento crítico. É doutrinação na fé naturalista, o que é irónico, para quem tanto critica do dogmatismo dos criacionistas.

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  8. 2. Especiação (brevíssimas considerações)
    O exemplo do Chihuahua continua a ser um bom exemplo, como se infere das próprias palavras do Ludwig. Isto, na medida em que esse exemplo demonstra que os ancestrais do Chihuahua tinham já informação genética para codificar pelos longos e pelos curtos, tendo posteriormente havido uma especialização da informação genética, no sentido de que alguns canídeos desenvolveram informação genética ou para codificar pelos longos ou para codificar pelos compridos. Cada um desses grupos ficou com menos informação genética, já que não consegue codificar ambas as coisas. Isso corrobora o argumento criacionistas de que a informação genética com instruções para criar pelos grandes ou compridos tinha que existir e se foi especializando com a especiação. Isso, no entender dos criacionistas, não é criar informação genética nova. A informação tinha que existir no genoma. Foi precisamente um processo idêntico que esteve na origem do surgimento de toda a variação posterior ao dilúvio, bem como do surgimento das diferentes “raças” humanas. Depois do Dilúvio e da confusão das línguas em Babel, deu-se a dispersão e o isolamento das populações, a partir do qual elas desenvolveram diferentes traços fisionómicos que hoje, indevidamente, tomamos por base de diferentes raças. Para a Bíblia, não existem diferentes raças, pois todos são descendentes de Adão e do Noé do Dilúvio. O que ouve foi criação de diversidade a partir de um “pool genético” pré-existente, com perdas de informação. Por exemplo, é provável que nas populações africanas se tenha perdido a informação genética para codificar cabelos loiros ou olhos azuis. No entanto, no “pool genético” de Noé e da sua família essa informação deveria existir. Por ignorarem estes factos, é que os evolucionistas puseram o pigmeu Ota Benga no jardim zoológico de Nova York, no princípio do século XX. Além disso, acresce que neste exemplo os cães continuam a reproduzir-se segundo a sua espécie, tal como a Bíblia sempre disse. Deus disse que os seres vivos se reproduzem segundo as suas espécies, de acordo com as instruções genéticas existentes para cada uma delas. Ora, os cães dão cães, os porcos dão porcos, os elefantes dão elefantes e os seres humanos dão seres humanos. Algo diferente nunca foi observado. As observações científicas corroboram o relato histórico da Criação, e não a fábula da evolução.

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  9. Caro Jonatas,

    Nao sou biologo nem sei o suficiente do debate em causa para me embrenhar nos detalhes da coisa. No entanto ainda vou sabendo um pouco de filosofia e se me permite mandar uns bitaites...

    A ciencia estuda em mundo desencantado (Weber), que podemos chamar, grosso modo, causal. Estuda-se por leis, hipoteses, factos, etc... O problema do criacionismo consiste em querer competir com a ciencia na explicacao mundo caindo na falacia da causalidade. Em que medida e' que a existencia de uma entidade causal responsavel pode explicar alguma coisa? Como evita o problema da regressao infinita? (isto aplica-se a qualquer explicacao causal da existencia, incluindo, obviamente, big bangs)


    Ha filosofos ateus (no sentido que rejeitam a existencia de um criador exterior ou inteligivel independentemente da sua criacao)como Heidegger ou Wittgenstein que reafirmam a incapacidade da ciencia explicativa moderna para lidar com certos fenomenos. Os fenomenos ditos existenciais nao podem ser 'solucionados' pela ciencia nem por qualquer pseudo ciencia tipo criacionismo. A existencia nao e' explicada por nada. Ela e', e esse e' o seu misterio. Um misterio nao se resolve com a TE nem com a postulacao de um criador. Ir por ai e' semelhante aqueles (tipo Joao Pereira Coutinho) que acham que sugerir a existencia de um facto irredutivel chamado Mal ou imperfeicao da natureza humana explica o terrorismo ou outro fenomeno qualquer.

    Cumprimentos,

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  10. Quanto aos nomes de autores que eu referi, é evidente que não posso aqui, em curtas considerações, resumir todas as questões, na sua complexidade, que os mesmos levantam.

    Trata-se apenas de sugestões de leitura contendo uma chamada de atenção para o facto de que nos últimos anos e mesmo meses, tem vindo a avolumar-se estudos que, construíndo sobre as observações desses autores sobre a entropia genética, afirmam categoricamente o seguinte:

    1) O genoma está a perder informação e não existe mecanismo de selecção natural que lhe possa valer;

    2) A evolução de partículas para pessoas é impossível, na medida em que as mutações aleatórias e a selecção natural não conseguem impedir a entropia do genoma, quanto mais acrescentar-lhe informação genética nova.

    É esta a conclusão a que um número crescente de geneticistas está a chegar. Alguns, tiram daí as consequências óbvias e abandonam o evolucionismo. É claro que, fazê-lo, passam a integrar as fileiras de criacionistas e intelligent designers e a serem imediatamente apelidados de fundamentalistas não cientistas, quando as suas posições se baseiam inteiramente em dados empíricos facilmente observáveis pelos especialistas.
    Outros geneticistas continuam a sustentar o evolucionismo, a despeito de ele ser contrariado pelas observações.

    A verdade é que a discussão sobre se o genoma está a ganhar a informação, sendo uma discussão científica e empírica, é determinante para saber se existiu evolução ou criação.

    O que mostra que, apesar de se estar aqui perante duas visões do mundo, só uma é que é corroborada pelos factos. A meu ver, e tendo lido abuntante literatura sobre o assunto, creio firmemente que as observações científicas corroboram a Criação.

    Pela fé, eu acredito na Criação, e construo o meu pensamento a partir daí. Quanto aos dados empíricos que me levariam a mudar de posição, voltarei noutra altura.

    Para já saliento que:

    1) Os evolucionistas (no sentido amplo e naturalista do termo), acreditam que a vida surgiu por acaso, quando isso nunca foi observado.

    2) Acreditam que existiu um ancestral comum, mas não fazem a mínima ideia em que é que ele consistia;

    3) Acreditam na macroevolução, quando a mesma nunca foi observada nem se conhece um mecanismo que a explique em termos que acrescentem informação genética ao genoma, como mostram os debates entre gradualistas e saltacionistas.

    4) Acreditam que o homem o o macaco vieram de um ancestral comum, apesar de não fazerem ideia das suas características;

    5) Acreditam que o registo fóssil testemunha da evolução quando os próprios evolucionistas, como Stephen Jay Gould ou Lewontin, reconhecem que a ausência de fósseis intermédios no registo fóssil é o segredo profissional dos paleontologistas e que nem sequer conseguimos imaginar qual o aspecto

    6) Acreditam que os dinossauros têm milhões de anos quando se multiplicam os relatos, nas revistas científicas, do achado de tessido mole e hemoglobina em ossos de dinossauros, com as características que os mesmos teriam se estivessem mortos há alguns dias atrás. No mesmo sentido apontam análises ultra-estruturais de ossos de Tiranossauros Rex efectuadas através de microscópios de electrões. Posso documentar isso, se se quiser, sem citar criacionistas. Isso, para não falar dos muitos registos nos livros antigos do encontro de "dragões" (a palavra dinossauro só foi inventada no século XIX), cujas descrições se aproximam muito das características dos dinossauros. Podemos encontrar esses relatos na Bíblia, nos anais de Alexandre o Grande, no relato de Marco Polo, nos relatos de índios americanos, etc. É claro que os evolucionistas, para não terem que rever os seus modelos, consideram mitológica toda a evidência que os venha contrariar.

    Não se pense que os criacionistas não consideram a literatura evolucionista. Antes pelo contrário, os criacionistas concordam com Richard Dawkins quando ele diz que o saltacionismo é biologicamente impossível e concordam com Stephen Jay Gould quando ele afirmava que o gradualismo é paleontologicamente insustentável.

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  11. Acho hilariante a ideia de que o DNA é tão complicado que nem Deus o conseguiria criar... só o acaso!!!

    Como dizia o outro, o acaso tem as costas largas. Pergunto: já estimou as probabilidades de isso acontecer por acaso? Pois fique sabendo que a probabilidade de uma célula surgir por acaso foi estimada em uma em 1x10^57800. Mais uma vez relembro que a quantidade de átomos do universo se encontra estimada em 10^80.

    Recentemente, num encontro entre matemáticos e biólogos numa Universidade americana, os matemáticos concluiram que as probabilidades de as sequências de nucleótidos se auto-organizarem em aminoácidos e proteínas funcionais eram zero.

    A única resposta dos biólogos evolucionistas a esses matemáticos foi concordar em discordar com eles.


    Isto só mostra o grau de ridículo que os ateus são capazes de assumir só para defenderem a sua ideologia, isto é, para fugirem de Deus. Só que isto já não é argumentação: é acrobacia argumentativa, mais apostada em evitar as questões reais do que enfrentá-las com seriedade.

    Eu acredito em Deus. A Bíblia fala de um Deus que conhece todas as estrelas (trililiões, de triliões, de triliões, etc.) pelo seu nome, e sabe quantos cabelos existem (partindo do princípio de que existem!) na cabeça de cada um de nós.

    Para mim, só um Deus com estas características é que consegue colocar quantidades infinitamente elevadas de informação em espaços infinitamente reduzidos, como sucede com a molécula de DNA. Se DNA com o volume de duas aspirinas contêm instruções para especificar toda a população existente na Terra é capaz de me dizer, com seriedade, que o DNA não é o sistema mais eficaz e miniaturizado de armazenamento de informação? Como negar que o DNA contém informação? Quantos biliões de livros seriam necessários para conter essas mesmas instruções, mesmo que não pudessem activá-las?

    Que outro argumento científico seria necessário para corroborar a existência de Deus?

    O Ludwig deve lembrar-se que o facto de um programa de informação não correr num determinado hardware não quer dizer que o mesmo não contenha informação.

    Chamo a atenção do Ludwig para o facto de que eu sou "gravitacionista", mas não sou evolucionista. Os criacionistas não negam as leis da física. Apenas negam que elas possam explicar o universo tal como o conhecemos. Os criacionistas não contestam os dados da ciência operacional, baseada na experimentação e na repetição. Apenas afirmam que a evolução não se baseia nem na repetição nem na experimentação. Isso mesmos foi relutantemente admitido pelo evolucionista Theodosius Dobzhanski, quando afirmou, num célebre artigo na revista American Scientist, que a aplicação da experimentação à evolução das espécies severamente restringida por se tratar (na sua opinião) de um processo histórico que transcende todas as capacidades de observação e experimentação.

    Ou seja, a teoria da evolução é aceite pela fé e tem sido vendida como dogma a aceitar sem discutir.

    Eu próprio, ao discutí-la publicamente, tenho sido insultado e ridicularizado por pessoas que me julgam antes de me ouvirem.

    Muitas pessoas preferem ignorar o criacionismo porque já o odeiam. Ao julgar previamente o que ignoram admitem que se trata de algo que não poderiam odiar se conhecessem. Também essa atitude é repudiada pelos criacionistas. O facto de se ignorar os argumentos criacionistas e ainda assim se odiar e ridicularizar, mostra que se trata de um ódio injusto, porque se ignora aquilo que se odeia e ridiculariza.

    Os criacionistas não repudiam a ciência. Apenas alertam para os seus limites e para o facto de que a mesma é extremamente dependente das pressuposições de que se parte.

    Espero tratar em breve os interessantes temas que me propôs. Também aí será visível que o pensamento crítico não abunda no evolucionismo.

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  12. Peço desculpa ao estimado Ludwig e aos estimados leitores por algumas gralhas (v.g. tessido em vez de tecido; trililiões em vez de triliões), etc., Mas os meus comentários são escritos ao correr da pena e dos tiques de dactilografia, e só me apercebo de algumas calinadas ex post facto.

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  13. Caro Jónatas,
    Aqui vão algumas respostas resumidas:

    Embustes: A grande vantagem do método científico é que os embustes inevitavelmente se descobrem, e são admitidos pela comunidade muito rapidamente. Em organizações baseadas na fé isso é muito mais difícil. Veja os recentes escândalos na Igreja Católica, ou o grande número de religiões que há séculos adoram os deuses errados.

    Ciência e fé: O debate entre criação e evolução é um debate entre ciência e fé, e é muito simples ver porquê: os criacionistas nunca apresentam uma proposta positiva, testável, capaz de explicar observações e que aceite ser infirmada por observações contrárias.

    Acaso: A probabilidade de uma proteína surgir por acaso é praticamente nula. A probabilidade de um ovo cru se tornar num ovo cozido por acaso, ou de inúmeras moléculas de água se organizarem num floco de neve é, também, praticamente nula. No entanto, ovos cozem e a água congela todos os dias, por processos naturais. O mesmo se passa com a evolução. Não é completamente por acaso que só a areia fina é que passa a peneira, e não é completamente por acaso que alguns organismos deixam mais descendentes que outros.

    Chihuahua: Vamos assumir que cada cão que nasce traz 10 mutações. Em cerca de oito mil gerações desde que começaram a ser criados cães, temos cerca de 800,000 mutações em cada linhagem. Com cerca de cem milhões de cães domésticos no mundo, isto dá muitas mutações, em muitas combinações diferentes. Tudo isto é informação nova no genoma desta espécie. Apesar da sua insistência, o genoma não está a perder informação com as mutações (na verdade, perde é com a selecção natural, que elimina variantes deletérias. Mas com as mutações ganha informação, pois ganha novas variantes).

    Segundo as suas palavras, é pela fé que acredita na criação. Eu não acredito na teoria da evolução, tal como um carpinteiro não acredita no martelo. É uma ferramenta, para usar conforme apropriado, e até se encontrar melhor. É por isso que este debate é entre a fé e a ciência. O mesmo se passa na crenças dos biólogos que enumera. São resultados provisórios, sujeitos a revisão se infirmados por observação. Não é uma questão de fé.

    Quanto àquilo que o seu deus disse, não me posso pronunciar por falta de dados concretos e fiáveis. Isso sim, é uma questão de fé, e não partilho da sua...

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  14. Estimado Ludwig


    1)Um sistema, como o DNA, que consegue armazenar num volume idêntico ao de duas aspirinas toda a informação necessária para especificar mais de 6 biliões de seres humanos é claramente o mais eficiente sistema de armazenamento de informação que se conhece. Os evolucionistas têm de fazer acrobacias argumentativas para fugirem a essa realidade tipicamente criacionista.

    2) O DNA necessita de todo um sistema de tradução para funcionar cuja existência está pré-codificada no DNA. Quem veio primeiro, o DNA ou o sistema de tradução?

    3) Em todo o caso, fica claro que os evolucionistas são especialmente dados a embustes. Isso se explica pelo facto de a própria hipótese evolutiva ser um embuste. Mas pelos vistos o método científico pode corrigir todos os embustes, menos o da evolução. Esse é ideologicamente protegido contra todos os ataques, de forma irracional e contra toda a evidência científica. E ai de quem pretender demonstrar que a evolução não passa de um embuste!

    4) A variação existente nos caninos, nos seres humanos ou nas diferentes espécies não resulta em primeira linha das mutações do genoma (esmagadoramente deletérias) mas sim da heterozigozidade das alelas nos cromossomas. Se quiser, posso elaborar este tema mais tarde. As mutações são geralmente responsáveis por doenças e nalguns casos pela morte. Até o neo-darwinista Francisco Ayala reconheceu que a variedade existende no genoma era a grande responsável pela variação dentro de cada espécie. Só que essa variação é especialização. Cada subespécie fica com menos variedade no genoma. De resto, o evolucionista Carl Sagan reconheceu que era altamente improvável que sistemas vivos de elevadíssima precisão pudessem ser aperfeiçoados através de mutações aleatórias.

    5) A ideia de que o criacionismo bíblico não faz previsões testáveis é completamente absurda. É mais um dos "mitos urbanos" que se desenvolveu em torno do criacionismo. O próprio Stephen Jay Gould admitiu que o criacionismo bíblicos faz previsões testáveis. Por sua vez, a intransigente defensora do evolucionismo Eugenie Scott reconheceu que o criacionismo bíblico era um modelo cientificamente mais completo do que o intelligent design, na medida em que pretende rebater o evolucionismo em todas as áreas, que não só na biologia. Eis algumas dessas previsões:

    5.1) No registo fóssil só encontraremos seres plenamente formados e funcionais
    5.2) Os órgãos vestigiais não são realmente vestigiais, mas funcionais
    5.3) O DNA não é maioritariamente composto por Junk, mas é funcional
    5.4) A vida não surgirá nunca por acaso
    5.5) Uma proteína funcional e uma célula nunca surgirão por acaso
    5.6) A vida sempre surgirá da não-vida
    5.7)Homens, plantas e animais sempre se reproduzirão naturalemtne de acordo com a sua espécie, isto é, de acordo com a informação genética pré-existente
    5.8)O genoma continuará a perder informação e não a adquiri-la
    5.9) As mutações aleatórias e a selecção natural não acrescentarão informação genética nova capaz de criar novos genes, aumentar os níveis de complexidade e criar novas estruturas e funções
    5.10) Continuaremos a encontrar tecidos moles, ligamentos e hemoglobina nos ossos dos dinossauros
    5.11)Continuaremos a encontrar evidências de catastrofismo na geologia
    5.12) Nunca encontraremos uma explicação naturalista plausível para a origem da linguagem, das línguas e da consciência
    5.13) Os aparentes ancestrais do homem ou serão homens ou macacos

    Como se vê, estas e outras previsões resultam claramente do modelo criacionista, sendo que as mesmas têm sido corroboradas pelas observações científicas. Se não se encontram antecedentes dos trilobites isso é uma surpresa para os evolucionistas, mas corrobora inteiramente as previsões criacionistas. De acordo com o criacionismo, esses antecedentes não existem e, por isso, não serão encontrados.

    Não é por não fazerem previsões que os criacionistas são esconjurados da ciência naturalista, mas sim por partirem da premissa de que a verdadeira ciência tem em Jesus Cristo o seu Alfa e o Ómega. Por não aceitarem esta verdade elementar, é que os naturalistas e materialistas preferem manter-se fiéis ao evolucionismo e definir toda a realidade objectiva a partir dos seus postulados. No entanto, têm que o fazer sem evidências e mesmo contra as evidências.



    6) Na verdade, o evolucionismo é que não faz previsões científicas. Antes é óptimo quando se trata de arranjar desculpas para a frustração sistemática das suas previsões:

    6.1) Desculpas para o facto de não se encontrarem fósseis intermédios no registo fóssil
    6.2) Desculpas para a explosão abrupta de vida complexa e funcional nas rochas cambrianas
    6.3) Desculpas para a complexidade das células, dos olhos dos trilobites, dos olhos das lagostas, do sonar dos morcegos, do sonar dos golfinhos, o sistema de luz fria dos prililampo, etc., etc., etc., etc., para não falar da complexidade integrada do corpo e do cérebro humanos
    6.4)Desculpas para a quantidade elevadíssima de informação contida no DNA
    6.5) Desculpas para a elevadíssima improbabilidade da origem casual da vida e da evolução
    6.6) Desculpas para a indefinição actual do mecanismo da evolução
    6.7) Desculpas para a flagrante escassez de fósseis e vestígios da evolução do homem
    6.8)Desculpas para a incompatibilidade da evolução com a segunda lei da termodinâmica
    6.9) Desculpas para a esmagadora aparência de design na natureza
    6.10) Desculpas para a evidência catastrofismo nos registos geológicos
    6.11)Desculpas para a proliferação de fósseis poliestráticos
    6.12) Desculpas para a proliferação de fósseis vivos, idênticos aos datados de centenas milhões de anos
    6.13) Desculpas para a proliferação de casos de evolução convergente ou paralela
    6.14) Desculpas para a inexistência de evidências de evolução nos 3 biliões de anos alegadamente representados pelas rochas pré-cambrianas
    6.15) Desculpas para a inexistência de uma explicação naturalista plausível para a origem do Universo
    6.16) Desculpas para a inexistência de um modelo adequado a explicar a alegada evolução de estrelas, planetas e galáxias
    6.17) Desculpas para a inexistência de um modelo plausível para explicar a origem do sistema solar
    6.18) Desculpas para a inexistência de um modelo plausível para explicar a origem da Terra e da Lua
    etc., etc., etc.


    Como disse, a teoria da evolução, longe de fazer previsões, é especialista em arrannjar desculpas. Mas desculpas muito esfarrapadas, daquelas que só convencem quem decidiu a priori deixar-se convencer.

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  15. Gostaria que o Ludwig definisse ciência, para vermos se o evolucionismo se encaixa nessa definição. Parece, em todo o caso, que a definição de ciência de que o Ludwig parte, ao excluir o criacionismo, tem como consequência não admitir a refutação do evolucionismo. É que, por definição, só os criacionistas é que podem refutar o evolucionismo. Os evolucionistas, por definição, não refutarão a evolução, porque deixariam de ser evolucionistas de o fizessem. Se excluir o criacionismo da ciência refuta os únicos que podem oferecer uma refutação do evolucionionismo. Ou seja, a sua definição de ciência acaba por transformar o evolucionismo num dogma incontestável. Como vê, o pecado do dogmatismo que aponta aos criacionistas é exactamente aquele de que padecem os evolucionistas.

    Convém a este propósito recordar algo que já tenho dito noutros quadrantes. Desde Thomas Kuhn tornou-se claro que na base de qualquer paradigma científico encontram-se invariavelmente algumas premissas insusceptíveis de prova, nem sempre suficientemente explicitadas e sujeitas a exame crítico. Na verdade, todo o pensamento teorético tem como ponto de partida pressupostos fundacionais indemonstráveis, designados como axiomas, modelos, paradigmas, matrizes discursivas, epistemas, mundividências, crenças, ideologias, etc. Tanto o criacionismo bíblico como a teoria da evolução assentam os seus modelos de interpretação e explicação dos factos em pressupostos fundacionais

    Contrariamente ao que se pode pensar à primeira vista, as premissas dos evolucionistas também assentam numa base puramente fideísta, em tudo análoga, em termos estruturais-funcionais, à crença religiosa. Há muito que os criacionistas vinham apontando para esta realidade, negada durante décadas por muitos evolucionistas. No entanto, nos últimos anos tem vindo a aumentar o número de evolucionistas que vêm dar a mão à palmatória e a reconhecer a religiosidade intrínseca das suas crenças. O biólogo de Harvard Ernst Mayr, numa entrevista concedida alguns meses antes de falecer, reconheceu o carácter religioso das explicações naturalistas e evolucionistas do mundo, quando disse que ‘todos os ateus que eu conheço são altamente religiosos; isso não significa apenas acreditar na Bíblia ou em Deus. A Religião é o sistema de crenças básicas da pessoa. A humanidade quer respostas para todas as perguntas irrespondíveis”. Ou seja, em última análise todos têm um sistema de crenças intrinsecamente religioso.
    O sistema de crenças básicas do evolucionismo naturalista assenta em determinadas proposições de fé, entre as quais podemos destacar as seguintes: 1) o princípio evolucionista é universalmente válido. Ele observa-se não apenas na biologia mas em todos os outros domínios. 2) A ciência não pode apoiar-se na existência de um Criador, devendo adoptar uma metodologia e uma epistemologia naturalista, recusando liminarmente qualquer causalidade sobrenatural. 3) A matéria é um dado adquirido, na medida em que, dada a lei da conservação da energia e da equivalência entre matéria e energia, nem o Big Bang pode ser considerado uma teoria da criação. 4) A evolução aumenta aleatoriamente a organização dos sistemas, da não vida para a vida, da vida simples para a vida complexa, sem qualquer plano nem propósito. 5) O presente é a chave do passado. A partir do que vemos hoje podemos fazer extrapolações e tirar conclusões seguras sobre o que aconteceu no passado. Nisto se consubstancia o pressuposto do uniformitarismo. 6) A Bíblia deve ser entendida em termos exclusivamente naturalistas, racionalistas e materialistas. Longe de ser Palavra de Deus inspirada e inerrante, ela foi escrita por homens e para homens, no respectivo contexto político, económico, social e cultural. Ela pode ter sido inspirada pela crença em Deus, no quadro geralmente aceite da evolução do pensamento humano, mas nunca inspirada pelo próprio Deus, cuja existência se questiona.
    É esta fé que leva os evolucionistas excluir a priori, qualquer explicação não estritamente materialista para o Universo e a vida. Uma vez pré-programadas as diferentes disciplinas com base nela, não admira que as mesmas conduzam, invariavelmente, a resultados naturalistas e evolucionistas. Como poderia ser de outro modo? Se as premissas adoptadas à partida são naturalistas e evolucionistas, todos os factos serão interpretados dentro desse modelo. Os factos que os contrariarem serão descartados, ou inventar-se-ão desculpas esfarrapadas para eles. Mas, sublinhe-se, também isto é função de um compromisso de fé. O fundamentalismo evolucionista é bem patente nas palavras de Richard Dawkins, quando, depois de tecer considerações ridículas e absurdas sobre o Génesis, afirma: "se eu estou correcto, isso significa que mesmo que não exista qualquer prova factual para a teoria de Darwin, é certamente justificável aceitá-la acima de todas as outras teorias.” . E esta? Isso é que é um cientista objectivo, neutro e despreconceituoso!! Ora, como temos visto ao longo desta discussão, não existe qualquer prova factual! Embora os evolucionistas mais inflamados sejam geralmente bem sucedidos na estigmatização como pré-modernos, anti-científicos e anti-intelectuais de todos quantos não aceitem aquelas proposições de fé naturalista, a verdade é que nenhuma delas pode ser cientificamente comprovada, nem é indispensável ao conhecimento científico.
    Os evolucionistas seguem a metodologia de Richard Dawkins. Acreditam na evolução mesmo não existindo qualquer evidência factual, porque a única alternativa plausível, a criação por um Deus omnipotente e omnisciente, é insuportável. Nos círculos evolucionistas ideologicamente mais empenhados e fechados se manifesta uma atitude de clara hostilidade defensiva nas suas relações com o CB. Começando a perceber que perdem com o CB mesmo no confronto directo com os dados empíricos, onde sempre reclamaram uma posição de vantagem metodológica, resta-lhes apenas, em desespero de causa, tentar perpetuar os mitos secularizados nos termos dos quais a ciência e a religião são domínios separados, com perguntas, métodos e respostas diferentes, e “a criação é religião e a evolução é ciência”.
    Em vez de confrontarem o criacionismo bíblico num encontro livre e aberto no mercado livre das ideias, na boa tradição liberal, esses evolucionistas preferem insistir na repartição de mercados, distinguindo entre a verdade religiosa (do foro subjectivo) e a verdade científica (do foro objectivo) e reclamando para si direitos exclusivos sobre esta última, uma técnica proteccionista clássica utilizada por quem teme a concorrência. É com base nesta dicotomia entre ciência e religião, e não com base nos factos em si mesmos, que muitos evolucionistas se comprazem em apregoar em alta voz o total descrédito científico do criacionismo bíblico, ao mesmo tempo que propagam livremente a sua ideologia naturalista sob o nome de ciência. É por isso que é preciso dizer ao mundo que o evolucionismo, longe de ser ciência, não passa de filosofia naturalista disfarçada.

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