sexta-feira, maio 26, 2017

Treta da semana (atrasada): crença sem ciência.

Há umas semanas*, Rui Devesa Ramos escreveu que «Do ponto de vista antropológico a ciência nunca será mais do que uma crença civilizacional» (1). E, do ponto de vista químico, Ramos nunca será mais do que água e matéria orgânica. Partindo desta afirmação irrelevante e alegando que «o que faz com que a ciência “funcione” deriva determinantemente da crença que temos nela», Ramos conclui que «as vacinas nunca deverão ser um imperativo sobre a comunidade, porque caíamos no perigo da ditadura da ciência, quando ela mesma não passa de uma crença».

O disparate de Ramos é fácil de desmontar. O “ponto de vista” é um truque retórico. Aponta um aspecto menor da ciência para fingir que a parte é o todo. Mas a ciência não é a crença. A ciência é o método que aproxima a crença dos factos. E vacinar é um imperativo moral porque ninguém tem o direito de arriscar a saúde dos outros só porque lhe apetece, razão que nada tem que ver com a ditadura da ciência. Mas o argumento confuso de Ramos mistura algumas verdades com erros fundamentais que vale a pena separar. Por exemplo, «o que faz com que a ciência “funcione” deriva determinantemente da crença que temos nela.»

A ciência é o método para adaptar as crenças à realidade. Confrontando várias hipóteses com a experiência empírica podemos formular melhores explicações, converter experiência em informação e progressivamente encontrar descrições mais exactas do que é real. Mas isto só nos dá conhecimento se também alterarmos as nossas crenças em conformidade. Senão, o esforço é inútil. Quem não abdicar da crença numa Terra plana não beneficiará do método e experiência que permitem concluir que a Terra é esférica. Ramos demonstra bem a impotência do método científico perante a crendice casmurra. No outro extremo, no da acção colectiva, também é verdade que a ciência só “funciona” se acreditarem nela. A incúria colectiva perante o aquecimento global é um exemplo trágico deste problema. No que toca ao que escolhemos fazer, é verdade que a crença na ciência é importante para que a ciência nos seja útil.

Mas, quanto aos atributos objectivos da ciência e dos seus produtos, a afirmação de Ramos é falsa. Se cada doente com sarampo infectar, em média, duas outras pessoas, a doença vai-se alastrar cada vez mais rápido e haverá uma epidemia. Mas se todos se vacinarem com uma vacina 75% eficaz, então, em média, haverá apenas um novo infectado para cada dois doentes. Assim, a doença acaba por desaparecer do grupo. Ao contrário do que Ramos sugere, a correspondência entre esta descrição e os factos não depende da crença de ninguém nem é pela crença que se pode determinar se isto é verdade. Nem a eficácia das vacinas depende das crenças do vacinado ou do vírus. Não haveria vacinas eficazes em crianças pequenas, se assim fosse, pois nenhuma acredita que a picadela é para o seu bem.

O erro mais pernicioso de Ramos é esta confusão entre o que é e o que queremos fazer. Defende que a obrigatoriedade da vacinação «deveria ser um debate ao nível da Assembleia da República»(2). Obviamente que sim. A Assembleia da República é o órgão adequado para decidir o que é proibido ou obrigatório. Mas Ramos defende isto porque «Todos os científicos têm crenças e dentro das crenças existe sempre uma dosagem terrível de incerteza. A ser verdade este primado, então porque criticam a população que vive todos os dias com incertezas das suas crenças? Que adianta criticarem os que acreditam no reiki, na acupunctura, num iogurte probiótico ou num anti-histamínico? A realidade é complexa e relativa.» A realidade não é relativa às nossas crenças e há uma grande diferença entre escolher e prever as consequências de cada escolha.

Se os pais preferem não vacinar a criança e arriscar que morra de uma doença evitável, e pôr em perigo as outras crianças do infantário, deve haver um debate entre sociedade e legisladores para decidir se permitimos essa opção ou se a saúde das crianças tem prioridade sobre os caprichos dos pais. Essa decisão terá de se orientar por valores culturais e éticos. Mas a possibilidade de decidir pressupõe uma noção correcta dos factos, e tão exacta quanto seja possível. Isso só a ciência nos dá. Se os pais optarem por proteger a criança com cristais, vibrações positivas ou astrologia, isso não é uma escolha. É um erro. É tão disparatado quanto a Assembleia da República votar a inexistência do vírus do sarampo. Nem o vírus deixa de existir só porque se declara que não existe nem os cristais protegem de doenças só porque os pais acreditam. O contributo indispensável da ciência é dar-nos a forma mais fiável de prever as consequências do que fazemos, condição necessária para podermos escolher.

O efeito da vacinação é tornar a doença rara. Isto protege toda a gente, mesmo crianças demasiado pequenas para serem vacinadas ou quem, por problemas de saúde, não se possa vacinar. Se a percentagem de pessoas vacinadas diminui, todos ficam em perigo. Mesmo os que se vacinaram, porque a vacina só aumenta a resistência e não confere imunidade. Estes factos são independentes de qualquer crendice. Por isso, se cada vez mais pessoas deixarem de vacinar os filhos, temos duas opções. Ou pomos fim a esse disparate ou deixamos que muitas crianças morram de doenças que podemos prevenir. Ramos alega que «Aceitar a crença do outro é um acto de sabedoria e profundo conhecimento». Está enganado. A sabedoria não está em aceitar as crenças dos outros. Está em reconhecer a diferença entre crenças e realidade.

* Isto tem estado parado por falta de tempo neste ano lectivo. A ver se é desta que ponho o blog a andar novamente; tenho muita treta em atraso...

1) Público, Crença na Ciência
2) Público, Crença na Ciência II

26 comentários:

  1. Boas Ludwig,

    Em geral, estou de acordo. Mas há algumas coisas que quero acrescentar ao que já escreveste: se o pessoal confia o carro a um mecânico, porque é especialista, se contrata um advogado para tratar de processos porque é especialista, e muitas outras coisas que o pessoa confia a especialistas, porque diabo confiam as pessoas em crendices quando é a saúde que está em causa? É um problema para o qual eu não sei a resposta, e até duvido que alguém saiba...

    Esta coisa das vacinas, tal como outras na área da saúde (as tretas das dietas é outra que tal!), é uma questão técnica, que necessita de um especialista, não consigo conceber este assunto como uma questão de opinião, e que a malta tem direito a ter opiniões diferentes, e coiso e tal... A sério que já não tenho paciência!

    O problema deve ser mesmo o Trump, e toda aquela cena da realidade paralela baseada em factos paralelos... E a coisa tende a piorar, agora que a nova série do Twin Peaks vai começar, e todas aquelas maluqueiras do que é real e o que sonho. Aposto que vai ser um verão cheio de "fake news" e "fake facts".
    Para quando um verdadeiro "garbage collector" para esta realidade aumentada?

    Parece que temos de aprender a viver com a coisa... e eu tenho de aprender a controlar melhor o mau feitio e dar mais espaço para teorias da conspiração e opiniões alternativas. Enfim...

    Entretanto, sê bem-vindo! Na verdade, volta sempre :)

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  2. «porque diabo confiam as pessoas em crendices quando é a saúde que está em causa?»

    Porque o nosso corpo reage, ao contrário do carro e da canalização. E por causa da regressão à média.

    Se o teu carro tem um problema, ou o mecânico o resolve ou o problema não passa. O carro não se cura sozinho.

    Mas se tens uma doença prolongada e há um dia em que te sentes particularmente mal, é provável que no dia seguinte não te sintas tão mal porque há uma “guerra” constante entre o teu corpo e a doença, oscilando à volta de um ponto de equilíbrio para o qual tendes a regredir sempre que dele te afastas.

    Assim, se cada vez que te sentes pior rezares a uma cebola e cada vez que te sentires melhor deixares de rezar à cebola, hás de notar, simplesmente pelo efeito de regressão à média, uma correlação forte entre a reza à cebola e a melhoria do teu estado. A conclusão à qual o teu cérebro chega é logo a de que “não sei como é convosco, mas comigo rezar à cebola funciona”.

    Soma a isto o facto, infeliz mas difícil de evitar com a tecnologia moderna, de que os medicamentos e terapias tendem a ter efeitos secundários desagradáveis, e facilmente muita gente chega à conclusão que é muito melhor rezar à cebola do que tomar aqueles antibióticos que fazem um mal danado ao estômago, ou vacinas que doem e dão febre, e assim por diante.

    «Entretanto, sê bem-vindo! Na verdade, volta sempre :)»

    Sempre que posso :)

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    1. Ludwig,

      Dizes «Porque o nosso corpo reage, ao contrário do carro e da canalização. E por causa da regressão à média.»

      Bem eu não estava realmente à espera de uma resposta... era mais uma questão retórica :)

      De qualquer forma, não creio que seja esta a melhor explicação.
      Para mim, o factor "pertença social" ou "efeito tribo" explica melhor estas coisas. Se eu faço, ou pretendo fazer parte de um grupo, é normal que sinta pressão para aderir às crenças desse grupo. Isto é válido para tudo e mais um par de botas - em geral, se o meu grupo é anti-vacinas, é norma que eu também o seja; se for anti-ciência e negacionista dos efeitos climáticos e outras coisas, a ideia passa do grupo para o indivíduo.
      Isto é particularmente visível nos grupos religiosos, e em especial, é reconhecido por todos a ferocidade das testemunhas de Jeová no que diz respeito a transfusões e transplantes.

      Mas reconheço que a questão psicológica tem um papel muito importante. A forma como cada um pensa, e como cada um aceita ou rejeita as provas ainda que sejam contrárias à sua crença é bastante interessante.

      Sobre isto, há uma questão no Quora: Why won't people accept facts that are against their beliefs?

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    2. Mas, alguém aqui já se preocupou sequer em ouvir, ou ler, o que têm a dizer as pessoas pertencentes ao campo oposto, antes de fazer o seu julgamento?

      (Sobre a questão das vacinas, deixei um comentário abaixo. Mas, sobre a questão das supostas "alterações climáticas",)

      Aqui vai um exemplo: https://vimeo.com/8023097

      (As provas apresentadas pelo campo que diz que existe mesmo um "aquecimento global" não contam - pois, tal como é dito na anterior apresentação, o núcleo de cientistas pertencentes a este campo foi apanhado a aldrabar - i.e. *falsificar* / *mentir* sobre - tais dados. E, se querem saber mais sobre o de que falo eu, procurem pelas hiperligações relativas ao escândalo "Climategate" na seguinte hiperligação: http://blackfernando.blogs.sapo.pt/a-historia-do-aquecimento-global-e-mais-70043)

      E, não é a ciência feita de debate? (Sendo que, há várias questões relativamente às quais não existe um consenso científico?)

      Há mais de 30.000 cientistas que dizem (afincada e publicamente) que não há qualquer "aquecimento global" antropogénico: https://www.youtube.com/watch?v=JRgQKK3j7LU

      (E, quem tiver dificuldade com o inglês, tem a seguir um cientista brasileiro - http://blackfernando.blogs.sapo.pt/prof-de-climatologia-brasileiro-a-quem-69800 - e a seguir dois portugueses - http://blackfernando.blogs.sapo.pt/a-fraude-do-aquecimento-global-69513 - a dizer isto mesmo.)

      Se assim é, porque razão estão os nossos (corruptos e mentirosos) governos a escolher acreditar numa dita opinião, em particular, e a *impor* a sua suposta "verdade científica" a toda a gente?

      Vejam o seguinte documentário censurado, que desmonta todo este *mito* - e depois digam-me se ainda acreditam no que vos diz a televisão sobre este suposto problema: http://blackfernando.blogs.sapo.pt/a-grande-farsa-do-aquecimento-global-69245

      P.S. - Sobre a questão psicológica, que você aborda: posso, desde já, dizer-lhe que sou um ateu e o que se chama um "lobo solitário". E, como tal, não pertenço a nenhuma "seita" ou a algum tipo de "culto". E, mesmo quando convivia mais com outras pessoas (a esmagadora maioria são muito estúpidas, por isso deixei de o fazer) a chamada "pressão de grupo" sempre teve em mim um efeito próximo do "zero".

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    3. P.P.S. - Ainda, sobre a questão psicológica, de pessoas que se recusam a acreditar em algo para o qual existem fortes evidências, o que lhe posso eu garantir que acontece com a maior parte das pessoas que fazem parte da nossa sociedade, é o seguinte - que é descrito num livro que foi, por muito tempo, censurado (e que convenientemente só agora, que a esmagadora maioria das pessoas não lê livros, é que deixou de ser censurado):

      «the broad masses (...) more readily fall victims to the big lie than the small lie, since they themselves often tell small lies in little matters but would be ashamed to resort to large-scale falsehoods. It would never come into their heads to fabricate colossal untruths, and they would not believe that others could have the impudence to distort the truth so infamously. Even though the facts which prove this to be so may be brought clearly to their minds, they will still doubt and waver and will continue to think that there may be some other explanation. For the grossly impudent lie always leaves traces behind it, even after it has been nailed down, a fact which is known to all expert liars in this world and to all who conspire together in the art of lying.»
      --- Adolf Hitler, "Mein Kampf"

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    4. É-me difícil aceitar criticas sobre as alterações climáticas, de alguém que diz é que é tudo uma conspiração (são uma cambada de mentirosos e aldrabões). Não sei como pode alguém alimentar um debate, fazendo este tipo de comentários.

      «E, não é a ciência feita de debate? (Sendo que, há várias questões relativamente às quais não existe um consenso científico?)»
      Sim, mas não é o caso das alterações climáticas, nem das vacinas.
      Mas se sabe mais, eu desafio-o a elaborar um artigo e a publicar as suas conclusões. Se forem de alguma validade, de certeza que a comunidade lhes dará a atenção devida.

      «Há mais de 30.000 cientistas que dizem (afincada e publicamente) que não há qualquer "aquecimento global" antropogénico»
      A isto chama-se falácia do apelo à popularidade. Não é por aí. Além de que o vídeo não cita qualquer fonte para o número que refere. Logo, porque hei-de aceitar?

      De resto, nada de novo. Só citações de sites e vídeos negacionistas. Nada de factos que possam ser comprovados.
      Quando tiver dados e informações novas, publique para que eu (e outros que o desejem) possam analisar e verificar.

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    5. "Artigos" próprios sobre as questões científicas de que falo, não tenho - pois, não sou cientista, nem tenho pretensões a sê-lo. No entanto (e tal como fazem, por exemplo, os investigadores policiais) tenho um mínimo de formação científica para saber aplicar o conhecido Método Científico - sendo este o que uso, como principal ferramenta, para apurar a Verdade sobre os vários assuntos controversos de que vou tendo conhecimento - nos quais se incluem (como poderá ver nas hiperligações que deixo) a questão das alterações climáticas e a questão das vacinas.

      Não tenho "artigos" (científicos ou não) propriamente ditos - mas, em alternativa, tenho uma série de "colocações" (mais informais) que fiz no meu blogue (que têm nelas incluídas hiperligações para artigos, entrevistas, palestras, debates e até documentários inteiros, feitos por cientistas de renome e também por médicos) que podem ser listadas através das seguintes etiquetas:

      http://blackfernando.blogs.sapo.pt/tag/alterações+climáticas
      http://blackfernando.blogs.sapo.pt/tag/vacinas

      (Sobre as questões científicas, sinta-se à vontade para dizer o que nessas colocações que fiz está errado... Mas, sobre as questões políticas relacionadas, atenção, que o de que falo são coisas que só fazem sentido para quem está bem informado sobre o mundo da chamada «deep politics» - e são coisas que não vale sequer a pena estar a discutir com quem é ignorante nesses assuntos.)

      Relativamente à atenção que a comunidade (suponho que seja da mais abrangente que está a falar - e não da dita "comunidade científica") possa dar ou não ao que tenha eu a dizer, não espero que seja significativa. Pois, a maior parte das pessoas nem sentido crítico, propriamente dito, tem - e, por isso, limita-se a ouvir o que tem a televisão a dizer, ou por vezes a ler o que certas figuras de autoridade (professores escolares e afins) lhe manda ler. O agir e (acima de tudo) o pensar "fora da caixa" é algo que muito pouca gente é capaz de fazer, por ter sido estupidificada pelo sistema de ensino que temos.

      Pode esquecer, então, o número de pessoas que acreditam numa ou noutra coisa - que, sim, não é o que interessa - e concentrar-se apenas nos factos científicos. E, se quiser duas versões resumidas das denúncias que faço:

      1) Para saber a Verdade sobre as alterações climáticas, tem este documentário: http://blackfernando.blogs.sapo.pt/a-grande-farsa-do-aquecimento-global-69245 (legendado em português aqui: https://www.youtube.com/watch?v=RDzuXPM1W3k&list=PLA62AB1B34C279F72)

      2) E, para saber a Verdade sobre as vacinas tem este: http://blackfernando.blogs.sapo.pt/vacinacao-a-verdade-escondida-105545 (também legendado em português aqui: https://www.youtube.com/watch?v=8L7Aliz9U60)

      (E, mais uma vez, sinta-se à vontade para dizer em que é que os protagonistas dos mesmos estão a mentir...)

      Sobre o facto de ser o poder estabelecido que temos "uma cambada de mentirosos e aldrabões",

      Temos um ex-Primeiro-Ministro do partido mais votado em Portugal a aguardar julgamento, um ex-Líder da Bancada Parlamentar daquele que é o outro dos dois partidos mais votados no nosso País na prisão, temos o mais poderoso banqueiro do país a aguardar julgamento e temos um ex-candidato presidencial (chamado Paulo de Morais) Vice-Presidente de uma associação que investiga a corrupção em Portugal, a dizer que é ridículo que sejam apenas estes os que são apanhados.

      Se isto não lhe serve para abrir os olhos, não sei o que servirá... Mas, por exemplo, apenas sobre o caso da indústria médico-farmacêutica, em particular, se quiser um "tratamento de choque" de apenas 3 minutos, tem o seguinte vídeo - sobre um caso que também afectou Portugal: https://www.youtube.com/watch?v=8ejoIPTQjxo

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  3. Pelo respeito e pelo interesse que merece a ciência (conhecimento e artes e competências, em geral, são daquelas "coisas" que não se compram, ou se têm ou não e não há dinheiro que nos emposse de talento como nos empossa de roupa), preciso dizer que a ciência não está a sufrágio popular, nem qualquer outro e que ser cientista não é uma questão de votos. Aquele nojo que as campanhas eleitorais causam com a pedinchice de votos e todos os trejeitos e tiques de proselitismo dos candidatos, para verem legitimado o seu lugar no poder, felizmente, não faz parte do universo da ciência e o povo há-de aprender que o poder da ignorância só dá prejuízo.
    O poder da ignorância é, por exemplo, viver de acordo com o critério do interesse pessoal. Do tipo, "o que não me interessa, ou, o que não interessa, não vale".
    À primeira vista, este critério parece salvar tudo o que importa e substituir todas as discussões sobre escolhas, mas só a ignorância consente numa aparência destas.
    O partido da "crença" foi, é e será, enquanto e tanto quanto formos ignorantes, o maior partido da humanidade.
    Crença, não em qualquer coisa, mas em algo que acreditamos, na medida dos nossos interesses (instinto de sobrevivência?).
    A discussão não é sobre os fundamentos da crença, mas sobre os interesses da crença. Está aqui envolvido um sentido prático e uma racionalidade pragmática que são uma fortaleza daquelas que não se construíam, nem antigamente.
    Curioso é que a ciência, quanto mais se apresenta como a solução, como a infalibilidade (Deus) que foi retirando à infalibilidade religiosa, tanto mais contestação e desconfiança vai gerando.
    Chegados aqui, ocorre dizer que não basta à ciência ser ciência para ter credibilidade. As pseudociências, não sendo ciências mas parecendo, às vezes, têm mais.
    Ou seja, o problema da ciência como crença é um falso problema ou um não problema. O problema é, sobretudo, de crise de credibilidade da ciência.
    Não de credibilidade enquanto conhecimento que, em geral, não é questionado, mas de credibilidade enquanto instrumento, que está nas mãos de quem tem interesses que não coincidem com os interesses dos outros.
    Ciência, religião, futebol, partidos políticos, quanto à questão dos interesses e da credibilidade, jogam num campo, quanto à questão da crença e do conhecimento, jogam noutro.
    Os adeptos que fazem claque num dos campos, podem ser adversários ou inimigos no outro.
    A complicação surge sempre que nos pomos a falar de ciência e crenças sem definirmos previamente os planos e os pressupostos, ou os termos, da discussão.
    A crença, como dimensão do conhecimento científico, não é o mesmo que a crença religiosa, a superstição, a astrologia.
    E, em geral, parece-me que a força das crenças depende muito da credibilidade.
    Se a tua crença é credível, se merece confiança, seja pelos resultados, seja pelos valores envolvidos, o mais provável é que não a abandones, porque ela serve os teus interesses.

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  4. "vacinar é um imperativo moral porque ninguém tem o direito de arriscar a saúde dos outros só porque lhe apetece,"

    Parei de ler quando cheguei a esta parte! E, apenas dei uma vista de olhos no restante texto...

    "Vacinar" é uma opção própria, que cada um deve ser livre de tomar ou não!

    E, isto não é uma mera "opinião", da parte de quem cultiva e respeita a Liberdade a todos os níveis - mas, um Direito Constitucional, que é reconhecido pelo próprio Estado de Direito em que vivemos: http://blackfernando.blogs.sapo.pt/nem-o-estado-nem-ninguem-tem-o-direito-103873

    (Num país onde o Fascismo durou mais de 40 anos, não me surpreende, de todo, que haja quem não valorize e respeita a Liberdade dos outros - e até a sua própria. Mas, o que começa a ser uma triste constatação da minha parte, é que há muita gente, adepta dos princípios filosóficos do Software Livre - digo isto, porque descobri este blogue através do "Planeta ANSOL" - que, repetidamente, parece ser incapaz de atingir os princípios mais abrangentes e que estão por trás, ou na base, dos princípios que deram origem a tal Movimento no campo da Informática.)

    Falando da parte legal,

    Se estivermos a falar de uma pessoa que esteja infectada com uma doença, aí sim, é outra história. E, aí sim, que se restrinja o seu direito à liberdade de circulação. Caso contrário, cada um é livre de fazer o que quiser.

    O *potencialmente* estar a arriscar a vida de outros, não conta. O que conta, é o estar efectivamente a arriscar a vida dos outros. Exemplos: Uma pessoa que se ponha aos tiros no meio da rua, está de facto (e sem quaisquer dúvidas) a arriscar a vida dos outros. Enquanto que, uma pessoa que tome a opção de ser sexualmente promíscua e pratique sexo desprotegido, está apenas *potencialmente* a arriscar a vida dos outros (e não efectivamente e sem quaisquer dúvidas).

    Falando da parte científica,

    As vacinas são uma fraude médica. Isto é, a suposta ciência das mesmas é *falsa*. E, foi o próprio inventor das mesmas que o reconheceu, após a introdução destas: http://blackfernando.blogs.sapo.pt/nao-foram-as-vacinas-contra-o-sarampo-103340

    Quem diz o contrário, é alguém que: ou pertence à indústria médico-farmacêutica e departamentos estatais que recebem ordens da mesma; ou alguém que acredita em tudo o que ouve na televisão e é incapaz de aplicar o método científico, para averiguar a Verdade sobre esta e outras coisas que nos são ditas pelo poder estabelecido.

    Pelo que percebo, é o autor deste blogue um homem de ciência...

    Ora, neste documentário são apresentadas as provas de que as vacinas, não só não funcionam, como até fazem mal: http://blackfernando.blogs.sapo.pt/vacinacao-a-verdade-escondida-105545

    Aplicando a lógica que está por trás de todas as verdades científicas, apresente-me então você as provas do contrário.

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    1. «E, isto não é uma mera "opinião"»
      Claro que é. Mas não devia ser, pois como o acto é médico, a indicação de vacinar ou não deve ser técnica e não de opinião.

      «Num país onde o Fascismo durou mais de 40 anos, não me surpreende, de todo, que haja quem não valorize e respeita a Liberdade dos outros»
      Não percebi a relevância do comentário. Está a insinuar que obrigar a vacinar, obrigar a proteger as crianças é fascismo? Que confusão!


      «Se estivermos a falar de uma pessoa que esteja infectada com uma doença, aí sim, é outra história. E, aí sim, que se restrinja o seu direito à liberdade de circulação. Caso contrário, cada um é livre de fazer o que quiser.»
      Pode não ser. Se a recusa for de um pai/mãe para uma criança, não é.

      «As vacinas são uma fraude médica.»
      Quais são as suas provas?

      «Quem diz o contrário, é alguém que: ou pertence à indústria médico-farmacêutica e departamentos estatais que recebem ordens da mesma; ou alguém que acredita em tudo o que ouve na televisão e é incapaz de aplicar o método científico, para averiguar a Verdade sobre esta e outras coisas que nos são ditas pelo poder estabelecido.»
      Chama-se a isto falácia da falsa dicotomia. No caso, ambas as alternativas estão erradas. Sugiro uma leitura no site da Cochrane Collaboration: http://www.cochrane.org/CD004407/ARI_using-combined-vaccine-protection-children-against-measles-mumps-and-rubella
      Caso nunca tenha ouvido falar, é uma ONG especializada em avaliar práticas médias. No caso, o link é sobre uma meta-análise sobre a vacina tríplice e inclui dados de vários estudos em vários países - mas devem ser todos vendidos, certo?

      «Aplicando a lógica que está por trás de todas as verdades científicas, apresente-me então você as provas do contrário.»
      O estudo que indiquei devia ser suficiente, mas é normal que nunca chegue. Afinal são todos ignorantes ou vendidos.

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    2. O facto de que uma pessoa tem o Direito de decidir sobre o seu próprio corpo - nomeadamente, sobre se quer ou não receber um tratamento médico - é um Direito Humano, fundamental em qualquer sociedade que se diga civilizada. É disso que falo. Desse Direito Inalienável, que não está sujeito à "opinião" dos outros. E, não da validade, ou não, de quaisquer tratamentos médicos.

      A relevância do passado histórico português está no facto dos passados recentes dos vários povos terem repercussões nos hábitos culturais presentes. Este é um facto que pode ser muito bem observado, quando se olha para, e também compara, as diferentes culturas existentes. E, quanto à minha insinuação de que estar a injectar alguém (à força) com algo, contra vontade dessa mesma pessoa, é uma atitude Fascista, sim, é isso mesmo que estou a dizer ou insinuar. E, se discorda disto, aconselho-o a ler a Constituição da República que temos, aprovada em Democracia, após o derrube do regime fascista que tínhamos: http://blackfernando.blogs.sapo.pt/nem-o-estado-nem-ninguem-tem-o-direito-103873

      Claro que as crianças, ainda menores de idade, não têm ainda a capacidade para decidir sobre estas coisas. Quando falo em liberdade de decidir, falo também na liberdade de escolha dos pais, relativamente aos possíveis tratamentos médicos que os seus filhos possam, ou não, ter.

      As provas de que as vacinas são um fraude médica estão, por exemplo, aqui: http://blackfernando.blogs.sapo.pt/vacinacao-a-verdade-escondida-105545

      A suposta dicotomia que faço é uma mero argumento simplista, da parte de quem não está para enumerar todas as combinações e casos possíveis existentes. Claro que existem outros casos, e excepções, para além dos que eu menciono.

      A grande maioria das ONG que existem são financiadas pelos grandes interesses económicos. Pois, para que funcionem, têm de ir buscar dinheiro a algum lado. E, certamente que, na maior parte dos casos, não é ao comum cidadão que o vão buscar - pois, a grande maioria destes (quase que) nem para si própria tem dinheiro que chegue. Eu próprio já fui voluntário numa ONG que se pode chamar ecologista e sei como funcionam as coisas.

      O único estudo, do tipo que você refere, de que tenho eu conhecimento - sobre vacinas - que não tenha sido financiado (directa ou indirectamente) pela indústria médico-farmacêutica e seus lacaios, foi o seguinte recente - http://blackfernando.blogs.sapo.pt/o-tipo-de-estudos-sobre-vacinas-que-o-104200 - que, pelas suas limitações monetárias, apenas conseguiu analisar uma pequena amostra de pessoas (e que, por isso, não pode ser completamente aceite, como sendo representativo de toda a população). (Mais uma vez, se quisesse você fazer um estudo, onde é que ia buscar o dinheiro? Já viu alguma vez um peditório para estudos sobre vacinas?)

      Também, o estudo para o qual deixa você uma hiperligação não prova nada. Pois, diz que a suposta eficácia da vacina é "estimada" entre x e y %, sem dizer como chegou, de forma segura, a tal conclusão. O apanhar ou não uma doença depende de factores (mesmo) muito aleatórios. E, não acredito que, para fazer tal estudo, tenham andado a infectar crianças de propósito com a doença em causa, só para terem a certeza de que as vacinas funcionam ou não.

      Por outro lado, no documentário para o qual deixei eu uma hiperligação - http://blackfernando.blogs.sapo.pt/vacinacao-a-verdade-escondida-105545 - são apresentados simples dados estatísticos, que nem precisam propriamente de "estudo" para serem interpretados, que provam (inequivocamente) que as vacinas não funcionam.

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    3. Para que eu considere as suas ideias, é muito simples:
      1) deve deixar de considerar que são todos vendidos e controlados;

      2) deve apresentar dados que tenham sido analisados e comprovados por terceiros (é assim que a ciência funciona);

      3) deve deixar de incluir referências circulares, tipo "as minhas provas são as minhas ideias, porque eu sou um livre pensador";

      4) deve entrar num debate com a capacidade de negar as suas próprias ideias, e partindo dessa premissa, ver quais as conclusões lógicas a que. chega.

      Sinceramente, depois de ler as suas respostas, acho que não vale a pena debater com quem não quer perceber porque é que as coisas são como são: e não é por causa das teorias da conspiração. As suas ideias são inamoviveis, desejo-lhe boa sorte com elas.

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    4. Só mais uma achega: creio que não percebeu o conceito de meta estudo. É pena, podia aprender algo de novo por aí.
      A eficácia de uma vacina mede-se avaliando quantas pessoas ficam realmente imunes. Por exemplo uma taxa de 95%, significa que por cada 100 pessoas vacinadas, há a possibilidade de 5% não ficar imune. Isto ocorre por vários motivos, sendo o principal as diferenças das próprias pessoas.

      Este comentário é só para esclarecer. Não pretendo continuar este debate.

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  5. 1) Eu não digo que toda a gente que faz parte do poder estabelecido seja corrupto/a. A grande maioria, sim - é uma constatação que fiz, depois de mais de década e meia a informar-me sobre a política de bastidores. Certamente que há também quem tenha sido bem-sucedidamente lavado ao cérebro - e que seja, por isso, incapaz de olhar ("com olhos de ver") para as provas que são apresentadas por quem é crítico do aquecimento global antropogénico e das vacinas. Aliás, tenho até família em comum com alguém que passa o tempo todo na televisão a dizer para as pessoas se vacinarem e sei que essa pessoa acredita mesmo no que está a dizer.

    2) O tipo de dados para os quais chamo a atenção, são essencialmente gráficos relativos a dados estatísticos, que não requerem a ajuda de um qualquer especialista para poderem ser lidos. Mas, se acha que estes gráficos foram aldrabados, sinta-se à vontade para o provar. Uma boa parte dos cientistas e médicos que fazem este tipo de denúncias trabalham em conjunto quando as fazem - e têm até associações próprias para o efeito (https://www.youtube.com/watch?v=fXLwPT3VL0I). Por isso, certamente que revêem os trabalhos uns dos outros. Mas, se por processo de «peer review» está você a considerar que apenas os que são feitos pelas revistas ditas de "referência" é que são válidos, esse é um argumento falso e sem qualquer valor. Pois, essas mesmas revistas foram as que andaram a espalhar o que depois se veio a provar serem mentiras sobre este tipo de assuntos (ler sobre o escândalo "Climategate"). E, o facto de que este tipo de publicações, ditas de "referência", não são de confiar, é algo que é até admitido por quem já trabalhou para as mesmas. Seguem-se dois exemplos do que falo:

    a) Uma frase que foi escrita na correspondência de um dos principais cientistas denunciados no "Climategate":

    "I’ve just completed Mike’s Nature trick of adding in the real temps to each series for the last 20 years (ie from 1981 onwards) amd from 1961 for Keith’s to hide the decline."

    b) Uma admissão feita por quem já trabalhou para uma das mais conhecidas publicações médicas:

    "It is simply no longer possible to believe much of the clinical research that is published, or to rely on the judgment of trusted physicians or authoritative medical guidelines. I take no pleasure in this conclusion, which I reached slowly and reluctantly over my two decades as an editor of The New England Journal of Medicine."
    --- Marcia Angell, MD, The New York Review of Books, January 15, 2009

    (E, já agora, aqui vai um - e apenas um - extra, sobre estudos farmacêuticos, em particular, que são falsos: https://www.prisonplanet.com/big-pharma-researcher-admits-to-faking-dozens-of-research-studies-for-pfizer-merck.html)

    [continua]

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  6. [continuação]

    3) Quando falo em provas, aponto para factos e estudos que foram feitos. Não para as minhas opiniões. Se algumas das hiperligações que deixo contêm também opiniões/interpretações próprias, é uma simples questão de filtrar/ignorar as mesmas e concentrar-se apenas nos factos.

    4) Você próprio diz que eu sou um livre-pensador. Ora, um livre-pensador distingue-se exactamente por ser uma pessoa que nunca exclui a possibilidade de - e é capaz de admitir - que as suas ideias prévias, sobre qualquer assunto, estavam ou estão erradas. E, foi isso mesmo que eu fiz, quando, depois de ter visto as provas de que falo, deixei de acreditar na história do aquecimento global antropogénico (AGA) e das vacinas. Antes disso, andava eu a traduzir artigos de publicações (não científicas) ditas de "referência", quando muito pouco ou nada se falava de algumas das questões relativas a esta temática do AGA em Portugal. E, foi até por andar mais de 10 anos a engolir essa mesma treta do AGA é que só aos 30 anos de idade é que tirei a minha carta de condução.

    Mas, quanto à sua recusa em continuar o debate, é como quiser. É sempre a mesma história...

    As pessoas são incapazes de contradizer o que eu digo, dizendo elas em que é que eu estou a mentir - apesar de ser eu capaz de o fazer relativamente ao que elas dizem. Já com um investigador universitário de questões climáticas, que me quis interromper num jantar quando dizia eu às pessoas que o AGA é uma farsa, foi a mesma história. Dizia ele que também era "difícil" acreditar no que eu dizia. Enviei-lhe depois as minhas fontes/provas, a desafiá-lo para me dizer em que é que eu estava errado, disse ele que ia ver as mesmas e até hoje não recebi uma resposta.

    Falando outra vez sobre a questão psicológica... Quando foram estas demasiado formatadas pelo actual sistema de ensino, a maior parte das pessoas é incapaz de encarar sequer a possibilidade de que, o que em que acreditou durante uma boa parte da sua vida e o que dizem todos do grupo a que pertence pode, na verdade, ser uma enorme mentira.

    Sobre o meta-estudo, ou meta-análise, percebi que era de um que se tratava. Referi-me ao mesmo apenas como estudo para simplificar o discurso. Sei também da propaganda oficial relativa às vacinas, que diz que estas nem sempre resultam. E, chamei a atenção para o uso do termo "estimada" porque a suposta eficácia das vacinas, pelas razões que mencionei, não é provada por esse mesmo estudo. Aliás, os dados estatísticos de amostras muito maiores da população, que são exibidos nos estudos (chamemos-lhes também assim) para os quais deixei uma hiperligação (a relativa a um documentário), provam até o contrário - que as vacinas têm um efeito nulo ou mesmo contraproducente.

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  7. Fernando Negro,

    Antes de mais, obrigado pelos comentários. Tenho tido pouco tempo para dedicar ao blog, mas vejo que há aqui muito material para quando me faltar inspiração. Entretanto, algumas notas breves.

    A ciência precisa de debate porque a troca livre de ideias é importante para corrigir erros. Mas o debate científico não é um debate onde cada lado tem como objectivo persuadir o outro. É um debate em que todos colaboram para apurar a verdade, o que exige imparcialidade e não admite cherry picking. Sendo a natureza humana como é, não admira que mesmo em ciência muitos tentem puxar a brasa à sua sardinha. Mas isso, em ciência, é vício e não virtude. E quando se exagera é-se, justamente, excluído do debate científico.

    Se as vacinas são uma fraude, é difícil explicar como é que, por exemplo, o sarampo matava cerca de 2.6 milhões de pessoas por ano até 1980 mas hoje mata cerca de 130,000, no mundo todo. E, em Portugal até se conseguiu erradicar a doença. Por outro lado, quando se descura a vacinação, a doença volta, como estamos a ver em vários países onde vem a moda parva de não vacinar.

    Esta afirmação é especialmente estranha:

    «O *potencialmente* estar a arriscar a vida de outros, não conta. O que conta, é o estar efectivamente a arriscar a vida dos outros. »

    Arriscar é sempre potencial. Porque a partir do momento que deixa de ser potencial deixa também de ser risco. É certeza. É por isso que proibimos que se armazene explosivos em casa ou que as pessoas comprem metralhadoras pesadas ou lança chamas. Estas coisas não são proibidas apenas quando realmente estão a matar mas sempre que, potencialmente, possam matar. É a esse potencial de que algo mau aconteça a que chamamos arriscar.

    A razão pela qual eu considero a vacinação um imperativo moral é precisamente porque dou muito valor à liberdade. Cada um deve ser tão livre quanto for possível sem retirar liberdades tão ou mais importantes aos outros. É isto que me faz ser a favor do controlo apertado de armas de fogo, de limites de velocidade nas autoestradas, de normas de segurança no fabrico de brinquedos, ferramentas e automóveis, e imensas outras coisas que restringem umas liberdades para proteger liberdades mais importantes. A vacinação é uma dessas. É mais importante a liberdade de não morrer por uma doença facilmente evitável do que a liberdade de não se vacinar. Isto aplica-se também a quem, contra o peso das evidências, opta por acreditar que as vacinas são uma fraude. Respeito a liberdade de cada um acreditar no que quiser, por muito disparatado que seja. Mas o exercício dessa liberdade não isenta ninguém do dever de não violar as liberdades dos outros, que é o que faz quem não se vacina e põe a saúde dos outros em perigo. Independentemente das suas crenças.

    «Aplicando a lógica que está por trás de todas as verdades científicas, apresente-me então você as provas do contrário.»

    Basta olhar para os números. Esta tabela é só sobre os EUA, mas parece-me bem esclarecedora (no comentário a seguir)

    https://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/00056803.htm#00003752.htm

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    1. Eu não considero que tenha andado a "puxar a brasa à minha sardinha". O que eu fiz, foi responder ao que era dito - incluindo o que sei serem mentiras - com as provas que tenho, de que o que eu digo é verdade. O meu interesse não é provar, a todo o custo, que sou eu que tenho razão. O meu interesse, é *sempre* chegar à Verdade, independentemente de se esta corresponde ou não ao em que eu acreditava antes. E, penso que o facto de eu próprio já ter acreditado na "ciência" das vacinas e do aquecimento global antropogénico é uma prova de que estou eu sempre disposto a ir até onde me levem quaisquer provas (sejam elas novas ou antigas).

      É muito fácil explicar como é que as doenças desapareceram a nível mundial. Tal deveu-se ao natural desenvolvimento da sociedade, que permitiu que tivessem havido (1) melhorias nas condições de higiene (que diminuíram a exposição aos agentes patogénicos) e (2) melhorias na nutrição das pessoas (que tornaram os seus organismos mais resistentes a esses mesmos agentes patogénicos). As vacinas é que não foram, de certeza, as responsáveis pelo desaparecimento das doenças. Pois, falando no exemplo do sarampo, que menciona - e da realidade estadunidense, que é a para a qual existem melhores estatísticas - a incidência deste diminuiu mais de 95% antes de ter sido sequer introduzida a dita "vacina" contra ele (e pode vê-lo no seguinte gráfico - http://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gb515139f/20376610_LRws1.png - tirado do documentário para o qual repetidamente tenho eu chamado a atenção).

      Se há doenças que estão a voltar, isto deve-se obviamente à pioria das condições de vida (pior higiene, pior nutrição) que tem vindo a acontecer desde 2008. São inúmeros os casos, no nosso país e não só, de pessoas que já não têm dinheiro para o gás (tomar bons banhos), nem para comprarem comida decente (que seja rica em bons nutrientes). Logo, outra coisa não é de esperar que não seja o aumento, ou mesmo ressurgimento, de certas doenças. E, sobre o caso da rapariga que morreu com sarampo, o que muitos dos média de massas convenientemente omitiram, foi que a rapariga em causa tinha sido internada com uma mononucleose, antes de ter contraído o sarampo (http://www.sabado.pt/portugal/detalhe/medico-jose-vera-a-questao-do-contagio-e-relativamente-irrelevante). Isto é, já estava com o seu sistema imunitário enfraquecido quando apanhou esta última doença. Logo, estava mais fraca para a poder combater e o seu destino foi, infelizmente, o mesmo de muitas pessoas idosas (que têm organismos mais fracos) que morrem todos os anos com uma simples gripe.

      Ou seja, o ressurgimento de certas doenças nada tem a ver com a crescente opção de muitas pessoas de rejeitarem a vacinação. Pelo contrário. Se se informarem sobre a quantidade de compostos tóxicos e nocivos que estão incluídos nas vacinas, irão saber que estas só fazem é mal. E, quando se compara as crianças que foram vacinadas com as que não foram, não surpreendentemente, são as últimas que são (muito) mais saudáveis (http://blackfernando.blogs.sapo.pt/o-tipo-de-estudos-sobre-vacinas-que-o-104200).

      [continua]

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    2. [continuação]

      "Potencialmente" é sinónimo de "possivelmente" (e um antónimo de "efectivamente"). E, claro que o termo "arriscar" também inclui o significado de "possibilidade". Mas, se o primeiro termo ("potencialmente") tem uma conotação fraca, o segundo ("arriscar") já tem uma conotação elevada. Quando uso o termo "potencialmente" conjuntamente com "arriscar", estou a falar de um "risco reduzido" - isto é, de uma possibilidade dentro de outra possibilidade. Sendo que, faço tal combinação para tentar exprimir, como eu disse, um risco relativamente fraco. Enquanto que, quando uso apenas o termo "arriscar", estou a falar de um "risco elevado", que deve ser levado a sério. Por exemplo: emitir licenças de porte de arma acarreta sempre um risco reduzido de haver quem vá usar mal essas armas; enquanto que, usar mal essas armas, de uma forma que põe as outras pessoas em risco, constitui um risco elevado para as últimas. E, se o primeiro risco não é razão para ilegalizar tal acto, o segundo risco já é razão para o proibir.

      Sobre o risco que constitui a vacinação ou não das pessoas: (1) se se informar sobre a verdadeira natureza das vacinas, irá saber que o risco que existe é exactamente o inverso - isto é, que as vacinas não só não protegem as pessoas contra as doenças em causa, como até as tornam mais susceptíveis a apanhar quaisquer doenças (por lhes deprimirem o sistema imunitário, as envenenarem com substâncias tóxicas e causarem alterações no organismo das mesmas) tornando-as um maior "potencial risco" para as outras pessoas; e (2) se se informar sobre a natureza das doenças para as quais as crianças são supostamente imunizadas, irá constatar que, na sua esmagadora maioria, estas são doenças que pouco mais fazem do que causar um (grande) mal-estar às crianças, que não deixam marcas nas mesmas e que não são mortais (a não ser que a criança em causa já não seja, por si própria, uma criança saudável - mas, como digo acima, nesse caso até uma simples gripe pode ser uma doença mortal).

      [continua]

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    3. Este comentário foi removido pelo autor.

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    4. [continuação]

      Eu também sou a favor de limites de velocidade na estrada etc. Pois, os comportamentos e actos que são proibidos são os que (seria e efectivamente) põem a vida dos outros em risco (i.e. "arriscam" a vida dos outros sem o termo "potencialmente" antes). Mas, ainda que as vacinas resultassem e estivéssemos a falar de doenças altamente mortais e contagiosas, absolutamente *ninguém* tem o direito de injectar algo noutra pessoa contra a vontade da última. Se uma pessoa estiver infectada (ou possivelmente infectada) com uma doença perigosa, aí, em último caso que se interne (ou quarentene) essa mesma pessoa, contra a vontade desta, se for preciso. E, se também for preciso, que se proíba as pessoas de irem para sítios onde irão quase certamente apanhar certas doenças - pois, o restringir um pouco o direito à liberdade de circulação, num sítio específico para onde só um estúpido ou um louco é que quererá ir, não é nenhum crime de lesa-pátria. Agora, estar a decidir sobre e *violar* o corpo de outra pessoa, é um crime que é simplesmente um dos maiores que existem. E, não há nada que o justifique. Sendo esta a óbvia razão pela qual este é um Direito Fundamental que vem enunciado na própria Constituição da República (http://blackfernando.blogs.sapo.pt/nem-o-estado-nem-ninguem-tem-o-direito-103873) e que nunca poderá ser retirado a qualquer pessoa. Pois, é um Mais Fundamental dos Direitos, o de alguém decidir sobre e ser LIVRE de fazer o que quiser com o seu próprio corpo! Sendo que, defender o princípio contrário, é absurdo, ridículo e uma (muitíssimo grave) violação dos Direitos Humanos. E, seguindo essa lógica, poderiam até justificar-se coisas como violações sexuais, para combater a falta de natalidade, quando isso fosse um problema para a comunidade, e imensas outras situações ridículas, que não respeitam os mais básicos Direitos Humanos que existem e que se querem Inalienáveis.

      "É mais importante a liberdade de não morrer por uma doença facilmente evitável do que a liberdade de não se vacinar."

      Não consigo levar a sério tudo mais que está escrito depois desta frase (imensamente) revoltante (que defende um princípio que já, repetidamente, demonstrei eu que é inválido e violador dos Direitos Humanos). E, por isso, apesar de ter eu mais a dizer sobre tudo isto, quem se retira agora do debate (e deste blogue, para sempre) sou eu! Pois, não reajo nada bem a quem tem opiniões fascizóides e que não tem problemas alguns em violar os direitos e as liberdades dos outros (sendo que, também não sabe distinguir liberdades de direitos, ou aplicar - na mais fundamental das formas - uma correcta, sensata e inteligente coexistência dos últimos).

      Também, o simples (e repetido) ignorar das provas que apresento, para (em cima disso e em substituição) apresentar (supostas) provas próprias, revela que não é segundo princípios sensatos e lógicos de procura da verdade que estou a debater. E, por isso, estou a perder o meu tempo.

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  8. Aqui vai a tabela:


    TABLE 2. Baseline 20th century annual morbidity and 1998 provisional morbidity from
    nine diseases with vaccines recommended before 1990 for universal use in children
    -- United States
    ===============================================================================================
    Baseline 20th century 1998 Provisional %
    Disease annual morbidity morbidity Decrease
    --------------------------------------------------------------------------------------
    Smallpox                            48,164*                    0            100%
    Diphtheria                         175,885+                    1            100%&
    Pertussis                          147,271@                6,279           95.7%
    Tetanus                              1,314**                  34           97.4%
    Poliomyelitis (paralytic)           16,316++                   0&&          100%
    Measles                            503,282@@                  89            100%&
    Mumps                              152,209***                606           99.6%
    Rubella                             47,745+++                345           99.3%
     Congenital rubella                    823&&&                  5           99.4%
      syndrome
    Haemophilus                         20,000@@@                 54****       99.7%
     influenzae  type b
    --------------------------------------------------------------------------------------

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  9. Ludwig,


    Permite-me discordar quando dizes que "É um debate em que todos colaboram para apurar a verdade". A ciência é sobre compreensão, o objectivo é obtermos a melhor compreensão dos fenómenos em análise. A verdade, parece-me que é mais uma questão da filosofia.

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  10. António,

    Eu não acho que haja uma separação entre ciência e filosofia. Ciência é apenas uma parte da filosofia, o que acontece quando começamos a saber o suficiente para poder testar hipóteses.

    Quanto à verdade, há dois problemas aqui. Explorar os diferentes conceitos de verdade e em que condições podem fazer sentido, como por exemplo a verdade como correspondência e a verdade como consistência lógica, é algo que concordo ser daquela parte da filosofia que tipicamente não se considera ser ciência. Mas apurar quais descrições correspondem à realidade e quais não correspondem – ou seja, apurar o que é verdade neste sentido de correspondência – é claramente algo que se faz nessa parte da filosofia que se chamava filosofia natural e agora se chama ciência.

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    2. Ludwig,

      Eu concordo com a visão da ciência como um dos vários aspectos subordinados à filosofia, aliás, não consigo ver como poderia ser de outra forma.
      No entanto, cada uma das áreas da filosofia podem e devem ter objetivos que são distintos, quer entre si, quer do objetivo final da filosofia. Já defendi e volto a defender essa ideia quanto à ciência.

      Sei que há mais quem pense desta forma (abaixo deixo alguns links): a ciência deve forcar-se em compreender/conhecer os fenómenos, se daí advém o que possa ser chamado de verdade pela filosofia, tudo bem, mas não defendo que deva ser essa a prioridade, até porque o próprio conceito de verdade pode ser ilusório.
      Há ainda a questão interessante, de que em ciência deve-se procurar falsificar uma ideia, e isto parece ser contrário à busca da verdade. Afinal, demonstrar que X é falso, não significa que o seu contrário seja verdade. A falsificação de uma ideia é uma necessidade imperativa em ciência, pois, evita absurdos lógicos.
      Manter a verdade e respetivo conceito fora da ciência, ajuda a manter o norte.

      Neste tempos pós-modernos, pós-qualquer-coisa-que-eu-não-sei-definir, em que cada um parece sentir necessidade de criar e definir a sua própria verdade, esta divisão (do objetivo da Ciênca vs objetivo da filosofia) leva a que seja não só necessária, como até imprescindível.

      http://undsci.berkeley.edu/article/truth
      http://www.realclearscience.com/articles/2012/05/17/what_do_we_mean_by_scientific_truth_106273.html
      https://philosophynow.org/issues/15/Is_Science_an_Ideology

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  11. À primeira vista e sem mais indagação, são as estratégias dialéticas de análise e síntese, que nos remetem para a diferenciação, tradicional, entre ciência e filosofia. Desde a filosofia do treinador de futebol até à filosofia da ciência, a capacidade de questionamento humano não conhece limites e chega mesmo a forçar os "cimentados" ou sedimentados limites da racionalidade. Este fulgor da filosofia, que ninguém nos tire, ninguém nos tirará. Esta verdadeira força (a juntar às outras forças da natureza), porém, é a mesma que anima a ciência.
    De certo modo, a comunidade de cientistas e de filósofos acaba sendo constituída por cientistas, cada vez mais filósofos e por filósofos, cada vez mais cientistas.
    Da descrição dos factos às interpretações e à fixação de sentenças, pode ir um complexo processo de validação, falsificabilidade, monitorização dos próprios processos indutivos/dedutivos, com todo o tipo de implicações, não apenas científicas, ou filosóficas, mas ideológicas e de conceção/visão do mundo e do homem. Se a ciência se abstém destas implicações, já a filosofia, não só não se abstém como se ocupa delas preferencialmente.

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