sexta-feira, maio 31, 2013

O problema da autoridade.

A propósito do post anterior, o Carlos Leal criticou-me por «juntar no mesmo exemplo [...] a referência ao Papa (que dispensa apresentações biográficas), Gabrielle Amorth, velho gagá de 88 anos (o tal dos bispos do Mexico), um padre português irrelevante e desconhecido, e os espíritas» porque, segundo o Carlos, é preciso «citar as fontes relevantes»(1). Quando apontei que, objectivamente, não temos dados que permitam determinar qual destes senhores percebe mais de demónios e espíritos, o Carlos invocou “razões de coração” que levam as pessoas a «confiar numa história de fé que os tem ‘humanizado’ e até tornado mais exigentes do ponto de vista da fé e, sobretudo, acerca de "a quem dar fé"». Deu até o exemplo costumeiro do amor como antítese da ciência: «não levaste a hipótese de casar ao laboratório, para dentro de um modelo matemático».

O exemplo do amor depende sempre de duas confusões. Primeiro, a confusão entre valores e alegações de factos. A paixão é um critério importante em certas decisões mas não constitui uma descrição dos factos e até reconhecemos o erro de deixar que a paixão nos distorça a percepção da realidade. Enquanto a minha decisão de casar foi muito influenciada pelo que sinto, o que sei acerca da pessoa com quem casei não resulta do “coração” mas sim de um grande conjunto de dados objectivos, acumulados durante duas décadas, que me permitiu formar opiniões de forma científica, num sentido lato do termo. Esta é a segunda confusão.

A matemática e o trabalho de laboratório são ferramentas úteis para a ciência mas não a circunscrevem. O fundamental na ciência é que a confiança depositada em cada hipótese seja proporcional ao suporte que os dados dão a essa hipótese e retiram às alternativas. Isto em contraste com as abordagens tradicionais de confiar numa hipótese porque surgiu num sonho, porque gostaríamos que fosse verdade, porque dá uma desculpa para mandar nos outros, porque está escrita num livro antigo, porque o mestre a afirmou e razões afins. Neste sentido, que remete à origem etimológica de “ciência” como conhecimento, tudo o que fundamente legitimamente uma alegação factual é científico. A menos que alguém esteja cego pela paixão, formará uma ideia daquilo que o outro realmente é seleccionando as alternativas mais suportadas pelo que observa. Se não o fizer, se a paixão o convencer de que é amado por alguém que o ignora ou maltrata, então dizemos que, pobre coitado, anda iludido.

O mesmo se passa com a autoridade. Considerar uma fonte autoritária por gostar muito da pessoa, venerar o livro ou pertencer à religião é uma ilusão análoga. A opinião acerca dos factos não se justifica “pelo coração” mas apenas pelo fundamento em dados objectivos. Assim, uma fonte só é autoridade legítima sobre certas matérias se houver indícios objectivos de que as suas afirmações tendem a corresponder melhor à realidade do que, em média, as afirmações de fontes não autoritárias. Desses indícios destaco três pela sua relevância.

Primeiro, a fonte autoritária tem de ser capaz de averiguar a verdade daquilo que alega. Se não consegue saber se o que diz é verdadeiro ou falso não é autoridade nenhuma. Por isso, só podemos confiar numa fonte como autoridade se houver razões objectivas para confiar na forma como determinou a verdade do que alega. Não precisamos de saber os detalhes, mas é preciso ter indícios de que o fez de forma correcta e fiável. Por exemplo, se um astrónomo me disser a percentagem de estrelas que é da mesma categoria do Sol eu confio nele como autoridade, mesmo não dispondo dos dados, porque percebo que a forma como os astrónomos determinam essas coisas é fiável. Por outro lado, se um tarólogo me diz que descobriu por intuição que a carta do enforcado na casa de Júpiter revela dificuldades profissionais eu não lhe dou crédito nenhum. Todas as alegadas autoridades em matéria de demónios e espíritos falham este critério porque, do Papa aos espíritas, nenhum dá evidências objectivas de poder determinar a verdade do que alega de forma fiável. Especulam, nada mais.

Também é importante que a opinião da fonte que consideramos autoritária seja consensual entre os peritos que cumpram os mesmos requisitos de autoridade. Por exemplo, se o valor que o astrónomo me der for muito diferente do valor indicado por outros astrónomos, então já não me posso fiar nele. E se não houver consenso entre os astrónomos então não há autoridade na matéria, pelo menos enquanto não determinarem quem tem razão. Também nisto os espíritas, o Papa, o Gabrielle Amorth e restantes falham. Em geral, as superstições, incluindo as religiosas, têm muitos peritos, cada um reconhecido pelos seus seguidores, mas não têm qualquer consenso acerca disto dos deuses e dos demónios, nem forma de o encontrar.

Finalmente, a fonte autoritária tem de ser imparcial. A avaliação de alegações factuais exige a ponderação imparcial das evidências. Quando recorremos a uma autoridade estamos a delegar nela a tarefa de avaliar as evidências e escolher a hipótese que tem melhor suporte. Mas se o perito tem interesse pessoal na defesa de certa hipótese já não podemos confiar que a esteja a indicar por ser objectivamente a que tem melhor suporte. Também pode ser que nos diga que é aquela porque lhe dá jeito. O vendedor de automóveis pode perceber muito de mecânica mas, dado o claro conflito de interesses, não vamos simplesmente aceitar o que nos diz do carro que nos quer vender.

A razão pela qual eu junto no mesmo saco espíritas, exorcistas, padres e o Papa é porque, de facto, pertencem todos à categoria das falsas autoridades.

1- Comentários em Treta da semana (passada): o diabo das respostas.

40 comentários:

  1. Para além do problema da autoridade pessoal, há o da autoridade documental. Por exemplo, historiadores podem discutir e chegar a um consenso sobre se determinado documento escrito nos tempos de Júlio César é ou não autoritário para estabelecer certos princípios (um exemplo concreto: se os recenseamentos da cidade de Roma representam, realmente, a realidade da população nessa altura). Se houverem outros documentos que apontem no mesmo sentido, determinado documento pode ser considerado autoritário, e então espera-se que quem se pronuncie sobre esse assunto use o dito documento como autoritário. No entanto, pode justamente haver um grupo de pessoas que achem que o Império Romano nunca existiu e, pois, negam a autoridade desse documento. Então cabe aos historiadores o papel ingrato de chegarem às mesmas conclusões sem usarem o dito documento como autoritário. Em geral, conseguirão fazer um bom trabalho, usando outras referências que sirvam de base para a mesma argumentação; poderá ser mais complicado, levar mais tempo, dar resultados com maiores erros, mas se a lógica da argumentação for consistente com outras provas e indícios, então é plausível aceitar que consigam convencer os "negadores da existência do Império Romano" de que, mesmo sem esse documento, faz sentido dizer que o Império Romano existiu e de que Roma tinha um milhão de habitantes.

    Ora quando se discute com fundamentalistas religiosos, o problema é que não estão habituados a discutir desta forma — pelo menos os fundamentalistas religiosos das crenças judaico-muçulmano-cristãs. Afirmam, sem qualquer prova documental adicional, que têm um Livro Sagrado que é fonte de toda a autoridade, e por argumento secular, Deus existe porque a Bíblia existe, e a Bíblia é autoritária porque foi escrita por Deus.

    Pede-se a um judeu/muçulmano/cristão comum para provar as suas crenças sem recurso à Bíblia — por não ser reconhecida por ambas as partes na discussão como documento autoritário — e 99.999% da argumentação cai imediatamente por terra (o mais irónico é que usando a própria Bíblia, pode-se refutar 90% das argumentações, mas isso são outros quinhentos :) ).

    Entre os clássicos gregos (mais tarde também imitados pelos Romanos), mas especialmente na cultura filosófica da Índia, os filósofos/pensadores/religiosos/cientistas primitivos eram treinados de forma a argumentarem sem terem uma fonte de autoridade, porque bastava refutar a fonte de autoridade — pessoal, documental, divinal — que lá se ia o argumento por água abaixo. A argumentação tinha de ser sustentada apenas com recurso à lógica e à observação empírica. Isto criou argumentadores extremamente hábeis. Quer tivessem como fonte de autoridade um deus, demónio, ou livro sagrado, conseguiam mesmo assim entrar em debates muito profundos apenas recorrendo à lógica e à observação, coisa que, por exemplo, os fundamentalistas judaico-muçulmano-cristãos não conseguem (porque não são treinados da mesma forma).

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    1. Onde está «argumento secular» leia-se «argumento circular».

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  2. Vamos a um exemplo para ver como isto funciona, e como ainda hoje é refutável, sem ser preciso o apelo à autoridade. A um representante de uma escola hindu bastante sofisticada foi-lhe pedido que explicasse como é que um ser humano pode ter uma alma imortal fundamentalmente pura e perfeita, se depois se comporta de forma negativa para com as outras pessoas (o problema do Mal...). Claro que isto está escrito que é assim num qualquer livro sagrado, e que os sábios dessa religião de certeza que ouviram isso das palavras do deus que veneram. Mas são fontes de autoridade não reconhecidas por ambas as partes. Portanto foi preciso uma explicação engenhosa: essa alma fundamentalmente pura é como uma lâmpada de luz branca, que é sempre branca e pura, mas que, ao passar pelo véu da mente humana, projecta sombras ou uma luz de uma cor diferente. Essa «cor diferente» é o efeito da mente, e é essa «cor» que é percepcionada pelo próprio e por quem interaje com este — mas a luz branca e pura da tal alma imortal poderá ser visível se essa pessoa usar a prática X ou Y para «purificar» a mente, deixando que esta resplandeça.

    A audiência aplaudiu o argumento, porque parecia muito bem engendrado. Coube então a um ateu refutar esta proposição, também mais uma vez sem apelar a nenhuma autoridade documental ou pessoal. Fez apenas ver duas falácias no argumento: primeiro, que o hindu estava a assumir que a luz branca era intrínseca à lâmpada; como todos sabemos, isso não é nada verdade: a côr depende de imensos factores (o gás que está na lâmpada, a resistência do filamento, etc. etc.). Portanto, usar a lâmpada como analogia de uma «alma» é, para já, mau exemplo — se o digno representante não tivesse um exemplo melhor, então teria de se afirmar que essa «alma», para ser pura, teria de ser composta de partes (as tais que dão a côr à luz da lâmpada); e, se tivesse partes, não poderia ser nem eterna nem imutável, visto que tudo no universo está sujeito à entropia. Mas mais grave do que essa falácia (assumindo que o hindu conseguisse encontrar uma resposta apropriada) é a noção de que a luz branca da «alma», de alguma forma, ao passar pela mente cheia de emoções negativas, muda de qualidade — passa a ser «colorida». Então nesse caso a propriedade de «pureza» da «alma» não era imutável — pelo contrário, ao passar pela tal mente vulgar ou comum, a «pureza» é corrompida. Ora isso refuta o argumento desta alma incorruptível e primordialmente pura — se qualquer coisinha pode mudar as suas características. Logo, o que quer que o hindu quisesse estar a descrever como «alma» não era nem pura, nem imutável, nem eterna, nem imortal — não era, pois, uma «alma». A audiência, composta essencialmente de teístas, ficou muito incomodada com esta explicação, e terminou assim o debate.

    Este tipo de coisas faz parte da tradição filosófica da Índia, e esteve no seu auge entre os anos 400 e 1000 da era comum, mas nunca se perdeu totalmente. Nesses tempos havia mesmo uma regra, que era de que quem perdesse um debate lógico se tinha de converter às proposições filosóficas de quem vencia o debate, o que era bastante duro de aceitar :) Mas obrigou a que os proponentes dos vários sistemas filosóficos estudassem como o caraças para se saírem bem nos debates, e que, como consequência, muitos dos sistemas filosóficos que chegaram aos nossos dias fossem apenas os «sobreviventes» de séculos de debate e argumentação.

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  3. Depois os muçulmanos chegaram à Índia e deram cabo de tudo :) pelo que grande parte desta tradição de debate se perdeu :) No caso europeu, foram os cristãos que deram cabo do pouco que ainda se preservava da tradição grega de debate — e que mais tarde assimilaram os filósofos de quem gostavam e tornaram os restantes anátema :)

    Isto só para acrescentar que a tradição de debater sem usar fontes de autoridade é preservada no pensamento científico moderno, pois todo este pensamento pode, de facto, ser sustentado pela lógica e pela observação. O apelo à autoridade, quando esta é reconhecida por ambas as partes, só facilita o trabalho de argumentação — mas não é uma «substituição» do mesmo. É um «atalho» conveniente. Mas qualquer cientista que se preze, conhecedor da sua área, saberá fundamentar os seus argumentos sem apelar a nenhuma autoridade. Do lado da religião ocidental, pelo contrário, perdeu-se completamente esta tradição, e, como tal, não há sequer qualquer possibilidade de debate quando a fonte de autoridade não é reconhecida por ambas as partes.

    Do lado indiano não é bem assim, ainda há sistemas filosóficos que perduram até aos nossos dias e que não requerem de todo o apelo à autoridade, seja esta documental ou pessoal. Mas são poucos. Não há erudito cristão ou muçulmano que consiga aguentar mais do que cinco minutos num debate com eles :) Na tradição judaica preservou-se alguma da tradição de debate, é certo, mas como só debatem entre eles, usam todos as mesmas fontes de autoridade; mais uma vez, se forem colocados num debate em que não possam usar nenhuma fonte, terão as mesmas dificuldades de argumentação que os cristãos e os muçulmanos (embora talvez se safem durante um quarto de hora :) ). De qualquer das formas, não há um encorajamento tácito de que os praticantes devem aprender a debater sem recorrer a fontes de autoridade.

    Já sei agora que o perspectiva vai escrever que Deus é uma fonte de autoridade que não se pode negar, e a Bíblia que mandou escrever é um documento factual cuja autoridade não pode ser contestada porque foi Deus quem inspirou os autores a escrevê-la :) — demonstrando justamente o problema da falácia da autoridade quando ambas as partes no debate não concordam com as respectivas fontes de autoridade...

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  4. Ludwig

    E é exactamente pelas razões que enumeraste no teu post que não te considero uma autoridade credível em temas religiosos.´Não te junto no saco de outras falsas autoridades porque cada caso é um caso.

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  5. Luís:

    O judeismo sempre foi mal interpretado por cristão e muçulmanos. O judeismo é muito mais a tradição os símbolos e os sinais que a adoração a um Jeová. O velho Jeová não e mais que as cinco letras do hebraica antigo. E nas suas diversas combinações está tudo o que se possa conceber. É o poder da palavra especialmente escrita.

    Os católicos e Muçulmanos é que leram os livros na diagonal e nem perceberam pevas. Para um judeu é borrifante se os seus antepassados estiveram ou não no Egipto. Se foram escravos. libertados, se atravessaram o deserto a pé ou de camelo. O importante e preservar os símbolos e os sinais.

    Claro que há os judeus ultra-ortodoxos ou simplesmente parvos que caiem nos mesmos erros. Há gente menos inteligente em toda a parte.

    O judeismo tem algumas semelhanças com a Maçonaria. O importante são os sinais, ritos e símbolos não a adoração a um Grande Arquitecto ou a Jeová.

    Qualquer judeu se ri da interpretação criacionista do Génesis. Numa leitura primária está uma discrição do inicio. Era a leitura dada ao povo. Numa leitura mais atenta estão os símbolos e sinais que unem um povo.

    Ainda há dias estava na Sinagoga Velha Nova de Praga. Estavam uns turistas franceses e uma miúda perguntou ao Rabi se os judeus antigamente acreditavam no Golém.

    O Rabi sorriu e disse-lhe que nem todos. Só os que precisavam dele.Trocamos um sorriso e a miúda ainda percebeu menos.

    O Golém, que por vezes me dá vontade de soltar ao Perspectiva, é um conceito muito judaico. Difícil de entender por cristãos ou muçulmanos.



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    1. De acordo — o meu ponto também não se limitava meramente à «adoração de deuses» mas sim à capacidade de explicação fornecida e à defesa em debate de explicações sobre o universo e a consequente moral e ética daí deduzida.

      Obviamente que se a resposta para determinado comportamento for meramente: «porque é assim a nossa tradição; queremos lá saber o que Javé pensa ou sequer o que os eruditos pensam no assunto; a nossa tradição é assim e assim a preservamos» não há argumentação plausível. Seria tão inútil como perguntar porque é que os homens usam fato e gravata — é tradição, mais nada, não tem nada a ver com lógica.

      Agora se quiser postular que os homens são pessoas melhores por usarem fato e gravata, já terei de argumentar com um pouco mais de lógica para defender esse argumento. Dizer «porque é assim a tradição e pronto» não é um argumento :)

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    2. Repara o importante em si não é a tradição mas o existir uma tradição. A tradição seja de fato e gravata ou todos nus une as pessoas. A lógica é um bocado do porque sim. Repetições cerimoniais resultam na unidade do grupo independentemente da cerimónia ser assim ou assado desde que siga um ritual "muito antigo". Este "muito antigo" até pode ser patranha da grossa. Desde que seja visto pelas pessoas assim funciona.

      Um factor de união dos católicos é a missa. O santo sacrifício que e uma repetição. Mudar a missa como fez o Vaticano II e um risco.

      Se já leste livros infantis a uma criança sabes que ela quer que lhe leias a mesma história várias vezes. Faz sempre o mesmo ar de novidade quando lês. Se errares ou inventares uma frase a criança vai reclamar.

      Ela sabe a história de cor mas quer que a repitas.

      Um ritual tem este aspecto. É um factor de coesão do grupo porque sim.

      É a história infantil repetida - desde tempos imemoriais - mesmo que não tenha tanto tempo assim.

      Nós como seres emocionais - vide o Damásio - se associarmos sinais, símbolos e repetições mais facilmente assimilamos as coisas.

      Há muito disto na cultura judaica.

      Um provérbio judaico, prático como é quase tudo no judaísmo e assim:

      "Nem que a casa do Senhor esteja a arder isso é motivo para interromper uma aula"

      E repara que os templos serviam também de escolas. Mesmo com as chamas tão perto não devemos deixar de aprender.

      Não e por acaso que seis milhões de judeus, com outros tanto na Diáspora mas detentores de saber, fazem a vida negra a mil milhões de muçulmanos que juram destruir Israel.

      O velho Jeová, as cinco letras do alfabeto, aquele cujo nome são todos os nomes, a permutação e combinação das 5 letras, está do lado deles.



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    3. são todos os nomes num alfabeto de 5 letras?

      bolas que deus tão krippahlianus

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  6. Antonio Parente:


    Sem estabeleceres a legitimidade dessa autoridade primeiro é irrelevante se consideras o Ludwig uma delas ou não.

    Se estabeleces a autoridade através de argumentos que só funcionam para o teu caso especial, então aceitas que todos possam fazer isso, e perdes a existencia de autoridades.

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  7. António Parente,

    «E é exactamente pelas razões que enumeraste no teu post que não te considero uma autoridade credível em temas religiosos»

    E fazes muito bem. Os meus argumentos devem ser avaliados por si e não lhes deve ser atribuído mais mérito só por ter sido eu a apresentá-los. Nisto acho que estás a tomar a opção correcta. Por exemplo, se eu argumento que não pode existir um ser omnipotente, omnisciente e infinitamente bom porque, se existisse, nunca deixaria que crianças pisassem minas, a força desse argumento não deve vir da fonte que o apresenta mas sim da incompatibilidade entre ser bom e deixar que uma criança pise uma mina quando a podia avisar.

    Onde erras é em não aplicar os mesmos critérios a outras fontes, como os autores da Bíblia, os padres, o Papa e afins. Nesses casos, há muita coisa em que tu confias em virtude apenas de vir de quem vem. Por exemplo, que Deus é três pessoas numa só substância, alegação para a qual não me parece que tenhas evidências concretas. É essa aceitação de alegações por argumentos de autoridade quando as autoridades são falsas que é um erro.

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  8. O caso do amor é muito interessante que venha sempre à baila por quem não admite que o amor não possa ser motivo de uma escolha, quanto mais meio de conhecimento (que nunca é, tal como o medo, o nojo, etc não é forma de conhecimento). Estou a pensar sobretudo no sentimento homofóbico que está quase sempre associado a duas das maiores religiões terrestres.

    Quantos saíram às ruas contra o casamento por amor homosexual?

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  9. Miguel,

    «Para além do problema da autoridade pessoal, há o da autoridade documental.»

    Acho que é o mesmo. No fundo, estás a avaliar a autoridade do autor do documento. O documento é apenas a forma como o autor exprimiu a sua tese.

    «Se houverem outros documentos que apontem no mesmo sentido»

    De autores independentes. Se forem cópias de um original, adaptações, ou várias edições do mesmo autor não podemos contar como sendo evidência de consenso.

    «Ora quando se discute com fundamentalistas religiosos, o problema é que não estão habituados a discutir desta forma »

    Também discordo. Na minha experiência, muitos crentes religiosos estão habituados a analisar questões de forma crítica e imparcial, sabem avaliar se a autoridade é legítima, sabem avaliar se as evidências suportam certa hipótese e assim. Por exemplo, tenho colegas muito religiosos que me parecem ser tão competentes nisto como qualquer outra pessoa.

    A diferença é que, para aquele conjunto de crenças religiosas a que aderem – normalmente desde tenra infância – nada disto se aplica. É como um universo à parte onde as regras do bom senso que aplicam em tudo o resto são suspensas e substituídas por uma abordagem que, noutro contexto, rejeitariam de imediato como disparate. E isso é o que mais me impressiona nestas coisas...

    «Depois os muçulmanos chegaram à Índia e deram cabo de tudo :) pelo que grande parte desta tradição de debate se perdeu :) No caso europeu, foram os cristãos que deram cabo do pouco que ainda se preservava da tradição grega de debate — e que mais tarde assimilaram os filósofos de quem gostavam e tornaram os restantes anátema :)»

    Mais uma vez … :)

    Isto parece-me uma simplificação enganadora. Até ao movimento reformador, o cristianismo tinha muito deste tipo de debates e os melhores “debatedores” eram até muito louvados como doutores da religião. E até desenterraram e adaptaram muita coisa dos gregos (que lhes chegou precisamente pelos muçulmanos, também adeptos destas coisas).

    O problema, parece-me, surgiu quando o progresso científico e social começou a permitir dúvidas sobre as premissas centrais destas religiões. Enquanto se debate o sexo dos anjos anda tudo bem, mas quando se põe em causa coisas como a autoridade do Papa, a idade da Terra ou a estrutura do sistema solar a coisa pia mais fino.

    Por isso o que temos é um percurso religioso que parte do debate filosófico, entra na coerção e força bruta quando começa a perder os argumentos – Galileu, por exemplo – e chega finalmente à birra disparatada quando já nem para isso têm poder político. Na Europa estamos nessa fase, mas em muitos países muçulmanos ainda estão na fase da força bruta.

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  10. "Os meus argumentos devem ser avaliados por si e não lhes deve ser atribuído mais mérito só por ter sido eu a apresentá-los."

    Não acho nada. Acho que és uma autoridade em ateísmo e isso é difícil de contestar logo se tu dizes que Deus não existe só podes estar certo.

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  11. Por acaso isso dos documentos lembra-me as discussões antigas com comunistas.

    Eu sou tão antigo que ainda havia comunistas e pelos púbicos !

    As únicas fontes aceites por eles era material editado por comunistas. Tudo o resto eram mentiras contra-revolucionárias.

    Claro que assim era fácil!

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  12. Um pequeno contributo, por razões mais imediatas do que a «autoridade».

    Independentemente do que são «fontes credíveis» quando falamos de religião, isto vi eu com os meus próprios olhos: o estaminé onde pregou o cardeal Bergoglio antes de o fazerem papa chama-se catedral »metropolitana» e assim que passamos o pórtico neoclássico mais piroso da hitória da construção civil encontramos à direita um Jesus Cristo montado num jumentinho recebendo, em gesso pintado, os católicos praticantes. Mesmo em frente na nave (e era aqui que eu queria chegar) deparamos com o Arcanjo Gabriel de arco e flecha, aliás muito bem vestidinho, subjugando com um dos pés a cabeçorra de um demónio.

    Nesta mesma peça de arte católica «metropolitana», logo abaixo do pé do Arcanjo e da cabeçorra do demónio, somos convidados por uma ranhura a depositar algum numerário de modo, deduz-se, a que o Arcanjo «nos livre a nós do nosso próprio demónio». Recordo que esta inscrição ocorre na catedral metropolitana que produziu o indivíduo mais versado no mundo em catolicismo.


    Isto são os factos. Agora a minha pergunta ao Carlos Leal: se alguns católicos não querem que a igreja viva numa saraivada de atavismos rupestres (que aparentemente os envergonha) porque é que, de uma vez por todas, não se tornam mais exigentes com a igreja em vez de se lançarem nos blogues a defender o indefensável com argumentos de merda? Mesmo sem abdicarem de Deus, caramba. Experimentem assumir os erros mais óbvios e dispensáveis, em vez de alargarem até ao intolerável um espectro de charlatanismo.

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  13. Ludwig,

    «Finalmente, a fonte autoritária tem de ser imparcial. A avaliação de alegações factuais exige a ponderação imparcial das evidências. Quando recorremos a uma autoridade estamos a delegar nela a tarefa de avaliar as evidências e escolher a hipótese que tem melhor suporte. Mas se o perito tem interesse pessoal na defesa de certa hipótese já não podemos confiar que a esteja a indicar por ser objectivamente a que tem melhor suporte. Também pode ser que nos diga que é aquela porque lhe dá jeito. O vendedor de automóveis pode perceber muito de mecânica mas, dado o claro conflito de interesses, não vamos simplesmente aceitar o que nos diz do carro que nos quer vender.»

    A questão é mesmo essa: a autoridade não é a autoridade do Ludwig, nem minha, nem do Papa, nem do Robin dos Bosques... E assim vamos vivendo e escrevendo e pensando e procurando seguir e fazer o que nos parece mais correto. É fundamental que possamos questionar e indagar e rejeitar, com ou sem fundamento, todas as autoridades, dos pais, professores e legítimos (?) superiores, digo, políticos eleitos por processos supostamente democráticos e que exercem o poder com legitimidade supostamente democrática. A Igreja viva não se revê na ostentação de domínio e grandeza das praças de S. Pedro. Aos cristãos deprime que Jesus seja pretexto para vaidades e megalomanias. Os cristãos têm sobrevivido e sobreviverão aos próprios pecados. As sociedades organizam-se em torno de iconografias e figuras de autoridade, tipo Passos Coelho, ou Sócrates, S. Bento, ou Sé de Braga...Ou Dínamo de Kiev...Os devotos deste tipo de iconografias são conhecidos e compreende-se por quê. O problema está no quererem fazer disso uma "autoridade". E todos sabemos que só raramente, ou nunca, alguém consegue ser atendido nos seus argumentos, mesmo contra falsas autoridades, se não tiver do seu lado alguma forma de autoridade. Até na investigação científica é assim. Agora, no que respeita às críticas e aos ataques à igreja católica, não é com duas tretas que ela sai beliscada. É como se alguém, que não estudou física, nem química, pretendesse arrasar com duas de paleio as teorias do Einstein e dos Curie. Mesmo que, por hipótese, estivesse cheio de razão.

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  14. Carlos :

    Aqui tem razão

    Agora, no que respeita às críticas e aos ataques à igreja católica, não é com duas tretas que ela sai beliscada. É como se alguém, que não estudou física, nem química, pretendesse arrasar com duas de paleio as teorias do Einstein e dos Curie. Mesmo que, por hipótese, estivesse cheio de razão

    O chato é que o jovem Einstein beliscou e de que maneira a física.

    Que não era com duas, três ou mais tretas beliscada....

    O problema, como o Ludwig bem apontou, foi que o cerne da teoria cristã não foi beliscada mas fortemente mordida.

    Não temos sequer pálidos indícios que Jesus tenha existido e , na remota hipótese de ter existido, não fazemos a menor ideia do que terá dito.

    Temos uma Bíblia , ou muitas que isso depende dos livros e da versão, que no mínimo não é muito fiável.

    No fundo temos de acreditar porque sim.

    Como o Luís disse : que a Bíblia é a palavra de Deus porque na Bíblia diz que é assim. E a Bíblia é a palavra de Deus.

    É um problema complicado.

    Eu sei que salvar isto é importante.

    Eu já tive negócios que tive de abandonar.

    Há negócios que as pessoas acabam por abandonar. Houve uma altura que as pessoas achavam bom negócio o time-sharing.

    Era um bom negocio - dava 40 % de comissão de venda - e as pessoas compravam.

    Agora vender time-sharing é um pesadelo

    A religião é assim. Tem de inovar.

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  15. Carlos Soares,

    «Agora, no que respeita às críticas e aos ataques à igreja católica, não é com duas tretas que ela sai beliscada. É como se alguém, que não estudou física, nem química, pretendesse arrasar com duas de paleio as teorias do Einstein e dos Curie.»

    Ou, como diria a Maya, não negue à partida uma ciência que desconhece.

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    1. Ludwig,

      a Maya é a tua grande preocupação? Escreve-lhe.

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  16. Ludwig:

    A igreja não percebeu o sarilho em que se meteu quando teve que lidar com democracias e liberdade religiosa.

    Achou piada ao principio e optou, mal na minha opinião, por fazer reformas internas de forma a lidar melhor com o problema.

    Os partidos comunistas que mudaram de linha para se adaptarem ao fim da URSS lixaram-se.

    A ICAR penso eu que caiu no mesmo problema.

    O PC português continua firme e hirto. Até ao ultimo velhinho morrer.

    Mudam-se os tempos e mudam-se a vontades.

    O cristianismo tem de partir para novos mercados : África e Ásia. E com novos métodos.

    Talvez se safem.

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  17. Sousa da Ponte

    «O chato é que o jovem Einstein beliscou e de que maneira a física.»

    Chato,porquê?

    «Não temos sequer pálidos indícios que Jesus tenha existido e , na remota hipótese de ter existido, não fazemos a menor ideia do que terá dito.»

    sabe que eu ainda daria mais valor às histórias da Bíblia, se isso fosse possível, se pensasse que foram inventadas?
    Já pensou nisso?

    Deixem-se de perseguições e de teorias da conspiração e façam alguma coisa de vulto que tenha valor e que se veja.
    Tente vender as suas teorias aos cientistas curiosos, porque os analfabetos nem lêm uma palavra.

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  18. "sabe que eu ainda daria mais valor às histórias da Bíblia, se isso fosse possível, se pensasse que foram inventadas?"

    Acha que são divinas? MEDO.

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  19. Sousa da Ponte:

    "O cristianismo tem de partir para novos mercados : África e Ásia. E com novos métodos.

    Talvez se safem."

    Sim, eles estão a fazer isso onde podem. Segundo consta são a religião em maior crescimento na China. Provavelmente, pelo menos, vamos deixar de ter de levar sempre com a China como argumento contra o ateismo. Agora é um argumento contra o cristianismo.

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  20. Olá. Eis-me de volta.
    Todavia , Ludwig, e desde já o digo, n serei colaborar recorrente do teu blogue: a) porque não tenho a tua invejável (não ironizo!) prolixidade b) (e também não ironizo, nem desvalorizo) porque estou mais empenhado noutras coisas.
    Sobre o teu texto: regresso ao já afirmado! Creio que a 'coisa' está no método. Por um lado não te considero preciso no método: sempre, mesmo sempre, para ti "objectivo" significa controlável: matematica/, estatisticamente/, dentro de algum sistema passível de demonstração 'cientifico'! Mas isso é pobre Ludwig! Filosofica, humanamente pobre!
    O objectivo "existencial" é muito importante como lugar de humanização. Daí que estejamos sempre a procurar ser 'objectivos' e a desejar que os nossos filhos sejam 'realistas' (coisa muito próxima de objectivo).
    Pronto, apanhaste-me? Eis que me denuncio como um incapaz intelectual? Não Ludwig, apenas não aceito o teu o imperialismo gnoseológico!
    Aliás, do lado donde te leio, vejo p'ra aí muito confusão semântica: ora usas "autoridade" ora "autoritário" sendo que a diferença, por exemplo, é mesma que vai entre arbítrio e arbitrário; eu falo de amor, tu entusiasmas-te e falas de paixão (da literatura à psicologia, passando pela tarefa do educador ao casal de namorados ou à família com 20 anos de relação a coisa é diferente!).
    Por outro lado, espero da tua lealdade que não reduzas o que eu digo: por alguma razão te disse que "coração" na Bíblia tem um significado mais vasto do que na literatura contemporânea: qualquer dicionário médio de 'ciência' bíblica indica que o coração é um lugar muito mais parecido com o que hoje entendemos por cérebro e consciência mas também, e ainda, memória, afecto etc De igual modo também reduzes o que eu digo ao fazer confusão ao dizer que considero que o amor é a "antítese" da ciência. Bom, dá para perceber que sou cristão. Aliás, católico. Acontece que isso da antítese é uma categoria muito pouco nossa. Da nossa parte, nós falamos de "polaridade": por exemplo, singularidade/totalidade; afinidade/diversidade; unidade/pluralidade. Acredita: é raro um cristão dizer ou/ou! à disjuntiva nós preferimos a copulativa "e"!
    (segue)

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  21. Surpresa, porém! Sinto-te muito perto daquilo que entendo por confiança no frase em que afirmas: "Enquanto a minha decisão de casar foi muito influenciada pelo que sinto, o que sei acerca da pessoa com quem casei não resulta do “coração” [ conquanto se inclua a rectificação que faço acima acerca de coração] mas sim de um grande conjunto de dados objectivos, acumulados durante duas décadas, que me permitiu formar opiniões de forma científica, num sentido lato do termo." É por aí que ando Ludwig: tu cientista, bloguista, educador de gente enfeitiçada com o cristianismo, dizes qualquer coisa que subscrevo como cristão: há razoabilidade nesta equação fundadora: relação > conhecimento > confiança toda ela sobre o denominador comum dessa mesma razoabilidade! Bingo!
    Donde, e voltando ao tema do "método" (caminho (hodos) para chegar além (metá)), parece-me que lutas por dizer que o mundo é o que está cartografado dentro do teu "método"/sistema: cientifico? Não, de "fé". Naquela fé de que Deus, a existir, tem que ser cientificamente=objecitvamente demonstrável. Acontece que é isso mesmo que uma filosofia medianamente fina repudia como "positivismo" (reciclável em muitas versões e sob muitas marcas), em torno da adesão ao conceito de transcendência (dimensão não da "superstição" como teimas em dizer, numa impressionante "intolerância" gnoseológica). Portanto, de um filosofia para quem Ele é o Outro, portanto, "in-cartogafável". Pelo que, lamento, não te reconheço senão arbitrariedade, com pretensão de autoridade, ao proibir que o Outro exista, numa outra acessibilidade que não a da tua "ciência". Estando disponível, isso sim, se o acolheres na fé, ou seja, na disponibilidade, verificada na existência, de que há gente que merece fé, quando me fala de fé. E nesse caso Francisco, não está mal colocado, ele que até cursou química...

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  22. Carlos Leal,

    « Por um lado não te considero preciso no método: sempre, mesmo sempre, para ti "objectivo" significa controlável: matematica/, estatisticamente/, dentro de algum sistema passível de demonstração 'cientifico'!»

    Não. É o contrário. Eu não quero limitar o domínio do objectivo à tua noção da ciência como algo restrito ao matemático e demonstrável. Pelo contrário, o que defendo é que a ciência abrange toda a categoria do que é objectivo, e esta define-se simplesmente por ser aquilo que não depende da opinião de ninguém. Se gostas de ervilhas ou acreditas no Pai Natal é subjectivo. Se está a chover, se o cheiro da rosa é perceptível aos humanos ou se a Lua alguma vez foi feita de queijo são questões objectivas que, por isso, estão no domínio da ciência mesmo que não se formule respostas matemáticas, demonstráveis e essas coisas.

    «parece-me que lutas por dizer que o mundo é o que está cartografado dentro do teu "método"/sistema: cientifico?»

    Não. O que estou a dizer, fundamentalmente, é que a correspondência entre aquilo que se afirma acerca do mundo e aquilo que o mundo é não é função daquilo que gostaríamos, das nossas esperanças ou anseios, ou da nossa fé. Por isso, quando queremos averiguar se alguma alegação acerca daquilo que o mundo é corresponde à realidade temos de considerar o problema de forma objectiva (i.e. focando os aspectos que não são função do sujeito).

    É isso que peço quando me dizes que o Papa é maior autoridade acerca do Diabo do que os espíritas ou o Gabrielle Amorth. Pondo de parte a tua fé, as tuas convicções subjectivas e essas coisas que te dizem respeito a ti mas que nada têm que ver com o problema de avaliar a adequação de proposições à realidade, que evidências objectivas podes apresentar que justifiquem aceitar essa hipótese?

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  23. Carlos Soares,

    «a Maya é a tua grande preocupação? Escreve-lhe»

    Não é a Maya em si, mas os argumentos da treta como os da Maya, os teus, os da Igreja Católica, etc. Daí ser um tema frequente neste blog.

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  24. “O que defendo é que a ciência abrange toda a categoria do que é objectivo, e esta define-se simplesmente por ser aquilo que não depende da opinião de ninguém.”

    Et voilà!
    Comte não diria melhor! Coisa curiosa: a tua definição de “objectivo” é uma ideinha por demais subjectiva! A tua ciência abrange toda a categoria do que é objectivo. Cuidado com esse pronome indefinido: “toda”... Atenção a essas tentações “totalitárias” que quando não resolvidas na modalidade exacta surgem sublimadas, por exemplo nessa pretensão totalitária de uma ciência total!
    CL
    Dois ou três exemplos para descontrair: a arte é um fenómeno objectivo, as razões pelas quais Rothko vale mais do que Palolo, são objectivas. Boa sorte, porém na tua tentativa de fazer toda a ciência sobre a coisa...
    O juiz avalia objectivamente o sujeito que está diante dele. De facto, no século XIX mentes algo toscas, positivistas e bastante totais na sua pretensão cientifica, pretenderam que pela palpação do crânio saberiam determinar do carácter do criminoso. Bom ,é óbvio que me responderás que isso eram coisas do século XIX etc,etc. Cuidado, não vás tu ser o ridículo do séc XIX no séc XXI: "o que defendo é que a ciência abrange toda a categoria do que é objectivo, e esta define-se simplesmente por ser aquilo que não depende da opinião de ninguém”...
    A pretensão de fazer arte, pintura e musica e o que mais seja “cientifico" tem um nome e lugar no nosso tempo: URSS.
    Quanto ao mais, não desprezes o adversário: essa tua necessidade de juntar a Igreja católica a tudo o que é indigência cultural soa mais a fantasmas. Cuidado,nem sempre consegues ser isento e cientifico. Ficas tomado de paixão, tu que "o que defendes é que a ciência abrange toda a categoria do que é objectivo, e esta define-se simplesmente por ser aquilo que não depende da opinião de ninguém”... E a tua opinião está excitadíssima nesta coisa da religião católica. E vai daí perderes a oportunidade de apreender, tu que não consegues distinguir sabores religiosos...
    E pronto, vou hibernar, agora que chegaram estes dias maravilhosos de primavera, nos quais Deus faz surgir a Sua obra objectiva, sobre crentes e não crentes, para louvor de uns e benevolência sobre todos.

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  25. Carlos,

    « a arte é um fenómeno objectivo, as razões pelas quais Rothko vale mais do que Palolo, são objectivas»

    A arte é um fenómeno objectivo, enquanto tal. Aplica-se uma força no mármore e ele parte de certa maneira, a luz é absorvida pelo pigmento de forma que depende da cor, etc.

    Mas o valor da arte é subjectivo. Mesmo que inventes um conjunto de critérios objectivos pelos quais uma obra de arte vale mais do que outra para ti – por exemplo, o número de palavras num poema – a decisão de usar esse critério objectivo como medida de valor é totalmente subjectiva.

    Tal como o exemplo do amor, este também só parece fundamentar a tua posição pela confusão (muitas vezes consciente) entre aspectos subjectivos e objectivos.

    Quanto aos teus conselhos daquilo que devo ter cuidado ou não, objectivamente são o que são e, subjectivamente, valem o que valem :)

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  26. Bem, mais valia dizer que não gostas de arte! Aquilo que chamas “objectivo” (uma força no mármore e ele parte de certa maneira, a luz é absorvida pelo pigmento de forma que depende da cor...) eventualmente poderá ser arte mas não por aquilo que tentas descrever (e não consegues!). Com efeito, o que dizes resulta bastante insuficiente e incaracterístico: essa "força no mármore e ele parte de certa maneira, a luz é absorvida pelo pigmento de forma que depende da cor" pode ser, de facto, material do qual se fará arte mas não é ainda a própria da arte. De facto, pode também ser descrição da construção civil, ou de um raio que atingiu as pedreiras de Estremoz e deixou um rasto negro na superfície atingida. A arte é objectiva por outra razão que tardas em considerar: as palavras são polisémicos e tu não ultrapassas o significado ‘único’ que certas palavras têm no teu universo (desculpa insistir de novo, universo que me parece bastante dogmático); por conseguinte, a arte é objectiva porque objectivo etimologicamente deriva de ob (contra, no sentido de perante, como em)-iacere (deitar, lançar jazer). Portanto objectivo é o que está "está perante". Ou seja, quem proíbe a pedra de estar objectivamente perante mim? Apenas a minha subjectividade se não a acolhe porque "estou noutra". Todavia não preciso de pedir autorização à ciência para saber o que é a pedra. E se trilhar esse caminho, poderá ocorrer que começo a retirar da pedra o que ela tem a mais de disforme de um modo tão genial que retiro dela a bela forma, como diria um tal de Miguel Ângelo. Pergunto, porque é que a tua operação cientifica fechada e obsessivamente 'contabilistica' é mais objectiva do que a minha de pedreiro livre, capaz de por a pedra a falar-nos, e isto de um modo tão universal e objectivo que gerações e gerações se aproximam para olhar tal pedra falante?... Poesia? Agradeço o elogio. Arte, portanto, objectivamente arte, avaliável por professores, mestres, publico, gente e gente...
    segue

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  27. Subjectiva, e aí concordo contigo, é a pulsão de muita arte que se pretende tal e que carece em absoluto do explicador que tem que fazer conferências tal como se fora um cicerone espumando aleivosias para ultrapassar a subjectividade indecifrável da coisa (donde, e não me leves a mal, achar que estás mergulhado nesse entendimento autofágico de uma incerta arte de destino certo, que é o de futuro valer nada!)
    E já agora, terá sido um frade, um tal Duns Scoto, a trazer este termo para o vocabulário da filosofia!

    Acresce que afirmar que alguém poderá preferir um poema a outro "por causa o número de palavras num poema" é um exemplo que manifesta objectivamente que não sabes o que é poesia!
    Portanto e a terminar, afirmar que o "valor da arte é subjectivo. Mesmo que inventes um conjunto de critérios objectivos pelos quais uma obra de arte vale mais do que outra para ti a decisão de usar esse critério objectivo como medida de valor é totalmente subjectiva." revela, parafraseando um exemplo teu, que pretendendo tu seres mestre de astronomia, te manifestas um desastre (sinal de que perdeste o astro...), cuja opinião não tem qualquer relevância na 'coisa'. Com efeito, desses que acham que a medida de valor é totalmente subjectiva está Montmartre cheia, eles que esperam a hora em que alguém lhes reconheça a subjectiva razão de se considerem fora de série. Portanto, gente dessa raça de frustrados de que fala o poeta ao dizer "em quantas mansardas e não-mansardas do mundo/Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?"...
    PS: enganei-me ao dizer dois post antes que iria hibernar. Mas só amanhã o faço em viagem de uma semana ao Brasil.

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  28. A objectividade da arte é esta:

    Descobre uma assinatura de Picasso num gatafunho e ele passa a ser arte. Ou numa cópia da Mona Lisa. Ou que uma peça está a ser tocada num Stradivários e esse músico passa a ser do bons (de facto, jovens músicos aspiram a poder tocar nos Stradivários e semelhantes para ganhar reputação). Isto é objectivo. São coisas a que podemos deixar cair a verificação independente em cima. Mas não é algo que seja intrinseco da peça. É algo que é lá posto por quem sabe os pormenres.

    Mas se falas no valor intrínseco de uma peça? Isso é muito mais complicado de estabelecer.

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  29. Carlos Leal,

    «Acresce que afirmar que alguém poderá preferir um poema a outro "por causa o número de palavras num poema" é um exemplo que manifesta objectivamente que não sabes o que é poesia!»

    Se não tens tempo para ler o que eu escrevo com o mínimo de atenção, não me importo de continuarmos isto noutra altura quando tiveres mais disponibilidade. Mas assim o diálogo não está a ser produtivo.

    Tu afirmaste que «a arte é um fenómeno objectivo, as razões pelas quais Rothko vale mais do que Palolo, são objectivas». Isso foi o que eu disse ser confusão entre aspectos objectivos e subjectivos da arte. O número de letras de um poema é um aspecto objectivo. Não porque « objectivo é o que está "está perante".», coisa que nem sequer percebo em concreto o que quer dizer, mas porque o número de letras daquele poema escrito naquele papel é um atributo daquele objecto e não depende de qualquer sujeito.

    Quando afirmas que «Acresce que afirmar que alguém poderá preferir um poema a outro "por causa o número de palavras num poema" é um exemplo que manifesta objectivamente que não sabes o que é poesia!» estás a confundir novamente objectivo com subjectivo. Se o número de letras de um poema o torna melhor poesia ou não não é um atributo do objecto em si. É uma decisão que tem de ser tomada por algum sujeito. Tu, subjectivamente, podes achar que o número de letras não é uma boa medida da qualidade de um poema. Eu, subjectivamente, concordo. Mas o poema, objectivamente, não tem entre os seus atributos de objecto qualquer critério de avaliação da sua qualidade, ou até do seu estatuto como obra de arte ou lixo, porque tais escolhas de critérios de avaliação não podem ser feitas por manchas de tinta num papel. Só podem ser feitas por sujeitos. E sujeitos diferentes podem (ou não) escolher critérios diferentes.

    A ciência é o estudo dos objectos, que inclui também os sujeitos, mas enquanto objectos. Por exemplo, a ciência pode determinar que tipo de música a maioria dos europeus do sexo masculino entre os 18 e 35 anos de idade considera ser a melhor música. Isso é uma questão objectiva porque a resposta depende apenas desses objectos que estamos a considerar. A ciência não pode determinar que tipo de música é melhor porque essa coisa de ser melhor não é um atributo da música em si. Não é algo que se possa responder apenas pela análise do objecto sem incluir alguma apreciação subjectiva e, nesse caso, a resposta já dependerá do sujeito.

    Os teus exemplos ultimamente têm sempre misturado estas duas coisas e, quando as distinguimos, deixam de servir para o que pretendias que servissem.

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  30. CONSELHOS À MARIA MADALENA TEODÓSIO (E AO LUDWIG!)

    Para saber pensar criticamente (e lidar facilmente com os autoproclamados “macacos tagarelas” (sic) ateístas e evolucionistas como o Ludwig, a Maria Madalena devia aprender a distinção entre factos observáveis aqui e agora pela ciência experimental e as interpretações impostas a esses factos por evolucionistas com base na sua visão ateísta e naturalista do mundo.

    Entender essa distinção fundamental entre factos e interpretações permite identificar facilmente as falhas no pensamento evolucionista.

    A abiogénese, por exemplo, nunca foi observada na biologia desde que Aristóteles ensinava a geração espontânea da vida.

    E no entanto, os evolucionistas acreditam que a vida veio de elementos não vivos através de processos naturais.

    Em bom rigor, neste caso até estamos perante um exemplo em que os evolucionistas prescindem dos factos para sustentar as suas crenças.

    Os evolucionistas afirmam que organismos vivos novos e mais complexos evoluíram através de processos naturais, embora a biologia apenas mostre que os seres vivos se reproduzem de acordo com o seu género, tal como a Bíblia ensina.

    Os evolucionistas afirmam que as variações nos organismos vivos acabam eventualmente por produzir nova informação genética codificadora de novos géneros de seres vivos, mas a biologia apenas confirma a variação existente dentro de cada género. Tentilhões “evoluem” para… tentilhões! Gaivotas “evoluem” para… gaivotas!

    Os evolucionistas afirmam que as mutações fornecem a “matéria prima” para a evolução, embora a literatura científica apenas comprove que as mutações tendem a destruir informação genética, causando doenças e morte, em vez de criarem estruturas e funções novas e mais complexas.

    Como se vê, existe um grande desfasamento entre os factos observáveis propriamente ditos e as interpretações e especulações que os evolucionistas fazem a partir deles, quando não mesmo sem eles e até contra eles.

    Parafraseando Mark Twain, podemos dizer que com um pequeno investimento em factos os evolucionistas são capazes de conseguir um grande retorno em especulações…


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  31. LUDWIG KRIPPAHL (LK) ENCONTRA O FILÓSOFO SÓCRATES E DIALOGA COM ELE SOBRE AS ORIGENS


    LK: Sabes Sócrates, estou convencido de que os micróbios se transformaram em microbiologistas ao longo de milhões de anos e que os criacionistas fazem alegações infundadas acerca dos factos.

    Sócrates: A sério? Grandes afirmações exigem grandes evidências!! Quais são as tuas? Se forem realmente boas, convencerão certamente os criacionistas!

    LK: É simples! O meu “método científico”, o meu “naturalismo metodológico”, o meu “empírico”, a minha “abordagem dos problemas” e o “consenso dos biólogos” são infalíveis. Se os criacionistas soubessem bioquímica, biologia molecular, genética, geologia, etc., poderiam observar que:

    1) moscas dão… moscas!

    2) morcegos dão… morcegos!

    3) gaivotas dão… gaivotas!

    4) bactérias dão… bactérias!

    5) escaravelhos dão… escaravelhos!

    6) tentilhões dão… tentilhões!

    7) celecantos dão… celecantos (mesmo durante supostos milhões de anos)!

    8) guppies dão… guppies!

    9) lagartos dão… lagartos!

    10) pelicanos dão… pelicanos (mesmo durante supostos 30 milhões de anos)!

    11) grilos dão… grilos (mesmo durante supostos 100 milhões de anos)!

    Sócrates: Mas, espera lá! Não é isso que a Bíblia ensina, em Génesis 1, quando afirma, dez vezes (!), que os seres vivos se reproduzem de acordo com o seu género? Os teus exemplos nada mais fazem do que confirmar a Bíblia!

    LK: Sim, mas os órgãos perdem funções, total ou parcialmente, (v.g. função reprodutiva) existem parasitas no corpo humano e muitos seres vivos morrem por não serem suficientemente aptos…

    Sócrates: Mas…espera lá! A perda total ou parcial de funções não é o que Génesis 3 ensina, quando afirma que a natureza foi amaldiçoada e está corrompida por causa do pecado humano? E não é isso que explica os parasitas no corpo humano ou a morte dos menos aptos? Tudo isso que dizes confirma Génesis 3!

    Afinal, os teus exemplos de “método científico”, “naturalismo metodológico”, “empírico”, “abordagem dos problemas” e “consenso dos biólogos” apenas corroboram o que a Bíblia ensina!! Como queres que os criacionistas mudem de posição se os teus argumentos lhes dão continuamente razão?

    Não consegues dar um único exemplo que demonstre realmente a verdade daquilo em que acreditas?

    LK: …a chuva cria informação codificada…

    Sócrates: pois, pois… e as gotas formam sequências com informação precisa que o guarda-chuva transcreve, traduz, copia e executa para criar as máquinas que fabricam disparates no teu cérebro…

    …olha Ludwig, não passas de um sofista e de má qualidade… …o teu pensamento crítico deixa muito a desejar… … se fosses meu aluno em Atenas tinhas chumbado a epistemologia, lógica e crítica…

    …em meu entender, deverias parar para pensar e examinar a tua vida, porque uma vida não examinada não é digna de ser vivida…

    …e já agora, conhece-te a ti mesmo antes de te autodenominares “macaco tagarela”…


    P.S. Todas as “provas” da “evolução” foram efetivamente usadas pelo Ludwig neste blogue!




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  32. LUDWIG CONCORDA COM OS CRIACIONISTAS: NÃO EXISTE QUALQUER CAUSA NATURAL PARA O UNIVERSO!

    Apesar de criticar os criacionistas por apresentarem hipóteses não testáveis (o que é um absurdo porque, por definição, se a evolução pode ser testada, a ausência de evolução também!) a melhor explicação para o Universo que o Ludwig consegue propor consiste em dizer que ele surgiu do nada sem causa!

    Algum cientista conseguiria testar isso no terreno ou em laboratório?

    Não! Os cientistas apenas operam num Universo que já existe (e onde o nada nem sequer pode ser pensado porque haveria alguém a tentar pensá-lo).

    Por isso, longe de ser uma afirmação científica, trata-se de uma afirmação filosófica e por sinal de muito má qualidade.

    Os filósofos da antiguidade já diziam: do nada (por definição) nada se cria. O nada não existe como causa de alguma coisa, sob pena de ser algo e não nada.

    E se fosse algo, já teria que ter tido uma causa. E qual seria essa causa?

    É contraditório e logo ilógico e irracional dizer que o nada cria alguma coisa. Dizer isso viola o dever de racionalidade de que o Ludwig tanto gosta (mas que também não consegue justificar logicamente).

    Faz algum sentido dizer que o Big Bang aconteceu porque nada explodiu?

    Não obstante, a afirmação do Ludwig, apesar de absurda, não deixa de ser interessante na medida em que é uma forma de confissão de que todas as tentativas de encontrar uma primeira causa para o Universo a partir dos processos naturais falharam.

    Sempre que essas tentativas foram testadas, elas esbarraram nas leis físicas da causalidade, da conservação da energia, da entropia, da inércia e da abiogénese (para não falar da lei da teoria da informação que afirma que todos os códigos têm origem inteligente).

    Já nem o Ludwig acredita nas virtualidades explicativas do naturalismo…

    Os criacionistas concordam que não existe uma causa natural para o Universo!

    Apenas chamam a atenção para o facto de que é ilógico e irracional pensar que o nada causa o que quer que seja e muito menos que poderia causar um universo com tempo, espaço, quantidades inabarcáveis de energia e informação, vida, sentimentos, emoções e deveres de racionalidade e moralidade.

    A única e primeira causa que racionalmente e logicamente poderia dar origem a um Universo assim seria um Deus não causado, sobrenatural, espiritual, eterno, infinito, omnipotente, vivo, pessoal, sensível, racional e moral, tal como se revela na história e na pessoa de Jesus Cristo através da Bíblia.

    O criacionismo bíblico, baseado no supremo Logos, é filosófica e cientificamente superior ao ateísmo evolucionista desde logo porque é mais racional.

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  33. O MILAGRE NATURALISTA E A INCONSISTÊNCIA DO NATURALISMO

    Os naturalistas evolucionistas dizem que não acreditam em milagres, muito menos em milagres de um Deus eterno, racional infinito, omnisciente e omnipotente, tal como a Bíblia os apresenta.

    Eles querem "salvar" a ciência de um Deus assim concebido, sem perceberem que se a ciência funciona é exactamente porque o Universo tem uma estrutura racional e matemática que só a criação por um Deus racional, omnisciente e omnipotente pode justificar.

    Mas a sua tentativa de se manterem fieis às causas naturais falha porque os ateus têm que aceitar que todo o Universo é o produto da total ausência de causas, contra as suas premissas naturalistas de que partem.

    O que mostra a sua total inconsistência lógica, científica e filosófica.

    Apesar de não acreditarem nos milagres de Deus, eles têm que acreditar no "grande milagre naturalista".

    Para eles, o Universo, com os seus triliões de galáxias, estrelas, quasares, blasares, pulsares, sistemas solares, planetas, genomas, quantidades inabarcáveis de informação genética e epigenética, células, seres vivos perfeitos e funcionais, ecossistemas, etc., surgiu do nada, por acaso, sem qualquer causa!!

    Falando sobre o Big Bang, o físico ateísta Paul Davies, no seu livro The Edge of Infinity, diz isso mesmo:

    “[The big bang] represents the instantaneous suspension of physical laws, the sudden abrupt flash of lawlessness that allowed something to come out of nothing. It represents a true miracle…”

    Para quem diz que não acredita em milagres, até que não está nada mau!!

    Isto é mais científico do que dizer “no princípio Deus criou os céus e a Terra”? (Génesis 1:1)

    Parece que chegados a este ponto do debate, estamos confrontados com duas alternativas:

    1) O nada, sem causa, "criou" o Universo, a vida e o ser humano e todos os códigos e informação codificada de que estes dependem.

    2) Um Deus eterno, omnisciente e omnipotente criou o Universo, a vida e o homem e todos os códigos e informação codificada de que estes dependem.

    Qual destas proposições é mais fácil de acreditar?

    Em meu entender, o criacionismo bíblico acaba por ser mais científico, porque mais lógico, racional e consistente, para além de radicado na história universal.



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  34. AS ESTRATÉGIAS RETÓRICAS DO LUDWIG NO DEBATE COM OS CRIACIONISTAS

    No seu debate com os criacionistas, o Ludwig tem usado sucessivamente várias estratégias retóricas. Vejamos:

    1) Estratégia científica: tentou analisar temas clássicos da teoria da evolução como os fósseis, os elos de transição, a coluna geológica, o DNA, as homologias, os órgãos vestigiais, os isótopos, etc., Para sua surpresa, foi confrontado com o facto de que os criacionistas, longe de ignorarem essas evidências, afirmam que elas (juntamente com outras que os evolucionistas desvalorizam) encaixam perfeitamente no que a Bíblia diz acerca da Criação, corrupção, dilúvio global, dispersão pós-diluviana, etc.


    2) Estratégia humorística: autodefiniu-se como “macaco tagarela”, como se isso provasse a verdade da sua teoria, tendo sido logo confrontado, pelo próprio Charles Darwin, com a noção de que isso comprometeria a plausibilidade epistemológica de toda a sua argumentação. Como perguntava Charles Darwin, “would anyone trust in the convictions of a monkey's mind, if there are any convictions in such a mind?”.


    3) Estratégia epistemológica: tentou demonstrar a superioridade do conhecimento científico. No entanto, foi confrontado com o facto de que a ciência moderna se baseia nas premissas bíblicas acerca da estrutura racional do Universo e da racionalidade do ser humano. A ciência é exactamente a mesma para evolucionistas e criacionistas. Estes não negam nenhuma lei natural, processo físico ou observação científica. Apenas dizem que nenhuma lei ou processo físico é capaz de criar matéria e energia, criar vida e transformar partículas em pessoas.

    4) Estratégia ideológica: tentou demonstrar as virtualidades ideológicas do naturalismo, embora tenha sido confrontado com a ideia de que acreditar que “tudo veio do nada por acaso” é uma afirmação ideológica, destituída de fundamento científico, lógico e filosófico.

    5) Estratégia moral: tentou demonstrar que os ateus podem ser bons e os crentes maus, embora tenha sido confrontado com a ideia de que o bem e o mal são categorias que supõem padrões objectivos de moralidade que só Deus pode estabelecer. No modelo evolutivo aleatório, nenhum processo físico pode estabelecer normas morais. Estas não são realidades físicas, mas sim imateriais.

    6) Estratégia emotiva: tentou passar a ideia de que os criacionistas, por lhe responderem ponto por ponto, são gente má, radical, fundamentalista e traumatizada. Para ele, as respostas criacionistas representam actos de agressão. Tenta com isso captar a benevolência dos seus leitores, procurando que eles tenham pena dele por estar a ser tão “atacado”. Se conseguir ganhar os leitores através da vitimização e das emoções, livra-se de ter que fundamentar racionalmente a teoria da evolução. De acordo com esta estratégia, o facto de os leitores terem pena do Ludwig conta como argumento a favor da evolução de partículas para pessoas.

    7) Estratégia da fuga: fugiu ao debate, atordoado e sem perceber exatamente o que é que lhe bateu.



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