É matemático.
A Open AI despejou online mais de 700 demonstrações de conjecturas matemáticas, boa parte com descrição formal que permite verificação automática. Isto estragou a vida aos matemáticos cujas bolsas dependiam destes problemas e preocupa muitos outros pelo futuro da carreira. Cresce agora entre os matemáticos um movimento de resistência à IA evocativo da luta das telefonistas contra a automatização das centrais telefónicas.
Em vez de apontar sarcasticamente que os matemáticos podem procurar emprego nas muitas profissões que a IA irá criar, prefiro focar o que isto diz acerca de nós e do conhecimento humano. Séculos de investigação em matemática criaram muito mais conhecimento do que qualquer pessoa consegue compreender. É por isso que cada matemático tem de se especializar numa fracção cada vez menor daquilo que, colectivamente, os matemáticos sabem.
Nestas condições, um sistema capaz de agregar toda a matemática, mesmo que seja só um algoritmo de extracção de padrões estatísticos, pode levar a resultados difíceis de alcançar para seres humanos limitados a olhar apenas para uma parte do puzzle. Difíceis, ou até impossíveis. Uma queixa dos matemáticos é que a IA pode demonstrar um resultado, que podemos confirmar estar correcto, mas de uma forma que depois ninguém compreende. Mas isto não é um defeito.
Tal como as gruas levantam cargas que nenhum humano consegue erguer e veículos se deslocam mais rápido do que qualquer humano consegue correr, também temos agora tecnologia capaz de interligar informação que nenhum cérebro humano consegue compreender. Em vez de chorarmos porque a escavadora ou o avião fazem coisas que não conseguimos fazer, devemos aproveitar a possibilidade de encontrar soluções até para problemas demasiado complexos para a nossa compreensão. É natural que os matemáticos fiquem tristes com isto mas é fútil tentar ganhar a uma empilhadora no levantamento de pesos.

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