sábado, março 08, 2014

Cepticismo.

A Comunidade Céptica Portuguesa (COMCEPT) tem divulgado o cepticismo não só na Internet mas também na comunicação social tradicional, onde faz muita falta (1). Dou-lhes os parabéns pela organização porque sei, por experiência, que organizar cépticos não é para qualquer um. No entanto – entre cépticos há sempre um “no entanto” – queria sugerir uma abordagem diferente à explicação do cepticismo. No site da COMCEPT está que «A atitude do céptico é a de questionar o mundo que o rodeia, procurando provas científicas e racionais antes de aceitar alegações extraordinárias como verdade e, esforçar-se por encontrar explicações alternativas simples e naturais para fenómenos que à partida, com uma análise superficial, parecem ser de origem sobrenatural. A ciência está na base do movimento céptico e o cepticismo é uma parte fulcral desta, caso contrário não haveria forma de eliminar ideias erradas.»(2)

Se bem que isto não esteja errado, expõe as coisas ao contrário, quer cronologicamente quer logicamente. É verdade que o céptico confia mais em resultados científicos, mas o cepticismo é muito mais antigo do que aquilo que agora chamamos ciência e a atitude céptica precede a investigação científica. Pior ainda, esta descrição pode ser interpretada como apresentando uma escolha arbitrária entre opções equivalentes: o céptico guia-se pela ciência como o vidente se guia pela intuição, o religioso pela fé e o astrólogo pelos astros, todos com igual legitimidade. Proponho uma abordagem alternativa que evita estes problemas focando o mais fundamental.

Eu sou céptico, em primeiro lugar, porque tenho curiosidade em conhecer a realidade. Não presumo que possa vir a saber tudo, ou sequer alguma coisa, nem assumo que tenha de haver uma realidade independente de mim. Talvez isto seja tudo uma ilusão. Mas pode ser que haja uma realidade e pode ser que eu consiga saber alguma coisa acerca dela. Essa possibilidade basta-me para que tenha vontade de tentar.

Em segundo lugar, sou céptico porque percebo que há uma diferença entre querer que algo seja verdade e saber se é mesmo verdade. É a diferença entre uma lista de compras e um inventário. Na lista das compras ponho o que quero e depois logo vejo o que consigo comprar. Mas quando faço o inventário do que tenho na dispensa não interessa se gosto mais de grão ou de feijão ou se queria muito ter ananás em calda. O que importa é saber o que lá tenho, realmente, seja ou não ao meu gosto. Para formar crenças verdadeiras tenho de inventariar a realidade e, para isso, tenho de fazer os possíveis para que o processo de adoptar crenças não seja determinado pelas minhas preferências, inclinações, desejos, medos ou anseios. Isto não quer dizer que não faça listas de compras. Há situações em que aquilo que eu quero é o mais importante. Mas para fazer inventários não é. E mesmo que nunca consiga eliminar por completo a influência daquilo que quero sobre aquilo que julgo saber, é um esforço que vale a pena para minimizar a confusão.

Sou céptico, em terceiro lugar, porque sei que posso errar. Não chega querer saber a verdade e perceber a diferença entre o que é e o que eu gostaria que fosse. É preciso também estar atento aos erros. Fazer o inventário sempre a lápis, por assim dizer, porque pode acontecer que tenha contado mal as latas ou confundido os rótulos. Isto exclui a certeza absoluta. A certeza não é uma coisa má, porque se justifica ter tanta confiança em algumas proposições que já não faça diferença encontrar mais evidências a seu favor. Mas a certeza tem de ser sempre relativa às evidências para que possa ser revista se algo a puser em causa. Por outras palavras, posso estar totalmente empenhado em descobrir a verdade mas não posso estar totalmente empenhado em que a verdade seja aquela que eu julgo ser.

Realmente, disto resulta que acabo por procurar «provas científicas e racionais antes de aceitar alegações extraordinárias» e preferir «explicações alternativas simples e naturais» em vez de invocar milagres, espíritos ou deuses. Mas são consequências meramente circunstanciais da forma como este universo funciona e como nós evoluímos. Num universo diferente podia ser preferível explicar os dados pela vontade dos deuses e substituir o método científico pela meditação, oração ou intuição. Se isso funcionasse melhor seria por aí que o cepticismo nos levaria. Porque o fundamental do cepticismo não é ser científico ou naturalista mas sim procurar conhecer a realidade, o que exige mitigar as influências subjectivas sobre as nossas crenças e maximizar a capacidade de corrigir erros da melhor forma que for possível nas condições em que se estiver. A ciência e o naturalismo apenas surgem do cepticismo neste universo porque, neste universo, são os que melhor servem este propósito.

Falta só um detalhe final. Querer conhecer a realidade, distinguir entre desejos e factos e admitir erros não são características exclusivas dos cépticos. Pelo contrário. Em maior ou menor grau, são características universais. Toda a gente faz isto, nas circunstâncias certas. Todos os crentes duvidam de algumas crenças, todos os místicos reconhecem que há superstições e todos os vendedores de banha da cobra dizem cuidado com as aldrabices (dos outros). O que distingue o céptico dos restantes é apenas o pormenor de não admitir excepções a estes princípios. Quando se trata de averiguar factos, devemos aplicar às nossas crenças os mesmos critérios que aplicamos às dos outros. Cepticismo, no fundo, é isso.

1- COMCEPT, COMCEPT NO “PORTUGAL NO CORAÇÃO”
2- COMCEPT, O QUE É O CEPTICISMO?

20 comentários:

  1. Ola Ludwig:

    Estou convencido que a coisa aqui é em parte uma questão de palavras e na realidade eu penso que eles estarão de acordo contigo em uma grande parte deste texto. Tal como eu. Mas não em tudo. Quando dizes que no fundo o cepticismo é não abrir excepções aos princípios epistémicos (é isso que dizes, certo?) , eu acho que é muito. muito, mais que isso - muito mais que a tentativa de neutralidade de "bias" (não me enganei que era o que querias dizer?). Se tiveres paciência deixo-te o meu texto onde eu descrevo a minha abordagem do cepticismos, exposta por contraposição a uma outra ideia popular de cepticismo (que na altura merecia resposta tal como a tua agora à da concept) mas que explica o que eu acho que é no fundo o cepticismo:

    http://cronicadaciencia.blogspot.pt/2013/04/explicando-o-que-e-o-cepticismo-e-o-que.html


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  2. Confrangedor. A entrevista e o post. O cepticismo é o que faz mover a ciência e aplica-se apenas e só a afirmações de âmbito científico. Ter pretensões de maior ligação à ciência e desviar o "cepticismo" para afirmações que implicam subjectividade faz lembrar um jogo de futebol em que chutam a bola para fora do campo e continuam a simular os pontapés e as cabeçadas. Faz sentido duvidar de afirmações que podem afectar objectivamente a vida de outras pessoas, como a alegação de eficácia de uma vacina ou a indicação do rating de um crédito. Mas não parece ser esse o género de preocupações deste movimento, nem do Ludwig. Estão mais interessados em importunar quem tem atitudes pessoais perante a vida diferentes das suas. Invocam o nome do cepticismo em vão.

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  3. Nuno Gaspar,

    A ciência não é o âmbito de aplicação do cepticismo. É a melhor forma de aplicar o cepticismo. O âmbito de aplicação de ambos é o conjunto das afirmações de facto.

    «Faz sentido duvidar de afirmações que podem afectar objectivamente a vida de outras pessoas, como a alegação de eficácia de uma vacina ou a indicação do rating de um crédito.»

    Mas entre os efeitos objectivos está também ser levado a formar uma opinião porque aceitou como verdadeira a alegação. Por exemplo, se uma pessoa forma a opinião de que deve candidatar-se a um emprego durante esta semana mas não a próxima porque lhe disseram que o alinhamento de Júpiter com Saturno é mais favorável, esse é um efeito objectivo da alegação. O mesmo se passa quando a pessoa forma a opinião de que os homossexuais não devem poder casar porque lhe disseram que o criador do universo condena a homossexualidade. São efeitos objectivos.

    Além disso, duvidar de uma alegação, exprimir essa dúvida e explicar porque duvida não pode ser menos aceitável do que acreditar na alegação, exprimir essa crença e dizer porque se acredita. Se um crente pode ter um blog onde diz que acredita muito em certas coisas, defende a virtude dessa crença e critica o vício de quem não acredita, porque é que um céptico não pode ter um blog onde faz o mesmo mas defendendo a posição oposta?

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  4. João,

    Penso que o teu texto sofre do mesmo problema. Tu enumeras um conjunto de atributos do cepticismo mas não é claro porque são esses em vez de outros. Julgo que o mais importante é explicar que o fundamento do cepticismo é universal. É a vontade de saber e a compreensão das dificuldades que temos – e que todos sentimos – quando estamos a tentar apurar a verdade dos factos. Parece-me importante apontar que o cepticismo é algo que todos praticam e que a diferença entre o céptico e o não céptico é que este último tem algumas crenças que arbitrariamente excluiu deste processo.

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  5. Ludwig:

    Explicar esses atributos está resumido numa questão, enunciada, que é: Porque funcionam.

    Quando o cepticismo é uma atitude tendencialmente metódica (porque faz parte dos atributos que permitem resultados - e a que o céptico normalmente chega pela sua vontade de saber), dizer que todos são metódicos excepto para as suas crenças arbitrarias parece-me uma contradição em termos, e isso parece-me seguir da tua formulação. A não ser que seja interpretada com um sentido mais fraco que uma razão de fundo.


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  6. Nuno Gaspar:

    Obrigado, estás mesmo a derrubar a minha argumentação: O teu comentário é um exemplo claro e limpinho do argumento do Ludwig. De quereres aplicar o cepticismo para umas coisas e não para outras, arbitráriamente.
    Com a agravante de que julgas quem o faz por ter a intenção malévola de importunar os outros, algo que não devias ter sequer como crença, muito menos dizer sem justificação.

    Agora, parece-me que os que pensam como tu não são uma maioria, nem uma referencia pela qual se deva definir o cepticismo.

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  7. Ludwig,

    o cepticismo, por definição, não aquece nem arrefece, seja no domínio filosófico, seja noutro domínio qualquer e, alguém dizer-se céptico, retira-lhe a base de afirmação seja do que for. Um céptico, em rigor, nem pode dizer que é céptico porque, sendo céptico, pelo menos, tem de duvidar. E se pretender contestar ou contrariar alguém que, por exemplo, manifesta uma crença, o céptico está a contrariar-se a si mesmo, pelas razões expostas. Ser céptico, se formos a pensar com rigor, significa "recusar ou impedir-se a si mesmo de tirar conclusões ou ter ideias".
    Para que serve uma atitude dessas?
    Um céptico, na acepção filosófica, que é a que está em causa, é céptico relativamente a tudo e em todas as situações, incluindo o seu cepticismo.
    A um céptico nunca se perguntará o que pensa. A opinião dele está estabelecida a priori, ou seja, não tem. Ser céptico nem sequer é uma opinião.

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  8. Carlos Soares:

    Não me parece que possa escolher arbitráriamente aquilo a que nos referimos quando dizemos cepticismo. Existem de facto várias modalidades filosóficas com particularidades diferentes, por favor não tente dizer qual tem de ser a aquela a que nos referimos quando estamos a discutir algo que pelo menos não temos esse problema para começar. Sem valor formal, chamam-lhe cepticismo cientifico, mas na realidade, apenas cepticismo é melhor. Por outro lado, ter um grau de duvida numa coisa não é o mesmo que dizer que ela é falsa. E podemos ter um grau de duvida variável em tudo, desde o muito duvidoso ao quase certo. É quase certo que é quase certo que o ceticismo leva quase certamente a procurar as quase de certeza melhores explicações sobre a (quase certamente) realidade. Quase de certeza não há aqui nenhuma inconsistência. Há quase de certeza e com um grau alto de confiança, pelo menos, uma grande humildade em reconhecer a nossa falibilidade.

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  9. João,

    «Explicar esses atributos está resumido numa questão, enunciada, que é: Porque funcionam.»

    Quem acredita na astrologia, homeopatia, vidência, deuses, etc, também acha que a sua abordagem funciona. Esse é o tal problema de parecer que é tudo apenas uma questão de escolha pessoal. “Se o cepticismo funciona para ti, óptimo. Para mim o que funciona melhor é seguir os ensinamentos de Kyron”.

    «dizer que todos são metódicos excepto para as suas crenças arbitrarias parece-me uma contradição em termos»

    Não vejo contradição nenhuma na ideia de que se pode aplicar um método a quase todas as instâncias em que devia ser aplicado e não o aplicar em alguns casos excepcionais. Pode dar mau resultado, mas não é uma noção contraditória.

    Supõe que eu sempre fui céptico até agora, mas deixava de o ser e daqui a uma semana voltava a ser céptico outra vez. Isso seria contraditório? Um céptico tem de o ser sempre e para sempre?

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  10. Carlos Soares,

    «Um céptico, em rigor, nem pode dizer que é céptico porque, sendo céptico, pelo menos, tem de duvidar»

    Então só podemos dizer o que quer que seja quando já não nos restar qualquer dúvida? Parece-me uma posição muito extremista, para não dizer um enorme disparate...

    «Ser céptico, se formos a pensar com rigor, significa "recusar ou impedir-se a si mesmo de tirar conclusões ou ter ideias".»

    Eu propunha substituires “se formos a pensar com rigor” por “se quisermos deturpar completamente o termo”. Sempre ficavas com uma frase mais correcta.

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  11. João C,

    para tratar dessa questão, o que proponho é que consulte um dicionário ou uma enciclopédia credível.

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  12. Ludwig,

    mais uma vez, vem ao de cima a tua preocupação científica. Vai consultar o dicionário ou uma enciclopédia, ou então cria o teu dicionário.

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  13. Carlos,

    cep·ti·cis·mo |èt|
    substantivo masculino
    1. Doutrina dos que afirmam que o homem não pode atingir a verdade absoluta.
    2. Disposição para duvidar de tudo.
    3. [Figurado] Descrença.
    4. Incredulidade.

    "cepticismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/cepticismo [consultado em 08-03-2014].

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  14. Ludwig,

    e essa definição retira razão ao que disse? Não me parece.

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  15. Carlos,

    «essa definição retira razão ao que disse?»

    Sim. Duvidar é diferente de «impedir-se a si mesmo de tirar conclusões ou ter ideias».

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  16. Ludwig,

    ninguém falou em duvidar, o que está em causa, aceitando a definição, é «Disposição para duvidar de tudo».
    Se não notas diferença, o melhor é consultar um especialista, ou sou eu que não percebo nada.

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  17. Se a intenção é procurar a definição de "cepticismo" no âmbito filosófico, num dicionário, deve-se escolher aquela que começa com "Doutrina": "Doutrina dos que afirmam que o homem não pode atingir a verdade absoluta". Além disso, uma definições de "duvidar", no mesmo dicionário, é "questionar", que é "discutir, disputar".

    O ceticismo é a oposição ao dogmatismo e, segundo os manuais de Filosofia, tem várias formas: pirronista (aquele que o Carlos Soares critica: "Nada pode ser conhecido, nem mesmo isto"), mitigada, constructiva e empirista (ou científica). Actualmente, geralmente os grupos que se chamam de "cépticos" associam-se á última forma de cepticismo e que, por sua vez, também está associada aos desmistificadores, como Randi, Houdini e os Caçadores de Mitos. Noto que o conceito de falibilidade e refutabilidade na ciência é a característica do cepticismo.

    Religiões que dependem do dogmatismo são incompatíveis com o cepticismo, pelo menos no que diz respeito a crenças que lhes estão associadas, mas religiosos podem ser cépticos, que, aliás questionaram e opuseram-se às autoridades religiosas, se assumirmos um conceito de religiosidade que não se condicione ao dogmatismo, bastando que reconheça a possibilidade de estarem errados. O pressuposicionalismo, com a crença num método infalível de se obter conhecimento, é oposto ao cepticismo.

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  18. Também penso (mas posso estou errado!) que «cepticismo» indica mais um processo do que propriamente um «estado». A diferença é subtil, mas significa, por exemplo, que o Ludwig, sendo céptico, não precisa de estar constantemente a duvidar de tudo, a cada segundo e a cada respiração :)

    E há evidentemente religiões e filosofias (históricas e contemporâneas) que têm como base da sua acção (mais uma vez: acção, processo, actividade, método... não «estado») o cepticismo, mas cuja metodologia pode não ser necessariamente a do método científico, mas na verdade aproxima-se bastante deste (somos todos seres humanos, afinal de contas, e os nossos processos cognitivos tendem a ser semelhantes :) )

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  19. Enquanto o cepticismo anedótico entretém as audiências o verdadeiro cepticismo faz o seu trabalho
    http://www.nature.com/news/scientific-method-statistical-errors-1.14700

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  20. COMO PODEMOS TER A CERTEZA ABSOLUTA DE QUE O LUDWIG HÁ MUITO QUE PERDEU O SEU DEBATE COM OS CRIACIONISTAS?


    É muito simples:

    1) Para defender a ciência, o Ludwig tem que postular que o Universo funciona racionalmente e pode ser compreendido racional, lógica e matematicamente.

    A Bíblia ensina isso. A teoria da evolução (com a sua ênfase na irracionalidade dos processos), não.

    A Bíblia ganha, porque o Ludwig tem que postular a visão bíblica do mundo para defender as possibilidades da ciência.


    2) Para poder criticar o comportamento dos religiosos, o Ludwig tem que pressupor a existência de valores morais objectivos.

    Caso contrário, são as suas próprias preferências morais subjectivas contra a dos religiosos.

    A Bíblia ensina que existem valores morais objectivos. A teoria da evolução (com a sua ênfase no carácter amoral e predatório de milhões de anos de processos evolutivos), não.

    A Bíblia ganha, porque o Ludwig tem que postular a visão bíblica do mundo para as suas condenações morais serem plausíveis...

    3) Para negar a dimensão espiritual, o Ludwig tem que recorrer à dimensão espiritual

    Quando afirma que pode apreciar a natureza sem uma dimensão espiritual, o Ludwig consegue pegar fotografar a natureza mas não consegue fotografar o naturalismo ateísta, observá-lo ao microscópio, medi-lo com uma régua ou pesá-lo com uma balança-

    O naturalismo ateísta é uma ideia, não tendo por isso as propriedades das coisas físicas, como massa, energia, luz, electricidade, magnetismo, velocidade, peso, tamanho, volume, etc.

    Isso, porque uma ideia (incluindo a ideia de que não existe dimensão espiritual) tem uma existência espiritual, não material ou física.

    Para ter impacto no mundo físico uma ideia como o naturalismo ateísta necessita de ser codificada e transformada em informação que outros (ou maquinismos inteligentemente programados para o efeito) possam, através da inteligência, descodificar, compreender ou executar essa informação.

    É por existirem no mundo espiritual e não físico que as instruções para a produção e reprodução dos seres vivos, contidas no DNA, têm que ser codificadas para poderem ser descodificadas e executadas por máquinas moleculares também programadas pelo DNA.

    A Bíblia ensina que existe uma dimensão espiritual. O naturalismo ateísta nega essa dimensão.

    No entanto, como tem que recorrer a ela para a negar, ele mostra a sua irracionalidade e auto-contradição.

    A Bíblia ganha, o naturalismo do Ludwig perde.

    4) A Bíblia ensina que a vida foi criada por uma (super-)inteligência.

    A existência de códigos e de informação codificada é a marca, por excelência, da inteligência e de racionalidade (v.g. computadores, ATM’s, GPS’s., Ipads).

    A vida depende de códigos e informação codificada, com uma densidade e complexidade que a comunidade científica não consegue compreender e reproduzir.

    Para aspirar a ganhar o debate, o Ludwig teria de a) mostrar um processo físico que crie códigos e informação codificada ou b) demonstrar que a vida não depende de códigos nem de informação codificada.

    Como ambas as coisas são cientificamente impossíveis, a Bíblia ganha.

    É por isso que é errado afastar a Bíblia deste debate, como alguns pretendem. Ela dirige e vence o debate.

    Sempre que tenta negar a Bíblia e condenar a conduta dos cristãos o Ludwig tem que postular a visão bíblica do mundo.

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