domingo, dezembro 15, 2013

Treta da semana (passada): numerologia.

Em 1948, o psicólogo Bertram Forer pediu aos seus alunos que preenchessem um questionário para receberem uma análise individualizada da sua personalidade. Depois, quando entregou os resultados, pediu a cada aluno que classificasse a sua, de 0 a 5, para avaliar quanto correspondia à sua personalidade. A maioria dos alunos achou que a análise era muito acertada e a pontuação média foi de 4.26. Só depois é que Forer lhes disse que todos tinham recebido o mesmo texto, um agregado de banalidades que ele tinha recolhido das secções de astrologia de revistas: «Sentes necessidade de ter pessoas que te admirem e gostem de ti. Tens tendência para auto-crítica. Tens muitas capacidades que ainda não usaste em tua vantagem. Se bem que tenhas algumas fraquezas na tua personalidade, em geral consegues compensá-las» e assim por diante(1).

O segredo deste “efeito de Forer” é a combinação de uma descrição que aponte alguns aspectos positivos e negativos suficientemente genéricos com algum mecanismo que convença o visado de que a descrição lhe é específica. Na experiência de Forer isto foi conseguido com o questionário e a confiança no professor mas também se pode usar a data de nascimento, a palma da mão, o nome da pessoa ou qualquer outra coisa que disfarce o carácter genérico e banal da descrição. Desde que a vítima se convença de que o prognosticador sabe do que fala, o engodo funciona. É este também o fundamento da numerologia.

Um programa recente na TVI ilustra este truque psicológico (2). A convidada, Marta Pica Rodrigues, é formada em psicologia mas dedica-se também «a terapias holísticas utilizando a Astrologia, a Numerologia e o Tarot.»(3). Pelo que ouvi do programa, não consegui perceber se a Marta estudou o efeito de Forer, se o domina ou se é mais uma vítima deste enviesamento cognitivo. Mas é fácil perceber como a sua simpatia, o seu ar confiante e a alusão a coisas como “as energias dos números” ou “a energia dos pináculos ou dos ciclos de vida” conseguem convencer alguém como a Cristina Ferreira* de que as análises da Marta são quase tão boas como as do Bertram Forer.

A numerologia é um bom exemplo das dificuldades cognitivas que a ciência moderna enfrenta. A ideia fundamental da numerologia é a de associar a cada número de 1 a 9 algumas características antropomórficas. Individualidade, união, experiência de vida, família e assim por diante (4). Com estes elementos, depois pode-se criar narrativas, mais ou menos complexas, que parecem muito mais importantes do que os números em si. Isto porque o nosso cérebro está mais vocacionado para lidar com histórias, personagens e propósitos do que com quantidades, hipóteses rigorosas e a forma de as testar. Por exemplo, para um aficionado da numerologia é muito mais fascinante associar ao 3 a capacidade de comunicação, ao 4 a capacidade de criação e inventar histórias a partir daí do que pensar como raio se descobriu essa associação, como se pode testar se o 3.5 tem características intermédias ou quantificar o peso relativo destes atributos para cada valor real. O problema disto é que, ao contrário do que se julgou durante milénios, a realidade não é governada por personagens, intenções e características humanas. Para a compreender é preciso lidar com quantidades e testar hipóteses com critérios objectivos e não apenas pela confiança que quem as enuncia nos inspira. O que é tramado, porque isto exige usar o cérebro de formas para as quais este não está bem adaptado.

Mas nem tudo é mau neste enviesamento. Como memorizar histórias é muito mais fácil do que memorizar sequências de números, um truque para memorizar o PIN do telemóvel, números de telefone ou a página em que ficámos no livro é adaptar os princípios da numerologia e associar a cada algarismo um personagem e ao número uma história com esses personagens. Por exemplo, eu uso o Buda para o zero, uma garça para o um, um boi para o dois, um caranguejo para o três e assim por diante. Se fiquei na página 130 posso pensar na garça a dar bicadas no caranguejo e o Buda a dizer-lhe para não fazer isso. Não só é mais fácil recordar essa cena como fico com várias vias diferentes que posso usar para chegar ao número – o número em si, os nomes dos personagens, as imagens dos personagens e a história – o que me permite tirar umas pelas outras se me falhar algo. Não dá tanto dinheiro como usar o efeito de Forer na televisão, mas é útil no quotidiano e variantes mais sofisticadas desta técnica até servem para coisas como truques de mentalismo ou contar cartas no casino.

O Goucha talvez tenha só ido na conversa porque é o trabalho dele.

1- Wikipedia, Forer effect
2- Vídeo disponível aqui. Obrigado pela dica no Facebook.
3- Terapias do Equilíbrio, Sobre Mim
4- Wikipedia, Numerology

7 comentários:

  1. A CIÊNCIA DO CÓDIGO GENÉTICO E O LOGOS QUE SE REVELA NA BÍBLIA

    A Bíblia ensina que a vida foi criada por um Deus inteligente, autorrevelado como Razão ou Palavra (Logos). Mas também ensina que por causa do pecado toda a criação ficou sujeita a decaimento, corrupção e morte.

    Os códigos genético e epigenético, com as suas linguagens, e com o ruído a que as mesmas estão sujeitas, corroboram inteiramente as afirmações bíblicas sobre criação e corrupção. No entanto, em nada eles corroboram as afirmações evolucionistas.

    Todos sabemos que o código genético é um verdadeiro código, capaz de armazenar e transmitir informação, sendo dotado de propriedades quase ótimas e de universalidade, já que aparece tanto em bactérias como em seres humanos.

    Ele regula, com precisão, a qualidade e a quantidade das proteínas que devem ser produzidas para cada ser vivo específico.

    A própria velocidade da produção de proteínas é cuidadosamente regulada. Ele pode codificar diferentes significados simultaneamente.

    A inteligência que que estrutura os códigos do DNA é confirmada quando vemos que as tentativas humanas de fazer DNA sintético, capaz de adscrever funções específicas a diferentes moléculas, necessariamente envolvem inteligência, racionalidade, linguagem e programação.


    As mutações genéticas tendem criar ruído e a destruir informação, dando origem a mutações maioritariamente deletérias.

    Essas mutações são cumulativas e degenerativas, traduzindo-se na transmissão hereditária de doenças.

    As perturbações na leitura e execução do código causam doenças e, em muitos casos, morte.

    Em qualquer caso, nunca observamos um ser vivo a transformar-se noutro diferente e mais complexo, como a teoria da evolução imagina.

    No mundo real, códigos e informação codificada são entidades imateriais, distintas da matéria e da energia usados para armazenar a informação, e têm uma origem inteligente.

    Eles consistem na atribuição de um significado (v.g. ideia, instrução) a um símbolo ou a uma sequência de símbolos. Essa atribuição é sempre uma decisão volitiva e inteligente.

    Por outro lado, não se conhece qualquer lei natural ou processo físico que crie códigos e informação codificada. Independentemente das especulações evolucionistas sobre a sua origem, a verdade é que os códigos existentes no genoma corroboram um Criador inteligente e único.

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  2. A CIÊNCIA DA RETINA E A DOUTRINA BÍBLICA DA CRIAÇÃO

    A Bíblia afirma que o Homem foi criado racionalmente. Alguns evolucionistas procuram dizer que a retina refuta essa ideia, por estar virada ao contrário e ser, por isso, evidência de mau design.

    Esta ideia é absurda.

    Em primeiro lugar, mau design não é evidência de acaso.Quanto a General Motors ou a BMW fazem o “recall” dos seus carros, por defeitos de funcionamento, estão a admitir mau design e incompetência técnica, mas os carros não surgiram por acaso.

    Em segundo lugar, existem muitos casos em que a afirmação de que algo está mal desenhado apenas desqualifica quem a faz, mostrando a incompetência do autor da afirmação que não compreende realmente como as coisas funcionam e porque é que funcionam assim.

    Em terceiro lugar, existem inúmeros casos de degradação de estruturas pré-existentes com perda de funcionalidade.

    A retina é uma maravilha de design, responsável pela formação de imagens, ou seja, pelo sentido da visão. Na retina, cada célula tem uma função específica.

    Ela tem sido comparada a uma tela onde se projectam as imagens: retém as imagens e as traduz para o cérebro através de impulsos eléctricos enviados pelo nervo óptico.

    Os cientistas estimam que dentro de cada retina há cerca de 120 milhões de foto-receptores (cones e bastonetes) que libertam moléculas neurotransmissoras a uma taxa que é máxima na escuridão e diminui, de um modo proporcional (logarítmico), com o aumento da intensidade luminosa. Esse sinal é transmitido depois à cadeia de células bipolares e células ganglionares.

    Graças à retina, o olho, tal como uma câmara de vídeo altamente sofisticada, dispõe de uma camada sensível à luz que permite o ajustamento à diferente intensidade de luminosidade-.

    No entanto, diferentemente do que sucede com uma câmara, a retina pode mudar automaticamente a sua sensividade à luz num arco de 10 mil milhões para um.

    As células foto-receptoras da conseguem detectar luz com uma intensidade tão diferente com a da neve iluminada pelo sol ou um simples fotão (a mais pequena unidade de luz).

    Além disso, o olho humano tem a capacidade de auto-reparação, diferentemente do que sucede com as câmaras de vídeo.

    Tudo, evidentemente, dependente de informação codificada no genoma, por sinal altamente complexa e especificada.

    No caso da retina tem sido sublinhado o modo como a inversão da retina assegura a sua protecção contra os efeitos nocivos da luz, especialmente em ondas curtas, e do calor gerado pela focagem da luz.

    Pelo contrário, a evidência científica mostra que existe espaço suficiente no olho para todos os neurónios e sinapses e tudo mais, e que ainda assim as células Müller podem captar e transmitir tanta luz quanto possível, num complexo e sofisticadíssimo sistema de fibras ópticas existentes no olho humano.

    Este, entre outras coisas, tem um sistema de “steady shot” e visão a cores.

    O olho humano depende, além disso, de uma complexa organização cerebral, através de uma divisão por compartimentos sensíveis a diferentes cores e orientações.

    Os olhos humanos são um órgão incrivelmente perfeito e adaptável.

    Não há pior cego do que aquele que não quer ver.

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    1. e cê cegou quando?

      não cegou né....deus num existe mesmo

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  3. LUDWIG KRIPPAHL (LK) ENCONTRA O FILÓSOFO SÓCRATES E DIALOGA COM ELE SOBRE AS ORIGENS


    LK: Sabes Sócrates, estou convencido de que os micróbios se transformaram em microbiologistas ao longo de milhões de anos e que os criacionistas fazem alegações infundadas acerca dos factos.

    Sócrates: A sério? Grandes afirmações exigem grandes evidências!! Quais são as tuas? Se forem realmente boas, convencerão certamente os criacionistas!

    LK: É simples! O meu “método científico”, o meu “naturalismo metodológico”, o meu “empírico”, a minha “abordagem dos problemas” e o “consenso dos biólogos” são infalíveis. Se os criacionistas soubessem bioquímica, biologia molecular, genética, geologia, etc., poderiam observar que:

    1) moscas dão… moscas!

    2) morcegos dão… morcegos!

    3) gaivotas dão… gaivotas!

    4) bactérias dão… bactérias!

    5) escaravelhos dão… escaravelhos!

    6) tentilhões dão… tentilhões!

    7) celecantos dão… celecantos (mesmo durante supostos milhões de anos)!

    8) guppies dão… guppies!

    9) lagartos dão… lagartos!

    10) pelicanos dão… pelicanos (mesmo durante supostos 30 milhões de anos)!

    11) grilos dão… grilos (mesmo durante supostos 100 milhões de anos)!

    Sócrates: Mas, espera lá! Não é isso que a Bíblia ensina, em Génesis 1, quando afirma, dez vezes (!), que os seres vivos se reproduzem de acordo com o seu género? Os teus exemplos nada mais fazem do que confirmar a Bíblia!

    LK: Sim, mas os órgãos perdem funções, total ou parcialmente, (v.g. função reprodutiva) existem parasitas no corpo humano e muitos seres vivos morrem por não serem suficientemente aptos…

    Sócrates: Mas…espera lá! A perda total ou parcial de funções não é o que Génesis 3 ensina, quando afirma que a natureza foi amaldiçoada e está corrompida por causa do pecado humano? E não é isso que explica os parasitas no corpo humano ou a morte dos menos aptos? Tudo isso que dizes confirma Génesis 3!

    Afinal, os teus exemplos de “método científico”, “naturalismo metodológico”, “empírico”, “abordagem dos problemas” e “consenso dos biólogos” apenas corroboram o que a Bíblia ensina!! Como queres que os criacionistas mudem de posição se os teus argumentos lhes dão continuamente razão?

    Não consegues dar um único exemplo que demonstre realmente a verdade daquilo em que acreditas?

    LK: …a chuva cria informação codificada…

    Sócrates: pois, pois… e as gotas formam sequências com informação precisa que o guarda-chuva transcreve, traduz, copia e executa para criar as máquinas que fabricam disparates no teu cérebro…

    …olha Ludwig, não passas de um sofista e de má qualidade… …o teu pensamento crítico deixa muito a desejar… … se fosses meu aluno em Atenas tinhas chumbado a epistemologia, lógica e crítica…

    …em meu entender, deverias parar para pensar e examinar a tua vida, porque uma vida não examinada não é digna de ser vivida…

    …e já agora, conhece-te a ti mesmo antes de te autodenominares “macaco tagarela”…


    P.S. Todas as “provas” da “evolução” foram efetivamente usadas pelo Ludwig neste blogue!


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    1. ENCRENCOU FOI?

      AS CRÓNICAS IMORAIS 1908

      ALBINO FORJAZ DE SAMPAIO

      VIDE 3ª EDIÇÃO 9 ANNOS APÓS

      PREFÁCIO

      JÁ O SENHOR JOÃO FRANCO NÃO É PRESIDENTE DO CONSELHO

      JÁ NÃO HÁ MAJESTADES

      A MONARQUIA DEU LUGAR À REPÚBLICA

      A GUERRA VEIO PÔR A FERRO E FOGO A EUROPA QUASI TÔDA

      DIZIA AGOSTINHO DE MACEDO QUE PEOR QUE UM PREFÁCIO

      SÓ UM PREFÁCIO MAIOR

      E, PARA SER BREVE, TERMINO

      NÃO QUERO JUSTIFICAR O FRADE JOSÉ AGOSTINHO DE MACEDO

      SÃO COISAS QUE SE PASSARAM, IMPRESSÕES DE UM MOMENTO,

      FUMO, CINZA, TERRA,NADA.

      VIVERAM UM DIA.

      HOJE REÜNE-AS UM CERTO EGOISMO.

      VIVI COM ELAS.

      ACHARIA A ALGUMAS UMA INGENUIDADE PRIMITIVA.

      O ANO QUE COMEÇOU ONTEM SERÁ UM ANO IGUAL AOS OUTROS.

      IGUAL, SEM TIRAR NEM PÔR.

      HAVERÁ NELE COMO EM TODOS OS QUE PASSARAM E NOS QUE VIEREM

      TOLOS QUE ENRIQUECERAM E TOLOS QUE CAVAM PÉS DE BURRO.

      ASNOS QUE SE SUICIDARAM E ASNOS QUE ACHAM ISTO UMA COISA ÓPTIMA.

      CONTINUARÁ A HAVER UMA IGNORÂNCIA FORMIDÁVEL

      DA MAIORIA DOMINADA E UMA PATIFARIA CRIMINOSA

      DA MINORIA DOMINANTE.

      HAVERÁ CÔRES PARA TODOS OS GOSTOS E PARTIDOS PARA TODOS OS CIDADÃOS

      E PERSPECTIVAS ALUCINADAS.....

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  4. Parabéns pelo belo texto Ludwig.

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