sexta-feira, abril 23, 2010

Treta da semana: o teste.

Um teste do professor Paulo Otero, da Faculdade de Direito de Lisboa, tem sido muito criticado desde que uma aluna, a Raquel Rodrigues, denunciou e divulgou o enunciado. Também me parece estranho dar doze valores a uma pergunta sobre casamento com outras espécies de vertebrados quando a nossa constituição só fala sobre direitos dos animais da nossa espécie. Não sendo evidente como isto possa testar conhecimentos de direito constitucional, fica a suspeita que a avaliação vá depender de quão bem cada aluno engraxe os preconceitos do professor. Por isso concordo com essa crítica. Parece um mau teste e é bom que o Conselho Pedagógico daquela faculdade se pronuncie sobre esta avaliação.

E aproveito para louvar o que a Raquel Rodrigues fez. Não digo isto só por o pai dela ser maior que eu; é muito mais cómodo e seguro para um aluno ficar calado nestas situações, mas ela teve a coragem apontar o problema. E o problema da falta de abertura nas universidades públicas. Os portugueses pagam a funcionários como eu e o Paulo Otero para prepararmos aulas, exercícios, material de estudo e explicar a matéria. O produto desse trabalho tem valor para qualquer pessoa que queira aprender, mesmo que não seja estudante universitário. E devia estar acessível a todos porque são todos a pagá-lo. Além disso, essa abertura contribuiria também para a confiança pública nas nossas instituições de ensino, para informar os jovens que querem ingressar no ensino superior e, quem sabe, até reduzir a frequência de argoladas como esta. Com a tecnologia que temos é triste que a única informação acerca de uma disciplina seja, muitas vezes, uma folha digitalizada com o resumo do programa.

Mas a treta que me preocupa mais é a confusão entre, por um lado, o mau gosto do professor e a má qualidade do teste e, por outro, a discriminação dos homossexuais e a violação dos seus direitos fundamentais. Escreveu a Raquel que «O que acontece é que o Sr. Professor parece ter-se esquecido do art. 13º e do princípio da igualdade; e com certeza que não pensou no que sentiria um gay ou uma lésbica que se visse confrontado com a obrigatoriedade de fazer este teste. […] Esta atitude repulsiva não só é discriminatória em relação a todas as pessoas LGBT como obriga os alunos a tomarem uma posição em relação ao tema que irá influenciar a sua nota.»(1)

Se os alunos forem avaliados em função da sua sexualidade então há discriminação, mas penso não haver dados que confirmem ser esse o caso. E as duas alíneas da pergunta pediam para argumentar a favor e contra a constitucionalidade da poligamia e do casamento com animais de outras espécies. Não exigiam manifestar qualquer posição acerca do casamento homossexual. Por isso, se bem que concorde com a Raquel que o enunciado é de mau gosto, devo apontar que não indica por si qualquer discriminação ou violação de direitos que não o direito do aluno a ter testes que façam sentido.

O que me preocupa aqui é que, nas palavras da própria Raquel e na opinião ecoada em muitos outros sítios, o que se aponta como mais grave é a ofensa e não a qualidade pedagógica do teste. «Até podia ter apresentado o mesmo caso prático sem, no entanto, referir que o diploma era “em complemento à lei sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo”, mas a comparação foi obviamente propositada e consciente.»(1) Certamente que foi. Mas não será esse também um direito?

Admito que se ao Paulo Otero repugna o casamento entre homossexuais e tem vontade de o denegrir não é apropriado que o faça num teste de forma tão forçada. Mas se o fizer em detrimento do seu desempenho enquanto professor a única coisa que viola é o seu compromisso profissional. Deu mal a matéria que podia ter dado bem. Não viola direitos fundamentais de ninguém. A menos que se defenda um direito fundamental de nunca sermos expostos a nada que nos ofenda. E isso é que me preocupa.

Se vão repreender um professor, um jornalista, um blogger ou qualquer pessoa só porque alguém se diz ofendido lembrem-se que tudo pode ofender. Há quem se ofenda com a oposição ao casamento homossexual e há quem se ofenda com a lei que o permite. Há quem se ofenda quando dois homens se beijam e quem se ofenda quando um homem beija uma mulher. Há quem se ofenda com preservativos, imagens de Maomé ou até mini-saias – e se há coisa menos ofensiva que uma mini-saia não sei o que possa ser.

Por isso critiquem o professor pela má pergunta no teste. Critiquem todos os professores. Muitos avisos nas páginas das minhas disciplinas sou eu a agradecer a alunos que apontaram erros nas páginas, no processamento dos trabalhos ou nos enunciados. E exijam um ensino público mais aberto e transparente, pois são vocês que o pagam e têm o direito de ver o que se passa lá dentro. A crítica franca e o acesso à informação são fundamentais para a qualidade do ensino e para a qualidade da sociedade em geral.

Mas isto só é possível se prescindirmos todos de exigir satisfações sempre que ficamos melindrados ou ofendidos. Tramar o homem só porque alguém se ofendeu é treta.

(1)- Random Precision, Um teste (in)constitucional.

60 comentários:


  1. Por isso critiquem o professor pela má pergunta no teste.


    A questão é mais vasta , ele usa o teste, numa universidade pública para passar a sua ideia e atropela pelo caminho a cadeira que supostamente está a leccionar.
    Mais ainda , cria uma situação impossível , a celebração de um contrato em que uma das partes não tem personalidade jurídica e coloca a defesa desta posição que apenas serve os seus objectivos pessoais a ter uma classificação de 5 valores.

    Eu acho que o senhor sendo constitucionalista deveria ter mais decoro pela forma como apresenta as suas matérias, até porque há imensos assuntos quentes e possíveis: casamentos com menores, voto para menores de 18 anos, trabalho infantil etc. Todos possíveis, todos com prós e contras.
    Ir buscar um tema ignato e ofensivo é isso mesmo, ofensivo.

    Não deve ser censurado e a prova é que a prova foi apresentada. Não pode é querer que os outros não se sintam aviltados com a bestialidade :)


    Aliás ele deve-se ter inspirado no Jónatas MAchado , o que nunca mas nunca é boa política

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  2. Mas sim a questão central é O teste e não o facto do que ele acha ser certo ou errado.

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  3. E devia estar acessível a todos porque são todos a pagá-lo. Além disso, essa abertura contribuiria também para a confiança pública nas nossas instituições de ensino, para informar os jovens que querem ingressar no ensino superior e, quem sabe, até reduzir a frequência de argoladas como esta. Com a tecnologia que temos é triste que a única informação acerca de uma disciplina seja, muitas vezes, uma folha digitalizada com o resumo do programa.

    Excelente ! ando há séculos a querer recuperar material de aulas antigas e nada...

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  4. Nuvens,

    «A questão é mais vasta , ele usa o teste, numa universidade pública para passar a sua ideia e atropela pelo caminho a cadeira que supostamente está a leccionar.»

    Não é mais vasta. É mesmo essa. A questão que nos deve importar aqui é se esse professor está a formar devidamente os alunos ou se não está a cumprir os seus deveres profissionais.

    O resto, da violação dos direitos constitucionais e afins, é exagero e é até um bocado perigoso...

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  5. Nuvens,

    «ando há séculos a querer recuperar material de aulas antigas e nada... »

    É no que dá não seres meu aluno... ;)

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  6. Pois, eu já ouvi algumas das aulas de "pensamento crítico" que tens na tua página e tenho-te a dizer que se ensinas aquilo, estando a ser pago como professor, estás a doutrinar ideologicamente os jovens, com as tuas opiniões, em vez de lhes ensinares aquilo para que foste contratado.

    Agora, uma coisa é discutir o teor das tuas aulas e não concordar que aquilo seja ensino de matéria objectiva, científica e técnica, mas mera propaganda neoateísta que fazes junto da "pequenada", outra é exigir que sejas despedido ou impedido para todo o sempre de dares aulas.

    Alguns comentadores anónimos do Jugular até já querem levar a tribunal o professor de Direito por crime de "homofobia".

    Aquilo é uma coisa banal nos cursos de Direito; ninguém comparou homossexuais a animais; cientificamente,a nível jurídico, a alteração em causa ao casamento civil não tem a ver com orientações sexuais, mas com "pessoas do mesmo sexo". Um jurista tem de perceber a diferença. É a abertura do conceito que está em causa, e o professor não "doutrinou", apenas lançou a questão. Que é absurda, como muitas outras que sempre apareceram em testes num curso de Direito, para fazer a malta pensar, topam?
    Também é comovente saber que para a esquerda progressista, o único impedimento constitucional para um animal não poder celebrar casamento é este não ter capacidade de celebrar contratos. Isso já diz muito...

    Alunos mimados e com espírito revolucionário ficarem muito chocados ainda se admite; mas gente adulta dar cobertura a isto, é algo que traz água no bico.





    Por is

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  7. Jairo,

    «Pois, eu já ouvi algumas das aulas de "pensamento crítico" que tens na tua página e tenho-te a dizer que se ensinas aquilo, estando a ser pago como professor, estás a doutrinar ideologicamente os jovens, com as tuas opiniões, em vez de lhes ensinares aquilo para que foste contratado.»

    Esse tipo de acusação deve ser feito em concreto, apontado casos específicos nos quais aquilo que digo é mera ideologia minha e não parte da matéria.

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  8. Ludwig, tens formação em filosofia da ciência ou és pago para a ensinar?

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  9. Jairo,

    Eu sou pago para leccionar as disciplinas aprovadas pelo conselho científico da faculdade de acordo com o serviço docente que me é atribuído pelo director do meu departamento. É isso que tenho feito. Se tens queixas quanto a isso sugiro que as dirijas a quem decide essas coisas.

    De resto, se estás a insinuar que eu sou incompetente para leccionar as disciplinas que me atribuem peço-te novamente que digas em concreto aquilo que achas que está mal para que me possa justificar e defender. Senão ainda vão pensar que és só um cobarde que gosta de fazer insinuações difamatórias sem nunca dizer nada de explícito, e não queria que pensassem isso de ti...

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  10. Tens formação em Filosofia da Ciência?
    Tens formação em Teologia?

    São dois pequenos exemplos. O Conselho Científico da tua Faculdade é dirigido por pessoas, as pessoas não são infalíveis. A escola pública também se preparar para ensinar a ideologia gayzista às crianças e, claro, vai ser tudo aprovado por conselhos científicos e pedagógicos, muito catitas...

    Estou a fazer-te uma crítica: ouvi algumas das tuas aulas de "pensamento crítico" e aquilo é propaganda neoateísta. Podes chamar-me cobarde à vontade.

    Se não tens formação em Filosofia da Ciência, és capaz, corajosamente, de o assumir?

    Qual é a tua formação científica?

    Assim que deres a resposta, é só confrontar a tua formação com o conteúdo de algumas dessas tuas aulas e talvez alguns disparates fiquem explicados.

    Vamos a isso?

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  11. "De resto, se estás a insinuar que eu sou incompetente para leccionar as disciplinas que me atribuem"

    És incompetente para leccionar tudo aquilo para o qual não tens competência. La Palisse...

    Epistemologia, Filosofia da Ciência, Teologia ou Religião Comparada são áreas em que tenhas obtido especialização que te permita dar aulas desses a jovens alunos?


    Queres que eu pegue na Aula 5, 14-10-09? Só um lamiré:
    A tua noção "Prova, não é uma demonstração matemática ou lógica", foi-te ensinada em que curso científico?

    Ou talvez a palestra que deste numa escola em Viseu sobre Religião e Ciência? Bem, essa é uma palestra. Valia a pena pelos disparates que lá estão, mas podes sempre usar a desculpa de que não estavas a dar uma aula. Ainda assim,aquilo assemelha-se a convidarem um membro do partido comunista para explicar aos jovens o que é a economia.É que apenas debitaste propaganda neoateísta, ideológica.

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  12. Jairo,

    «A tua noção "Prova, não é uma demonstração matemática ou lógica", foi-te ensinada em que curso científico?»

    Se é por aí, então podes já começar por este semestre. Nunca aprendi a programar em matlab/octave em nenhum "curso científico". Aprendi por mim. Mas o facto de não me terem dado essa matéria num "curso científico" não implica que não tenha competência para a leccionar. Se já tiveste formação superior para além da licenciatura sabes bem que quase tudo o que se aprende a sério aprende-se por iniciativa e esforço próprio, e não de ouvir aulas. As aulas servem para dar o básico, encaminhar os alunos e dar-lhes prática de aprendizagem. Mas
    quanto mais se progride mais esforço tem de vir do aluno e menos do professor, e nunca aprendes nada a sério se esperares que te dêem tudo de bandeja num "curso científico".

    Quanto à prova, se ouviste a aula deves ter reparado que estava a distinguir o sentido em que se usa o termo em sistemas puramente formais, como na matemática e lógica, e na prática quando queremos testar hipóteses acerca da realidade. Neste caso a prova é precisamente um teste e não uma demonstração. Quando o aluno presta provas também não parte de uns axiomas para demonstrar ao professor a nota que merece. Responde a perguntas para testar o seu conhecimento.

    Quanto à Teologia e à Religião Comparada, não dou aulas disso. E de Epistemologia e Filosofia da Ciência sei o suficiente para leccionar essas partes da matéria na disciplina de Pensamento Crítico. Matérias que, tal como a programação em Matlab/Octave, e praticamente tudo o que sei, aprendi principalmente por mim.

    Finalmente, o que falei em Viseu foi aquilo para que me convidaram a falar. Não cobrei por isso, se bem que me pagaram um almoço muito agradável pela companhia. E, curiosamente, as unicas pessoas que se queixaram da minha prestação nessa ocasião foram pessoas como tu que não estiveram lá mas que acharam bem dizer que eu não devia ter falado assim. Como de resto se passa também com estas críticas que estás a fazer. Há quase cinco anos que sou professor auxiliar na FCT e as únicas pessoas que questionaram a minha competência foram comentadores neste blog que nunca assistiram às minhas aulas...

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  13. Jairo,

    Já agora, vou leccionar este semestre a disciplina de Bioinformática Aplicada. E do segundo ciclo (mestrado) e nunca tive qualquer disciplina chamada "bioinformática" na minha vida.

    E esta, hein?

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  14. Este comentário foi removido pelo autor.

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  15. Esta última estocada teve muita elegância - ao contrário das tentativas do Jairo - e penso que foi muito certeira!

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  16. Escapou-te um pormenor, Ludi:

    O Paulo Otero faz um apelo propositado a uma aberração que é o casamento entre uma pessoa e um animal e a uma proposição ridícula que é o casamento entre dois animais.

    A intenção é clara: é fazer uma associção directa entre o casamento homossexual e a própria homossexualidade a uma aberração por um lado e a algo ridículo por outro.

    Dizes que o Paulo Otero é livre de o fazer.
    Seja.
    Também é livre de negar o Holocausto ou de classificar de sub-hamanos tanto pessoas de outras raças ou etnias coomo de outras religiões.

    É livre, então, de considerar aberrante e ridícula a homossexualidade.
    E até de o fazer num teste de uma Universidade.
    Deixai-o fazêlo, pois.
    Mas, hás-de concordar, isso classifica-o como pessoa.

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  17. Nuvens,

    É uma disciplina de introdução, mais larga que profunda. Vou dar comparação se sequências e bases de dados de genes e proteínas, filogenia, anotação, gene ontology e outras parecidas, modelos de dados e bases de dados de estrutura de proteínas, software de visualização e modelação molecular, previsão de estrutura (ab inicio e por homologia), docking e uma introdução ao python para usarem a biblioteca do Biopython.

    Vai ser dada em bloco nas duas primeiras semanas de Maio. Se estiveres interessado aviso quando a página estiver online.

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  18. Luís,

    Esse pormenor não me escapou. Até o mencionei várias vezes. O que queria salientar -- que penso é importante -- é que há uma grande distância entre ser mal-educado, ter falta de consideração ou de sensibilidade, e violar os direitos constitucionais das outras pessoas. Parece-me um exagero perigoso acusá-lo de violar os direitos constitucionais dos outros quando o que fez foi uma piada de mau gosto num exame pouco adequado.

    O que dizes se os mais homófobos argumentarem que a lei que permite o casamento homossexual lhes viola os direitos constitucionais porque é uma ofensa para eles, uma coisa nojenta, uma imposição que os obriga a aceitar o que consideram inaceitável, etc?

    Eu digo-lhes ofendam-se à vontade...

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  19. Ludi:

    E o que dirias do exercício do direito constitucional e da liberdade de um professor que repetidamente arengasse aos teus filhos na escola slogans homofóbicos ou racistas?

    Será que te parecia «um exagero perigoso acusá-lo de violar os direitos constitucionais dos outros quando o que fez foi uma piada de mau gosto num exame pouco adequado»?

    E o que dirias de um professor de biologia a ensinar Dianética na Faculdade de Ciências ou a arengar explicações criacionistas para a origem da vida?

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  20. Luís,

    Esses exemplos que dás são exemplos de falta de profissionalismo. Um professor que em vez de dar matéria repete slogans racistas, ou um professor de biologia que em vez de dar biologia dá religião, não estão a cumprir adequadamente a função que desempenham. Concordo que devem ser substituídos.

    Mas ser incompetente numa profissão não é o mesmo que violar direitos constitucionais, e é preocupante esta confusão. Porque imagina agora que o professor de biologia ensina que a Terra tem quatro mil milhões de anos e o aluno evangélico diz que isso viola o seu direito constitucional de não ser discriminado pela sua religião. Se a bitola é a competência para ensinar biologia o professor está safo. Mas se a bitola é quanto o aluno se ofende com o que o professor diz estamos tramados.

    Daí a importância de distinguir bem as coisas. Se este professor for incompetente para ensinar aquilo repreendam-no por isso. Mas este exagero dos direitos constitucionais é um perigo porque, se o levam a sério, põe em risco as liberdades de todos.

    No fundo, temos de escolher entre sermos melindrosos e sermos livres de dizer o que pensamos. Não se pode ter os dois.

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  21. Ludi:

    Tens toda a razão quando dizes que «No fundo, temos de escolher entre sermos melindrosos e sermos livres de dizer o que pensamos. Não se pode ter os dois».
    É verdade.

    E também tens razão quando me dizes que «Esses exemplos que dás são exemplos de falta de profissionalismo».

    Ora, é precisamente isso que temos de tornar consequente quanto ao professor Paulo Otero.
    Algo tem de ser feito a essa falta de profissionalismo.
    Não tem nada a ver com constitucionalismo.

    Tem a ver com a linha que delimita a liberdade de expressão da "liberdade da asneira".
    Com a primeira convivo bem, como é óbvio.
    Já com a segunda convivo muito mal.

    Mas convivo ainda pior com o argumento que pretende fazer coincidir a liberdade da asneira com o pretexto de que se trata de liberdade de expressão.

    Não me custa aceitar o direito que Paulo Otero tem de considerar a homossexualidade e o casamento homossexual como aberrações e algo ridículo.
    Mas já me custa aceitar - já não aceito - que o "ensine" à minha filha nas aulas de Direito Constitucional.

    Tal como tu não aceitarias que um professor ensinasse aos teus filhos que o mundo foi criado há 6 mil anos ou que o Holocausto é uma invenção sionista.

    É tão simples como isto.

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  22. Luís,

    «Não me custa aceitar o direito que Paulo Otero tem de considerar a homossexualidade e o casamento homossexual como aberrações e algo ridículo.
    Mas já me custa aceitar - já não aceito - que o "ensine" à minha filha nas aulas de Direito Constitucional.»


    É por isso que concordo com as críticas acerca do desempenho do Paulo Otero enquanto professor, mas discordo da sugestão que o Paulo Otero viola os direitos constitucionais dos alunos.

    Quanto à linha que queres traçar entre liberdade de expressão e liberdade de asneira sou totalmente contra. Porque basta pensares a quem é que vais dar o poder de decidir onde traçar a linha para veres que o melhor é aprender a tolerar a asneira, senão ficamos sem liberdade nenhuma.

    «Tal como tu não aceitarias que um professor ensinasse aos teus filhos que o mundo foi criado há 6 mil anos ou que o Holocausto é uma invenção sionista.»

    E como não aceitaria um cozinheiro que queimasse os pasteis de nata ou um cantor que desafinasse. Mas isso não tem absolutamente nada que ver com o artigo 13º da constituição, e é esse o meu ponto.

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  23. Ludwig,

    "Se é por aí, então podes já começar por este semestre. Nunca aprendi a programar em matlab/octave em nenhum "curso científico". Aprendi por mim. Mas o facto de não me terem dado essa matéria num "curso científico" não implica que não tenha competência para a leccionar."

    A tua faculdade aceita-me lá como professor, se eu aparecer e disser "aprendi por mim" determinada matéria?

    "Se já tiveste formação superior para além da licenciatura sabes bem que quase tudo o que se aprende a sério aprende-se por iniciativa e esforço próprio, e não de ouvir aulas."

    Obviamente. Mas eu estou a a falar de uma certificação profissional e de ensino objectivo de uma matéria, específico. Existem historiadores amadores que dão dez a a zero a muitos licenciados em História. Quando eu te pergunto sobre a tua formação científica, não é que me incomode que desses aulas de Teologia ou Religião; é o facto das que queres dar estarem cheias de erros de principiante. Daí, surge um apelo à tua humildade e coragem: admite que não pescas nada do assunto e concentra-te em ensinar aquilo em que tiveste preparação. ;)

    "As aulas servem para dar o básico, encaminhar os alunos e dar-lhes prática de aprendizagem. Mas
    quanto mais se progride mais esforço tem de vir do aluno e menos do professor, e nunca aprendes nada a sério se esperares que te dêem tudo de bandeja num "curso científico"."

    Certo. Mas se me ouvisse a dar uma aula de biologia em que eu dissesse um tremendo disparate; não te irias admirar, querer saber qual a minha formação, se estava a ensinar aquilo para o qual fui formado, certificado e contratado ou não?

    "Quanto à prova, se ouviste a aula deves ter reparado que estava a distinguir o sentido em que se usa o termo em sistemas puramente formais, como na matemática e lógica, e na prática quando queremos testar hipóteses acerca da realidade."

    Pois, já esta frase é de uma profundidade comovente. A matemática e lógica não fazem parte de sistemas "puramente formais", mas da própria realidade. A realidade não é algo sobre o qual se possam lançar ou testar hipóteses SEMPRE; para obter Conhecimento. O conhecimento mais básico, que te permite testar hipóteses, é conhecimento, é indemonstrável, inegável e não pode ser testado como hipótese, já que isso seria uma autocontradição.

    As tuas palavras antes de dizeres o disparate: "Prova não é uma demonstração matemática ou lógica", foram igualmente disparatadas ."No contexto da ciência, conhecimento, formar crenças adequadas à realidade."

    Ou seja: No contexto da ciência, conhecimento, formar crenças adequadas à realidade, prova não é uma demonstração matemática ou lógica.

    Acho que devias estudar mais antes de pretenderes ensinar Filosofia da Ciência ou Espistemologia.
    E se já não bastassem este ( e outros) disparates "técnicos" temos quase sempre, nos exemplos de falácias que dás, exemplos descontextualizados de alegações religiosas, frases bíblicas ou argumentos teístas. Se isto não é propaganda neoateísta, nada o será...

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  24. "Quanto à Teologia e à Religião Comparada, não dou aulas disso."

    Na mesma aula, algo do género: " duas pessoas de religiões diferentes nunca conseguirão debater racionalmente os seus pontos de vista e convencer a outra a converter-se à sua religião".

    Resumiste toda a religião e teologia a mera questão de fé, subjectividade, gosto pessoal, etc. E tudo numa aula sobre "Conhecimento". Isto, não leves a mal que te diga, é propaganda ideológica, contrapôr Ciência a Religião. Tu tens é de ensinar matéria científica objectiva, para filosofar sobre métodos de conhecimento, não tens preparação nem és imparcial. A ideia implicita que está nessas tuas aulas é doutrinar sobre a irracionalidade e subjectividade da religião e crença em DEus, por oposição à Ciência, que "testa hipóteses", "tem de apresentar razões" e onde se podem "dar passos atrás para justificar o conhecimento".

    "Finalmente, o que falei em Viseu foi aquilo para que me convidaram a falar. Não cobrei por isso, se bem que me pagaram um almoço muito agradável pela companhia."

    Aqui a questão não é o dinheiro. É grave se tiveres sido pago, recebido apenas um almoço ou feito a prestação de borla, pelo orgulho de doutrinar crianças com a tua ideologia, tudo depende do enquadramento que foi dado à palestra. A questão aqui é saber:
    A escola era pública?
    Em que contexto foi dada a palestra, em que disciplina ou áreas de estudo?
    Os alunos estavam obrigados, como parte do plano curricular, a ouvir a tua palestra?
    Foram avaliados?

    Se não, foi só um momento infeliz; aquela em que se convida um "descrente em Deus" para dar a sua opinião aos jovens de uma escola, numa palestra. Se fosse ao contrário, convidarem um padre para falar das suas razões para acreditar em Deus, lá teríamos o choradinho do estado laico. Mas,claro, tu foste lá como homem da ciência, dizer como é que as coisas são e tal...

    "E, curiosamente, as unicas pessoas que se queixaram da minha prestação nessa ocasião foram pessoas como tu que não estiveram lá mas que acharam bem dizer que eu não devia ter falado assim."

    Não sejas desonesto. A aula está gravada, eu ouvi-a, logo, a minha crítica, na prática, é de quem "esteve lá".

    "Como de resto se passa também com estas críticas que estás a fazer. Há quase cinco anos que sou professor auxiliar na FCT e as únicas pessoas que questionaram a minha competência foram comentadores neste blog que nunca assistiram às minhas aulas..."

    Não sejas desonesto, já disse. As aulas estão gravadas e disponíveis online. Eu não estou criticar aquilo que não ouvi.

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  25. Jairo,

    «A tua faculdade aceita-me lá como professor, se eu aparecer e disser "aprendi por mim" determinada matéria?»

    Não. Primeiro tens de ter uma licenciatura, um mestrado e um doutoramento. Dá jeito também teres feito um pós-doutoramento para teres alguma investigação com publicações e resultados para mostrar. Se não fosse isso penso que dificilmente me teriam contratado. É claro que convém que o trabalho seja na área que interessa ao departamento que te vai contratar (bioinformática, no meu caso).

    Também te vão pondo a dar aulas práticas em disciplinas sob a regência de professores mais experientes para te familiarizares com os programas das disciplinas, ganhar prática no ensino e assim.

    Conforme fores demonstrando capacidades para leccionar certas disciplinas acabam por te atribuir regências, em função também das necessidades do departamento.

    E se depois disso alguém que não acompanhou o processo, não percebe nada da matéria e nem faz ideia de como estas coisas funcionam te disser que não tens competência para exercer a tua profissão podes dizer-lhe para ir falar com essas outras pessoas todas que decidiram todos os passos desse percurso.

    Ou podes também dizer algo menos simpático. Penso que todos compreenderão se tiveres pouca paciência para aturar essas coisas...

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  26. "E se depois disso alguém que não acompanhou o processo, não percebe nada da matéria e nem faz ideia de como estas coisas funcionam te disser que não tens competência para exercer a tua profissão podes dizer-lhe para ir falar com essas outras pessoas todas que decidiram todos os passos desse percurso."

    Eu fiz algo mais simples, apontei-te erros nas tuas aulas e perguntei-te pela tua formação académica, para podermos compreender a origem de tamanhos disparates. E entretanto, já tinha identificado um padrão ideológico ( neoateísta) nessas tuas aulas de "pensamento crítico". Constato que não quiseste discutir os disparates concretos que aqui trouxe...

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  27. Jairo,

    «Eu fiz algo mais simples, apontei-te erros nas tuas aulas»

    Não. Tu fazes uma grande confusão com um termo, "prova", que pode ser usado em dois sentidos diferentes. No sentido de uma dedução a partir de axiomas e no sentido de um teste a uma hipótese.

    É confusões como essa que eu tento evitar nessas aulas.

    Achas que quando se prova um bolo, um aluno presta provas ou se procura provas de um ancestral comum entre o chimpanzé e o homem se está a fazer o mesmo que provar que raiz de 2 é um número irracional?

    Se sim, em que "curso científico" é que te ensinaram isso? Tens formação nisso? ;)

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  28. Vai ser dada em bloco nas duas primeiras semanas de Maio. Se estiveres interessado aviso quando a página estiver online


    Avisa por favor

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  29. O Jairo tem o curso completo do como-me-enterrar-mais-um-bocadinho-sempre-que-abro-a-boca. LOL

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  30. E também tirou o curso de como-estragar-uma-boa-refeição-por-ter-deixado-queimar-o-entrecosto-na-brasa.

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  31. LK

    Estive mais do que uma vez para responder ao teu post sobre o exame do otero mas estava francamente a necessitar de um fds de sossego pois sentia-me mesmo cansado. Depois de ter posto as circunvoluções cerebrais em molho de cerveja e umas horas valentes de sono merecido em cima aqui vai:



    A menos que se defenda um direito fundamental de nunca sermos expostos a nada que nos ofenda.


    Não é isso, de facto as minorias necessitam de protecções especiais pelo facto de serem minorias e em segundo lugar no caso de serem minorias perseguidas ou minoradas necessitam ainda mais de ajuda pelo facto de ser difícil aos membros das mesmas defendem-se ou expressarem a sua opinião. Outros têm de o fazer ou de se juntar a eles.

    Lembro que as duas raparigas que deram a cara pelo CPMS estão desempregadas , mal são identificadas são despedidas. Vivem de RMI e das ajudas que a ILGA e outras associação dão. Nos meios mais intelectuais estas situações são de difícil compreensão mas o pobão bruto é assim. Estamos numa sociedade profundamente homofóbica.
    E este é o factor a ter em conta.

    Por isso e por muito que se queira há um longo caminho que trilhar na luta contra a discriminação. A discriminação não são só slogans racistas nos estádios , a discriminação também é o que este professor fez.

    Não é não ouvirmos coisas que não gostamos, não ser discriminado é não se ser exposto ao ridículo sem possibilidade de defesa, não se ser desumanizado sem capacidade de protesto, é não se ser assediado constantemente.

    Um exemplo, se eu no meio profissional acusar alguém de ser homossexual ,tal acusação pode valer-lhe o lugar, é este tipo de meio em que vivemos o que torna particularmente grave piadas constitucionais com o caso.

    Não concordo que a questão seja do mau gosto do professor, a questão é o apelo à discriminação num teste.

    Os direitos das minorias tem de ser vistos de uma perspectiva diferente , quando a discriminação ou o apelo à mesma são feitas têm de ser denunciadas.
    Para que não passe impune a ideia de definir pessoas por características secundárias : a cor, a sexualidade, a altura, a gordura, etc.

    Não pelas ideias do professor que gostaria de estar no antigo regime mas lecciona numa escola pública, fruto do 25 de abril com dinheiros de todos nós. Esse senhor pode e deve continuar, apenas tem de saber que o tempo do outro senhor acabou e que numa democracia as pessoas podem protestar e que alunas como aquela podem publicar coisas, ao contrário do tempo dos tribunais plenários que o Otero tanto gosta : )))

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  32. Nuvens,

    Acho que estás a cometer o mesmo erro que apontei no post, que é confundir o insulto com discriminação e falta de profissionalismo.

    Se me despedem por usar óculos é discriminação. Mas se me chamam caixa de óculos é mero insulto.

    Esse professor fez um exame que me parece disparatado. Suspeito que um exame de direito constitucional sobre o casamento entre animais não faça muito sentido, e acho bem que alguém que perceba do assunto se pronuncie sobre a competência desse professor.

    Esse professor associou a bestialidade à homossexualidade, o que pode insultar algumas pessoas. Mas insultar, por si só, é algo tão subjectivo que não serve de bitola. Se esse professor pedisse para se pronunciarem a favor da constitucionalidade do casamento homossexual podia também insultar uma data de gente que acha o casamento homossexual ofensivo. Não lhes dava razão para censurar o professor por isso, também não dou razão a quem se insurge neste caso só pela ofensa.

    E discriminação será se ele reprovar os alunos homossexuais por serem homossexuais. Se o fizer então concordo que está a violar os direitos constitucionais desses alunos, e isso sim temos de combater. Mas neste caso não sei de evidências que sugiram ser isso o que ele faz.

    Mas é fundamental não confundir discriminação com insulto. Se um aluno criacionista disser que é discriminação ter de responder num exame de geologia que a Terra tem milhões de anos de idade, despedes o professor?

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  33. Esse professor fez um exame que me parece disparatado. Suspeito que um exame de direito constitucional sobre o casamento entre animais não faça muito sentido, e acho bem que alguém que perceba do assunto se pronuncie sobre a competência desse professor.

    è precisamente por não fazer sentido que só pode ser lido como insulto e como se trata de um professor catedrático tem de ter consequências mais graves que se fosse dito no café.

    Agora esperar alguma coisa vinda daquelas reuniões de alzeimher que se chamam conselhos científicos....

    Eu já apelei uma vez a um e não guardo boas memórias das múmias, que bestas chumbaram-me a uma cadeira que tinha a certeza de ter pelo menos 17 e nada havia a fazer, era oo professor que tinha de voltar a rever a prova.
    Ora gaita, a questão era essa, o homem era incompetente demais e não percebeu o que eu expliquei, enfim um horror.


    __________________

    Agora se criarmos numa sala de aula um clima de insulto aos negros, se sempre que um entre seja feito um zurro, et etc isto não é discriminatório ?
    por exemplo :))

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  34. Cristy, tenha calma e não bata palmas antes de tempo. Eu retirei-me da conversa porque tudo o que tinha a dizer aqui sobre esta matéria, está dito e não foi demonstrado como falso. Fique atenta porque brevemente irei demonstrar no meu blogue, com mais detalhe e tempo, aquilo que é um facto: Ludwig Kripphal faz propaganda neoateísta nas suas aulas de "pensamento crítico".

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  35. Jairo

    Estou mortinho por ler esse libelo , mortinhos mortinho

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  36. LK


    E sou a favor de se ampliar os artigos relativamente À orientação sexual

    CÓDIGO PENAL

    LIVRO II - Parte especial

    TÍTULO III - Dos crimes contra a paz e a humanidade

    - Artigo 240.º - Discriminação racial

    1 - Quem:

    a) Fundar ou constituir organização ou desenvolver actividades de propaganda organizada que incitem à discriminação, ao ódio ou à violência raciais, ou que a encoragem; ou

    b) Participar na organização ou nas actividades referidas na alínea anterior ou lhes prestar assistência, incluindo o seu financiamento;

    é punido com pena de prisão de 1 a 8 anos.

    2 - Quem, em reunião pública, por escrito destinado a divulgação ou através de qualquer meio de comunicação social:

    a) Provocar actos de violência contra pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor ou origem étnica; ou

    b) Difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor ou origem étnica; com a intenção de incitar à discriminação racial ou de a encorajar,

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  37. Nuvens,

    A ofensa, injuria e afins é algo tão subjectivo que não podes confiar a ninguém, nem a um juiz, político ou advogado, o poder de decidir aquilo que conta como insulto e o que não conta. A única solução, se queremos ser livres de limites arbitrários à nossa liberdade de expressão, é julgar esses actos apenas pelos seus efeitos objectivos.

    Isto não quer dizer que a nível profissional não se exija mais. Se o empregado de mesa diz "foda-se!" cada vez que chega um cliente, e manda o pessoal à merda se não se despacham a pedir, é razoável que o patrão o despeça. Mas não é razoável que a lei intervenha e o prenda só porque o juiz acha que não é legal ser mal criado.

    É essa linha que eu quero bem clara. Se o professor é mal educado, incomoda os alunos e dá mal as aulas só para os insultar, então ponham lá outro professor.

    Mas se começam a dizer que insultar os homossexuais é violar os seus direitos constitucionais estamos tramados. Porque quase tudo o que fazemos -- e principalmente quase tudo o que os homossexuais fazem -- insulta alguém. Dizer-se insultado é um recurso tão fácil para quem não tem razões para opor algo que dar-lhe qualquer poder ou reconhecimento, por pouco que seja, é asneira.

    Por mim, a lei devia cingir-se a casos objectivos de alguém ser despedido ou discriminado por causa destas coisas. Quanto ao insulto propunha apenas um artigo:

    Todo aquele que se sentir insultado, ofendido ou injuriado por expressão alheia, sem que daí resulte dano material ou discriminação que o impeça de exercer um direito seu, que veja se cresce e não entope o tribunal com merdices.

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  38. LK

    É essa linha que eu quero bem clara. Se o professor é mal educado, incomoda os alunos e dá mal as aulas só para os insultar, então ponham lá outro professor.

    Se fizer exames só para insultar alguns alunos, exames os quais nem podem ser resolvidos tal foi a precipitação trapalhona do senhor , que se pode fazer ?

    Denunciar, obviamente.

    agora as ideias trogloditas da criatura são com ele apenas.

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  39. Finalmente li as perguntas do teste!

    (o fds foi para descançar, algum dia tinha de ser)

    Ora para além de achar que as perguntas são absurdas, mal redigidas, não tenho mais nada a dizer...(fartei-me de rir...Já li testes palermas mas este bate tudo aos pontos)

    Chego mesmo a entender o que ele queria com a questão, penso é que não escolheu o melhor exemplo...O raciocinio que ele procurava encalha no absurdo legal das questões que coloca. E não ponho em duvida que o que ele queria era que o aluno explanasse os argumentos que se usam a favor e contra a constitucionalidade do casamento homossexual...NUma comparação muito infeliz.

    Esbarra, entre outras coisas aqui: À luz do direito os animais são coisas, logo, não tem direitos fundamentais, logo, regular o casamento entre "coisas" é no minimo um absurdo legal. Regular o casamento entre uma pessoa e uma coisa é absurdo pelas mesmas razões e finalmente, os argumentos da constitucionalidade ou não do casamento gay partem do principio fundamental de que ambos os intrevinientes são pessoas, nenhum deles é uma coisa...Um casamento com uma "coisa" não tem qualquer interesse para o direito.

    Regra geral os exemplos no testes são sempre exagerados, (em particular nos testes de constitucional) para os alunos identificarem facilmente o problema, mas este não é exagerado é absurdo. O dificil a constitucional não é identificar o problema é encontrar a resposta com base na lei.

    Agora que o teste ofende direitos fundamentais não me parece, de todo, e tenho que concordar contigo que é perigoso esse tipo de pensamento.
    Foi de mau gosto, foi pouco etico, foi feio, e pior de tudo, foi uma atitude de mau profissional, mas não me parece que ofenda direitos de ninguém.

    beijos

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  40. Joaninha

    Chamo atenção para a segunda pergunta, menos óbvia mas toda ele uma finura:

    o homem transpira fascismo a pergunta é quem o coloca a dar aulas ?

    Não há nenhum democrata para o substituir ?


    :_))

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  41. Nuvens,

    Há, deve haver, digo eu, olha eu tive uma professora de constitucional absolutamente genial, não faço ideia qual é a sua ideologia politica, nem qual a sua religião nem nada disso...Sei que foi a cadeira que mais gostei, muito por força da excelente professora que tive.

    Qual segunda pergunta? só li o grupo sobre o casamento entre pessoas e bichinhos e a poligamia... as alineas a e b.

    Há mais?

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  42. Olha lá ó Ludi onde é que eu posso ouvir essas aulas de que fala o Entrecosto Assado?

    beijos

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  43. Infelizmente não devo ter tempo para ler o post que o Jairo promete. É pena, porque longas divagações escritas por autores anónimos interessam-me sempre muito. Mas no interesse da transparência devo revelar aqui a vez (foi só essa) em que um aluno se manifestou contra que se abordasse nas aulas de pensamento crítico temas que envolvessem religião, política ou futebol.

    Mas não por achar que eu estava a fazer propaganda ateísta, política ou por algum clube, mas por achar que os colegas comentavam despropositadamente estes temas nas aulas práticas. De resto, julgo que este aluno não estava inscrito nos turnos práticos que eu leccionava, pelas datas que indica.

    É verdade que alguns temas destabilizam as aulas, por ser difícil os alunos concentrarem-se no método e na análise objectiva, distraindo-se com a vontade de exprimir opiniões. Mas isso é parte do exercício -- é uma coisa importante para praticar, e é preferível que o façam nas aulas do que numa situação em que tenham de tomar uma decisão com consequências.

    Se alguém estiver interessado, pode ler este tópico no fórum dos alunos da LEI. A maioria dos intervenientes usa pseudónimo, mas nesse caso compreendo perfeitamente porque estão a criticar quem os avalia (o Jairo, no entanto, não tem essa desculpa).

    Joaninha,

    As aulas de PC estão disponíveis na página da cadeira. Um professor evangélico que fale na bíblia em todas as aulas ou um católico homófobo safam-se bem se não puserem as aulas online, desde que evitem pôr essas coisas nos exames. Mas enquanto o sistema não se generalizar, os poucos que o fizerem vão atrair os anónimos que gostam de apontar defeitos...

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  44. LK

    Como se chumba a um exame de PC ? :S

    O horror , o horror

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  45. Ludwig, caro pensador crítico, não percebi a tua argumentação. Então quem sou eu é mais importante do que aquilo que eu digo?

    O uso de pseudónimo compreende-se muito bem. A internet está cheia de malucos. Eu, à partida, discuto ideias, factos e argumentos. Não preciso de dizer quem sou para demonstrar que fazes propaganda neoateísta nas tuas aulas. Assim como outros não precisam de dizer quem são para elogiar o conteúdo dessas tuas aulas, pois não?

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  46. Nuvens,

    A página de bioinformática aplicada ainda está muito incompleta, mas fica já com o url:

    http://ssdi.di.fct.unl.pt/~ludi/ba/

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  47. Jairo,

    «Então quem sou eu é mais importante do que aquilo que eu digo?»

    Não. Mas há uma grande diferença entre falar com um encapuçado e falar com alguém que não tem receio de ser associado ao que diz por quem o conhece.

    Além disso, se bem que o anonimato ou os pseudónimos não incomodem quando se discute ideias, quando a conversa passa a ser acusações acerca da competência profissional de alguém o facto do acusador se esconder por trás do anonimato é bastante relevante. Ou, pelo menos, indicador da relevância que se lhe deve dar...

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  48. Nuvens,

    «Como se chumba a um exame de PC ?»

    Na verdade, como os alunos têm 4 fichas mais um trabalho final durante o semestre e é tudo trabalhos individuais (chato para corrigir, com duzentos alunos, mas necessário...), a parte mais difícil da cadeira é a prática. É de longe o que dá mais trabalho aos alunos.

    Mas, além disso, a disciplina tem matéria. É preciso saber estruturar um argumento de acordo com um esquema lógico dado no enunciado, saber identificar os elementos relevantes de um relato científico, de uma hipótese estatística ou causal e analisá-los, lembrar-se dos pontos importantes do processo de decisão, etc.

    Mas é verdade que a parte principal é a prática.

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  49. Jairo, já agora,

    «O uso de pseudónimo compreende-se muito bem. A internet está cheia de malucos.»

    Tens alguma razão quanto à quantidade de malucos. Mas também me parece que a percentagem de malucos entre os que escondem a sua identidade é maior que entre aqueles que dão a cara pelo que escrevem.

    Se é causa ou efeito não sei, mas é pelo menos uma correlação que merece ser considerada.

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  50. Ludwig,

    "Mas há uma grande diferença entre falar com um encapuçado e falar com alguém que não tem receio de ser associado ao que diz por quem o conhece."

    Não tenho qualquer receio de ser associado ao que digo por quem me conhece. Quem me conhece, sabe quem é aquele que está a escrever como Jairo Entrecosto. Não te preocupes. ;)

    "Além disso, se bem que o anonimato ou os pseudónimos não incomodem quando se discute ideias, quando a conversa passa a ser acusações acerca da competência profissional de alguém o facto do acusador se esconder por trás do anonimato é bastante relevante."

    Não, não revela nada. Tens de ser mais objectivo, numa das aulas de pensamento crítico disseste que duas pessoas de religião diferente nunca conseguem discutir racionalmente qual a religião verdadeira. Eu ouço isso, e digo: propaganda neoateísta. Não é ciência, não é filosofia, é propaganda neoateísta. Existem outros exemplos desta propaganda, nas tais aulas de "pensamento crítico".
    Tenho de me apresentar e dar-te o meu número de BI para que a minha opinião passe a ser válida?
    Repara que nem sequer peço o teu despedimento, o fim dessas aulas ou o teu afastamento definitivo da docência, isso é coisa que já não me diz respeito. Quem lá anda e tem de te aturar, abra os olhos ou engula aquilo como científico/filosófico se quiser continuar sem saber o que é filosofia e ciência. Para mim, é-me indiferente.

    Simplesmente dou a minha opinião fundamentada, com citações tuas. Ou eu estou enganado por considerar que fazes propaganda, e então até podes demonstras isso, ou não estou. Agora, focares a atenção no facto de eu ser ou não anónimo, é uma manobra de distração.

    Também é curioso que não tenhas sido tão duro com o Nuvens de Fumo, como estás a ser comigo. Até cobarde me chamas...
    Já viste que o gajo defende, anonimamente, o afastamento do professor Otero, chegando ao ponto de o chamar fascista? Vê lá esses teus princípios. Eu nunca defenderia anonimamente o saneamento de um profissional a partir de interpretações histéricas sobre violações de supostos direitos constitucionais.

    Tens de ter mais fair-play, imagina-te treinador de futebol e eu um anónimo apreciador de desporto, que simplesmente critica aquilo que entende serem os teus erros técnico-tácticos e limitações na metodoligia de treino.

    Estou a tentar ser objectivo, ou melhor, vou ser objectivo no texto que dedicarei a esse assunto, como prometido.

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  51. Jairo,

    «numa das aulas de pensamento crítico disseste que duas pessoas de religião diferente nunca conseguem discutir racionalmente qual a religião verdadeira. Eu ouço isso, e digo: propaganda neoateísta. Não é ciência, não é filosofia, é propaganda neoateísta. »

    Não ciência nem filosofia nem propaganda. É argumentação.

    Num diálogo racional ambas as partes devem apresentar razões para as suas alegações até que uma das partes concorde com as premissas, o raciocínio seja válido e assim ambos concordem com a conclusão.

    Num diálogo entre um judeu e um cristão não há possibilidade de uma das partes apresentar razões suficientes para que se conclua ser esse a ter razão acerca de se o messias já veio e era Jesus ou se ainda está para vir. Porque no fundo isto é uma questão de fé e não uma questão de razões partilháveis com a outra parte.

    «Tenho de me apresentar e dar-te o meu número de BI para que a minha opinião passe a ser válida? »

    Não. Mas levava-te mais a sério se não estivesse a dizer estas coisas escondido atrás de uma personagem descartável.

    (e penso que a lei dá o direito ao acusado de saber quem são os acusadores; julgo que há boas razões para isso).

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  52. Jairo,

    «Ou eu estou enganado por considerar que fazes propaganda, e então até podes demonstras isso, ou não estou. Agora, focares a atenção no facto de eu ser ou não anónimo, é uma manobra de distração.»

    Mas supõe que eu explico e justifico o que faço. Explico o contexto dessa parte que citaste, explico que estou a ensinar o que é um diálogo racional, que as razões são premissas aceites por ambas as partes e assim por diante. Supõe que mesmo assim tu insistes que isso é propaganda e recusas-te a aceitar qualquer explicação. E supõe que, se isso começar a levar outros a pensar que estás de má fé simplesmente mudas de alcunha e descartas-te de tudo o que disseste antes.

    Como já tenho alguma experiência com pessoas que fazem isso fico sempre um pouco desconfiado quando alguém assim começa a embicar com qualquer coisa. Sinto que perco muito tempo a explicar-me para nada...

    Quanto ao que o Nuvens exige do Otero, eu já disse o que pensava sobre o assunto. Se o Nuvens me acusar de alguma coisa defendo-me na medida do que achar que vale a pena, e se ele acusar o Otero o Otero que fale por si. Não sou pai de toda a gente.

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  53. "Estou mortinho por ler esse libelo , mortinhos mortinho"

    Nuvens,
    antes tu que eu ;-)

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  54. Ludwig, a tua insistência na questão do anonimato não faz sentido.

    "Mas supõe que eu explico e justifico o que faço. Explico o contexto dessa parte que citaste, explico que estou a ensinar o que é um diálogo racional, que as razões são premissas aceites por ambas as partes e assim por diante."

    Não há explicação que resista. Dizer que dois religiosos não podem debater racionalmente um com outra as respectivas crença, não é ciência nem filosofia. É uma opinião tua. E é só isso que está em causa.

    "Supõe que mesmo assim tu insistes que isso é propaganda e recusas-te a aceitar qualquer explicação."

    Eu nem preciso de insistir, por mais explicações que dês,não consegues tornar isso em filosofia ou ciência.

    "E supõe que, se isso começar a levar outros a pensar que estás de má fé simplesmente mudas de alcunha e descartas-te de tudo o que disseste antes."

    E vamos supor que tu arranjas uma alcunhas e entras em debate. Se vamos para esse tipo de especulação, havendo a possibilidade de anonimato, tudo é possível, incluindo isso. Que é uma possibilidade que não me preocupa, interessam são as ideias, os argumentos e os factos apresentados. Quem assina, é-me indiferente.

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  55. Jairo,

    Dá-me um exemplo de um argumento que realisticamente levasse um judeu e um cristão a chegar a acordo acerca de Jesus ser ou não ser Deus.

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  56. Essa seria uma discussão filosófica ( problema do mal e sofrimento), teológica (qual a necessidade de um redentor) e histórica (análise dos registos históricos de alegação e testmunhos de divindade e ressureição). Tudo racional.

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  57. Jairo,

    Podes-lhe chamar o -ógico que lhe quiseres. Mas o facto é que nem o judeu vai conseguir encontrar razões que sirvam ao cristão como ponto de partida para concluir que Jesus era um falso messias, nem o cristão vai encontrar razões que sirvam ao judeu para concluir que Jesus era Deus.

    E isso porque a divergência entre eles não assenta em razões, no sentido estrito de premissas partilháveis úteis na argumentação, mas em factores pessoais irreconciliáveis. Daí que, neste tema, não possam ter um diálogo racional produtivo.

    Imagina o Jónatas Machado a dialogar com o Alfredo Dinis acerca de como interpretar o Génesis. Ou o Nuno Gaspar e o Mats.

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  58. Ludwig Krippahl

    Estive a dar uma vista de olhos no Bio-Python, interessante. Vou depois ver os outros programas, obviamente falta-me o conhecimento profundo de bio :)) para retirar mais gozo da coisa, mas vou acompanhando.
    Não se perdem neurónios a ler, :)

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