domingo, outubro 18, 2009

Treta da semana: Terapia da Música do Cristal.

Por alguma razão (deve ser karma), recebo regularmente emails da Indian Rose (1). Esta semana vinha a anunciar «o regresso de Bradford W. Tilden a Portugal ». Segundo o email, «De Outubro a Dezembro, vai dar continuidade aos trabalhos já iniciados com cristaloterapia e som, e dar inicio a novos cursos. […] Para além de todas as actividades já mencionadas, Bradford vai realizar, pela primeira vez em Portugal, dois concertos de piano, que terão lugar em Dezembro, e prometem ser uma experiência única.» O tipo é fantástico. Não é qualquer um que proporciona uma experiência única duas vezes.

No site do, segundo o próprio, talentoso Bradford, podemos ver uma «condensação dos muitos talentos do Bradford que incluem Música de Piano Original, Cura por Cristais e Pedras Preciosas, Cura por Som, Supercomidas e mais.»(2) Vem até com a explicação como estas terapias funcionam, segundo a tão famosa disciplina de física-quântica-da-treta:

«O Tempo Branco Universal ensina uma abordagem científica às terapias por pedras preciosas baseada em como as frequências emitidas por cristais diferentes, pedras preciosas e várias combinações afectam as nossas vibrações ao nível sub-atómico do nosso ser. A este nível, os cientistas descobriram que os átomos são feitos de cordas de energia a vibrar a várias velocidades. Isto significa que toda a matéria é simplesmente som cristalizado criando uma estrutura que pode conter luz.» (3)

Alguns neo-físicos, também conhecidos como ultra-físicos, chegam a dizer em público que isto é um disparate e alegam haver um conflito entre a Cristaloterapia Musical e a ciência. Isto começa logo por ser a falácia comum da técnica de Dizer que Há Conflito. É muito fácil de refutar. Considerem o seguinte diálogo, perfeitamente realista e nada inventado.

NEO-FÍSICO: Há aí um conflito porque essa coisa do som cristalizado contendo luz não faz sentido nenhum na física moderna.
REFUTADOR: Ah, mas você pode PROVAR que não faz sentido NENHUM?
NEO-FÍSICO: Sim... o som são ondas de choque que se propagam na matéria, pelo movimento de partículas, enquanto que um cristal é uma estrutura ordenada de átomos ou moléculas. E a luz não tem nada a ver com isso...
REFUTADOR: Sim, você prova que não tem ESSE sentido. Mas pode provar que não tem sentido NENHUM? NENHUM MESMO? HEIN?
NEO-FÍSICO: O quê?... Mas...
REFUTADOR: AHA! Está refutado!

Como se vê, a refutação é automática e nem é preciso saber nada de física. Basta ir insistindo até o outro desistir. Além disso, estes ultra-físicos, ao tentar destruir a visão do mundo dos cristaloterapeutas musicais, cometem o erro de não reconhecer como a subjectividade é o mais importante nas teorias acerca da realidade. Não interessa se os cristais curam mesmo ou não. O que interessa é adiarmos uns meses a ida ao oncologista e ficar a ouvir os CD deste senhor com um cristal na mão até ser tarde demais. Porque se alguém morrer desta maneira, no hospital, obviamente, só dá mais um exemplo de como a ciência e a medicina convencional não resolvem tudo.

Para quem estiver interessado, aqui fica o anúncio da workshop na próxima sexta-feira.

O Bradford é um músico com formação académica na área do piano, que enveredou depois pela área da cura através da formação em massagem, cura pelo som, Cristaloterapia com Tempo Branco e Cura com Tempo Branco. Hoje em dia abraça também o projecto de criar a Escola Lemuriana de Cura Natural Intuitiva.»

Tendo formação na área do piano e na área da cura, presumo que a escola seja na área da Lemúria ou arredores...

1- www.indianrose.pt.
2- Crystal Music Healing
3- Crystal Music Healing, Universal White Time Gemstone Healing & Lemurian Intuitive Crystal and Sound Healing

38 comentários:

  1. Ora ai está uma excelente refutação, e que me parece bastante familiar. Sim, tb já perdi umas horas a discutir com o homem das refutações. :)

    Vendo as objecções à cristaloterapia tão bem refutadas, só posso é "converter-me" a este tipo de terapia... Afinal morre tanta gente nos hospitais!

    Não podemos interpretar literalmente isso do "som cristalizado que pode conter luz". Isso é uma forma metafórica de descrever a coisa para que o comum dos mortais possa perceber, e não reflecte a verdadeira sabedoria que está por detrás. Não se pode interpretar essas palavras com o sentido que lhe damos na ciência, que é um domínio totalmente separado. É preciso tirar um curso de cristaloterapia e SENTIR a coisa a funcionar, antes de podermos discutir o seu mérito e ousarmos tentar desmontá-la. :)

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  2. Com um único post mataste vários coelhos de uma cajadada só!
    Das melhores tretas da semana que fizeste.

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  3. Eh!Eh!Eh!

    Onde é que já ouvi isto?

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  4. Cura com Tempo Branco. Cura Natural Intuitiva. Deve ser a cura do "deixa estar que isso passa". A cura dos calhaus soa-me a sopa de pedra...

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  5. -- discos pedidos --

    Alô Alô Marciano

    Dedico ao público típico desses vigários. E para o Gaspar não ficar com inveja dedico também ao público típico dos outros.

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  6. Vi num site hagiográfico que Bradford

    «Viaja por todo o mundo dando concertos de cura espiritual bem como «workshops» de cura com cristais e som. As suas digressões mais recentes incluem um concerto em Florença (...) bem como vários na região de Lisboa, Portugal, incluindo um em colaboração com André Louro de Almeida, um dos mais proeminentes terapeutas do som em Portugal.»

    Como não sabia que o som estava doente, fui à procura. Dei então com o André Louro de Almeida num site ainda incompleto que o apresenta (por lapso?) mais na forma de escritor e não tanto como terapeuta do som. Mas deixemos os pormenores e atentemos ao seu recente livro “Retorno à Luz” que Margarida Mello, Cardiologista Sénior da UTIC AC do Hospital de Santa Maria, introduz (?, pelo menos no site) com grande elevação:

    «Têm sido convincentes os testemunhos relatados por “pacientes” meus, em suas lúcidas experiências pos-mortem!!!(...)

    Na verdade, salvo algumas formalidades de breve sentido religioso, e/ou a “sensação de perca” definitiva e inexplicável para outros, socialmente - a morte - confina-se à “reciclagem” virtual dos óbitos - justamente porque a grande maioria dos seres humanos se desconhece a si mesmo como realidades psicossomáticas e espirituais, ou seja, ignoram a imanência da sua mais profunda natureza ontológica e a transcendência do desígnio que as espera.

    Talvez estejam aqui reunidos, alguns dos requisitos básicos para (re)encontrarmos esse estádio de libertação interior e de aceitação incondicional dos desígnios ocultos revelados intimamente, a cada um!
    »

    Por apenas 33€.

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  7. Escritor não. Afinal há um preçário

    http://www.iridia-lumina.org/artshop-produtos-precario.html

    com fortes indicações de que André também pinta, desenha e compõe.

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  8. Para encerrar o meu ciclo de reflexão: que cristal escutou André Louro de Almeida para publicar um livro com um erro ortográfico no título?

    (ou o acento agudo em “Retorno á Luz” é de, algum modo, intencional e propiciador?)

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  9. "Alguns neo-físicos, também conhecidos como ultra-físicos, chegam a dizer em público que isto é um disparate e alegam haver um conflito entre a Cristaloterapia Musical e a ciência"

    A ciencia não explica tudo. Podes dizer-me o que está o Dalai Lama a pensar neste momento? (não vale responder "nada").

    Felizmente que temos pessoas como o Sr Tilden para nos revelar estas coisas. Não sabem a maravilhosa viagem que perdem.

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  10. Alem do mais a ultrafisica não tem moral.

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  11. Bruce,

    Na tua investigação conseguiste averiguar porque é que a cardiologista tem "pacientes" em vez de pacientes?

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  12. O DIA D PARA A MÚSICA BRASILEIRA.

    A PEC da Música irá à votação no dia 21, quarta feira, às 14h na Câmara dos Deputados e sua participação é decisiva!

    A presença dos músicos, artistas, produtores e outros interessados no tema é fundamental para pressionar os deputados a votarem a favor da PEC. Haverá estrutura para recebê-los e todos estão convidados!

    Precisamos de 308 votos (de um total de 513). Contate os deputados do seu estado e peça que votem a favor. Divulgue a proposta em suas redes de relacionamento, blogs, e-mails etc. Esta é a hora de pressionarmos.

    Dúvidas: Gabinete do Deputado Otavio Leite (autor da proposta)
    Em Brasília: (61) 3215-5437
    No Rio de Janeiro: (21) 3388-6240
    E-mail: tatiana@otavioleite.com.br / gabinete@otavioleite.com.br
    Saiba mais: http://www.otavioleite.com.br/pesquisa.asp?q=pec+da+musica

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  13. «conseguiste averiguar porque é que a cardiologista tem "pacientes" em vez de pacientes? »

    Ludwig,

    Não... :) Mas confesso desde já que prefiro que o meu médico esteja mais concentrado no paciente sem aspas do que nas directivas transcendentes para a minha saúde. Já não seria a primeira vez que o deixava claro num consultório. Por outro lado conheço alguns médicos que usam “paciente” sem aspas dando à palavra o mesmo valor que teria em medicina veterinária. Ora, destes também não preciso. O que eu posso garantir após 36 anos de averiguação é que quanto mais anos me passam no canastro melhor me parece a "medicina" preventiva...

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  14. Os ultras são lixados. É por isso que alguns foram para a prisão.

    (zing!)

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  15. putz.. tentei comentar sem estar logado, dammit! ;/
    Bom, em resumo eu estava criticando o seu modo de escrever. Irreverente, gostei mesmo. também falava sobre a minha dificuldade em entender o seu posicionamento devido você utilizar ironia / sarcasmo..
    Eu voltei aqui era pra falar sobre o post da crença, vi que você leu alguma coisa a respeito da Conscienciologia, talvez te interesse o princípio da descrença.. parece que vc tem algumas ideias afins dessa neociencia, a começar pelo próprio principio da descrença ;]

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  16. Ena! a musicoterapia vem à baila! :)

    Bem, Mozart e a luminosa música barroca... Bach, Vivaldi e afins... já serve suficientemente bem para tal desiderato.

    A este respeito, note-se que o compositor austríaco escreveu algumas peças para harmónica de vidro, um instrumento hoje desconhecido mas que tem muitas semelhanças com as taças tibetanas de cristal, ou mesmo apenas de metal.

    No YouTube há este excerto do "Adagio e Rondó para Harmónica de vidro e Quarteto".

    De qualquer modo, o som das autênticas taças tibetanas é muitíssimo mais intenso e envolvente, e constitui de facto uma experiência bem poderosa para quem se deixar mergulhar nele, terapias ou não terapias à parte!

    Tanto em Lisboa como no Porto é por certo fácil poder ter essa experiência, e nem é preciso assistir a nenhum concerto formal. Bem, claro que tal como na música comum haverá intérpretes mais ou menos virtuosos, mas eu aconselharia vivamente os interessados a escutar e tentar imergir nesse som... that's quite nice indeed! :)

    Há mais ainda a explorar na técnica do "som interior", mas para já as taças chegam e sobram, afinal trata-se de uma experiência real de envolvência sonora... e única!

    Por fim, e a propósito de livros, há já várias obras escritas por médicos convencionais acerca do uso terapêutico das taças de cristal, como o Dr. Mitchell Gaynor, um reputado oncologista norte-americano que relata a sua prática no livro "Sounds of Healing". Quanto à teoria mais o "mumbo-jumbo", não convém perdermo-nos aí, a arte da cura é essencialmente pragmática e mui pouco matemática!

    Ah! claro que no YouTube há vários vídeos que se podem procurar em "tibetan bowls", mas um concerto ao vivo é outra louça... cristalina!... em especial se pudermos estar mesmo no meio das taças, a vibração pode ser fortíssima!!!

    Remember: music is pure emotion and emotions DO play a strong part in most illnesses, so there must be a connection between sounds and health... not too difficult to accept, right?!

    So relax, listen and enjoy... music is fun and joy! :)


    PS: E para completar, eis um dos vários comentários muito entusiásticos a esse livro que só vi mas ainda não li:

    Dr. Gaynor integrates sound and emotion as powerful tools in his medical arsenal leading his patients back to health. His use of the healing power of sound compliments the use of conventional medicine. Dr. Gaynor's guided meditations have helped achieve living miracles in "terminal" patients. This book reaffirms anything is possible when we discover what made us ill and how we can rebuild our lives during and after illness. This book is a priceless road map to self discovery and joy.

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  17. Faço das minhas palavras as de quem escreveu o comentário anterior, Dr Gaynor tem utilizado várias abordagens terapêuticas utilizando taças de cristal precisamente no tratamento de cancros.

    Já agora, o sarcasmo tem limites, sim há pessoas a morrer de cancro, há pessoas como eu que têm doenças crónicas para as quais a medicina convencional se encontra completamente impotente, por se desconhecer causas e cujo tratamento incorre riscos em termos de efeitos secundários.
    É legitimo haver outras alternativas outros caminhos que só a mesquinhez portuguesa pode ser indeferente.

    Mais nenhum terapeuta sério, incluindo o que tu falaste, vai sequer sugerir a um pessoa que não vá ao médico!

    Mas se calhar tu nunca tiveste um cancro ou um doença grave e não sabes o sofrimento que é ter que passar por isso; é que estas terapias ajudam muito a lidar com esse sofrimento, a passar pelos momentos dificeis com serenidade e a trabalhar a cura a partir de dentro.


    Se tiveres inteligência e mente aberta lê Amit Goswami
    (Self Aware Universe)

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  18. Ena! também recebi o mail da Indian Rose, já estou na lista das pessoas importantes! :)

    Tem lá um link para um pequeno excerto de um Concerto com Taças de Cristal, creio que em Portugal, do Bradford Tilden, mas ouve-se mais a voz que o som das taças! Além disso, são apenas 3 e ele só toca uma... demasiado minimalista para o meu gosto!

    As 4 ou 5 experiências que tive, todas no Vida Sã aqui em Famalicão, foram com uma dúzia de taças de vários tamanhos, iguais a essas que se vêem no vídeo, cristal de quartzo branco. A combinação das notas de várias taças pode produzir sons intensíssimos e muito vibrantes, que ressoam poderosamente no nosso interior... não me lembro nunca de ter sentido nada assim parecido ao ouvir discos ou ir a concertos, neste caso quase só de música erudita.

    Deveras, a música das taças é um tanto viciante porque a experiência, pelo menos para mim, é hilariante... it does feel SO nice! Bem, é certo que eu me rio com tudo, está visto que tino e siso são qualidade que não abundam na floresta de Gnomintos tolos... I do agree! ;)

    Anyway... numa nota mais séria e aproveitando o comentário pessoal do Ophrim, continuo sem perceber muito bem a posição dos ilustres sábios doutorados que por aqui escrevem, quanto às terapêuticas menos convencionais - medicina chinesa, ayurvédica, naturopatia, homeopatia, medicina tribal ou xamanismo e afins. E muito menos ainda a posição, que até creio ser (quase) unânime, contra o enquadramento legal destas práticas, algo que me soa bem estranho...

    É que, no que se refere à medicina e arte da cura, não estamos a lidar com meras discussões teóricas de criacionismos ou religiões e afins, onde diferentes opiniões não são assim tão importantes quanto isso, pois a sua relevância prática no nosso quotidiano é limitada. Porém, a arte médica lida com algo que é muito real para cada um de nós: a dor, o sofrimento e a consciência da mortalidade!

    Para não me perder demasiado em muitas teorias, relembro aquilo que o Ophraim diz atrás... nenhum terapeuta sério (...) vai sequer sugerir a um pessoa que não vá ao médico... óbvio!

    Continuo a salientar que a medicina milenar que ainda hoje se pratica NÃO é uma prática terapêutica que se opõe à moderna medicina científica, mas antes a complementa naqueles aspectos onde se pode mostrar superior, por exemplo, por ser menos agressiva e invasiva. Afinal, aquilo a que hoje chamamos "medicina" é algo que apenas surgiu nos últimos 2 séculos, mais ou menos, sendo pois quase contemporânea da homeopatia, ela própria representando já uma reacção contra as práticas médicas correntes e que por certo não faziam jus ao "primum non nocere" hipocrático.

    Convém recordar que as simples medidas mais básicas de higiene, como o lavar as mãos hoje tão insistentemente recomendado, NÃO eram seguidas pelos médicos de então quando observavam vários doentes, embora a microbiologia fosse já uma ciência reconhecida e a teoria dos germes ou micróbios patogénicos não fosse desconhecida.

    Já agora, e voltando ainda à religião, compare-se esta espantosa e criminosa ignorância com os minuciosos preceitos de higiene enunciados nos livros sagrados, como a Bíblia, o Corão ou os Vedas, mesmo que talvez fossem só praticados pelos sacerdotes ou classes nobres. Este tipo de higiene escrupulosa é pois comum às grandes tradições médicas dos povos antigos e representa um exemplo daquilo que o ramo médico, que mais tarde desembocou na moderna medicina, NÃO seguiu ou ignorou! Nâo importa sequer saber se esses povos sabiam ou não de germes patogénicos ou doenças infecto-contagiosas, interessa só salientar que o acto de se lavar com frequência era uma recomendação com grande relevância prática.

    A este respeito, note-se que nas escrituras indianas se recomenda tomar banho após defecar, o que é um conselho muito meritório em zonas tropicais onde as infecções gastro-intestinais são frequentes.

    (continua)

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  19. Em suma: o conhecimento científico, que pretende saber as causas dos fenómenos, não é contrário ou oposto ao conhecimento empírico, apenas o clarifica ou esclarece. Daí que, por exemplo, a fitoterapia tradicional pode ser agora muito melhor explicada pelo conhecimento dos princípios activos das plantas medicinais e seu efeito terapêutico no corpo humano. Da mesma forma que o uso de alimentos frescos, em especial os citrinos, era utilizado empiricamente no tratamento do escorbuto, séculos antes de se descobrirem as vitaminas e o seu papel no metabolismo.

    Bem, estes exemplos são fáceis, porque é ainda tudo muito físico, só que, estranhamente, a tal medicina científica, já no dealbar do séc. XXI, permanece pouco aberta aos aspectos emocionais da doença, mesmo nos casos em que estes se revelam pelo menos tão importantes como os físicos na etiologia das doenças.

    A este propósito, e já que o cancro é talvez o exemplo mais marcante e foi igualmente aqui referido, volto a aconselhar a leitura de 2 livros magníficos do cirurgião norte-americano Dr. Bernie Siegel, ambos editados pela editora Sinais de Figo:

    "Amor, Medicina e Milagres" e "Paz, Amor e Cura"

    Estão disponíveis na Wook, tanto na versão original - mais barata - como na tradução portuguesa e talvez a sua leitura permitisse uma melhor compreensão destes temas ligados à terapia das emoções, onde a música e o som, tal como a arte espontânea em geral, desempenham um papel importantíssimo e indesmentível.

    Por fim, é como digo: por muito que leia este tipo de posts e respectivos comentários, ainda não percebi lá muito bem o que é que os seus autores advogam a respeito das terapias não convencionais, ou seja, aquelas que ainda não estão plenamente integradas na moderna praxis médica, ainda que vários médicos e profissionais de saúde com cursos reconhecidos as incorporem na sua prática clínica.

    Ou será que a Medicina Mente-Corpo também é um bicho de sete cabeças, já que, no fundo, essa é a vera essência de TODAS as terapias das tradições fundadas na sublime Artis Medicae desde os confins do tempo?!

    What is Mind-Body Medicine

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  20. Cada qual tem o seu negócio.

    Tenho um conhecido, não amigo, que em Alvalade - Luanda- se especializou em assaltar as pessoas que chegam recentemente.

    Só esses!

    Diz que tem uma pistola e lá faz o seu negócio.

    Os fresquinhos, como eu já fui, borram-se de medo.

    Faz um bom pecúlio!

    Ficamos amigos quando ele, um profissional, se enganou comigo só porque troquei os óculos por lentes.

    Pensou que eu era um neófito e eu até já era cliente dele.

    Fartamos-nos de nos rir!

    - Oh meu irmão! Já dei!...kkk! Tenho é lentes em vez de óculos!

    - Yhah! Branco é todo igual !

    - Preto também!

    Riso mutuo!

    Umas cervejas em comum e já lhe aponto os neófitos !

    - Olha aquele!

    - Me parece...vou lá!

    A vida é assim!

    Tenho de fazer um tratado teológico, pseudo-cientifico, falar de energias e karmas para justificar isto ?

    Eu penso que as cervejas bastam!

    E, há meta-fisica bastante em não pensar em nada....

    Poderia, claro, com o meu quase amigo falar da energia inicial, a que deu origem a tudo, e do pecado original - o que também deu origem a tudo- e no Maomet, e em Buda, e nos Nirvana, e no Júpiter e no Saturno, na burra de Balalão e na bruxa da Pontinha.

    Limitamo-nos à cerveja e eu a apontar o próximo neofito.

    Coisas de descrentes.

    Somos felizes assim.

    Se alguma de vossas excelências for brevemente a Luanda lá o esperamos!

    Com ou sem metafisica!

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  21. Ainda a propósito de musicoterapia, fui ver agora o artigo na Wikipedia que já é bem informativo e contém uma data de diversos links, incluindo programas universitários específicos no Canadá e nos EUA.

    Não há aí nenhuma referência directa às taças tibetanas, mas, como já disse na primeira intervenção, elas são bastante utilizadas em ambos os países.

    Agora se há ou não os tais famosos "estudos científicos" acerca do benefício das taças de cristal em pacientes cancerosos e outros com enfermidades crónicas graves, não o sei, mas volto a recordar que a experiência empírica precede a teoria e prova científica. Primeiro vem sempre a observação, certo? Naturalmente, se estas técnicas são usadas é porque se verificaram resultados significativos em alguns doentes, quer a nível físico quer somente no plano psicológico, que já é meio caminho para a cura.

    Ainda a propósito do famoso "efeito placebo", que é agora a "desculpa" vulgar para explicar as tais supostas curas ou melhorias quando não se usam tratamentos médicos convencionais reputados como eficazes, importa realçar que esse deveria ser o ponto de partida para o estudo da relação mente-corpo... mind-body medicine, afinal... e NÃO apenas uma resposta definitiva de quem pensa assim explicar algo cujo mecanismo é ainda fundamentalmente desconhecido!

    A este respeito, há alguns estudos recentes que ligam o efeito placebo, e o contra-efeito nocebo, aos níveis de óxido nítrico (NO), que seria aumentado no 1º caso e diminuído no 2º. Isto para além das explicações mais antigas quanto ao aumento do nível de certos neurotransmissores, como a dopamina. Ainda assim, mais do que a fisiologia envolvida importava mesmo era conhecer deveras aquilo que despoleta essa resposta, a qual não é uniforme para todas as pessoas, claro. De facto, perece que apenas 1 em cada 3 doentes é susceptível ao efeito placebo.

    Richard Dawkins, que tem combatido activamente estas práticas terapêuticas empíricas ou pré-científicas, reconhece pelo menos 2 importantes mecanismos que poderão explicar a crescente popularidade das terapias alternativas ou complementares: a atenção prestada ao paciente e o famoso "toque terapêutico", ou a antiga cura pela "imposição das mãos", descrita em livros como a Bíblia, por exemplo.

    Ora mas se isto é assim, por que razão os médicos convencionais não são treinados para fazer o mesmo?!

    (continua)

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  22. Esmiuçando estes 2 pontos, note-se que um médico alternativo pode dar consultas de 1 hora e mais ainda - 90 minutos para a 1ª consulta é vulgar - onde se pode falar não apenas de sintomas e doenças, mas conhecer o estado psíquico subjacente a tantas condições físicas, algo que só por si justifica o tal "efeito placebo", se muitas enfermidades são deveras psicossomáticas ou têm uma componente mental importante. Ora bem, este é um ponto onde não há de facto discussão e a superior qualidade deste atendimento muito mais personalizado é reconhecido pela medicina convencional... ponto final!

    Em 2º lugar, e ligado ainda com o 1º ponto, existe de um modo geral uma ligação muito mais afectiva, emocional e física, entre paciente e terapeuta, nos esquemas alternativos. Mais ainda, aquilo que até há algumas dezenas de anos era vulgar numa consulta médica - o toque, o pulso, a palpação ou o exame físico manual - tem perdido cada vez mais espaço no consultório, onde simplesmente não há tempo para o aprofundar dessa relação do médico com o seu doente. Além disso, como a moderna medicina científica se baseia cada vez mais em dados objectivos e menos na interacção subjectiva e na própria intuição do médico, já não se dá tanta importância a um exame físico manual nem muito menos se desenvolve esse tipo de sensibilidade na "ponta dos dedos", que muitos terapeutas naturistas cultivam e possuem. Talvez apenas os fisioterapeutas e massagistas clínicos sejam deveras treinados nessa importantíssimo arte, que continua a desempenhar um enorme papel na medicina "não científica".

    Bem, quem já foi a spas ou recebeu uma massagem deliciosa e relaxante por certo sabe bem daquilo que estou a falar. Meaning... o toque manual é mesmo terapêutico e prazeroso, tal como carícias amorosas, that's it! :)

    Em suma: não existem apenas os "inimigos da razão", mas também os obcecados SÓ pela razão... big, big mistake! E essa visão míope e muito estreita não é possível na arte e ciência médica, a qual não é redutível à asséptica certeza matemática objectiva e dogmática... at least for NOW!

    Logo, quem quer uma medicina meramente mecânica para robôs que ainda não somos? Por isso, o antigo e o moderno podem e vão continuar a conviver lado a lado, até talvez se fundirem lentamente numa só Artis Medicae, quando deveras conhecermos o que é ser plenamente humano... sem ilusões nem engano!

    Yes! that wonderful day is coming our way!!! :)

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  23. Ora mas se isto é assim, por que razão os médicos convencionais não são treinados para fazer o mesmo?!

    Mas estás enganado. Eles são treinados para fazer o mesmo. Aquilo que podes dizer é que não têm tanto tempo como os "alternativos" para te darem tanta atenção. Há aqui, de facto, qualquer coisa a aprender desta gente.

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  24. Sousa da POnte

    então Luanda ? Continua uma borrada quando chove ? Heheheh

    Abraços e força, a proxima cuca que bebas, olha bebe por mim ))))

    Ab

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  25. Quanto à musica dos cristais

    Caros posso garantir que há certos cristais que quando ingeridos nos fazemn ouvir celestiais óperas. Verdade verdadinha, não é aconselhável o seu consumo prolongado e apenas no âmbito da descoberta do processo cognitivo.

    Hummmm, pressinto que não falamos do mesmo ....

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  26. Ophrim e leprechaun,

    A minha posição baseia-se em distinguir duas coisas que não acho boa ideia confundir. O cancro, por exemplo, deve-se à reprodução anormal de células cujos sistemas de regulação foram alterados. A eficácia de uma terapia para esta doença depende da sua capacidade de destruir estas células ou mitigar os seus efeitos.

    Além disso, as pessoas que sofrem de cancro padecem de um problema grave e, naturalmente, qualquer coisa que as ajude a sentir-se melhor será bem vinda. Pode ser ir ao cinema, a exposições, ao jardim zoológico ou ouvir taças de cristal. Tanto faz. Cada um saberá o que gosta mais de fazer.

    O que eu proponho é que engana as pessoas chamar a estas últimas uma terapia. São uma diversão, um escape, algo que as ajuda a relaxar e a lidar com os problemas mas não são algo que resolva o problema por si. E é perigoso sugerir que são porque a tentação de deixar as injecções dolorosas e os comprimidos nauseantes e dedicar-se só às tacinhas é muito grande.

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  27. Leprechaun:

    "Agora se há ou não os tais famosos "estudos científicos" acerca do benefício das taças de cristal em pacientes cancerosos e outros com enfermidades crónicas graves, não o sei, mas volto a recordar que a experiência empírica precede a teoria e prova científica. Primeiro vem sempre a observação, certo?"

    Ja ultrapassamos essa fase. Isso foi no passado. Há cerca de 60 a 80 anos que a ciencia coloca as proprias hipoteses. Porque é dificil encontrar coisas novas, e é preciso, saber onde procurar. Isto é muito importante. O nivel de conhecimentos atuais, é já bastante razoavel. Demora um minimo de 6 anos para se ter uma ideia basica de como se trata um ser humano. Esse tipo de coisas, sem plausibilidade, ou com precisão de serem placebos elaborados, é como querer enriquecer à espera de encontrar uma mala cheia de dinheiro. É possivel, mas pouco provavel. É melhor procurar enriquecer noutro sitio.

    Com o Ludwig respondeu antes de mim, é importante conhecer como as coisas funcionam para saber se há PLAUSIBILIDADE na sua actuação. Bàsicamente, e não obstante a musica me fazer sentir bem, querer tratar cancro com musica é como tentar guiar um carro assobiando para o volante. Só que no ultimo caso, tu compreendes o mecanismo e serás o primeiro a dizer que é ridiculo, e no segundo caso uma certa dose de "wishfull thinking" e ignorancia especifica te iludem acerca do que se pode fazer.

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  28. Ophrim:

    "É legitimo haver outras alternativas outros caminhos que só a mesquinhez portuguesa pode ser indeferente."

    Não estou a ver o que a mesquinhez portuguesa tem a ver com cepticismo. E não estou a ver o que é tu sabes sobre a legitimidade de um proposta terapeutica ou não. Alem de pouco patriota mostras-te um ignorante. Tudo numa só frase. Bravo.

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  29. Eles são treinados para fazer o mesmo.

    Só em teoria, ó Barba, mas a prática convencional está mesmo TÃO longe disso!

    Além do mais, há ainda essa questão da sensibilidade sensorial, por exemplo, a acuidade auditiva que se deve desenvolver na auscultação, particularmente entre os cardiologistas.

    Já agora, e por falar nisto, nas medicinas do Oriente dá-se uma importância extraordinária ao pulso, ou aos vários pulsos, já que essa palpação se faz em 3 pontos diferentes da artéria radial, embora todos próximos, e ainda em 3 níveis de profundidade: superficial, médio e profundo. Ou seja, ao todo há 9 tipos de pulso e a informação que se pode recolher da pulsação é enorme, isto a acreditar nesses manuais antigos e naquilo que dizem os praticantes.

    Deveras, não apenas se pode diagnosticar a condição actual como até enfermidades anteriores e talvez até predisposições futuras, sei lá eu! Talvez hoje em dia já não seja necessário uma sensibilidade táctil tão extraordinária, só ao alcance de terapeutas muitíssimo bem treinados, por certo. Mas claro que numa época em que não havia o arsenal tecnológico de que hoje dispomos, isso seria e ainda é muitíssimo útil, neste caso em países menos desenvolvidos onde as práticas ancestrais continuam a ser importantes nos seus sistemas de saúde.

    Contudo, na tradição médica do Ocidente, nunca ouvi falar de múltiplos pulsos tão minuciosos. Aliás, depois de escrever os comentários anteriores, eu fiquei a pensar se nas escolas médicas ainda se estuda a história da medicina, mesmo só na tradição hipocrática e europeia, ou existem disciplinas de reflexão filosófica sobre o que é a prática e deontologia médicas, por exemplo.

    É que em tudo isto, falta ainda referir que existem filosofias ou modos de encarar a vida e o ser humano que podem ser vastamente diferentes. Aliás, tudo começa pela simples reflexão: o que é a saúde e a doença? Há algum mecanismo básico que nos afaste desse estado de equilíbrio homeostático, em que nos sentimos bem, e nos faça pender para o mau funcionamento orgânico e a enfermidade? Bem, claro que aqui deve haver logo uma distinção entre doença orgânica e doença funcional, além de enfermidades congénitas e hereditárias e as adquiridas.

    Anyway... eu até só voltei a este tópico por me ter lembrado de algo muito básico e que é tão omitido nestas comparações das antigas e modernas terapias... food and drink!... a alimentação!

    E aqui já NÃO falamos de efeito placebo, seja ou não o alimento também medicamento, mas a sua acção é obviamente real e indesmentível. Deveras, não é por falta de conhecimento ou estudos científicos nesta área que se pode alegar ignorância acerca de algo tão simples, ou ainda, a importância do estilo de vida na saúde individual, que radica em hábitos alimentares correctos, exercício físico, higiene de vida e a tão crucial paz mental!

    Ah! o tanto que haveria a dizer sobre tudo isto! E sim, aqui até um terapeuta alternativo menos qualificado pode fazer "milagres", ó se pode! Veja-se apenas, para citar um caso que me foi relatado este domingo, que só a ingestão de líquidos - água, tisanas e sumos naturais não açucarados - pode melhorar drasticamente e em poucas semanas uma condição artrítica, ou de dores articulares, que durava já há 6 anos, numa pessoa ainda jovem (35-41 anos).

    Não mais Voltaren nem Brufen, que simplesmente mascaram os sintomas dolorosos e aliviam a inflamação e nada mais, se a causa reside numa desidratação crónica, própria das pessoas que quase não ingerem líquidos entre as refeições!

    Now the question is: num consultório em que se está pouco mais de 10 minutos... se tanto!... haverá mesmo tempo ou essa tal sensibilidade para interrogar a pessoa acerca de hábitos alimentares ou de vida, que até podem estar na origem de condições mórbidas? Claro que talvez nem sejam assim tantas as pessoas que queiram mesmo alterar estilos de vida pouco saudáveis, a tentação da "pílula mágica" é sempre grande, por constituir uma solução mais fácil e que envolve menos esforço pessoal.

    (continua)

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  30. Aliás, há casos espantosos de autêntica negligência médica por pura desatenção às queixas dos pacientes, em situações bem simples e evidentes, como o refluxo esofágico em bebés ou crianças de tenra idade, que muitos pediatras não diagnosticam de imediato, simplesmente porque não ouvem ou não fazem as perguntas básicas e confiam excessivamente nos índices de desenvolvimento corporal - altura, peso e afins.

    E atenção, que aqui estamos a falar de uma condição que pode ser muito perigosa e potencialmente mortal, ainda que não seja assim tão difícil de despistar! E, contudo, há casos de bebés que vivem anos (!) com um cardia dilatado, incapazes de suster o alimento no estômago e, ainda assim, as consultas pediátricas nada resolvem!

    Again: 1 hora é seis vezes mais do que 10 minutos... right?

    Só isto, repito... SÓ ISTO!... pode fazer uma incrível diferença entre uma consulta a sério e outra a despachar... is there any doubt about?

    Para terminar, sublinho de novo que as antigas tradições médicas NÃO se opõem ao progresso que a medicina científica representa, apenas algumas luminárias neste campo parecem pretender fazer tábua rasa do passado e renegar os tais "gigantes" aos ombros dos quais hoje entrevemos o futuro...

    Ora a gratidão e o contentamento íntimo são uma tremenda fonte de bem estar e satisfação. Logo, será mesmo que os médicos hoje em dia estudam deveras a história da sua profissão... do they?!

    E sim, cá por mim eu acredito mesmo que o alimento é o primeiro medicamento, sabedoria velhinha de milénios que duvido perca actualidade durante talvez ainda muitos séculos mais!

    Em meia centena e meia de anos não me tenho dado mal com esta farmácia natural, quando ela talvez não for suficiente logo se verá o que mais há por cá... mas não ainda para já! :)

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  31. Julgo que o comentário do Ophrim procura lembrar que a expectativa pessoal e íntima no desafio primitivo do ritual, do procedimento mágico, com fórmula e tudo, deve estar a salvo da incredulidade fácil de quem vai bem na sua vidinha com as ferramentas da medicina. Em parte concordo, mas apenas naquela parte em que cada um é "livre" de gerir a sua energia como bem entender perante um estado clínico sem retorno ou sem solução(*). O observador, neste caso, deve abster-se de ser céptico e com certeza já muitos de nós tiveram que o fazer em frente de alguém conhecido.

    Mas a minha concordância acaba nos limites dessa intimidade, ainda mais se falamos de pessoas doentes. O estado psicológico vira-se para o exterior do indivíduo na forma de credulidade. E aqui surge o velho filão de mercado para uma série de vigaristas que deviam estar presos.

    _______
    (*) não é seguramente o caso do Leprechaun, para quem não há qualquer desculpa por advogar desportivamente uma "nova medicina" juncada de ritual e magia.

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  32. O cancro, por exemplo, deve-se à reprodução anormal de células cujos sistemas de regulação foram alterados. A eficácia de uma terapia para esta doença depende da sua capacidade de destruir estas células ou mitigar os seus efeitos.


    Muito bem, mas como é que esses mecanismos de regulação foram alterados, de forma a impedir o ciclo normal da célula? Esta é uma questão muito básica, e a incapacidade de lhe darmos ainda resposta justifica algumas abordagens especulativas - por não terem de facto evidências científicas testáveis - que se pretendem essencialmente empíricas, recorrendo muitas vezes a práticas tradicionais muito antigas, como é o caso das taças tibetanas.

    Deveras, estes conceitos de Medicina Mente-Corpo parece radicarem bastante em métodos milenares de meditação, visualização, contemplação, introspecção e afins, ligados também aos modernos conhecimentos da fisiologia humana e da neurobiologia, psicologia e por aí.

    A musicoterapia, seja qual for o tipo de música, exerce uma influência psicológica positiva, desde que adequada a cada tipo de doente, claro. Deveras, acerca disto até já há experiências em animais de criação, galinhas e vacas, pelo menos. Agora em que medida o bem estar e a diminuição do stress ou o tal pensamento positivo pode actuar sobre os mecanismos físicos da célula, bem, esse é por certo um campo vastíssimo onde haverá muito a explorar!

    Aliás, para apresentar um exemplo prático, no tratamento da epilepsia existe aquilo a que se chama efeito Mozart", especialmente ligado a uma peça musical específica: a Sonata para 2 pianos em Ré maior.

    Já agora, saliente-se que os musicoterapeutas parecem considerar que a música de Mozart é especialmente curativa e benéfica para muitas condições. Bem, eu cá por mim adoro-a, eis outra razão para estar sãozinho como um pêro! :)

    Mas os médicos que alargam o seu repertório terapêutico para além dos tratamentos físicos convencionais e também tratam da alma, é claro que NÃO fazem terapia pela música ou pela arte apenas, mas usam-na como instrumento complementar importantíssimo para coadjuvar a cura. Aqui não se trata apenas do doente se sentir melhor, mais alegre ou bem disposto, mas de aprofundar o conhecimento de si próprio, e saber mergulhar dentro para apreender os próprios mecanismos mentais que o levaram à condição actual.

    E sim, isto é de facto muito oriental, pois reside na aceitação de si ou no maior autoconhecimento, longe da alienação dos sentidos exteriores que nos leva à identificação com aquilo que é temporário e impermanente: desejos, sensações, pensamentos. Aliás, apenas a simples atenção à respiração, acto tão banal a que já nem damos importância, nos pode trazer para essa consciência de Si, da qual andamos quase sempre alheados, quando nos perdemos em tudo que não somos nós... illusions that are just smoke and mirrors, indeed!

    Claro que estas terapias talvez pressuponham que muitas manifestações físicas são de origem psicossomática, o tal "it's all in the mind"!

    Óbvio que o caminho é longo e por certo nada fácil, na exploração de todas estas novas avenidas que, contudo, até já estão referenciadas de há muito, no tal empirismo primitivo que precede o conhecimento das causas e efeitos.

    Como digo, é ler os livros, eles aí estão à nossa disposição! :)


    Tem a música o poder
    de tornar o homem feliz;
    nem há quem saiba dizer
    tanto quanto ela nos diz.

    António Aleixo


    PS: Ó Bruce, é preciso ler com mais atenção o que está escrito, já que eu falo SEMPRE em complementaridade terapêutica e refiro normalmente apenas médicos convencionais que estabelecem essa ponte entre corpo e alma... both must be treated for perfect health! :P

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  33. Leprechaun:

    "isto a acreditar nesses manuais antigos e naquilo que dizem os praticantes."

    Não acredites.

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  34. It's our own minds that cure the pain. – Richard Dawkins on placebos, "The Enemies of Reason"


    Não resisto a regressar a este tema, já que ele é de facto demasiado importante para ser ignorado. Ao mesmo tempo, esta é também uma crítica explícita à forma demasiado superficial e muito ligeira como neste blog se tratam certas "tretas" no campo da saúde, que pelo menos podiam merecer outro enquadramento um pouco mais amplo e informativo, neste caso fornecendo links sobre a musicoterapia e até as taças tibetanas em particular. Ou seja, um pouco mais de trabalho de casa e espírito realmente crítico ou inquisitivo seria desejável, para além da mera ironia ou sarcasmo, que nestas questões da saúde e bem estar bem podem falhar o alvo... by miles!

    The fact that taking a faux drug can powerfully improve some people's health – the so-called placebo effect – has long been considered an embarrassment to the serious practice of pharmacology. (...) Half of all drugs that fail in late-stage trials drop out of the pipeline due to their inability to beat sugar pills. (...) Two comprehensive analyses of antidepressant trials have uncovered a dramatic increase in placebo response since the 1980s. One estimated that the so-called effect size (a measure of statistical significance) in placebo groups had nearly doubled over that time. It's not that the old meds are getting weaker, drug developers say. It's as if the placebo effect is somehow getting stronger. – "Wired Magazine", 17-09-09

    So... what is "placebo effect" ou "placebo response"... really? Que se saiba estar envolvida a dopamina ou o óxido nítrico e se estudem todos esses elaborados mecanismos fisiológicos é útil, sem dúvida, mas qual é o "invisível" trigger, afinal? Note-se que, segundo estes investigadores, apenas cerca da terça parte das pessoas será susceptível de responder ao efeito placebo e este também não é uma panaceia em todos os casos, ou seja, há determinado tipo de enfermidades ou moléstias físicas e/ou mentais que são particularmente susceptíveis à sugestão, por assim dizer.

    Anyway... o que logo se nota à partida é que o elemento fé ou confiança é vital, ou seja, o paciente supõe que está a receber o melhor tratamento possível – e então se for uma droga "milagrosa" experimental ainda melhor! – e obviamente confia no médico ou corpo clínico que o está a tratar. Deveras, se existe relação humana onde este elemento da mútua confiança é vital, um dos máximos exemplos é a dupla médico-doente. E, contudo, pergunto de novo, será que esta empatia importantíssima ainda se desenvolve hoje em dia em consultas quase relâmpago e a despachar porque há TANTOS doentes a atender?

    É claro que tal é bem mais fácil quando se tem o mesmo médico ou especialista que se consulta regularmente, e mais ainda se existe um relacionamento agradável entre os dois, ou seja, principalmente o doente deve gostar ou sentir-se à vontade com o clínico.

    The power of context: reconceptualizing the placebo effect

    ...scientific experimentation related to this phenomenon should aim at isolating and elucidating those factors in the clinician-patient encounter that contribute causally to improvement in outcomes for patients. It is hoped that in the next 30 years we will translate scientific understanding of contextual healing into enhanced patient care.

    (continua)

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  35. Now... back to those dangerous sham artists... ah! os "aldrabões" alternativos! Será que é assim tão difícil de perceber que é também este tipo de relacionamento bem mais afável e humano que atrai tantas pessoas aos consultórios desses tais outros terapeutas? Ainda que até se queira ou possa explicar todas as curas ou melhorias nesses tratamentos só pelo efeito placebo – o que também seria um grande exagero, a alimentação e algumas mudanças no estilo de vida claro que contribuem! – o facto é que a susceptibilidade psíquica e emocional dessas pessoas por certo facilita, e muito, essa libertação da dopamina nos circuitos cerebrais e por aí fora.

    Por falar em limitações dos placebos, é sabido que eles actuam particularmente bem em disfunções orgânicas e não tanto em lesões mais profundas dos órgãos. Ora as medicinas alternativas ou complementares também têm um registo mais favorável no 1º caso do que no 2º, basta só ver os muitos estudos já feitos sobre a acupunctura, por exemplo. Logo, aqui está perfeita a tal hipótese placebo. Ah! e então onde os placebos até batem aos pontos muita da medicação – inútil, quando não perigosa! – agora receitada às toneladas é na área dos psicofármacos... bruxo! Meaning, mind heals itself e não precisa assim de muita ajuda, talvez quanto menos melhor!

    Não acreditamos que seja algum dia possível a criação de drogas capazes, sem mais, de tratar a depressão (...) [que] é uma experiência humana, plurideterminada, com mecanismos psicológicos essenciais e não se vê lá muito bem que um dia seja possível haver uma droga que provoque pensamentos antidepressivos, de autoconfiança, ou o que quer que seja. – Dr. Carlos Pires, "A depressão não é uma doença"

    Regressando ao tema principal, se está mesmo "tudo na mente", ou enfim, se pelo menos algumas condições são especialmente susceptíveis ao nosso estado mental, então mesmo práticas como as "curas pela energia" – tipo reiki e afins – ou pela fé – tipo curandeiros e evangélicos ou "ciência cristã" – até podem ter resultados positivos e espectaculares, como por vezes se registam em casos de "histeria nervosa" nos quais os paralíticos começam a andar ou os cegos recuperam a visão e por aí. Há registos totalmente fiáveis e bem documentados deste tipo, em que não existia lesão orgânica, mas apenas uma condição mental negativa, por assim dizer, tipo trauma ou choque emocional.

    Now... what about cancer? O livro de Bernie Siegel relata alguns casos de melhorias espectaculares ou curas naquele tipo de relações "doentias"... literalmente... em que a morte ou a separação do casal liberta o doente canceroso de um ambiente stressante e traumático, permitindo a sua recuperação. Claro que existem também vários casos similares relatados na literatura médica, o que coloca a questão da importância crucial dessa tão ansiada "paz mental" e a sua influência na cura e bem estar. É também por isso que as práticas, antes referidas, da meditação, visualização, yoga, tai-chi e muitas outras, não são apenas mero folclore que até pode fazer com que as pessoas se sintam melhor e mais tranquilas, pois podem possuir real valor terapêutico, quiçá em muitos casos.

    So... back to the beginning: qual é a relação mente-corpo em tudo isto, melhor ainda, quais são os verdadeiros mecanismos de auto-cura existentes neste espantoso corpo humano... o "templo do espírito"?

    Quando se ensinará nas escolas, logo desde a tenra infância, a importância do autoconhecimento e da aceitação, ou o controlo emocional que é TÃO crucial para enfrentar as agruras da existência?

    Cause we really "can't always get what we want"... e é imperioso aceitarmos essas limitações, em vez de lutarmos ingloriamente contra moinhos de vento, desperdiçando a nossa vida em sofrimento e fazendo nesse processo sofrer os outros... a never ending sad cycle! Nas terapias e cuidados a doentes muito graves... e há sempre quem recupere... este estado de auto-consciência e aceitação é vital, porque tal como a vida a morte é real!

    (continua)

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  36. Porque a medicina NÃO é nenhuma luta contra essa inevitabilidade natural, ela deve tratar bem mais da saúde e de como nunca a perder do que da doença e de como a combater. Deveras, é isso mesmo que dizem os mais antigos livros médicos conhecidos, da China e da Índia, mas uma tal visão filosófica parece estar bem arredia da moderna medicina e talvez fosse bom recuperá-la, embora tal por certo implique uma grande transformação social, talvez sobretudo a nível económico.

    Ora "tudo é composto de mudança"...

    Rui leprechaun

    (...logo, siga em frente a humana dança! :))


    If anything extraordinary seems to have happened, we can always say that we have been the victims of an illusion. (...) What we learn from experience depends on the kind of philosophy we bring to experience. – C. S. Lewis, "Miracles"


    Placebos Are Getting More Effective


    The placebo effect was considered little more than a nuisance. Drug companies, physicians, and clinicians were not interested in understanding its mechanisms. They were concerned only with figuring out whether their drugs worked better. – Dr. Fabrizio Benedetti

    Ironically, Big Pharma's attempt to dominate the central nervous system has ended up revealing how powerful the brain really is. The placebo response doesn't care if the catalyst for healing is a triumph of pharmacology, a compassionate therapist, or a syringe of salt water. All it requires is a reasonable expectation of getting better. That's potent medicine. – "Wired Magazine", 17-09-09


    Placebo has strength in numbers

    Placebo is not what you think

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  37. Não acredites.


    Oh! but you need to believe in YOU!... that's placebo truth! :)

    Such a powerful medicine... better than has ever been!

    Ná... percebe-se bem pouco de saúde neste blog, também não há talvez especialistas no tema.

    Aquilo que é antigo não é verdade pela sua antiguidade, tal como o que é moderno não é correcto só pela sua modernidade.

    Deveras, tudo se resume a um par de conceitos muito simples e imutáveis no tempo: a busca do máximo bem estar e felicidade plus a nossa comum humanidade!

    We are truly One... uma consciência universal una e imortal!

    So... can we believe and feel this inner Love SO real?! :)



    Don't Worry Be Happy

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  38. Embora não tenha directamente a ver com este assunto cristalino, deixo aqui este link para algo muitíssimo importante e que até já foi trazido à discussão noutro tema sobre terapias não convencionais.


    O leite e o cancro da mama


    Acerca dessa hipótese, que eu saiba ainda não estudada na comunidade médica e científica - tal tem demasiadas implicações económicas, como muito do que se refere à alimentação humana natural! - volto a recomendar a leitura do estudo magistral de vários médicos, coordenado pelo Dr. Colin Campbell, "The China Study".

    As informações existem, agora cada um que julgue e decida por si próprio o caminho que deseja seguir, rumo ao futuro devir!

    Há sempre 2 forças no progresso e na evolução do conhecimento: o velho imobilismo de quem pensa que tudo sabe e as leis são imutáveis, e a permanente inquietação de quem é curioso e inquisitivo até mais não!

    Logo, será mesmo que a dieta...

    Rui leprechaun

    (...de nada vale e é só treta? :))


    PS: May be... no dia em que comermos pastilhas aqui! :P

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