sexta-feira, dezembro 19, 2008

O falso dilema.

O dilema do prisioneiro é o problema hipotético de dois cúmplices interrogados em separado pela polícia. Havendo poucas provas, se nenhum delatar o comparsa terão ambos penas leves por um crime menor. Mas aquele que denunciar o outro terá uma redução na pena por condenar o outro a um crime mais sério. É um dilema porque cada um ganha sempre se denunciar o outro mas denunciando-se mutuamente serão ambos condenados pelo crime mais grave. Mesmo com a redução na pena isto é pior que se ficassem calados. É um problema comum a muitas situações nas quais o resultado é melhor se todos colaboram, melhor ainda para o chico-esperto que se aproveita dos outros mas pior para todos se muitos se armam em espertos.

Se limitamos o copyright à regulação comercial e legalizamos a cópia sem fins lucrativos o artista tem que cobrar pelo trabalho que faz em vez de receber pela cópia do trabalho que fez. Por exemplo, um músico propõe compor e gravar um álbum se tiver 50,000€ em encomendas antecipadas. Por 10€ pode-se encomendar o CD desta edição limitada, por 100€ recebe-se um CD autografado e fica-se registado como patrocinador do álbum. Por 1,000€, no máximo 30 pessoas são reconhecidas nos agradecimentos no CD. E por 10,000€ um fã pode ficar como produtor executivo do álbum. Ninguém dá o dinheiro adiantado mas fazem a encomenda e comprometem-se a pagar. A empresa que gere o sistema de pagamentos adianta o dinheiro ao músico e fica com 5% no final. Isto é um exemplo do tipo de coisas já começam a ser implementadas.

O João Vasco diz que isto não funciona por ser um dilema do prisioneiro. O racional é ficar à espera que os outros paguem para depois sacar a música de graça, e assim acabam todos prejudicados porque o artista não consegue gravar. Mas o João Vasco está enganado. Primeiro, o valor em jogo para a maioria dos intervenientes é irrisório. Se na festa do bairro deixamos um saco com um milhão de euros para os convivas se servirem, o primeiro leva o saco todo. Mas se é a travessa dos camarões mesmo os mais garganeiros ficam aquém de estragar a festa. Quando o valor não é grande basta uma leve pressão social para haver colaboração. E a partilha de ficheiros é evidência disto. Milhões de pessoas por todo o mundo arriscam problemas com a lei deixando os ficheiros em partilha só para ajudar os outros a sacar. Uma olhada por qualquer fórum sobre P2P mostra que a motivação é simplesmente pertencer àquela comunidade. Exactamente o que se passa com os fãs.

Em segundo lugar, há comunicação. A Autoridade da Concorrência condenou esta semana a Associação dos Industriais de Panificação de Lisboa por um «sistema de troca de informações sobre os preços de venda de pão ao público»(1). O dilema do prisioneiro impede os panificadores, que são concorrentes, de conspirar contra os nossos interesses. Mas apenas se não puderem combinar as coisas entre si, tal como os prisioneiros que estão separados. Se puderem trocar informação sobre os preços facilmente arranjam maneira de colaborar. No caso do pão isto é mau para nós mas no caso dos fãs que vão financiar o álbum a comunicação contribui para a colaboração.

Finalmente, o João Vasco confunde preço com valor. É compreensível com o sistema que temos agora. Quem compra um CD hoje não está a apoiar o artista, que recebe muito pouco daquele dinheiro. Não está a pagar a criação daquela obra que, quando a compra, já está criada. Nem a criação da próxima que, quando sair, terá que pagar à mesma. E não compra nada de especial. Paga apenas a licença para ouvir a música e, se puder, prefere pagar menos por isso. Mas isto é assim apenas porque o copyright põe a ênfase toda na cópia.

Sem o copyright o valor está no trabalho do artista e não na cópia. A primeira edição limitada, o álbum autografado, a participação no processo, todas essas coisas têm um valor que não pode ser copiado. É o que torna o quadro da Mona Lisa muito mais valioso que a cópia mais perfeita. Mesmo uma réplica exactamente igual valeria uma pequena fracção do original. Este valor é puramente subjectivo, é certo. Mas é esse o valor da arte. É o valor subjectivo que se atribui ao que o artista fez e não o valor em numerário que nos cobram pela licença.

O copyright foi necessário para levar algumas pessoas a montar fábricas de discos e cadeias de lojas. Esse nível de investimento exigia garantias sem as quais todos ficávamos a perder. Mas esse método de distribuição está ultrapassado e hoje o copyright é só um fardo na distribuição e na criação de arte.

1- TSF, Associação de Industriais de Panificação de Lisboa condenada por distorção de concorrência

45 comentários:

  1. «Milhões de pessoas por todo o mundo arriscam problemas com a lei deixando os ficheiros em partilha só para ajudar os outros a sacar.»

    Há aqui dois problemas:

    O primeiro é que, tanto quanto sei (coerentemente, não uso), os programas de partilha favorecem aqueles que põem uploads. Ou seja, se te sacam muito, tens prioridade na hora de sacar. Isto torna menos altruista a motivação de uplodar.

    Mas mesmo quando isto não acontece, milhões de pessoas pode não ser muito. Hoje financiam a cultura, se não me engano, centenas ou até mesmo mais de mil milhões. E a proporção entre aquilo que é "baixado" e aquilo que é "posto" é obviamente avassaladora...



    «Em segundo lugar, há comunicação.»
    Aqui tens razão.
    A existência de comunicação faz com que eu não possa ter certeza que o modelo que propões não funciona. Isso depende dos efeitos da comunicação.
    O que me parece absurdo é considerar que a cooperação entre menos de uma dezena de parceiros prova que ela existe sem dificuldade numa "comunidade" de vários milhares.
    Por isso mantenho as minhas dúvidas e continuo a considerar injustificadas as tuas certezas.

    Já agora, a comunicação não é o único erro no meu modelo. Eu próprio o assumo: o altruismo e a irracionalidade são outros. É o efeito destes factores que eu não posso estimar.

    A tua estimativa de que o efeito é certamente o suficiente para viabilizar o teu modelo é que, quanto a mim, carece de fundamentação.



    «Este valor é puramente subjectivo, é certo. Mas é esse o valor da arte.»

    Eu acho essa poesia linda. Mas, repito, eu não chamaria a uma música do Quim Barreiros arte. Nem a um filme do Rambo.

    Por isso eu falo de produtos, que podem ser arte ou não.

    Creio que para grande parte das pessoas que consomem "Rocky X" não importa assim tanto ser parte do processo, mas sim ver o filme e passar um bom bocado.

    Agora um produtor que quisesse fazer um filme do tipo iria ter problemas. Ninguém ia querer contribuir, pois consideravam que iriam ver o filme à mesma, que depois não viam porque ninguém tinha contribuído.

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  2. João Vasco, vejo que agora tens o hábito de colocar um ponto final depois do teu comentário :).

    Quero-te dizer que li o teu comentário no De Rerum Natura sobre o AG, e gostei dele. Embora não concorde a 100%, em geral concordo com o espírito.

    Em relação ao problema em questão, o que o Ludwig está a sugerir é uma revolução na indústria. Em boa medida, já vemos um pouco destas alterações um pouco por toda a parte. Veja-se o exemplo dos Radiohead, que adoptaram um modelo de negócio parecido.

    E parece-me que poderá ter, porventura, pernas para andar.

    Como acontecerá, não sei bem dizer. Acho que na presente conjuntura, será difícil fazer as reformas legais que o Ludwig defende, e no entanto, uma crise financeira do tamanho que tem esta, ao nível porventura dos anos 30, é sempre uma oportunidade para mudar de ares.

    Aquilo que me incomoda é que depois dos 30 vieram os 40, e pelas múltiplas respostas dos governos tanto europeus como dos americanos, isto cheira-me mal.

    Não que eu não ache a questão do copyright interessante. Mas parece-me que existem questões mais prementes que irão ditar esse destino e outros.

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  3. Barba Rija:

    Em relação ao AG, obrigado. Depois tens de dizer os pontos em que discordas.

    Em relação a este assunto, nota que eu não estou a vender certezas. Eu não ponho de parte que o sistema proposto pelo Ludwig funcione bem - quem me dera.

    Mas também não compro as certezas dele. É verdade que o meu modelo baseado no jogo do prisioneiro parte de premissas que não se verificam completamente - falta de comunicação entre os compradores, egoísmo e racionalidade dos consumidores - como eu próprio assumi quando o propus. Comentei cada uma destas limitações do modelo, e só elas é que me tiram a certeza de que o modelo do Ludwig seria uma catástrofe.

    Mas a existência de limitações num modelo que propõe algo não implica que vá acontecer o perfeito oposto - nem pouco mais ou menos. É aqui que discordo do Ludwig, estar tão certo daquilo que me parece que temos tão poucos elementos para poder prever.

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  4. Ah!

    O ponto é porque no comentário inicial me esqueci de activar a opção de receber os comentários na minha conta de gmail - já aconteceu mais do que uma vez.

    Nada de muito simbólico ou transcendental :p

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  5. João Vasco,

    «A tua estimativa de que o efeito é certamente o suficiente para viabilizar o teu modelo é que, quanto a mim, carece de fundamentação.»

    Para discutirmos isso é preciso especificares o que distingue o modelo viável do inviável.

    Presumo que não queiras dizer que nenhum artista alguma vez conseguirá fazer isto. Isso é obviamente falso porque alguns já o fazem.

    Pelo que tenho percebido, consideras que o sistema falha se houver um número suficiente de pessoas que quer pagar o suficiente por uma obra mas essa obra não é criada. Eu penso que se pode argumentar que esse problema é ainda mais frequente e mais grave com o sistema que temos agora, em que essencialmente são os distribuidores que decidem o que se faz e vende, e não os artistas nem os consumidores.

    Quanto aos filmes, há dois pontos importantes. Enquanto o cinema for uma experiência diferente do que temos em casa vai haver filmes de centenas de milhões de dolares e pessoas a ganhar dezenas de milhões por trabalhar alguns meses. Quando houver sistemas bons e baratos de realidade virtual acaba-se o cinema como o conhecemos. Não por causa do copyright ou das cópias mas simplesmente por causa da tecnologia. E as centenas de milhões que custa um filme hoje é um preço inflacionado pelo monopólio. Num mercado competitivo os filmes custariam uma pequena fracção disso. Basta os grandes actores e realizadores terem os ordenados de estrelas do futebol para reduzir o preço do filme para um décimo...

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  6. João Vasco,

    Quanto aos outros pontos, rapidamente:

    Os sistemas de crédito e racios funcionam muito em redes privadas (DC, trackers privados, etc) mas são irrelevantes para a maioria das pessoas. E não se aplicam aos muitos que põem conteudo no rapidshare, newsgroups, youtube, etc.

    A motivação é mesmo só colaborar com os outros na partilha. Quando a coisa nos custa pouco nós temos uma tendência para colaborar.

    «O que me parece absurdo é considerar que a cooperação entre menos de uma dezena de parceiros prova que ela existe sem dificuldade numa "comunidade" de vários milhares.»

    Basta veres a onda num estádio de futebol. Ou as filas na bilheteira. Ou a wikipedia e o pirate bay. Há inúmeros exemplos onde a cooperação surge espontaneamente na nossa espécie.

    Na verdade, sem essa tendência para cooperar quando o investimento é baixo e há comunicação não haveria sequer partilha de ficheiros. Foi dessa comunidade que surgiu o software, o conteudo partilhado e a própria partilha.

    «Eu acho essa poesia linda. Mas, repito, eu não chamaria a uma música do Quim Barreiros arte. Nem a um filme do Rambo.»

    Não é relevante. O teu argumento é este: se me custa 10€ para incentivar o artista e depois ter a música num CD, posso esperar para descarregar a música de graça.

    O meu é este: se para mim vale 20€ participar na criação deste álbum pelo artista que eu admiro e ter um CD desta edição limitada, é parvoíve não pagar 10€ por isso. Mesmo que depois vá descarregar a música para a ouvir porque nem quero abrir o pacote do CD, que vou guardar pelo valor que tem para mim.

    E o meu argumento é que o valor monetário da arte só pode ser medido pela vontade das pessoas em dar dinheiro ao artista pelo seu trabalho. Se ninguém o quer fazer desta forma e só obrigados é que o fazem então a arte não vale como arte.

    A arte que temos que incentivar é a arte que a sociedade, de livre vontade, quer pagar. A arte que só pagamos se tiver mesmo que ser, pois de outro modo nos proíbem o acesso, essa não vale a pena.

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  7. "
    E o meu argumento é que o valor monetário da arte só pode ser medido pela vontade das pessoas em dar dinheiro ao artista pelo seu trabalho. Se ninguém o quer fazer desta forma e só obrigados é que o fazem então a arte não vale como arte.

    A arte que temos que incentivar é a arte que a sociedade, de livre vontade, quer pagar. A arte que só pagamos se tiver mesmo que ser, pois de outro modo nos proíbem o acesso, essa não vale a pena."

    Wishful thinking.

    De resto, demonstra-me como é que te proibem de aceder?

    Sabes que nas bibliotecas, daquelas de pedra e madeira, já podes requisitar bastantes filmes e musica? Para além dos livros, claro.

    Claro que é mais cómodo clicar no torrent, puxar e ouvir. E no fundo a questão é apenas essa.

    Desculpa Ludwig, mas sempre que escreves sobre o copyrigh tens uma lógica com mais buracos que um queijo e comparações inválidas, que mudam consoante os argumentos que te dão.

    De resto o teu modelo ideal é uma treta. Pode ser giro para uma banda com anos de carreira e na qual a editora já investiu milhões em promoção, mas para um músico em início de carreira? Diz-me alguém que baseie a carreira nesse método? Só para eu ver a qualidade da gravação (sei que para a esmagadora maioria isto não importa) e mais importante a acessibilidade à musica desse artista. É que sem saber que ele existe é difícil aceder mesmo de graça.

    De resto, quais as tuas qualificações para dizeres o que é a arte ou qual a arte ideal para a sociedade? Pelo menos sê humilde e não penses que as tuas opiniões são Verdades Absolutas.

    Eu não penso. Penso apenas que é justo recompensar um artista pelo seu trabalho e se alguém entende que não o deve fazer, também não deveria usufruir. Ouvir uma vez para ver como é, é peanuts.

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  8. Mário Miguel19/12/08, 21:27

    Vasco,

    Dá para colocares aqui a ligação para o teu comentário do AG no DRN?
    Fiquei curioso com o que o Barba disse, queria dar uma olhadela.

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  9. Wyrm,

    O copyright começou por ser para resolver o problema que o João Vasco apontou. A impressão e distribuição de livros era demasiado dispendiosa e lucrativa para que as editoras cooperassem espontaneamente, e a concessão de monopólios comerciais resolveu o problema.

    Com a tecnologia digital a função do copyright mudou radicalmente. Deixou de ser uma forma de regular a concorrência entre editoras e passou a ser uma maneira de manter alto o preço da cópia e da distribuição depois de isto se tornar efectivamente gratuito.

    E podemos ver esse efeito na industria discográfica. Apesar da copia e distribuição ter um custo de zero ainda é o distribuidor que fica com 95% do dinheiro da indústria. Uma música comprada por download custa o mesmo que uma música num CD na loja, com capa impressa. Isto é absurdo.

    Este erro tem que ser corrigido repondo a função original do copyright, que é a regulação do comércio e não a distorção dos preços proibindo as pessoas de distribuir informação gratuitamente.

    João Vasco,

    Tu desconfias que sem o copyright como temos agora não teremos um sistema perfeito. Pode acontecer que alguns artistas não vão poder criar a sua arte porque não há um número suficiente de pessoas a pagar-lhes por isso.

    Eu proponho que isso é mais aceitável que haver artistas impedidos de criar porque não têm direitos sobre as suas obras ou porque uma discográfica decidiu investir num casting para arranjar miudas giras e vender milhões de cópias de discos sem qualquer originalidade saturando os meios de comunicação com publicidade.

    Não é um mundo perfeito e pode ser que o artista e o seu público por vezes não se entendam perfeitamente. Mas mais vale isso que dar a faca e o queijo ao intermediário que só quer é vender cópias, e se forem todas iguais tanto melhor, menos trabalho.

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  10. Wyrm,

    «Sabes que nas bibliotecas, daquelas de pedra e madeira, já podes requisitar bastantes filmes e musica? Para além dos livros, claro.»

    E isso não é imoral?

    Se não é, porquê?

    E porquê não aproveitar as novas tecnologias e criar uma biblioteca digital aberta a todo o público pela internet? Em vez de teres que ir à chuva requisitar o livro ou o CD descarregas o pdf ou o mp3 e pronto.

    É claro que depois vais dizer que o imoral é fazer a cópia. E depois eu vou perguntar se é imoral copiar fórmulas matemáticas, tu vais dizer que isso não tem nada a ver, eu vou dizer que um mp3 são fórmulas matemáticas codificadas como números, e tu vais voltar a dizer que aí é imoral porque se disfruta da música.

    Já passamos por aqui antes, voltaremos no futuro, mas pode ser que eventualmente percebas que o teu argumento não passa de um círculo de desculpas. Não há nada de imoral em ouvir música há borla e não há nada de imoral em copiar números que estão disponíveis ao público.

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  11. Claro que não. O que é imoral é continuar a ouvir um album que se gosta e não se compensar quem o criou. Nem sequer digo que partilhar é imoral. Imoral é aproveitar-se de actos de divulgação para não adquirir obras que de outra maneira as compraria. E muitos fazem isso.

    Mas é a minha opinião.

    De todas as maneiras começo a achar a conversa mais interessante quando dizes:

    "Uma música comprada por download custa o mesmo que uma música num CD na loja, com capa impressa. Isto é absurdo."

    Absolutamente. As editoras (majors) deviam adaptar-se aos tempos e inovar no sentido de tornar mais apetecível a compra do cd ou das musicas individuais na web. Este modelo está falido, mas antes de chegar onde pretendes ainda há mais que se pode tentar as coisas não têm de passar do 80 para o 8. Geralmente é uma má ideia.

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  12. "Já passamos por aqui antes, voltaremos no futuro, mas pode ser que eventualmente percebas que o teu argumento não passa de um círculo de desculpas."

    O que é engraçado, é que daqui é isso mesmo que o teu parece. :)

    Acho que é normal quando se tem pontos de vista diferentes. Mas eu, ao contrário de ti, não tenho certezas.

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  13. Bruce Lose20/12/08, 00:36

    Nem de proposito estou numa cidade onde nao encontro um unico CD verdadeiro...

    O que e' mau.

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  14. Acho que o copyright deverá ser protegido, apenas não aos preços a que é feito hoje. Já me considero sortudo se conseguir encontrar um álbum numa loja por menos de 15€. Analisemos a questão deste prisma: conseguimos comprar um CD virgem com caixa individual por menos de 50 cêntimos. E esse preço já inclui custos de produção, distribuição, etc. Ou seja, dos 20€ que começa a ser típico pagar por um CD, apenas 2.5% são gastos no CD em si. O resto é para pagar ao artista (1€ por álbum, se o dito artista tiver sorte) e lucro (18.50€). Lucro esse que não é gasto a promover novos artistas, mas sim a criar as novas Spice Girls. Enquanto a coisa se mantiver nestes termos, serei totalmente a favor da cópia ilegal descarada, sacada na net ou comprada na feira. Quando a música tiver preços decentes, comprarei mais.

    O último álbum original que comprei foi dos The Gift, porque até trazia um DVD duplo com um concerto, e gosto bastante da música deles. É a minha forma de apoiar este grupo. E, sempre que posso, vou aos concertos dos meus artistas favoritos. Aí as margens de lucro dos artistas tendem a ser mais simpáticas. E aí pago por algo que vale verdadeiramente a pena, que é insubstituível e que não tem preço: a experiencia de ver uma banda ao vivo.

    Quanto ao modelo actual, acho que a pirataria deve ser apoiada. Sou contra, mas apoio. Porquê? Porque me parece que só assim as editoras se vão aperceber que têm de começar a baixar o preço dos CDs. E só quando os preços forem justos é que retomarei a compra frequente de originais, como fazia nos tempos pré P2P. E terei todo o gosto em comprar 20 originais por mês. A 2€ cada um.

    E fica a questão: se a autoridade da concorrência tudo investiga (inclusive as sociedades de panificação), não acharão os senhores estranho o preço de um CD não variar conforme a editora que o lança?

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  15. Wyrm,

    «O que é imoral é continuar a ouvir um album que se gosta e não se compensar quem o criou.»

    Porquê? Supõe que um músico pede 10,000€ para compor uma dúzia de músicas e dão-lhe 10,000€ para a compôr. É imoral que depois disso se ouça a música sem o compensar? Eu proponho que não.

    Nota que eu não proponho que o músico seja forçado a trabalhar de borla. Eu proponho é que o músico negoceie com os seus clientes o preço do seu trabalho, que o trabalho seja pago e fique assim o caso arrumado.

    Quando te sentas num banco de jardim num país estrangeiro ocorre-te que é imoral usufruir de algo pago por outros e levantaste-te logo para não cometer tamanho pecado, certo?

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  16. Bacardi,

    Mesmo sem o problema do preço (e esse é uma consequência inevitável de conceder monopólios) há outros problemas deste sistema de copyright. A restrição do acesso e partilha da cultura é, por si só, um grande entrave à criatividade. E a proibição de criar obras derivadas, dentro da definição de "derivada" que mais convém ao distribuidor, é outro obstáculo à inovação.

    A distorção do mercado saturando-o com obras pobres e repetitivas à força da publicidade só por serem mais lucrativas é ourto problema. E finalmente o copyright exige pôr à disposição de algumas empresas os mecanismos legais, pagos pelo contribuinte, necessários a proteger o monopólio que prejudica o contribuinte.

    Eu penso que, se quisermos incentivar a inovação, hoje que a distribuição é gratuita devemos investir em escolas de arte em vez de pagar pela implementação do copyright e facilitar ao máximo a disseminação e o acesso à arte. Uma população que possa partilhar e usufruir livremente de obras de arte vai ser mais criativa. O negócio não será necessariamente melhor mas a arte certamente será.

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  17. «E as centenas de milhões que custa um filme hoje é um preço inflacionado pelo monopólio. Num mercado competitivo os filmes custariam uma pequena fracção disso. »

    Ludwig:

    Eu já alertei para o facto deste argumento fazer pouco sentido. Economicamente acontece precisamente o contrário.

    Tens uma empresa que transforma a matéria prima A num produto B. Se essa empresa for uma entre muitas num mercado competitivo, ela não tem poder de mercado para comprar A nem para vender B, e o lucro tende para 0. O preço de compra de A é o preço normal a que os produtores de A fariam.

    Se essa empresa for monopolista, o seu lucro vai ser elevado. Esse lucro resulta do seu poder de mercado a vender B, mas, quando é o caso, também a comprar A. Por isso, o preço de compra de A, em situação de monopólio, é mais baixo.

    Aplicado ao cinema, isto é fácil de entender. Se houvesse apenas um grande estúdio, ele teria todo o interesse em pagar muito pouco aos actores. Mesmo actores muito bons e muito famosos não poderiam receber rios de dinheiro, pois teriam menos alternativas.
    A razão pela qual os actores recebem tanto é precisamente porque o negócio do cinema é relativamente concorrencial - se esta produtora não paga o cachet, haverá outra que paga.

    Mas agora que nós vemos que é a concorrência que se deve o valor elevado que realizadores e actores recebem, podemos pensar no problema de forma diferente. Porque é que uma produtora não contracta actores mais baratos, e assim faz um filme mais barato para ganhar um lucro superior? Porque os consumidores preferem pagar mais e gastar o seu tempo a ver um filme com certo tipo de actores, do que com outros, e manifestam essa opção nas compras que têm feito.
    E é essa opção que se arriscam a deixar de ter.


    «E o meu argumento é que o valor monetário da arte só pode ser medido pela vontade das pessoas em dar dinheiro ao artista pelo seu trabalho.»

    Em qualquer dos casos, com copyright e sem copyright, é assim que os artistas ganham dinheiro. Mesmo com copyright, se tu não gostas de um trabalho não tens de pagar por ele - perdes é a possibilidade de dele usufruir legalmente.
    Portanto o que aqui está em jogo é se a decisão de dar dinheiro a um artista PARA usufruir do seu trabalho é individual ou colectiva. Com copyright, a decisão é individual - tu pagas, e tu podes usufruir. Sem copyright é colectiva, alguns pagam, e todos podem usufruir. É como as estátuas na rua. Hoje um autor pode escolher entre ambas as possilidades, e no teu sistema já não.

    De qualquer das formas, ESSE não é o teu argumento porque, pelas razões que expliquei, achares que "o valor monetário da arte só pode ser medido pela vontade das pessoas em dar dinheiro ao artista pelo seu trabalho" nem sequer distingue ambas as posições.


    «A arte que só pagamos se tiver mesmo que ser, pois de outro modo nos proíbem o acesso, essa não vale a pena.»

    Mas e quem acha que vale a pena? Esses podem ficar sem acesso a ESSA arte, a que, por muito que a desvalorizes, eles dão valor.



    «Eu proponho que isso é mais aceitável que haver artistas impedidos de criar porque não têm direitos sobre as suas obras ou porque uma discográfica decidiu investir num casting para arranjar miudas giras e vender milhões de cópias de discos sem qualquer originalidade saturando os meios de comunicação com publicidade.»

    Percebo o que dizes, e, como já tenho escrito várias vezes, tenho realmente aversão à actividade publicitárias e tudo o que lhe está associado.
    Ainda assim, creio que não podes assumir que há gostos melhores e piores em absoluto. Há quem goste das miúdas giras e pague por isso, se isso desaparece é mau para esses consumidores. Podes dizer "é bem feita, se queriam essa música não se punham cada um com o seu egoísmo à espera que os outros pagassem". Mas se não fizeres nenhum julgamento em relação à qualidade da música, tens de ver isso como uma situação má - independentemente de quem tem culpa.

    E acho que isso é mais flagrante no cinema.

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  18. João Vasco,

    O problema não é que a arte não se conforme com os meus gostos. O problema é que esta tal industria "cultural" não é representativa da diversidade dos gostos das pessoas.

    O que aumenta o preço dos filmes, e de alguns discos, é o monopólio sobre essa obra. O sistema de monopólio incentiva o comércio de muitas cópias de uma coisa em vez de poucas cópias de muitas coisas diferentes. E isso é mau para a arte.

    Por exemplo, aqui, podes ver que o total de vendas de bilhetes registado pela MPAA nos estados unidos subiu de 16M pra 26M de dólares entre 2001 e 2007. Nesse periodo o número de filmes produzidos pelas associadas da MPAA diminuiu cerca de 5%, de 188 para 179. O número total de filmes aumentou por causa dos estúdios independentes nos últimos quatro anos. E isso, julgo eu, é já um efeito benéfico da erosão do sistema de copyright.

    Depois há o problema dos custos do filme. Imagina um filme que custa 100 milhões a produzir e dá 110 milhões em bilhetes e DVDs. Enquanto que tu estás a dizer que tiveram uma margem de lucro de 10 milhões, na verdade as pessoas que participaram na criação do filme arrecadaram 110 milhões, só que desses, quase 100 foram para os seus ordenados (que é o grosso das despezas), e o custo foi só o do material que pagaram a pessoas fora do filme.

    Isto de ter o monoólio sobre aquele filme, inundar o mercado com muitas cópias do mesmo e meter a maior parte dos "custos" ao bolso como ordenados é que faz os filmes parecerem tão caros. Uma produção envolvendo 200 pessoas a tempo inteiro durante seis meses não deveria custar mais que 5-10 milhões para dar uma recompensa aceitável pelo trabalho dessas pessoas, e esse seria provavelmente o preço dos filmes num mercado sem monopólios.

    Além disso, não vejo problema em manter o monopólio comercial nos cinemas. No caso dos filmes essa é a principal fonte de rendimento e não seria afectada por uma alteração ao copyright que permitisse a cópia e distribuição para fins não lucrativos.

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  19. Ludwig

    «… o copyright exige pôr à disposição de algumas empresas os mecanismos legais, pagos pelo contribuinte, necessários a proteger o monopólio que prejudica o contribuinte.»

    Esses mecanismos legais não protegem o monopólio, protegem os autores e as editoras. Se não existisse monopólio mas se mantivesses os direitos de autor, esse mesmo dinheiro seria gasto da mesma forma para proteger um grupo maior de editoras de menor dimensão.

    E sim, concordo contigo quanto à questão das obras derivadas. Acho que qualquer artista deve ser livre de utilizar partes do trabalho de outros no seu, desde que mantenha as referências ao mesmo.

    Voltando ao copyright: não me parece justo que o trabalho de alguém possa ser distribuído livremente sem que o autor o autorize. Creio estar no direito de cada artista pedir uma remuneração pelo acesso à sua obra. Senão deixamos de ter remuneração adequada, e o mundo da música passa a ser (ainda mais) um mercado bolsista. Se cada artista definir a priori quanto vai receber por um dado trabalho, a qualidade do mesmo deixa de ser relevante para a remuneração do artista.
    Proponho o seguinte cenário: eu, como fraco artista que sou, quero gravar um álbum. Como tenho uma voz tipo cana rachada, aceito receber apenas 1000€ da editora ABCD para tal. Gravo o tal álbum e verifica-se que a minha voz até nem soa tão mal, e tenho fãs tão dedicados que optam por comprar uma cópia original em vez de fazer o download (legal e gratuito, segundo um modelo sem copyright) da internet. Neste cenário, todo o lucro do meu sucesso é para a editora ABCD, e 0 reverte para mim. Quanto muito poderei negociar o valor do próximo álbum. Mas o meu talento foi remunerado com 1000€, não com X% do valor total gerado pelo meu trabalho. Mais: neste cenário, o interesse das editoras em vender mais do mesmo será maior do que no cenário actual. Logo vai-se investir mais na máquina publicitária, porque o lucro deixa de ser 95% das vendas para passar a ser 99,9999999%. E, para terminar, este cenário potenciaria uma grande perca para as pequenas editoras que investem em música alternativa, produzida com baixo custo e que vende poucas cópias. Todos nós, em algum momento da nossa vida, quisemos um álbum que, por ser de uma banda tão desconhecida, não encontramos na net. Como tal, essa banda vale-nos um passeio até à Fnac e 15€ a 20€ a menos no orçamento até ao fim do mês. Resumindo e baralhando, acredito (estou a especular, não li nada sobre o assunto) que a relação copias ilegais/copias legais seja menor num artista pouco conhecido do que num artista muito conhecido. Isto favorece as pequenas editoras, que apostam em novos talentos.

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  20. Bacardi,

    «Esses mecanismos legais não protegem o monopólio, protegem os autores e as editoras.»

    Protegem o monopólio sobre a obra, seja quem for que o detenha.

    «não me parece justo que o trabalho de alguém possa ser distribuído livremente sem que o autor o autorize.»

    Porquê? Eu quero 30 garrafas. Pago-te para me fazeres 30 garrafas. Dizes-me quanto queres, eu dou-te o dinheiro, tu dás-me as garrafas. Tens alguma coisa a ver com onde eu ponho as garrafas ou a quem as vendo?

    Tu escreves um livro. A tua editora vende-me uma cópia. Eu vendo o livro ao meu irmão. Tens alguma coisa a ver com o livro vendido em segunda mão?

    Tu precisas de explicações de matemática. Eu ensino-te a resolver equações diferenciais e tu passas para o caderno tudo o que eu te vou explicando. Daqui a uns anos tu estás a ganhar dinheiro com explicações de matemática e dando fotocópias do que anotaste daquilo que eu te ensinei. Quanto dinheiro me deves por cada aula que dês?

    Eu proponho que essa regra do elástico, da pessoa prestar um serviço ou vender um produto mas ficar à mesma com o controlo sobre o que vendeu, é um absurdo. E só não se nota o absurdo numa gama muito restrita (e arbitrária) de criações porque estamos habituados. Como a tourada. Toda a gente consideraria um absurdo andar a espetar ferros em cães, leopardos, golfinhos ou galinhas, mas se for em touros há muitos que acham uma coisa nobre.

    «Mas o meu talento foi remunerado com 1000€, não com X% do valor total gerado pelo meu trabalho.»

    É o que se passa com quase todas as profissões. O médico não recebe X% do ordenado da pessoa a quem salvou a vida. O professor não recebe X% dos rendimentos daqueles que formou. O pescador não recebe X% do bacalhau com natas que o restaurante serviu. O Einstein não recebe X% do valor gerado pela teoria da relatividade nem o Tim Berners-Lee X% do valor da Web.

    Tu achas injusto que alguém venda o seu trabalho por um preço abaixo do valor desse trabalho. Eu não. Essa é a regra de qualquer transação voluntária. Se eu te compro uma couve e tu ma vendes sem coação é porque, para ti, a couve vale menos que o dinheiro e, para mim, vale mais que o dinheiro. Senão eu não comprava nem tu vendias.

    O preço é injusto quando outros factores o distorcem. Se tu vives na miséria e eu me aproveito de estares a passar fome para te ameaçar não comprar nada a menos que me vendas ridiculamente barato. Ou se há uma lei que me proibe de plantar couves para que eu tenha que pagar o que tu pedires.

    O copyright que temos hoje é isso. A obra de arte profissional deve ser criada quando o valor do trabalho de a criar, para quem a cria, for inferior ao valor da obra para quem a queira pagar. A restrição de acesso ou os tais X% do valor (do valor para quem?) são regras ad hoc que, pelo hábito, parecem fazer sentido nos livros e nas músicas mas que, se tentares generalizar, facilmente vês serem disparates.

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  21. Ludwig:

    «Depois há o problema dos custos do filme. Imagina um filme que custa 100 milhões a produzir e dá 110 milhões em bilhetes e DVDs. Enquanto que tu estás a dizer que tiveram uma margem de lucro de 10 milhões, na verdade as pessoas que participaram na criação do filme arrecadaram 110 milhões, só que desses, quase 100 foram para os seus ordenados (que é o grosso das despezas), e o custo foi só o do material que pagaram a pessoas fora do filme.

    Isto de ter o monoólio sobre aquele filme, inundar o mercado com muitas cópias do mesmo e meter a maior parte dos "custos" ao bolso como ordenados é que faz os filmes parecerem tão caros. Uma produção envolvendo 200 pessoas a tempo inteiro durante seis meses não deveria custar mais que 5-10 milhões para dar uma recompensa aceitável pelo trabalho dessas pessoas, e esse seria provavelmente o preço dos filmes num mercado sem monopólios.»

    Tal como já escrevi, isto não faz sentido económico nenhum. Espero que não te incomodes que eu repita:

    «Eu já alertei para o facto deste argumento fazer pouco sentido. Economicamente acontece precisamente o contrário.

    Tens uma empresa que transforma a matéria prima A num produto B. Se essa empresa for uma entre muitas num mercado competitivo, ela não tem poder de mercado para comprar A nem para vender B, e o lucro tende para 0. O preço de compra de A é o preço normal a que os produtores de A fariam.

    Se essa empresa for monopolista, o seu lucro vai ser elevado. Esse lucro resulta do seu poder de mercado a vender B, mas, quando é o caso, também a comprar A. Por isso, o preço de compra de A, em situação de monopólio, é mais baixo.

    Aplicado ao cinema, isto é fácil de entender. Se houvesse apenas um grande estúdio, ele teria todo o interesse em pagar muito pouco aos actores. Mesmo actores muito bons e muito famosos não poderiam receber rios de dinheiro, pois teriam menos alternativas.
    A razão pela qual os actores recebem tanto é precisamente porque o negócio do cinema é relativamente concorrencial - se esta produtora não paga o cachet, haverá outra que paga.

    Mas agora que nós vemos que é a concorrência que se deve o valor elevado que realizadores e actores recebem, podemos pensar no problema de forma diferente. »


    « O problema é que esta tal industria "cultural" não é representativa da diversidade dos gostos das pessoas.»

    Tu assumes que a diversidade das pessoas é tal que não se justificam economias de escala para contratar o actor mais xpto, os músicos mais xpto, os efeitos especiais mais xpto.
    Em primeira análise poderiam dizer-te: estás errado. O mercado mostra que estás enganado.
    Ao que tu respondes: não, isso é o marketing e a coerção. Só com o fim do copyright vai deixar de existir essa coerção.
    Esqueçamos o marketing, e pensemos na segunda parte da afirmação - a parte da coerção. Essa parte soa a disparatada. É verdade que o copyrigth te nega o direito de enviares o filme às outras pessoas, mas não obriga ninguém a ver o filme contra a sua vontade. Todos aqueles que pagaram para ver o filme acharam que este valia mais que o dinheiro dispendido. E, mesmo que fosse limitada a liberdade das pessoas de "comunicarem livremente" - não podiam enviar filmes uns aos outros - certamente não houve nenhum visionamento forçado devido ao copyright.
    Ou seja, realmente as opções livres das pessoas mostravam que apesar da diverdidade de gostos, justifica-se fazer menos filmes mais orçamentados, devido às economias de escala. As pessoas preferiam ver um filme com os actores xpto e efeitos especiais xpto, mesmo que o preço destas coisa fizesse com que existissem poucos filmes que cumprissem estes requisitos, do que ver filmes mais baratos e mais diversos. Nem todas, mas uma grande fatia.

    E eu nunca aplaudi este estado de coisas, até o lamentei várias vezes. Mas se eu vir bem, essa atitude é algo pedante. Porque é que o "Quim Barreiros" é mau? Eu não gosto, mas tenho mais razão do que quem gosta? Sou melhor do que quem gosta?

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  22. Mário Miguel:

    O texto está aqui:

    http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/consenso-em-cincia.html?showComment=1228759080000

    O meu comentário é o último de todos. Aliás, o último é o ponto de que o Barba Rija falou, é o penúltimo.

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  23. Mário Miguel24/12/08, 00:44

    João Vasco,

    Obrigado.

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  24. Ludwig

    As analogias das garrafas e dos livros que apresentaste em primeiro lugar estão incorrectas. Transpondo esses exemplos para o mundo da música, seria o equivalente à revenda de cópias originais. Tu compras X cópias ao artista (ou à editora que o representa) e revendes (ou ofereces).

    Quanto à questão das explicações, parece-me adequar-se mais à ideia que pretendes transmitir. No entanto, quando te contracto como explicador, pago-te para me transmitires conhecimento que já tens, que tem autor. Mais, esse autor autorizou a livre divulgação desse conhecimento. Logo, só não tenho esse conhecimento porque não “quero” (faltei às aulas, ou simplesmente não consegui acompanhar o raciocínio do professor). Não te estou a pagar pelo conhecimento, estou-te a pagar pela transmissão do mesmo, de um modo que eu o compreenda.

    «É o que se passa com quase todas as profissões. O médico não recebe X% do ordenado da pessoa a quem salvou a vida. O professor não recebe X% dos rendimentos daqueles que formou. O pescador não recebe X% do bacalhau com natas que o restaurante serviu.»

    Um médico recebe X por doente (no privado) ou X por um número Y de horas. O professor a mesma coisa. O pescador recebe X por quilo de peixe. O médico não recebe X por curar todas as gripes que lhe possam aparecer à frente. O professor não recebe X por cada capítulo do livro que lecciona, independentemente das vezes que o faz. O pescador não recebe X por todo o bacalhau que pescar na próxima temporada.

    «Essa é a regra de qualquer transacção voluntária. Se eu te compro uma couve e tu ma vendes sem coação é porque, para ti, a couve vale menos que o dinheiro e, para mim, vale mais que o dinheiro. Senão eu não comprava nem tu vendias.»

    Concordo contigo nesse aspecto. Mas o que me propões no teu modelo de copyright é que, em vez de se comprarem couves, compra-se a produção de couves de um dado terreno durante um dado período. A partir daí, se sair uma couve ou 50000, o problema é do comprador, não do produtor. Analogamente, se te contratarem para dar aulas, tu certamente perguntarás quantos alunos terás. Se te disserem que terás uma turma de 20 alunos certamente cobrarás menos do que se te disserem que terás uma turma de 500.

    Para concluir, e pegando nesse modelo que propões. Ao atribuir a totalidade dos lucros às editoras, estás a potenciar as que mais vendem. Logo, estás a contribuir para os monopólios.

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  25. "são regras ad hoc que, pelo hábito, parecem fazer sentido nos livros e nas músicas mas que, se tentares generalizar, facilmente vês serem disparates."

    Facilmente vejo que tu cometes, SEMPRE, o disparate de quereres generalizar à martelada aquilo que são situações particulares.

    Mas o Bacardi acabou de te dar os argumentos que eu gostaria de ter escrito.

    Estou ansioso pela cabriola retórica que vais tentar dar. :)

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  26. Assim de repente lembrei-me da greve dos argumentistas há cerca de um ano atrás e, logo de seguida que "ladrão que rouba a ladrão tem 100 anos de perdão"

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  27. João Vasco,

    «Tu assumes que a diversidade das pessoas é tal que não se justificam economias de escala para contratar o actor mais xpto, os músicos mais xpto, os efeitos especiais mais xpto.
    Em primeira análise poderiam dizer-te: estás errado. O mercado mostra que estás enganado.»


    O mercado está distorcido pelo copyright.

    Imagina que tu tinhas o monopólio legal sobre os patéis de nata e a tecnologia para copiar os copiar. Em vez de termos um grande número de pasteleiros passava a haver apenas um, o melhor de todos, que tu contratavas para fazer algumas variantes do pastel de nata que depois copiavas. Controlando o mercado não permitias que mais ninguém fizesse pasteis de nata, pagavas um balúrdio àquele pasteleiro mas isso saia-te bem mais barato que a soma dos salários de todos os pasteleiros que agora trabalham com pastéis de nata.

    A cópia industrial e o copyright tiveram este efeito na música e no cinema. O que antes era feito por inúmeros actores e músicos passou a ser feito por uma mão cheia de artistas imensamente bem pagos. Por um lado porque algumas empresas controlam quem canta o quê, por outro lado porque os compradores têm que pagar o acesso à cópia, e naturalmente se por 15€ só podes comprar uma cópia da Aida vais comprar a do Pavarotti ou algo assim.

    Mas agora imagina que toda a gente tem em casa máquinas programáveis para fazer qualquer receita. O teu monopólio desaparece, e tu e o teu pasteleiro milionário ficam preocupados e querem proibir as pessoas de partilhar as receitas dos teus vários tipos de pastel de nata. E dirás até que isso é essencial para manter a industria da pastelaria, para proteger o trabalho daquele pasteleiro, e que o mercado justifica essa economia de escala porque as pessoas só gostam dos teus pasteis de nata, e se querem outra coisa que comam queques.

    Mas isso não é verdade. Acabar com o teu negócio permitindo a troca de receitas de pastel de nata vai dar trabalho a muitos pasteleiros. Provavelmente nenhum ficará tão rico como o teu, pois terão que partilhar o mercado, mas agora podem trabalhar criando receitas novas, pois se toda a gente tem máquinas de fazer comida terão interesse em pagar quem crie receitas em vez de pagar pela comida feita.

    Isto não afecta muito os filmes por causa do cinema. Enquanto o cinema tiver interesse haverá monopólios sobre os filmes e essa industria ficará como está. Só quando o pessoal deixar de ir ao cinema é que a coisa vai mudar, tal como aconteceu com a ópera, o teatro e as bandas de rua. Mas isso é progresso, não tem a ver com o copyright.

    Eu acho que estás a cometer o erro de interpretar o comércio nesta indústria com um mercado em equilíbrio. Não é. Isso é como assumir que o preço de um medicamento patenteado é um preço justo só por ser esse o preço que os doentes pagam quando não têm outra hipótese...

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  28. Wyrm,

    «Facilmente vejo que tu cometes, SEMPRE, o disparate de quereres generalizar à martelada aquilo que são situações particulares.»

    E mais uma vez vejo que não explicas qual é esse disparate.

    Se essa regra do elástico, de quem cria e vende um serviço tem direitos sobre o que resulta daí, não é uma regra geral -- e parece que é isso que estás a admitir quando dizer que não posso generalizar -- então cabe-vos a vocês explicar porque é que essa regra se aplica a músicas e não a receitas, a histórias de ficção e não a modelos científicos, a filmes e não a demonstrações de teoremas.

    Se não explicam isso não dão qualquer fundamento a essa regra.

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  29. Anónimo,

    «Assim de repente lembrei-me da greve dos argumentistas há cerca de um ano atrás e, logo de seguida que "ladrão que rouba a ladrão tem 100 anos de perdão"»

    Penso que isso é uma situação diferente. O contrato feito há uns 10 ou 20 anos dava aos argumentistas 0.1% (ou coisa assim) das vendas digitais em laserdisks ou dvds bastante caros.

    Mas não estavam a receber nada das vendas digitais na net e das receitas publicitárias online, que os estudios alegavam ser meramente promocionais mas são cada vez uma fatia maior do rendimento. Por isso os argumentistas fizeram pressão para que o novo contrato colectivo contemplasse uma parte desses rendimentos.

    Isto faz parte da negociação dos contratos de trabalho entre empregados e empregadores, e penso que é perfeitamente legítimo que façam greve se acharem necessário.

    O que oponho é que se metam na vida das pessoas com quem não têm qualquer contrato e por actividades sem objectivos comerciais.

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  30. Bacardi,

    «As analogias das garrafas e dos livros que apresentaste em primeiro lugar estão incorrectas.»

    Não no sentido de demonstrarem que não há um direito moral de controlar o produto do nosso trabalho depois de o vendermos. Nota que a regra que tu apontaste é, afinal, uma excepção.

    Mas se achares necessário uma analogia mais próxima, imagina que eu te pago para demonstrares um teorema. Tu fazes a demonstração, eu copio para o PC e ponho o pdf em partilha na net. Proponho que não tens o direito de me proibir de o fazer. Mesmo que tenhas sido a primeira pessoa no mundo a demonstrar esse teorema.

    Outro exemplo. Eu faço uns traços no papel. Tu vez que esses traços podem ser aproximados com um erro imperceptível por um conjunto de polinómios e distribuir os coeficientes desses polinómios num ficheiro de texto. Porponho que não tenho o direito de te proibir de o fazer mesmo que eu tenha sido a primeira pessoa no mundo a fazer aqueles traços assim.

    Por isso tens que explicar porque é que essa regra do controlo se aplica à música.

    «Um médico recebe X por doente (no privado) ou X por um número Y de horas. O professor a mesma coisa. O pescador recebe X por quilo de peixe.»

    Exacto. E um músico recebe X por canção. Era assim que devia ser.

    «O pescador não recebe X por todo o bacalhau que pescar na próxima temporada.»

    A menos que seja contratado à temporada. Mas o ponto é que um profissional é pago pelo trabalho que faz. Mais uma vez, propões uma regra como se fosse um caso geral, o tal dos X% do valor total, mas afinal é uma excepção e falta-te fundamentá-la.

    Deve o pescador que pescou o bacalhau receber X% de todas as transacções desse bacalhau ou seus derivados? Eu acho que não, e o mesmo se passa com o trabalho do artista. Ambos devem receber pelo trabalho que fazem e não pelas transacções subsequentes. Até porque um artista que passa uns meses a compor um album não tem culpa que depois outra discográfica inunde o mercado com coisas parecidas e ele fique sem receber nada. Como qualquer profissional tem o direito de saber quanto vai receber pelo seu trabalho e decidir se vale a pena.

    «Mas o que me propões no teu modelo de copyright é que, em vez de se comprarem couves, compra-se a produção de couves de um dado terreno durante um dado período.»

    Não. O que proponho é que em vez de se comprar o produto, que é a cópia e que não tem valor porque a cópia todos podem fazer, se invista no serviço de criar arte, de inovar. Esse é que vale a pena. Por isso o que proponho é eliominar os monopólios da cópia para permitir um comércio de serviços de criação.

    Algo parecido com o software livre open source, em que o software é distribuido gratuitamente e as empresas ganham dinheiro com adaptações à medida do cliente, formação, etc. Com os serviços, que é o que tem valor, em vez do licensiamento de cópias cujo valor monetário é pura imposição legal.

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  31. Festas Felizes!

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  32. «Controlando o mercado não permitias que mais ninguém fizesse pasteis de nata, pagavas um balúrdio àquele pasteleiro mas isso saia-te bem mais barato que a soma dos salários de todos os pasteleiros que agora trabalham com pastéis de nata.»

    Pois, mas essa analogia parece-me disparatada.
    Existe concorrência no mercado do cinema, pela simples razão que a concorrência pode fazer filmes diferentes.

    A distorção provocada pelo copyrigth não vem no sentido de alterar as preferências das pessoas. Se as pessoas preferissem filmes mais diversos do que os que existem e com menos efeitos especiais, ou outro tipo de actores, qualquer produtora que fizesse isso ganharia tanto dinheiro, que a prática rapidamente se generalizaria - e como estás familiarizado com o funcionamento da selecção natural, facilmente compreendes isto.
    Repara que nenhuma produtora é impedida de fazer filmes diferentes.


    «Por um lado porque algumas empresas controlam quem canta o quê, por outro lado porque os compradores têm que pagar o acesso à cópia, e naturalmente se por 15€ só podes comprar uma cópia da Aida vais comprar a do Pavarotti ou algo assim.»

    Desculpa, mas isto indicia o contrário. A Aida não é protegida pelo copyright, pelo que diferentes produtoras podem fazer as interpretações que quiserem. No entanto, verifica-se que as pessoas tendem a preferir a Aida cantada pelo Pavaroti, em prejuízo de um conjunto mais diverso e barato de interpretações.

    Neste momento devias começar a suspeitar das tuas certezas...


    «Isso é como assumir que o preço de um medicamento patenteado é um preço justo só por ser esse o preço que os doentes pagam quando não têm outra hipótese...»

    Espero que depois daquilo que escrevi acima entendas a falha óbvia nesta analogia.
    Se tu tens uma doença, só podes consumir um medicamento. Se alguém tem monopólio deste medicamento, pode explorar-te.
    Mas se tens vontade de ver um filme de acção, existem vários "monopólios" em competição - vários filmes que podes ver. Se um pedir demasiado, sem ir tanto ao encontro dos teus gostos, podes escolher outro.
    Então não podes assumir que estás perante um monopólio. As regras são completamente diferentes. Podes assumir, pelo contrário, que as escolhas que os consumidores fazem quanto aos filmes que querem ver reflectem os seus gostos e vontades.

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  33. E já agora...

    BOM NATAL a todos!

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  34. João Vasco,

    O exemplo dos pasteis de nata é o que acontecia se as receitas fossem cobertas pelo copyright da maneira como são agora as funções matemáticas para gerar música (e.g. os ficheiros mp3). O copyright sobre o pastel de nata proibiria a partilha da receita do pastel de nata e de bolos derivados (pastel de nata minuatura, ou com menos açucar, etc) mas quem quisesse podia comer outros bolos (cujas receitas seriam propriedade de outros distribuidores).

    O monopólio sobre a partilha de receitas de pastel de nata ia afectar os preços do pastel de nata tal como o monopólio sobre receitas de músicas afecta o preço das músicas (e dos filmes, mas como não se pode partilhar cinemas por P2P os filmes são pouco afectados).

    «A distorção provocada pelo copyrigth não vem no sentido de alterar as preferências das pessoas. Se as pessoas preferissem filmes mais diversos do que os que existem e com menos efeitos especiais, ou outro tipo de actores, qualquer produtora que fizesse isso ganharia tanto dinheiro, que a prática rapidamente se generalizaria»

    Não expliquei bem, então.

    Imagina que és dono de 10 guiões diferentes. Para cada pessoa há 5 filmes destes guiões que compraria e 5 pelos quais não dava dinheiro, mas não são sempre os mesmos 5 para todas as pessoas. Qualquer um destes guiões dava um filme com lucro, porque para qualquer um há gente suficiente que prefere esse aos outros 9. Mas 85% das pessoas prefere o filme 1 a não ter nada.

    O problema é este: apesar dos 10 guiões derem filmes lucrativos, como tu controlas todos o melhor é fazer só o filme 1 e não deixar que façam os outros. Desta maneira tens 85% das vendas com 10% dos custos e um lucro muito maior. Entretanto 90% das pessoas sai a perder porque só 10% é que tinha o filme 1 em 1º lugar das suas preferências.

    Isto é o que acontece agora. Os estúdios compram imensos direitos sobre guiões, as discográficas têm enormes catálogos de músicas e assim por diante, mas depois produzem ou editam apenas uma pequena fracção porque é uma forma de maximizar os lucros reduzindo a concorrência.

    É claro que os estúdios não sabem ao certo quantas pessoas vão comrpar o quê nem sabem se o filme vai sair bem. Mas, em geral, são capazes de fazer uma boa estimativa e todos estes gestores de copyright fazem essas contas para decidir o que nós vemos. Que não é determinado por aquilo que nós estamos dispostos a pagar mas sim por aquilo que maximiza o lucro deles, e por causa do copyright isso são duas coisas diferentes.

    Se o sistem for o cliente pagar pelo serviço e a informação ser de uso livre isto não acontece. Pode acontecer o tal problema que tu dizes que é as pessoas não quererem pagar, mas penso que isso, neste caso, nem é um problema. É uma opção. Se não há gente suficiente a querer pagar não há filme. E se alguém decidiu não pagar e depois se arrepende por ficar sem o filme, azar, tivesse pensado melhor nisso. Não me parece razoável apontar o dilema do prisioneiro como um problema quando ninguém está a usar recursos ou a passar custos para os outros.

    E considero o problema criado pelo copyright como sendo pior porque em vez de resultar das escolhas voluntárias dos consumidores e dos criadores é em grande parte imposto pela vontade de uns poucos gestores da distribuição.

    No fundo, é resolver o problema dos free riders que tu mencionas delegando todo o poder num tipo que decide tudo pelos outros... A ditadura resolve alguns problemas mas é um problema maior.

    Já agora, bom natal para vocês também :)

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  35. João Vasco,

    «A Aida não é protegida pelo copyright, pelo que diferentes produtoras podem fazer as interpretações que quiserem.»

    Todas as gravações da Aida são protegidas por copyright durante 95 anos. O que quer dizer que, por lei, o consumidor é obrigado a pagar pelo direito de aceder a qualquer uma delas. Mais, nenhuma pode ser distribuida sem a autorização do dono do copyright. Isto faz com que as editoras possam manipular o mercado eliminando selectivamente a oferta de algumas alternativas.

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  36. João Vasco,

    «Podes assumir, pelo contrário, que as escolhas que os consumidores fazem quanto aos filmes que querem ver reflectem os seus gostos e vontades.»

    Só para deixar bem claro isto: não.

    Isto seria verdade se estivessemos a pagar ao estúdio pelo serviço de fazer o filme. Nesse caso, se o estúdio fazia o filme A em vez do filme B é porque havia mais gente a preferir A em vez de B.

    Mas se o estúdio pode fazer A e impedir que se faça B, o estúdio fazer A apenas indica que estimam que mais gente prefere A em vez de nada do que há gente que prefere B em vez de nada. Mas até pode ser que a maioria prefira B em vez de A (e.g. 90% prefere B, A, depois nada, e 10% prefere A, nada, e depois B).

    Além disso, controlando o preço do acesso a estes filmes podem controlar o sítio onde o "nada" fica nas preferências de cada pessoa (é essa a razão principal para os códigos de região nos DVDs: poderem vender a preços diferentes em zonas diferentes).

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  37. "E mais uma vez vejo que não explicas qual é esse disparate."

    Já estou farto de explicar qual o disparate, o João Vasco já explicou qual o disparate, o Bacardi já te explicou qual o disparate...

    É como o criacionismo, já estás farto de explicar qual é o disparate mas o perspectiva continua a dar-lhe com força.

    Há uma diferença entre debater para nos enriquecermos e debater para "ganhar".

    Em relação gostava que me dissesses o que impede de produtoras cinematográficas ou discográficas bem como artistas de operarem de acordo com as tuas regras? Absolutamente nada. Porque é que o que dizes ser o melhor para o mundo e para o consumidor não anda aí em força?

    Possivelmente porque o teu discurso sobre a comercialização de música e cinema não passam de bitaites bem (suponho) intencionados. Dizes que agora não há opção mas o teu método também só funcionaria (e mal) se não houvesse igualmente opção.

    Por isso diverte-te lá a dar ao mundo as coisas que tu crias, mas não te armes em ditadorzinho e obrigues os outros a fazer o mesmo.

    Fanatismo sempre foi muito mau.

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  38. Wyrm,

    «Já estou farto de explicar qual o disparate, o João Vasco já explicou qual o disparate, o Bacardi já te explicou qual o disparate...»

    Não. Eu e o João Vasco discordamos acerca do problema específico de financiar filmes ou outros projectos com grandes custos. Eu e tu discordamos acerca do alegado direito de alguém controlar o resultado de um serviço que prestou e pelo qual já lhe pagaram.

    «Em relação gostava que me dissesses o que impede de produtoras cinematográficas ou discográficas bem como artistas de operarem de acordo com as tuas regras? »

    Alguns artistas já o fazem. Mas se a lei concede monopólios quem os tem não vai prescindir deles por mero altruismo. E este monopólio dá muito poder político a algumas empresas que querem perpetuar o sistema. Por exemplo, a pressão para impôr uma taxa mínima de 500 dólares por ano a todas as estações de rádio na internet, mesmo aquelas que só passam música com autorização dos autores (bandas alternativas e outras que competem com as discográficas maiores).

    O meu argumento não é que o meu sistema é melhor para as grandes discográficas. O meu argumento é que é má ideia a sociedade implementar leis que permitem algumas empresas controlar o que nós comunicamos só para proteger o seu negócio. Isto não tem fundamento moral e é um sacrificio que a sociedade toda tem que fazer só para encher os bolsos de alguns empresários.

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  39. Eis um texto que certamente apreciará:
    http://www.cato-unbound.org/2008/06/09/rasmus-fleischer/the-future-of-copyright/

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  40. Zigoto,

    Obrigado pelo link. É mesmo um bom artigo que recomendo aos leitores que estiverem interessados neste tema.

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  41. Off Topic,

    João Vasco, em relação ao AG, não tenho grande disponibilidade mental para te responder como deveria, pelo que te envio o seguinte texto de Jim Manzi, que é uma resposta não só aos argumentos de que deveremos agir e em força sobre o AG, mas também ao maior alarmismo que trespassa por certas palestras...

    Um cheirinho, (e perdoa-me Ludwig):

    the impact of differences in growth rates can be very counter-intuitive when compounded over many years. Consider a grossly simplified illustration of a society with constant population that has an average income of $10,000 per person today. If their economy grows at 2% per year for a century, average income will rise to a little over $72,000 after 100 years. Now suppose that they predicted that a by-product of this growth would be to create climate damage that by the end of a century would cause them to lose 3% of GDP by the 100th year. In this case, projected average income in year 100 would be reduced to about $70,000. Now, suppose some smart technologists offered them the option to eliminate all climate damage in return for slowing GDP growth by only 0.12 percentage points every year over the century. Should they take this deal? If they did, GDP would grow by 1.88% each year, and average income in year 100 would be a little over $64,000. Given these two alternatives, they would be much better off in economic terms by growing the economy at 2% and just taking the pain of the climate damage.

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