sábado, agosto 30, 2008

Treta da Semana: Cristo Rã.

Cristo Rã

Percebo pouco de arte. Tão pouco que nem percebo o que há para perceber. Ou gosto ou não. Mas deixo aos peritos a crítica desta estátua de Martin Kippenberger, «Zuerst die Fuesse» (“Pés Primeiro”), exposta em Bolzano. O post é sobre a reacção.

Franz Pahl, presidente do governo regional, opôs-se à exibição da peça que considerou não ser «uma obra de arte mas uma blasfémia e um pedaço de lixo repugnante que incomoda muitas pessoas» e uma «ofensa grave à população Católica». O Papa enviou-lhe uma carta de solidariedade afirmando que a figura «fere os sentimentos religiosos de tantas pessoas que vêem na cruz o símbolo do amor de Deus» (1).

Não critico o boneco nem a opinião pessoal do Sr. Pahl ou do Sr. Ratzinger, a quem reconheço o direito de se ofenderem com o que bem entenderem. Questiono a legitimidade de falarem em nome do que ofende a «população Católica», que me parece suficientemente diversa para não se ofender toda com a mesma coisa e perfeitamente capaz de decidir, cada um por si, se se ofende ou não. Mas isso deixo passar.

A minha crítica é a quem leva isto a sério. O conselho que dirige o museu votou 6 contra 3 a favor de manter a obra exposta. O superintendente dos museus afirmou a liberdade de expressão na arte. O ministro da cultura disse que os museus com financiamento público não devem «exaltar obras de profanação». Pois eu acho profundamente ofensivo que ponham café ou vinho do porto na mousse de chocolate, que deve saber a chocolate e não a essas coisas. Mas é uma opinião pessoal, uma questão de gosto, e só come quem quer. Não vão perder tempo com isso.

Com a religião tem que ser o mesmo. Há uma forte tradição de levar a religião a sério, e qualquer religião se caracteriza, principalmente, por se levar muito a sério. Por mais ridícula que seja. Mas só podemos conviver em paz se assumirmos a religião como algo estritamente pessoal. Algo que cada um pode ter ou não ter conforme queira e que não diga respeito ao escultor, à direcção do museu ou ao ministro da cultura. Eu não pagava para ver a rã mas isso não é razão para impedir outros de a irem lá ver.

Encarar a religião como um gosto pessoal é importante não só para ateus como eu mas, e talvez principalmente, para os crentes religiosos. Pensem os Católicos o que seria se tivessem que esconder as imagens dos santos para não ofender os Protestantes, deixar de rezar a Jesus para não incomodar os Judeus e acrescentar sempre umas palavras de veneração a Maomé para os Muçulmanos não se chatearem...

1- Reuters, 30-8-08, Italian museum defies pope over crucified frog

41 comentários:

  1. Ludi,

    Essa coisa é mesmo feia, chamar isso Arte, bom o outro tb dizia que o lavatório partido era arte, visto por esse ponto, o sapo é melhor.

    Olha, eu sou catolica e não me sinto nada ofendida com o sapinho, fico ofendida é se o palerma que fez essa porcaria a conseguir vender por milhões de euros, ai fico ofendida, mas não é por ser catolica ;)

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  2. Joaninha, é triste que eu tenha que interromper as minhas férias para dizer que condeno veementemente a tua opinião e, como tal, devias-te abster de opinar sobre arte :).
    Agora a sério, acho maravilhosa essa imagem do cristo rã, prestes a ser dissecado

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  3. Joaninha,

    Eu acho que arte é tudo aquilo que não serve para nada mas ainda não foi para o lixo. Talvez por isso não seja um dos artistas da família :)

    Quanto à rã, acho engraçada mas não pagava bilhete para ir ver.

    Quanto ao tipo que a fez, já morreu por isso a ele tanto se lhe dá se te ofendes ou não :)

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  4. É arte sim, e a prova de que é arte é que está num museu. Aliás, é só por isso que é arte, porque se tivesse na loja dos 300 seria um cabide.

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  5. Presumo portanto, Ludwig, que não te haverias de opór a quem fizesse obras a "humorizar" o Holocausto? Ou será que teria que se abrir uma excepção porque ofende a sensibilidade religiosa e étnica de todo um Povo?

    Sinceramente, há coisas com as quais, apesar de não concordarmos, não devemos "humorizar".

    Mas o autor, onde ele está agora, já sabe disso.

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  6. Opor em que sentido, Mats? Eu sentir-me-ia desconfortável, e haveria gente provavelmente ofendida. Seria talvez de mau gosto. Não sei é se alguém teria o direito de censurar tal obra de arte. Na minha opinião, a liberdade é valor maioral.

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  7. Mats,

    «Presumo portanto, Ludwig, que não te haverias de opór a quem fizesse obras a "humorizar" o Holocausto?»

    Claro que não. Há uns tempos, em reacção aos cartoons do Maomé, o Irão organizou um concurso de cartoons sobre o holocausto. Um jornal de Israel organizou um concurso sobre o mesmo tema, em resposta:

    «We’ll show the world we can do the best, sharpest, most offensive Jew hating cartoons ever published! No Iranian will beat us on our home turf!»

    Uma reacção muito mais inteligente do que a indignação arrogante de quem se sente ofendido com essas coisas.

    Há uma grande diferença entre não gostar de uma coisa e querer proibí-la. Mas quem se convence que há um homem invisível no céu que condena ao sofrimento eterno todos os que fazem coisas que ele não gosta têm mais dificuldade em perceber essa diferença.

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  8. Mats,

    Não há muito mais que se possa fazer para humorizar uma história de um tipo que nasce de uma mãe virgem e que é filho e deus e espírito e sabe-se lá mais o quê ao mesmo tempo, que multiplica uns pães e cura uns paralíticos mas depois morre numa cruz pelos pecados dos outros - mas só durante três dias porque depois quando ja se sente melhorzinho levanta-se e vai-se embora promentendo voltar, e nunca mais aparece.

    Esta história já está humorizada até ao limite, mais sapo menos sapo não faz diferença.

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  9. Ao que parece, o método de tortura e execução que dá pelo nome de crucificação, inventado na antiguidade, é abrangido por uma lei de direitos de cópia e reprodução detidos por uma só instituição religiosa cristã.

    Faz-me lembrar a questão dos crucifixos nas escolas quando se assume que uma cruz de pau pendurada na parede é católica apostólica romana quando é um símbolo generalista.

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  10. «Pois eu acho profundamente ofensivo que ponham café ou vinho do porto na mousse de chocolate, que deve saber a chocolate e não a essas coisas.»

    E eu sou contra pôr açúcar no café. Acho que se o café for pago por fundos públicos, deve ser estritamente proibido pôr açúcar, adoçantes ou qualquer tipo de aditivo (incluindo água) ao café. Pode-se no entanto pôr leite desde que se tenha uma autorização especial do ministro da tutela. :-)

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  11. Francisco,

    «Faz-me lembrar a questão dos crucifixos nas escolas quando se assume que uma cruz de pau pendurada na parede é católica apostólica romana quando é um símbolo generalista.»

    Mas como o símbolo é convencional, será daquilo que querem que seja quando lá o põem...

    O problema do cruxifixo na escola não é o de haver um pedaço de madeira em forma de +, até porque é um elemento estrutural comum em mobília e construção.

    O problema é dar um tom religioso ao um ambiente que as crianças são obrigadas a frequentar.

    Por exemplo, se um edificio antigo é convertido em escola e tem alguns símbolos religiosos como parte da arquitectura original (uma cruz em pedra no telhado, uma capela, coisas desse género), também não acho que se deva retirar. Nesse contexto os simbolos tornam-se religiosamente neutros.

    Mas pôr um crucifixo na sala, mesmo que o + de pau se possa interpretar de muitas maneiras, é uma mensagem que não é aceitável numa escola.

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  12. Jaime,

    «E eu sou contra pôr açúcar no café.»

    E eu contra pôr café no açúcar, que depois já não serve para fazer mousse de chocolate :)

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  13. Mas o Cristo Rã não é uma obra de arte mas sim um simbolo religioso de uma irmandande até agora desconhecida e que acredita no deus único simbolizado num sapo verde com pintas vermelhas único no reino da sua espécie. Portanto os milhares de crentes do Cristo Rã tencionam reclamar junto dos tribunais para que sejam condenados todos aqueles que profanaram o seu simbolo religioso incluindo o Museu que o tinha em exibição até agora. Tanto quanto se sabe a referida irmandade religiosa anda à procura do sua relíquia religiosa que foi roubadado do seu santuário logo após ter sido fundada. Assim espera-se que todos aqueles que tenham de alguma forma agido, de boa ou má fé, contra o referido simbolo religioso, sem perda de tempo, apresentem o seu arrependimento sincero pois caso contrário serão lançados no abismo da escuridão, sítio onde tudo é escuro e há muito choro e ranger de dentes, para fazerem companhia a todos aqueles que não têm verdadeira fé no Cristo Rã.

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  14. Ora aqui está uma treta da semana digna do seu nome.

    Ai, que bom ver o velho Ludwig de volta, em forma e que ultrapassou e os efeitos da silly season...

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  15. Qual será o significado da rã com uma caneca numa mão e com um ovo na outra?
    Ateus que pretendem processar alguém por se sentirem ofendidos costumam estar em minoria, a tal ponto de serem criticados por outros ateus. E até podem promover vídeos que gozam com eles.
    Será que iam apelar que um blog chamado "Atheism Is Dead" fosse removido? Será que "darwinistas" iriam obrigar que caricaturas de Darwin fossem eliminadas? Elas são arte com importância histórica.

    Penso que as pessoas normais em Portugal - quer sejam religiosas ou não - não iam proibir que a apresentação de uma obra de arte como aquela fosse proibida. Podem criticá-la pelo seu valor estético, mas isso é outra coisa. Muitas vezes as obras de arte ofenderem para reflectirmos sobre os nossos valores, funcionamento da sociedade, inspirar-nos para a vida, para a Filosofia e Ciência, etc.

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  16. Quanto a cartoons sobre o Holocausto, o que Ludwig está a referir-se é ao "International Holocaust Cartoon Contest" que serviu como resposta aos "cartoons" de Maomé com o objectivo de denunciar a hipocrisia da cultura de liberdade de expressão.

    Só que a liberdade de expressão permite-nos fazer piadas racistas, xenófobas e sobre outros temas que são politicamente incorrectos - inclusivamente feitas pelos visados -, por isso não nos afecta. Israel fez um concurso com o mesmo tema, e assim os objectivos do concurso original - no Irão - não foram cumpridos. Quando permitimos que façam humor sobre nós mostramo-nos superiores e minorizamos o assunto.

    Parece-me que os racistas, os xenófobos, os tarados, os assassinos, os dogmáticos, etc. é que acham que existem assuntos que não devem servir de humor: fazer humor com a raça suprema é mau, fazer humor da pátria é mau, fazer humor a respeito da taradice é mau, fazer humor da matança é mau, fazer humor do dogma é mau...

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  17. Pedro disse:
    "Qual será o significado da rã com uma caneca numa mão e com um ovo na outra?"

    EGGNOG!

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  18. Krippmeister:

    LOL Podia ser, mas pelo que vi a caneca é uma caneca de cerveja. E no Art Magazine está:
    «It is “Zuerst die Füße” (first the feet), the sculpture dated from 1990, which measures about a meter and represents a crucified frog holding in its right hand a mug of beer and in its left hand an egg. In this work Kippenberger represents a society that appears perfect but is actually hypocritical. A society that at the end of the day stoops to drinking beer in bars and unbends to distasteful cracks about sex and foul words. In short, the frog on the cross represents men reduced to animals, that drink to the point of demeaning themselves, that cannot free themselves from the cross of alcohol lived as a plague. And Kippenberger condemns a society that, on the one hand claims to be Christian and on the other, right under and before the Christ that it reckons to venerate, can only express its worst side. The frog is man demeaned by beer and alcohol, constantly “nailed” by (or with the fixation of) sex, while the egg represents the betrayed perfection

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  19. Caro Ludwig,

    «Mas pôr um crucifixo na sala, mesmo que o + de pau se possa interpretar de muitas maneiras, é uma mensagem que não é aceitável numa escola.»

    Certo. É exactamente por isso que me oponho à manutenção dos crucifixos.

    Mas lembrei-me desse assunto porque constatei que quem defende a manutenção dos crucifixos não consegue ver para lá do seu uso particular por parte de uma fé e aplicou-se apenas ao caso de uma entre muitas denominações cristãs.

    Não sei o que os ortodoxos pensam do assunto, nem os evangélicos - ninguém quis saber desses. Suponho que não sejam exactamente as mesmas cruzes...

    Obviamente que quem os colocou lá o fez por causa do peso da ICAR no país, à data. Mas quando se falou na remoção, só a ICAR se lamuriou pela profanação de um símbolo "de Paz e Salvação" comum a várias denominações. O que mostra o carácter meramente propagandístico da coisa.

    Se a obra não representasse um sapo numa cruz mas um sapo enforcado ou numa cadeira eléctrica já não teria havido problema nenhum - o que mostra que há quem se ache dono das representações de crucificações. Se é uma cruz, só pode simbolizar aquilo que as cruzes cristãs simbolizam. Se é um sapo crucificado, é blasfémia porque só Cristo é que é representado crucificado... É tacanho e é treta.

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  20. Mas eram os escravos e rebeldes políticos que eram crucificados. E um homem é maldito se morrer pendurado num madeiro segundo o Deuteronómio. Por era o símbolo da vergonha/escândalo (a ICAR leu realmente a Bíblia?). Até no filme "Gladiador" apareceram crucificados que não eram Jesus. Pelo menos num dos casos era um menino e uma mulher. E que eu saiba os crucificados eram completamente nus, com o pirilau à mostra, tal como em "A Última Tentação de Cristo". Por essas e por outras o filme foi considerado também blasfemo, tal como foi "Jesus Christ Superstar".
    Os símbolos originais que representavam Jesus eram as letras XP, o peixe, a âncora e o pastor com uma ovelha aos ombros - era proibido fazer imagens de Jesus, por isso usavam-se esses símbolos. Foi com Constantino que a imagem da cruz popularizou-se como símbolo religioso.

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  21. Pedro

    Estou esmagada por tanta sabedoria e tanto significado: para mim era mesmo só um cabide feio (mas feio de morrer!) que eu não pagaria um cêntimo... a não ser que o espaço da exposição valesse tanto a pena como Serralves, que é o único motivo pelo qual vou ver certas exposições que não valem nenhum.

    Agora fora brincadeira, com esse palavreado pode mesmo ter uma mensagem cristã... mas eu continuo a achar aí o Cocas um insulto ao bom gosto! E concordo que não se deve fazer tanto alarido em volta de uma obra: é dar-lhe poder e retirá-la pode abrir precedentes perigosos.

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  22. Mats e Ludwig

    Fazer humor com o Holocausto é algo mais grave: faz parte da mesma linha de pensamento que o nega, relativiza ou legitima. Ou seja, há ainda potencial para legitimizar o que aconteceu (ou o que supostamente não aconteceu), pelo que ainda é um perigo para as gerações actuais.

    Não considero por isso que seja de todo o mesmo que gozar com a fé de alguns (ou o seu sentido estético, que acho que é mais o caso).

    Dito isto, o meu cérebro ainda está em modo de poupança de energia (que é para não gastar, que parece que anda aí uma crise energética).

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  23. Hitler fez uma declaração num campo de concentração:
    "Hoje é um dia especial, por isso o jantar vai ser porco!"
    "Viva!"
    "Calem-se, porcos!"

    anedotas.numsitedejeito.com/show_tag?tag_id=204:
    «Quantos sobreviventes de um holocausto nuclear são precisos para mudar uma lâmpada?
    Nenhum. Pessoas que brilham no escuro não precisam de lâmpadas!»

    Há também piadas que envolvem - literalmente - deficientes mentais, como o entrevistador que vai ao Museu Criacionista: Ken Ham vs a retard

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  24. Francisco,

    «É exactamente por isso que me oponho à manutenção dos crucifixos.»

    Ooops... erro meu, interpretei mal o teu comentário :)

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  25. Abobrinha,

    «Fazer humor com o Holocausto é algo mais grave: faz parte da mesma linha de pensamento que o nega, relativiza ou legitima.»

    Por esse andar, faz parte da "mesma linha" de pensamento que o condena também...

    Negar o holocausto é dizer, objectivamente, uma mentira. Dizer piadas acerca do holocausto é completamante diferente.

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  26. http://www.irancartoon.com/110/index3.htm
    «West's reaction towards holocaust creates serious questions
    in the mind of world's peoples, such as:
    1) Why discussion is not allowed concerning holocaust, if it is a historical fact.» (...) « We do not at all deny that millions of Jews were horribly murdered by the Nazis.»

    Resultados em 2006

    Wikipedia
    «International Holocaust Cartoon Contest was a cartoon competition sponsored by the Iranian newspaper Hamshahri, to denounce what it called 'Western hypocrisy on freedom of speech'. The event was staged in response to the Jyllands-Posten Muhammad cartoons controversy,[1] and presented the Iranian claim that The Holocaust was a myth.»

    Se repararem em sites de criacionistas, de geocentristas, de defensores da Terra fixa, de cultos de "deuses eram estraterrestes" defende-se a ideia de que existe o medo de discutir os temas, que existem conspirações mundiais onde eles são as vítimas, etc. Se o Holocausto passa a ser um tabu a tal ponto que seja proibido usá-lo como tema para humor, eles simplesmente mostram que sempre tiveram razão e ganharam. Acham que é por acaso que Israel promoveu um concurso de cartoons anti-semiticas. É como um tipo dizer que tem toda a razão do mundo, e o outro responder que tem razão. O senhor da razão continua a apresentar o seu argumento porque o outro não lhe deu satisfação. Um diz que o Holocausto é tabu e que os outros são hipócritas com a sua liberdade de expressão, e o outro não lhe deu satisfação de se mostrar ofendido e promoveu o concurso de cartoons anti-si-próprio. No momento em que há alguma coisa que não possa servir de humor, essa gente ganhou e passamos a ser como eles. É tão simples como o concurso israelita.

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  27. Ludwig,
    "Folgo" em saber que não te haverias de opôr a quem quisesse "humorizar" uma das páginas mais negras da história da humanidade (o Holocausto), que resultou na morte de milhões de pessoas inocentes.

    Mas aceitar a santidade e dignidade da vida humana é algo que parece não ser comum entre os crentes ateus, portanto não me surpreende.

    Segundo, os israelitas nesse concurso não humorizaram o Holocausto.

    Portanto tu comparas o que os islamo-fascists fizeram com aquilo que os israelitas *não* fizeram.

    Repito o que disse, há coisas que, apesar de não concordarmos com elas, mas como são extremamente sensíveis para certas pessoas, não vale a pena "humorizar"..... Não se ganha nada com isso, e só se gera conflitos sem propósito.

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  28. Mats,

    «"Folgo" em saber que não te haverias de opôr a quem quisesse "humorizar" uma das páginas mais negras da história da humanidade
    [...]
    Mas aceitar a santidade e dignidade da vida humana é algo que parece não ser comum entre os crentes ateus»


    É precisamente por considerar cada ser humano como digno e autónomo que não me sinto no direito de proibir alguém de fazer as graças que entender. Obviamente que me oponho se essa pessoa quiser matar outra. Ou até se quiser proibir outra de se exprimir só porque algo lhe incomoda.

    Quanto à santidade, não a reconheço. Nem sei o que é isso. Como é que se vê se uma coisa tem santidade?

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  29. Ludwig

    Humor com tragédias é complicado. A prova é que me ri com a anedota do Pedro Amaral Couto. Suponho que tudo dependa da forma como se diz e das motivações para o humor. Ou seja, tem que haver vigilância constante da sociedade. No caso para que não se banalize, mas também para que não se torne um tabú.

    Sobretudo para que não se esqueça e não se negue. E o objectivo último: para que nunca mais aconteça, nem na Europa nem em mais lado nenhum. O que é uma utopia, mas é um objectivo. Curiosamente (e isto vem a propósito de uma discussão que deixei a menos de meio) também houve matanças selectivas em outros continentes e raças e não lhes damos tanta importância, o que possivelmente será pelo menos tão grave como anedotas de judeus.

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  30. Abobrinha,

    Não é pelo menos tão grave, é bastante mais grave. Fazer humor com o holocausto não é negar que ele aconteceu.

    Quem é o senhor(a) anonimo? mmmmm?

    Não! não me calo, estou como o Chavez!

    (pode-se fazer gracinhas com o Chavez não pode?)

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  31. Joaninha,
    o anónimo c'est moi.
    Estava a enviar o comentário por télélé e saiu assim para o esquisito.
    Percebo tanto de arte como a miss piggy mas gosto deveras desse sapo.
    Fiquei muito triste, ofendido e amuado ;-)

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  32. - com - dá mais,

    Ok estás perdoado até porque eu tb percebo tanto de arte como o sapo cocas ;)

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  33. "Eu acho que arte é tudo aquilo que não serve para nada mas ainda não foi para o lixo. Talvez por isso não seja um dos artistas da família :)"

    Ludi

    Eu já desconfiava :) que não eras o artista da familia...hehehe.

    Tás a ver, o gajo faz um sapo manhoso colado a uma cruz de pau manhosa e acaba num museu onde alguns otarios pagam bilhetinho para ir ver aquilo. Isto é que me ofende, lá o sapo estar dependurado na cruz ou na estrela de david dá-me no mesmo ;)

    beijos

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  34. Noto que Mats insiste em cometer uma falácia chamada "apelo ao preconceito":

    "Guia das falácias de Stephen Downes"
    «Termos carregados e emotivos são usados para ligar valores morais à crença na verdade da proposição.»

    Por exemplo, não é por acaso que em http://www.fixedearth.com/ os que acreditam que a Terra não é o centro do Universo são chamados de "copernicanos". A ideia é associar a pessoas o termo com origem num nome de uma pessoa para dar a entender que esses são um culto que segue Copérnico. O mesmo sucede-se com o termo "darwinistas". A expressão "crentes ateus" também não é usada por acaso...

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  35. Mário Miguel01/09/08, 14:44

    Ludwig,

    «E eu contra pôr café no açúcar, que depois já não serve para fazer mousse de chocolate :)»

    Pois é, e depois é o que se vê... A tua foto não mente! Mas olha que eu não me posso rir, pois estou pior que tu (leia-se: mais """musculoso"""). A mousse é uma ferramenta do Demo, ó se é.

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  36. Joaninha,
    esta rã já anda a fazer das suas há quase 20 anos, e eu confesso que sempre lhe achei bastante graça. Não quero com isso dizer que a considere arte, mas eu sei lá o que é arte. Mas faz-me rir há uma data de anos, e ainda mais agora que o caso foi resuscitado no mais provinciano Tirol. E o que me faz rir nunca pode ser mau (para mim ;-)).
    Cristy

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  37. Mats,
    «Mas aceitar aceitar a santidade e dignidade da vida humana é algo que parece não ser comum entre os crentes ateus, portanto não me surpreende.»

    Por favor leia o comentário onde coloquei até citações daqueles que negam o Holocausto. Para além de esse seu parágrafo basear-se apenas num preconceito e não responde ao problema, por isso é falacioso, é uma atitude que os que negam o Holocausto jogam a seu favor. O governo de Israel percebeu isso e fez uma jogada de mestre com o concurso intitulado "Israeli Anti-Semitic Cartoon Contest". São os próprios israelitas que disseram: «We’ll show the world we can do the best, sharpest, most offensive Jew hating cartoons ever published! No Iranian will beat us on our home turf!». Vejam os cartoons neste link:
    http://www.flickr.com/photos/amitai/sets/72057594067999377/. Como podem ver há lá piadas sobre o Holocausto, como estas:
    * Ilan Touri: Studio 6
    * Cartoon by Sharon Rosenzweig: Throbing-Heart
    * Arnon Moskoitz and Koren Shadmi: Camp Fun

    Foram os próprios judeus que fizeram essas piadas e divulgaram-nas. Compreenderam que a atitude do politicamente correcto é favorável aos anti-semitas e aos negadores do Holocausto, que permite apoiar a ideia da hipocrisia da liberdade de expressão ocidental. Portanto, Mats, não é a atitude que descreves de modo preconceituoso que é prejudicial - é a própria atitude que defendes que é prejudicial e que os próprios judeus não aceitam.

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  38. E mais uma coisa, Mats,
    escreveste num comentário: «Atacar o carácter e a personalidade de uma pessoa só porque essa pessoa rejeita a noção de que o mundo biológico criou-se a si próprio é um ataque pessoal».
    O que escreveste foi claramente um ataque pessoal: «aceitar a santidade e dignidade da vida humana é algo que parece não ser comum entre os crentes ateus». Em vez de responderes ao assunto, associaste Ludwig a ateus (Falácia de Culpa por Associação ou Ad hominem circunstancial) e atacaste o grupo (que chamas de "crentes ateus") em questão em vez de atacar o argumento.

    Qual é o problema dessas falácias?
    http://www.fallacyfiles.org/adhomine.html:
    «An Abusive Ad Hominem occurs when an attack on the character or other irrelevant personal qualities of the opposition—such as appearance—is offered as evidence against her position. Such attacks are often effective distractions ("red herrings"), because the opponent feels it necessary to defend herself, thus being distracted from the topic of the debate
    Por isso pertencem à Falácia da Fuga do Assunto. Espero que não se repita e que respondas aos argumentos em vez de atacar quem argumenta, especialmente tendo em conta que já disseste que nunca fazes ataques pessoais.

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  39. RESPEITO É BOM. EU ME SINTO MUITO OFENDIDA COM ESSA TRETA.
    HÁ MUITOS OUTROS ASSUNTOS QUE NÃO SÃO POLEMICOS PARA SE FAZER PIADINHAS SEM GRAÇA.
    E FAZ UMA PIADINHA DE PÉSSIMO GOSTO COMO ÉSSA.
    ODIEI ISSO.

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  40. acho horrivel.
    deveria ter feito piadinhas sem graça com outros assuntos diferentes
    COMO CATOLICA E CRISTÃ ME SENTI MUITO OFENDIDA.

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  41. acho horrivel.
    deveria ter feito piadinhas sem graça com outros assuntos diferentes
    COMO CATOLICA E CRISTÃ ME SENTI MUITO OFENDIDA.

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