sexta-feira, maio 30, 2008

AAP

Hoje foi constituída a Associação Ateísta Portuguesa. Aqui fica o manifesto, um pouco mais moderado do que muitos de nós escreveríamos em nome individual mas que esperamos ser consensual para ateus dentro e fora da associação.

Na sequência da legalização da Associação Ateísta Portuguesa (AAP), os outorgantes da respectiva escritura saúdam todos os livres-pensadores: ateus, agnósticos e cépticos, que dispensam qualquer deus para viverem e promoverem os valores da liberdade, do humanismo, da tolerância, da solidariedade e da paz.

Os ateus e ateias que integram a AAP, ou a vierem a integrar, aceitam os princípios enunciados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem e respeitam a Constituição da República Portuguesa.

O objectivo da AAP é mostrar o mérito do ateísmo enquanto premissa de uma filosofia ética e enquanto mundividência válida. Porque o ser humano é capaz de uma existência ética plena sem especular acerca do sobrenatural, e porque todas as evidências indicam que nenhum deus é real.

A AAP defende também os interesses comuns a todos os que escolhem viver sem religião, defendendo o direito a essa escolha e a laicidade do Estado, e combatendo a discriminação e os preconceitos pessoais e sociais que possam desencorajar quem quiser libertar-se da religião que a sua tradição lhe impôs.

A criação da AAP coincide com uma generalizada ofensiva clerical a que Portugal não ficou imune. Apesar de o ateísmo não se definir pela mera oposição à religião e ao dogmatismo, em nome da liberdade, da igualdade e da defesa dos direitos individuais a AAP denuncia o proselitismo agressivo e a chantagem clerical sobre as sociedades democráticas. O direito de não ter religião, ou de ser contra, é igual ao direito inalienável de crer, deixar de crer ou mudar de crença, sem medos, perseguições ou constrangimentos.

O ateísmo é uma opção filosófica de quem se assume responsável pelos seus actos e pela sua forma de viver, de quem dá valor à sua vida e à dos outros, de quem cultiva a razão e confia no método científico para construir modelos da realidade, e de quem não remete as questões do bem e do mal para seres hipotéticos nem para a esperança de uma existência após a morte. A AAP representa todos os que optem por esta forma de viver e defende a sua liberdade de o fazer.

25 comentários:

  1. Bom, vamos lá ver como é que esses objectivos vão ser acançados.
    Uma coisa é enumerar objectivos, outra é agir, e para isso são necessárias tarefas muito concretas.
    Bjs Karin

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  2. Boa sorte. Se deus quizer há de correr tudo bem.

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  3. Digo, alcançados.:)
    Karin
    (eu deveria reler o que escrevo)

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  4. Apesar de eu nada ter contribuído para este arranque da AAP, quero apenas fazer notar o carácter redutor da frase:

    «a AAP denuncia o proselitismo agressivo e a chantagem clerical sobre as sociedades democráticas.»

    A denúncia será decerto independente da forma de governo onde a agressão prosélita se exerça.

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  5. sim. Concordo que "democráticas" está a mais. Nem tinha reparado, porque quando li o texto não senti que houvesse nada a modificar.

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  6. Manifesto ateísta?! Moderado?! A mim parece-me mais um manifesto humanista, racionalista, pacifista, liberal, cientista, etc. Quer isto dizer que não há lugar para ateus anti-humanistas, anti-pacifistas, anti-liberais e anti-cientistas e anti-racionalistas? E será que um crente religioso humanista, racionalista, pacifista, liberal, etc, não pode fazer parte dessa associação só porque não é ateu? È que as discordâncias acabam por ser menores entre este crente e os «ateus» do que entre estes «ateus» e o ateu niilista.
    O ateísmo é uma premissa de uma filosofia ética? De que ética? De uma ética teleológica ou deontológica? Que princípios éticos é que decorrem da negação de Deus? Nenhum? Ou aqueles que se opôem aos princípios religiosos, como por exemplo «não matar» por ser uma «ordem» de Deus?
    Afinal, o que é um ateu? È um crente envergonhado?

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  7. M. Abrantes01/06/08, 01:12

    Uma associação de livres-pensadores não deveria ser fundada por um texto cujo título poderia ser "crente não entra".

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  8. Não entendo a celeuma em torno da AAP.
    Não é apenas uma associação de livre-pensadores, é primeiramente uma associação de ateus. Tal não invalida que possam existir livre-pensadores que não sejam ateus.
    Por outro lado, apesar de que a intenção dos seus fundadores é que a associação seja o mais abrangente possível, não leio no manifesto a pretensão de representar todos os ateus. Parece-me bem que excluam os que não amam a liberdade (e não o liberalismo como afirma o anónimo, cuidado com as confusões), como me pareceria bem que uma associação de judeus excluísse os genocidas.

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  9. Caro Anónimo,

    «Quer isto dizer que não há lugar para ateus anti-humanistas, anti-pacifistas, anti-liberais e anti-cientistas e anti-racionalistas?»

    Não sei se consigo imaginar uma pessoa assim, mas diria que não se identificar com a AAP será um problema menor face à necessidade de viver sozinho numa caverna...

    « E será que um crente religioso humanista, racionalista, pacifista, liberal, etc, não pode fazer parte dessa associação só porque não é ateu?»

    Já respondi a essa pergunta. Não é intenção da AAP excluir quem quer que seja por motivos religiosos, e nem sequer é legal fazê-lo.

    Será que alguém pode ser sócio do Sporting se for adepto do Benfica? Julgo que não haverá problema. Quando pratiquei desporto lá fui sócio do Sporting e nunca me perguntaram qual era o meu clube favorito.

    «O ateísmo é uma premissa de uma filosofia ética?»

    De várias. Hoje em dia, faz parte de quase todas, do utilitarismo à deontologia kantiana. A excepção são as poucas (mas infelizmente ainda populares) que defendem que algo é bom porque um deus manda.

    «Que princípios éticos é que decorrem da negação de Deus?»

    O mais importante de todos. Que a responsabilidade pelos princípios éticos é nossa. Ou seja, não compete aos humanos apenas seguir os princípios éticos mas também criá-los. Não basta juntar água (nem que seja benta).

    «Afinal, o que é um ateu? È um crente envergonhado?»

    Um ateu não é um crente. É um descrente. Mas é possível que muitos o sejam com alguma vergonha. Esperamos que a AAP ajude a resolver esse problema e mostrar que não há vergonha nenhuma em achar que isso dos deuses é tudo treta.

    Matarbustos, penso que é esta última parte que explica a celeuma :)

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  10. Matarbustos,

    «A denúncia será decerto independente da forma de governo onde a agressão prosélita se exerça.»

    É verdade. Mas tenta fazer uma associação como a AAP para protestar contra isso num país que não seja democrático e vais ver onde vais parar :)

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  11. «Não sei se consigo imaginar uma pessoa assim»

    Nietzsche, por exemplo.



    «Hoje em dia, faz parte de quase todas, do utilitarismo à deontologia kantiana.»

    Que eu saiba Kant era religioso, e bastante por sinal... Aliás, a sua ética, ainda que se apoie na autonomia da razão, faz de Deus um ideal regulador, um postulado da razão prática. Com ele Deus é o supremo bem.


    «não compete aos humanos apenas seguir os princípios éticos mas também criá-los.»


    Pois, mas se a religião deixa de determinar quais os valores comuns que todos os homens devem seguir, isso quer dizer que se os ateus seguem uma outra moral comum isso não decorre do seu ateísmo mas sim de uma outra doutrina moral a que todos, alguns, ou uns poucos, aderiram. No limite, e como «disse» Dostoievsky, se deus não existe então tudo é permitido -ou seja, tanto podem existir ateus fascistas, como ateus comunistas, como ateus liberais, como ateus niilistas. No limite, cada um pode agir como lhe apetece. Porquê?Porque do ateísmo apenas decorre uma coisa: a negação de Deus, o que até nem significa a negação dos valores religiosos, ou fundados em Deus, que podem ressurgir por um processo de secularização - ainda que disso muitos ateus não tenham consciência.


    «Um ateu não é um crente. É um descrente»


    É um descrente em Deus, mas o que este manifesto revela é que também «é» (ou parece que deve ser) crente numa série de princípios que são independentes do ateísmo, e que, como eu disse anteriormente, são também partilhados por muitos religiosos.
    Daí que este manifesto seja mais um manifesto em defesa de uma determinada doutrina ou ideologia do que um manifesto ateu, que por definição se devia abster de afirmar qualquer coisa que vá para além da negação de Deus.
    A verdade é que nenhum ateu está obrigado (ou tem o dever) a, por exemplo, defender a liberdade. E mesmo que a defenda a sua concepção de liberdade pode ser distinta da de outro ateu qualquer. Basta pensar que para um ateu marxista e para um ateu liberal ser-se livre não é a mesma coisa. Mas ambos não acreditam na existência de Deus.

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  12. Anónimo (que presumo seja o mesmo anónimo, mas pode não ser...)

    «Nietzsche, por exemplo.»

    Exacto...

    «Que eu saiba Kant era religioso»

    Sim, mas a ideia de derivar a ética de um imperativo categórico não exige deuses. Tratar cada pessoa como um fim em si mesmo é um principio bastante humanista.

    «Pois, mas se a religião deixa de determinar quais os valores comuns que todos os homens devem seguir,»

    Cada religião tentou isso mas nunca houve só uma religião. Houve sempre muitas e normalmente com pouco em comum.

    «É um descrente em Deus, mas o que este manifesto revela é que também «é» (ou parece que deve ser) crente numa série de princípios que são independentes do ateísmo,»

    Formalmente, talvez. Depende de como definimos os termos. Estatisticamente, a julgar pela amostra que reunímos, estes princípios parecem ser representativos do ateísmo português.

    Se houver alguém que não acredita em deuses mas é a favor da escravatura, contra a Constituição e acha que quem muda de religião deve ser apedrejado até à morte admito que não se sentirá confortável na AAP.

    «Daí que este manifesto seja mais um manifesto em defesa de uma determinada doutrina ou ideologia do que um manifesto ateu, que por definição se devia abster de afirmar qualquer coisa que vá para além da negação de Deus.»

    Esse é o erro de usar o diccionário como norma em vez de descrição. «Ateu» não é uma etiqueta que se defina primeiro e depois diga aos ateus o que devem ser e pensar. É uma etiqueta que deve descrever os ateus como eles são. É isso que tentamos fazer com este manifesto.

    Senão tinhamos que nos sujeitar àquilo que outros querem definir acerca do que somos...

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  13. A ciência funciona no presente.

    Numa ninguém viu a hipotética singularidade inicial a explodir, a vida a surgir por acaso ou uma espécie menos complexa a transformar-se noutra mais complexa ao longo de milhões de anos.

    Os cientistas fazem observações no presente e depois extrapolam para o passado, com base na visão que têm do mundo e das origens.


    Só que essas extrapolações nem sempre têm correspondência com os factos observados.

    Assim sucede com a teoria da evolução. A mesma assenta num conjunto de hipóteses e extrapolações, desprovidas de qualquer fundamento empírico.


    De resto, os argumentos avançados pelos evolucionistas atestam isso mesmo. Vejamos alguns deles, avançados neste e noutros blogues.


    Palmira Silva

    1) Ao tentar conciliar a lei da entropia com a evolução, e pensando com isso desferir um golpe letal nos criacionistas, defendeu a analogia entre a estrutura ordenada dos cristais de gelo e a informação complexa e especificada do DNA. Esqueceu-se apenas que se tivéssemos DNA do tamanho de um cubo de gelo de um refrigerante vulgar teríamos aí possivelmente armazenada a informação genética suficiente para especificar cerca de 50 biliões de pessoas, coisa que, nem de perto nem de longe se passa com um cubo de gelo, o qual é sempre um cubo de gelo, pelo menos até se derreter ou, partindo-se, dar origem a dois ou mais cubos de gelo. O DNA contém é um sistema optimizado de armazenamento de informação codificadora de estruturas e funções que não são inerentes aos compostos químicos do DNA. Diferentemente, os cristais de gelo são estruturas arbitrárias sem qualquer informação codificada. Ou seja, eles não conseguem codificar a sua estrutura e garantir a respectiva reprodução num momento ulterior.

    2) Tem criticado os criacionistas por os mesmos terem certezas absolutas. Para ela, não existem certezas absolutas, o que põe o problema de saber como é que ela pode ter a certeza absoluta de que as suas críticas ao criacionismo estão certas. Para a Palmira todo o conhecimento começa na incerteza e acaba na incerteza. As premissas são incertas e as conclusões também. Mas a Palmira parece ter a certeza de que isso é assim. Diferentemente, os criacionistas entendem que o conhecimento baseado na revelação de um Deus omnisciente e omnipotente é um excelente ponto de partida e de chegada para o verdadeiro conhecimento. Para a Bíblia o mundo foi criado por um Deus racional, de forma racional para ser compreendido racionalmente por pessoas racionais. Os criacionistas propõem modelos científicos falíveis, mas, partindo da revelação de Deus, estão convictos de que existe a possibilidade de certeza no princípio e no fim. Jesus disse: eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim.

    3) Criticou a noção de dilúvio global (presente na bíblia e corroborada por relatos semelhantes em praticamente todas as culturas da antiguidade) com a ideia de que a água nunca chegaria a cobrir o Everest, esquecendo que é uma catástrofe das proporções do dilúvio que melhor permite explicar a origem do Everest e o facto de nos seus diferentes estratos e no seu cume se encontrarem fósseis de moluscos.

    4) Apelou à introdução de uma suposta “Lei de Darwin”, para tentar “ilegalizar” as críticas a Darwin, esquecendo que as leis naturais descrevem em termos simples e incisivos regularidades observadas empiricamente, sendo em princípio cientificamente falsificáveis. Pense-se na lei da conservação da massa e da energia, na lei da entropia, na lei da gravidade, etc. Diferentemente, nunca ninguém observou a vida a surgir por acaso e uma espécie mais complexa a surgir de outra menos complexa. Se existe uma lei que podemos afirmar é esta: os processos naturais não criam informação codificada. Esta lei sim, nunca foi empiricamente falsificada. A mesma corrobora a criação, se pensarmos que o DNA é o sistema mais eficaz de armazenamento de informação.


    Ludwig Krippahl

    1) Defendeu que a mitose e a meiose são modos de criação naturalística de DNA, quando na verdade apenas se trata de processos de cópia da informação genética pré-existente no DNA quando da divisão das células. Por sinal, trata-se de uma cópia extremamente rigorosa, equivalente a 282 copistas copiarem sucessivamente toda a Bíblia e enganarem-se apenas numa letra. De resto, o processo de meiose corrobora a verdade bíblica de que todas as criaturas se reproduzem de acordo com a sua espécies, tal como Génesis 1 ensina.

    2) Defendeu a evolução comparando a hereditariedade das moscas (que se reproduzem de acordo com a sua espécie) com a hereditariedade da língua (cuja evolução é totalmente dependente da inteligência e da racionalidade.) Em ambos os casos não se vê que é que isso possa ter que ver com a hipotética evolução de partículas para pessoas, já que em ambos os casos não se explica a origem de informação genética.

    3) Defendeu que todo o conhecimento científico é empírico, embora sem apresentar qualquer experiência científica que lhe permitisse fundamentar essa afirmação. Assim sendo, tal afirmação não se baseia no conhecimento, segundo os critérios definidos pelo próprio Ludwig, sendo, quando muito, uma profissão de fé. Na verdade, não existe qualquer experiência ou observação científica que permita explicar a causa do hipotético Big Bang ou demonstrar a origem acidental da vida a partir de químicos inorgânicos. Ora, fé por fé, os criacionistas já têm a sua fé: na primazia da revelação de Deus.

    4) Defendeu a incompetência do designer argumentando com o sistema digestivo das vacas e os seus excrementos. Esquece porém que esse argumento, levado às últimas consequências, nos obrigaria a comparar o cérebro do Ludwig com o sistema digestivo das vacas e os pensamentos do Ludwig com os excrementos das vacas. E poderíamos ter dúvidas sobre qual funciona melhor, já que para o Ludwig todos seriam um resultado de processos cegos e destituídos de inteligência. Apesar de tudo os criacionistas têm uma visão mais benigna do cérebro do Ludwig e dos seus pensamentos.

    5) Defendeu que a síntese de betalactamase, uma enzima que ataca a penicilina destruindo o anel de beta-lactam, é uma evidência de evolução. Nesse caso, o antibiótico deixa de ser funcional, pelo que os microorganismos que sintetizam betalactamase passam a ser resistentes a todos os antibióticos. A betalactamase é fabricada por um conjunto de genes chamados plasmidos R (resistência) que podem ser transmitidos a outras bactérias. Em 1982 mais de 90% de todas as infecções clínicas de staphylococcus eram resistentes à penicilina, contra perto de 0% em 1952. Este aumento de resistência ficou-se a dever, em boa parte, à rápida transferência por conjugação do plasmido da betalactamase. Como se pode ver, neste exemplo está-se perante síntese de uma enzima de banda larga com perda de especificidade e, consequentemente, com perda de informação. A rápida obtenção de resistência conseguiu-se por circulação de informação. Em caso algum estamos perante a criação de informação genética nova, codificadora de novas estruturas e funções.

    6) Defendeu que o código do DNA, afinal, não codifica nada. Isto, apesar de o mesmo conter sequências precisas de nucleótidos com as instruções necessárias para a construção de aminoácidos, cujas sequências, por sua vez, conduzirão ao fabrico de cerca de 100 000 proteínas diferentes, com funções bem definidas para o fabrico, sobrevivência e reprodução dos diferentes seres vivos. Existem 2000 aminoácidos diferentes e o DNA só codifica os 20 necessários à vida. O DNA contém um programa com informação passível de ser transcrita, traduzida, executada e copiada com sucesso para o fabrico de coisas totalmente diferentes dos nucleótidos e representadas através deles. Curiosamente, já antes dos trabalhos de Crick e Watson, já Gamow, por sinal o mesmo cientista que fez previsões acerca da radiação cósmica de fundo, previu que o DNA continha informação codificada e armazenada. E acertou. De resto, é universalmente reconhecido que o DNA contém informação codificada. O Ludwig, por ter percebido que não existe código sem inteligência, é que se vê forçado a sustentar que o DNA não contém nenhum código, apesar de ser óbvio que contém. Sucede que, como demonstra a teoria da informação, e como o Ludwig reconhece, não existe informação codificada sem uma origem inteligente. Daí que, tanto a origem acidental da vida, como a evolução de partículas para pessoas por processos meramente naturalísticos sejam uma impossibilidade científica. A abiogénese e a evolução nunca aconteceram. Assim se compreende que a origem acidental da vida nunca tenha sido demonstrada (violando inclusivamente a lei científica da biogénese) e que mesmo os evolucionistas reconheçam que o registo fóssil não contém evidências de evolução gradual.


    Paulo Gama Mota

    1) Defendeu há alguns meses atrás a teoria da evolução com o argumento de que sem ela não haveria telemóveis! É verdade! Não se percebe neste argumento o que é que os telemóveis têm que ver com a hipotética criação de informação genética nova através de mutações e selecção natural. Por outro lado, esquece-se que os telemóveis são o produto de design inteligente, nunca podendo ser utilizados para tentar legitimar a evolução aleatória do que quer que seja, e muito menos de seres cuja complexidade excede largamente a dos telemóveis ou de qualquer outro mecanismo criado pela inteligência humana.

    E é com este tipo de argumentos que pensam que vão a algum lado?

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  14. Ludwig diz:


    "O ateísmo é uma opção filosófica"

    Muito bem.

    Torna-se assim claro que a discussão entre criacionismo e ateísmo é uma discussão entre duas visões do mundo aceites pela fé.

    "de quem se assume responsável pelos seus actos e pela sua forma de viver"

    Responsável perante quem?

    E se um ateu achar que não tem que prestar contas a ninguém?

    Se uma pessoa entender que um acidente cósmico não tem que prestar contas a outro acidente cósmico pode continuar a ser ateu?

    Porque é que um ateu tem que ser responsável?

    Não pode ser irresponsável?

    A Bíblia diz que Deus criou leis morais e nos tornou responsáveis diante d'Ele.

    Mas também diz que Jesus levou sobre si o castigo da nossa desobediência, para termos vida eterna através d'Ele.

    "de quem dá valor à sua vida e à dos outros"

    Porque é que um ateu tem que dar valor à sua vida e à dos outros se a mesma foi o produto de um acidente cósmico, sem qualquer valor intrínseco?

    E se um ateu achar que um ser humano vale tanto como poeira cósmica? Será que ele pode continuar a ser ateu?

    A Bíblia afirma que somos criados à imagem e semelhança de Deus. Temos, assim, valor intrínseco.

    Jesus, ao pagar o preço dos nossos pecados, mostrou que temos para Ele o valor máximo.

    A Bíblia diz que atentar contra um ser humano é atentar contra o seu Criador e que fazer bem a um ser humano é fazer bem ao seu Criador.


    "de quem cultiva a razão"

    Que razão?

    Se o Universo foi produto de uma explosão e se o cérebro é o resultado dos mesmos processos aleatórios que criaram a cebola não será a lógica uma batata?

    Essa ideia de razão não será um "órgão vestigial" dum período distante em que as pessoas acreditavam num Deus racional?

    De onde vem essa ideia da razão?

    A Bíblia afirma que somos racionais, porque criados à imagem e semelhança de um Ser racional. Daí vem a nossa razão.

    "e confia no método científico para construir modelos da realidade"

    O método científico apoia-se na observação e na repetição.

    No entanto, ele não funciona no caso da origem do Universo e da vida, porque não se trata de factos observáveis e repetíveis.

    "e de quem não remete as questões do bem e do mal para seres hipotéticos"

    Não existe nada na ciência que exclua a existência de Deus. Pelo contrário, a sintonia do Universo para a vida e a quantidade inabarcável de informação codificada no DNA são inteiramente compatíveis com a sua origem.

    Não existe nada na astronomia que refute a ideia de que Deus criou o Universo em 6 dias. Pelo contrário, muitas evidências (v.g. quantização das galáxias, distribuição das galáxias, galáxias maduras antigas, ausência de estrelas de população III, dilação gravitacional do tempo, ausência de vestígios de supernovas) são inteiramente consistentes com isso.

    Se o Universo não tiver sido criado por um Ser racional, de forma racional, para ser estudado de forma racional por seres racionais, a ciência impossível.

    "nem para a esperança de uma existência após a morte."

    A ressurreição de Jesus, facto histórico observado e documentado, e passível de ser historicamente investigado, atesta que a morte não é o fim e permite-nos ter esperança na nossa propria ressurreição com Jesus Cristo, que é, nada mais nada menos do que o Criador.

    Existe mais evidência de que Cristo ressuscitou dos mortes do que de que a vida surgiu por acaso.

    O primeiro facto foi testemunhado. O segundo (pretenso facto)não.

    O primeiro facto baseia-se na observação. O segundo (pretenso facto) na especulação.

    Se a ciência se baseia na observação, então podemos dizer que os criacionistas são inteiramente científicos e os ateus não.

    A criação foi um facto observado e relatado pelo Criador.

    A ressurreição de Cristo foi um facto observado e relatado pelas criaturas.

    Ambos são inteiramente consistentes.


    A origem acidental da vida e do Universo é que não foram observados e relatados por ninguém. São pura especulação.

    O fundamento do ateísmo é especulação.

    Jesus, o Criador e Salvador, irá dar vida eterna aos que o aceitam e morte eterna aos que o rejeitam.

    Os crentes têm esperança. Os ateus não.

    Os crentes acreditam numa vida abundante com Deus.

    Os ateus, embora não acreditem nas afirmações de Jesus, não deixam afirmar que os espera uma "morte de calor" (designação que não deixa de ser sugestiva).

    Só o relato da Criação tal como vem na Bíblia dá sentido às observações científicas, aos relatos históricos e à própria ideia de racionalidade e conhecimento científico.

    Deus criou as leis naturais. A ciência descobre e formula as leis naturais. Ambas as realidades são inteiramente consistentes uma com a outra.

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  15. Perspectiva Jonatas Machado,

    Você é um bocadinho obsessivo. Podíamos estar a falar de batatas que você não teria o mínimo de pudor de descarregar o seu "SPAM". Admitindo que você tem razão em tudo o que diz, fazê-lo da forma que faz, bem como na quilometragem dos comentários, deixa corado de vergonha o Leprechaun, indiciando resquícios de esquizofrenia, que só contra si revertem, descredibilizando-o, independentemente da veracidade (ou não) do que expõe.

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  16. Estimado Anónimo

    Não se trata de ser um bocadinho obsessivo.

    Trata-se de manter o assunto na ordem do dia.

    Estes posts criacionistas têm uma função de "agenda setting" inteiramente legítima.

    Não se esqueça que foi o Ludwig que primeiro começou a criticar os criacionistas neste blogue.

    O que aconteceu foi simplesmente que os criacionistas aproveitaram esta excelente oportunidade para darem a conhecer o seu pensamento, confrontando-o com a filosofia do ateísmo.

    As pessoas são livres para tirarem as suas conclusões.


    O objectivo é permitir que, através do KTreta, muitos possam, neste país, acompanhar a discussão entre criacionismo e evolucionismo.

    Penso que isso poderá atrair muitos leitores ao KTreta.

    Além disso, pode dar azo a novos convites para outros debates públicos com o Ludwig, o que será sempre bom.

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  17. Caro Perspectiva Jonatas Machado,

    Leu mesmo a minha pergunta?


    «Não se trata de ser um bocadinho obsessivo.

    Trata-se de manter o assunto na ordem do dia.

    Estes posts criacionistas têm uma função de "agenda setting" inteiramente legítima.

    Não se esqueça que foi o Ludwig que primeiro começou a criticar os criacionistas neste blogue.»


    Aí não?! O que é que a criação da AAP tem a ver com

    « Numa ninguém viu a hipotética singularidade inicial a explodir, a vida a surgir por acaso ou uma espécie menos complexa a transformar-se noutra mais complexa ao longo de milhões de anos.»

    Irra homem, você parece um puto na ponta dos pés a querer ficar na foto.
    Por mim não recrimino que você fale neste blog o que quiser (podia recriminar embora não pudesse fazer nada – o blog não é meu) mas pelo menos com contexto.

    Fico a imaginar o Ludwig a falar de culinário e o Jonatas, apressadamente, interrompe com: Gaivotas dão Gaivotas!!!

    Você, não sei se dá conta, não está a usar a melhor forma de, pelo menos, levar as pessoa a ler o que escreve. Digamos que vai marcando na própria baliza. Eu já sou um que na terceira linha, faço jump directo par o comentário seguinte, e note que eu não o fazia.

    Desculpe por não ter assinado o comentário anterior.

    Francisco Miranda

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  18. António Parente03/06/08, 09:28

    Professor Perspectiva

    Não se deixe intimidar com comentários negativos.

    A profunda irritação que gera deve-se à circunstância dos seus opositores serem incapazes de contrariar os seus comentários com argumentos consistentes. Por isso aparecem os adjectivos depreciativos e as acusações de "esquizofrenia".

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  19. António,

    "A profunda irritação que gera deve-se à circunstância dos seus opositores serem incapazes de contrariar os seus comentários com argumentos consistentes. Por isso aparecem os adjectivos depreciativos e as acusações de "esquizofrenia"."

    A profunda irritação que o Perspectiva gera que gera deve-se à circunstância de os seus opositores serem incapazes de contrariar os seus comentários com argumentos tão alucinados quanto os seus. Tentar combater devaneios teológicos aplicados à ciência com teorias consistentes e credíveis leva ao aparecimento de comentários depreciativos e a acusações de "desonestidade científica" e "autismo religioso".

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  20. Back on topic, saiu a noticia no site do IOL

    clicar aqui

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  21. Basicamente acreditam ambos em Deus - deus do céu e deus ciência

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  22. Betinho 1,

    «Basicamente acreditam ambos em Deus - deus do céu e deus ciência»

    Sim. Uns acreditam em fadas, outros em automóveis.

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  23. Umas perguntas ao perspectiva. Se forem muito difíceis para ele, eu posso dar respostas. São perguntas muito simples que podem ser respondidas rapidamente.

    a) Quando é que foi descoberto Plutão?

    b) Quanto tempo leva Plutão a completar uma translação em torno do Sol?

    c) É possível determinar como morreu alguém, quando morreu, onde morreu, se foi assassinado e quem foi o assassino?

    d) Quando está a ser observada uma estrela não estamos a observar o passado?

    e) Os cientistas tinham informação suficiente para colocar astronautas na Lua, mesmo sem nunca terem estado na Lua?

    f) Podemos determinar se alguém é nossa mãe por testes de DNA?

    g) Podemos determinar se alguém é nosso avô por testes de DNA?

    h) Se for descoberta uma múmia com milhares de anos, será possível recolher amostras de DNA para determinar se somos descendentes do morto?

    i) Sabia-se como construir bombas atómicas e centrais nucleares antes de serem construídas?

    j) É possível prever eclipses?

    k) É possível prever a trajectória de uma bola de canhão, conhecendo a força (quando foi projectada do canhão), do ângulo do canhão, a massa da bola e velocidade e sentido do vento?

    i) Se deixar um elefante e uma galinha na Lua cairem da mesma altura, eles caem ao mesmo tempo?

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