sábado, dezembro 15, 2007

Medicina Tradicional Chinesa.

É uma longa tradição de sabedoria Oriental. O Qi, o Yin e o Yang, os cinco elementos, e assim por diante. E se há milhares de anos que se faz assim é bom de certeza. Permitam-me que questione esta premissa.

Além de criarem pássaros e mamíferos todos juntos, é tradição no Oriente vender os animais vivos e matá-los em casa. Quem quiser procurar no Google por imagens de chinese animal market verá cães e gatos amontoados em gaiolas, animais selvagens, galinhas e patos, cobras, tartarugas, insectos e tudo o que é bicharada. Tudo vivo, tudo ao molho, no meio de imensa gente e em condições de pouca higiene. É a tradição milenar Chinesa. Provavelmente o Qi não se conserva no frigorífico.

O Ocidente é artificial. Os animais são abatidos, a carne lavada, embalada e refrigerada. Vende-se em pacotes. Esta forma de produção levanta problemas éticos e de saúde. Os animais são criados em ambientes pouco propícios e consomem rações com antibióticos e hormonas de crescimento. Apesar da legislação há sempre alguns problemas de higiene. Mas estamos a par dos problemas e tentamos resolvê-los exigindo formas diferentes de produção. E estes problemas são irrisórios perante os problemas da tradição Oriental.

A medicina tradicional Chinesa dá grande valor a coisas como bílis de urso. Os ursos são entalados numa jaula com um tubo espetado até à vesícula para recolher este remédio tradicional (1). O efeito é poderoso, mas só para o urso. Chifres de rinoceronte e patas de tigre são também muito procurados. Quanto mais perto da extinção mais poderoso o remédio. E vender ao público os animais vivos para abate doméstico é mais «natural» mas é uma grande asneira.

Estes mercados são caldeirões de doenças. Estirpes adaptadas a uma espécie são aqui seleccionadas pela capacidade de infectar outras espécies, e ajudadas pelas más condições e proximidade de tantas pessoas e animais. A longo prazo todas as infecções se tornam menos virulentas. Os hospedeiros mais susceptíveis morrem e os parasitas menos agressivos propagam-se mais. Mas a curto prazo dá coisas como a gripe asiática, a gripe de Hong Kong ou a gripe das aves. No início do século XX estas epidemias surgiam em qualquer parte do mundo, mas o conhecimento de medicina no Ocidente regulou a produção e comercialização de animais reduzindo este perigo.

No Oriente respeita-se a medicina tradicional, que vê no Qi a causa principal das doenças e usa remédios «naturais» para enganar pessoas, torturar animais e extinguir espécies. Mas o maior contributo da medicina tradicional Chinesa são as epidemias capazes de matar milhões de pessoas por todo o mundo.

1- Wikipedia, Bile bear

25 comentários:

  1. Ludwig, parece que ainda não aprendeste que não se pode falar do que é chinês. Eles são antigos, tem sempre razão.

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  2. Eu não sêle Chinês, eu sêle Japones...

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  3. Tiago Luchini16/12/07, 02:54

    O Ocidente é sempre muito rápido e efeiciente em transformar qualquer asneira do oriente em produto para os mais ignorantes.

    Ótimo texto. Parabéns!

    Quando lembramos disso, realmente sou remetido à Idade Média ao qual tanto relembro ao ler o seu blog.

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  4. Ó Krippahl... francamente!!!

    Mas que grande... GRANDE!... confusão que p'ra aí vai!!!

    Enfim, tomemo-la apenas à conta de ignorância e ausência de pensamento crítico e nada mais... O problema é que isto não é lá nadinha abonatório para alguém que até ensina justamente uma disciplina de Pensamento Crítico, hummm...

    Bem, isto é só um blog, p'ra que digamos. Still... it sounds fishy, that I can say!

    Antes de continuar, relembro aquilo que ainda recentemente disse no Rerum Natura a propósito da discussão sobre homeopatia: as medicinas tradicionais NÃO rejeitam a moderna medicina dita científica, mas é esta que pretende excluir as práticas, muitas delas milenares, que se podem basear talvez até em premissas simplesmente empíricas mas que resultam em muitos casos!

    O que é a medicina tradicional chinesa (MTC)? E o que tem essa prática terapêutica - baseada nos conceitos o Qi, o Yin e o Yang, os cinco elementos... certíssimo!... a ver com as aberrações aqui descritas quanto ao comércio animal e seu suposto uso medicinal?

    A leitura do artigo da Wikipedia, em especial na sua versão inglesa, dá uma informação razoável quanto aos sete principais métodos de tratamento da MTC, mais um oitavo se incluirmos o Feng shui e a astrologia.

    É de notar que nenhum conhecimento humano é estático. Talvez o divino o seja e será até possível, especulativamente falando, que os "deuses" tenham transmitido essa sabedoria em tempos em que as ciências físicas ainda não estavam tão desenvolvidas. Mas isso pouco nos importa, nestes tempos de racionalidade e lógica à prova de bala!

    A questão é que mesmo na actualidade a MTC se continua a desenvolver e aperfeiçoar, tal como acontece com as outras terapias alternativas e a medicina científica, claro está! E é perfeitamente possível que no meio de tantas novidades surjam também alguns tratamentos aberrantes e de resultados menos eficazes, já para não dizer contraproducentes! A história da medicina ocidental está repleta desses disparates, que por certo custaram a vida e muito sofrimento a incontáveis milhares de pessoas! Em tempos um pouco mais recuados podemos recordar as bárbaras práticas das "sangrias" e hoje em dia não faltam infelizmente exemplos dos terríveis efeitos secundários de alguns medicamentos, cuja necessidade aliás era até bem discutível. Isto para além do abandono de certas terapias que provam ser ineficazes e, pior ainda, deletérias em tantos casos.

    Significa isto que mesmo se considerarmos o uso... muito reduzido!... de medicamentos de origem animal na MTC, não faz sentido imputar à mesma estes malefícios às espécies envolvidas quando outros igualmente tenebrosos têm sido infligidos pela medicina convencional aos seus doentes... humanos!

    Por exemplo, lembrei-me agora da barbaridade que outrora consistiu na extracção de TODA a dentição, para prevenir determinadas infecções que supostamente teriam a sua origem em microorganismos patogénicos da cavidade bucal. E isto já para não falar da leviandade com que até há poucos anos atrás se extraíam as amígdalas e adenóides, como se elas não tivessem nenhum papel importante na defesa das infecções e fossem uma parte descartável do nosso organismo.

    Este tipo de práticas mutilantes e agressivas e, pior ainda, raramente justificadas, afiguram-se-me bem mais graves do que o tratamento também ele bárbaro infligido a certas espécies animais para suposto benefício do Ser Humano. Mas, e continuando a dar de barato que isso até acontece na MTC - e de facto NÃO é sancionado modernamente, claro! - que diremos afinal das experiências laboratoriais médicas em cobaias, e por vezes mesmo cobaias humanas, como prisioneiros? Mais ainda, e mesmo que se considere estarmos perante um mal menor, será que tal justificação se aplica igualmente à utilização de animais pela indústria cosmética ou ao "peculiar" método de produção do foie-gras? Sendo que no caso dos gansos estamos a falar de gula, não de saúde!!!

    Logo, quem tem telhados de vidro faria bem em evitar atirar pedras aos dos vizinhos.

    Em suma, aquilo que quero dizer com estas comparações é que elas são simplesmente falaciosas no que se refere à essência da MTC em si, onde o peso dos tais medicamentos de origem animal é simplesmente insignificante! Por outro lado, as considerações relativas à criação e comércio de animais na China - numa mistura caótica de alhos e bugalhos para iludir papalvos! - são inteiramente irrelevantes para o tema em causa, e a comparação com aquilo que se passa no Ocidente apenas dá para estabelecer um paralelo com medidas higiénicas e de saúde pública, sendo abusivamente falsa e acrítica essa alarmista e, diria mesmo, pouco responsável afirmação final, ó Krippahl !!!

    Aliás, o abate doméstico de animais sempre foi uma prática comum quer no Oriente quer no Ocidente e, apesar de muito mais regulamentado hoje em dia, continuam a matar-se aves domésticas e coelhos e porcos e sei lá que mais para consumo particular. Isto já para não falar na caça brava, note-se!

    Desta forma, a pretensa comparação daquilo que se passa aqui ou lá é patentemente inexacta, ou seja, talvez não haja assim tanta diferença, afinal.

    Há ainda muito que podia ser dito sobre a bem controversa questão das doenças infecciosas e sua propagação, mas esse é só por si um tema inteiramente diferente. Aqui a questão básica reside no hospedeiro e nesse conceito importantíssimo de "portador assintomático".

    Por fim, por que é que existe tanto medo - a palavra é simplesmente esta! - em debater com argumentos serenos e verdadeiros estas questões tão incómodas ainda para a nossa pretensa auto-suficiência lógica e racional, ou técnico-científica, etc. e tal?! Ou ainda, como é possível pretender sustentar uma teórica superioridade da moderna medicina face às suas congéneres de antanho, quando o início da discussão é desde logo inquinado com toda uma série de dados enviesados - as meias verdades! - que apenas pretendem rebaixar as práticas terapêuticas mais antigas e colocá-las ao nível da mera ignorância e superstição e por aí?!

    Termino apenas com uma citação desse artigo da Wikipédia que alude àquilo que repetidamente tenho apontado e é também continuamente encorajado pela OMS, a saber, o intercâmbio e colaboração frutuosos entre os saberes tradicionais e os actuais, porque eles NÃO são mutuamente exclusivos mas complementares... será assim tão difícil compreender e aceitar essa realidade mais do que evidente?!

    Na China actual, cada vez mais o diagnóstico pela MTC interage com métodos de diagnóstico ocidentais, direccionando-se gradualmente para uma total integração entre os dois sistemas.

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  5. É de facto interessante que, precisamente antes de passar por aqui, eu estava a reler uma vez mais a excepcional tradução do "Tao Te Ching" tanto por Charles Muller como Stephen Mitchell, esta sem dúvida mais poética, mas com a desvantagem de não ter sido feita a partir do original chinês.

    Embora este texto seja muito posterior, pelo menos na sua versão escrita do séc. VI aC, à prática da medicina tradicional da China, nele estão contidos os fundamentos filosóficos que norteiam os princípios da mesma, obviamente bem diferentes daqueles que orientam a moderna medicina dos nossos dias.

    Eis dois textos ou capítulos complementares da obra que imortalizou Lao-Tsé:


    The great Tao flows everywhere.
    All things are born from it,
    yet it doesn't create them.
    It pours itself into its work,
    yet it makes no claim.
    It nourishes infinite worlds,
    yet it doesn't hold on to them.
    Since it is merged with all things
    and hidden in their hearts,
    it can be called humble.
    Since all things vanish into it
    and it alone endures,
    it can be called great.
    It isn't aware of its greatness;
    thus it is truly great.


    Tao Te Ching, 34


    Every being in the universe
    is an expression of the Tao.
    It springs into existence,
    unconscious, perfect, free,
    takes on a physical body,
    lets circumstances complete it.
    That is why every being
    spontaneously honors the Tao.

    The Tao gives birth to all beings,
    nourishes them, maintains them,
    cares for them, comforts them, protects them,
    takes them back to itself,
    creating without possessing,
    acting without expecting,
    guiding without interfering.
    That is why love of the Tao
    is in the very nature of things.


    Tao Te Ching, 51

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  6. Leprechaun,

    Agradeço o lençol, o bold e o seu uso generoso de pontos de exclamação, mas não focou o argumento que eu apresentei.

    Em primeiro lugar, eu questionei a ideia que uma coisa é boa por ser uma tradição milenar.

    Mas, principalmente, o meu argumento é que há uma medicina. A que considera os microorganismos patogénicos, a sua evolução, as condições em que pode haver transmissão entre espécies, e assim por diante.

    Quando isto entre em conflicto com as tradições há duas possibilidades. Ou faz-se como no ocidente e se altera as tradições. Algumas pessoas matam os animais que comem mas isso é excepção, e muito raro nos grandes centros populacionais (epidemiologicamente mais relevantes).

    Ou então dá-se prioridade à tradição e traz-se milhões de animais vivos para cidades com milhões de pessoas e deixa-se aquilo fermentar.

    Este é o maior perigo de uma medicina tradicional que fantasia acerca do fluxo do Qi e ignora a evolução dos virus.

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  7. Só um pormenor:

    "...sete principais métodos de tratamento da MTC, mais um oitavo se incluirmos o Feng shui e a astrologia."

    Ou o Feng Shui e a Astrologia partilham o mesmo método, e o canto onde se encosta a cama é determinado pela posição de uns calhaus inertes e de umas bolas de hidrogénio a milhões de kilómetros de distância (o que não me espantaria nada, afinal de contas tudo é possível na terra do nunca-nunca). Ou o Leprechaun calculou o número total de métodos atravás das tradições milenares da matemática tradicional chinesa em que 7 + 2 dá 8 (que mesmo assim está mais perto de fazer algum sentido que o Feng shui ou a astrologia).

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  8. "Every being in the universe
    is an expression of the Tao.
    It springs into existence,
    unconscious, perfect, free,
    takes on a physical body,
    lets circumstances complete it.
    That is why every being
    spontaneously honors the Tao.

    The Tao gives birth to all beings,
    nourishes them, maintains them,
    cares for them, comforts them, protects them,
    takes them back to itself,
    creating without possessing,
    acting without expecting,
    guiding without interfering.
    That is why love of the Tao
    is in the very nature of things.

    Tao Te Ching, 51"



    Use the force Ching!

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  9. Eu tamãe me sou um intuziasta da Merdissina Tardissional Xinêza (MTX). Só mêmo cuando tô duente, o que gárças a Deus é raro, é que me vou a um óspital daqueles que fazãe espriênsias com ratos e açim, purque de resto a MTX rezolve-me todos os purblemas. O issensial é a jente respeitar as coizas que já tãeãe muintuzanos e que se vãeãe dos tempos em cos animais e os Deuzes falavam. Oije já nos pecá-mos tanto que já nãe os animais, nãe os Deuzes fálão, a não ser pra uns pirvelijiados cumá Solnada e açim. Puriço tê-mos-nus que excutar as tardissões que se são muinto sábias e úteis e até nos esplicão o qué qué bãe e o qué qué mal. Claro tá queu só me poço falar açim purque sou expessialmente pespicaz e intlijente e me cãossigo apresseber com façlidade daquilo qué mesmo mesmo verdade e daquilo que é só pra nos inganar. Uma coiza é sérta: tirando eu e maizalguns pôcos subredotados quinda izistãe oije, intigamente é cavia peçoas rialmente capazes de intepretar a natureza e presseber cumé cas coizas são rialmente. De fato eu axo que essa merdissina muderna e tal, que nãe Qi tãe, que estrai dentes e amigadalas e sabesse lá que mais, faria muinto menhor se extraisse o cérbro que é uma coiza que só cãoplica. A bãe da nassão.

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  10. Krippmeister:

    Pouco sei de Feng Shui e astrologia chinesa. E não sigo nada disso na minha vida diária. Referi-os apenas - de facto, já na revisão final do meu texto anterior - porque há quem os integre na MTC, não propriamente como cura física mas mais na vertente do bem estar psíquico, o que está aliás de acordo com a conhecida definição de saúde da OMS como um completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidade ou doença.

    De resto, nem é nada disso que está em causa neste artigo. O Feng Shui é aqui um "fait-divers" e o conhecimento superficial que tenho do assunto não me permite aprofundá-lo muito mais.

    Há, contudo, uma filosofia muito própria que está subjacente a todo este modo de pensar e actuar da antiga civilização chinesa. E o "Tao Te Ching" exprime-o de uma forma simplesmente admirável!

    É certo que as diversas possibilidades de tradução dos ideogramas chineses dificultam o entendimento do texto, e isto mesmo para os especialistas da linguagem chinesa. Eu opto pelas traduções que apontei atrás, tendo aliás indicado o site de Charles Muller onde se podem consultar traduções em língua inglesa de diversos outros textos clássicos do Extremo Oriente.

    A relevância que isso possa ter para os dias de hoje parece-me auto-evidente: somos, em essência, o mesmo Ser Humano hoje como há mil, 2 mil, 3 mil... 5 mil anos atrás e mais ainda! A reflexão filosófica presente nos textos antigos das mais diversas civilizações não é assim tão diferente das interrogações sobre a nossa origem e o nosso destino, que continuam a ser temas fulcrais da Filosofia no tempo actual.

    Ou seja, o tal nada de novo debaixo do sol.

    Por fim, recomendo vivamente a leitura do "Tao Te Ching", que me parece um exemplo dessa tal sabedoria antiga imperecível. Há uma quase infinidade de versões disponíveis na Net, ainda que eu não conheça nenhuma em português que me satisfaça tanto como essas 2 em inglês que muito incenso!


    (...) The Tao is ungraspable. (...)

    The Tao is dark and unfathomable. (...)

    Since before time and space were,
    the Tao is.
    It is beyond is and is not.
    How do I know this is true?
    I look inside myself and see.


    Tao Te Ching, 21

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  11. How do I know this is true?
    I look inside myself and see.


    Tao Te Ching, 21

    How do I know this is true?
    By looking inside myself.


    Tao Te Ching, 54


    A tradição NÃO exclui o dever de a comprovar pessoalmente. Estes textos extraordinários com mais de 2500 anos, tal como aliás vários outros similares tanto no Ocidente como no Oriente, fazem apelo a essa vivência pessoal concreta que é essencial para compreender a tal funda sabedoria que neles está contida.

    Por exemplo, a Bíblia cristã diz igualmente, numa das epístolas de São Paulo: "Prove all things; hold fast that which is good." (1 Thessalonians 5:21)

    E o mesmo sucede nas tradições budistas e com o pensamento religioso e filosófico da Índia antiga. A questão, contudo, é que estamos a falar não de ciência stricto sensu, mas de facto de algo muito mais vasto, de âmbito metafísico, digamos.

    Mas para me limitar ao âmbito da presente discussão sobre a MTC, basta apenas realçar aquilo que atrás afirmei, ou seja, ela baseia-se numa determinada concepção cosmológica do Universo que, talvez apenas em aparência, não seja inteiramente corroborada pelas descobertas da moderna ciência que desde há poucos séculos floresceu no Ocidente.

    Pondo estas especulações de parte e tentando falar de coisas simples, as práticas médicas anteriores ao actual "boom" técnico-científico eram naturalmente empíricas. É consensual que a fitoterapia tem uma eficácia real e tal tem sido plenamente comprovado cientificamente, naquilo que é outro feliz exemplo desse intercâmbio positivo e eficaz entre o tradicional e o moderno.

    Aliás, e uma vez que o conhecimento NUNCA é estático, de facto estes estudos sobre plantas medicinais têm inclusive aumentado o âmbito do seu uso em certas situações e esclarecido também outras indicações que não serão tão efectivas quanto a tradição deixaria supor.

    Em suma: ciência e tradição empírica NÃO têm de ser opostas e muito menos excluir-se mutuamente, mas podem complementar-se e unir-se cada vez mais na senda do progresso humano.

    É óbvio que haverá sempre os velhos do Restelo e igualmente não deixará de existir quem se aproveite da credulidade e ignorância alheias. Isto para além do facto de sempre existirem maus profissionais em todas as áreas. Mas, de novo, seria confundir a árvore com a floresta se nos ativéssemos cegamente ao fenómeno A, B ou C, pretendendo generalizar indevidamente situações particulares que não representam a realidade das tais terapias alternativas.

    De resto, sem dúvida que é benéfico todo o esclarecimento que sobre estes temas possa ser lançado. Mas a liberdade de escolha deve continuar a imperar, acima de tudo! Mais ainda numa área tão sensível onde a confiança no profissional de saúde é essencial para o bom êxito do tratamento, seja lá por que motivo for... efeito placebo, poder da mente, fé... não importa!

    Por fim, focando então esse ponto do moderno conhecimento dos organismos patogénicos, de facto a única coisa que eu sei com alguma segurança é que nas medicinas naturais o "terreno" ou organismo é considerado muito mais importante do que o microorganismo invasor, e esta é uma abordagem sem dúvida radical e de certa forma oposta àquela a que estamos habituados. Por isso eu também foquei atrás a importância desse conceito fulcral do "portador assintomático".

    Esta é uma questão muitíssimo sensível, já que somos educados na assumpção de que as doenças infecciosas são provocadas por certos agentes patogénicos, estabelecendo a moderna medicina uma relação directa entre determinada patologia e o microorganismo invasor. Mas isso é apenas parte da história, por assim dizer, já que num organismo saudável existem mecanismos de defesa próprios - o sistema imunitário - que abortam o possível estado infeccioso. Aliás, este é o mecanismo por trás da acção das vacinas, como sabemos.

    Bem, esta é talvez uma forma algo ligeira de expor a perspectiva naturista sobre o assunto, mas convém relembrar que vivemos há milhares de anos em simbiose ou comensalismo com milhões de bactérias e outros microorganismos dentro ou à superfície do nosso corpo.

    Só para terminar, deve ainda realçar-se que nas medicinas tradicionais existe uma componente de prevenção muitíssima mais avançada do que aquela que timidamente parece ir agora alastrando na medicina moderna. Mas vá lá, antes tarde que nunca e todos os remadores são bem vindos a este barco do estilo de vida saudável, num meio termo sem exageros nem obsessões em demasia, atenção!

    Bem, e já disse quanto baste! Termino, repetindo incansavelmente uma vez mais este que tem sido o meu ponto constante em todos estes debates que focam a saúde e o bem estar da Pessoa Humana:

    Não há necessariamente contradição nem oposição entre o tradicional e o moderno, ou entre conhecimento empírico e científico. Existe, é certo, uma abordagem filosófica distinta, mas isso não deve ser óbice a uma colaboração frutuosa que, felizmente, me parece ser mais a norma do que a excepção, em que ambos se complementem de modo salutar... sempre em prol do bem-estar!

    E, no fim, cada um come daquilo de que gosta. Para além do mais, deve ainda notar-se que, salvo algumas excepções, as outras medicinas nem são subvencionadas ou pagas pelo erário público! Logo, há que ter algum cuidado para não ultrapassar esse risco que separa a crítica e o esclarecimento justos da tentativa mal disfarçada de tentar eliminar a "concorrência" naquilo que não se compreende ou com que não se concorda!

    Não é, obviamente, o caso do autor deste blog, mas os totalitarismos de todos os géneros não se confinam apenas aos exemplos tristes do passado... e há que estar bem avisado!!!

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  12. De fato eu axo que essa merdissina muderna e tal, que nãe Qi tãe, que estrai dentes e amigadalas e sabesse lá que mais, faria muinto menhor se extraisse o cérbro que é uma coiza que só cãoplica.


    Também extrai, ó Quim!... a leucotomia e a lobotomia pré-frontal!

    Muito esclarecedor esse artigo brasileiro, num país que foi um dos pioneiros da anti-psiquiatria, algo que deveras honra a pátria-irmã!

    Mas preferi nem fazer referência à técnica felizmente já abandonada do Prof. Egas Moniz e outros. Aliás, se há de facto um campo de horrores na medicina, a (velha) psiquiatria leva a palma!

    Porém, tal nem vem de agora, essa segregação do "doente mental" parece abranger todos os tempos e civilizações, infelizmente. Ou nem todos, pelo menos no Oriente ou "loucos de Deus" sempre foram muito bem vistos. Mas essa é uma loucura muito especial, a tal "doença da santidade"... ou uma forma superior de sanidade!!!

    O pensamento mágico... o que é isso afinal? Que relação haverá entre esse tão repetido aforismo de Hermes Trismegistus e a busca da Teoria Unificada, tão afanosamente procurada?!

    1. Tis true without lying, certain & most true.
    2. That which is below is like that which is above & that which is above is like that which is below to do the miracles of one only thing.
    3. And as all things have been & arose from one by the meditation of one: so all things have their birth from this one thing by adaptation.


    "The Emerald Tablet", tradução de Isaac Newton

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  13. "A questão, contudo, é que estamos a falar não de ciência stricto sensu, mas de facto de algo muito mais vasto, de âmbito metafísico, digamos."

    Eu tamãe axo que a meteafízica tãe muinto mais lata que a fízica. E de fato o fato de têrãe acabado cua lobotumia - que malóbãe era feita com boazintensões - é um despará-te. Flizmente cas merdissinas tardissionais córtão o mal pla raíz, comu muinto bãe se fazia na idade mérdia: cuando uma cabêssa não se pensava cumo se devia de ser, curtavasse pêlo pescõsso e tava o assunto rezolvido. Inda oije á muintos lugares ãe que se purcede açim. Nuóssidente é que cuando se parou cueça tardissão é cas coizas se cumeçaram a ficar esta lástrima: oije até á peçoas a se pensarem pela sua cabêssa sem se ligarãe ós sábios livros sargados antigos. Eu curtava azessas cabêssas, era já. Inda bãe cu São Paulo exquerviáspistólas ãe inguelês! Tamãe gosto muinto de puizia.

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  14. Leprechaun

    Culpo o meu ouvido duro para a poesia por não ter apreciado aquela cena do Tao. Ou isso ou o facto de nem aquilo fazer sentido por aí além nem ter que ver com o que falou o Ludwig. Penso eu de que.

    Penso eu também de que o que estava em causa era a desmistificação de que o que é Oriental é natural e é bom, quando por vezes assenta em coisas como bílis de urso e espécies em extinção. O que é um perfeito disparate, além de atentar contra o equilíbrio natural já de si delicadíssimo.

    Isto foi o que o Ludwig disse. O que ele não disse foi que a medicina ocidental é infalível ou perfeita, porque contava com que soubéssemos isso e porque sabe que não o pode dizer. Mas não assenta essencialmente em empirismo e metafísica. Claro que o homem é um todo e por vezes um médico tecnicamente menos bom obtém melhores resultados que um mais sabedor por dois motivos: sabe ouvir o paciente e fazer melhor um diagnóstico e sabe captar a confiança do mesmo doente, que oferecerá menos resistência ao tratamento. Esses dois "pequenos" pormenores não são de todo pequenos em muitos casos. TEm ainda como resultado o facto de a figura do médico austero que faz muito barulho e quer, pode e manda esteja a desaparecer (isso e as pessoas terem mais formação e informação).

    O que tem levado algumas pessoas para as "bruxarias" de vários tipos é a ilusão que não deveriam ter ganho que a medicina tudo resolve. Ora resolve muita coisa, muita gente devia ter morrido há muito por motivos perfeitamente levianos e não morre. Mas a natureza humana continua a ser de sofrimento (apesar das anestesias e anti-depressivos) e morte.

    Parte do sofrimento é agora psicológico, e é em parte ajudado pela medicina moderna. Mas não todo! E isso não se resolve com bíbis de urso: resolve-se com amor e capacidade de pensar e racionalizar coisas. Na realidade todas as coisas são multi-factoriais na causa e na resolução.

    Mas não é preciso trazer mais ilusões para a equação. O Feng-Shui pode ser uma maneira de ajudar a decorar a casa de maneira harmoniosa... mas não digas que te vai fazer ganhar a lotaria ou afastar as doenças.

    E não estou a ver no que é que o Ludwig errou ao trazer ao de cima as práticas de higiene (que podem agora ser consideradas) tradicionais do Ocidente!

    Finalmente, diz:

    "É óbvio que haverá sempre os velhos do Restelo e igualmente não deixará de existir quem se aproveite da credulidade e ignorância alheias. Isto para além do facto de sempre existirem maus profissionais em todas as áreas."

    Estou na dúvida sobre quem são os velhos do Restelo. Mas o facto de existirem maus profissionais parece-me má desculpa para as coisas não funcionarem, especialmente quando não há mecanismos de controlo. É que quando há má prática médica (e por isso não quer dizer não curar, mas recorrer a más práticas médicas), recorre-se aos tribunais e Ordem dos Médicos. Se um terapeuta de MTC fizer asneira, a quem se recorre? Bem me parecia!

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  15. Herr Krippmeister

    A superioridade do meu blogue em relação a este é que não só 7+2 dá 8 como 8 também pode ser primo se for preciso!

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  16. leprechaun, apreciei as suas intervenções. É sempre agradável encontrar alguém que se interessa pela troca de ideia e que não alinha na guerrilha intelectual desvairada que esta feira de vaidades, perdão, este blog, promove. Atirar pedras ao vizinho quando se tem tantos telhados de vidro, realmente...

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  17. Em realação à acupunctura e à MTC, o que posso dizer é que resulta. O Carlos Lopes recuperou de uma lesão grave com acupunctura (Mestre Koboyashy). E são inúmeras as pessoas que se tratam com sucesso na MTC. Negar a realidade em nome das crenças pessoais e do orgulho desmesurado, é a atitude pseudo-científica deste blog. Um cientista investiga, não vira as costas aos FACTOS! Concluindo: este blog é um braço armado de um grupo de extremistas excitados.

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  18. Penso eu também que o que estava em causa era a desmistificação de que o que é Oriental é natural e é bom, quando por vezes assenta em coisas como bílis de urso e espécies em extinção. O que é um perfeito disparate, além de atentar contra o equilíbrio natural já de si delicadíssimo.


    Uáu! uma abóbora... adoro! :)

    De facto, sou vegetariano desde a adolescência, coisa que os chineses parece não serem... eles comem tudo o que mexe ou está parado! ;)

    Ó belo nick encantador! Não será também algo disparatado esta dicotomia sem sentido de que o tal Oriente é que é bom mais as tradições milenares e o que o valha?! Velhos do Restelo serão os que defendem isso, como disse atrás não há imobilismo mesmo no conhecimento que vem de antanho!!!

    Neste espaço, tal como no Rerum Natura, onde por vezes escrevo a propósito deste temas que sempre me interessaram desde a juventude, eu procuro evitar posições maniqueístas porque, de um modo geral, as acho improdutivas e incorrectas. Ou ainda, também aqui se aplica o "todos iguais, todos diferentes" e esses slogans que tão utilizados são para reforçar a unidade comum do Ser Humano, para além das diferenças superficiais e episódicas.

    O "Tao Te Ching" que citei algumas vezes, e que de facto até estava a reler quando aqui vim e comentei, não tem obviamente nenhuma virtude mágica por ser antigo ou vir da China. E o mesmo acontece com o não menos famoso "Arte da Guerra", um manual de estratégia que é hoje profusamente citado entre os empreendedores e homens de negócios.

    Não há nada de sagrado ou intocável nesses ou em quaisquer outros livros, mesmo as tão famosas e veneradas escrituras das religiões. Deveras, um conhecido koan zen é: "Se vires o Buda, mata-o!".

    Porque NADA deve limitar a suprema liberdade do espírito humano e esta é já a doutrina do Oriente, milhares de anos antes do racionalismo e iluminismo fazerem o seu aparecimento no Ocidente!!! Ainda que esse conhecimento não fosse talvez muito democrático ou poucos alcançassem essa libertação interior plena...

    Bem, mas regressando ao ponto ainda em aberto da MTC e os remédios de origem animal, há algo importante a dizer quanto à tal bílis de urso. É que neste caso não se trata de nenhuma superstição infundada como no caso das receitas afrodisíacas lá do chifre de rinoceronte e outras tretas... se é que o são, sei lá eu!

    De facto, essa bílis contém um ácido que tem propriedades medicinais importantes e é mesmo usado na quimioterapia médica convencional, sob forma sintética, claro está. Note-se, a propósito, que também na moderna medicina há ainda alguns medicamentos de origem animal, como extractos de glândulas endócrinas e o famoso óleo de fígado de bacalhau, agora já em desuso mas que ainda é receitado por vezes às crianças com os novos sabores adocicados.

    Nesta questão específica que envolve sofrimento animal para benefício humano, há considerações éticas sempre difíceis, caso contrário também não se utilizariam cobaias em experiências de laboratório. Ora, parece-me que nem mesmo os mais radicais defensores dos direitos dos animais vão tão longe. E isto já para não falar da indústria alimentar agro-pecuária! Talvez no futuro até se possa dispensar por completo a carne e mesmo o peixe na nossa dieta, mas essa não é uma questão apenas dos direitos dos animais, claro.

    Creio, contudo, que podemos estar de acordo com este tipo de iniciativa contra o malfadado foie-gras, já que aqui sim, estamos perante um exemplo de crueldade animal inútil que não deve ser admitida!

    Por fim, realço ainda duas coisas:

    1º Não se faz mostra de espírito crítico algum ao refutar as tais medicinas tradicionais... venham elas de onde vierem!... sem procurar ter um conhecimento um pouco mais aprofundado das suas práticas e dos seus fundamentos. É certo que estes podem não ser estritamente científicos, melhor dizendo, não comprovados plenamente pelo estado da arte da ciência actual, mas isso não os invalida de per si, atenção! E sim, há considerações mais vastas também de ordem filosófica na raiz destas medicinas, é um facto. E daí nascem dificuldades adicionais, claro...

    2º É importante conhecer o porquê das coisas, sem dúvida, e não ficar pelo mero nível empírico. É esse o próprio espírito da ciência, alimentado pela curiosidade humana ao longo de milénios. Mas não é por deixarmos de saber explicar algo que esse fenómeno deixa de existir. Pessoalmente, eu creio que a moderna ciência está apenas ainda na sua adolescência... daí adorar tanto contradizer tudo quanto a precedeu! :) Por certo, muito mais se virá a descobrir no futuro a respeito do Ser Humano e desse mistério fascinante da consciência e a unidade corpo-mente. Esta é uma área em que apenas balbuciamos, quantos passos faltarão ainda percorrer para desvendarmos aquilo que deveras somos! E talvez esse esclarecimento possa até trazer alguma luz sobre os tais princípios hoje em dia ainda fora do âmbito científico ou impossíveis de ser comprovados experimentalmente...

    Russo... Chinês... Americano... Egípcio... Português? What does it matter, really?!

    To be a Human Being...

    Rui leprechaun

    (...encompassing everything! :))

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  19. "Concluindo: este blog é um braço armado de um grupo de extremistas excitados."

    Concluindo, mano, chumbáste alguém, ou quê?
    Cristy

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  20. Cristy,

    Penso que o problema deste anónimo é mais grave :)

    Caro Anónimo,

    Eu não quero rejeitar os factos. Mas posso desconhecê-los. Por isso digo claramente o que penso e assino para saberem quem sou. Desta forma podem-me dar os factos que desconheço e corrigirei a minha opinião de acordo.

    Mas um comentário anónimo a afirmar que a acupunctura funciona não é um facto que demonstra a eficácia da acupunctura. Apenas demonstra que alguém a quer defender sem sequer querer associar o seu nome a isso.

    Finalmente, este blog não é um braço, não está armado, eu até sou calmo e, apesar de ter um pouco de peso a mais não chego a ser um grupo.

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  21. Leprechaun,

    «De facto, essa bílis contém um ácido que tem propriedades medicinais importantes e é mesmo usado na quimioterapia médica convencional,»

    Pode dar uma referência?

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  22. Leprechaun

    Acho que concordamos em relação aos velhos do Restelo. Mais que isso: é o que o Ludwig repete vezes sem conta, baseado no seu espírito crítico.

    "Não se faz mostra de espírito crítico algum ao refutar as tais medicinas tradicionais [...] sem procurar ter um conhecimento um pouco mais aprofundado das suas práticas e dos seus fundamentos."

    Inversamente, acreditar por acreditar, por serem milenares, não faz sentido. Vai-se ao ponto de ver em títulos de livros de Reiki "the ancient art of healing", quando "ancient" são aí 50-60 anos (tenho algures um livro que precisa a data, mas tenho que o procurar). Eu sei que isto não é MTC, mas é só para dar um exemplo.

    "É certo que estes podem não ser estritamente científicos, melhor dizendo, não comprovados plenamente pelo estado da arte da ciência actual, mas isso não os invalida de per si"

    Aqui é que discordamos: para que sejam considerados forma de cura, têm que ser submetidos a um escrutínio científico rigoroso. Pegando no exemplo da bíbis de urso, e admitindo que há alguma coisa de valor na extracção dolorosa de uma secreção mal cheirosa (fora o sofrimento do bicho, tadinho), há ursos e ursos como há pessoas e pessoas. A minha vesícula biliar é preguiçosa (foi diagnosticado, é mesmo verdade), ao contrário da de muita gente. Estou em crer (mas não tenho a certeza que seja uma questão de concentração) que a composição da minha bílis seja diferente da de muita gente, pelo que se eu fosse ursa com uma cana na vesícula a colheita seria diferente da de outra ursa.

    Ora o que é medicamento numa concentração pode ser veneno noutra (ou simplesmente não fazer nenhum). Aí tem que se admitir que é mais humano sintetisar em vez de torturar um animal e ainda por cima não se ter um produto em condições. Simplesmente não compensa de modo nenhum.

    O óleo de fígado de bacalhau ainda se usa. Tanto quanto sei é mesmo essencial a pessoas de raça negra a viverem em países nórdicos, pois por não serem brancos não conseguem sintetisar sozinhos por exposição ao (pouco) sol a vitamina D suficiente para terem ossos saudáveis. Por estes lados não se torna tão necessário devido à melhoria da alimentação (acho, mas estou a falar de cor).

    Quanto ao nosso vegetarianismo, há chineses vegetarianos por filosofia de vida. Diga-se que é uma coisa muito artificial: o homem é omnívoro, não é vegetariano (o porco também). A mudança que fiz há coisa de 3 anos deve-se a considerações de direitos dos animais e de saúde.

    No meu caso deverá ser benéfico porque tenho possivelmente tendência a ter o colesterol elevado (observação da tendência dos meus pais). Acontece que por diferenças de estilo de vida vários, comecei a mostrar tendência para colesterol elevado mais cedo que eles. Essa tendência parece estar a regredir (mas pode ser só wishful thinking). De qualquer modo, o estilo de vida e de alimentação actuais parecem-me ser demasiado centrados em fábricas de animais. O artificialismo das explorações só me aborrece porque traduz uma sede de carne excessiva a vários níveis.

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  23. Leprechaun,

    «De facto, essa bílis contém um ácido que tem propriedades medicinais importantes e é mesmo usado na quimioterapia médica convencional,»

    Pode dar uma referência?

    Cristy

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  24. Ludwig,
    quando encaramos a medicina tradicional chinesa, podemos tomar duas atitudes:

    1. Mostrar que contém muitas incongruências que nos podem ser altamente prejudiciais e rejeitá-la.
    2. Procurar encontrar nessa tradição algum conhecimento que nos posasa ser útil. Apesar de conhecermos as suas limitações.

    É claro que tomar a segunda atitude implica uma dedicação a tempo inteiro. Terá mais que fazer. No entanto não me parece que deva fechar essa porta.

    A medicina actual também não é um modelo de racionalidade: existem grandes interesses em jogo, remédios baratos não são assim tão interessantes. A prevenção é minimizada.

    Se vamos responsabilizar a medicina oriental pelos mercados, não deveríamos responsabilizar a medicina ocidental pelo mundo louco em que vivemos?

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  25. Abobrinha disse:
    "Claro que o homem é um todo e por vezes um médico tecnicamente menos bom obtém melhores resultados que um mais sabedor por dois motivos: sabe ouvir o paciente e fazer melhor um diagnóstico e sabe captar a confiança do mesmo doente, que oferecerá menos resistência ao tratamento. Esses dois "pequenos" pormenores não são de todo pequenos em muitos casos."

    Um médico que sabe ouvir o paciente e fazer melhor um diagnóstico é que é o médico mais sabedor... o outro talvez possa ser melhor investigador ou professor de cadeiras teóricas, mas como médico...

    "E não estou a ver no que é que o Ludwig errou ao trazer ao de cima as práticas de higiene (que podem agora ser consideradas) tradicionais do Ocidente!"

    Em que é que as práticas de higiene chinesas (que, falo por experiência, não são 'flor que se cheire') invalidam as capacidades da Medicina Tradicional Chinesa?
    Ou, já agora, em que é que o estado das bancadas do estádio da Luz influencia o resultado dos jogos que lá se fazem?

    Eu - o autor destas linhas - sou formado em Medicina Tradicional Chinesa. Nunca tinha ouvido falar na utilização de bilís de urso para o que quer que fosse.
    Para mais, sou vegetariano e não quereria usar bilís que não a minha...e só para mim.

    Realmente não é porque alguma coisa se vai fazendo há 5000 anos ou coisa que o valha que passa a ser autoritativa ou verdadeira. E isso tem vindo a ser usado como "lead" dos textos de apresentação da MTC em muitas instâncias.

    Agora, qual é o problema em que se pratique MTC? Digo, para vós que a contestam?

    tiago luchini disse...
    "O Ocidente é sempre muito rápido e efeiciente em transformar qualquer asneira do oriente em produto para os mais ignorantes."

    Se assim é, então são milhões os que, através dos hospitais do serviço nacional de saúde da China, são enganados com essas asneiras.
    Sabem, a China, aquele país-zeco que recentemente emprestou capital aos EUA... que, coitado, precisava para as suas caças às bruxas.

    E Ludwig, já lhe falei, Qi é uma palavra que descreve um conceito, uma ideia, uma imagem... não é uma coisa. Não pode existir nem deixar de existir a não ser nas palavras ditas pelas pessoas.

    Na linguagem da biomedicina Qi aparece como metabolismo, calor, movimento, função vital (ai, não se pode dizer vital senão os senhores deste blog entram em histeria histerésica... mas)(1), função orgânica (ai, orgânica não, digo, do órgão).

    A palavra Qi aglutina diversos significados fisiológicos... poupa latim quando se fala... se bem que complica a conversa com quem não está habituado a estes termos.

    O Qi não é "uma" (como se houvessem várias) "energia" (entra a música da Quinta Dimensão) que anda para cá e para lá.

    Para os Chineses que fizeram esta linguagem, Qi era aplicado ao clima (calor, frio, vento), à gravidade, às funções corporais, às emoções, sei lá mais o quê. Esses senhores (não sei se houveram senhoras) descreviam as coisas usando extensivamente a ideia de movimento, isto é, de energia... Se bem que não usavam a palavra energia, pois não a tinham.

    Caso não saibam, energos em grego significa acção, que se move... e é por isso que a ciência moderna reavivou o uso desta palavra quando quis nomear as coisas que nós chamamos de energia...electromagnetismo, gravidade, forças nucleares, forças fracas,...tão a ver, eles (os cientistas que começaram a reutilizar esta palavra grega) viam que havia ali uma Força (que não viam, apenas viam os seus efeitos)que actuava... quer em acção quer em potencial de acção. E energeia foi a palavra que melhor lhes pareceu adequada.

    Meus senhores e minhas senhoras, isto de ser céptico como forma de vida, ou melhor, como forma de auto-identificação, isto é, como forma de encontrarem paz com quem pensam ser e com quem querem ser, ...como dizer... não tem muito futuro... percebem... não é lá muito fecundo...

    Quero eu dizer... quando fazem amor, ocorre-lhes perguntar à pessoa que amam se gostou...? Ou será que vão "amar" mais umas cinquenta pessoas, 25 das quais não sabem que vocês não as amam, para depois poderem saber com toda a certeza de o vosso amor é ou não gostoso?


    Agora, se ser céptico é, para vós, a acção de tudo questionar, de tudo repensar, de tudo esmiuçar, tentando, desse modo, descobrir o que vos faz mais sentido, então, por Toutatis, Amun-ra e Kame-ame, cepticizem tanto quanto puderem. E um bem haja a esse cepticismo.

    Se bem que, por outro lado, se realmente querem descobrir o que vos faz mais sentido, proponho-vos... abram mais espaço para o hemisfério esquerdo se expressar... porque esse é o que sente... percebem? Sentir, sentido, senso...?(2)

    (recomendo vivamente este (2))

    Desliguem a cabeça por uns dias, vão ver que vão gostar.

    1- http://www.medterms.com/script/main/art.asp?articlekey=33439
    2-http://www.youtube.com/watch?v=UyyjU8fzEYU
    Disclaimer (ainda não sei dizer isto em português): não sou religioso, nem creacionista (Deus me livre), nem ateu, nem àtoa, nem evolucionista, nem comunista, nem democrata (se bem que gosto da ideia de república).
    Como amo a liberdade talvez seja um libertista. E o amor. Ai o amor, oh,la,la.

    P.S.

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