quarta-feira, novembro 07, 2007

Os porcos ganharam asas.

A quem interessar a conversa do copyright deve interessar também o artigo que Rob Sheridan escreveu a propósito do encerramento do OiNK, um site que organizava a partilha de ficheiros mp3. Resumindo em poucos parágrafos, Sheridan aponta a ineficiência desta indústria de distribuição que dá aos músicos uma parte do lucro depois de retiradas as despesas, o que aumenta o custo aparente do produto.

Além disso a industria depende do controlo apertado da distribuição. As redes de partilha de ficheiros não atraem apenas por serem gratuitas mas pela eficácia com que disponibilizam e organizam o conteúdo. Se as lojas dessem CDs e as redes de partilha fossem pagas ainda assim a partilha de ficheiros estaria em vantagem.

Finalmente, esta indústria reagiu a uma forma gratuita de distribuição como a uma ameaça em vez de encontrar uma oportunidade comercial. O oposto do que fez a imprensa escrita. Hoje em dia não há jornais de grande tiragem que não disponibilizem conteúdo online. O acesso gratuito às notícias não acabou com a imprensa porque soube adaptar-se.

O artigo está aqui:
When Pigs Fly: The Death of Oink, the Birth of Dissent, and a Brief History of Record Industry Suicide.

E o Miguel Caetano traduziu o artigo para Português no Remixtures:
OiNK, Quando os Porcos Voam: Parte 1,Parte 2.

8 comentários:

  1. Joaquim Amado Lopes07/11/07, 23:58

    Ludwig:
    Finalmente, esta indústria reagiu a uma forma gratuita de distribuição como a uma ameaça em vez de encontrar uma oportunidade comercial.
    Como só podia ser.

    A indústria, ou pelo menos uma parte dela, distribui música através da Internet. Música paga, naturalmente, porque, afinal, não deixa de ser uma actividade comercial.
    Alguns distribuirem gratuitamente (e sem autorização) o que outros produzem para distribuir a troco de dinheiro só pode mesmo ser encarado por estes como uma ameaça.

    O oposto do que fez a imprensa escrita. Hoje em dia não há jornais de grande tiragem que não disponibilizem conteúdo online. O acesso gratuito às notícias não acabou com a imprensa porque soube adaptar-se.
    Esquece-se (convenientemente) que os jornais online não são gratuitos. Além daqueles que apenas disponibilizam sem registo parte dos seus conteúdos, todos têem publicidade.
    Esses jornais limitaram-se a adoptar a uma nova forma de distribuição algo que outros já faziam: não cobrar a quem os lê de forma a potenciar o número de leitores e lucrar apenas com a publicidade, mais valiosa precisamente pelo número acrescido de leitores.

    Qualquer semelhança com a distribuição gratuita de cópias não autorizadas é pura fantasia.

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  2. Joaquim,

    A música apenas carece de autorização porque a lei o exige. Como outras formas de informação demonstram, não é o mercado que o exige.

    Publicidade também têm muitos sites onde se partilham ficheiros, e se a lei permitisse a partilha de ficheiros como permite a partilha de notícias quase todos os sites teriam publicidade.

    Mais uma vez, a diferença está no copyright. Sem este acaba-se a diferença.

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  3. Mário Miguel08/11/07, 13:22

    Ludwig,


    Assunto paralelo; a tanga dos números:

    como é que um músico, pode vender algo, na tua perspectiva, se ele não pode vender aqueles 0s 1s? Pois na tua tese, esses 0s 1s, não são de ninguém e de todos, e esses 0s e 1s, já os posso ter em minha posse muito antes de o músico os ter proposto vender. O músico está sempre "feito ao bife".

    Com a tua tese, posso sempre dizer que o músico criou algo que eu já tinha.

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  4. Ludwig, (e já agora Joaquim Amado Lopes),

    Neste caso concreto, O JAL tem razão sobre a questão dos jornais. A tiragem e distribuição é carissima, eliminar a mesma é simples. A disponibilização on-line é mais fácil e a publicidade vendida é mais cara por leitor que a impressa por isso o jornal pouco ou nada perde com a mudança.
    Por isso, não é comparável com a situação da musica. Usar essa comparação é não saber do que se está a falar ou querer enganar as pessoas.

    Voltamos à questão da distribuição. Neste aspecto parece-me que tanto o JAL como o autor do texto que referenciaste, como tu mesmo, ainda batem ao lado da questão. O JAL por não assumir que haja bandas que pretendem distribuir gratuitamente o seu trabalho. Que há. Não é o Prince, nem são os Radiohead, que são apenas exemplos do quanto hipocritas eles mesmos são, e que te deixam fazer uma má figura quando os mencionas, pois o que fizeram foi num caso vender as cópias a um jornal em vez de ao publico em geral, e os outros sacaram dinheiro por cópias sem qualidade do seu trabalho. Em nenhum caso abdicaram do copyright.
    Esse é o teu erro, e do autor do texto. É acharem que têm o direito sobre a musica de quem não a quer dar à borla. NÃO TÊM!!! A vossa ira devia ser dirigida não às editoras apenas, mas, também às bandas que se lhes vendem por ganancia, e depois passam a ser pseudo-cools, dizendo-se a favor da livre distribuição. É como tu venderes algo em exclusivo a outra pessoa e depois ires dizer aos outros interessados que devem roubar essa pessoa. É hipocrisia!
    Quando a editora comprou o trabalho de uma banda, a banda recebeu o seu dinheiro à cabeça mais uma percentagem baixa, mas, recebeu à cabeça. Depois virem dizer que são contra isso é ser estúpido. Ser fã e dizer que os apoiamos fora da editora é entregar o ouro ao bandido, pois foram eles que se venderam à editora para começar. Se não gostam do modelo de distribuição, não aderem a ele. Aderir e não querer respeitar as regras é que não.
    A deambulação do outro badameco ia muito bem até chegar ao ponto de pintar as editoras como uns ladrões, e chamar de anjinhos aos musicos, que eram explorados. Isso é treta. É como dizer que numa burla, só o burlão é que é ganancioso. A ganancia do burlado é a base do seu engano! Querer viver da publicidade das editoras tem regras. Os musicos querem, mas, depois não querem pagar a factura?! Vão-se lixar!

    Quem está agarrado a editoras está porque quis, e por isso só mente quando apoia a pirataria! E há gente que faz figura de parva a dizer que os defende.
    Há muita musica à borla fora das editoras. Consumam essa, e abandonem completamente as editoras, se querem marcar posição. Apoiar por fora quem assinou por uma editora é fazer figura de parvo, e ajudar a perpetuar a editora a quem atacam.

    E por fim, mesmo com distribuição electronica gratuita (a qual sou a favor), sou a favor do copyright!
    Quem distribui é o artista ou o veículo por ele escolhido, não é um esperto qualquer que distribui sem controlo, e a vender assinaturas, publicidade, e sem garantia de fiabilidade.

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  5. Joaquim Amado Lopes08/11/07, 16:43

    Ludwig:
    A música apenas carece de autorização porque a lei o exige. Como outras formas de informação demonstram, não é o mercado que o exige.
    Esta afirmação não faz o mínimo sentido.
    Em primeiro lugar, as leis de protecção dos direitos não dependem do mercado as exigir.
    Em segundo lugar, o mercado não é constituído apenas consumidores mas também pelos produtores e pelos distribuidores. E os produtores e os distribuidores exigem que os seus direitos sejam protegidos.

    Publicidade também têm muitos sites onde se partilham ficheiros, e se a lei permitisse a partilha de ficheiros como permite a partilha de notícias quase todos os sites teriam publicidade.
    Ou seja, se a Lei o permitisse, os sites de partilha de ficheiros iriam lucrar com o trabalho de outros, sem a sua autorização e à custa da diminuição dos seus rendimentos.

    Só por curiosidade, o Ludwig não se cansa de sabotar os seus próprios argumentos?


    António:
    O JAL por não assumir que haja bandas que pretendem distribuir gratuitamente o seu trabalho.
    Muito pelo contrário. Tentei sempre ter o cuidado de usar a expressão "sem autorização" quando me referi à distribuição de cópias e até aconselhei (várias vezes e sempre sem resposta) o Ludwig a, se quiser distribuir gratuitamente cópias de um livro, que o escreva.

    Como é natural, se os autores pretenderem distribuir gratuitamente o produto do seu trabalho, estão no seu direito e poderão ganhar o que o Ludwig afirma que ganharão.

    A discórdia não tem nada a ver com distribuir gratuitamente o produto do nosso trabalho mas sim com distribuir (gratuitamente ou não) o produto do trabalho de outros sem a respectiva autorização.

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  6. Joaquim,

    «Ou seja, se a Lei o permitisse, os sites de partilha de ficheiros iriam lucrar com o trabalho de outros, sem a sua autorização e à custa da diminuição dos seus rendimentos.»

    Acha que são os accionistas dos jornais que escrevem as notícias?

    Sem o copyright os músicos acabariam por ser pagos pelo seu trabalho como qualquer outro profissional. O copyright não servia para pagar os criadores mas os distribuidores. Lembre-se do contexto em que essa legislação foi criada. Não foi por causa do P2P nem por causa da criatividade literária. Foi por causa da concorrência entre impressores de livros.

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  7. «Sem o copyright os músicos acabariam por ser pagos pelo seu trabalho como qualquer outro profissional.»

    Esta afirmação carece de maior fundamento.

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  8. Joaquim Amado Lopes10/11/07, 20:16

    Ludwig:
    Acha que são os accionistas dos jornais que escrevem as notícias?
    O que é que isso tem a ver seja com o que fôr?

    Quem escreve as notícias dos jornais são quem foi contratado pelos jornais (ou pelos seus accionistas) para escreverem as notícias.
    Por acaso o Ludwig contratou algum escritor para escrever livros ou músicos para comporem e gravarem cancões?

    Sem o copyright os músicos acabariam por ser pagos pelo seu trabalho como qualquer outro profissional.
    Pagos por quem? Quem é que vai contratar músicos para comporem e gravarem músicas para estas serem copiadas e distribuidas por qualquer um sem dar conta a ninguém?

    O copyright não servia para pagar os criadores mas os distribuidores.
    Errado. O copyright servia e serve para proteger os direitos comerciais dos detentores das obras.
    Sendo as obras (livros, músicas, ...) produzidas para serem comercializadas, tinham e têem que ser distribuídas e, para isso, os criadores estabeleceram acordos com quem se especializou nessa área. Assim, o copyright acaba a proteger quem produziu a obra e quem investiu na sua distribuição mas essa é uma descrição limitada e superficial. O copyright defende o direito de propriedade de um produto a quem o produziu e/ou a quem esse direito foi vendido.

    Enfim, até à questão do copyright o seu blog era muitíssimo interessante. Assim, quando voltar a escrever qualquer coisa que faça sentido e valha a pena comentar cá nos encontraremos.

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