quinta-feira, setembro 06, 2007

Deus existe.

Soube pelo Luís Rodrigues, no Random Precision (1), de mais uma crítica ao «fundamentalismo ateu» (2). Não tem nada de novo, mas deu-me para comentar isto:

«A conclusão a que se pode chegar é que não existe ateísmo em Portugal mas simplesmente anticlericalismo. Porquê? Tão simplesmente porque um ateu é um crente na não-existência de Deus e nunca poderá ser ateu por oposição aos que acreditam.»

O problema é precisamente que Deus existe. Não é um ser omnipotente que criou o mundo, mas existe tal como a tourada, o racismo, a democracia, o dinheiro. Não é por serem abstractos e imaginários que deixam de ter impacto nas nossas vidas. Para bem ou para mal, existem, neste sentido.

O tal deus omnipotente e essas coisas claro que não existe. Com esse não me preocupo. O que me preocupa é Deus, o conceito inventado como desculpa para os maiores disparates. Há quem diga que também serve para justificar o bem, mas isso é treta. O bem justifica-se a si mesmo. Senão, não é bem.

Sou ateu porque acho que não há deuses e porque, mesmo que houvesse, não os ia adorar. Sou ateu porque não tenho deuses. E sou contra Deus porque acho uma má ideia. Não por ser contra quem acredita, mas por ser contra que levem uma fantasia tão a sério, exijam que a respeitemos, a pintem de conhecimento profundo e a impinjam aos outros.

E é por isso que critico e faço troça. E quem se ofender que mande vir na caixa de comentários. Sem medo, que eu não levo as minhas opiniões tão a sério que me ofenda com as dos outros. Outro fundamentalismo meu...

1- Luís Grave Rodrigues, 5-9-07, Citações de Ateus Famosos – I
2- Tilleul, 1-9-07, Fundamentalismo Ateu

6 comentários:

  1. Essa parvoice de que quem é crente na não existência de deus não pode ser ateu porque é crente, já cheira mal.
    Ser ateu não é ser "não crente", ser ateu é ser "não crente na existencia de deus".
    Segundo o dicionário Priberam, um ateu é : aquele que nega a existência de Deus.
    Não é com jogos de palavras que um ateu deixa de ser ateu.

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  2. Eheh,

    Acho que mandei um tiro ao lado :)
    Depois de ler o post indicado pelo Ludwig (2), parece-me que não tem nada a ver com o que comentei.
    Mas como já estou careca de ler sobre a teoria que indiquei, não aguentei... e meti o pé na poça :)

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  3. Caraças! O Claudio tem razão...
    E eu começo a ficar farto de os crentes melga, que dizem as idiotices que ele comentou, serem tão maus alunos de português...
    É que ou isso ou são intelectualmente desonestos.

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  4. Isso de Deus existir ou não existir, sinceramente, é de ser cada um por si e que pensem o que quiserem. Mas de facto pior do que a existência do omnipotente que é perfeito mas cria seres imperfeitos, uma falacia fantástica, diga-se de passagem; ou a não existência e o abandono total do ser humano sem designio superior, é mesmo a crença nele e o que adveio disso. A religião organizada que não contente em fazer o culto ao deus de sua escolha quer por força salvar as almas alheias, obrigar todos os outros a acreditar no mesmo em vez de viverem a sua espiritualidade sem incomodar ninguém e deixarem os outros viver como bem lhes apeteça. Quanto ao não ser crente ser contraditório ao ser ateu... bem, parece uma salada fantástica, cujo sentido é no minimo rebuscado. Ou então sou eu, na minha ignorância de jovem, que não atinjo mais essa verdade suprema.

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  5. Grande post, sim senhor! Eu não diria melhor. Não posso dizer que concorde a 100%, até porque tenho a minha religião. No então se me acusarem de ser anticlericalista... aceito de bom grado o epíteto! De facto não gosto da religião católica nem de nenhuma religião viciosa como outras tantas que existem. Não sou ateu, claro está, mas tenho um grande apreço por esta crença. Até porque é tão válido acreditar na existência como na não-existência. Parabéns pelo blog! (PS: Já agora - a vantagem de não seres católico é que podes dizer heresias e não vais parar ao inferno. It's their god, their rules.. they burn in hell!)

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  6. "Não por ser contra quem acredita, mas por ser contra que levem uma fantasia tão a sério, exijam que a respeitemos, a pintem de conhecimento profundo e a impinjam aos outros."

    Sou crente mas não podia estar mais de acordo consigo. Na verdade, apenas exijo que me respeitem e não às minhas crenças. Não fantasio nem pinto de conhecimento profundo as minhas crenças e muito menos as impinjo aos outros.
    A religiosidade é (ou deveria ser) do foro íntimo de cada um. A palavra religião vem do latim relicare e significa voltar a ligar. Voltar a ligar o quê/quem a quê/quem? Em minha opinião, poderá ser talvez ligar o indivíduo ao seu lado espiritual. Ora, como nem eu tenho a certeza de que o conceito será este, apenas posso defender que é um conceito e um caminho de cada um, para ser entendido e percorrido individualmente e, apenas, se o indivíduo assim o entender ou tiver vontade. Não é um caminho para ser percorrido sob a égide e teorização das várias igrejas como se fossemos todos uma cambada de carneiros.

    Posso acreditar na existência de uma força, energia, deus ou o que lhe quiserem chamar, mas acima de tudo, acredito na liberdade de pensamentos, palavras, actos e omissões de cada um.

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