sexta-feira, fevereiro 16, 2007

A sova.

Consta nos comentários que eu estou a levar uma «sova intelectual» do Jónatas Machado (1). Em parte é um alívio; sova por sova, que seja intelectual, que sempre dói menos.

Mas não me parece útil travar este combate entre o criacionismo e a teoria da evolução sobre coisas abstractas e obscuras como a exegese bíblica o a fé nisto ou naquilo. Prefiro o cenário mais arejado da biologia, e proponho que se lute sobre a origem das espécies, que foi o que despoletou o conflito.

Segundo o criacionismo, cada ser vivo foi criado de acordo com o seu tipo. O «tipo» é vago, mas a ideia é não haver poucas-vergonhas. Cada um é o que é e não há cá misturas. A teoria da evolução diz que as espécies se separam gradualmente de uma população ancestral. Aqui o criacionista vê o ponto fraco e ataca: nesse caso, temos que ter uma situação intermédia entre uma espécie e duas espécies, e dois organismos têm, ao mesmo tempo, que ser da mesma espécie e de espécies diferentes. Não pode haver casos assim, por isso o criacionismo ganha.

E com isto os criacionistas contam um ponto a seu favor, que é o procedimento correcto numa discussão teológica à moda da escolástica medieval. Mas a ciência não se ganha com argumentos bonitos, e isto ainda não é uma sova. É uma experiência. Se não há casos intermédios, então o criacionismo tem razão. Mas se há a sova é outra.

A gaivota argentea (Larus argentatus) habita o norte da Europa Ocidental e da América. A gaivota de asa escura (Larus fuscus) habita no norte da Europa Ocidental e Escandinávia. São duas espécies distintas, de aparência diferente, e sexualmente isoladas mesmo nas zonas onde coexistem. Mas na Russia há uma subespécie de aspecto intermédio, que a Ocidente se cruza com a gaivota de asa escura, e a Oriente, no Alasca, se cruza com a gaivota argentea.

Por tradição, a gaivota de asa escura e a gaivota argentea são consideradas espécies separadas. Mas biologicamente podíamos agrupá-las na mesma espécie, visto que há um continuo de populações que se cruzam: da Europa Ocidental, pela Escandinávia, norte da Russia, Alasca, América do Norte e de volta ao ponto inicial.

Há outros exemplos de espécies anel como esta. A salamandra Ensatina da Califórnia e o pequeno pássaro Phylloscopus trochiloides dos Himalaias são outros bem conhecidos. São casos raros, pois é uma situação instável e é preciso uma geografia particular, que permita que a espécie se espalhe e modifique gradualmente nos extremos de forma a que se tornem incapazes de se cruzar.

Mas estes casos ilustram bem a natureza gradual da evolução, e o contínuo de modificações na adaptação dentro de uma espécie, a geração de novas espécies e assim por diante. O combate tem que ser travado em casos concretos, e não na interpretação bíblica ou na fé de cada um. E se os criacionistas me derem uma sova intelectual nesta arena é uma sova que levarei de bom grado, pois isso significará que têm uma explicação melhor.

1- Ciência, direito, e criacionismo.

16 comentários:

  1. Mais um excelente artigo. E obviamente discordo da "teoria" da sova.

    [Off Topic]

    A prova da autoridade da Bíblia [...] consiste em que, com base nela, é perfeitamente possível construir um modelo explicativo dos factos biológicos, genéticos, geológicos, paleontológicos, glaciológicos, astronómicos, físicos, astrofísicos, e enfrentar confiantemente toda a comunidade científica, desmascarando as suas premissas fideísticas de base naturalista, uniformitarista e evolucionista.

    Fiquei curioso com esta afirmação. Gostava de saber como é que da bíblia se prevê a trajectória dos planetas no sistema solar, e com que precisão. Gostava de saber como é que da bíblia se calcula o momento magnético do electrão, e com que precisão. Ou como é que se prevê o decaímento radioactivo do Urânio 238, ou ainda como é usada para fabricar medicamentos que salvam inúmeras vidas.


    [...] já que em matéria de ciência operacional, isto é, daquela que se faz em laboratório, não existe nenhuma querela entre evolucionistas e criacionistas.

    Um exemplo muito simples que gostava de ver esclarecido: Uma pedra, deixada cair a uma altura de 5 metros, quanto tempo demora a atingir o solo. Como é que a partir da bíblia se constrói um modelo explicativo para esta experiência. E qual a precisão.

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  2. http://www.youtube.com/watch?v=wOe7EuHclyo&eurl=

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  3. este palhaço do youtube é o escolhido para argumentar? Que pobreza de argumentos

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  4. Caro Anónimo,

    Não é um argumento. É comédia. É para rir.

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  5. Uma gaivota voava voava, asas de vento, coração de mar. Como ela o Ludwig Krippahl é livre de voar.

    Não vejo em que é que o argumento da gaivota prova a evolução. As gaivotas continuam a reproduzir-se de acordo com a sua espécie, como a Bíblia diz. O próprio Ludwig admite que as mesmas podem ser agrupadas numa só espécie.

    As gaivotas dão gaivotas, os cães dão cães, os macacos dão macacos, os cavalos dão cavalos. Não vemos a criação de novas espécies. A observação científica corrobora a Bíblia. Os seres vivos reproduzem-se de acordo com a sua espécie. Génesis 1 afirma isso 10 vezes, como que para evitar confusões nessa matéria.

    Os evolucionistas é que têm que supor que algures, num passado distante, inobservável e irrepetível, os invertebrados deram lugar aos vertebrados, os vertebrados aos peixes, os peixes aos anfíbios, os anfíbios aos répteis e aos mamíferos, os répteis às aves, e assim por diante, até que por fim veio o homem.

    Nunca ninguém observou esse processo, evidentemente. Pena é, por isso, que o registo fóssil não documente essas transições (deveriam existir biliões de fósseis), como facilmente pode ser confirmado com abundantes escritos de evolucionistas.

    Pena é, do mesmo modo, que as observações mostrem que as mutações destroem gradualmente o genoma, podendo inclusivamente conduzir a um “genetic meltdown” e que a selecção natural reduza o “pool genético” na medida em que elimina as espécies menos adaptadas. Nenhuma espécie resistiria a milhões de anos de mutações. O seu genoma deixaria pura e simplesmente de funcionar.

    O isolamento geográfico dá lugar à especialização genética, com perdas de informação. Através da selecção natural as gaivotas adaptam-se ao meio em que se encontram, mas perdem gradualmente a capacidade de se adaptarem a outros meios.

    Os criacionistas não negam as mutações nem a selecção natural. Antes pelo contrário, elas são um elemento essencial e indispensável do modelo criacionista.

    Depois do dilúvio, as diferentes espécies foram-se dividindo em pequenas populações e isolando-se geográfica e reprodutivamente, dando lugar a processos de especiação alopátrica e simpatrica, como diria Ernst Mayr.

    Os criacionistas defendem que a especiação pode ser bem rápida, e as observações científicas corroboram isso mesmo. Ela pode ocorrer em poucas gerações.

    Só que esses processos não criam informação genética nova, antes operam uma especialização da informação pré-existente.

    Cada grupo de gaivotas isolado tem menos informação genética do que o casal ancestral comum que saiu da arca de Noé. Enquanto este tinha potencial genómico para se adaptar a vários meios, o isolamento de subpopulações vai reduzindo o pool genético de cada uma delas, diminuindo a sua capacidade adaptativa.

    O mesmo sucede com o ser humano. Depois da dispersão linguística em Babel, as populações humanas, por não conseguirem comunicar entre si, dispersaram-se e isolaram-se, tendo desenvolvido alguma diferenciação genética, ainda que mínima.

    Daí surgiram as impropriamente designadas raças. Também elas podem ter maior ou menor dificuldade em se adaptar a diferentes meios. Pense-se, por exemplo, nos indivíduos com pele branca (com pouca melanina), mais propensos a apanhar cancro na pele com a exposição ao sol, do que indivíduos com pele escura, mais propensos a terem falta de vitamina D se viverem em zonas com pouco sol. Nem uns nem outros ficaram geneticamente mais ricos com o isolamento.

    Em todo o caso, todas as populações humanas podem reproduzir-se entre si, o que atesta o modelo bíblico de que essas populações derivam de um tronco comum, ao mesmo tempo que desmente modelos multi-regionalistas da evolução do Homem.

    A Bíblia diz que todos somos parentes uns dos outros. Isso aplica-se a todos, independentemente da cor da pele, dos olhos, dos cabelos, etc.

    É verdade. Biblicamente, o Ludwig e eu somos da mesma família. O mesmo sucedendo com todos os leitores. Todos temos como ancestrais comuns Adão e Eva, e Noé e a sua família. O mundo seria melhor se nos tratássemos uns aos outros mais como família, e não como estranhos.

    O preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, fala da família humana. Trata-se de um conceito que só um criacionista pode, de forma inteiramente consistente, subscrever.

    Só a Bíblia explica a origem das espécies e do próprio Charles Darwin, porque foi inspirada pelo criador de umas e de outro. Onde estava Charles Darwin quando Deus criou o Universo, a Vida e as espécies?

    A Bíblia não é um livro científico, mas fornece os axiomas necessários a uma ciência correcta: vivemos num mundo racional, criado por um Ser racional, que nos dotou de razão, para estudarmos o mundo racionalmente.

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  6. Caro Jónatas,

    Se

    «Os seres vivos reproduzem-se de acordo com a sua espécie. Génesis 1 afirma isso 10 vezes, como que para evitar confusões nessa matéria.»

    então como é que:

    «Depois do dilúvio, as diferentes espécies foram-se dividindo em pequenas populações e isolando-se geográfica e reprodutivamente, dando lugar a processos de especiação alopátrica e simpatrica, como diria Ernst Mayr.»

    Se espécies podem dar outras espécies, então o génesis está errado (10 vezes, pelos vistos). Se não podem então o que diz ter acontecido depois do dilúvio não aconteceu.

    Mas o problema maior do criacionismo é bem ilustrado pelo seu comentário. O Jónatas faz diversas afirmações, apoia-se unicamente na bíblia, e não explica absolutamente nada. É por isso que o criacionismo não serve.

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  7. Os evolucionistas é que têm que supor que algures, num passado distante, inobservável e irrepetível, os invertebrados deram lugar aos vertebrados, os vertebrados aos peixes, os peixes aos anfíbios, os anfíbios aos répteis e aos mamíferos, os répteis às aves, e assim por diante, até que por fim veio o homem.

    Por outro lado, os criacionistas têm que supôr que algures, num passado distante, inobservável e irrepetível, deus criou tudo. Não me parece um grande argumento.

    Nunca ninguém observou esse processo, evidentemente.

    E o da criação?

    Pena é, por isso, que o registo fóssil não documente essas transições (deveriam existir biliões de fósseis), como facilmente pode ser confirmado com abundantes escritos de evolucionistas.

    Errado. Os corpos depois de mortos deterioram-se. São necessárias condições especiais para que exista preservação. Mas o que é interessante é a coerência de como o criacionismo explica o registo fóssil. Tirado daqui.

    Este segmento vem a propósito do facto de, consistentemente, as espécies estarem ordenadas ficando as mais simples em baixo e as mais complexas em cima.


    "The fossil-bearing strata were apparently laid down in large measure during the Flood, with apparent sequences attributed not to evolution but rather to hydrodynamic selectivity, ecological habitats, and differential mobility and strength of the various creatures." (Whitcomb and Morris, 1961, p. 327)

    In other words, according to the creationists, all of the organisms whose remains we find in the fossil record--everything from trilobites to the Burgess Shale invertebtrates, the placoderm fishes and the therapsid reptile-mammals, the dinosaurs and the wooly mammoths, to birds and human beings--were all actually living together, simultaneously and side by side, until the Flood of Noah drowned them all and then sorted their dead remains, over a period of less than a year, into an order that just happens to make it LOOK as though all of these organisms developed slowly by a long process of evolutionary descent. All of the sedimentary rocks we see today, which appear as though they were laid down over incredibly long stretches of time, were actually all laid down within one year by the raging flood waters; all of the fossils we see today, which are found within the geological column, actually died in the same year, in the Flood, and were sorted out, buried and fossilized in the flood sediments. This is the creationist's "scientific" explanation for the fossil record, which they refer to as "Flood geology".


    O artigo continua a descontruir a "teoria". Só mais uma citação:

    The creationists assume that birds are found high in the column because they could have flown above the raging Flood waters until they tired and fell in to drown. Why, then, did the flying reptiles such as Pteranodon and Ramphorynchus not do the same? Since we also find fossil clams at all levels of the sedimentary, even at the very top, are we justified in assuming that these clams must have run to the high ground, while the brachipods didn't?

    Ameijoas voadoras é uma descoberta fantástica.


    Pena é, do mesmo modo, que as observações mostrem que as mutações destroem gradualmente o genoma, podendo inclusivamente conduzir a um “genetic meltdown” e que a selecção natural reduza o “pool genético” na medida em que elimina as espécies menos adaptadas.

    Pode-me ter falhado mas e o argumento do Ludwig sobre o facto das mutações genéticas poderem ocorrer nas duas direcções? Ou seja, se pode haver uma mutação de, supor, A para B, então a mutação de B para A também é possível.

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  8. Outro aspecto importante do registo fóssil é que normalmente não encontramos organismos inteiros.

    No mesmo estrato onde encontramos um tiranossauro inteiro, encontramos também unhas de tiranossauro, dentes de tiranossauro, pedaços de casca dos ovos, etc. Até os grãos de pólen se dividem de acordo com as espécies de plantas de onde vieram, e ficam nos mesmos estratos com os troncos, as folhas, as sementes.

    Não só o design foi inteligente. Até a àgua do Dilúvio era genial para conseguir separar estes pedaços todos de acordo com as espécies e independente da densidade, forma, tamanho, ou peso.

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  9. Só que esses processos não criam informação genética nova, antes operam uma especialização da informação pré-existente.

    Experiência conceptual:

    Parte 1:
    #1: Encontrar N moscas e metê-las num recipiente em que não possam sair nem outras moscas entrar. Supor, por simplicidade, que duram 3 dias, em média.
    #2: Separar os machos das fêmeas e esperar 3 dias.
    #3: Juntar as moscas fêmeas e machos sobreviventes.
    #4: Repetir #2 e #3 várias vezes incrementando sempre o tempo, até chegar a 6 dias.
    Conclusão: as moscas sobreviventes vão durar cerca de 6 dias no fim deste processo

    Parte 2:
    #1: Pegar nas moscas da Parte 1 da experiência.
    #3: Agrupar os machos e fêmeas 1 a 1.
    #4: Esperar que tenham moscas-filho(a)s.
    #5: Se as moscas-pais viverem mais que 6 dias matar os filhos.
    #6: Repetir processo várias vezes diminuindo o tempo de vida das moscas até chegar a 3 dias.
    Conclusão: as moscas sobreviventes vão durar cerca de 3 dias no fim do processo

    Conclusão da experiência: Se fosse verdade que os processos não criavam informação nova, então a parte 2 da experiência não deveria resultar em nenhuma mosca. Ou seja, se a informação fosse destruida, então não se poderia votar atrás. No entanto, pelo que me parece, podemos repetir este processo as vezes que quisermos, desde que o façamos com lentidão suficiente.



    Até a àgua do Dilúvio era genial para conseguir separar estes pedaços todos de acordo com as espécies e independente da densidade, forma, tamanho, ou peso.

    Sim, nada fácil...

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  10. "Biblicamente, o Ludwig e eu somos da mesma família. O mesmo sucedendo com todos os leitores."

    Bem, nada de misturas, ok? Eu só alinho nessa família se pudermos incluir os chimpanzés...

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  11. Tanto os evolucionistas, como os criacionistas interpretam os dados a partir de premissas aceites pela fé. Falem-me da vossa fé, que eu falo-vos da minha fé.

    Eu creio que Deus criou o Universo e a Vida, como a Bíblia diz, e interpreto os factos com base nessa premissa. O Ludwig crê que o Universo e a Vida se autoproduziram acidentalmente, e interpreta os factos dessa forma. O que eu digo é que os factos observáveis fazem mais sentido à luz da interpretação criacionista do que da interpretação evolucionista.

    Deus observou a Criação e revelou como ela ocorreu, nos seus traços fundamentais. Ignorar a Sua revelação é meio caminho andado para o erro e a confusão.

    O Ludwig baseia-se nas observações limitadas e nas especulações falíveis de Darwin. Eu baseio-me nas observações ilimitadas de Deus e na sua palavra infalível. Isso faz toda a diferença na explicação dos factos. Isso não quer dizer que argumente só com base na Bíblia. No blogg do Vasco Barreto apresentei dezenas de citações de evolucionistas a dizer o que mesmo que os criacionistas dizem: que o registo fóssil não documenta a evolução gradual. Do mesmo modo, tenho citado evolucionistas a dizer que o gradualismo não tem suporte empírico, e que o saltacionismo é fantasioso. Vejam as minhas considerações no blogg do Vasco Barreto, que muito me tem ajudado a divulgar o criacionismo.

    No entanto, acusaram-me de ter citado esses evolucionistas fora do contexto, como se o contexto alterasse alguma coisa ao sentido da afirmação de que o registo fóssil não documenta uma evolução gradual. Enfim, se cito a Bíblia, é porque cito a Bíblia. Se cito os evolucionistas, é porque cito os evolucionistas. Se cito os criacionistas, é porque cito os criacionistas. Podem ver, no meu artigo disponível no blogg do Vasco Barreto, que cito toda a gente.

    Mas vejamos o caso das espécies. Os evolucionistas dizem que as espécies dão novas espécies. Os criacionistas dizem que as espécies se reproduzem de acordo com a sua espécie. Os factos observados corroboram inteiramente as afirmações criacionistas e desmentem o evolucionismo. Alguém já vio uma espécie a dar origem a outra completamente diferente? Claro que não.

    Nós observamos que os cães dão cães, os gatos dão gatos, os peixes dão peixes, os tentilhões dão tentilhões, as bactérias dão bactérias, etc. Toda a variedade de caninos, ursos, felinos, etc, não cria uma espécie completamente nova, com novos genes e com estruturas e funções completamente novas. Essa variedade supõe ancestrais comuns com mais informação (potencial genómico) e não menos informação genética.

    Na verdade, as espécies não dão outras espécies, mas sim subespécies, todas elas com menos informação genética do que os ancestrais comuns. Isso tem sido reconhecido pelos próprios evolucionistas.

    Existem muitas subespécies de caninos, mas são todos caninos. Não são um misto de cão e gato, ou cão e crocodilo. O DNA estabelece limites à variação suportável.

    Existe igualmente muita variedade na espécie humana (v.g. "brancos", "negros", zulus, aborigenes, pigmeus), mas são todos da mesma espécie humana. Todos se podem reproduzir entre si, e as diferenças genéticas são mínimas.

    Essa variedade não cria informação genética nova. Por exemplo, a generalidade da população negra perdeu a informação genética para ter olhos azuis e cabelos louros. A população negra (com maior capacidade de produção de melanina) tem mais capacidade de adaptação ao sol, mas menos capacidade de adaptação a ambientes com pouco sol. Pelo contrário, os indivíduos de pele mais clara estarão particularmente vulneráveis num ambiente com maior intensidade de raios solares.

    Um cão com pelo denso, está mais ambientado a climas frios, mas menos adequado a climas quentes. Um cão com pouco pelo terá maior dificuldade de sobrevivência em climas frios. No processo especiação as subespécies estão mais adaptadas ao seu meio ambiente, embora a sua informação genética seja agora mais especializada. Este fenómeno ocorreu através de selecção natural.

    Todavia, não se criou qualquer novo gene. Pelo contrário, perdeu-se a informação genética necessária para adaptação a novos climas. Se posteriormente ocorrer uma alteração climática drástica e súbita, as espécies não terão a necessária informação genética para sobreviver num ambiente completamente diferente.

    Para haver evolução, é necessário aumentar informação genética no genoma. No entanto, a especiação diminui a informação genética presente em cada subpopulação. As espécies adaptam-se a um novo meio, mas perdem capacidade de adaptação a diferentes meios. O “pool genético” de cada subespécie vai ficando mais pobre.

    Não se cria nada. A especiação não é evidência de evolução, porque as alterações genéticas vão precisamente no sentido oposto do postulado pela evolução. A evolução necessita de milhões de mutações que criem nova informação genética codificadora de estruturas e funções inexistentes no ancestral. Mas as mutações e a selecção natural não são amigas da evolução. Elas reduzem a informação.

    Assim como um comerciante que perde dinheiro em cada transacção comercial não pode esperar ter lucro no final do ano, também uma subespécie resultante de um processo de especiação não adquire novas estruturas e funções para além daquelas que havia herdado.

    O registo fóssil nada diz sobre como as espécies viveram, mas sim como elas morreram. Hoje encontramos fósseis de peixes e moluscos nas camadas mais profundas das rochas sedimentares exactamente iguais a peixes e moluscos actualmente vivos. Encontramos fósseis de peixes a comer outros peixes.

    Quando morrem, os animais decompõem-se ou são imediatamente comidos pelos predadores. Não se fossilizam. A fossilização supõe um processo súbito de sepultamento e compactação. Fossilização em larga escala é inteiramente compatível com uma catástrofe global em larga escala: um dilúvio global. Ela é precisamente o que se esperaria encontrar no caso de um dilúvio global.

    Uma catástrofe em larga escala é inteiramente compatível com uma coluna geológica plena de anomalias e irregularidades. Os evolucionistas, porque adoptam geralmente o uniformitarismo de Charles Lyell, é que têm mais dificuldade em explicar as anomalias da coluna geológica, como sejam os fósseis vivos, os fósseis polistráticos, a inexistência de vestígios de erosão entre as camadas de sedimentos, a existência de múltiplas camadas de sedimentos sobrepostas e dobradas sem quaisquer rachas (indiciando que dobraram antes de secarem), etc. Por outro lado, os evolucionistas não têm qualquer explicação para o surgimento de múltiplas formas de vida, extremamente complexas, nas rochas cambrianas, nem para a inexistência de fósseis intermédios nas rochas sedimentares. Por outro lado, a presença de C-14 nas rochas e fósseis datados radiometricamente como tendo milhões de anos põe em causa a validade dessas datações radiométricas, já que o C-14 só permite datar até cerca de 200 000 anos.

    Os evolucionistas sustentam que as rochas sedimentares, a despeito de toda a evidência de catastrofismo, foram o resultado de pouca água ao longo de milhões de anos. Os criacionistas, olhando para as mesmas rochas, consideram que as suas características requerem muita água ao longo de pouco tempo. De resto, já têm sido documentada a criação da canyons com camadas estratificadas de rochas sedimentares em poucos dias.

    Podem ver mais informação sobre isto em www.biblicalgeology.com


    P.S.

    1) No princípio era a mosca. No fim, também era a mosca. As moscas só dão moscas.

    2) Pelos vistos, o Hélder Santos deseja constituir uma família bestial.

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  12. Tanto os evolucionistas, como os criacionistas interpretam os dados a partir de premissas aceites pela fé. Falem-me da vossa fé, que eu falo-vos da minha fé.

    Eu creio que Deus criou o Universo e a Vida, como a Bíblia diz, e interpreto os factos com base nessa premissa. O Ludwig crê que o Universo e a Vida se autoproduziram acidentalmente, e interpreta os factos dessa forma. O que eu digo é que os factos observáveis fazem mais sentido à luz da interpretação criacionista do que da interpretação evolucionista.

    Deus observou a Criação e revelou como ela ocorreu, nos seus traços fundamentais. Ignorar a Sua revelação é meio caminho andado para o erro e a confusão.

    O Ludwig baseia-se nas observações limitadas e nas especulações falíveis de Darwin. Eu baseio-me nas observações ilimitadas de Deus e na sua palavra infalível. Isso faz toda a diferença na explicação dos factos. Isso não quer dizer que argumente só com base na Bíblia. No blogg do Vasco Barreto apresentei dezenas de citações de evolucionistas a dizer o que mesmo que os criacionistas dizem: que o registo fóssil não documenta a evolução gradual. Do mesmo modo, tenho citado evolucionistas a dizer que o gradualismo não tem suporte empírico, e que o saltacionismo é fantasioso. Vejam as minhas considerações no blogg do Vasco Barreto, que muito me tem ajudado a divulgar o criacionismo.

    No entanto, acusaram-me de ter citado esses evolucionistas fora do contexto, como se o contexto alterasse alguma coisa ao sentido da afirmação de que o registo fóssil não documenta uma evolução gradual. Enfim, se cito a Bíblia, é porque cito a Bíblia. Se cito os evolucionistas, é porque cito os evolucionistas. Se cito os criacionistas, é porque cito os criacionistas. Podem ver, no meu artigo disponível no blogg do Vasco Barreto, que cito toda a gente.

    Mas vejamos o caso das espécies. Os evolucionistas dizem que as espécies dão novas espécies. Os criacionistas dizem que as espécies se reproduzem de acordo com a sua espécie. Os factos observados corroboram inteiramente as afirmações criacionistas e desmentem o evolucionismo. Alguém já vio uma espécie a dar origem a outra completamente diferente? Claro que não.

    Nós observamos que os cães dão cães, os gatos dão gatos, os peixes dão peixes, os tentilhões dão tentilhões, as bactérias dão bactérias, etc. Toda a variedade de caninos, ursos, felinos, etc, não cria uma espécie completamente nova, com novos genes e com estruturas e funções completamente novas. Essa variedade supõe ancestrais comuns com mais informação (potencial genómico) e não menos informação genética.

    Na verdade, as espécies não dão outras espécies, mas sim subespécies, todas elas com menos informação genética do que os ancestrais comuns. Isso tem sido reconhecido pelos próprios evolucionistas.

    Existem muitas subespécies de caninos, mas são todos caninos. Não são um misto de cão e gato, ou cão e crocodilo. O DNA estabelece limites à variação suportável.

    Existe igualmente muita variedade na espécie humana (v.g. "brancos", "negros", zulus, aborigenes, pigmeus), mas são todos da mesma espécie humana. Todos se podem reproduzir entre si, e as diferenças genéticas são mínimas.

    Essa variedade não cria informação genética nova. Por exemplo, a generalidade da população negra perdeu a informação genética para ter olhos azuis e cabelos louros. A população negra (com maior capacidade de produção de melanina) tem mais capacidade de adaptação ao sol, mas menos capacidade de adaptação a ambientes com pouco sol. Pelo contrário, os indivíduos de pele mais clara estarão particularmente vulneráveis num ambiente com maior intensidade de raios solares.

    Um cão com pelo denso, está mais ambientado a climas frios, mas menos adequado a climas quentes. Um cão com pouco pelo terá maior dificuldade de sobrevivência em climas frios. No processo especiação as subespécies estão mais adaptadas ao seu meio ambiente, embora a sua informação genética seja agora mais especializada. Este fenómeno ocorreu através de selecção natural.

    Todavia, não se criou qualquer novo gene. Pelo contrário, perdeu-se a informação genética necessária para adaptação a novos climas. Se posteriormente ocorrer uma alteração climática drástica e súbita, as espécies não terão a necessária informação genética para sobreviver num ambiente completamente diferente.

    Para haver evolução, é necessário aumentar informação genética no genoma. No entanto, a especiação diminui a informação genética presente em cada subpopulação. As espécies adaptam-se a um novo meio, mas perdem capacidade de adaptação a diferentes meios. O “pool genético” de cada subespécie vai ficando mais pobre.

    Não se cria nada. A especiação não é evidência de evolução, porque as alterações genéticas vão precisamente no sentido oposto do postulado pela evolução. A evolução necessita de milhões de mutações que criem nova informação genética codificadora de estruturas e funções inexistentes no ancestral. Mas as mutações e a selecção natural não são amigas da evolução. Elas reduzem a informação.

    Assim como um comerciante que perde dinheiro em cada transacção comercial não pode esperar ter lucro no final do ano, também uma subespécie resultante de um processo de especiação não adquire novas estruturas e funções para além daquelas que havia herdado.

    O registo fóssil nada diz sobre como as espécies viveram, mas sim como elas morreram. Hoje encontramos fósseis de peixes e moluscos nas camadas mais profundas das rochas sedimentares exactamente iguais a peixes e moluscos actualmente vivos. Encontramos fósseis de peixes a comer outros peixes.

    Quando morrem, os animais decompõem-se ou são imediatamente comidos pelos predadores. Não se fossilizam. A fossilização supõe um processo súbito de sepultamento e compactação. Fossilização em larga escala é inteiramente compatível com uma catástrofe global em larga escala: um dilúvio global. Ela é precisamente o que se esperaria encontrar no caso de um dilúvio global.

    Uma catástrofe em larga escala é inteiramente compatível com uma coluna geológica plena de anomalias e irregularidades. Os evolucionistas, porque adoptam geralmente o uniformitarismo de Charles Lyell, é que têm mais dificuldade em explicar as anomalias da coluna geológica, como sejam os fósseis vivos, os fósseis polistráticos, a inexistência de vestígios de erosão entre as camadas de sedimentos, a existência de múltiplas camadas de sedimentos sobrepostas e dobradas sem quaisquer rachas (indiciando que dobraram antes de secarem), etc. Por outro lado, os evolucionistas não têm qualquer explicação para o surgimento de múltiplas formas de vida, extremamente complexas, nas rochas cambrianas, nem para a inexistência de fósseis intermédios nas rochas sedimentares. Por outro lado, a presença de C-14 nas rochas e fósseis datados radiometricamente como tendo milhões de anos põe em causa a validade dessas datações radiométricas, já que o C-14 só permite datar até cerca de 200 000 anos.

    Os evolucionistas sustentam que as rochas sedimentares, a despeito de toda a evidência de catastrofismo, foram o resultado de pouca água ao longo de milhões de anos. Os criacionistas, olhando para as mesmas rochas, consideram que as suas características requerem muita água ao longo de pouco tempo. De resto, já têm sido documentada a criação da canyons com camadas estratificadas de rochas sedimentares em poucos dias.

    Podem ver mais informação sobre isto em www.biblicalgeology.com


    P.S.

    1) No princípio era a mosca. No fim, também era a mosca. As moscas só dão moscas.

    2) Pelos vistos, o Hélder Santos deseja constituir uma família bestial.

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  13. "Quando morrem, os animais decompõem-se ou são imediatamente comidos pelos predadores. Não se fossilizam. A fossilização supõe um processo súbito de sepultamento e compactação. Fossilização em larga escala é inteiramente compatível com uma catástrofe global em larga escala: um dilúvio global. Ela é precisamente o que se esperaria encontrar no caso de um dilúvio global."

    Olha, uma razão para não estarem representadas todas as espécies que alguma vez viveram. E mais um argumento contra o dilúvio. Se o dilúvio é o único evento catastrófico da história da Terra então todos os animais que alguma vez viveram tinham de estar fossilizados na mesma camada, que por dua vez devia ter uma representação uniforme á escala mundial.


    "Uma catástrofe em larga escala é inteiramente compatível com uma coluna geológica plena de anomalias e irregularidades. Os evolucionistas, porque adoptam geralmente o uniformitarismo de Charles Lyell, é que têm mais dificuldade em explicar as anomalias da coluna geológica, como sejam os fósseis vivos, os fósseis polistráticos, a inexistência de vestígios de erosão entre as camadas de sedimentos, a existência de múltiplas camadas de sedimentos sobrepostas e dobradas sem quaisquer rachas (indiciando que dobraram antes de secarem), etc. Por outro lado, os evolucionistas não têm qualquer explicação para o surgimento de múltiplas formas de vida, extremamente complexas, nas rochas cambrianas, nem para a inexistência de fósseis intermédios nas rochas sedimentares. Por outro lado, a presença de C-14 nas rochas e fósseis datados radiometricamente como tendo milhões de anos põe em causa a validade dessas datações radiométricas, já que o C-14 só permite datar até cerca de 200 000 anos."

    Mais uma vez, os criacionistas devem ser as únicas pessoas a interpretar o uniformitarismo de forma tão literal, talvez por verem nessa interpretação geral uma janela de oportunidade para atacar a geologia.
    Gostava de saber como é que o uniformitarismo tem dificuldade em explicar os fosseis poliestratigráficos (o que quer que eles sejam...), a ausência de estratos sem erosão e as dobras. Principalmente as dobras, visto que há tanto tipo de dobra, com rachas, sem rachas, formadas em sedimento mole, em sedimento consolidado, em regimes metamórficos de alta temperatura em que a rocha se quase fluida, etc. Uma alegria.
    E o Carbono 14 em rochas mais antigas pode facilmente derivar de contaminação superficial das mesmas.O dito é produzido continuamente por bombardeamento de raios cósmicos e espalação e pode ir parar a água que se infiltra e deposita carbonato nessas rochas.


    "Os evolucionistas sustentam que as rochas sedimentares, a despeito de toda a evidência de catastrofismo, foram o resultado de pouca água ao longo de milhões de anos. Os criacionistas, olhando para as mesmas rochas, consideram que as suas características requerem muita água ao longo de pouco tempo. De resto, já têm sido documentada a criação da canyons com camadas estratificadas de rochas sedimentares em poucos dias."

    Sustentam? Ena, não sabia. E os criacionistas explicam as rochas depositadas em ambientes continentais, lacustres, glaciares, etc, com o diluvio?
    E já agora, como é que se cria um canyon com rochas estratificadas em pocos dias se um canyon é a expressão de um fenómeno erosivo... as rochas sedimentares já la deviam estar há muito tempo...

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  14. Sinto a mesma dificuldade a discutir contra os argumentos criacionistas, aqui exemplificados pelo comentarista Jonatas Machado, que a discutir a veracidade das premonições da Astrologia e a conjugação dos planetas Venus e Marte e a influência que exercem na terminação dos bilhetes da lotaria. A mesma. Jonatas Machado: há mais clientes para a pseudo-ciencia que para a ciência, e isso não torna a pseudo-ciência mais verdadeira.
    Mas jà agora: quem foi que criou o tal Deus? (ou Shiva, ou John Frumm)

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  15. "Existem muitas subespécies de caninos, mas são todos caninos. Não são um misto de cão e gato, ou cão e crocodilo."

    Claramente, um salto de gigante para o cão, um pequeno passo (ou dentada) para o crocodilo.

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